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Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos

Quarta-feira, Fevereiro 21st, 2018

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Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos

O Novo Banco, expurgado de activos tóxicos do BES, não deixou as perdas. Em causa estão provisões e imparidades, sobretudo para crédito.

Novo Banco: mais de 3 mil milhões em imparidades em três anos
Jorge Paula/Correio da Manhã
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Diogo Cavaleiro 19 de fevereiro de 2018 às 23:20

O Novo Banco, expurgado de activos tóxicos do BES, não deixou as perdas. Em causa estão provisões e imparidades, sobretudo para crédito.

2014
Penalizado pela PT e Oi
Não foi um ano completo para o Novo Banco. Como foi constituído a 3 de Agosto de 2014, as primeiras contas de final de ano reflectiram menos de cinco meses. Os prejuízos de 497,6 milhões de euros deveram-se, sobretudo, a provisões e imparidades, em especial para crédito. Também houve perdas devidas à exposição do banco então liderado por Eduardo Stock da Cunha à Oi e PT, de que o BES era accionista.

2015
Perdas em créditos renovam prejuízos
Mais uma vez, as provisões contribuíram para penalizar os resultados líquidos do Novo Banco. Ainda sob o comando de Stock da Cunha, os prejuízos foram de 980,6 milhões de euros. O reforço do provisionamento deveu-se, em grande medida, à maior cobertura sobre as “50 maiores exposições de risco que já existiam à data da resolução do BES”. Ou seja, a gestão ressalvava que as perdas que a instituição enfrentava deviam-se ao passado. A exposição à Pharol e à brasileira Oi continuava a ser um peso.

2016
Crédito e reestruturação marcam ano
Mais um reforço de provisões a ditar perdas no Novo Banco no ano em que António Ramalho sobe a líder. O aumento foi de 30%, ainda que o provisionamento para crédito se tenha mantido estável. O mesmo não aconteceu noutras rubricas, nomeadamente imóveis e equipamento. Neste ano, reflectiram-se as medidas do plano de reestruturação, com a redução de postos de trabalho.

2017
Mais agressividade contra perdas
Já se sabe que haverá um provisionamento agressivo. Na rubrica contavam-se já 563,2 milhões até Setembro. Os prejuízos cifravam-se em 419 milhões. Podem multiplicar-se por quatro no final de 2017.

Miguel Tiago ataca currículo de Carlos Costa. Governador responde com herança

Domingo, Fevereiro 18th, 2018

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Negócios

O deputado do PCP acusa o governador do Banco de Portugal de ter “um dos piores currículos” na supervisão. Carlos Costa reagiu dizendo que recebeu a “pior herança”.

O Partido Comunista Português não acredita que o Banco de Portugal esteja a dizer tudo o que sabe sobre o Montepio. Mas percebe que assim seja: só quando o sistema mudar é que isso deixará de acontecer. Palavras do deputado Miguel Tiago, que atacou o governador Carlos Costa esta quarta-feira, 14 de Fevereiro.

“O senhor governador tem um dos piores currículos da história da supervisão bancária”, começou por acusar o deputado comunista perante Carlos Costa na audição parlamentar que tem o Montepio como tema.

Para Miguel Tiago, Carlos Costa “viu falir nas suas barbas o BES e o Banif”. E nos dois casos foi falando sobre os bancos, incluindo no Parlamento, sem mencionar toda a verdade, atirou o deputado comunista.

O deputado comunista defende que o supervisor “só trabalha na escuridão” e sempre será assim quando o sistema financeiro se mantiver com a actual estrutura. O PCP argumenta que a banca deve ser pública, para escapar a prejuízos, que atribui aos accionistas privados.

“Não gosto que diga que tenho o pior currículo. Mas tive a pior herança”, respondeu Carlos Costa. “Tendo tido a pior herança, recebi instituições em que o quadro jurídico não permitia a separação entre o accionista e a entidade participada, em que não havia um modelo de governo que garantisse tudo o que era necessário”, continuou o governador.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal desde 2010 ao suceder a Vítor Constâncio (era da nacionalização do BPN e da falência do BPP), era o supervisor aquando da aplicação das medidas de resolução ao Banco Espírito Santo, em 2014, e ao Banif, em 2015. Um ano depois, a Caixa Geral de Depósitos necessitou de uma capitalização para evitar perdas para os credores. Temas que levaram a comissões parlamentares de inquérito.

 

Costa e Hugo Soares em confronto sobre lesados do BES

Domingo, Fevereiro 18th, 2018

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RTP com som

Depois de questionar o primeiro-ministro sobre as alegadas adoções ilegais pela IURD, o líder parlamentar do PSD pede esclarecimentos sobre os lesados do antigo Banco Espírito Santo. Num momento de debate aceso, António Costa acusa o anterior Governo de deixar problemas por resolver, incluindo a resolução do BES e Banif.

 

Prejuízos recorde no Novo Banco devem obrigar a novo apoio público este ano

Domingo, Fevereiro 18th, 2018

Prejuízos recorde no Novo Banco devem obrigar a novo apoio público este ano

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Observador

 

Prejuízos do Novo Banco podem chegar a mil milhões de euros em 2017, diz o Expresso. O registo de perdas em ativos “tóxicos” deve obrigar Fundo de Resolução a meter mais capital.

O Novo Banco deverá apresentar prejuízos recorde relativos ao ano passado. O Expresso escreve que as perdas poderão chegar aos mil milhões de euros, por força de uma política mais agressiva de reconhecimento de perdas em ativos problemáticos.

Em causa estão os créditos e outros ativos “tóxicos” que foram assumidos pelo Fundo de Resolução, no quadro do acordo de venda do banco à Lone Star. Este reconhecimento de imparidades (perdas) reflete, por um lado, as exigências das autoridades europeias que querem limpar rapidamente o crédito malparado, mas também serve o objetivo do novo acionista que pretende acelerar o regresso aos lucros. O fundo americano que comprou o Novo Banco pode vender ao fim de três anos, tendo por isso pressa em rentabilizar o ativo, diz o Expresso.

O reconhecimento de mais perdas deverá criar novas necessidades de capital no banco já este ano, ativando a cláusula no acordo de venda que prevê a injeção de recursos por parte do Fundo de Resolução, que é uma entidade pública. No entanto, as condições acordadas com a Lone Star também determinam que apesar deste ativos serem geridos pelo Novo Banco, a última palavra sobre a constituição de provisões para perdas é do Fundo de Resolução.

Certo é que o Governo já consagrou no orçamento uma almofada de 850 milhões de euros para a eventualidade de ter financiar o Fundo de Resolução numa nova injeção de capital no Novo Banco. O jornal ECO assegura entretanto que a injeção de capital público ficará abaixo desse limite. O Fundo de Resolução é responsável pela assunção de perdas até 3,89 mil milhões de euros nos ativos tóxicos que a Lone Star quis excluir da compra do Novo Banco, mas apenas no caso de estas perdas levarem a uma descida dos rácios que provoque necessidades adicionais de capital.

O Novo Banco deverá ser assim o único dos principais bancos nacionais a apresentar prejuízos relativos a 2017. Em 2016, a instituição perdeu 788 milhões de euros.

PWC banida na Índia por não detetar fraude

Quarta-feira, Fevereiro 14th, 2018

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Sol

Em Portugal, a PwC é auditora, por ajuste direto, do Banco de Portugal e foi também do Novo Banco até este ser vendido ao fundo americano Lone Star. Tem ainda em carteira o BPI, Santander Totta e Bankinter.

A Comissão de Valores Mobiliários da Índia (SEBI, na sigla em inglês) apertou o cerco à PricewaterhouseCoopers (PwC) por não ter detetado um esquema de fraude em torno de um gigante de software indiano. Como consequência, além de não poder auditar durante dois anos as empresas cotadas nesse país, os administradores estão a ser alvo de um processo criminal e correm o risco de serem condenados a prisão efetiva. Esta inibição começa a ser a aplicada a partir de 31 março deste ano, mas a auditora já anunciou que vai recorrer da decisão.

O caso remonta a 2009 e envolveu a quarta maior empresa de software indiana. O presidente da gigante Satyam Computer Services, Ramalinga Raju, passou anos a falsificar as contas da empresa. Um caso de fraude contabilística no valor de 2.250 milhões de dólares (cerca de 2 mil milhões de euros), que escapou à ‘vigilância’ da PwC, que não detetou o esquema.

De acordo com Raju, 94% do dinheiro que constava nas contas da empresa foi inventado.

O caso chocou o mercado, já que a Satyam era vista como uma das mais importantes empresas de tecnologia do país e o seu presidente e fundador como um grande empreendedor. Também o facto da PwC, a auditora da empresa, não ter detetado este esquema fraudulento não tranquilizou o mercado.

A verdade é que estamos a assistir a uma estreia em termos de inibição imposta a uma auditora por não se ter dado conta do que se estava a passar. Já no mercado português, nos casos de má gestão, sobretudo na banca, auditoras como a PwC ou a KPMG não têm assumido qualquer responsabilidade.

Mercado nacional 

A PwC é a auditora, desde 2014 por ajuste direto, do Banco de Portugal (BdP), o supervisor do sistema financeiro nacional. Ou seja, a mesma auditora que foi agora banida na Índia por não ter detetado a fraude da gigante informática é responsável por acautelar o rigor nas contas do banco central.

Também o Novo Banco, quando detido pelo acionista Fundo de Resolução (gerido pelo BdP), escolheu à época a PwC como auditora. A mudança de auditor só ocorreu depois de a instituição financeira ter sido vendida ao fundo norte-americano Lone Star, que passou a deter 75% do banco. A escolha recaiu na EY, que já presta serviços à Lone Star noutros mercados. A EY ficou, assim, com dois grandes bancos em carteira: o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos – este último contrato está avaliado em 5,5 milhões de euros anuais.

Embora tenha perdido o herdeiro do BES, a PwC ganhou a conta do BPI e tem ainda em carteira o Santander Totta e o Bankinter. Feitas as contas, estamos a falar de um auditor com acesso a informação privilegiada de uma fatia importante da banca. A isto há que somar ainda possíveis conflitos de interesses e as danças de cadeiras de que o auditor tem sido alvo.

Em causa esteve a nomeação de Luís Costa Ferreira, ex-consultor da PwC, para chefiar a Direção de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal, que levou o Bloco de Esquerda a pedir esclarecimento urgente ao órgão liderado por Carlos Costa.

Entre julho de 2013 e outubro de 2014, Costa Ferreira foi diretor do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal. Em janeiro de 2015 abandonou o órgão regulador para assumir as funções de liderança na área de Serviços Financeiros na PwC, regressando agora novamente ao BdP. Por coincidência – ou não – a PwC audita atualmente o próprio Banco de Portugal, ocupando o lugar deixado vago por Carlos Albuquerque, que seguiu para a administração da Caixa.

«A existência de conflitos de interesse é óbvia e inaceitável. Luís Costa Ferreira passa de regulador a partner de uma empresa que presta consultoria a regulados, voltando depois a ser regulador», chegaram a alertar os bloquistas.

Também esta questão levou o CDS a sugerir que o recrutamento de diretores para o Banco de Portugal fosse feito através de concurso público e que fosse a CMVM a entidade responsável por verificar eventuais conflitos de interesses entre o exercício de auditoria a entidades de interesse público e a prestação de serviços de consultadoria. «Não nos parece que faça sentido que alguém possa ser auditor de uma entidade e avalie o crédito mal parado e depois seja consultor de quem quer comprar esse crédito», explicou, na altura.

Ainda na banca, o BCP tem a Deloitte como sua auditora, posto que era ocupado num passado recente pela KPMG. Uma auditora que também tem vivido dias longe de serem pacíficos, já que foi alvo de processos de averiguação contraordenacional à auditora pelo Banco de Portugal e CMVM devido à supervisão no BES Angola, que esteve a seu cargo durante 10 anos.

No relatório enviado pelo BdP ao Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria (CNSA), foram mesmo apontadas indícios de violação das normas de auditoria e ocultação de informação da KPMG Portugal e da KPMG Angola relativamente ao BESA.

«Nunca foram transmitidos pela KPMG quaisquer indícios sobre potenciais perdas associadas às irregularidades identificadas na carteira de crédito do BESA», revelou o relatório da participação à CNSA. Só no primeiro trimestre de 2014 é que a KPMG reconhece um valor significativo de imparidades.

A KPMG foi também supervisora das contas do Banco Espírito Santo (BES) desde 2002, assim como todo o universo do grupo: a Espírito Santo Financial Group, a Espírito Santo Irmãos, a Espírito Santo Financial.

Já em 2015 foi condenada pela CMVM por violação das normas de auditoria no caso BCP, seis anos após o início do processo. Em causa estava a utilização de veículos offshore para investir em ações do próprio banco. Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal estiveram entre os condenados nesta operação. A auditora foi condenada por uma infração muito grave, mais ainda assim com pena suspensa. O banco só em 2016 mudou de auditor, 30 anos depois, trocando a KPMG – que continua a auditar as contas do Montepio – pela Deloitte.

Uma história de Portugal contada em 13 mil moedas

Segunda-feira, Fevereiro 12th, 2018

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Diário de Noticias

Antigo cofre do BES é agora uma exposição da coleção de numismática reunida por Carlos Marques da Costa

Foi na Feira da Ladra, em 1975, que o empresário Carlos Marques da Costa, um dos fundadores da fábrica de pastilhas elásticas Gorila, adquiriu as primeiras moedas da sua coleção, lembra a filha, Ana Paula. Criança à época, não se recorda de quais foram as primeiras aquisições, mas sabe que foi já nos anos 80 que a coleção ganhou corpo e importância até se tornar a “mais completa coleção de moedas portuguesas que se conhece a nível mundial”, como a descreve a conservadora Isabel da Cunha Reis, numa visita à exposição no Novo Banco, onde este conjunto, avaliado em 25 milhões de euros, agora pode ser visitado.

Ricardo Salgado, então presidente do BES, comprou a coleção a Carlos Marques da Costa, também acionista do banco, em 2007. São cerca de 17 mil itens – 13 mil moedas, mas também notas e cédulas. “Em troca de ações”, especifica a filha, agora à frente da fábrica Lusiteca. Explica que Carlos Marques da Costa “vendeu a coleção, porque não queria que fosse dividida”. O empresário teve dois filhos (um já falecido) e oito netos (quatro da filha, quatro do filho). “As moedas eram as meninas dele. Todos os dias as via, era um álbum sentimental”, recorda Ana Paula.

A numismática marcava a agenda nas férias e a família chegou a acompanhá-lo nestas viagens. Depois de vender o seu acervo, reunido por mais de 30 anos, continuou a ser uma das mais conhecidas figuras dos leilões de numismática, em Portugal e fora. “Fez uma coleção para mim”, conta a filha. “Que eu continuei.”

Carlos Marques da Costa morreu a 20 de maio de 2010, antes de poder ver como o banco se preparou para mostrar a coleção, mantendo-a una, num dos antigos cofres da sede do antigo BES, em Lisboa. Novo Banco Numismática, escrito à entrada, anuncia o tesouro, que se encontra em processo de classificação na Direção-Geral do Património Cultural. Está finalmente disponível ao público, após os anos da resolução que dividiu BES em bom e mau.

Isabel da Cunha Reis calcula que estejam aqui representadas “90% das moedas alguma vez cunhadas em Portugal”. O empresário seguia os manuais de numismática, nomeadamente o catálogo de Alberto Gomes, para enriquecer a coleção.

Na exposição, é a história de Portugal que se desenrola à nossa frente, começando nos mais antigos exemplares que se conhecem. Recuamos ao período romano, aos suevos, visigodos e islâmicos, períodos muito anteriores às batalhas travadas por D. Afonso Henriques. Com o primeiro rei de Portugal aparece a primeira moeda do reino, o dinheiro.

D. Sancho II cria o morabitino, “uma grande raridade, a primeira moeda de ouro cunhada por um rei português”. Este monarca, salienta a conservadora, é representado a cavalo e a peça ganha este nome por conviver com espécimes árabes que ainda circulavam no país. Esta e outras moedas são batizadas ao sabor das imagens que nela se representam. Há uma dobra pé-terra, porque o rei tem os pés no chão; ou uma degolada, porque a rainha D. Maria II é representada sem pescoço.

“A história das moedas é um espelho fiel da história das nações”, afirmou um dia Carlos Marques da Costa. E, na exposição, os momentos de pujança ou depressão económica são fáceis de detetar. As vitrinas mais chamativas coincidem com o início dos Descobrimentos. Aparecem os justos, moedas do reinado de D. João II, cunhado no seu trono e com a inscrição que documenta a expansão – “Senhor de Aquém e Além-Mar…”, lê-se.

Isabel da Cunha Reis chama a atenção para outra moeda, já do tempo de D. Manuel I, século XVI. “Era a maior moeda de ouro a ser cunhada por um país europeu à época. Circulava por todo o mundo, Ocidente e Oriente, era quase o dólar da época”, explica. “É uma moeda que testemunha a nossa importância.” Prossegue para o período de D. Sebastião, altura em que a moeda surge com data e, pela primeira vez, é cunhada por processos mecânicos. Chamam-lhe engenhoso.

Em contrapartida, “nos períodos conturbados, as moedas surgem menos ricas e menos elaboradas”, nota a conservadora, mostrando as peças em circulação durante a crise dinástica. No século XVIII, com D. João V, e o ouro brasileiro, regressa o brilho. “Estamos a falar de ouro de 24 quilates, um dobrão pesa 50 gramas. Até se dizia que o perfil do rei português era mais conhecido em Inglaterra do que o próprio rei inglês”, explica a conservadora. “São dezenas de moedas diferentes que se conhecem no mundo inteiro, de tipologias diferentes, e o trabalho artístico era muito importante, o cunho era desenhado por importantes artistas da época, como Francisco Vieira Lusitano.” Resume: “É o apogeu da numismática portuguesa e uma das fases preferidas de todos os colecionadores.”

Do período posterior à implantação da República, a conservadora chama a atenção para um pequeno centavo de 1922. Foi cunhada uma série muito curta e hoje só se conhecem seis exemplares, “o que faz que uma moeda tão pequena tenha ganho grande relevância”.

A coleção que Marques da Costa juntou termina na entrada em circulação do euro (2001), mas, no subterrâneo do Novo Banco, ela contempla ainda uma sala destinada a todas as moedas cunhadas em antigas colónias. É aqui que se encontra o exemplar mais valioso da coleção: a peça da coroação, a primeira moeda mandada cunhar por D. Pedro I, imperador do Brasil, em 1822. É das mais caras da numismática brasileira e das mais raras. São conhecidos apenas 16 exemplares. Num leilão recente, uma delas foi arrematada por 300 mil euros, conta Isabel da Cunha Reis. Esta, e as restantes, podem ser vistas pelo público, por marcação, através do site do banco. A entrada é livre.

Estado paga a “lesados” do papel comercial do BES em Abril

Sábado, Fevereiro 10th, 2018

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Negócios

Apesar de já ter sido autorizado pela CMVM, o fundo de recuperação de créditos ainda demorará dois meses a ser constituído. Só nessa altura haverá o pagamento da primeira prestação aos lesados, confirmou a própria Patris.

Os investidores com papel comercial de sociedades do Grupo Espírito Santo, vendido pelo Banco Espírito Santo, só deverão receber o primeiro reembolso em Abril. O valor, a ser pago pelo Estado, só será libertado quando o fundo de recuperação de créditos for constituído, revelou a Patris, a sociedade responsável por geri-lo.

“Admite-se que o fundo possa estar constituído no próximo mês de Abril. O pagamento da primeira prestação está dependente da constituição do fundo e será efectuado no âmbito da constituição do mesmo, sendo apenas nesse momento o respectivo montante disponibilizado à Patris”, assinala um comunicado da sociedade Patris – Sociedade Gestora de Fundos de Titularização de Créditos, que pertence ao grupo Patris, liderado por Gonçalo Pereira Coutinho.

A nota da sociedade gestora colocada no site oficial esta semana dá conta do trajecto que ainda tem de ser percorrido para que se concretize o pagamento dos primeiros 130 milhões de euros aos cerca de 2.000 clientes do antigo BES, agora Novo Banco, que subscreveram títulos de papel comercial emitidos pela Espírito Santo International e pela Rioforte, “holdings” do GES em insolvência. O pagamento será feito directamente pelo Tesouro português, em vez de ser um financiamento bancário, com garantia bancária, como se previa inicialmente. A primeira devolução corresponde a cerca de um terço do valor da recuperação, que será de 50% do investimento em aplicações superiores a 500 mil euros e de 75% até esse valor, mas nunca acima de 250 mil.

Abril era já o mês em cima da mesa, depois de o Governo ter decidido que iria emprestar directamente aos lesados, em vez de prestar uma garantia sobre o empréstimo bancário. Contudo, há agora uma entidade oficial a assumir a data.

A 25 de Janeiro, a CMVM deu autorização formal para a constituição do fundo. Só que “entre a autorização dada pela CMVM e a entrada em funcionamento do fundo há formalidades legais a cumprir e prazos legais e contratuais a respeitar”. Em causa está a preparação de cada contrato de adesão, que cada cliente tem de preencher, e a validação de toda a documentação. “Só depois de verificados estes requisitos e cumprindo-se os prazos legais, é que o fundo poderá ser efectivamente constituído”.

Ainda não se sabe quando é que os clientes terão de dirigir-se ao Novo Banco, Best ou Novo Banco dos Açores, os bancos que comercializaram os produtos abrangidos por esta solução, para tratarem da documentação. Certo é que deverão já ter participado nas reclamações de crédito nas insolvências da Rioforte e ESI, que decorrem no Luxemburgo, e na liquidação do BES, que está a acontecer em Lisboa.

A solução foi encontrada pelo grupo de trabalho que juntou Governo, reguladores e associação representativa dos lesados. Foi em Março do ano passado que o memorando de entendimento do grupo de trabalho foi assinado.

Carlos Costa fala nos poderes limitados do Banco de Portugal

Quinta-feira, Fevereiro 8th, 2018

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SIC Notícias com som

Carlos Costa foi esta terça-feira diretamente confrontado pela SIC sobre a destruição silenciosa da Rioforte, mas o governador do Banco de Portugal não respondeu às perguntas. No discurso da conferência do setor bancário, o governador optou por introduzir uma resposta indireta às dúvidas colocadas pela reportagem da SIC, dizendo que o supervisor tem poderes limitados.

Novo Banco condenado a pagar mais de 700 mil euros a dois ex-funcionários

Quinta-feira, Fevereiro 8th, 2018

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Notícias ao Minuto

O Novo Banco foi condenado a pagar mais de 700 mil euros a dois trabalhadores que foram alvo de despedimento em 2016, quando estavam em situação de pré-reforma, segundo decisões do Supremo Tribunal a que a Lusa teve acesso.

ONovo Banco foi condenado a pagar mais de 700 mil euros a dois trabalhadores que foram alvo de despedimento em 2016, quando estavam em situação de pré-reforma, segundo decisões do Supremo Tribunal a que a Lusa teve acesso.

Em causa estão dois diretores do ex-Banco Espírito Santo que passaram a ser trabalhadores do Novo Banco após a resolução de 2014 e que tinham acordos de pré-reforma com a instituição financeira.

Estes trabalhadores vieram a ser abrangidos mais tarde, no verão de 2016, por um processo de despedimento coletivo feito pelo Novo Banco e não concordando com os termos da compensação, pediram ao Tribunal a impugnação das indemnizações que lhes foram então atribuídas.

Segundo os dois trabalhadores, o acordo feito inicialmente com o Novo Banco era de pré-reforma, pelo que as indemnizações que a instituição tinha de lhes pagar para os despedir tinham de ser mais altas.

Já o Novo Banco considerou que os acordos feitos em 2015 não eram de pré-reforma, mas de suspensão do contrato de trabalho, pelo que a compensação atribuída para os despedir era a correta (de quase 66 mil euros num caso e 110 mil euros no outro).

Nas sentenças a que a Lusa teve acesso, o tribunal de primeira instância deu razão aos dois trabalhadores, considerando que o acordo era de pré-reforma, pelo que a indemnização paga em 2016 tinha de refletir as mensalidades a receber até à idade da reforma.

Assim, a um ex-diretor o Tribunal obrigou o Novo Banco a pagar 540.556,25 euros. Já ao outro trabalhador o Novo Banco é condenado a pagar 186.989,58 euros, além dos 110.076,92 euros da indemnização já paga em 2016.

O Novo Banco viria a recorrer das decisões para o Supremo Tribunal de Justiça, que deu razão aos trabalhadores, confirmando as sentenças da primeira instância, segundo documentos consultados pela Lusa.

O despedimento coletivo feito pelo Novo Banco em 2016 levou cerca de 30 trabalhadores a avançarem para tribunal, a maioria dos abrangidos pelo processo, entre eles muitos pré-reformados.

Os trabalhadores que recorreram para a Justiça põem em causa a licitude dos despedimentos e a indemnização. Contudo, este processo ainda decorre no tribunal de justiça de Lisboa, depois de o Novo Banco ter apresentado a sua fundamentação.

Os dois processos já com sentença do Supremo Tribunal dizem respeito aos dois trabalhadores que só reclamaram da indemnização atribuída.

Desde que foi criado, na sequência da liquidação do BES, em agosto de 2014, que o Novo Banco tem estado em reestruturação, incluindo com a saída de milhares de trabalhadores.

Desde que foi criado e até setembro de 2017 (últimos dados disponíveis) o Novo Banco já reduziu o seu quadro de pessoal em mais de 2.000 trabalhadores, a grande maioria através de processos de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

O banco foi vendido em outubro ao fundo norte-americano Lone Star (que agora tem 75% da entidade, enquanto o Fundo de Resolução tem os restantes 25%) e está agora a pôr em marcha um novo plano de reestruturação, que – da informação que se sabe até agora – implica a redução de mais de 500 funcionários até 2021.

Banco de Portugal terá escondido falência da Rioforte

Quinta-feira, Fevereiro 8th, 2018

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Sábado

O BdP terá encoberto um buraco de 954 milhões de euros da Rio Forte, revelado por um relatório da auditora PwC.

A falência da Rio forte, sociedade do universo do Grupo Espírito Santo (GES), não terá sido divulgada pelo Banco de Portugal (BdP).

Segundo a reportagem da SIC “O buraco oculto da Rioforte”, o BdP terá escondido um buraco de 954 milhões de euros da Rio Forte, revelado por um relatório da auditora PwC. O supervisor terá encoberto os dados e garantiu à banca e aos investidores, com base no primeiro estudo que indicava um capital positivo de 930 milhões, que a Rioforte era uma empresa viável.

A decisão afectou os accionistas ligados ao GES, à banca e à PT. Após esta decisão, o Banif centrou toda a dívida que tinha na Rioforte. A SIC não conseguiu apurar o motivo que originou o alegado silêncio do BdP neste caso.