BES ainda não consegue dizer a dimensão do “buraco”. Resultados adiados

Citamos

Observador

O Banco Espírito Santo comunicou que não tem ainda condições de divulgar os resultados de 2014. O BES invoca a complexidade e excecionalidade da resolução e adia as contas sem data.

O Banco Espírito Santo (BES) diz que ainda não estão reunidas as condições necessárias para divulgar o relatório e contas de 2014, o primeiro balanço que seria conhecido depois da resolução que criou o Novo Banco.

O prazo para as empresas da bolsa divulgarem as contas do ano passado termina esta quinta-feira, a 30 de abril, e o BES estava obrigado a cumprir este prazo, apesar de a negociação das ações estar suspensa desde 1 de agosto do ano passado. Mas as contas, explica o BES, “têm necessariamente de refletir o impacto da medida de resolução” que dividiu o património do banco em dois: os ativos bons no Novo Banco e os ativos maus no BES. Em causa está a dimensão do buraco que ficou no banco mau.

O BES herdou as imparidades e responsabilidades, onde se incluem as perdas em Angola, o reembolso do papel comercial e o pagamento do financiamento concedido pela Oak Finance, entre outros. E o único ativo são os créditos concedidos a empresas do Grupo Espírito Santo (GES), que se encontram em processo de insolvência.

As contas têm de refletir as deliberações do Banco de Portugal que pode transferir ativos e, sobretudo, passivos, do lado do Novo Banco para o BES, como sucedeu com o veículo criado pela Goldman Sachs onde investidores internacionais aplicaram 835 milhões de euros.

Apesar dos esforços desenvolvidos pela administração e auditores, a gestão liderada por Máximo dos Santos, aponta para a “complexidade e excecionalidade da medida aplicada ao BES”, que não permitem que os trabalhos de validação da conformidade das contas estejam terminados. E a administração do BES ainda não consegue dizer quando é que isso poderá acontecer, limitando-se a afirmar que tudo será feito para que seja o mais breve possível.

Para além das deliberações do Banco e Portugal sobre o ajustamentos ao balanço, há que considerar outros esclarecimentos necessários para “determinar de forma rigorosa e completa o perímetro dos ativos, passivos, elementos extrapatrimoniais e ativos sob gestão que permaneceram no BES”. Ou por outras palavras, para apurar a dimensão do buraco que ficou no banco mau.

Comments are closed.