Arquivo para Fevereiro, 2016

BES: Autoridades voltam hoje a discutir solução para lesados do papel comercial

Sexta-feira, Fevereiro 26th, 2016

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Observador

O Governo, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários vão voltar a reunir-se hoje para tentar encontrar uma solução para o problema dos lesados do papel comercial.

O Governo, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) vão voltar a reunir-se esta sexta-feira para tentar encontrar uma solução para o problema dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES).

O encontro vai realizar-se esta tarde, confirmou à Lusa fonte próxima das negociações, e é a segunda vez que as autoridades se juntam para abordar em conjunto o problema dos lesados que compraram papel comercial de sociedades do GES nos balcões do antigo BES, depois de já se terem reunido na quinta-feira da semana passada.

Na quarta-feira, representantes da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) do GES participaram numa reunião bilateral com o Banco de Portugal, naquela que foi a primeira vez que foram recebidos por elementos do regulador bancário.

No final dos trabalhos, a AIEPC disse aos jornalistas que acredita que será encontrada uma solução que permita recuperar parte do dinheiro investido e que poderá haver novidades em três semanas.

“Parece-nos que o processo terá um fim positivo, onde haja um ressarcimento das pessoas”, disse Ricardo Ângelo, presidente da associação, considerando que poderá haver um esboço de acordo já entre duas a três semanas.

A questão dos lesados do papel comercial ganhou ainda mais ênfase depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter há uma semana censurado publicamente o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por estar a “arrastar” uma solução.

Em junho de 2015, o governador do Banco de Portugal disse no parlamento que a solução para os lesados do BES tinha de vir da CMVM e não da entidade que dirige, uma vez que se tratam de valores mobiliários e não de depósitos e reafirmou que as responsabilidades pelos lesados do papel comercial do BES não podem ser atribuídas ao Novo Banco, mas sim ao próprio BES.

Desde que o Banco Espírito Santo (BES) foi alvo de uma medida de resolução, no verão de 2014, que clientes do retalho detentores de papel comercial do GES, que compraram os títulos aos balcões do BES, têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.

Novo Banco: BE defende controlo público por ser estratégico e já estar pago

Sexta-feira, Fevereiro 26th, 2016

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Negócios

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu, na quinta-feira à noite, o controlo público do Novo Banco, por considerar que é “estratégico para a economia portuguesa” e já estar pago pelo Estado.

“É um banco estratégico para a economia portuguesa e o Estado deve assumir o seu controlo, porque já o pagou”, afirmou à agência Lusa Catarina Martins, no final de uma sessão pública do BE sobre o Orçamento do Estado para 2016, que decorreu em Évora.

A líder bloquista referiu o Novo Banco “tem quatro mil milhões de euros que dívida pública”, que não se consegue reaver, e “uma grande quota de mercado de PME (pequenas e médias empresas), que é onde há a maior parte do emprego em Portugal”. “As pessoas ouvem dizer ‘nacionalizar o banco’ e podem pensar que é preciso comprar o banco. Não é preciso comprar, nós já lá pusemos dinheiro público e ele já foi pago”, disse, defendendo “o controlo público e uma estratégia pública” para o Novo Banco.

Catarina Martins assinalou que “estava planeada a venda do banco” e que a mais recente “data limite era agosto de 2016”, mas observou que “o Governo já garantiu que não o fará tão cedo”. “Essas garantias são ainda poucas, nós continuamos a defender que o Novo Banco não deve ser vendido, porque senão vamos acabar por dar os quatro mil milhões de euros que já lá pusemos ao Santander ou a outro equivalente”, alertou.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, reafirmou, na quinta-feira, a intenção do Governo em vender o Novo Banco quando a instituição estiver “estabilizada”.

Na terça-feira, o vice-presidente da bancada parlamentar socialista João Galamba frisou também a intenção de vender o Novo Banco a privados, mas disse ainda que a manutenção da instituição sob controlo público é um último recurso, caso não existam compradores e ofertas válidas.

Na véspera, o PCP tinha apresentado um projecto de resolução para promover o controlo público do “banco bom” originado pela resolução do antigo BES e o investimento por parte do Estado de cerca de 4,9 mil milhões de euros para recapitalizar o fundo de resolução bancária.

Também sobre o tema, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, disse que “a pressa é má conselheira” e há que “dar tempo para se encontrar uma boa solução” para o Novo Banco.

Na segunda-feira, o economista, conselheiro de Estado de Cavaco Silva e ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, admitiu que a nacionalização daquela instituição bancária poderá ser “uma saída possível”, considerando que “a venda não será já muito favorável”.

Banco de Portugal apoia despedimento de 500 pessoas no Novo Banco

Sexta-feira, Fevereiro 26th, 2016

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Diário de Notícias

Regulador elogia Stock da Cunha e “reitera apoio” ao plano de reestruturação que envolve a saída de 500 trabalhadores

O Banco de Portugal manifestou hoje o seu apoio ao plano de reestruturação do Novo Banco, que implica a saída de 500 trabalhadores, deixando elogios à equipa de gestão liderada por Eduardo Stock da Cunha e aos colaboradores.

“O Banco de Portugal reitera o seu apoio à implementação, pela equipa de gestão, do plano de reestruturação oportunamente apresentado e aprovado pelas autoridades europeias”, lê-se num comunicado do regulador bancário.

A Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do Novo Banco denunciou hoje que, de acordo com “o plano de reestruturação imposto pela União Europeia e que já se encontra em curso, o banco terá que reduzir em 2016 cerca de 500 trabalhadores “através do recurso a um despedimento coletivo”.

Os membros da CNT estiveram hoje reunidos com o Conselho de Administração do Novo Banco, num encontro que contou com a presença do presidente da instituição, Stock da Cunha, tendo-lhes sido passada esta informação, com a qual discordam.

Esta reunião teve lugar no dia seguinte à apresentação das contas do Novo Banco de 2015, marcadas pelo prejuízo de 980,6 milhões de euros.

Na ocasião, o presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, revelou que, do prejuízo total, quase 600 milhões de euros foram “herdados” do antigo BES, mais de metade do valor total. E destacou a importância de a entidade ter obtido um resultado operacional (antes de impostos, imparidades e provisões) de 125 milhões de euros positivos em 2015. Este desempenho “demonstra que o banco já é capaz de gerar resultados positivos”, realçou Stock da Cunha, dizendo que isso é um sinal do regresso do banco à normalidade.

No comunicado de hoje, o Banco de Portugal sublinhou “a capacidade da equipa de gestão e dos colaboradores do Novo Banco em garantir o retorno do banco à normal atividade bancária e em preservar a confiança dos depositantes e clientes da instituição”.

Novo Banco avança com despedimento coletivo de 500 trabalhadores

Sexta-feira, Fevereiro 26th, 2016

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Observador

Conselho de Administração esteve reunido esta quinta-feira com comissão de trabalhadores. Plano de reestruturação implica extinção de mil postos de trabalho e despedimento coletivo de 500 pessoas.

O Novo Banco vai avançar com um plano de reestruturação que implica a redução, já em 2016, de cerca de mil postos de trabalho, 500 dos quais através de despedimento coletivo. A informação foi transmitida esta quinta-feira pelo presidente Eduardo Stock da Cunha durante uma reunião do Conselho de Administração com a comissão nacional de trabalhadores do Novo Banco.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira após a reunião, a comissão de trabalhadores afirma que foi informada por Stock da Cunha de que, “no seguimento do plano de reestruturação imposto pela União Europeia e que já se encontra em curso, o banco terá que reduzir em 2016, cerca de 1000 postos de trabalho, sendo suposto que 500 sejam através do recurso a um despedimento coletivo“.

Segundo se lê no mesmo comunicado, a comissão de trabalhadores ainda não foi informada dos critérios que serão utilizados para a extinção dos postos de trabalho nem quais as estruturas do banco que poderão vir a encerrar. Certo é que o organismo que representa os trabalhadores está contra a decisão e vai “lutar até ao limite das forças pela manutenção de todos os postos de trabalho e manutenção dos direitos adquiridos”.

Informámos [a administração] que não aceitamos nem pactuamos, de forma alguma, com despedimentos coletivos no nosso banco”, lê-se no comunicado, onde se acrescenta que os trabalhadores “não têm qualquer responsabilidade sobre o que se passou com o BES em agosto de 2014”.

Para reverter a decisão, o organismo que representa os trabalhadores afirma que vai pedir novas audiências às mais diversas entidades: ao primeiro-ministro, ao ministro das Finanças, ao ministro do Trabalho, ao governador do Banco de Portugal, assim como aos grupos parlamentares.

A nacionalização do Novo Banco é o caminho a seguir, dizem os trabalhadores, sublinhando que já defenderam esta opção junto do Ministério das Finanças e dos grupos parlamentares.

“Não faz sentido, qualquer plano de reestruturação, sem uma definição clara do que se pretende para o Novo Banco. Vamos lutar por outra forma de solução e pela suspensão desta medida”, lê-se.

PSD diz que Governo deve afastar ideia da nacionalização do NB

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Negócios

O líder do PSD defendeu esta quinta-feira que o Governo deve esclarecer rapidamente que não tenciona fazer a nacionalização do Novo Banco, considerando que ameaçar com esta possibilidade piora a perspectiva de venda.

“Julgo que era importante que o Governo esclarecesse rapidamente que não tenciona deixar nenhuma porta aberta para a nacionalização do banco”, afirmou Pedro Passos Coelho, esta quinta-feira em Ponta Delgada, Açores, ao ser questionado sobre a saída de mil trabalhadores, com 500 em despedimento colectivo, no âmbito do plano de reestruturação do Novo Banco.

Para Passos Coelho, “compete, nesta altura, à administração do próprio banco e, neste caso, também, ao fundo de resolução e ao Banco de Portugal, que é quem têm a responsabilidade de proceder à venda do Novo Banco, avaliar na sua comunicação com os investidores o que é que é preciso fazer e dizer para, de alguma maneira, melhorar a perspectiva de venda do banco”. “Agora, há uma coisa que eu sei, não é a ameaçar com nacionalizações que se melhora essa perspectiva, pelo contrário”, sustentou.

Para Passos Coelho, a administração do banco e do Banco de Portugal, que está a liderar a alienação, “deve ser encontrada uma estratégia que possa transmitir confiança ao mercado quanto ao trabalho que está a ser realizado dentro da instituição bancária, de modo a que os investidores acreditem que vale a pena vir a comprar”.

Questionado se face ao anúncio dos prejuízos e à possibilidade de saída de mil trabalhadores se este é o ‘timing’ para avançar com a venda, o presidente do PSD considera que é o Governo e o Banco de Portugal que nesta altura “devem fazer a comunicação ao mercado sobre o que são as intenções”.

“O mais que alguém que estivesse na posição de primeiro-ministro deveria fazer, parece-me, era chamar a atenção para a necessidade, em primeiro lugar, de não complicar o processo da venda, para não piorar as perspectivas de venda, e, em segundo lugar, dizer que era melhor que a administração do banco e o fundo de resolução apresentassem um programa rapidamente que oferecessem garantias ao mercado de credibilidade para a venda do banco, clarificando que o Estado não iria nacionalizar o banco. Isto era aquilo que eu diria se fosse primeiro-ministro, mas não sou”, declarou Passos Coelho.

O plano de reestruturação do Novo Banco implica a saída de 1.000 funcionários já este ano, dos quais 500 trabalhadores devem deixar a entidade no âmbito de um despedimento colectivo, informou hoje a comissão de trabalhadores do banco.

“No seguimento do plano de reestruturação imposto pela União Europeia e que já se encontra em curso, o banco terá que reduzir em 2016, cerca de 1.000 postos de trabalho, sendo suposto que 500 sejam através do recurso a um despedimento colectivo”, lê-se num comunicado divulgado pela Comissão Nacional de Trabalhadores do Novo Banco.

Miguel Reis diz que resolução do Banco Espírito Santo se assemelhou a “um assalto”

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Portugal Digital

O advogado Miguel Reis acompanha de perto o polêmico caso dos clientes do BES que perderam suas poupanças. Em entrevista ao Portugal Digital, Miguel Reis diz que há investidores lesados não só em Portugal mas também no Brasil.

São Paulo – Todos os investidores que adquiriram papeis comerciais de empresas do Grupo Espírito Santo (GES) comercializados nos balcões do Banco Espírito Santo (BES) correm sério risco de perder tudo o que aplicaram. O alerta vem do advogado Miguel Reis, fundador da Miguel Reis & Associados.

Embora não existam números precisos, a estimativa é de que o total de lesados pelo BES chegue a 2.500 investidores, com valor a ser reclamado de 500 milhões de euros, segundo a imprensa portuguesa. Já o advogado diz que o montante que poderá ser perdido pelos investidores “é incalculável” e que há centenas de ações nos tribunais movidas por investidores portugueses, brasileiros e de outros países europeus, sem solução.

“Os investidores foram enganados pelo BES, que vendeu títulos de empresas do Grupo Espírito Santo como se fossem depósitos a prazo do próprio banco sem nenhum risco”, diz Miguel Reis. “Há investidores que perderam até 6 milhões de euros com essas operações ilícitas do BES e isso inclui investidores não apenas em Portugal, mas em outros países europeus e também no Brasil”, afirma. Os brasileiros têm de entrar na Justiça no Brasil e também em Portugal, segundo o advogado, para reaver o que aplicaram.

Miguel Reis lembra que todas as operações do BES na venda desses papeis violaram o código dos valores mobiliários, pois por se tratar de operações estruturadas somente poderiam ter sido feitas por operadores qualificados. O BES as fez debaixo do nariz do Banco de Portugal, que teria de ter fiscalizado. Mas não o fez.

O problema dos investidores se arrasta há quase dois anos, desde agosto de 2014. Naquele ano, o Banco de Portugal baixou uma Medida de Resolução do BES por meio da qual criou o Novo Banco, para o qual foram transferidos os ativos e passivos do BES, após este ter apresentado um prejuízo histórico de quase 3,6 bilhões de euros no primeiro semestre do ano. Com a medida, o BES ficou com os ativos problemáticos e o Novo Banco com as operações normais.

“A resolução bancária feita pelo Banco de Portugal sob a justificativa de proteger as operações do BES e evitar um risco sistêmico se assemelha a um ‘assalto'”, dispara Miguel Reis. Ele lembra que o BES tinha garantias do Estado, que colocou no banco  4.900 milhões de euros.

Diante de centenas de ações apresentadas na justiça por investidores cobrando a devolução de seu dinheiro, no final de 2015, o Banco de Portugal tentou desvincular as obrigações do Novo Banco com os investidores lesados. Encaminhou ao Tribunal de Lisboa  pedido para que as ações seguissem apenas contra o Banco do Espírito Santo e não contra o Novo Banco. A solicitação foi feita após o Banco de Portugal, em reunião de seu Conselho de Administração, datada de 29 de dezembro passado, em sessão extraordinária, deliberar a retransmissão de obrigações não subordinadas do Novo Banco para o BES.

A medida é uma tentativa do Banco do Portugal de “branquear a situação de falência do BES”, dispara Miguel Reis, para quem não há dúvidas de que o Novo Banco sucedeu ao BES não apenas na atividade bancária, detendo os recursos arrecadados com os negócios bancários, mas também nas obrigações. E que, portanto, o Novo Banco também deve ser responsabilizado pelos débitos com os investidores.

Segundo ele, “o Banco de Portugal patrocinou a apropriação dos principais ativos e de toda a estrutura que permitia tal atividade a favor de uma entidade nova, que ele próprio criou e sobre a qual tem todos os poderes, em manifesto conflito de interesse com os interesses da sociedade, dos acionistas e dos demais credores”, diz Reis. “Criaram o Novo Banco, mas não conseguiram geri-lo”, diz Reis.

Novo Banco no vermelho

Nesta quarta-feira (24), o Novo Banco informou ter fechado 2015 com prejuízo de 980,6 milhões de euros, resultado impactado pelas provisões de 1.054 milhões de euros para crédito a clientes, títulos e imóveis e anulação de prejuízos fiscais.

Segundo informa a instituição em relatório encaminhado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o esforço de provisionamento teve impacto determinante no resultado. Entre 3 de agosto de 2014, quando foi criado, e final de 2015, o Novo Banco registrou prejuízos de 497,6 milhões de euros. O Novo Banco iniciou suas atividades com aproximadamente 59,6 bilhões de euros, expurgando quase 4,4 bilhões de euros de ativos problemáticos para o BES.

“O que o Banco de Portugal fez foi tirar os ativos do BES colocando-os no Novo Banco e agora quer que as ações judiciais sejam de responsabilidade do BES, que não tem patrimônio? Isso é uma fraude que deve ser investigada criminalmente”, diz Reis. “A crise deixou de ser financeira para ser uma crise de Estado de direito”, completa o advogado.

Além da esfera jurídica, dos tribunais, o caso do BES cresce na esfera política. Na semana passada, o governo do primeiro-ministro António Costa pressionou o governador do Banco de Portugal a encontrar uma solução para o problema dos investidores lesados. Quer uma resposta. E sem demora. Uma reunião foi marcada para dar início a uma solução. Dela, participaram, na sexta-feira, 19, o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Diogo Lacerda Machado, nomeado pelo primeiro-ministro como representante do governo.

Diogo Lacerda é ex-secretário de estado de Costa à época em que este ocupou a pasta da Justiça. Lacerda estará à frente do dossiê referente aos investidores lesados pelo BES. No final de 2015, o governo já se tinha manifestado a respeito do assunto ao criar um grupo de trabalho com o intuito de negociar uma solução para o pagamento de indenizações aos investidores, com o reembolso do dinheiro investido.

Mas para Miguel Reis, a solução ainda está longe do fim enquanto o Banco de Portugal e o próprio Governo não assumirem o ônus pela devolução dos recursos aos investidores.

Caso semelhante vivem os investidores do Banif, que, de um momento para outro, em circustâncias absolutamente imprevisíveis, segundo Miguel Reis, tiveram uma medida de resolução ao banco que ainda não está justificada, para vendê-lo por 150 milhões de euros ao Santander Totta. “O que o Governo precisa explicar é por que o Banif, que estava dando lucro, foi vendido após o estado ter, a exemplo do BES, dado garantias de 2 mil milhões de euros?”, questiona o advogado.

Ministro-adjunto de Costa reafirma intenção de vender após estabilizar

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Observador

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, reafirmou, em Lisboa, a intenção do Governo em vender o Novo Banco quando a instituição estiver “estabilizada”.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, reafirmou hoje, em Lisboa, a intenção do Governo em vender o Novo Banco quando a instituição estiver “estabilizada”.

À margem de uma conferência organizada na Faculdade de Direito de Lisboa subordinada ao tema ‘Orçamento em Exame’, o governante lembrou aos jornalistas que o Novo Banco “é, neste momento, um banco de transição” e defendeu a “estabilização” da instituição “para permitir” a sua venda.

“Temos de libertar recursos [financeiros] vendendo o Novo Banco nas melhores condições”, afirmou Eduardo Cabrita, criticando de seguida a forma como o anterior governo conduziu o processo.

“Sabemos que a estratégia de venda apressada fracassou”, disse o ministro-adjunto do primeiro-ministro.

Na terça-feira, o vice-presidente da bancada parlamentar socialista João Galamba frisou também a intenção de vender o Novo Banco a privados, mas disse ainda que a manutenção da instituição sob controlo público é um último recurso, caso não existam compradores e ofertas válidas.

Na véspera, o PCP tinha apresentado um projeto de resolução para promover o controlo público do “banco bom” originado pela resolução do antigo BES e o investimento por parte do Estado de cerca de 4,9 mil milhões de euros para recapitalizar o fundo de resolução bancária.

Também sobre o tema, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, disse que “a pressa é má conselheira” e há que “dar tempo para se encontrar uma boa solução” para o Novo Banco.

Na segunda-feira, o economista, conselheiro de Estado de Cavaco Silva e ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, admitiu que a nacionalização daquela instituição bancária poderá ser “uma saída possível”, considerando que “a venda não será já muito favorável”.

Salgado recusa ser responsabilizado pelos prejuízos do Novo Banco

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Negócios

“É tempo de o senhor governador do Banco de Portugal assumir as responsabilidades pelos seus actos”, atira a defesa de Ricardo Salgado, que diz que os clientes tinham mais confiança no BES do que no Novo Banco.

A defesa de Ricardo Salgado contesta a ideia de que os resultados do Novo Banco tenham sido prejudicado pelo legado do Banco Espírito Santo, como argumenta Eduardo Stock da Cunha.

“Como é evidente, passado mais de um ano e meio da resolução, o Dr. Ricardo Salgado não pode ser responsabilizado pela gestão do Novo Banco e muito menos pelas consequências da decisão de resolução, que sempre denunciou como um erro”, indica um comunicado enviado às redacções esta quinta-feira, 25 de Fevereiro.

No comunicado, é defendido que “é tempo de o senhor governador do Banco de Portugal assumir a responsabilidade pelos seus actos”. Nas comunicações que tem feito sobre o tema, isto é, nas audições na comissão de inquérito ao BES, Ricardo Salgado tem sempre criticado a decisão de Carlos Costa, que definiu a aplicação da medida de resolução ao BES.

Esta é a posição da defesa de Ricardo Salgado um dia depois de divulgados os resultados do Novo Banco, que se cifraram em prejuízos de 980,6 milhões de euros. Eduardo Stock da Cunha explicou que 592 milhões de euros deste montante se deveram a provisões constituídas para cobrir os 50 maiores créditos concedidos a grandes clientes. Outra parte foi a anulação de juros contabilizados indevidamente que tiveram de ser anulados, num total de 172 milhões de euros. Ou seja, segundo a gestão actual da instituição financeira, o legado do BES foi responsável por 78% dos prejuízos em 2015. O Novo Banco foi constituído a 3 de Agosto de 2014, no âmbito de um processo de resolução (que implica perdas a accionistas e detentores de dívida subordinada) como o banco com os activos considerados saudáveis do Banco Espírito Santo. Mas os lucros deste banco só devem chegar em 2018. 

Clientes confiavam “mais” no BES

Para Salgado, os números divulgados esta quarta-feira, com o a queda de 24% dos depósitos face a 30 de Junho de 2014, e a descida de 33% dos créditos em relação à mesma data, mostram “que os clientes tinham mais confiança no BES do que têm no Novo Banco”.

O comunicado relembra que o BES foi obrigado a constituir várias provisões no início de 2014, determinadas pelo Banco de Portugal e certificadas pela KPMG. Ou seja, Ricardo Salgado dá a entender que as autoridades e entidades certificadas já tinham provisionado os verdadeiros problemas do banco.

Além disto, a defesa do ex-banqueiro argumenta que o Banco de Portugal pôs em causa “a confiança no Novo Banco junto de investidores institucionais de grande relevância a nível internacional” devido à transferência de cinco séries de obrigações de dívida sénior para o BES “mau”, para reforçar a solidez da instituição financeira.

Atacando as responsabilidades do Banco de Portugal, o comunicado defende que Ricardo Salgado “não fugirá às suas responsabilidades pela gestão do banco que reconhecidamente liderou o apoio às empresas e ao Estado português”.

O antigo banqueiro, que liderou o BES por 22 anos, está a ser investigado pela sua gestão no BES e no Grupo Espírito Santo, estando sujeito a medidas de coacção como a proibição de contacto com outros arguidos no processo, também antigos administradores. Ricardo Salgado é arguido no inquérito Universo Espírito Santo mas também no caso Monte Branco.

 

Comunicado Ricardo Salgado resultados Novo Banco

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

COMUNICADO 25 Fevereiro 2016

Mais de um ano e meio depois da resolução, o Novo Banco tem menos 24% de depósitos e concedeu menos 33% de crédito do que o BES em 30 de Junho de 2014, o que demonstra que os Clientes tinham mais confiança no BES do que têm no Novo Banco. Em 30.06.2014, antes da resolução, o BES constituiu provisões, sem contar com as associadas aos “eventos tóxicos ou extraordinários”, superiores em quase 20% às provisões que o Novo Banco registou no final de 2014. As provisões apresentadas pelo BES em 30.06.2014 foram aprovadas por uma administração da qual o Dr. Ricardo Salgado já não fazia parte, foram impostas pelo Banco de Portugal e certificadas pela KPMG. O BES e a administração liderada pelo Dr. Ricardo Salgado foram avaliados por distintas entidades ao longo de vários anos:
(i) Pelo Banco de Portugal, que manteve uma inspeção intrusiva no BES com a presença permanente de vários elementos e que, em larga medida, geriu o BES a partir do início de 2014;
(ii) Por um vasto conjunto de investidores e consultoras internacionais aquando do aumento de capital concretizado com reconhecido sucesso em Maio/Junho de 2014 após uma profunda “Due Diligence”;
(iii) Pela KPMG que decretou, em Julho de 2014, a constituição de novas provisões de pelo menos 2 MM€, das quais 1.3 MM€ foram, segundo a CMVM, posteriormente estornadas sem que tenha sido liquidado o saldo remanescente do papel comercial de retalho (597 M€) colocado junto dos lesados. De recordar que foi a anterior gestão do BES liderada pelo Dr. Ricardo Salgado que já havia previamente reembolsado 1.5 MM€ de
papel comercial de retalho.
(iv) Pela PwC, atual auditor do Novo Banco, que anteriormente no âmbito do ETRICC 2 escrutinou, em Março de 2014, a pedido do Banco de Portugal, a exposição do BES aos seus principais clientes;
(v) Pela Deloitte durante a auditoria forense realizada a pedido do Banco de Portugal;
Convém igualmente relembrar que foi o Banco de Portugal que prolongou, durante mais de um ano e meio, a transferência de activos ditos tóxicos para o BES, incluindo a garantia soberana do Estado de Angola ao BESA.
Acresce que o Banco de Portugal é responsável pela transferência para o BES de obrigações sénior em parte comercializadas já pelo Novo Banco, assim pondo em causa a confiança no Novo Banco junto de investidores institucionais de grande relevância a nível internacional.
Como afirmou desde o primeiro momento, o Dr. Ricardo Salgado não fugirá às suas responsabilidades pela gestão do banco que reconhecidamente liderou o apoio às empresas e ao Estado português.
No entanto, como é evidente, passado mais de um ano e meio da resolução o Dr. Ricardo Salgado não pode ser responsabilizado pela gestão do Novo Banco e muito menos pelas consequências da decisão de resolução, que sempre denunciou como um erro. É tempo de o Senhor Governador do Banco de Portugal assumir a responsabilidade pelos seu atos. Cascais, 25 Fevereiro de 2016

Nacionalização do Novo Banco viola compromissos europeus

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Negócios

Nacionalizar o Novo Banco, como sugere o PCP e admite o PS, implica pôr em causa princípios que são pilares da união bancária. E violar compromissos assumidos perante Bruxelas. Portugal é soberano. Mas a Europa pode tirar consequências.

“Temos de deixar os apoios públicos a bancos para trás.” No mesmo dia em que o PCP apresentou uma proposta para nacionalizar o Novo Banco, Danièle Nouy, presidente do conselho de supervisão do Banco Central Europeu, recusava …