Citamos
Tribunal aceitou uma providência cautelar que pede a anulação da passagem de dívida do Novo Banco para o BES. Banco de Portugal tem dez dias para responder. Operação mantém-se, para já.
O Tribunal Administrativo de Lisboa aceitou avaliar uma providência cautelar apresentada pelo banco americano Merril Lynch que pede a anulação da decisão Banco de Portugal de transferir as obrigações seniores do Novo Banco para o Banco Espírito Santo.
A notícia foi avançada pela TSF que acrescenta que a decisão do tribunal é de 22 de abril.
O Observador procurou já obter um esclarecimento do Banco de Portugal sobre o impacto material desta decisão que permitiu libertar o balanço do Novo Banco de quase 2.000 milhões de euros, mas tudo indica que para já não haverá qualquer decisão que tenha um efeito jurídico nesta operação realizada no final do ano passado e que gerou muita contestação a nível internacional.
O Banco de Portugal, que terá sido notificado hoje, tem dez dias para responder a esta providência cautelar e deverá invocar o interesse público para manter a operação que passou a dívida sénior para o chamado banco mau. Esta transferência permitiu, por um lado, recapitalizar o Novo Banco e torná-lo mais atraente junto dos investidores, — a segunda tentativa de venda está já em marcha — mas, por outro lado, representa perdas para os detentores das obrigações. Entre estes estão alguns dos grandes fundos de investimento internacional que já prometeram guerra.
A transferência de cinco obrigações seniores para o BES, que concluiu o processo de resolução do Novo Banco, levantou uma grande polémica junto de analistas e investidores internacionais que ameaçaram logo com processos judiciais. No entanto, estas ações de contestação têm de ser apresentados na justiça portuguesa, porque os títulos escolhidos para fazer parte desta transferência foram emitidos ao abrigo da lei nacional.
O Banco tomou esta decisão, enquadrada pelas regras europeias de resolução bancária as quais definem que os credores devem estar na linha da frente daa assunção de perdas. As consequências jurídicas já foram avaliadas a nível internacional. A ISDA (associação que integra especialistas em produtos derivados), decidiu que esta transferência não configurou um evento de crédito, ou seja um incumprimento, provocado por uma decisão regulatória.
Esta não deverá ser a única ação nos tribunais portugueses contra a polémica operação decidida pelo Banco de Portugal. Segundo o Financial Times, um grupo de 14 investidores, que incluía o BlackRock e Pimco (não houve referência à Merril Lynch), decidiu contestar judicialmente esta transferência.
Esta não foi a única decisão do Banco de Portugal relacionada com a resolução do Banco Espírito Santo contestada na justiça, haverá aliás muitas dezenas, algumas das quais envolveram também providências cautelares. Uma das mais conhecidas está a correr na justiça inglesa e opõe a Oak Finance, um veículo com aplicações de vários investidores internacionais que contesta a transferência do empréstimo de 835 milhões de dólares concedido ao BES do Novo Banco para o chamado banco mau. O Banco de Portugal invoca que o veículo foi criado pela Goldman Sachs, que na altura era acionists qualificada do BES (embora em nome de clientes).