Arquivo para Outubro, 2016

Novo Banco. António Costa assume o controlo do processo de venda

Sábado, Outubro 15th, 2016

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Expresso

Desde que o processo de venda do Novo Banco começou, o Governo tem sido sempre informado da evolução dos contactos estabelecidos pela equipa do Banco de Portugal, liderada por Sérgio Monteiro. António Costa já disse publicamente que quer ter uma palavra a dar

Se formalmente a venda do Novo Banco é da responsabilidade do Banco de Portugal, isso não quer dizer que António Costa vá só assistir ao desenrolar do processo nos próximos meses. Segundo o “Jornal de Negócios” esta sexta-feira, o primeiro-ministro já assumiu publicamente que vai tomar conta da venda e pronunciar-se sobre a escolha do comprador.

Desde que o processo de venda começou, o Governo tem sido sempre informado da evolução dos contactos estabelecidos pela equipa do Banco de Portugal, liderada por Sérgio Monteiro. O normal seria que o Governo só se pronunciasse após o governador do Banco de Portugal apresentar uma proposta.

Mas não é isso que se espera que venha a acontecer. O executivo tem o controlo “não-oficial” do Fundo de Resolução, dado que dois dos três membros da comissão diretiva do dono do Novo Banco são a diretora-geral do Tesouro e o seu número dois. E António Costa já deu pistas que não vai ficar parado a ver.

Ao mesmo tempo que o interesse o banco China Minsheng Financial Holding em comprar mais de 50% do Novo Banco foi formalizado, a Fosun, grupo chinês dono da Fidelidade, está em negociações exclusivas para ficar com até 30% do BCP. Ou seja, a viagem de António Costa à China, nesta última semana, pode não ter sido só diplomática, mas também de negócios.

“Houve passos dados importantes relativamente ao sector financeiro e tenho esperança que novos passos possam vir a ser dados”, disse António Costa em entrevista ao “Diário de Notícias” na quinta-feira.

Ambas as vendas são centrais para o futuro das finanças portuguesas e António Costa quer ter uma palavra a dar. Durante a viagem, o primeiro-ministro recordou também que “o investimento chinês ajudou-nos a recapitalizar os nossos bancos” e tem um papel na “estabilização do nosso sistema financeiro”.

China Minsheng formaliza oferta de compra de mais de 50% do Novo Banco

Quinta-feira, Outubro 13th, 2016

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Público

A via chinesa é o Plano B do Banco de Portugal, que admite dispersão do capital em bolsa. Mas supervisor espera por novas ofertas até final do mês

O Banco de Portugal (BdP), que gere o Novo Banco, recebeu do China Minsheng uma proposta (não firme) de aquisição da maioria do capital da instituição portuguesa, apurou o PÚBLICO junto de fontes ligadas às autoridades oficiais.

A oferta chinesa chegou nos últimos dias e não é vinculativa. E surge no âmbito de uma solução de mercado, em que o Minscheng admite adquirir mais de 50% do Novo Banco com dispersão das acções sobrantes em bolsa e aumento de capital. A proposta terá agora de ser avaliada pelo Fundo de Resolução, o vendedor, que abrirá negociações que podem, ou não, ter um desfecho positivo.

Desde logo porque a via Minsheng é apenas o Plano B do BdP para a instituição agora liderada por António Ramalho. E a iniciativa chinesa decorre em paralelo com o concurso público de alienação de 100% do Novo Banco, que é disputado por cinco grupos: o BCP, o BPI, e três fundos norte-americanos de private equity, o Lone Star Funds e a Apollo associada ao Centerbridge Partners. Tudo indica que deste núcleo podem chegar ofertas firmes, pois todos estão ainda a trabalhar com essa finalidade.

A venda directa por concurso da totalidade do Novo Banco a um investidor estratégico permitiria retirar definitivamente de dentro do Fundo de Resolução as responsabilidades com o activo. Mas uma via de mercado assegura, em princípio, maior potencial de valorização, mas implica que o Fundo de Resolução continue exposto, pois como accionista vai ter de transaccionar em bolsa a parte do capital que ficar fora do acordo. Há semanas, António Ramalho veio comunicar que o trabalho para o IPO (dispersão do capital em bolsa) está praticamente concluído. Mas a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) terá, nesta opção, uma palavra forte a dizer pois está em causa um banco de transição criado em Agosto de 2014, com as acções vivas há menos de três anos.

A equipa chefiada por Sérgio Monteiro, o ex-secretário de Estado dos Transportes de Pedro Passos Coelho, encarregue por Carlos Costa de fechar o dossier vai ter de analisar todas as alternativas que lhe forem entregues. E decidir qual a mais competitiva do ponto de vista dos interesses do vendedor (que já injectou 4900 milhões de euros, dos quais 3900 milhões financiados pelo Estado)  e dos da empresa: a preservação da unidade orgânica e a sua capitalização.

Mais importante que o preço, Sérgio Monteiro quer assegurar que o adquirente tem um plano (e condições) para reforçar os rácios de capital do Novo Banco para níveis confortáveis e responder às exigências regulatórias do Banco Central Europeu (BCE). Qualquer das possibilidades terá de fazer sentido do ponto vista económico e financeiro para o vendedor e para o comprador.

O contexto é crítico e de timings apertados, dado que as metas iniciais anunciadas para fechar o dossier têm vindo a ser quebradas sucessivamente. Em Julho o BdP admitia encontrar um novo accionista para o Novo Banco ainda durante o Verão. O que não se verificou. Este processo tem sido assumidamente flexível para poder acomodar a operação às circusntâncias do momento.

Em todo o caso, o prazo limite é Agosto de 2017, altura em que o Fundo de Resolução terá de sair do Novo Banco. A orientação geral é que, no final de Outubro (uma data flexível) o Fundo de Resolução envie para o Governo a sua análise às várias ofertas e soluções que lhe chegarem para que o primeiro-ministro António Costa tome a decisão final e feche o dossier.

O Novo Banco e os direitos fundamentais da União Europeia

Quinta-feira, Outubro 13th, 2016

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Público Opinião Ricardo Cabral

O valor patrimonial do Novo Banco era de 5 600 milhões de euros (M€) no final de Junho de 2016, apresentando um rácio de alavancagem, um indicador de robustez financeira, de cerca de 10%, cerca de 3 vezes o rácio de alavancagem “anunciado” pelo Deutsche Bank, também relativo ao final de Junho.

Segundo a imprensa, o Novo Banco será vendido por um valor simbólico, com as melhores ofertas a não chegarem sequer a um décimo do valor patrimonial do banco (inferiores a 500 M€).

O argumento do ex-Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para vender o Novo Banco muito abaixo do seu valor patrimonial, é de que os bancos europeus se transacionam com um desconto na bolsa. Numa entrevista ao Expresso, no final de Fevereiro de 2016, Carlos Costa falava num desconto de cerca de 50% (vender por 3 000 M€ um banco com capitais próprios de 6 000 M€). Agora, aparentemente, o desconto já será superior a 90% e não parece haver problema. Anunciam-se super-saldos?

Ora, o Novo Banco, que viu os seus activos profundamente reestruturados, não é comparável a esses bancos europeus, apesar de todos os danos que sofreu no processo de resolução. Isto porque, ao contrário da maior parte desses bancos europeus, o balanço foi substancialmente reestruturado, expurgado dos piores activos e porque foram constituídas imparidades muito significativas no balanço do banco. Com efeito, as imparidades constituídas no balanço do Novo Banco totalizaram 5 700 M€ em Junho de 2016, representavam 16,4% do Crédito Bruto. É expectável que parte dessas imparidades venham a ser revertidas nos próximos anos, gerando lucros para o banco.

Acresce que o rácio de capital que verdadeiramente importa – o rácio de alavancagem –, é muito superior no Novo Banco. Ou seja, a maior parte da banca europeia, na realidade, está sob pressão para realizar aumentos de capital e tal pressiona o preço das acções desses bancos em bolsa. O Novo Banco já não precisa de o fazer.

Face à situação acima descrita, o que o Governo português deveria fazer era o mesmo que fizeram os Governos da Holanda, Reino Unido e Suíça: manter a sua posição accionista no banco. E, a vender, fazê-lo aos poucos e só por um preço satisfatório próximo do valor patrimonial do banco. Nunca deveria vender o Novo Banco por menos de um décimo desse valor, como parece estar a preparar-se para fazer.

No meio de tantos milhões, “dar” 5100 M€ de presente ao futuro comprador do Novo Banco pode parecer insignificante. Mas essa “doação” é equivalente a despesa pública perpétua de 180 M€ por ano, que se deixa de fazer na saúde, na educação, na defesa, na segurança pública, na justiça… o que parece incompreensível e inaceitável.

O Estado – pressionado por uma Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia que parece agir arbitrariamente e em violação do direito fundamental à propriedade –  parece disposto a aceitar vender por menos de 10 o que vale 100.

Ora, as regras da concorrência europeias não se sobrepõem ao direito fundamental à propriedade. Essas regras não podem obrigar os contribuintes portugueses a vender, i.e., a ser espoliado de património, em favor de terceiros. E, por conseguinte, compete ao Governo defender esse direito dos portugueses e não vender o Novo Banco.

Bruxelas dá mais tempo de vida aos congéneres italianos do Novo Banco

Terça-feira, Outubro 11th, 2016

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Negócios

É confidencial o novo prazo dados aos quatro pequenos bancos italianos que sofreram uma medida de resolução há quase um ano. Tudo “para proteger a eficácia do processo de venda”, defende a Comissão Europeia.

Tal como fez ao português Novo Banco, a Comissão Europeia deu mais tempo de vida aos quatro bancos italianos que, tal como a instituição portuguesa, são bancos de transição. Até quando, não se sabe. “Para proteger a eficácia do processo de venda, os calendários são mantidos sob confidencialidade”.

A decisão de Bruxelas “aprova uma solução abrangente para os bancos de transição em linha com as regras europeias”. Há, agora, mais tempo para a alienação de quatro pequenas instituições italianas. “O processo de venda pretende maximizar o valor dos quatro bancos de transição, daí minimizando o custo para o contribuinte e assegurando que não será necessário nenhuma nova ajuda estatal”, indica o comunicado, datado desta sexta-feira, 7 de Outubro.

Contando para 1% da quota de mercado bancário italiano, Nuova Banca Marche, Nuova Banca Etruria, Nuova Carife e Nuova Carichiet são as instituições financeiras que, em Novembro de 2015, foram alvo de resolução. O “Nuova” foi acrescentado aos nomes originais dos bancos italianos (alguns foram simplificados mas sempre com o “Nuova” no início) aquando da medida levada a cabo pelo regulador Banco de Itália, tal como em Portugal quando, em Agosto de 2014, foi criado o Novo Banco na resolução do Banco Espírito Santo.

Estes novos bancos têm os activos considerados saudáveis sendo que os seus créditos maus foram transferidos para um veículo separado, onde ficaram os accionistas e os detentores de dívida subordinada a suportar as perdas, à luz das regras comunitárias de resolução bancária. No ano passado, a capitalização dos bancos custou ao Fundo de Resolução 3,6 mil milhões de euros (que pediu dinheiro emprestado aos maiores bancos do país, como ocorreu com o BES), sendo que também houve uma garantia ao veículo de gestão de activos recebeu uma garantia de 400 milhões.

No comunicado de Bruxelas, não são indicados quais os remédios que têm, ou não, de ser implementados para que esteja extensão tenha sido concedida. Inicialmente, a venda, que foi desencadeada no final de Dezembro, seria feita “ao melhor oferente” num “procedimento transparente”.

O Novo Banco também teve direito a um período de vida mais longo do que o inicialmente esperado. Começou com dois anos de vida, pelo que tinha de ser vendido até Agosto de 2016 mas o Estado português acordou a extensão com Bruxelas por mais um ano. Um prolongamento que obrigou a redução de pessoal e ao fecho de balcões.

Também da mesma forma que Portugal, também Itália tem outro problema chamado crédito malparado nos balanços dos bancos do seu sistema financeiro.

Que bancos são estes?No comunicado de Novembro em que dá aval à intervenção, a Comissão Europeia faz uma caracterização das quatro instituições que são alvo de intervenção em Itália.

Banca delle Marche

É um banco na região de Marcas (Marche), no centro-este de Itália, ao lado do Mar Adriático. Conta com uma rede de 380 agências, estando sob gestão especial desde 15 de Outubro de 2013. Crédito a clientes de retalho (balcão tradicional) e a pequenas e médias empresas são o negócio central. Os activos totais ascendiam a 22,7 mil milhões de euros no final de 2012.

Banca Popolare dell’Etruria e del Lazio

Em administração desde 10 de Fevereiro de 2015, o banco italiano, que conta com uma rede de 175 agências, também está ligado ao crédito a clientes de retalho e a pequenas e médias empresas. Neste caso, a instituição com uma rede na Toscana (cuja capital é Florença) e no centro de Itália tem activos avaliados em 12,3 mil milhões de euros.

Cassa di Risparmio di Ferrara

Também o banco é especializado no crédito a pequenos e médias empresas mas também na gestão de fortunas. Situado no nordeste italiano, na região de Ferrara, tem activos de 6,9 mil milhões de euros, estando sob gestão especial desde 27 de Maio de 2013.

Cassa di Risparmio della Provincia di Chieti

Foco: clientes de retalho e pequenas e médias empresas. O banco, com activos totais avaliados em 4,7 mil milhões de euros, está sob intervenção desde 5 de Setembro de 2014. A região de Abruzzo, a sul de Marcas, é onde se encontra. 

Novo Banco prossegue dieta: seis ativos vendidos e quase 370 milhões encaixados

Terça-feira, Outubro 11th, 2016

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Dinheiro Vivo

Novo Banco fechou venda da ES Contact Center, elevando para seis os “ativos não estratégicos” de que já se libertou este ano

O Novo Banco anunciou esta tarde ter vendido mais uma das inúmeras participações que herdou do Grupo Espírito Santo (BES), elevando para seis as alienações já fechadas este ano. Agora foi a vez dos 41,66% detidos na ES Contact Center.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), o grupo agora presidido por António Ramalho informa que “alienou a sua participação acionista de 41,66% na ES Contact Center – Gestão de Call Centers SA, à Armatis – LC Ibéria”, entidade com sede em Portugal, realça o banco.

Mas esta transação ao contrário de outras vendas não teve qualquer impacto ao nível dos rácios de capital exigidos ao Novo Banco, com a própria instituição a reconhecer o “impacto neutral” da venda ao nível do “Common Equity Tier I do Novo Banco”. O comunicado, aliás, não atribui qualquer valor ao negócio. Mesmo sem impacto nos rácios ou sem referência a valores do negócio, o Novo Banco justifica esta alienação com a mesma razão com que justificou as vendas anteriores, ou seja que “representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário”.

Os outros cinco “importantes passos”

Tendo como objetivo atingir os 700 milhões de euros em vendas de ativos não estratégicos este ano, incluindo 500 milhões só através da venda de imóveis, o Novo Banco já fechou e comunicou um total de seis operações desta natureza desde o início do ano. Além da venda da ES Contact Center hoje comunicada, juntam-se ainda as vendas das participações que o grupo contava na Tertir, Ascendi, ES Ventures, Novo Banco Ásia e Empark como os “passos importantes de desinvestimento” já dados este ano.

Nem todos os negócios tiveram impactos positivos nos rácios do Novo Banco e nem todos viram os seus valores divulgados publicamente. Ainda em fevereiro, o Novo Banco comunicou a venda da sua participação na Tertir, uma operação que já estava fechada no final de 2015 mas que só obteve parecer positivo pelos reguladores já no corrente ano. Esta transação terá permitido um encaixe de 60 milhões de euros ao banco.

Depois da Tertir, seguiu-se a venda de um conjunto de ativos da Ascendi aos franceses da Ardian, operação fechada já no início de agosto, e que, do conjunto de alienações aqui reportado, terá sido a mais significativa em termos de valor: com 40% do capital da Ascendi, o banco poderá ter encaixado 240 milhões dos 600 milhões em que a transação foi acordada.

No dia seguinte à comunicação da venda da Ascendi, o Novo Banco voltou à carga, agora para anunciar a venda do Novo Banco Ásia à Well Link Group Holdings Limited, sociedade sedeada em Hong Kong e dedicada aos mercados financeiros e gestão de ativos.

O negócio foi oficializado sem serem referidos quaisquer valores envolvidos, com o banco a assumir apenas que a operação “terá um impacto positivo no rácio de capital”. E depois da Ascendi e do Novo Banco Ásia, não se deixou duas sem três: no dia seguinte ao anúncio de venda do banco asiático e dois dias depois da venda da Ascendi, o Novo Banco comunicou a saída do segmento do capital de risco, tendo decidido vender a participação na ES Ventures à Sonae por valores não divulgados.

Cenário diferente verificou-se no final de setembro, quando o Novo Banco informou o mercado da venda da sua posição de 22,1% na Empark – Aparcamientos y Servicios à Parkinvest BV, tendo recebido então 69 milhões de euros.

Entre os valores confirmados oficialmente, os preços atribuídos a algumas vendas e as transações cujo preço não foi revelado – e que até podem ser inexistentes ou de impacto negativo -, chega-se a 369 milhões de euros de encaixe potencial do Novo Banco com estas vendas – 60 milhões da Tertir, 240 milhões da Ascendi e 69 milhões com a Empark. Tudo valores que terão servido para reforçar os rácios prudenciais do grupo, conforme a instituição explicou em todas estas transações. De acordo com os resultados semestrais do Novo Banco, o rácio de capital CETI da instituição caiu de 13,5% para 12% entre dezembro de 2015 e junho de 2016. No entanto, realce-se que a maioria destes negócios foram fechados apenas no segundo semestre do corrente ano.

Reestruturação de dívida trouxe ganho de 33 milhões de euros ao Novo Banco

Segunda-feira, Outubro 10th, 2016

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Dinheiro Vivo

A operação de reestruturação de parte das obrigações emitidas pelo BES reduziu custo médio de financiamento do banco.

O Novo Banco registou um ganho de 33,3 milhões de euros com a operação de recompra de dívida lançada no final do primeiro semestre deste ano, operação que lhe permitiu recomprar obrigações emitidas ainda enquanto Banco Espírito Santo (BES) com um desconto de 28%. Esta oferta de recompra de dívida foi apresentada ao mercado a 23 de junho, depois de aprovada pela Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, tendo a instituição dado seis dias aos investidores para decidirem se aceitavam a proposta e limitando a recompra a 500 milhões de euros destas obrigações.

Apesar da imposição de um limite, este acabou por não ser atingido, com a instituição a comunicar já no final de junho que iria recomprar obrigações no valor de 347,2 milhões de euros pagando 248,8 milhões de euros pelas mesmas, um desconto de 28%. Mas apesar deste “desconto” de quase cem milhões de euros, nas contas o ganho registado foi ligeiramente superior a 30 milhões de euros. “No âmbito da operação de recompra de dívida própria lançada no final do mês de junho de 2016, o Grupo registou um ganho de 33,3 milhões de euros”, aponta a instituição no relatório e contas relativo ao primeiro semestre do ano, período que fechou com prejuízos de 363 milhões de euros.

Mas além deste ganho direto e com impacto já nas contas de 2016, o Novo Banco estima que a operação irá permitir poupar mais 90 milhões de euros em juros que venceriam nos próximos anos já que as obrigações em causa tinham maturidades em 2019 e 2022. São perto de 30 milhões de euros por ano de ganho ao nível de margem financeira. A operação de recompra de dívida lançada pelo Novo Banco foi “uma das medidas contempladas no plano de negócios” da instituição, cujo objetivo passa pela recuperação da rentabilidade da instituição, através da “melhoria da sua margem financeira futura”, conforme explicou o banco em comunicado enviado então à CMVM.

Conforme escreveu o Dinheiro Vivo quando o Novo Banco deu a conhecer a intenção de avançar para a recompra de obrigações, o grupo agora liderado por António Ramalho aproveitou uma fase de maior liquidez para avançar com a operação que serviu para reduzir o custo médio do seu financiamento, numa estratégia que tem sido igualmente utilizada pelo próprio Estado para conter os custos com a dívida e/ou diluir picos de reembolsos. Cortes: 63 milhões para fechos e saídas No relatório e contas semestral, o Novo Banco faz igualmente o ponto de situação até 30 de junho sobre a execução do plano de reestruturação que tem em curso.

Assim, e dos 109,6 milhões de euros que a instituição provisionou este ano para o fecho de instalações e redução de colaboradores, 63 milhões de euros foram gastos entre janeiro e junho – mais de metade serviram para saldar custos com reformas antecipadas (32,3 milhões). O plano de reestruturação do Novo Banco foi desenhado em colaboração com o Banco de Portugal, e impôs o “desinvestimento em ativos não estratégicos e a redução ao longo de 2016 de 150 milhões de euros de custos operacionais recorrentes, o corte de mil colaboradores e um redimensionamento da rede para 550 balcões – eram 579 no final de 2015, contando com as 17 agências do NB Açores.

No final de junho, os custos operacionais do NB já tinham recuado 93 milhões e a sua rede ainda contava com 553 agências. Em relação aos cortes nos recursos humanos, diz o relatório e contas do banco, e entre junho de 2015 e junho último, sairam do grupo 1202 colaboradores, dos quais 203 de áreas que foram descontinuadas. Todavia, e face ao plano de reestruturação, a meta de atingir as mil saídas até ao final de 2016 tem por base o total de colaboradores com que o Novo Banco contava no final de novembro de 2015, e aqui as contas até junho apontam para a redução em 880 colaboradores. “Relativamente a Novembro de 2015, que é a data base para efeitos dos compromissos assumidos no âmbito do Plano de Restruturação, a redução efetiva até Junho de 2016 foi de 880 colaboradores”, refere o relatório.

Marques Mendes: “Probabilidade séria” de Novo Banco ser comprado por chineses

Segunda-feira, Outubro 10th, 2016

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Negócios

O comentador político revelou, este domingo, “uma reviravolta enorme” no processo de venda do Novo Banco: o BPI está praticamente fora e um grupo chinês está não só dentro, como perto de ficar com o herdeiro do BES.

“Há uma probabilidade séria de um grupo chinês comprar o Novo Banco”, admitiu Marques Mendes no seu comentário na SIC, este domingo, sem referir a identidade do investidor. Há uma semana, o Público noticiou que o grupo chinês Minsheng Financial estava na corrida à compra do Novo Banco, numa iniciativa paralela ao processo de venda directa em curso.

E Marques Mendes explicou porque é que o Novo Banco pode acabar em mãos chinesas: “Em particular por esta razão: houve uma reviravolta enorme e o BPI está praticamente fora desta corrida”. Refira-se que no processo de venda directa do Novo Banco (NB) estão quatro entidades: Banco BPI, BCP, Apollo/Centerbridge e Loan Star.

Ainda segundo o advogado, a saída do BPI da corrida ao herdeiro do BES “é um enorme balde de água fria para os responsáveis máximos” da instituição liderada por Fernando Ulrich. Há quase duas semanas, a Bloomberg noticiou que responsáveis do CaixaBank teriam dito a investidores que se iriam opor à compra do Novo Banco por parte do BPI assim que assumirem o controlo do banco português.

Conforme o Negócios noticiou, o grupo Minsheng Financial está a negociar o Novo Banco desde Maio, numa iniciativa que ganhou maior fôlego na semana passada, com a presença de altos responsáveis chineses da instituição em Lisboa para desenvolver contactos.

O Banco de Portugal continua a avançar com o processo de venda directa, prevendo ter uma decisão sobre o seu desfecho até ao final do presente mês. Em alternativa, se as propostas não forem satisfatórias, pode avançar o cenário de venda em mercado, através de uma colocação privada. E é aí que poderá entrar em jogo o grupo Minsheng, que está a ser assessorado pelo Haitong Bank, liderado por José Maria Ricciardi, da família Espírito Santo, antigos donos do BES, cuja resolução esteve na origem do banco de transição Novo Banco.

Ainda os emigrantes lesados do BES/Novo Banco

Segunda-feira, Outubro 10th, 2016

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Público

Será indecoroso se continuar este jogo do engana com cinismo e frieza perante o drama de milhares de pessoas humildes que não merecem o que lhes está a acontecer.

A luta dos emigrantes lesados do BES/Novo Banco está ainda longe de ter terminado, não obstante o Primeiro-Ministro, António Costa, se ter interessado pelo problema, o que não aconteceu de todo com o ant

erior Governo do PSD/CDS, que deixou as coisas andar sem demonstrar qualquer preocupação com o drama que milhares de emigrantes viviam e ainda hoje vivem.

Atualmente, parece mesmo existir uma clara convergência na compreensão da situação injusta dos emigrantes lesados do BES/Novo Banco por parte do Governo, do Banco de Portugal e da CMVM. O único problema está na teimosia inqualificável do Novo Banco em recusar sentar-se à mesa para negociações corretas e sérias.

No fundo, passado todo este tempo, pode dizer-se que a situação de todos os emigrantes lesados, tenham ou não assinado as propostas do Novo Banco, continua à espera de uma solução justa que honre o esforço de uma vida dura de trabalho, na esperança legítima de um regresso tranquilo ao país, para gozo da reforma ou para investir.

Daí que seja chocante ver a displicência com que o Novo Banco tem tratado os emigrantes lesados, a grande maioria pessoas humildes e com mais de 65 anos, como se não fossem merecedores do mesmo respeito que qualquer outro lesado, e como se a banca portuguesa não precisasse de restaurar a confiança perdida com os desmandos dos últimos anos.

Com a recusa em encontrar uma solução justa, séria e transparente, o Novo Banco tem demonstrado uma arrogância intolerável e falta de sensibilidade com o drama que muitos hoje vivem, desfalcados das suas posses e alguns mesmo sem grandes recursos alternativos.

A verdade é que os então agentes do BES levaram ao engano milhares de emigrantes que foram convencidos que estavam a constituir poupanças, sem nunca suspeitarem que afinal o seu dinheiro estava a ser usado em off shorespara fins especulativos… E, apesar de tudo isto, continuam a agir com indiferença, como se não tivessem responsabilidade pela destruição de alguns milhares de vidas.

Dos cerca de 8000 emigrantes lesados, uma parte já foi convencida que não poderia recuperar o que confiou ao BES. Outra parte, onde se incluem os que subscreveram produtos com nomes tão apelativos quanto enganadores, como Poupança Plus, Top Renda e Euro Aforro, está agora encostada à parede porque, com toda a legitimidade, se recusaram a assinar contratos que suscitavam muitas dúvidas, que agora se estão a revelar absolutamente pertinentes. Este grupo tem sido defendido pela AMELP/BES-NV, que não desiste de batalhar para reaver o que lhes pertence.

Se o comportamento do BES de então foi reprovável por fazerem crer aos emigrantes que as suas poupanças estavam em segurança, não é agora menos inaceitável que a atitude do Novo Banco seja a de levar alguns milhares de lesados a assinar contratos opacos e enganadores. Só que, perante a chantagem e o medo de poderem perder tudo se não assinassem, essas pessoas humildes acabaram por assinar um documento que agora compreendem que não lhes dá quaisquer garantias para o futuro. E, como é compreensível, esta situação está a gerar muita revolta, visto que, na melhor das hipóteses, apenas conseguirão reaver uma ínfima parte daquilo que confiaram ao BES, além de estarem atados de pés e mãos, porque nem sequer podem reagir judicialmente ou com denúncias públicas, senão correm o risco de serem processados, conforme estão obrigados nos termos dos contratos que assinaram.

Ou seja, passado quase um ano da assinatura desses contratos, percebe-se que as obrigações que lhes entregaram não têm valor nem garantia de rentabilidade. Com a agravante de só vencerem entre 2047 e 2051, quando essas pessoas já tiverem mais de 100 anos. E também não as conseguem vender, porque ninguém quer comprar papel sem valor que só vence daqui a 35 anos e ainda para mais que já sofreu uma acentuada desvalorização num só ano. Além disso, foram discriminados, na medida em que os portugueses que subscreveram o mesmo tipo de produtos, mas eram residentes em Portugal, viram o seu problema resolvido com depósitos em dinheiro.

Mourinho Félix: Interesse do Minsheng alarga oportunidades para o Novo Banco

Sexta-feira, Outubro 7th, 2016

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Negócios

O interesse do grupo chinês Minsheng Investment no Novo Banco é positivo porque, segundo o secretário de Estado do Tesouro, coloca pressão sobre as quatro propostas na venda directa.

O secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, acredita que o Novo Banco tem mais possibilidades para o seu futuro com o interesse demonstrado por novos investidores, como o grupo chinês Minsheng.

À Reuters, o governante afirmou que o processo de venda directa, em que há quatro grupos interessados, “está numa fase final”. “A partir de agora, é natural que haja propostas finais e portanto a autoridade de resolução olhará”.

Embora sem confirmação oficial, BCP, BPI, Loan Star e Apollo/Centerbridge são os concorrentes na corrida pelo Novo Banco no procedimento que corresponde ao plano A do Banco de Portugal. O plano B é a venda em mercado de posições relevantes a investidores qualificados. E, aí, sabe-se que o China Minsheng Investment Group é um dos interessados.

A procura pelo grupo chinês é, segundo Mourinho Félix, “positiva, no sentido em que cria pressão compradora sobre o activo e põe pressão obviamente sobre os quatro candidatos, que são aqueles que neste momento estão a discutir com o Banco de Portugal”, segundo o secretário de Estado disse, por telefone, à agência de informação Reuters, no mesmo dia em que também deu uma entrevista à Bloomberg na sua viagem a Nova Iorque.

“Foi pedida informação adicional, a chamada ‘confirmatory due diligence’ em que os interessados fazem pedidos adicionais de informação e avaliam a qualidade da carteira de activos”, disse sobre este procedimento de venda directa.

“Para [a] segunda hipótese [a venda em mercado], todo o interesse que venha a existir é bem-vindo, porque essa hipótese é uma alternativa que pode ser mantida em cima da mesa, alarga o leque de possibilidades, aumenta o valor a que se possa vir a conseguir”, acrescenta ainda o secretário de Estado na mesma entrevista.

 

“Tenho conhecimento que houve pedidos de informação ao Fundo de Resolução e este tem encaminhado esses interesses para quem de direito – o Banco de Portugal (BP) – no sentido de poderem ter acesso a informação nas mesmas condições que outros tiveram, assinando os respectivos acordos de confidencialidade e podendo fazer uma avaliação”.

Interesse noutros activos do Novo Banco

Ricardo Mourinho Félix também vê a manifestação de interesse do grupo que quer ser o JPMorgan chinês como uma forma de dar visibilidade a certos activos em separado.

“Permite trazer outro interesse para outros activos, nomeadamente para activos do próprio Novo Banco que possam ser vendidos”, indica.

Banco de Portugal quer ter propostas pelo Novo Banco no final de Outubro

Sexta-feira, Outubro 7th, 2016

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Público

O presidente do China Minsheng Bank esteve na terça-feira, em Lisboa, no Banco de Portugal para reafirmar o compromisso de comprar o banco português.

O Banco de Portugal (BdP) definiu como orientação geral o final de Outubro (uma data flexível) para os candidatos à compra do Novo Banco concretizarem junto do Fundo de Resolução uma propostas de aquisição de 100% da instituição bancária, apurou o PÚBLICO.

Na segunda-feira, o PÚBLICO revelou que, no quadro da venda do Novo Banco, um processo que decorre com regras flexíveis e muito abertas, o BdP mantinha conversas adiantadas com o China Minsheng: o plano B do supervisor, a accionar caso as ofertas dos grupos seleccionados no contexto do concurso público não se revelem interessantes. O grupo chinês foi levantar o caderno de encargos no mês passado e encontra-se a avaliar as contas do Novo Banco.

O presidente do China Minsheng, Sing Wang, deslocou-se a Lisboa para tratar do dossier sobre o qual o grupo tem estado a trabalhar desde Maio, avançou na terça-feira o Jornal de Negócios. E Sing Wang esteve na terça-feira no BdP em reuniões com a equipa de Sérgio Monteiro, encarregue de vender o banco e a quem terá reafirmado estar comprometido em avançar com uma oferta firme.

O BdP já fixou o final de Outubro para o Fundo de Resolução encontrar um investidor estratégico para o Novo Banco (com ou sem IPO), uma data flexível e que pode estender-se por mais alguns dias. Aliás, o calendário tem sido sucessivamente revisto devido aos obstáculos que esta operação tem enfrentado.

São seis os grupos que neste momento estão a estudar a operação de transferência da maioria do capital do Novo Banco para a esfera privada. A expectativa é que a transacção seja encerrada até final de 2016, mas o prazo pode derrapar até 3 de Agosto do próximo ano (como acordado com Bruxelas).

O China Minsheng junta-se assim ao BPI, ao BCP e aos três fundos norte-americanos, o Lone Star Funds e a Apollo, associada ao Centerbridge Partners – estes últimos cinco foram seleccionados pelo BdP a 30 de Julho para entregarem propostas. As ofertas foram consideradas insuficientes em termos dos montantes envolvidos (o apuramento das necessidades de capital do Novo Banco reflecte-se no preço) e por não alinharem com os critérios da venda.

O Fundo de Resolução, o veículo que articula os interesses dos accionistas (a banca) com os do activo a alienar (o Novo Banco), tem como preocupação certificar-se que o futuro dono da instituição financeira preserva a sua unidade orgânica. Um objectivo que lhe foi pedido pelas autoridades europeias, o que explica que intenções de partir o banco tenham sido rejeitadas para evitar que no Fundo de Resolução fiquem activos tóxicos.

Depois de dois meses de conversações com a equipa de Sérgio Monteiro, tudo indica que o BCP, o BPI, o Lone Star e a Apollo/Centerbridge Partners estejam neste momento a rever as suas ofertas para acomodar os “conselhos”. O avanço da China Minsheng é esperado também.

Apesar das contradições desencadeadas nas últimas semanas à volta do interesse do BPI no seu concorrente, Fernando Ulrich continua a trabalhar a fundo no dossier. O ruído à volta da posição do BPI ganhou visibilidade depois da agência Bloomberg ter revelado, com base em “quatro fontes próximas do processo que pediram anonimato”, que o CaixaBank disse aos accionistas que se vai opor à compra do Novo Banco por parte do BPI, assim que assumir o controlo.

A declaração seria mais tarde corrigida e tornou-se pública a 29 de Setembro, após a desblindagem do capital do BPI, a 21 de Setembro. Nesse dia, Artur Santos Silva, presidente do conselho de administração, veio assumir que o BPI “está a estudar seriamente” o Novo Banco, o que seria facilitado pela alteração estatutária. Resta saber se a informação que as fontes do CaixaBank deixaram passar para a Bloomberg se destinou apenas a testar a reacção dos mercados ao investimento ou se traduz a vontade do grupo espanhol. A comunicação social espanhola tem noticiado que o CaixaBank prepara um aumento de capital para sustentar a OPA ao BPI.

A decisão final sobre a titularidade do próximo dono do Novo Banco terá de surgir da concertação de várias entidades. Para além do Banco Central Europeu, da Direcção-Geral da Concorrência da União Europeia (ambos com poder discricionário) e do Fundo de Resolução, o Governo será chamado a pronunciar-se. Ao contrário do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque (ex-ministra das Finanças), que relegaram para o BdP as responsabilidades na gestão e decisão das matérias financeiras, o que abrange o Novo Banco, o actual chefe de Governo António Costa dá um sinal oposto. Em entrevista ao PÚBLICO esta semana, foi claro quando lhe perguntaram se a venda do Novo Banco era para avançar: “O […] BdP já anunciou que brevemente apresentará ao Governo o quadro de soluções que tem a propor […]. Portanto não me vou antecipar.”