Arquivo para Janeiro, 2016

BES: OS SEGREDOS DOS 90 DIAS DE NEGOCIAÇÃO

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

Citamos

Sábado

ASO BES. OS BASTIDORES

90 DIAS À VOLTA DA MESA A NEGOCIAR

Um café com António Costa, reuniões com o seu “mandatário” e uma chamada de Paulo Portas num domingo à noite, para um encontro num hotel.

Por Joana Carvalho Fernandes

Ricardo Ângelo ligou ao advogado para lhe dar a notícia o mais depressa que pôde – assim que atendeu os pacientes que o esperavam no consultório de dentista onde trabalha. Acabara de falar pessoalmente com António Costa e ele estava disposto a ajudar. No lobby do Hotel Montebelo, em Viseu, a 27 dias das legislativas, o então candidato do PS a primeiro-ministro tinha ouvido duranteum café, ainda antes do pequeno-almoço – a versão do presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) sobre as sequelas da medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo (BES) e deixado uma promessa. “Disse que teria uma atitude distinta da do anterior governo e trabalharia para que os reguladores se entendessem sobre uma solução”, conta Ricardo Angelo à SÁBADO. Poucos dias depois, ligou-lhe um homem que se apresentou como mandatário de António Costa – seria ele o interlocutor do PS para o dossiê dos lesados. “Queria, com brevidade, fazer chegar à associação as ideias de Costa para ajudar a resolver o impasse”, recorda.

Nos 90 dias seguintes, o homem de confiança do agora chefe do Governo – que quer manter-se longe dos holofotes – terá tido encontros com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Novo Banco (NB), o Ministério das Finanças, o BES, e o Banco de Portugal (BdP). Com os lesados houve perto de uma dezena de reuniões, algumas por telefone. A mais recente, no dia 21, foi num condomínio de luxo perto de Lisboa. “O mandatário do Governo espera ter todas as entidades sentadas à mesma mesa em Março. É ambicioso mas é exequível”, diz Luís Miguel Henrique, um dos advogados da AIEPC. O BdP, que também responde pelo Fundo de Resolução (FR), terá ficado para o fim da lista de contactos – e terá sido o último a mostrar-se disponível para conversar. O regulador disse ã SÁBADO que não comenta o assunto.

À AIEPC, o Executivo deu a missão de crescer para mais do dobro, para que possa representar o maior número possível de clientes que compraram papel comercial do Grupo Espírito Santo (Espírito Santo International e Rioforte) aos balcões do BES ou do Best em Portugal. Agora, a associação representa 950 pessoas e um investimento de cerca de 200 milhões de euros. Quer chegar aos 100%: 2.083 lesados, com 430 milhões investidos. Para ser associado não é obrigatório contratar nenhum dos advogados que já trabalham com o grupo. Nuno da Silva Vieira e Luís Miguel Henrique até estão a pensar pedir ajuda ã Ordem para encontrar um mecanismo que permita que ninguém fique sem advogado, mesmo que não tenha dinheiro.

A solução que chegou pela rádio

O encontro de Ricardo Ângelo com o socialista não fora um golpe de sorte – o presidente da associação andou mais de um mês a tentar. Costa corria o País em pré-campanha. Na véspera, dia 6 de Setembro, tinha feito um jantar-comício em Mangualde. No fim, Ricardo Angelo aproximou-se dele com a ajuda de um amigo de infância, o socialista [oão Azevedo, presidente daquela Câmara Municipal. O encontro ficou marcado para o dia seguinte, antes das 9h. Falaram cerca de 15 minutos.

A 18 de Setembro, Costa disse à Antena 1 que tinha uma solução para os lesados. Os dois advogados da AIEPC já tinham uma reunião marcada com o mandatário do socialista (Ricardo Angelo não podia vir a Lisboa nessa data), mas nenhuma pista sobre o que seria apresentado. Ouviram as declarações durante uma reunião com 150 clientes do centro do País, no Hotel Lux Fátima: “Há boas formas de encontrar uma solução para o problema dentro do quadro da Justiça mas evitando que as pessoas estejam anos à espera.” Olharam um para o outro e disseram, em simultâneo: “Mediação e arbitragem.”

Luís Miguel Henrique e o representante de António Costa encontraramse pela primeira vez a 22 de Setembro, na zona das Amoreiras. “O PS tinha em mente um modelo usado na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001. Mas ali só se recorrera à arbitragem, o que era insuficiente neste caso”, recorda o advogado. Era preciso um modelo mais completo. Pediram ajuda a António de Macedo Vitorino – o advogado da Associação de Defesa de Clientes Bancários (ABESD), o primeiro grupo de lesados do banco e do GES.

O resultado final – o esboço para início de conversa – tem cinco páginas e duas versões, com uma pequeníssima diferença: o título. Ao PS, entregaram uma “Proposta de mediação e arbitragem”. Ao PSD e CDS-PP, uma “Proposta de modelo conciliatório”. E como é que a coligação entra na história? Por intermédio de um lesado, ao telefone, num domingo à noite, 48 horas depois de Costa ter dito que tinha uma solução. Nuno da Silva Vieira estava em Braga, como o cliente que lhe ligava, e interrompeu um serão familiar com a seguinte frase: “Ângelo, levas-me ali ao Marriott, que o Paulo Portas quer falar comigo?” O cunhado ficou boquiaberto. Nuno também fora apanhado desprevenido. “Expliquei ao telefone que teriam a minha rapidez, mas não fato e gravata.” Nem trocou de roupa. Foi de sweatshirt. Portas estava de blazer. “Estava muito sensível ao nosso problema, queria ouvir a nossa versão dos factos e perceber as alternativas”, recorda à SÁBADO.

O advogado propôs apresentar-lhe um modelo de solução que respondesse à preocupação de Portas “com o respeito pela hierarquia de credores”. As conversas seguintes seriam feitas por intermédio de um assessor. Os contactos cessaram quando Costa foi indigitado primeiro-ministro.

Protesto em espanhol

Apesar de o início da negociação parecer estar mais perto, a AIEPC vai continuar os protestos – e juntar um novo idioma à luta. Na próxima manifestação, agendada para 4 de Fevereiro, em Lisboa, haverá faixas com frases em castelhano. É um aviso ao futuro comprador – provavelmente espanhol. “Queremos que não se esqueçam de que, sem solução para nós, quem comprar o NB terá um enorme problema. Tornaremos qualquer banco ‘popular’ em ‘impopular’ e qualquer ‘La Caixa’ numa ‘Pandora’ sem tranquilidade à vista”, diz Ricardo Ângelo. Hás mais estreias previstas para a rua: chocalhos, “numa alusão à cultura espanhola”, e um pequeno camião à cabeça da marcha, com altifalantes. De resto, o costume: cartazes, apitos, buzinas, tambores (alguns emprestados por fanfarras).

O trabalho de contencioso, coordenado por Nuno da Silva Vieira, também não parou. “A retoma do processo de venda do NB abre outras hipóteses. Vamos interpor uma providência cautelar para obrigar o BdP a informar o futuro comprador do nosso crédito de 140 milhões de euros.” E continuam a trabalhar para anular a medida de resolução.

A moeda de troca dos lesados

Os protestos e a guerra nos tribunais (até fora de Portugal) estão entre as armas dos lesados para negociarem com o BdP e o NB. Mas eles também valem dinheiro. Por exemplo, podem ceder os créditos que têm na ESI e na Rioforte ou comprometer-se a depositar o que receberem no NB e O BdP pediu à Deloitte um estudo (obrigatório por lei) para avaliar se a resolução do BES foi pior para os accionistas e credores do que uma eventual liquidação do banco. Se se confirmar que sim, os investidores têm de ser indemnizados pelo Fundo de Resolução. Os advogados garantem que têm propostas para que os clientes recebam o que tinham investido, ou pelo menos pane disso, mas não se pronunciam sobre detalhes: será preciso “boa-fé, cedências e alguma criatividade técnica e financeira”.

Acreditam que pode acontecer este ano, e estão preparados para discutir com os técnicos ao detalhe: “A Vieira Advogados já contratou um especialista em assuntos financeiros”, diz Nuno da Silva Vieira. Luís Miguel Henrique lembra que o tempo e a disponibilidade para assumir perdas também são factores importantes. “Para já só está criada a disponibilidade para negociar. Mas já disse aos clientes que num acordo o credor não recebe tudo. Se quiser ir para tribunal pode vir a receber, até com juros. Numa solução negociada não.”

Um caderno de rascunho

Os dois advogados conheceram-se há seis meses – encontraram-se no Sheraton uma hora antes de se sentarem no escritório do professor de Direito Diogo Freitas do Amaral, a 10 minutos a pé do hotel, para ouvirem a opinião dele sobre a situação dos lesados. No início, Luís Miguel Henrique chegou a viajar de propósito de Lisboa até Braga, onde fica o escritório de Nuno da Silva Vieira, e gastar sete horas na estrada para ter uma conversa de 20 minutos. Hoje trabalham com autonomia: Nuno foi a Bruxelas reunir-se com a Comissão Europeia, Luís conversou sozinho com a CMVM.

A vida de ambos mudou bastante – têm um email e um número de telefone apenas para os clientes da associação. Luís abdicou de quase todos os clientes (manteve o treinador do Sporting, Jorge Jesus) e mudou de escritório: vai trabalhar na Macedo Vitorino & Associados, que também foi contratada pelos obrigacionistas. Nuno viaja duas vezes por semana até Lisboa e arranjou um caderno para apontar os detalhes do processo. Já está escrito até meio e tem um destino – se perderem, é destruído. Se tudo correr como planeiam, vai transformar-se em livro.
o banco pode lucrar com essa quantia.

BES: emigrantes lesados também vão processar governador do Banco de Portugal

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

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Observador

Mais de 300 emigrantes lesados do BES vão processar Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Acusam-no de “falhas graves de supervisão e declarações enganosas” sobre a situação do banco.

Mais de 300 emigrantes lesados do BES vão interpor uma ação administrativa contra o governador do Banco de Portugal (BdP), disse o advogado António Pereira de Almeida à agência Lusa.

A ação vai dar entrada no Tribunal Administrativo “nos próximos dias” e vai assemelhar-se ao processo coletivo contra o governador do Banco de Portugal, contra o Banco de Portugal e contra o Estado português, interposto em outubro de 2014 também no Tribunal Administrativo, por parte “de mais de 600 acionistas e titulares de obrigações subordinadas do BES”.

“Esta ação é dos emigrantes que também foram lesados pelas falhas graves de supervisão e declarações enganosas do governador do Banco de Portugal”, explicou o advogado, precisando que os fundamentos do processo são os mesmos da ação coletiva que “está a correr há mais de um ano”.

Pereira de Almeida especificou que esses fundamentos são as “falhas graves de supervisão que permitiram que acontecesse o que aconteceu no BES e declarações completamente irresponsáveis do governador do Banco de Portugal que 15 dias antes da operação de resolução garantia que o banco estava mais do que sólido e que tinha uma almofada de segurança”.

O advogado falava à Lusa no dia em que o Jornal de Negócios noticia que “são pelo menos 70 as ações judiciais que vários clientes não residentes do antigo Banco Espírito Santo colocaram contra Eduardo Stock da Cunha, o presidente do Novo Banco, desde o início de dezembro”.

À Lusa, o sócio da Pereira de Almeida & Associados declarou esta quarta-feira que “desde novembro entraram mais de 200 processos” de emigrantes lesados do BES nos tribunais cíveis contra o Banco Espírito Santo [BES], o Novo Banco e o presidente do Novo Banco Stock da Cunha, com o objetivo de pedir “uma indemnização equivalente ao capital investido, mais os juros, mais os danos morais”.

“A ação contra Stock da Cunha é pelo facto de ele se ter recusado a fazer o pagamento de uma dívida efetiva do Novo Banco, com prejuízos gravíssimos para os emigrantes que perderam todas as aplicações de uma vida inteira de trabalho e de sacrifício e por ter convencido as pessoas a assinar um acordo complexíssimo e desfavorável com pressões efetivas e telefonemas”, explicou.

António Pereira de Almeida acrescentou que “não há nenhuma razão jurídica para que Stock da Cunha não efetue o pagamento às pessoas que foram enganadas [pelo ex-BES] e cuja responsabilidade transitou seguramente para o Novo Banco”, lembrando que os emigrantes pensavam subscrever depósitos a prazo “e não ações de umas sociedades ‘offshore’ com sede na Ilha Jersey”.

“É certo que o governador do Banco de Portugal diz que não transitou, mas o governador do Banco de Portugal não manda em Stock da Cunha que, ao não efetuar o pagamento, assume a responsabilidade efetiva e pessoal por um ato que pratica de lesão de terceiros”, continuou.

Por outro lado, o advogado Nuno Vieira disse à Lusa que vai avançar “com o procedimento cautelar para impedir a venda do banco” e que está “neste momento a preparar uma ação administrativa para impugnar a deliberação de 29 de dezembro”, em que o BdP decidiu retransmitir as obrigações seniores para o ‘banco mau’.

“O objetivo dessa ação é garantir que os direitos dos emigrantes estão no Novo Banco e que, de nenhuma forma, podem passar para o banco mau, uma vez que o Banco de Portugal não tem o poder de retransmissão de ações judiciais. Um ativo ou um passivo ou uma ação judicial que foi criada no Novo Banco, já após a resolução, não pode ser devolvida ao BES porque nunca esteve lá. É absurdo, ilegal e até uma criancice”, concluiu.

Helena Batista, porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES/Novo Banco, disse à Lusa que “os emigrantes estão revoltados com a deliberação de 29 de dezembro”, considerando que “ainda por cima querem impedir [os lesados] de os processar”.

Nuno Vieira explicou, ainda, que os advogados dos emigrantes lesados devem reunir-se em breve para “fazer uma estratégia conjunta” e criar uma “equipa negocial fortíssima”, acrescentando que uma associação dos emigrantes lesados vai ser oficializada em breve.

Vieira Monteiro: “Santander olhará novamente para o Novo Banco”

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

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Dinheiro Vivo

Presidente do Santander Totta revela que irá entrar na corrida pelo Novo Banco e adianta que valor oferecido pelo Banif foi igual

“Não me pronuncio sobre o Governador do Banco de Portugal”, afirmou António Vieira Monteiro quando questionado sobre a possível saída de Carlos Costa. Sobre o Novo Banco e a possível participação do Santander na corrida à compra, o presidente do Santander Totta disse que “o banco Santander é um grande banco e está sempre atento a tudo aquilo que se passa à sua volta, naturalmente olhará mais uma vez para o processo do Novo Banco”.

“Mas não sabemos os contornos que vai haver, se se enquadram na nossa política. Estamos numa primeira fase e na escolha dos consultores e só depois apresentado o cadernos de encargos e aí diremos se estamos interessados ou não. Vamos ver, acompanharemos com certeza o processo”, garantiu. Sobre os 283 milhões de euros que surgiram nas contas do Santander espanhol relativos ao impacto do Banif, o responsável explicou: “qualquer aquisição quando é efetuada gera uma diferença contabilística que é a reserva de aquisição. Depois da provisão acima de 300 milhões no nosso balanço essa diferença foi de 283 milhões. Mas também entraram 4 mil milhões de euros ponderados pelo risco. Quando entram no balanço os ativos ponderados pelo risco e a reserva de fusão, o rácio baixa 100 basis points.

Tivemos de alocar capital novo para a aquisição. São movimentos contabilísticos”. Compra do Banif “Não costumamos adquirir maus negócios, mas não direi que atualmente tivemos conhecimento de algumas situações que não julgaríamos que estivesse no balanço do Banif”, começou por explicar Vieira Monteiro. Questionado sobre as críticas de Jorge Tomé, o banqueiro não quis comentar. “Não comento, durante muitos anos o Banif apresentou prejuízos e chegámos a esta situação, que foi determinada pelas autoridades. O passado não é nosso mas o futuro é. Entramos num processo competitivo de venda, apresentámos uma proposta e no dia em que a apresentamos foi-nos indicado que essa proposta não existia e teríamos de apresentar uma nova proposta”, explicou o banqueiro. Vieira Monteiro esclareceu que a proposta de compra “era diferente da proposta inicial, na qual estava dependente de uma due diligence onde iríamos aprofundar a situação do banco. Pediram-nos uma nova proposta firme com mais risco e daí o valor foi diferente”.

“Foi-nos dito: os senhores compram e os riscos inerentes são vossos. Sabendo o que sabemos hoje se calhar não teríamos feito a proposta”, disse o banqueiro revelando que quanto ao valor “é o mesmo”.

Não temos nenhum benefício dado pelas autoridades”, garantiu Vieira Monteiro. “Não existe qualquer ajuda de Estado ao Santander Totta na aquisição, a ajuda foi para o Banif SA antes da compra. Nunca estamos disponíveis para entrar em operações com ajudas de Estado. Corremos todos os riscos com esta operação e entendemos provisionar 316 milhões de euros em ativos”, explicou. “Quem nos pede a alteração da proposta é o Fundo de Resolução. Encontrámos situações, a nível de crédito e de outras. Na devida altura serão especificadas”, adiantou o presidente do Santander Totta. Questionado sobre essas situações encontradas pelo Santander Totta na contas do Banif, o banqueiro explicou que “as situações inesperadas é um risco totalmente nosso. Na outra proposta podíamos fazer uma due diligence ou sair do negócio se não nos interessasse, neste caso fizemos uma proposta vinculativa sem qualquer garantia”.

“A partir da meia-noite de segunda-feira o risco passou a ser da conta do Santander Totta, qualquer coisa inesperada ou qualquer custo é da nossa responsabilidade, não há qualquer título de garantia do Estado português ou compensação financeira futura. A folga é para erros matemáticos, se um ativo não tinha um determinado valor haverá um acerto, mas o risco da atividade económica ou o mau comportamento dos ativos e passivos é da responsabilidade do Santander Totta”, salientou. Vieira Monteiro foi mais taxativo: “Não aceitamos nem podíamos aceitar um negócio com ajudas estatais”. Os ativos e passivos do Banif “já estão no balanço”, garantiu o responsável. “Demos o preço justo pelo Banif”. Consolidação vai continuar “Processo de consolidação é uma realidade e vai-se dar, também em Portugal, porque vai trazer bancos mais capitalizados e dar mais confiança a todas as entidades”, acrescentou Vieira Monteiro.

Fora da corrida pelo BarclayCard

O presidente Santander Totta revelou ainda que “não concorremos pelo BarclayCard”

Racionalização ainda decorre

António Vieira Monteiro revelou ainda que a “racionalização ainda está a decorrer e o processo do Banif ainda não está fechado”, acrescentado que “fechámos 19 agências e saíram 25 pessoas no ano passado”. “Vieram todos os funcionários do Banif, 1100 trabalhadores. Nós entendemos que deveríamos assumir o fundo de pensões de todos os empregados do ex-Banif, de 2500 pessoas”, rematou. O banqueiro revelou que “ainda estamos a avaliar a estrutura de balcões, do Santander e do Banif, tal como a analisar o número de trabalhadores. Haverá saídas normais e há pessoas que vão ser utilizadas para outras áreas. Estamos a analisar tudo, a racionalizar a rede e aproveitarmos o máximo possível as pessoas. Mas estendemos aos trabalhadores do Banif os aumentos que os trabalhadores do Santander tinham recebido”.

Consolidação e concorrência

“Não me pronuncio sobre saídas de gestores de outros bancos, mas o sistema financeiro tem passado por problemas nos últimos anos”, disse Vieira Monteiro quando questionado sobre o estado de saúde do sector. O banqueiro defendeu que “deve ser feito rapidamente no sistema é capitalizar-se e ser rentável para enfrentar o futuro com maior confiança. A consolidação vai ter de existir, é uma realidade que resulta também das imposições regulatórias, que levam a maiores requisições de capital, além de uma concorrência exterior cada vez maior, com a entrada de grandes operadores de telecomunicações. A resposta do sistema bancário tem de ser forte e para isso é preciso estar capitalizado”. “Regulação, novos tipos de concorrência, investimento futuros, para isso é preciso um sistema financeiro forte”, concluiu.

Confiança no Orçamento de Estado

“Tenho confiança na execução orçamental e num orçamento que responda às necessidades do país”, acrescentou. Partilhe esta notícia   –

BPI vai analisar Novo Banco

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

Citamos

Económico

O presidente-executivo do BPI disse esta quarta-feira que o banco vai analisar a oportunidade de compra do Novo Banco, no âmbito do processo de venda que está a ser retomado pelo Banco de Portugal. Mas acrescentou que falta ainda conhecer o caderno de encargos da operação.

“O novo processo de venda deverá iniciar-se com alguma brevidade e nós analisaremos as condições”, disse Fernando Ulrich.

Questionado se a redução da exposição ao mercado ngolano, por imposição do BCE (e que o BPI pretende fazer por via de uma cisão dos activos africanos), coloca pressão sobre o BPI para encontrar outras oportunidades de investimento, Ulrich mostrou-se cauteloso. “Não me sinto pressionado a olhar para outros mercados. A diversificação em banca é mais difícil do que se possa pensar”, disse.

“A internacionalização em banca de retalho e banca comercial tem muito que se lhe diga”, acrescentou, lembrando os investimentos mal-sucedidos que vários bancos nacionais e estrangeiros realizaram nos últimos anos.

Notícias relacionadas

Homenagem a Pedro Varanda de Castro

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

Foi há um ano que o PVC partiu.

PVC quer dizer policoreto de vinis.

Para nós sempre quis dizer Pedro Varanda de Castro.

O Pedro acompanhou-nos desde a nascença em 1992 e deixou-nos em 27 de janeiro de 2015.

Era o nosso homem da comunicação.

Jornalista brilhante, dedicou-se nos últimos anos à organização de informação publicada com interesse para processos judiciais.

Devemos-lhe, como última obra inacabada, o princípio da organização da informação relativa ao CASO BES.

Quase toda a informação publicada até janeiro de 2015 é da sua responsabilidade.

Mas as mais brilhantes peças do Pedro pode encontra-las num blog que temos obrigação moral de repor em atividade.

Refiro-me ao MRA ALLIANCE.

Entre pesquise por Pedro Varanda de Castro e reveja o brilho da análise e a qualidade da informação por ele produzida.

Aqui fica uma homenagem da MRA a um grande profissional e um grande amigo.

Miguel Reis

BPI pagou 14,5 milhões para o Fundo de Resolução Europeu no ano passado

Quarta-feira, Janeiro 27th, 2016

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Dinheiro Digital

De acordo com a apresentação feita pelo presidente executivo, Fernando Ulrich, em 2015 o BPI contribuiu com 14,5 milhões de euros para o Fundo de Resolução Europeu, no primeiro ano dessa contribuição.

Já para o Fundo de Resolução Nacional foram 2,8 milhões de euros, abaixo dos 2,7 milhões de 2014, e 700 mil euros para o Fundo de Garantia Depósitos, abaixo dos 3,3 milhões despendidos no ano anterior.

Em 2015, o BPI pagou ainda 13 milhões de euros de Contribuição Extraordinária sobre o Setor Bancário, menos 2,6 milhões do que os 15,6 milhões de euros de 2014.

No total, o BPI contabilizou em 2015 31 milhões de euros com aquilo a que chamou ‘custos especiais’ na sua apresentação de contas aos jornalistas, acima dos 21,5 milhões de euros de 2014, sendo esse aumento justificado pela contribuição para o Fundo de Resolução Europeu.

Este fundo europeu foi criado no âmbito do novo enquadramento de resolução bancária, que entrou em vigor no início deste ano e que coloca a nível europeu a eventual resolução de algum grande banco, impondo ainda novas regras no caso dos resgates bancários.

Para financiar eventuais resgates bancários, desde 01 de janeiro de 2016 os bancos europeus, portugueses incluídos, passaram a contribuir para o fundo do Mecanismo Único de Resolução europeu, estimando-se que em dez anos esse fundo esteja dotado com 55 mil milhões de euros.

Por causa das resoluções do BES e do Banif, neste momento os bancos portugueses enfrentam uma dupla contribuição, pagando tanto para o fundo de resolução português como para o europeu.

Dinheiro Digital com Lusa

Investidores estrangeiros fecham crédito à banca portuguesa

Quarta-feira, Janeiro 27th, 2016

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Sol

Grandes fundos de investimento com perdas na solução do Novo Banco são dos principais financiadores da banca nacional e estão com reservas em ceder novos empréstimos. Blackrock avisa que Portugal é um mercado arriscado.

Os bancos portugueses estão a enfrentar condições de financiamento mais difíceis nos mercados internacionais, desde a intervenção no Novo Banco. As perdas imputadas aos detentores de obrigações atingiram alguns dos principais financiadores das instituições financeiras no exterior, que estão com reservas face a novos empréstimos, segundo adiantaram ao SOL vários gestores de casas de investimento que operam no mercado de dívida. As dificuldades serão mais visíveis se houver necessidade de aumentos de capital.

No final do ano passado, depois de os testes de stress do BCE terem identificado insuficiências de capital no Novo Banco, o Banco de Portugal (BdP) decidiu recapitalizar a instituição através de uma transferência de obrigações para o BES, o banco ‘mau’ que ficou com os ativos mais problemáticos do antigo grupo de Ricardo Salgado. Ou seja, a responsabilidade de pagar essa dívida passou para um banco sem ativos suficientes para reembolsar, o que atingiu grandes  investidores internacionais que financiam a banca nacional através da compra de obrigações.

Entre eles estão a Blackrock, a maior sociedade financeira de gestão de ativos, com sede nos Estados Unidos, e a Pimco, outro grande fundo de investimento dos EUA. Segundo explicaram ao SOL fontes do sector bancário, estes fundos eram dos principais financiadores da banca nacional e estão agora com reservas face a bancos portugueses.

Scott Thiel, diretor-adjunto da Blackrock, deixou esta semana um aviso, numa entrevista à Bloomberg: «Com o que aconteceu em alguns bancos no país, os investidores ficaram cautelosos».

Risco acrescido

Nas salas de mercados das casas de investimento em Portugal, é reconhecido o efeito da decisão do Novo Banco. «Certamente que a decisão tomada [no Novo Banco] irá afetar a tomada de obrigações por parte dos fundos de investimento, já que perderam dinheiro com o financiamento às instituições por via das obrigações», explicou ao SOL Pedro Lino, presidente da Dif Brokers, uma sociedade financeira de corretagem e de gestão de carteiras.

O gestor acrescenta que a perda de financiamento se dá a outro nível: nos depósitos de clientes particulares afetados pela decisão. «Ao impor perdas a obrigacionistas não qualificados, muitos deles clientes das próprias instituições, encerra-se uma importante fonte de financiamento dos bancos. Esta decisão aumenta o risco para os detentores de ações, obrigações ou títulos representativos de capital ou dívida dos bancos».

Esta semana foi de grande agitação nos mercados financeiros internacionais, e não é fácil avaliar até que ponto as dificuldades se devem apenas à intervenção no Novo Banco ou a outros fatores de stress dos investidores – uma provável desaceleração económica à escala global está também a gerar preocupações nos mercados, tal como as políticas orçamentais do Governo português para 2016.

Segundo explicou ao SOL Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, no mercado secundário de obrigações, onde os grandes investidores internacionais transacionam títulos de dívida de empresas e Estados, há apenas uma linha de obrigações relevantes de bancos portugueses: pertence ao BCP e esta semana registou perdas na negociação.

Contudo, frisou o gestor, a semana que agora termina não é exemplo para se avaliar se a banca portuguesa está sob pressão, «porque todo o mercado  – e não só a banca –  está sob stress». Para Filipe Silva, «o grande teste à aversão dos investidores à banca portuguesa vai ser quando algum banco precisar de fazer um aumento de capital, saber onde o vai buscar».

Rating da DBRS é decisivo

A nível de financiamento de curto prazo, os bancos têm sempre uma solução de último recurso: ir buscar dinheiro ao Banco Central Europeu (BCE), como aconteceu nos momentos mais agitados da crise dos últimos anos. Mas há quem tema o que acontecerá em abril, quando a única agência de rating que mantém a dívida pública elegível para operações de financiamento do banco central fizer uma revisão da notação portuguesa.

Para pedir empréstimos ao BCE, os bancos têm de apresentar garantias sólidas – geralmente títulos de dívida pública com um nível de rating considerado adequado para investimento. A DBRS revê o rating de Portugal a 29 de abril.

As dificuldades de financiamento na banca de um país são  um dos cenários mais temidos pela generalidade dos economistas. Não só o financiamento da economia é posto em causa como a própria solidez das instituições diminui. Como os bancos precisam permanentemente de refinanciar dívida para pagarem outras dívidas mais antigas, a falta de financiamento tende a gerar riscos de incumprimento, que por vezes é agravado com as corridas aos depósitos no momento em que se sabe que há bancos em dificuldades.

José Sócrates terá favorecido o Grupo Espírito Santo

Quarta-feira, Janeiro 27th, 2016

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SIC com som

O Ministério Público suspeita que José Sócrates recebeu luvas do Grupo Espírito Santo. Os pagamentos terão sido feitos a troco de decisões políticas que favoreceram negócios do império de Ricardo Salgado. Em causa poderá estar, por exemplo, o chumbo indireto da OPA da Sonae à Portugal Telecom, em 2006. Contactado pela SIC, Sócrates negou ter alguma vez favorecido o Grupo Espírito Santo e garantiu que nunca foi confrontado com essa suspeita. O ex-primeiro-ministro reafirma que não indicou qualquer sentido de voto à Caixa Geral e sublinha que a única vez que usou a goldenshare foi para travar a venda da Vivo, contra a vontade do Grupo Espírito Santo. Conntactada pela SIC, a assessoria de imprensa de Ricardo Salgado registou o pedido de reação, mas ainda não teve tempo útil para enviar qualquer comentário.

 

Lesados prometem providência cautelar para travar venda do Novo Banco

Terça-feira, Janeiro 26th, 2016

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Notícias ao Minuto

Venda do Novo Banco não foi consumada. Nova tentativa avançará em breve.

Numa altura em que o Banco de Portugal se prepara para iniciar o segundo processo de venda do Novo Banco, os lesados do papel comercial deixam a garantia de que avançarão prontamente com uma providência cautelar.

Isso mesmo foi dito ao semanário Sol por um dos advogados da Associação dos Lesados, Indignados e Enganados do Papel Comercial do BES (AIEPC), que repete assim a reação tida à primeira tentativa de venda.

A primeira providência cautelar foi interposta por mais de 400 clientes lesados do antigo BES, que exigiam que o papel comercial, no valor de 530 milhões de euros, fosse incluído como uma imparidade nas contas do banco.

 

BIC perde 18 milhões com a dívida do Novo Banco

Terça-feira, Janeiro 26th, 2016

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RTP

De acordo com o Jornal de Negócios, estas perdas levaram o banco a ter prejuízos em 2015. Com a transferência da dívida do Novo Banco para o BES, o BIC Português ficou credor do comum “banco mau”.

As perdas com obrigações que estavam no Novo Banco e voltaram ao BES vão ser um dos temas em discussão na assembleia-geral do BIC português marcada para 18 de fevereiro.