Arquivo para Junho, 2016

Emigrantes excluídos da solução negoceiam alternativa

Quinta-feira, Junho 23rd, 2016

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Negócios

Os emigrantes que são clientes do Novo Banco e que têm aplicações em veículos não abrangidos pela solução negociada com a instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha estão a negociar com o Governo e os supervisores uma solução equivalente à dos lesados do papel comercial.

Em causa estão os veículos EG Premium e Euroaforro 10, cujo património foi aplicado em instrumentos de dívida de empresas do antigo Grupo Espírito Santo.

Ao que o Negócios apurou, os representantes destes clientes não residentes têm mantido negociações com o Banco de Portugal e a CMVM, processo em que também tem participado Diogo Lacerda Machado, o representante do Governo e amigo do primeiro-ministro. O objectivo destes contactos é encontrar uma solução que permita a estes investidores recuperarem parte do valor investido em acções preferenciais destes veículos, recursos que foram aplicados em instrumentos de dívida de empresas do GES.

Os emigrantes com aplicações no EG Premium e no Euroaforro 10 ficaram de fora da proposta comercial que o Novo Banco apresentou aos clientes não residentes com investimentos nos veículos Poupança Plus, Top Renda e Euroaforro 8. Estes investidores vão poder recuperar mais de 60% do valor aplicado e, a prazo, muitos poderão mesmo recuperar a totalidade do capital, uma vez que o património destes veículos estava investido em dívida do Novo Banco.

A solução acordada no grupo de trabalho do papel comercial, esta semana, abrange apenas os investidores não qualificados que compraram dívida da Rioforte e da Espírito Santo International (ESI) aos balcões do BES, BES Açores ou BEST. Estão em causa 2.100 contratos de investimento.

Centeno: “Novo Banco está totalmente fora do plano da Caixa”

Quinta-feira, Junho 23rd, 2016

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Negócios

Centeno reage a suspeitas levantadas por Maria Luís Albuquerque e nega que plano da Caixa sirva para resolver Novo Banco.

O ministro das Finanças rejeitou esta quarta-feira que o plano de recapitalização da Caixa sirva para resolver a venda do Novo Banco, numa reacção ao artigo de opinião publicado pela vice-presidente do PSD no Negócios.

No artigo, a ex-ministra justifica a necessidade de uma comissão de inquérito à Caixa e lança dúvidas sobre os 4.000 milhões de euros que têm sido avançados como sendo o montante a injectar no banco público. “Por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD”, escreve Maria Luís Albuquerque.

Na conferência de imprensa dada esta tarde pelo ministro para explicar os objectivos do plano de recapitalização da Caixa, Centeno não deixa a sua antecessora sem resposta.

“O Novo Banco está totalmente fora deste plano” da Caixa, afirmou, acrescentando que “não há uma única referência ao Novo Banco no plano”. Isso é “apenas e só especulação”, garantiu.

Novo Banco propõe recompra de obrigações até 500 milhões de euros

Quinta-feira, Junho 23rd, 2016

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Negócios

O Novo Banco prevê investir até 500 milhões de euros na recompra de títulos de dívida, com maturidade em 2019 e 2022. A operação permitirá à instituição baixar os seus custos de financiamento.

O Novo Banco anunciou uma proposta de recompra de obrigações do banco com maturidade em 2019 e 2022. A instituição prevê investir até 500 milhões de euros na compra de títulos, numa operação que visa baixar os custos de financiamento do banco, no âmbito do seu plano de reestruturação.
A oferta do Novo Banco é dirigida a detentores de títulos de dívida de oito linhas de obrigações, todas elas com maturidades entre 2019 e 2022,segundo um comunicado divulgado pelo Novo Banco na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O Novo Banco adianta ainda que aceitará ofertas, desde que estas não excedam 500 milhões de euros.
“O Novo Banco S.A (“Novo Banco”) anuncia hoje o seu convite aos detentores das Obrigações (os “Obrigacionistas”), cujos detalhes se encontram definidos abaixo, para proporem a venda das suas Obrigações (embora o Novo Banco se reserve o direito de, com total discricionariedade, aceitar ou não as Obrigações que lhe forem propostas) para compra pelo Novo Banco em numerário a preços a serem determinados de acordo com um procedimento de leilão holandês não modificado”, refere o documento.

O banco adianta ainda que “o plano de negócios (do Novo Banco) contempla também a implementação de um conjunto de outras medidas que visam a recuperação da rentabilidade do Novo Banco” e estas ofertas “são uma das medidas contempladas no plano de negócios e que tem por objectivo reforçar a posição de capital do Novo Banco, bem como melhorar a sua margem financeira futura”.

Prémio até 2,5%

As obrigações serão compradas ao preço do mercado, ao qual será acrescentado um prémio pago pelo Novo Banco. “Os preços mínimos de compra reflectem um prémio de aproximadamente 1,50% a 2,50% acima dos preços de mercado”, explica o comunicado.

“Devido à iliquidez das obrigações, os vários participantes de mercado podem observar diferentes preços de venda que podem variar, entre outros, em função dos cinco montantes e plataformas de transacção”, acrescenta o Novo Banco.

Risco de perdas

 

No mesmo documento em que propõe aos obrigacionistas a recompra dos títulos, o Novo Banco realça a oportunidade desta oferta para os investidores que queiram desfazer-se dos títulos, dada a baixa liquidez deste mercado. E lembra ainda os riscos, realçando que desde a Resolução no BES, os “preços das obrigações têm estado sob pressão devido a um número de factores que tiveram e poderão continuar a ter um efeito negativo”.

E são vários os factores sublinhados pelo Novo Banco que podem continuar a pressionar os preços das obrigações. “Receios acerca das perspectivas futuras da economia portuguesa e o estado do sector financeiro português, o estatuto do Novo Banco enquanto banco de transição, a incerteza acerca da definição do perímetro dos activos e passivos do Novo Banco e do seu processo de venda por parte do Fundo de Resolução, vários litígios relativos à Medida de Resolução e quanto à transmissão (ou retransmissão) de certos passivos e o ratingdas obrigações” são alguns focos de pressão que permanecem sobre os preços dos títulos.

Mais que isso, o Novo Banco alerta que o instrumento de resgate “possibilita a recapitalização de um banco que esteja em dificuldades através da imposição de perdas a certos credores seus através da amortização dos seus créditos ou da conversão dos mesmos em capital do banco”.

De acordo com o mesmo documento, a data de liquidação ocorrerá no dia 4 de Julho. Actualmente estas obrigações negoceiam com taxas implícitas no mercado secundário que variam entre 11,885% e 18,627%.

Bancos chamados a pagar maior fatia aos lesados do BES

Terça-feira, Junho 21st, 2016

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Negócios

Os bancos, através do Fundo de Resolução, vão assumir a maior fatia do valor que os lesados do papel comercial vão reaver. Reembolso será pago com o resultado da liquidação do BES, Rioforte e ESI, da afectação de bens arrestados e de indemnizações de terceiros.

Os bancos, através do Fundo de Resolução, vão ser chamados a pagar a maior fatia do valor que deverá ser recuperado pelos antigos clientes do BES que investiram em papel comercial das duas empresas de topo do antigo …

Inquérito à CGD envolve políticos, gestores e até governadores do Banco de Portugal

Terça-feira, Junho 21st, 2016

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Público

Entre 2002 e 2007, o Estado aplicou 650 milhões na CGD. Agora, já soma 4350 milhões, e pode subir até aos 8000 milhões devido a heranças passadas. Valores que reflectem, em grande parte, decisões de gestão que englobam várias personalidades ligadas aos partidos e também aos supervisores.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será constituída por iniciativa do PSD para apurar o que correu mal na Caixa Geral de Depósitos (CGD) terá de avaliar actos de gestão imputados a administrações executivas que integraram dois governadores, Carlos Costa e António Sousa, e vice-governadores do Banco de Portugal, José Ramalho e José Matos. Entre 2002 e 2012, o Estado, o único accionista, injectou no maior banco do sistema 4350 milhões de euros, verba a que se irá juntar agora entre 2500 milhões e 4000 milhões.

Nos últimos 13 anos o Estado capitalizou a Caixa em 4350 milhões de euros, incluindo os 1650 milhões aplicados em 2012 (directamente e por via de um empréstimo de 900 milhões de capitial contigente, os Coco’s). Se a este valor somarmos os 4000 milhões mencionados pela comunicação social como a necessidade adicional de capital, então os reforços de capital vão superar os 8000 milhões de euros. E este é um dos temas que a oposição pretende ver esclarecido, numa CPI que venha a ser constituída para apurar como foi possível ao Estado colocar na Caixa fundos equivalentes a quase 5% do PIB.

Antes da crise bancária, entre 2002 e 2007, o Tesouro apenas tinha sido chamado a subir o capital da Caixa em 650 milhões. E, nesse período, recebeu 1400 milhões de dividendos. Um saldo positivo, mas que muda nos anos pós-colapso financeiro. Entre 2008 e 2012 o Estado meteu na instituição 3700 milhões, valor que inclui a capitalização de 900 milhões de CoCos e um aumento do capital de 750 milhões. Nesses quatro anos, o banco entregou ao accionista 890 milhões de euros de dividendos. Mas há um dado a ter em conta: em 2010, por exemplo, o BdP recomendou aos bancos que não remunerassem o capital para preservarem os rácios de solidez.

Ao longo dos anos, o maior banco do sistema contou com uma governação muito espartilhada entre o PS, o PSD e o CDS. E onde marcaram presença nas várias administrações figuras com sensibilidades distintas como, por exemplo, os social-democratas Faria de Oliveira, Vítor Martins, Mira Amaral ou os centristas Celeste Cardona e Nuno Fernandes Thomaz. Do campo socialista surgem Armando Vara (arguido em vários processos-crime), Maldonado Gonelha, Carlos Santos Ferreira, Francisco Bandeira (que esteve no BPN após absorção pela CGD), Rodolfo Lavrador ou Vítor Fernandes (hoje administrador do Novo Banco).

Muitos destes gestores integraram equipas hoje associadas a processos de concessão de crédito discutíveis, sem os colaterais necessários e sem condições de poderem ser pagos, em parte ou na totalidade. E conectadas a investimentos financeiros que descuraram os interesses da instituição pública que, nos últimos cinco anos, registou perdas de 2000 milhões e contabilizou imparidades (verbas que o banco reconhece que não vai recuperar) de 6000 milhões de euros. Deste bolo, 4200 milhões são créditos incobráveis e 1900 milhões investimentos ruinosos.

Decisões com custos

Um quadro que espelha ainda um caminho de internacionalização que não teve sucesso em todas as geografias. Em Espanha, a operação da Caixa revelou-se descontrolada ao contribuir com mais de 400 milhões de prejuízos para as contas do grupo estatal. O banco deu créditos em larga escala a grandes grupos espanhóis como a Pescanova e o La Seda (sob inquérito judicial por dolo), e que, com a crise económica, entraram em insolvência. E financiou grupos imobiliários falidos. Faria de Oliveira, hoje na presidência da associação do sector, APB, e Rodolfo Lavrador, a quem o banco público veio mais tarde a colocar numa “prateleira dourada” como gestor da filial em Nova Iorque, foram os defensores do negócio em Espanha.

No Banco de Portugal, a entidade que supervisiona o sector financeiro e que deve assegurar o cumprimento das boas práticas, estão hoje dois antigos administradores executivos da CGD: o actual governador, Carlos Costa, que exerceu funções entre 2004 e o final de 2006, com o pelouro internacional e a presidência do Banco Caixa Geral; e José Ramalho, o braço direito de Carlos Costa no BdP, e presidente do Fundo de Resolução. Ramalho esteve na comissão executiva da Caixa entre 2000 e 2010, com responsabilidades nos mercados financeiros e na gestão de activos. Do BdP para a Caixa saiu em 2012 José Matos, que foi vice-governador de Vítor Constâncio, de 2002 a 2010, e número dois de Carlos Costa até 2011. Hoje está de saída do grupo para dar entrada ao ex-vice-presidente do BPI, António Domingues.

IPO do Novo Banco só depois de conhecer o futuro accionista maioritário

Terça-feira, Junho 21st, 2016

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Económico

CMVM deu parecer negativo à oferta pública de subscrição de acções do Novo Banco por não haver definição accionista do banco de transicção. A notícia foi avançada pelo Reuters e o Económico confirmou junto de fonte ligada ao processo

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ‘chumbou’ uma proposta de um Initial Public Offering (IPO) do Novo Banco, quando há várias semanas lhe foi pedido um parecer. A CMVM fê-lo para salvaguardar o interesse dos pequenos accionistas, pois considera que há uma indefinição em relação ao futuro dono do banco de transição. Portanto, enquanto não se conhecer o maior accionista a CMVM não dá um parecer positivo ao IPO.

A Reuters avançou ontem com a notícia e relatava como argumento para o “chumbo”, que a informação era incompleta e continha incertezas e riscos para os investidores, disseram fontes financeiras próxima do processo à Reuters.

“A operação para um eventual IPO do Novo Banco foi apresentada, há algumas semanas, à CMVM, mas o regulador deu um parecer negativo”, disse fonte financeira próxima do processo à Reuters.

“A questão é que essa operação tinha uma série de incertezas e riscos que não eram suscetíveis de serem aceites, já que não havia informação completa para prestar aos investidores. O prospecto (de um IPO) não foi enviado para ser aprovado (pela CMVM)”, adiantou  a fonte à Reuters.

Fonte oficial do regulador referiu que “a CMVM não comenta”, frisando: “a CMVM pronunciou-se sobre a operação, mas não revela o teor da sua pronúncia.

O Banco de Portugal já disse que a operação ou vai ser por venda directa ou por recurso ao mercado de capitais.

O Presidente da República chamou o Governador do Banco de Portugal no fim da semana passada e o tema principal foi o desenrolar do processo de venda do Novo Banco.

Banqueiros queriam ‘fatiar’ Novo Banco

Segunda-feira, Junho 20th, 2016

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Correio da Manhã

Queriam converter crédito dado em 2014 em capital e dividir ativos

Os principais bancos privados a atuar em Portugal tentaram convencer o Governo a ‘fatiar’ o Novo Banco em função da percentagem de financiamento que concederam ao Fundo de Resolução em 2014, aquando do resgate do BES, dividindo os ativos de melhor qualidade do banco de Stock da Cunha entre si. O Executivo recusou tal cenário, segundo confirmou o CM junto de fontes governamentais e do setor.

O CM sabe que os principais banqueiros decidiram confrontar o Ministério das Finanças com o facto de a recapitalização pública da Caixa Geral de Depósitos – através de uma injeção de quatro mil milhões de euros – ser um elemento criador de fragilidade nas restantes instituições. E, perante a incerteza do processo de venda do Novo Banco e da fatura que cada banco iria pagar caso o valor do negócio ficasse abaixo dos 3,2 mil milhões de euros colocados no antigo BES pelo Estado, os banqueiros decidiram propor às Finanças a conversão dos 700 milhões de euros que colocaram no BES em capital do Novo Banco.

Na prática, receberiam em troca uma fatia do banco gerido por Stock da Cunha, através da separação dos ativos, correspondente à percentagem com que cada banco tinha entrado no financiamento ao fundo de resolução. CGD e BCP ficariam com a maior parcela. O restante seria dividido entre BPI, Santander Totta, Crédito Agrícola, Montepio, BIC e Banco Popular.

A intenção esbarrou na posição do Governo, que rejeita um cenário em que o Estado assuma perdas com o Novo Banco. Num seminário sobre o setor bancário, António Costa deixou claro: “Independentemente do valor da alienação, o crédito do Estado sobre o fundo não será afetado. Uma alienação a um valor baixo pode implicar responsabilidades elevadas para os participantes do sistema, mas não contarão com qualquer desconto dos contribuintes.”

Proposta de solução para lesados do BES entregue hoje a Centeno

Segunda-feira, Junho 20th, 2016

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RTP com som

Deverá ser entregue ainda esta segunda-feira o desenho final de uma solução para o problema dos lesados do papel comercial. O grupo de trabalho reúne-se para alinhar os últimos pormenores de uma proposta de solução que o primeiro-ministro quis acelerar.

À entrada para a reunião do grupo de trabalho, o presidente da Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial do BES disse ter boa expectativa de que o encontro sele o desenho final da solução a apresentar ao ministro das Finanças.

Ricardo Ângelo considerou que esta é a proposta possível, não a solução ideal, já que esta passaria pela garantia de recuperação de 100 por cento do capital investido. E alerta os lesados de que é necessário que tenham os direitos jurídicos em dia.
Passam quase dois anos desde que a medida de resolução aplicada ao BES dividiu o banco em dois: o Novo Banco e o chamado “banco mau”. Tempo em que aqueles que ficaram conhecidos como os lesados do BES têm lutado para reaver o dinheiro aplicado em papel comercial da Espírito Santo Internacional e Rio Forte. São duas mil pessoas, que investiram cerca de 430 milhões de euros.

O grupo de trabalho, criado sob a égide de António Costa, deverá apresentar ainda hoje a estrutura da proposta para as perdas que resultam da compra de papel comercial.

O que por agora se vai conhecendo desta proposta é que deverá permitir a recuperação de pelo menos 75 por cento do capital investido, até a um máximo de 300 mil euros. O veículo, o Fundo de Indemnização deverá receber verbas a título de empréstimo do Fundo de Resolução e do Fundo de Garantia de Depósito e o valor total a usar pode ascender aos 250 milhões de euros. Os interessados deverão avançar para uma queixa em tribunal e ceder os direitos jurídicos a esse Fundo de Indemnização. O limite para a interposição de ações deverá ser o início de agosto, na altura em que passam dois anos sobre a aplicação da medida de resolução. Dados que têm sido avançados pela comunicação social nos últimos dias, ainda sem confirmação oficial.
Os contornos definitivos da proposta só deverão ser conhecidos esta segunda-feira.

O grupo de trabalho junta Banco de Portugal, CMVM, BES, a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial e um representante do Governo, Diogo Lacerda Machado. Foi criado no âmbito do Memorando de Entendimento subscrito em 30 de março, na presença do primeiro-ministro, António Costa. A missão do grupo é a de encontrar uma solução que permita aos clientes recuperarem pelo menos parte do montante investido em papel comercial das empresas Espírito Santo Internacional e Rio forte, comprado aos balcões do BES.

Na altura, o primeiro-ministro tinha exigido uma solução para o problema ainda em maio. Esse prazo já expirou. António Costa tem mantido pressão sobre o caso. Em França, durante as comemorações oficiais do 10 de junho e na presença de emigrantes lesados, o primeiro-ministro reafirmou ser necessário pôr fim à “injustiça” que a situação significa.

A proposta será agora apresentada a Mário Centeno, que precisa dar o seu aval à solução para que possa vir a ser aplicada.

Lesados do BES têm de avançar com ações judiciais até 3 de agosto para poderem ser indemnizados

Segunda-feira, Junho 20th, 2016

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Observador

Os clientes lesados pelo papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo, vendido aos balcões do BES, têm até 3 de agosto para colocarem ações judiciais para que possam ser incluídos na solução que os visa compensar parcialmente.

Os clientes lesados pelo papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo (GES), vendido aos balcões do BES, têm até 3 de agosto para colocarem ações judiciais para que possam ser incluídos na solução que os visa compensar parcialmente.

Esta condição foi explicada à Lusa por fonte ligada às negociações e a data de 03 de agosto de 2016 prende-se com o facto de nessa altura passarem dois anos desde a resolução do Banco Espírito Santo (BES), pelo que há muitos direitos que caducam nessa data.

“A solução passa por uma cedência, antecipação, de direitos, por um lado, e renúncia de direitos, por outro lado, pelo que é preciso um exercício processual jurídico, quer seja processo judicial ou uma notificação judicial avulsa” para que os lesados do BES possam ter direito a indemnização, disse à Lusa a mesma fonte.

A solução para os lesados do papel comercial passa pela criação de um fundo de indemnizações — o que ainda poderá demorar três a cinco meses, uma vez que é preciso criar regulamentação e nomear órgãos sociais — que irá adiantar o dinheiro àqueles clientes, ficando esse veículo em troca com os direitos judiciais.

O objetivo desta solução é compensar os mais de 2.000 clientes do retalho que dizem ter sido lesados pelo BES. Estes investidores reclamam 432 milhões de euros investidos em papel comercial das empresas Espírito Santo International e Rioforte, do GES, que foi vendido aos balcões do banco BES.

Esse dinheiro foi dado como praticamente perdido aquando da queda do grupo da família Espírito Santo, em 2014.

Apesar desta solução, os clientes que investiram nestes títulos irão suportar perdas, uma vez que não será devolvido todo o dinheiro que investiram.

Hoje de manhã decorreu mais uma reunião entre Associação de Indignados e Lesados do Papel Comercial, Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e BES ‘mau’, com mediação do Governo, para finalizar a solução.

Durante a tarde de hoje a redação da solução será finalizada e espera-se que na terça-feira a proposta final siga para o Ministério das Finanças, a quem cabe validar ou não o resultado de três meses de negociações.

Quanto ao modo como será financiado este fundo de indemnizações, a estratégia passa por o dinheiro vir do Fundo de Resolução bancário, que depois irá receber o empréstimo concedido em função das compensações que venham a ser decididas na Justiça. Em caso limite, poderão não ser suficientes para amortizar o empréstimo ao Fundo de Resolução que, nesse caso, teria de assumir essa perda.

No entanto, há outra questão a resolver, uma vez que de momento o Fundo de Resolução não terá dinheiro para financiar o fundo de indemnizações.

O cenário em cima da mesa é esse dinheiro vir do Fundo de Garantia de Depósitos. No entanto, segundo a proposta, enquanto o pagamento pelo veículo do empréstimo do Fundo de Resolução é contingente, o empréstimo do Fundo de Garantia de Depósito tem de ser obrigatoriamente reembolsado pelo Fundo de Resolução, receba este o dinheiro do veículo ou não.

O Fundo de Resolução bancário tem como participantes os principais bancos a operar em Portugal, pelo que em última análise poderá ser o setor financeiro a ficar com as perdas.

Oficial: Já há solução para os lesados do BES

Segunda-feira, Junho 20th, 2016

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Económico

Os clientes que não tenham ou que não venham a apresentar acções em tribunal contra entidades do universo GES poderão ficar excluídos da medida, alerta o representante da Associação dos Lesados e Indignados do Papel Comercial.

Já há oficialmente uma solução para os lesados do BES, ao fim de dois meses de reuniões do grupo de trabalho que juntou à mesma mesa o Banco de Portugal, CMVM, o representante do Estado, o banco mau e a associação que representa os lesados. Não é a “ideal”, mas é “a possível”, disse ao Económico o representante da Associação dos Lesados e Indignados do Papel Comercial.

“Finalmente ao fim de 11 reuniões percebemos que finalmente neste país o diálogo começa a criar consenso. Com boa vontade tudo se consegue e num ambiente positivo chegou-se a um documento final para minimizar as perdas dos lesados do Bes do papel comercial”, começou por dizer ao Económico Ricardo Ângelo.

O objectivo dessa solução, especificou, é “abranger cerca de 85% das pessoas” envolvidas no processo. O documento seguirá agora para o Ministério das Finanças, onde serão aprovadas ou rejeitadas as medidas propostas no entendimento. Não obstante, Ricardo Ângelo diz “acreditar que será aprovado”.

Quando ao valor a ser transferido para o veículo que funcionará como fundo de indemnização, o presidente da associação não referiu valores concretos, dizendo apenas que “será financiado por várias entidades e sem a participação de dinheiros públicos”.

Condição ‘sine qua non’ para entrar nesta solução, alerta o responsável, é que os clientes lesados tenham os seus direitos jurídicos em dia. Os clientes que não tenham ou que não venham a apresentar acções em tribunal contra entidades do universo GES podem mesmo ficar excluídos da medida. O prazo para a apresentação dessas acções é curto. O direito de pedir o arresto de bens e de responsabilizar um universo alargado de empresas e administradores do GES, como é o caso de Ricardo Salgado, entre outros, termina a 3 de Agosto, quando se completam dois anos sobre a medida de resolução aplicada ao BES.

A solução para os mais de dois mil clientes lesados do BES que investiram 432 milhões de euros em papel comercial do GES passará pela criação de um veículo que adiantará dinheiro aos lesados em troca dos direitos judiciais de quem já avançou para os tribunais. Em causa está uma espécie de “fundo de indemnização” que poderá ascender a valores da ordem dos 250 milhões de euros e que será financiado por duas vias: por empréstimos, nomeadamente do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), e por uma compensação através do Fundo de Resolução que será paga ao longo de 5 a 10 anos.

O Económico sabe que neste modelo de financiamento a compensação do Fundo de Resolução, único accionista do Novo Banco poderá vir a totalizar valores da ordem dos 100 milhões de euros.

O grupo de trabalho dos lesados do papel comercial do GES está à espera do relatório da Deloitte que avalia os custos para os credores da resolução do BES para avançar com a solução que compense aqueles clientes. Este documento que todos aguardam há semanas ainda não foi disponibilizado por não estar pronto.

O relatório aguardado é obrigatório por lei e foi pedido já há alguns meses à auditora Deloitte pelo Banco de Portugal. Este visa saber se os accionistas e obrigacionistas do BES tiveram maiores perdas com a resolução do que se o banco tivesse ido para liquidação. Caso se conclua que as perdas foram maiores com a resolução, imposta em Agosto de 2014, o Fundo de Resolução bancário terá de compensar esses investidores.

Aos montantes de compensação do Fundo de Resolução juntam-se ainda o empréstimo do FGD, que contará com “garantias jurídicas muito fortes dos lesados” decorrentes dos direitos judiciais das acções em tribunais. E ainda outro tipo de garantias como é o caso daquelas que decorrerão de acções judiciais contra os auditores do GES que são apontados como responsáveis pela ocultação da dívida do GES.

A proposta final está concluída e aguarda ‘luz verde’ das Finanças e não vai onerar o erário público com a indemnização que será paga aos mais de dois mil lesados do BES que tinham investido 432 milhões de euros em papel comercial das empresas Espírito Santo Internacional e Rioforte do GES, que foi vendido aos clientes do retalho aos balcões do BES e que foi dado como praticamente perdido aquando da resolução do banco em 2014.

Adiantamento inicial poderá ascender a 100 milhões

A solução poderá vir a contar com a adesão de 85% dos lesados, numa percentagem que exigirá uma injecção do fundo de indemnização na ordem dos 250 milhões de euros, montante que poderá ser inferior com uma menor adesão dos lesados.

Para já, e no imediato, o objectivo é um adiamento inicial para suprir as necessidades lesados do papel comercial com maiores dificuldades, que será sempre inferior ao montante de financiamento total do novo veículo, cujo montante poderá ascender a 100 milhões de euros. O restante deverá ser pago num período entre cinco a dez anos.

Se o lesado entregar nas mãos do “fundo” os direitos jurídicos das acções que colocou em tribunal, este devolve-lhe de imediato uma grande parte da verba que o cliente perdeu.  Depois de o “fundo de indemnização” adiantar o dinheiro aos lesados, o objectivo é o de que este veículo recupere na Justiça, num espaço de entre cinco a dez anos, as verbas perdidas pelos lesados.

Segundo fonte próxima do processo, os clientes lesados do GES com investimentos superiores a 300 mil euros poderão assumirão perdas maiores face aos seus investimentos.

Os lesados são 2.106, sendo clientes singulares na sua grande maioria clientes, mas nenhum deles conseguirá recuperar a totalidade do investimento realizado. Cerca de 85% vão poder, porém, recuperar mais de 75% do capital.

Entre os lesados há quem tenha perdido verbas na casa dos três, quatro ou cinco milhões de euros, mas estima-se que 80% perderam valores entre 100 mil e 200 mil euros.