BES: emigrantes lesados já receberam 60% do dinheiro

Dezembro 10th, 2017

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TVI

Quantias em depósito mas que não podem ser “mexidas” durante os primeiros anos

Os emigrantes lesados pelo BES que aceitaram a proposta feita este ano pelo Novo Banco para recuperação parcial do investimento já receberam nas suas contas bancárias o equivalente a 60% do dinheiro investido com o colapso do banco.

Esta informação foi transmitida à Lusa pelo presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), Luís Marques, que disse que os investidores “já receberam nas suas contas [do Novo Banco} o que estava estipulado, 60% do dinheiro”.

O dinheiro foi depositado pelo Novo Banco em depósitos a prazo durante os meses de outubro e novembro.

Contudo, os emigrantes acordaram não poder mobilizar o dinheiro durante os primeiros anos.

Já em 2018, 2019 e 2020 cada cliente receberá a cada ano mais 5% do dinheiro investido em depósitos, perfazendo uma recuperação de 75% do dinheiro investido e perdido no colapso do Banco Espírito Santo (BES).

A AMELP acordou, em agosto, com o Novo Banco e com o Governo uma solução que permite aos clientes emigrantes do BES que investiram em determinados produtos financeiros (Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7) recuperarem 75% do dinheiro ao longo dos próximos anos.

Em contrapartida, foi exigido que desistissem das ações judiciais contra o Novo Banco e seus trabalhadores.

Contudo, ainda falta a solução para os clientes que subscreveram os produtos financeiros EG Premium e Euroaforro 10, para os quais o Novo Banco ainda não tem proposta comercial.

O presidente da AMELP disse à Lusa que já foi pedida uma reunião ao Novo Banco sobre o tema e que espera tê-la ainda este mês.

Após a resolução do BES, em 03 de agosto de 2014, cerca de 8.000 emigrantes de França e Suíça (o equivalente a 12 mil contas, uma vez que há clientes que têm mais do que uma conta) vieram reclamar mais de 720 milhões de euros, acusando o banco de lhes ter vendido produtos arriscados (ações de sociedades veículo), quando lhes tinha dito que se tratavam de depósitos a prazo para não residentes.

A responsabilidade sobre estes produtos ficou, na resolução do BES, no Novo Banco – o banco de transição então criado -, que propôs, em 2015, aos emigrantes (dos produtos Poupança Plus, Euro Aforro e Top Renda) uma proposta comercial, que teve a aceitação de cerca 80% do total (cerca de 6 mil clientes), que detinham em conjunto 500 milhões de euros.

No entanto, houve 1.440 clientes que não aceitaram a solução, por considerarem que não se adequava ao seu perfil e não era justa, incorporando obrigações do Novo Banco com vencimento apenas daqui a 30 anos e sem cupão anual.

Em agosto deste ano foi acordada uma nova solução entre estes emigrantes, Novo Banco e Governo para 1.440 clientes que não aceitaram a proposta do Novo Banco de 2015.

O presidente da AMELP avançou à Lusa que a grande maioria dos lesados aceitou a proposta, mas sem avançar números concretos.

A associação que representa os lesados tem dito que, além do montante acordada com o Novo Banco e Governo de recuperação do investimento (até 75%), os clientes poderão receber mais 31,7% do capital em causa caso sejam considerados credores comuns do BES.

A falência de 2015

Dezembro 10th, 2017

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Diário de Notícias Opinião João César das Neves

Portugal está no bom caminho. Depois da quase-falência de 2011, que teria destruído a reputação internacional, conseguiu recuperar o equilíbrio, graças ao apoio dos parceiros e violenta austeridade, lançando um crescimento de que colhe os primeiros frutos. Certo?

Errado. A nossa doença financeira, após quinze anos de endividamento galopante de 1992 a 2008, está longe da cura. O recente clima de alívio e crescimento, que tantos insistem em confundir com prosperidade, pouco passa de inércia, depois do violento aperto e, sobretudo, efeito de uma aberrante situação internacional. A enxurrada de liquidez, com que os bancos centrais evitaram o colapso em 2008, ainda continua. Na falta de verdadeiras reformas, nove anos após a emergência, o planeta mantém-se encharcado em dinheiro, com taxas de juro quase nulas. É isso que permite aos protagonistas da crise, como Portugal, evitar enfrentar a realidade da sua situação, maquilhando-a com ilusões. Mas o cancro está lá, e de vez em quando dá sinal de si. No passado dia 28 de Novembro mostrou que, afinal, é mesmo maligno.

O sinal passou quase despercebido. O BCP foi ao mercado internacional com uma pequena emissão de dívida de 300 milhões de euros, totalmente subscritos. Mais um sintoma da boa imagem do país. Mas seis fundos internacionais de investimento – Attestor Capital, CQS, River Birch Capital, York Capital e os gigantes BlackRock e Pimco – fizeram um comunicado conjunto, declarando boicotar a emissão. A razão invocada é assustadora: “Cada um de nós decidiu que os riscos associados a investir activamente em dívida portuguesa, pública ou privada, são proibitivos, dado o Banco de Portugal ainda não ter lidado com a retransferência de obrigações do Novo Banco para o Banco Espírito Santo em 2015.”

O comunicado foi largamente ignorado, não só porque destruiria a versão oficial do sucesso lusitano, mas por não ter tido efeitos práticos. A procura dos títulos do BCP foi três vezes superior à oferta e grande parte dela veio de investidores externos. Como se vê, está tudo bem. Mas esta ligeireza apenas confirma a ilusão que se vive por cá. Porque o sinal alertava para a pior das doenças financeiras, uma falência internacional. Aquilo que evitámos in extremis em 2011 graças aos milhões da troika, aconteceu quatro anos depois. Afinal pertencemos mesmo ao grupo das economias arruinadas, como Grécia e Argentina, enfrentando a difamação dos credores. Portugal faliu em 2015.

Será o comunicado espúrio, mera vingança mesquinha de capitalistas despeitados? Os acontecimentos falam por si. A nossa emergência de Abril de 2011, que despoletou o programa de ajustamento, esteve centrada nas contas do Estado, ignorando o facto evidente de que o nosso problema financeiro é ainda mais privado que público. Insolitamente, só após a saída da troikacomeçaram a rebentar os bancos. A 3 de Agosto de 2014 o Banco de Portugal resolveu o BES, liquidando totalmente os accionistas, vários deles estrangeiros e alguns entrados menos de dois meses antes, no aumento de capital de Junho. Mas não é este facto, apesar de dramático e até único nos anais da finança mundial, que agora é invocado. Tratou-se de uma medida indispensável, e quem perdeu foram accionistas, que sabem ter de suportar o risco.

Ano e meio depois, a 29 de Dezembro de 2015, dias antes de mudarem as regras pela União Bancária, o Banco de Portugal «completou a resolução», retransmitindo para o BES obrigações não subordinadas. Desta vez quem perdia eram, não donos, mas credores. Pior, a medida atingia apenas alguns deles, limitando-se a investidores institucionais. Havia assim uma aberta discriminação entre aplicações, prejudicando apenas fundos e organizações similares.

Trata-se, sem dúvida, de uma falência, e é claramente nacional. É verdade que estavam em causa não títulos públicos, mas obrigações de uma empresa privada. Só que esta pertencia a uma entidade criada pelas autoridades, o Fundo de Resolução, então financiado por empréstimo do Estado. E foi assumidamente para poupar os contribuintes que este repudiou as responsabilidades que assumira. Não há dúvida que se tratou de um acidente de crédito de magna dimensão.

Mas, afinal, qual é o mal? A verdade é que o comunicado não teve consequências reais. A emissão do BCP seguiu normalmente e tudo acabou bem. Assim, este repúdio da dívida do BES parece mesmo um almoço grátis. Essa é, de novo, a fantasia que nos anima. Claro que numa situação aberrante de excesso de liquidez, com muito dinheiro em busca de remuneração razoável, todas as aplicações têm sucesso e até Grécia e Argentina se conseguem financiar. Mas o estigma está lá e, quando as condições mudarem, o que já se vislumbra, as consequências serão inelutáveis.

A doce ilusão embala-nos mais algum tempo, mas os sintomas são assustadores. O governo não se preocupa, pois espera que, quando desmoronar, as culpas desta tola apatia já fiquem no sucessor.

 

 

BES: Lesados enviam petição para Parlamento Europeu a queixarem-se do BdP

Dezembro 10th, 2017

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Diário de Notícias

A Associação dos Lesados do Papel Comercial (ALPC) do Banco Espírito Santo (BES) revelou hoje ter enviado uma petição para o Parlamento Europeu e para o Fundo de Estabilidade Europeia queixando-se do incumprimento do Banco de Portugal (BdP).

O diretor de comunicação da ALPC António Silva, que falava à margem da manifestação dos lesados que hoje decorreu no Porto, disse à agência Lusa que, a par disso, decorre um outro abaixo-assinado que farão seguir para o Provedor de Justiça.

“Havia uma provisão constituída para pagar aos clientes de retalho, que passou para o Novo Banco e que, uma vez criada para um determinado fim não pode ser atribuída a outra finalidade”, disse o responsável.

E mantendo o tom crítico, António Silva acusou: “Ao permitir isto, o que o Banco de Portugal está a fazer é uma expropriação”.

Dando conta de que “há mais de 20 pessoas penhoradas pelas Finanças e pela Segurança Social”, o lesado anunciou mais manifestações, até ao final do ano, no Porto e em Paris, capital de França.

“Em França, vamos fazer um protesto junto à embaixada portuguesa contra o BdP, em princípio antes do Natal e, no dia 28, estaremos novamente no Porto, aproveitando as férias dos emigrantes”, informou.

Considerando o que estão a fazer “um ato de desespero, mas também de esperança”, este responsável da associação que nasceu há um ano, em rutura com a Associação dos Indignados do Papel Comercial, argumenta que “ninguém vai a um banco para ser roubado”.

Numa manifestação que juntou cerca de 30 pessoas oriundas de Monção, Ceia, Castelo Branco, Espinho, Estarreja, Maia, Matosinhos e Oliveira do Bairro, a lesada Maria de Luz Pires disse conhecer “pessoas que já morreram por terem perdido todo o seu dinheiro neste processo”.

Considerando que a “falta de união dos lesados é prejudicial” para quem luta para reaver o seu dinheiro, acusa a AIEPC -Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) e os advogados de os estarem “a enganar”.

Na terça-feira foi tornado público que o tribunal de Aveiro condenou o Novo Banco a pagar mais de 100 mil euros a um cliente a quem vendeu obrigações em dezembro de 2014, que acabariam por passar para o BES ‘mau’ em 2015 com perda do investimento.

O BES, tal como era conhecido, acabou em 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num ‘banco bom’, denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos no BES, o ‘banco mau’ (‘bad bank’), sem licença bancária.    

Lesados acusam Novo Banco de ter usado dinheiro das provisões

Dezembro 10th, 2017

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RTP com som

Um grupo de lesados do BES acusa o Novo Banco de ter usado o dinheiro das provisões para outros fins. Duas dezenas de pessoas concentraram-se em frente a uma agência, no Porto, para exigir bom senso ao Governo, ao Banco de Portugal e aos responsáveis do Novo Banco.

Grandes fundos boicotam emissão do BCP por causa do BES

Dezembro 6th, 2017

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Negócios

A Pimco e a BlackRock, entre outras, anunciam que não vão participar na emissão de obrigações do BCP que irá decorrer amanhã. Em causa a retransmissão de obrigações do Novo Banco para o BES “mau”.

Attestor Capital, BlackRock, CQS, Pimco, River Birch Capital e York Capital: todas estas gestoras de fundos de investimento vão boicotar a emissão de 300 milhões de euros que o Banco Comercial Português (BCP) vai realizar esta quarta-feira.

“Não vamos participar nesta emissão. Todos decidimos que os riscos associados a investir activamente em dívida pública ou privada de Portugal são proibitivos, já que o Banco de Portugal ainda não resolveu a retransmissão ilegal e discriminatória das obrigações do Novo Banco para o BES em 2015”, indica o porta-voz de todas essas entidades em e-mail enviado às redacções.

A emissão do BCP foi noticiada na semana, quando anunciado que a instituição financeira iria realizar um “roadshow” no início desta semana. Segundo o que está previsto, a emissão está agendada para quarta-feira, 29 de Novembro. Em causa está a emissão de 300 milhões de euros em obrigações a 10 anos, passíveis de serem reembolsadas ao fim de cinco anos.

“Temos vontade de retomar as discussões com as autoridades portuguesas de forma a resolver rapidamente esta situação e de reestabelecer Portugal como um destino credível para investimento estrangeiro”, continua a mesma fonte, que ressalva que a decisão de não investimento na emissão é individual de cada instituição, apesar da nota conjunta. O BCP não faz comentários ao Negócios sobre este comunicado.

Em causa está a retransmissão de dívida sénior do Novo Banco para o BES “mau” a 29 de Dezembro de 2015. Na resolução de 3 de Agosto de 2014, a dívida sénior passou para o Novo Banco, mas mais de um ano após a resolução, o Banco de Portugal decidiu enviar cinco linhas de obrigações seniores para o BES “mau”, avaliadas em torno de 2 mil milhões de euros, por considerá-las ligadas ao Goldman Sachs, que tinha sido accionista do banco. Desde aí, estas entidades têm vindo a combater, até judicialmente, a decisão da autoridade presidida por Carlos Costa. Aliás, segundo o Financial Times, estas entidades boicotaram, igualmente, a emissão de dívida feita pela Caixa Geral de Depósitos no âmbito da sua capitalização.

Não é claro se, nas últimas operações, estas gestoras de fundos de investimentos participaram em operações de mercado protagonizadas pelo BCP ou outras empresas nacionais, pelo que não é possível calcular o eventual impacto que uma decisão deste género poderia ter. Certo é que a BlackRock é accionista do banco presidido por Nuno Amado: tinha 2,63% do capital do banco em Outubro.

 

Novo Banco condenado a pagar mais de 100 mil euros a cliente

Dezembro 6th, 2017

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Jornal de Notícias

O tribunal de Aveiro condenou o Novo Banco a pagar mais de 100 mil euros a um cliente a quem vendeu obrigações em dezembro de 2014, que acabariam por passar para o BES ‘mau’ em 2015 com perda do investimento.

A sentença, a que a Lusa teve acesso, é da passada sexta-feira (1 de dezembro) e condena o “réu [Novo Banco] a restituir ao autor [da ação] a quantia de 103.806,00Euro (cento e três mil oitocentos e seis euros), acrescida de juros civis vencidos e vincendos desde a respetiva liquidação (17/12/2014), até integral pagamento”.

O tribunal exige, assim, que “seja anulado o contrato” da venda de obrigações e que o Novo Banco restitua ao cliente queixoso o dinheiro envolvido na operação.

O caso remonta a dezembro de 2014, quando o cliente, um empresário de Aveiro, subscreveu 100 mil obrigações do Novo Banco por 101.600 euros (mais comissões bancárias e imposto de selo).

Lesados do BES exigem receber totalidade do dinheiro através da provisão

Novembro 24th, 2017

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Observador

Lesados do BES exigem receber totalidade do dinheiro através da provisão

 

A CDU/Madeira organiza um debate público sobre o colapso do BANIF, no próximo dia 2 de Dezembro, no qual intervirá o deputado da Assembleia da República, Miguel Tiago, o deputado que integrou as Comissões de Inquérito ao BES e ao BANIF, e é co-autor do livro ‘BANIF, uma resolução feita à medida’.

O debate público promovido pela CDU, marcado para a Universidade da Madeira, no auditório do Colégio dos Jesuítas, no Funchal, abordará as formas como se utilizou o dinheiro dos depósitos – o dinheiro dos clientes – para a especulação financeira, para financiar projectos das empresas dos “Amigos do Regime”, sem segurança de retorno desses créditos, assim também como o rol de ilegalidades cometidas impunemente, que levaram ao colapso do BANIF, deixando um rasto de destruição de tantas histórias de vidas.

Para a CDU, a descarada promiscuidade e rotatividade entre o poder político e o BANIF, a partilha de quadros e de objectivos, naquele que foi “Banco do Regime” na Região Autónoma da Madeira, as práticas ilegítimas e os negócios que atentaram contra o superior interesse público, obrigam a uma inadiável responsabilização política.

A CDU lança um apelo à mobilização cidadã à volta de um debate que é do interesse público e que contribuirá para o alargamento da corrente de exigência de uma política alternativa ao actual sistema predador e de extorsão.

 

Um grupo de lesados do BES manifestou-se no Porto esta quinta-feira. Os lesados exigem receber a totalidade do dinheiro que perderam.

Pouco mais de uma dezena de lesados do BES concentraram-se esta quinta-feira junto ao Novo Banco na avenida dos Aliados, no Porto, exigindo receber a totalidade do dinheiro através da provisão criada para reembolsar clientes.

Foi-nos vendido um produto fraudulento. Conforme disse a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi criada uma provisão para salvaguardar essas poupanças, que passou para o Novo Banco, que até este momento – e já passaram três anos – não tem dado solução nenhuma”, afirmou aos jornalistas António Silva, um dos lesados presentes no protesto.

Segundo António Silva, os lesados exigem “a totalidade do dinheiro aplicado, porque a provisão foi constituída para devolver o dinheiro às pessoas, era essa a finalidade”, e vão continuar a lutar em defesa do que é seu.

Também presente nos Aliados, Luís Santos adiantou ter tido “uma surpresa” no dia 7, ao ver que, sem nunca ter assinado a proposta da Associação de Lesados do Papel Comercial (ALPC), que prevê que seja pago 75% do investimento a todos os investidores num prazo de cinco anos, “foi metido” na sua conta à ordem 30% do valor total que tinha no banco.

“A minha advogada disse para assinar essa proposta dos 75%, porque se não ia perder tudo. A prova de que não perdi tudo é que me meteram 30% do valor total”, disse Luís Santos, da Covilhã, que exige recuperar “os 100% que lá tinha”, bem como ser indemnizado por danos morais e receber pelas despesas que já teve com advogados.

Jorge Novo, outro elemento do grupo que se concentrou esta manhã no Porto, recomendou a todos os lesados que não aceitem nem assinem a solução que lhes tem sido proposta, reivindicando “a provisão”.

A solução foi feita por alguém, uns senhores que andam por aí e que se infiltraram, e que vão é tratar da vida deles. Os lesados somos nós, não aceitamos a solução, pretendemos a provisão que está no Novo Banco”, vincou, criticando ainda o facto de a ALPC não ter realizado uma assembleia-geral para consultar os associados.

Segundo disse, e sem apontar nomes, a solução proposta “não é vinculativa e essa dita solução foi desenhada por esses senhores infiltrados, porque ninguém [dos lesados] foi consultado”.

Nesta concentração foi também anunciado que os lesados vão lançar neste dia uma petição para entregar no Parlamento Europeu, na qual pretendem “explicar o que se passou, o que foi dito e assumido”, designadamente o facto de ter sido criada uma provisão para reembolsar os clientes, instrumento que “não podia ter outro destino”, explicou António Silva.

O grupo, que se manifestou ruidosamente e colocou cerca de dez faixas na avenida dos Aliados com inscrições como “Novo Banco paga o que deves”, “E se fosse consigo?”, “Solução Pró Tachão” e “Banco de Portugal Irresponsável”, considera que pode estar em causa uma violação do Estado de Direito, porque a provisão destinava-se a “devolver as poupanças aos clientes de retalho”.

Esta foi a segunda manifestação realizada no Porto durante este mês pelos lesados do Banco Espírito Santo (BES), que prometeram continuar a luta, inclusive protestando em frente à casa de Ricardo Salgado, ex-líder histórico do BES, do antigo Presidente da República Cavaco Silva, e do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

Petróleos de Venezuela tem cumprido crédito ao Novo Banco

Novembro 22nd, 2017

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Negócios

A situação financeira da Venezuela não lançou alarmes no Novo Banco. A cliente PDVSA tem cumprido os pagamentos do crédito, activo que está protegido pelo mecanismo que pode dar custos adicionais ao Fundo de Resolução.

 

Da resolução à venda, como encolheu o Novo Banco

Novembro 22nd, 2017

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Eco

Foram mais de 1.100 dias de vida do banco de transição. Uma vida atribulada e de ajustamento à realidade. É um banco mais pequeno, mas tem mais depósitos dos clientes e a liquidez também aumentou.

Foi a 4 de agosto que nasceu o Novo Banco. Resultante da resolução do BES, o banco de transição demorou mais de três anos a abandonar esse estatuto. Foram mais de 1.100 dias em que o banco, atualmente liderado por António Ramalho, foi encolhendo, preparando-se para a venda que acabou por acontecer a 18 de outubro.

Agora, ainda antes da venda ao Lone Star, tudo mudou. Conheça, em cinco indicadores, como encolheu o Novo Banco:

De 0,2 a 6,2 mil milhões de liquidez

A situação era critica antes da resolução do BES. E não melhorou muito para o banco que “nasceu” a 4 de agosto. Nessa data, a instituição liderada, à data, por Vítor Bento, era de apenas 200 milhões de euros. Mas o banco conseguiu recuperar. Até setembro deste ano, ainda antes de assinada a venda ao Lone Star, a liquidez era de 6,2 mil milhões de euros.

Há BCE, mas muito menos

O Novo Banco conseguiu diminuir a dependência do financiamento do Banco Central Europeu. Se na altura da resolução, o banco de transição necessitava de um enorme apoio da instituição liderada por Mario Draghi — 8.768 milhões de euros –, pouco antes da passagem de banco de transição para uma instituição com um novo dono, esse financiamento caiu para 5.121 milhões.

Palavra de ordem: desalavancar

O banco de transição tinha, na altura em que foi criado, 72.383 milhões de euros em ativos, montante que tinha, forçosamente de encolher. E encolheu: baixou em 21.892 milhões de euros à custa de uma forte redução do montante da carteira de crédito. O montante concedido pelo Novo Banco reduziu-se em 9.937 milhões ao mesmo tempo que os depósitos cresceram. Resultado? O rácio de transformação baixou de 140% para 103%.

Provisões para os erros do passado

Ao longo dos mais de 1.100 dias em que viveu, o banco de transição teve de fazer um enorme esforço para resolver erros do passado. Esse esforço passou pelo reconhecimento nas contas de elevadas perdas, mas também pela constituição de enormes provisões. Neste período, o Novo Banco provisionou 3.695 milhões para cobrir créditos em risco. Este ano, até ao final de setembro, foram realizadas provisões no valor de 563,2 milhões.

Atrair mais clientes (e as suas poupanças)

Ao mesmo tempo que o Novo Banco teve de encolher, o que ficou patente no saldo do crédito, para garantir a liquidez necessária teve de conseguir atrair clientes. Uma tarefa nem sempre fácil num contexto de queda dos juros — o banco de transição tinha limites às taxas que podia praticar –, mas que o banco soube cumprir. De 24.617 milhões de euros a 4 de agosto, o saldo de depósitos cresceu 5,5% para 25.960 milhões no final de setembro.

Três anos de Novo Banco: menos 20% de balcões e trabalhadores

Novembro 22nd, 2017

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Abril

Mais de três anos depois da resolução do BES, o sucessor Novo Banco publicou os seus últimos resultados sob a alçada do Fundo de Resolução. Mais do que os crónicos prejuízos, ressaltam as reduções de balcões e trabalhadores.

O Novo Banco revelou ontem, ao final do dia, os seus resultados até Setembro deste ano – os últimos anteriores à entrega da instituição ao fundo abutre Lone Star, formalizada no mês passado.

Os prejuízos de mais de 400 milhões de euros não são um dado novo, são aliás o registo recorrente dos últimos três anos. Mas os números do banco ao longo do período em que foi detido pelo Fundo de Resolução, uma entidade pública na dependência do Banco de Portugal, mostram bem mais que prejuízos financeiros.

A 4 de Agosto de 2014, no dia em que o BES foi alvo de uma medida de resolução por estar falido, com a injecção de 4,9 mil milhões de euros pelo Fundo de Resolução (3,9 mil milhões vindos directamente dos cofres públicos), a instituição tinha 674 balcões em Portugal, empregando 6950 bancários, excluído o BES Investimento – entretanto vendido ao banco chinês Haitong.

Mais de três anos depois, a estratégia imposta pelo Banco de Portugal, cedendo aos ditames europeus e com o beneplácito dos governos e, particularmente, do governo anterior, ditou uma redução brutal no número de trabalhadores e balcões.

A 30 de Setembro de 2017, o Novo Banco tinha 537 balcões e empregava 5687 bancários – uma redução de mais de 20% e 18%, respectivamente. Da instituição financeira saíram 1263 trabalhadores e foram eliminados 137 balcões.

A Lone Star recebeu 75% do Novo Banco a 18 de Outubro, em troca da promessa de um investimento de mil milhões de euros na instituição até ao final deste ano. Os 3,9 mil milhões de euros que o Estado injectou no banco em 2014 não vão ser recuperados e o Fundo de Resolução pode mesmo vir a ser chamado a colocar outro tanto para suprir necessidades de financiamento da instituição já nas mãos do fundo abutre.

O Fundo de Resolução é uma entidade pública financiada por contribuições a que os bancos a operar em Portugal estão obrigados a fazer anualmente. Como em Agosto de 2014 o fundo ainda não tinha activos suficientes para acorrer à falência do BES, contraiu um empréstimo de 3,9 mil milhões de euros aceite pelo anterior governo.