Aethel prepara processo para travar venda do Novo Banco

Citamos

Negócios

Sociedade fez oferta para o Novo Banco já depois do início de negociações exclusivas com a Lone Star. Agora alega que o Banco de Portugal lhe alimentou expectativas e quer impugnar alienação.

A Aethel Partners, sociedade britânica de Ricardo Santos Silva, prepara-se para avançar com um processo judicial com o objectivo de travar a venda do Novo Banco à Lone Star, revelou fonte oficial desta entidade ao Negócios. O investidor, que tinha uma sociedade com Miguel Relvas para a fracassada compra do Banco Efisa, alega que o Banco de Portugal nunca recusou a sua oferta de compra e até alimentou as suas expectativas na medida em que o assessor financeiro do supervisor chegou a solicitar esclarecimentos sobre a sua proposta.

Tal como o Negócios avançou, a sociedade detida por Ricardo Santos Silva e Aba Schubert enviou uma carta de intenções pelo Novo Banco ao Banco de Portugal e ao Ministério das Finanças a 24 de Fevereiro. A proposta podia ascender, em determinadas circunstâncias, a 4.000 milhões e era feita em parceria com investidores institucionais não identificados.

Segundo revelou o Eco na altura, entre os parceiros da Aethel estavam o New Zealand Superannuation Fund, o Silver Point Capital e o Elliot International, investidores institucionais que participaram na Oak Finance, veículo criado pela Goldman Sachs para financiar o BES. O crédito chegou a passar para o Novo Banco, mas foi reenviado para o BES por decisão do Banco de Portugal que os investidores da Oak Finance estão a contestar judicialmente.

Agora, a Aethel acaba de mandatar os seus advogados para estudarem forma de suspender a alienação do Novo Banco. Segundo fonte oficial da sociedade, já esta semana irão ser solicitados documentos e informações adicionais sobre o processo de venda. Em função do resultado destas diligências, o investidor britânico admite avançar com uma providência cautelar para travar o negócio acordado com a Lone Star e, de seguida, com uma acção judicial para impugnar a transacção.

A sociedade sustenta que a sua proposta, que não chegou a ser formalmente aceite pelo Banco de Portugal, nunca foi rejeitada e era financeiramente vantajosa. Isto porque, além de prever uma injecção de capital de 1.000 milhões no Novo Banco, admitia o pagamento de um máximo de 3.000 milhões. No entanto, este pagamento dependeria de contrapartidas financeiras a assumir pelo Fundo de Resolução junto de investidores que têm processos contra o actual dono do Novo Banco e que, no quadro da proposta de compra, deixariam cair estas acções judiciais. Além disso, a Aethel acredita que a flexibilidade que o caderno de encargos conferia ao processo de venda, permitia ao supervisor aceitar a sua oferta numa fase adiantada do concurso.

Comments are closed.