Tesouro só empresta ao Novo Banco se Fundo de Resolução não tiver verba suficiente

Fevereiro 22nd, 2018

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Negócios

Há um ano o Executivo antecipava que apenas em 2019 seria necessário uma eventual injecção no Novo Banco, mas o registo de imparidades antecipado pode obrigar a uma entrada de fundos já este ano.

O Governo só avançará com um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução se os fundos da instituição não forem suficientes para cobrir as imparidades geradas pelo Novo Banco, sabe o Negócios. Para isso, é preciso primeiro fechar as contas do banco e perceber qual a almofada com que o Fundo de Resolução está a trabalhar.

O Expresso avança na edição deste sábado que o Estado vai injectar mais capital no Novo Banco, num montante que pode chegar aos 850 milhões de euros.

Ao Negócios uma fonte próxima do processo explica que o montante ainda não está fechado, mas que não deverá chegar aos 850 milhões de euros que foram disponibilizados no Orçamento do Estado para 2018.

Até porque primeiro é preciso perceber quais os fundos disponíveis do Fundo de Resolução e só depois, em caso de necessidade, o Tesouro faz um empréstimo ao Fundo de Resolução. Esta é uma informação essencial para perceber o contributo eventual de cada uma das partes.

Segundo o Expresso, o Novo Banco vai apresentar prejuízos recorde, que podem chegar às várias centenas de milhões de euros e podem mesmo chegar aos milhares de milhões, em resultado do elevado montante de imparidades que o banco se prepara para registar.

No ano passado, quando o Governo ultimava a operação de venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, antecipava que apenas em 2019 seria preciso, eventualmente, injectar fundos no Novo Banco. No entanto, tal como aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, o Novo Banco prepara-se para fazer um registo de imparidades antecipado.

O impacto destas operações no défice e na dívida é ainda indefinido, ficando dependente das decisões do Instituto Nacional de Estatística e do Eurostat. No entanto, esta é uma questão que à partida não preocupa o Governo que vê no caso do registo da recapitalização da CGD um bom sinal de que a operação – a existir – acabará por não prejudicar Portugal na avaliação dos critérios para apuramento de défice excessivo.

Global Bankers à frente na corrida pela GNB Vida. Oferece 250 milhões

Fevereiro 22nd, 2018

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Eco

A oferta fica bastante abaixo do valor contabilístico da seguradora do Novo Banco, o que poderá obrigar o Fundo de Resolução a cobrir as perdas.

O Global Bankers é a única instituição que passou à fase final de negociações direta para comprar a GNB Vida, a seguradora do grupo Novo Banco que foi colocada à venda no ano passado. Segundo apurou o ECO, este grupo internacional especializado em aquisições de seguradoras está a oferecer 250 milhões de euros pelos seguros do ramo vida do Novo Banco, um valor que fica bastante abaixo da avaliação que tinha sido feita do GNB Vida, em torno de 450 milhões de euros. A concretizar-se esta venda, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir as perdas.

O processo de venda da GNB Vida teve início em agosto do ano passado. No relatório e contas relativo ao primeiro semestre de 2017, o Novo Banco, que detém 100% da seguradora, referia que “o processo organizado de venda tem a expectativa de concretização de um acordo para venda da GNB Vida durante o último trimestre de 2017“. Contudo, chegados ao final desse ano, não havia ainda um acordo estabelecido.

Contactada, fonte oficial do Novo Banco refere apenas que o processo de venda está a decorrer e que, no final do ano passado, foram recebidas várias propostas de compra, sem confirmar a identidade dos potenciais compradores. O Global Bankers também não respondeu às questões colocadas pelo ECO.

Os 250 milhões de euros oferecidos pelo Global Bankers ficam bastante aquém da avaliação da GNB Vida. O valor contabilístico da seguradora que tem sido noticiado ronda os 450 milhões de euros, ainda que o Novo Banco, contactado, não confirme este número. Sendo este o valor, uma venda abaixo de 450 milhões pode obrigar o Fundo de Resolução a ativar o mecanismo de capital contingente, o instrumento que criou como garantia para que o Lone Star aceitasse ficar com o Novo Banco.

O mecanismo de capital contingente, no valor de 3,89 mil milhões de euros, foi uma das condições a que o Governo cedeu para conseguir vender o Novo Banco. O mecanismo é suportado pelo Fundo de Resolução, que detém uma participação de 25% do capital do banco, e é acionado com a acumulação de duas condições:

  • Se os ativos considerados tóxicos do Novo Banco sofrerem uma desvalorização face ao seu valor de referência, que será determinado no momento da conclusão da venda;
  • E se os rácios de capital do Novo Banco baixarem de um rácio de cerca de 12%.

A concretizar-se a venda, e a ser aceite o valor que está a ser oferecido pelo Global Bankers, há um desconto superior a 46% (ou 200 milhões de euros) face ao valor contabilístico da GNB Vida. Se, a par disto, os rácios de capital do Novo Banco baixarem do nível acordado no contrato de compra e venda assinado com o Lone Star, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir a diferença.

 

Novo Banco estuda mudança de imagem

Fevereiro 22nd, 2018

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Publico

Alemão de 34 anos, nomeado pelo fundo norte-americano Lone Star participa nos trabalhos da comissão executiva do Novo Banco.

O Novo Banco está a equacionar mudar de cara, adoptando uma nova imagem com outras cores para a marca criada há três anos e meio para substituir a designação BES. Os cenários estão a ser equacionados pela comissão executiva, que é acompanhada por um representante do Lone Star, de 34 anos, que não pertence ao órgão social.

O PÚBLICO apurou que a equipa de executivos do Novo Banco liderada por António Ramalho tem em curso um processo de reflexão interna sobre a imagem do banco cujo objectivo é romper com a ideia de instituição de transição. Isto, dado que a actual configuração do Novo Banco foi adoptada a 3 de Agosto de 2014, aquando da resolução do BES.

Confrontada com a informação, fonte oficial do Novo Banco assegurou que não há decisões tomadas e tudo está em aberto.

O cenário está a circular no mercado há vários meses, desde que o Lone Star tomou posse da instituição que tem como principal executivo António Ramalho, de 58 anos, e cuja equipa integra Vítor Fernandes, Jorge Cardoso, Isabel Cascão, Luísa Amaro de Matos, Rui Fontes e José Bettencourt.

Mas a comissão executiva, que gere o dia-a-dia do banco, tornou-se entretanto bilingue. É que o PÚBLICO sabe que o fundo de private equity norte-americano “monitoriza” a sua acção. Para além de controlar ao detalhe muitas das decisões de crédito, o grupo do Texas faz-se representar por um “homem da sua confiança” nas reuniões semanais.

Trata-se do alemão Benjamin Friedrich Dickgiesser, que a 9 de Março de 2017 assinou contrato com o Lone Star Europe Acquisitions Limited e é membro do Conselho Geral de Supervisão (não executivo) da instituição portuguesa. Na prática, Dickgiesser, de 34 anos, funciona como “observador” do Lone Star junto da comissão executiva. E há mais: o conselho geral de supervisão reúne mensalmente, mas o seu presidente, o inglês Byron Haynes (ex-CEO do austríaco BA WAG), de 52 anos, vem a Portugal no mínimo duas vezes por mês para acompanhar os trabalhos dos sete gestores executivos.

O acordo assinado a 18 de Outubro de 2017, entre as autoridades nacionais e a Lone Star, prevê que o Fundo de Resolução (financiado pela banca e gerido pelo Banco de Portugal) mantenha 25% do Novo Banco, sem direito a voto ou a nomear administradores. Durante a cerimónia de compra dos 75% do Novo Banco, o director geral do Lone Star, Donald Quintin, garantiu que leva “muito a sério” a responsabilidade de gerir a instituição que lhe foi “confiada”.

E é assim que, do conselho geral e de supervisão nomeado pelo Lone Star para o quadriénio 2017-2020, constam ainda, e para além de Byron e de Dickgiesser, os nomes de Karl-Gerhard Eick, Donald John Quintin, Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker, John Herbert, Robert A. Sherman.

A ausência de gestores não executivos independentes contraria as regras da boa governação que os supervisores geralmente aconselham. Por exemplo, o Banco Central Europeu (BCE) e o BdP recomendaram à Caixa Geral de Depósitos (o banco público) que a sua administração (equiparada a conselho geral e de supervisão) integrasse não só representantes do Estado, o seu único accionista, mas gestores independentes e executivos. No dossiê Novo Banco, todos foram flexíveis: Banco Central Europeu, BdP e Governo.

Se a banca financiadora do Fundo de Resolução falhar com as responsabilidades que assumiu pelo resgate do BES, serão os contribuintes nacionais que vão ser chamados a pagar as perdas: 11 mil milhões de euros, em torno de seis por cento do Produto Interno Bruto. A soma é simples: 4,9 mil milhões já injectados a 3 de Agosto de 2014; 2,2 mil milhões de responsabilidades com litigâncias; 3,9 mil milhões da garantia pública dada pelo Fundo de Resolução ao Lone Star.

O cenário de que a garantia venha a ser usada é cada vez mais provável uma vez que se espera que o Novo Banco apresente resultado muito negativos em 2017. Estas contas serão apresentadas no final de Março depois de as contas serem auditadas pela PricewaterhouseCoopers.

Numa deslocação à Assembleia da República, a 5 de Abril de 2017, o ministro das Finanças, Mário Centeno acabou por dizer: “Não sendo uma solução equilibrada, não quer dizer que tenha sido a solução perfeita na perspectiva do Estado”, mas foi “o melhor negócio possível perante as circunstâncias concretas.”

Queda do BES: Ministério Público aponta 13 culpados

Fevereiro 21st, 2018

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Eco

Comissão liquidatária do Banco Espírito Santo relativo à queda do banco. Foram apontados 13 culpados, nomeadamente Ricardo Salgado.

O Ministério Público confirma que a insolvência do Banco Espírito Santo foi culposa. O procurador da República concorda, assim, em absoluto, com a leitura feita pela comissão liquidatária do BES, no que diz respeito à queda dessa instituição bancária e aponta como responsáveis 13 nomes, nomeadamente o de Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, José Maria Ricciardi e Joaquim Goes, entre outros 

De acordo com o Jornal de Negócios (acesso pago), ao subscrever o parecer da comissão liquidatária, o Ministério Público considera que esses 13 responsáveis contribuíram para gerar o prejuízo total de 5,9 mil milhões de euros, embora seja importante destacar que a intervenção de cada um dos envolvidos deve ser diferenciada consoante “os distintos níveis de conhecimento” ou “acesso a informação relevante, verdadeira e atual”.

As ações “desenvolvidas ou omitidas” desde 3 de agosto de 2011 — isto é, a atividade dos três anos anteriores à resolução do banco — serviram de base à proposta da comissão liquidatária. “Se a situação de grave e irrecuperável desequilíbrio financeiro do BES já estava verificada à data […] da medida de resolução […] ressalta à evidência que só a análise do período anterior poderá relevar a determinação causal desse desequilíbrio financeiro“, corrobora o parecer do Ministério Público.

Os 13 nomes envolvidos neste processo devem agora ser notificados, contando depois com um prazo para contestação. Segue-se um julgamento no tribunal. Ainda assim, uma eventual sentença judicial terá apenas consequências cíveis, de foro não criminal.

Fisco teve de compensar BES mau por contribuição sobre sector bancário

Fevereiro 21st, 2018

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Mesmo depois da resolução, o BES teve de pagar a contribuição sobre o sector bancário. O banco mau impugnou e foi-lhe dada razão. Os 21,7 milhões regressaram e vieram com juros compensatórios.

A Autoridade Tributária devolveu os 21,7 milhões de euros correspondentes à contribuição sobre o sector bancário que, em 2015, foi cobrada ao Banco Espírito Santo. Só que, por ter cobrado indevidamente, o Fisco teve de pagar juros compensatórios: 1,6 milhões de euros adicionais.

São mais de 23,2 mil milhões de euros que, no período entre Agosto e Outubro do ano passado, entraram no BES, a entidade que resultou da intervenção no banco e que se encontra em liquidação.

A contribuição sobre o sector bancário, imposta em Portugal em 2011, foi cobrada em 2015, mas a administração contestou o pagamento. No final de 2016, “na sequência da impugnação judicial e do procedimento administrativo de revisão oficiosa”, ficou decidido que a entidade teria de receber os 21,7 milhões anteriormente exigidos.

Entretanto, o reembolso pelo Fisco foi feito entre Agosto e Outubro de 2017, e veio com juros compensatórios por o Fisco “ter reconhecido que tal valor não era devido”.

O pagamento pela Autoridade Tributária foi a grande rubrica de recebimentos do BES mau entre Agosto e Outubro de 2017, num total de 48 milhões de euros. A outra grande ajuda veio da venda de obrigações do Novo Banco, no âmbito da recompra de dívida que antecedeu a venda à Lone Star.

Estes são números de fluxos de tesouraria. Não há ainda dados de final de 2016 do BES mau: há “dificuldades na aplicação” de regras da legislação de insolvência no processo.

Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos

Fevereiro 21st, 2018

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Negócios

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Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos

O Novo Banco, expurgado de activos tóxicos do BES, não deixou as perdas. Em causa estão provisões e imparidades, sobretudo para crédito.

Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos
Jorge Paula/Correio da Manhã
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Diogo Cavaleiro 19 de fevereiro de 2018 às 23:20

O Novo Banco, expurgado de activos tóxicos do BES, não deixou as perdas. Em causa estão provisões e imparidades, sobretudo para crédito.

2014
Penalizado pela PT e Oi
Não foi um ano completo para o Novo Banco. Como foi constituído a 3 de Agosto de 2014, as primeiras contas de final de ano reflectiram menos de cinco meses. Os prejuízos de 497,6 milhões de euros deveram-se, sobretudo, a provisões e imparidades, em especial para crédito. Também houve perdas devidas à exposição do banco então liderado por Eduardo Stock da Cunha à Oi e PT, de que o BES era accionista.

2015
Perdas em créditos renovam prejuízos
Mais uma vez, as provisões contribuíram para penalizar os resultados líquidos do Novo Banco. Ainda sob o comando de Stock da Cunha, os prejuízos foram de 980,6 milhões de euros. O reforço do provisionamento deveu-se, em grande medida, à maior cobertura sobre as “50 maiores exposições de risco que já existiam à data da resolução do BES”. Ou seja, a gestão ressalvava que as perdas que a instituição enfrentava deviam-se ao passado. A exposição à Pharol e à brasileira Oi continuava a ser um peso.

2016
Crédito e reestruturação marcam ano
Mais um reforço de provisões a ditar perdas no Novo Banco no ano em que António Ramalho sobe a líder. O aumento foi de 30%, ainda que o provisionamento para crédito se tenha mantido estável. O mesmo não aconteceu noutras rubricas, nomeadamente imóveis e equipamento. Neste ano, reflectiram-se as medidas do plano de reestruturação, com a redução de postos de trabalho.

2017
Mais agressividade contra perdas
Já se sabe que haverá um provisionamento agressivo. Na rubrica contavam-se já 563,2 milhões até Setembro. Os prejuízos cifravam-se em 419 milhões. Podem multiplicar-se por quatro no final de 2017.

Miguel Tiago ataca currículo de Carlos Costa. Governador responde com herança

Fevereiro 18th, 2018

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O deputado do PCP acusa o governador do Banco de Portugal de ter “um dos piores currículos” na supervisão. Carlos Costa reagiu dizendo que recebeu a “pior herança”.

O Partido Comunista Português não acredita que o Banco de Portugal esteja a dizer tudo o que sabe sobre o Montepio. Mas percebe que assim seja: só quando o sistema mudar é que isso deixará de acontecer. Palavras do deputado Miguel Tiago, que atacou o governador Carlos Costa esta quarta-feira, 14 de Fevereiro.

“O senhor governador tem um dos piores currículos da história da supervisão bancária”, começou por acusar o deputado comunista perante Carlos Costa na audição parlamentar que tem o Montepio como tema.

Para Miguel Tiago, Carlos Costa “viu falir nas suas barbas o BES e o Banif”. E nos dois casos foi falando sobre os bancos, incluindo no Parlamento, sem mencionar toda a verdade, atirou o deputado comunista.

O deputado comunista defende que o supervisor “só trabalha na escuridão” e sempre será assim quando o sistema financeiro se mantiver com a actual estrutura. O PCP argumenta que a banca deve ser pública, para escapar a prejuízos, que atribui aos accionistas privados.

“Não gosto que diga que tenho o pior currículo. Mas tive a pior herança”, respondeu Carlos Costa. “Tendo tido a pior herança, recebi instituições em que o quadro jurídico não permitia a separação entre o accionista e a entidade participada, em que não havia um modelo de governo que garantisse tudo o que era necessário”, continuou o governador.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal desde 2010 ao suceder a Vítor Constâncio (era da nacionalização do BPN e da falência do BPP), era o supervisor aquando da aplicação das medidas de resolução ao Banco Espírito Santo, em 2014, e ao Banif, em 2015. Um ano depois, a Caixa Geral de Depósitos necessitou de uma capitalização para evitar perdas para os credores. Temas que levaram a comissões parlamentares de inquérito.

 

Costa e Hugo Soares em confronto sobre lesados do BES

Fevereiro 18th, 2018

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RTP com som

Depois de questionar o primeiro-ministro sobre as alegadas adoções ilegais pela IURD, o líder parlamentar do PSD pede esclarecimentos sobre os lesados do antigo Banco Espírito Santo. Num momento de debate aceso, António Costa acusa o anterior Governo de deixar problemas por resolver, incluindo a resolução do BES e Banif.

 

Prejuízos recorde no Novo Banco devem obrigar a novo apoio público este ano

Fevereiro 18th, 2018

Prejuízos recorde no Novo Banco devem obrigar a novo apoio público este ano

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Observador

 

Prejuízos do Novo Banco podem chegar a mil milhões de euros em 2017, diz o Expresso. O registo de perdas em ativos “tóxicos” deve obrigar Fundo de Resolução a meter mais capital.

O Novo Banco deverá apresentar prejuízos recorde relativos ao ano passado. O Expresso escreve que as perdas poderão chegar aos mil milhões de euros, por força de uma política mais agressiva de reconhecimento de perdas em ativos problemáticos.

Em causa estão os créditos e outros ativos “tóxicos” que foram assumidos pelo Fundo de Resolução, no quadro do acordo de venda do banco à Lone Star. Este reconhecimento de imparidades (perdas) reflete, por um lado, as exigências das autoridades europeias que querem limpar rapidamente o crédito malparado, mas também serve o objetivo do novo acionista que pretende acelerar o regresso aos lucros. O fundo americano que comprou o Novo Banco pode vender ao fim de três anos, tendo por isso pressa em rentabilizar o ativo, diz o Expresso.

O reconhecimento de mais perdas deverá criar novas necessidades de capital no banco já este ano, ativando a cláusula no acordo de venda que prevê a injeção de recursos por parte do Fundo de Resolução, que é uma entidade pública. No entanto, as condições acordadas com a Lone Star também determinam que apesar deste ativos serem geridos pelo Novo Banco, a última palavra sobre a constituição de provisões para perdas é do Fundo de Resolução.

Certo é que o Governo já consagrou no orçamento uma almofada de 850 milhões de euros para a eventualidade de ter financiar o Fundo de Resolução numa nova injeção de capital no Novo Banco. O jornal ECO assegura entretanto que a injeção de capital público ficará abaixo desse limite. O Fundo de Resolução é responsável pela assunção de perdas até 3,89 mil milhões de euros nos ativos tóxicos que a Lone Star quis excluir da compra do Novo Banco, mas apenas no caso de estas perdas levarem a uma descida dos rácios que provoque necessidades adicionais de capital.

O Novo Banco deverá ser assim o único dos principais bancos nacionais a apresentar prejuízos relativos a 2017. Em 2016, a instituição perdeu 788 milhões de euros.

PWC banida na Índia por não detetar fraude

Fevereiro 14th, 2018

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Sol

Em Portugal, a PwC é auditora, por ajuste direto, do Banco de Portugal e foi também do Novo Banco até este ser vendido ao fundo americano Lone Star. Tem ainda em carteira o BPI, Santander Totta e Bankinter.

A Comissão de Valores Mobiliários da Índia (SEBI, na sigla em inglês) apertou o cerco à PricewaterhouseCoopers (PwC) por não ter detetado um esquema de fraude em torno de um gigante de software indiano. Como consequência, além de não poder auditar durante dois anos as empresas cotadas nesse país, os administradores estão a ser alvo de um processo criminal e correm o risco de serem condenados a prisão efetiva. Esta inibição começa a ser a aplicada a partir de 31 março deste ano, mas a auditora já anunciou que vai recorrer da decisão.

O caso remonta a 2009 e envolveu a quarta maior empresa de software indiana. O presidente da gigante Satyam Computer Services, Ramalinga Raju, passou anos a falsificar as contas da empresa. Um caso de fraude contabilística no valor de 2.250 milhões de dólares (cerca de 2 mil milhões de euros), que escapou à ‘vigilância’ da PwC, que não detetou o esquema.

De acordo com Raju, 94% do dinheiro que constava nas contas da empresa foi inventado.

O caso chocou o mercado, já que a Satyam era vista como uma das mais importantes empresas de tecnologia do país e o seu presidente e fundador como um grande empreendedor. Também o facto da PwC, a auditora da empresa, não ter detetado este esquema fraudulento não tranquilizou o mercado.

A verdade é que estamos a assistir a uma estreia em termos de inibição imposta a uma auditora por não se ter dado conta do que se estava a passar. Já no mercado português, nos casos de má gestão, sobretudo na banca, auditoras como a PwC ou a KPMG não têm assumido qualquer responsabilidade.

Mercado nacional 

A PwC é a auditora, desde 2014 por ajuste direto, do Banco de Portugal (BdP), o supervisor do sistema financeiro nacional. Ou seja, a mesma auditora que foi agora banida na Índia por não ter detetado a fraude da gigante informática é responsável por acautelar o rigor nas contas do banco central.

Também o Novo Banco, quando detido pelo acionista Fundo de Resolução (gerido pelo BdP), escolheu à época a PwC como auditora. A mudança de auditor só ocorreu depois de a instituição financeira ter sido vendida ao fundo norte-americano Lone Star, que passou a deter 75% do banco. A escolha recaiu na EY, que já presta serviços à Lone Star noutros mercados. A EY ficou, assim, com dois grandes bancos em carteira: o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos – este último contrato está avaliado em 5,5 milhões de euros anuais.

Embora tenha perdido o herdeiro do BES, a PwC ganhou a conta do BPI e tem ainda em carteira o Santander Totta e o Bankinter. Feitas as contas, estamos a falar de um auditor com acesso a informação privilegiada de uma fatia importante da banca. A isto há que somar ainda possíveis conflitos de interesses e as danças de cadeiras de que o auditor tem sido alvo.

Em causa esteve a nomeação de Luís Costa Ferreira, ex-consultor da PwC, para chefiar a Direção de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal, que levou o Bloco de Esquerda a pedir esclarecimento urgente ao órgão liderado por Carlos Costa.

Entre julho de 2013 e outubro de 2014, Costa Ferreira foi diretor do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal. Em janeiro de 2015 abandonou o órgão regulador para assumir as funções de liderança na área de Serviços Financeiros na PwC, regressando agora novamente ao BdP. Por coincidência – ou não – a PwC audita atualmente o próprio Banco de Portugal, ocupando o lugar deixado vago por Carlos Albuquerque, que seguiu para a administração da Caixa.

«A existência de conflitos de interesse é óbvia e inaceitável. Luís Costa Ferreira passa de regulador a partner de uma empresa que presta consultoria a regulados, voltando depois a ser regulador», chegaram a alertar os bloquistas.

Também esta questão levou o CDS a sugerir que o recrutamento de diretores para o Banco de Portugal fosse feito através de concurso público e que fosse a CMVM a entidade responsável por verificar eventuais conflitos de interesses entre o exercício de auditoria a entidades de interesse público e a prestação de serviços de consultadoria. «Não nos parece que faça sentido que alguém possa ser auditor de uma entidade e avalie o crédito mal parado e depois seja consultor de quem quer comprar esse crédito», explicou, na altura.

Ainda na banca, o BCP tem a Deloitte como sua auditora, posto que era ocupado num passado recente pela KPMG. Uma auditora que também tem vivido dias longe de serem pacíficos, já que foi alvo de processos de averiguação contraordenacional à auditora pelo Banco de Portugal e CMVM devido à supervisão no BES Angola, que esteve a seu cargo durante 10 anos.

No relatório enviado pelo BdP ao Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria (CNSA), foram mesmo apontadas indícios de violação das normas de auditoria e ocultação de informação da KPMG Portugal e da KPMG Angola relativamente ao BESA.

«Nunca foram transmitidos pela KPMG quaisquer indícios sobre potenciais perdas associadas às irregularidades identificadas na carteira de crédito do BESA», revelou o relatório da participação à CNSA. Só no primeiro trimestre de 2014 é que a KPMG reconhece um valor significativo de imparidades.

A KPMG foi também supervisora das contas do Banco Espírito Santo (BES) desde 2002, assim como todo o universo do grupo: a Espírito Santo Financial Group, a Espírito Santo Irmãos, a Espírito Santo Financial.

Já em 2015 foi condenada pela CMVM por violação das normas de auditoria no caso BCP, seis anos após o início do processo. Em causa estava a utilização de veículos offshore para investir em ações do próprio banco. Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal estiveram entre os condenados nesta operação. A auditora foi condenada por uma infração muito grave, mais ainda assim com pena suspensa. O banco só em 2016 mudou de auditor, 30 anos depois, trocando a KPMG – que continua a auditar as contas do Montepio – pela Deloitte.