Arquivo para Abril, 2016

Tribunal aceita providência contra passagem da dívida do Novo Banco para o BES

Quinta-feira, Abril 28th, 2016

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Observador

Tribunal aceitou uma providência cautelar que pede a anulação da passagem de dívida do Novo Banco para o BES. Banco de Portugal tem dez dias para responder. Operação mantém-se, para já.

O Tribunal Administrativo de Lisboa aceitou avaliar uma providência cautelar apresentada pelo banco americano Merril Lynch que pede a anulação da decisão Banco de Portugal de transferir as obrigações seniores do Novo Banco para o Banco Espírito Santo.

A notícia foi avançada pela TSF que acrescenta que a decisão do tribunal é de 22 de abril.

O Observador procurou já obter um esclarecimento do Banco de Portugal sobre o impacto material desta decisão que permitiu libertar o balanço do Novo Banco de quase 2.000 milhões de euros, mas tudo indica que para já não haverá qualquer decisão que tenha um efeito jurídico nesta operação realizada no final do ano passado e que gerou muita contestação a nível internacional.

O Banco de Portugal, que terá sido notificado hoje, tem dez dias para responder a esta providência cautelar e deverá invocar o interesse público para manter a operação que passou a dívida sénior para o chamado banco mau. Esta transferência permitiu, por um lado, recapitalizar o Novo Banco e torná-lo mais atraente junto dos investidores, — a segunda tentativa de venda está já em marcha — mas, por outro lado, representa perdas para os detentores das obrigações. Entre estes estão alguns dos grandes fundos de investimento internacional que já prometeram guerra.

A transferência de cinco obrigações seniores para o BES, que concluiu o processo de resolução do Novo Banco, levantou uma grande polémica junto de analistas e investidores internacionais que ameaçaram logo com processos judiciais. No entanto, estas ações de contestação têm de ser apresentados na justiça portuguesa, porque os títulos escolhidos para fazer parte desta transferência foram emitidos ao abrigo da lei nacional.

O Banco tomou esta decisão, enquadrada pelas regras europeias de resolução bancária as quais definem que os credores devem estar na linha da frente daa assunção de perdas. As consequências jurídicas já foram avaliadas a nível internacional. A ISDA (associação que integra especialistas em produtos derivados), decidiu que esta transferência não configurou um evento de crédito, ou seja um incumprimento, provocado por uma decisão regulatória.

Esta não deverá ser a única ação nos tribunais portugueses contra a polémica operação decidida pelo Banco de Portugal. Segundo o Financial Times, um grupo de 14 investidores, que incluía o BlackRock e Pimco (não houve referência à Merril Lynch), decidiu contestar judicialmente esta transferência.

Esta não foi a única decisão do Banco de Portugal relacionada com a resolução do Banco Espírito Santo contestada na justiça, haverá aliás muitas dezenas, algumas das quais envolveram também providências cautelares. Uma das mais conhecidas está a correr na justiça inglesa e opõe a Oak Finance, um veículo com aplicações de vários investidores internacionais que contesta a transferência do empréstimo de 835 milhões de dólares concedido ao BES do Novo Banco para o chamado banco mau. O Banco de Portugal invoca que o veículo foi criado pela Goldman Sachs, que na altura era acionists qualificada do BES (embora em nome de clientes).

Banco de Portugal assegura que providência cautelar não afecta património do Novo Banco

Quinta-feira, Abril 28th, 2016

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Negócios

O tribunal obriga a que uma dívida de 750 milhões de euros do BES “mau” regresse ao Novo Banco. O Banco de Portugal vai contestar. Em causa está um jogo de providências cautelares e de acções que pretendem anular a troca de dívida do ano passado.

“Esta decisão provisória não afectará a situação patrimonial do Novo Banco.” A garantia vem do Banco de Portugal e é dada depois de noticiada a providência cautelar colocada pela Merrill Lynch contra a retirada de obrigações seniores do Novo Banco para o BES. Mas onde começa a história?

 

29 de Dezembro de 2015. O Novo Banco tem necessidades de capital detectadas nos testes de stress. O Banco de Portugal retira cinco linhas de obrigações seniores do Novo Banco, avaliadas em 1.985 milhões de euros, e coloca-as no BES “mau”, onde, desde a resolução de 3 de Agosto de 2014, estavam as posições accionistas e os titulares de dívida subordinada.

 

O Novo Banco ficou sem a responsabilidade de assegurar o pagamento daquelas séries obrigacionistas, conseguindo reforçar os seus rácios de capital. As obrigações passaram para o BES, que vai entrar para liquidação, uma decisão também tomada a 29 de Dezembro. A decisão não foi pacífica – nem dentro do próprio Banco de Portugal – e o Governo também não concordou. Os investidores que detinham estas obrigações contestaram e avançaram para tribunal para anular a decisão. A Pimco e a BlackRock foram as mais afectadas.

 

Merrill Lynch pede urgência na providência

 

A Merrill Lynch também está no leque das entidades prejudicadas pela decisão do Banco de Portugal, pelo que colocou uma acção judicial que anulasse a deliberação de 29 de Dezembro de 2015. Mas não só. Também foi posta uma providência cautelar, um procedimento que é interposto com a intenção de ser tomada uma decisão rápida, que suspenda a decisão do regulador até haver uma decisão no processo principal. A companhia americana queria uma decisão que suspendesse aquela transmissão de dívida porque o BES vai entrar em liquidação (o Banco de Portugal já pediu ao Banco Central Europeu para abrir o processo) e, não havendo um efeito suspensivo da deliberação, as obrigações poderiam desaparecer no processo.

 

Assim, a intenção da Merrill Lynch, que segundo o Diário de Notícias está a ser assessorada judicialmente pela Uría Menendez–Proença de Carvalho, é o de, enquanto dura o processo principal (que pretende a anulação da troca de dívida), as cinco séries de obrigações voltem ao Novo Banco até haver uma decisão.

 

Só que mesmo uma providência cautelar poderá durar algum tempo e a casa de investimento dos Estados Unidos temeu que o BES pudesse entrar em liquidação antes mesmo dessa decisão. Assim, quando pediu a providência cautelar no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, fê-lo com um carácter de urgência, solicitando que mesmo antes da decisão houvesse já um retorno das obrigações.

 

Dívida de 750 milhões volta ao Novo Banco

 

“Sobre a providência cautelar requerida pela Merrill Lynch relativa à decisão de retransmissão de obrigações não subordinadas do Novo Banco para o BES, o Banco de Portugal foi citado para responder num prazo de dez dias. Assim, não houve nenhuma decisão definitiva do tribunal, nem mesmo sobre a providência cautelar”, indica o regulador bancário no comunicado publicado.

 

Só que a decisão não foi uniforme para as cinco séries. “O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa decretou provisoriamente a providência cautelar em relação a uma das séries de obrigações (PTBENKM0012), sem audição prévia do Banco de Portugal”. Em causa está uma linha avaliada em 750 milhões de euros. Ou seja, esta série tem de voltar para o Novo Banco e o regulador é intimado a tomar os actos necessários a concretizar essa transferência. Só que Carlos Costa vai contestar.

“O Banco de Portugal respeita esta decisão provisória, mas irá solicitar imediatamente o seu levantamento”, indica ainda o esclarecimento enviado pela autoridade liderada por Carlos Costa.
Depois deste processo, o tribunal vai pronunciar-se sobre a providência cautelar e decidir se, efectivamente, o processo de retransmissão de dívida sénior fica sem efeitos até haver uma decisão final no processo principal.

 

Fundo de Resolução compensa Novo Banco

 

Segundo o comunicado do regulador, “da análise conjugada das decisões do Banco de Portugal de 29 de Dezembro de 2015 resulta que esta decisão provisória não afectará a situação patrimonial do Novo Banco”.

 

Não é explicado efectivamente como é que é possível dar esta garantia, tendo em conta o retorno imediato de 750 milhões de euros, mas foram várias as deliberações tomadas naquele dia.

 

Além da transferência de dívida e do arranque do processo de liquidação do BES, o Banco de Portugal tomou uma deliberação em que coloca no Fundo de Resolução o ónus sobre decisões judiciais prejudiciais ao Novo Banco. “Compete ao Fundo de Resolução neutralizar, por via compensatória junto do Novo Banco, os eventuais efeitos negativos de decisões futuras, decorrentes do processo de resolução, de que resultem responsabilidades ou contingências”.

Lacerda Machado escolhido pelo Governo para negociar solução para emigrantes lesados

Quinta-feira, Abril 28th, 2016

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Observador

O Governo nomeou o advogado Diogo Lacerda Machado para tentar negociar uma solução com o Novo Banco para os cerca de 2.000 emigrantes lesados pelo BES. Negociador já está envolvido no papel comercial.

O Governo nomeou o advogado Diogo Lacerda Machado para tentar negociar uma solução com o Novo Banco para os cerca de 2.000 emigrantes lesados pelo BES, disse à Lusa o presidente da associação que representa estes clientes.

A escolha de Lacerda Machado para intervir como mediador em nome do Executivo acontece depois da reunião de 18 de abril, em Paris, entre a Associação Movimento dos Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP) e o primeiro-ministro, em que António Costa se comprometeu a nomear um representante para este assunto.

A escolha do chefe de Governo recaiu novamente no seu homem de confiança e “melhor amigo” – como o designou em entrevista – que tem vindo a mediar as negociações com os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo, tentou fazer a ‘ponte’ no BPI entre os espanhóis do CaixaBank e a empresária angolana Isabel dos Santos e negociou a devolução ao Estado da maioria do capital da TAP. O advogado foi ouvido esta quarta-feira de manhã no Parlamento sobre a sua intervenção nestes processos.

Já esta quarta-feira à tarde decorreu um encontro entre Diogo Lacerda Machado e os representantes da Associação dos Emigrantes Lesados em que estes deram a conhecer o seu caso e o advogado deu pistas sobre os próximos passos a seguir com vista a uma solução.

“Disse-nos que vai já iniciar diligências com o Novo Banco e com todas as entidades envolvidas – o Novo Banco é dependente do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu – e que vai rapidamente marcar uma reunião para preparar uma provável negociação entre os emigrantes lesados e o Novo Banco”, afirmou à Lusa o presidente da AMELP, Luís Marques.

O responsável afirmou ainda que Lacerda Machado garantiu que o Governo tem “empenho” em resolver este caso e que avisou a associação para se preparar para “uma caminhada de pouco tempo mas de muitas reuniões”, uma vez que o objetivo é que “a solução seja rápida”.

Os milhares de emigrantes que se consideram lesados pelo BES garantem que foram “enganados” pelo banco, uma vez que queriam pôr as poupanças em depósitos a prazo (com capital e juros garantidos) e que foram os gestores do BES que as aplicaram em produtos financeiros complexos, como séries de ações preferenciais, sem o seu conhecimento.

A Associação dos Emigrantes Lesados pelo BES estima que sejam quase 2.000 os clientes que não têm acesso às suas poupanças, num total de cerca de 180 milhões de euros.

Inicialmente, após a resolução do BES, a 04 de agosto de 2014, os emigrantes que se diziam lesados ascendiam a 8.000 num total de 728 milhões de euros de dinheiro investido.

No entanto, no verão do ano passado, o Novo Banco propôs uma solução comercial aos emigrantes detentores de vários produtos comercializados pelo BES (Poupança Plus, Top Renda e Euro Aforro), que permitia a recuperação faseada da quase totalidade das aplicações, tendo tido acolhimento por parte de 80%.

Por resolver ficou assim o caso dos emigrantes que não aceitaram a proposta – com a própria AMELP a considerar então que a complexidade da solução não se adequava ao perfil financeiro dessas pessoas – e ainda os cerca de 400 emigrantes que subscreveram os produtos Euro Aforro 10 e EG Premium, para os quais o Novo Banco não fez proposta, considerando que não era possível pelo tipo de produto financeiro em causa.

Luís Marques disse à Lusa que não sabe como se irão posicionar no eventual processo negocial os emigrantes que entretanto assinaram a proposta comercial do Novo Banco.

Quanto à AMELP, exige que seja o Novo Banco (o banco de transição que ficou com ativos do BES) a contribuir para uma solução que devolva aos emigrantes as suas poupanças.

Para estes clientes do BES residentes no estrangeiro, o Novo Banco tem uma “responsabilidade efetiva” a que não se pode furtar até porque no balanço do Novo Banco está registado o dinheiro destes emigrantes nos Recursos de Clientes, a rubrica em que se incluem os depósitos a prazo.

A Associação Movimento dos Emigrantes Lesados Portugueses tem marcadas duas manifestações em Paris, a 14 de maio e a 10 de junho, coincidindo esta última com as comemorações do Dia de Portugal na capital francesa, nas quais estará o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Santander desvaloriza oferta sobre Novo Banco e diz querer crescer organicamente

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Negócios

José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”: “finalizar em Outubro a integração do Banif”, comprado por 150 milhões de euros no ano passado, e ganhar quota de mercado.

O administrador-delegado do Grupo Santander, José António Álvarez (na foto), desvalorizou esta quarta-feira, 27 de Abril, a possibilidade de fazer uma oferta pelo Novo Banco, salientando que “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objectivo “é crescer organicamente”.

“No ano passado analisámos o Novo Banco e colocámos uma oferta não vinculativa. Seguimos os desenvolvimentos em Portugal, mas o nosso objectivo em Portugal é crescer de forma orgânica, o que estamos a fazer”, afirmou o responsável do banco espanhol, que opera em Portugal através do Santander Totta.

O crescimento orgânico refere-se ao aumento dos resultados dentro do actual perímetro do banco, ou seja sem recorrer a compras.

José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”, o primeiro dos quais “finalizar em Outubro a integração do Banif”, que o banco espanhol comprou por 150 milhões de euros no ano passado.

“Estamos nessa integração. O segundo tema é ganhar quota de mercado, no qual temos vindo a crescer”, acrescentou.

José António Álvarez foi ainda instado a comentar o decreto-lei aprovado recentemente pelo Governo português para as instituições de crédito – que permite levantar os bloqueios estatutários a alguns accionistas e que poderá permitir uma resolução para o conflito do catalão Caixabank no BPI -, mas escusou-se dizendo: “Desconheço a lei”.

No final de Janeiro, aquando da apresentação de resultados anuais, o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, repetiu que “o Banco Santander é um grande banco e está sempre atento a tudo aquilo que se passa à sua volta“.

“Naturalmente, olhará mais uma vez para o processo do Novo Banco. Mais do que isso, não posso dizer porque não sabemos quais os contornos do que vai haver, se estão enquadrados, ou não, na nossa política”, continuou, dizendo que aguarda a publicação do caderno de encargos.

A segunda tentativa de venda do banco que resultou dos activos saudáveis do BES após a resolução do Banco Espírito Santo, prevê um de dois caminhos: a dispersão em bolsa de parte do capital do Novo Banco ou a operação de venda directa da instituição a um investidor, uma opção em que os grupos espanhóis, como o Santander e o CaixaBank, são os candidatos mais fortes.

O objectivo é abrir o leque de opções e garantir o máximo de competitividade do processo, que tem de ter um desfecho até ao final de Julho, avançou em Março o Negócios.

O amigo de Costa já se explicou. E foi isto que disse

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Notícias ao Minuto

Diogo Lacerda Machado explicou hoje o seu papel enquanto negociador “informal” sobre a privatização da TAP.

Depois de ter representado António Costa “informalmente” nas negociações relativas à privatização da TAP, o caso chegou a conhecimento público e as exigências por esclarecimentos não tardaram em surgir. Hoje, o “amigo” de António Costa foi ouvido no Parlamento sobre o trabalho desempenhado enquanto consultor exterior aos quadros do Executivo.

“Tive momentos muito difíceis na vida, mas nunca me foi tão difícil enfrentar uma circunstância da vida como esta”, começou por dizer, adiantando que começou a negociar a reconfiguração da TAP com os privados “no dia a seguir à posse do atual Governo”. A primeira intervenção, especificou, teve lugar a 17 de dezembro de 2015.

Desde então, Lacerda Machado esteve presente em “14 reuniões” mas “nunca sozinho”. “Aconteceram sempre na presença de membros do Governo”, ascrescentou. Em sua defesa, alegou que foi “o espírito de serviço público” que o levou a aceitar “prontamente” o pedido de apoio de António Costa.

Aquilo que mais dúvidas suscitou foi o facto de ter representado o Governo, mesmo não fazendo parte dele, ou seja, trabalhando sem contrato, algo que acabou por surgir dias depois da polémica inicial. Esse pormenor, contudo, garantiu, não lhe fez muita diferença aquando do pedido de Costa: “Não preciso de um contrato escrito para ser mais honesto e sério naquilo que me disponibilizei a fazer”, afirmou.

Também em jeito de defesa, Lacerda Machado assegurou aos deputados presentes que o novo acordo conseguido “defende os interesses do Estado”. “Os 50% é exatamente aquilo que assegura que nenhuma deliberação será tomada sem que tenha anuência do Estado. Foi isso que o doutor António Costa sempre disse. Era preciso salvaguardar a sério os interesses estratégicos”, declarou, realçando que não estavam ressalvados se o Estado ficasse “numa posição contratual fraquita”, prosseguiu.

Ao fim de longas horas de perguntas e respostas, ficou uma garantia: os advogados do consultor vão intervir no processo, a pedido do próprio, para que sejam apuradas eventuais incompatibilidades com o trabalho desenvolvido.

“Esperarei tranquilamente o parecer da Ordem dos Advogados e, se entender que há alguma incompatibilidade, tomarei decisões. Até lá, farei tudo que me for pedido”, terminou

Santander “segue desenvolvimentos” do processo de venda do Novo Banco

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Dinheiro Vivo

José António Álvarez “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objetivo “é crescer organicamente”.

O administrador-delegado do Grupo Santander, José António Álvarez, desvalorizou hoje a possibilidade de fazer uma oferta pelo Novo Banco, salientando que “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objetivo “é crescer organicamente”.

“No ano passado analisámos o Novo Banco e colocámos uma oferta não vinculativa. Seguimos os desenvolvimentos em Portugal, mas o nosso objetivo em Portugal é crescer de forma orgânica, o que estamos a fazer”, afirmou o responsável do banco espanhol, que opera em Portugal através do Santander Totta.

O crescimento orgânico refere-se ao aumento dos resultados dentro do atual perímetro do banco, ou seja sem recorrer a compras. José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”, o primeiro dos quais “finalizar em outubro a integração do Banif”, que o banco espanhol comprou por 150 milhões de euros no ano passado.

“Estamos nessa integração. O segundo tema é ganhar quota de mercado, no qual temos vindo a crescer”, acrescentou. José António Álvarez foi ainda instado a comentar o decreto-lei aprovado recentemente pelo Governo português para as instituições de crédito – que permite levantar os bloqueios estatutários a alguns acionistas e que poderá permitir uma resolução para o conflito do catalão Caixabank no BPI -, mas escusou-se dizendo: “Desconheço a lei”. –

Lacerda Machado fala pela primeira vez do seu passado. E o futuro?

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Público

O amigo, e agora oficialmente consultor, do primeiro-ministro esteve na venda da TAP, na tentativa de encontrar uma solução para os lesados do BES e no diferendo accionista do BPI. E agora? No imediato, esta quarta-feira tem na agenda uma aguardada audição no Parlamento.

Já há vários meses que Diogo Lacerda Machado trabalha a pedido do primeiro-ministro em dossiês sensíveis. O apoio que tem prestado ao amigo de longa data, de quem se tornou oficialmente consultor no início de Abril, começou ainda antes das eleições que, com o apoio parlamentar da esquerda, levariam o PS a formar governo. Depois das negociações da TAP, dos lesados do papel comercial do BES/GES e do BPI, que nó será agora chamado a desatar o advogado? A resposta não é clara, ainda. Mas será certamente forçada, na audição de Lacerda Machado na Assembleia da República, marcada para as 10h desta quarta-feira.

Foi ainda no início de Janeiro que surgiram as primeiras notícias sobre a árdua tarefa que tinha sido entregue ao consultor: conseguir o que parecia ser um quase impossível acordo entre os privados que compraram 61% da TAP e o Governo, para devolver ao Estado uma posição maioritária na empresa. Mas só meses depois, mais precisamente a 10 de Abril e na sequência de uma entrevista à TSF e ao DN em que o primeiro-ministro anunciou que iria oficializar os laços profissionais com Lacerda Machado, é que o nome do advogado passou a habitué no circuito mediático. Cinco dias depois, a promessa de Costa cumpria-se: a avença de dois mil euros, a vigorar até 31 de Dezembro deste ano, era publicada no portal dos contratos públicos. Para António Costa, esta é uma solução mais cara para o Estado. “Acho que é simplesmente um dinheiro que podia não ser gasto”, defendeu o primeiro-ministro.ados do papel comercial do BES/GES e do BPI, que nó será agora chamado a desatar o advogado? A resposta não é clara, ainda. Mas será certamente forçada, na audição de Lacerda Machado na Assembleia da República, marcada para as 10h desta quarta-feira.

Dossiers por encerrar

A dúvida emerge. Será este um pagamento pelo trabalho passado ou haverá expectativa e vontade do próprio para representar o Governo em negociações futuras? O documento que oficializa a contratação refere que a prestação de serviços externos de consultoria é necessária por “ausência de recursos”. E o primeiro-ministro comprometeu-se, na semana passada, a nomear um representante para resolver o problema dos emigrantes lesados pela venda de papel comercial do GES. Será Lacerda Machado chamado, agora, a este dossiê? Apesar de a audição desta quarta-feira, pedida pelo PSD, ser exclusivamente dedicada ao tema da TAP, é inevitável que a pergunta surja.

O advogado, amigo de António Costa desde os tempos de faculdade, no início da década de 80, e seu padrinho de casamento, foi o negociador do Estado no acordo anunciado a 6 de Fevereiro com a Atlantic Gateway, consórcio que comprou 61% da TAP. Mas, antes disso, já tinha participado em reuniões com os representantes dos lesados do papel comercial, dando-lhes a garantia de que, uma vez governo, o PS procuraria uma solução para minimizar as perdas de 500 milhões de euros que sofreram com o investimento. O BPI foi o último dossiê que teve em mãos, com o mandato de sentar à mesa os dois maiores accionistas do banco, o CaixaBank e Isabel dos Santos, que têm visões distintas sobre a solução para o futuro do banco.

Em todos estes casos, Lacerda Machado, que foi secretário de Estado da Justiça quando António Costa liderou a tutela no último Governo de Guterres, tinha uma missão clara: construir pontes, selar acordos. Mas, na realidade, nenhum deles foi ainda parar à gaveta do Governo destinada aos assuntos encerrados. Na TAP, o pré-acordo que dá ao Estado 50% da companhia (a maioria acabou por ficar pelo caminho) e mais controlo sobre a estratégia, mas muito menos direitos económicos ainda não ganhou a força de um contrato. O prazo para que tal aconteça terminava a 30 de Abril, mas foi agora adiado para Maio.

Para os lesados do BES, até agora existe apenas um memorando de entendimento, anunciado, tal como o pré-acordo na TAP, com pompa e circunstância. As reuniões para encontrar uma solução continuam, mas ainda sem resolução à vista e com muitas dúvidas sobre onde será possível ir buscar dinheiro para repor pelo menos parte das poupanças perdidas. E no BPI o que chegou a ser um entendimento entre accionistas rapidamente degenerou numa ruptura, que ainda não está sanada.

É provável que nesta quarta-feira alguns deputados insistam em ir além do espectro da audição, tal como é provável que outros teimem em manter-se fiéis ao requerimento dos sociais-democratas. À esquerda, e apesar do desconforto que a consultoria e posterior contratação gerou, a ideia é desvalorizar a forma e colocar a ênfase na substância do que Lacerda Machado fez até aqui. Não será fácil de esquecer o silêncio prolongado do PCP e do Bloco sobre este caso, que só se desfez, e ainda que com subtileza, após a entrevista do primeiro-ministro. Já a direita, lembrada da polémica que causou a escolha de António Borges para apoiar o Governo de Passos Coelho nas privatizações, concessões e renegociação das PPP, vai querer ressuscitar a polémica criada em redor do seu nome nos primeiros dias de Abril.

 

Investidores espanhóis avançam com processo contra o Banco de Portugal

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Negócios

Um grupo de 44 investidores espanhóis reclama mais de 46,9 milhões de euros ao regulador português devido a transferência de obrigações do Novo Banco para o BES, noticiou o Correio da Manhã.

A decisão do Banco de Portugal em transferir cinco linhas de obrigações do Novo Banco para o BES continua a motivar processos por parte dos investidores.

Desta vez foi um grupo de 44 investidores espanhóis que, segundo o Correio da Manhã, reclama mais de 46,9 milhões de euros ao banco central português.

De acordo com o jornal, entre os investidores encontram-se empresários, empresas e fundos de investimento. Destaca-se a Caixa de Previdência Social da Polícia Espanhola, num grupo que integra ainda a Canarias Shipping Actividades Portuarias, CartesioX, Fonbusa, Fonbusa Mixto, a Corporacion Ivamosa e a Pareturn, uma sociedade de investimentos do Luxemburgo.

Trata-se de uma acção que deu entrada, durante a semana passada, no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa. Ao CM, fonte do Banco de Portugal disse desconhecer o processo.

Este grupo de investidores espanhóis não foi o primeiro (nem terá sido o último) a avançar com um processo contra do Banco de Portugal. O mais sonante até agora foi o interposto por um grupo de grandes investidores institucionais. Segundo o Financial Times, a BlackRock, a Pimco e 12 outros investidores internacionais contrataram a empresa Clifford Chance para contestar a decisão do banco central de impor perdas em cinco linhas de obrigações sénior do Novo Banco.

Moody’s: “É improvável que resolução do BES seja considerada ilegal”

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Negócios

Num relatório sobre as obrigações hipotecárias do Novo Banco, a agência não vê grandes riscos para os detentores de dívida do Novo Banco nos processos movidos por causa da resolução do BES.

Após a resolução do BES em Agosto de 2014, multiplicaram-se os processos em tribunal a contestar a medida de resolução aplicada ao BES, em Agosto de 2014. E alguns dos prejudicados pedem que os activos que estão no Novo Banco voltem a transitar para o BES. Apesar destas exigências dos credores prejudicados com a resolução, a Moody’s considera improvável que a Justiça lhes venha a dar razão.

“Baseado em toda a informação disponível e nas perspectivas de peritos familiares com a lei aplicável, acreditamos ser improvável que os tribunais declarem a medida de resolução como ilegal”, referem Miguel Lopez Patron e Edward Manchester, analistas da Moody’s, num relatório sobre as obrigações cobertas do Novo Banco. A preocupação da agência é que se os tribunais derem razão aos queixosos e decidirem transferir activos do Novo Banco para o BES, os detentores de obrigações cobertas da entidade liderada por Stock da Cunha deixem de ter activos como garantia.

No entanto, além de considerar improvável que o tribunal venha a considerar que a medida de resolução foi ilegal, a Moody’s realça que mesmo que o fizesse, as consequências seriam limitadas. “O sistema jurídico português garante que mesmo que um tribunal decida que um acto administrativo foi ilegal, pode determinar que as consequências da anulação desse acto seriam excepcionalmente negativas para o interesse público”. A agência considera que “neste caso, a transferência dos activos do Novo Banco para o BES seria certamente prejudicial ao interesse público”.
E mesmo que o tribunal deliberasse a anulação da resolução, o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras dá poderes ao Banco de Portugal para que, “em execução de sentenças anulatórias”, o supervisor possa “invocar causa legítima de inexecução”, “iniciando-se, nesse caso, de imediato, o procedimento tendente à fixação da indemnização devida”.

“Assim, a nossa opinião, é de que é extremamente improvável que os direitos dos detentores de obrigações cobertas do Novo Banco aos activos que servem como garantia a esses títulos sejam negativamente afectados pelos processos que correm nos tribunais”, conclui a Moody’s.

Governo não espera gastar mais com Novo Banco

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Observador

O ministro das Finanças, Mário Centeno, assegurou esta terça-feira que a solução para o Novo Banco deverá ser encontrada sem esforço adicional para o contribuinte.

O Governo não espera gastar mais com o Novo Banco. Mário Centeno, ministro das Finanças, disse esta terça-feira no Parlamento que a solução deverá ser encontrada sem novos impactos nas contas públicas.

Em resposta à deputada Mariana Mortágua, Centeno defendeu que “a regularização do Novo Banco é importante para a estabilização do sistema financeiro português”. Mas lembrou que o impacto da resolução do banco foi reconhecido nas contas de 2014 e garantiu que o Governo quer que os efeitos se fiquem por aí.

“O detentor do Novo Banco é o fundo de resolução, que está dentro das administrações públicas, e por isso todos queremos que a solução seja feita no contexto do esforço que já foi feito e que não exista mais nenhum esforço orçamental do que aquele que foi feito”, garantiu o ministro das Finanças, que era ouvido ao abrigo do regimento, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.