BES. Carlos Costa convida partidos a consultar documentos. “Sem telefones”

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Dinheiro Vivo

O Governador do Banco de Portugal diz que “nunca subiu” ao conselho de administração uma proposta fundamentada para retirar a idoneidade de Salgado

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, sugeriu esta quinta-feira que os deputados da comissão de orçamento e finanças criassem um comité em que um deputado de cada grupo parlamentar vá consultar “sem telefones nem máquinas fotográficas” os documentos existentes sobre o caso BES. O governador está a responder aos deputados e, perante a insistência do deputado do PS João Galamba sobre se existem ou não mais dois pareceres técnicos além do que foi divulgado pela SIC sobre a retirada de idoneidade a Ricardo Salgado, exigindo que o governador “assuma a responsabilidade”

Carlos Costa irrita-se. “Desafio esta câmara a constituir um comité, como nos países nórdicos, em que um membro de cada partido vem consultar a documentação, sem telefones, sem máquinas fotográficas e vão verificar que não temos qualquer questão do ponto de vista da clareza dos assuntos”. Carlos Costa voltou a frisar que a segurança jurídica para a retirada de idoneidade tem de ser bem fundamentada, por causa da lei em vigor enquanto João Galamba defende que o que existe é um acórdão, uma interpretação, a não uma lei.

“Há muitos documentos internos, de trabalho, que estão disponíveis que resultam do facto de o Banco de Portugal não ser uma instituição monolítica”, diz Carlos Costa, sobre a nota técnica revelada pela SIC mas não confirmando directamente se existem os dois documentos referidos pelo deputado do PS. “Há espaço para divergência de opiniões”, acrescenta. “Quem fez a fuga do documento devia ter incluído o despacho” que dizia que se devia aprofundar a investigação.

Também deveriam ter sido incluídos os pareceres que concluem que não havia razões para retirar a idoneidade, ironiza Carlos Costa. “Nunca subiu ao Conselho de Administração uma proposta fundamentada de retirada de idoneidade”, frisou, dizendo que houve apenas discussão de andamento processual. “No dia em que convidei a família para vir ao banco de Portugal e lhes comuniquei que não podiam continuar a frente do banco eu tinha de ter fundamentos”, acrescentou.