BES conclui venda de banco nos EUA à terceira tentativa

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Os reguladores norte-americanos já deram luz verde à venda do Brickell Bank, o antigo BES Miami, ao Banesco USA, por 8 milhões de dólares.

À terceira tentativa, o Banco Espírito Santo (BES), em liquidação, conseguiu vender o antigo Espírito Santo Bank de Miami, atualmente Brickell Bank, depois de receber autorização dos reguladores norte-americanos. O comprador, o Banesco USA, detido pelo mesmo grupo que controla o espanhol Abanca, pagou 8 milhões de dólares (cerca de 7 milhões de euros) pelo banco.

A informação consta do último relatório trimestral da comissão liquidatária do BES. “No final de agosto, foram obtidas as autorizações das autoridades reguladoras norte-americanas (FDIC, OFR e FINRA) para a fusão do Brickell Bank no Banesco USA. O montante de 8 milhões de dólares, deduzido das despesas da transferência, foi recebido em 30 de agosto de 2019, concretizando-se a alienação da participação do Brickell Bank”, indica o documento.

No anterior relatório trimestral, os liquidatários já tinham dado conta de que o acordo de fusão tinha sido assinado a 10 de maio, aguardando, nessa altura, pela aprovação dos reguladores. E acrescentava que, tendo em conta os prejuízos do antigo BES Miami, e para evitar que o banco entrasse em incumprimento dos requisitos prudenciais, “foram adotadas medidas específicas no contexto do acordo de fusão”. Não são especificadas, contudo, que medidas foram estas.

A primeira tentativa de venda do Brickell Bank foi pouco depois da queda do BES, quando a família venezuelana Benacerraf lançou uma oferta pelo banco norte-americano, que acabou por retirar em 2016. Mais tarde, em janeiro de 2018, o banqueiro suíço Joseph Benhamou chegou a assinar um acordo para comprar o banco, mas a operação não mereceu a aprovação dos reguladores norte-americanos e também caiu.

A comissão liquidatária iniciou, assim, um novo processo de venda de 99,99% do banco, que fica agora concluído – e no melhor cenário possível que foi antecipado antes da concretização da operação. “O valor refletido no balanço relativo à participação de capital no Brickell Bank corresponde à melhor expectativa do valor de realização do ativo, no contexto da sua fusão com a instituição potencialmente adquirente, cujas negociações estão praticamente concluídas, estimado em 8 milhões de dólares”, indicava a certificação legal de contas ao BES, relativas ao exercício de 2018.

Entretanto, antes da venda, o BES reforçou a imparidade para o Brickell Bank em cerca de 2 milhões de euros. O montante líquido deste banco registado no balanço do BES era, assim, de 6,9 milhões de euros no final de 2018.

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