Artur Santos Silva: “É possível enganar o regulador sistematicamente”

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Dinheiro Vivo

Desenvolvimento tecnológico contribui para problemas de supervisão, na ótica do presidente do Conselho de Administração do BPI

O presidente do Conselho de Administração do BPI, Artur Santos Silva, considera que o supervisor bancário tem falhado na sua intervenção desde a crise de 2007 e que o desenvolvimento tecnológico facilita os problemas. Sobre o banco, Santos Silva mantém o compromisso de ficar até passar o “mau tempo”, em entrevista publicada esta sexta-feira no Jornal de Negócios.

“Com o desenvolvimento dos sistemas de informação é possível enganar o regulador sistematicamente. Quando as coisas começam a correr mal, e não se mostram, a acumulação é imparável e desgasta o sistema“, avalia o banqueiro.

Artur Santos Silva deixa também uma mensagem ao Banco de Portugal. “Os problemas visíveis a partir da crise do subprime de 2007 são o resultado da incapacidade do regulador de identificar má gestão e gestão dolosa“. A nível europeu, o chairman sinaliza que “não houve uma política europeia realista e pragmática para enfrentar os problemas criados com a crise das dívidas soberanas”.

O banqueiro fala também sobre o BPI e a proposta de separação das operações africanas. Recorda que “a proposta de cisão é a melhor solução. Espero que a razão acabe por imperar. Os interesses são de tal maneira sérios que espero que venha a ser adotada porque resolve o problema, sendo aceite pelo BCE”. O banco e a Santoro, holding financeira de Isabel dos Santos, mantém um diferendo sobre este tema desde há vários meses.

Sobre o Novo Banco, o banqueiro sustenta que “os impactos de uma nacionalização seriam muito negativos” e que as atenções devem concentrar-se no processo de venda.

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