BES: Grandes fundos pedem que Banco de Portugal volte às negociações

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A única maneira de as autoridades portuguesas voltarem a ter a confiança dos investidores e mercados internacionais é “corrigir erros passados”, defendem os grandes fundos que detêm dívida do BES.

Grandes fundos de investimento, como Blackrock e Pimco, voltaram a pedir ao Banco de Portugal que regresse à mesa de negociações, para minorar as perdas que tiveram com obrigações do Banco Espírito Santo (BES) / Novo Banco.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, os fundos voltam a criticar a decisão do Banco de Portugal de final de dezembro de 2015 — de passar para o “banco mau” mais de 2 mil milhões de euros de obrigações não subordinadas que eram do antigo BES e que, aquando da resolução deste, ficaram no Novo Banco –, considerando que esta “violou os princípios fundamentais do investimento e demonstrou que os reguladores estão preparados para usar os seus poderes de forma oportunista e imprevisível”.

Para estes fundos, que foram os principais afetados pela decisão, já que detinham cerca de 1,4 mil milhões de euros destas obrigações, a única maneira de as autoridades portuguesas voltarem a ter a confiança dos investidores e mercados internacionais é “corrigir erros passados” e voltam a pedir ao banco central um regresso à mesa de negociações.

Assim, exortamos o [governador do Banco de Portugal] sr. [Carlos] Costa a retomar as discussões construtivas com o nosso grupo, para conseguir uma resolução mutuamente benéfica e eliminar a carga para os contribuintes portugueses”, lê-se no comunicado.

Já em dezembro, estes fundos tinham pedido o regresso às negociações, numa carta enviada ao governador do Banco de Portugal, isto quando se assinalavam os dois anos desta decisão do supervisor e regulador bancário.

Após a decisão de dezembro de 2015, chegou a haver conversações durante meses entre esses fundos, o Banco de Portugal e o Governo, com vista a uma solução que menorizasse as suas perdas, como admitiu em maio do ano passado o ministro das Finanças, Mário Centeno, mas desde então esse processo esteve parado.

Os fundos têm por várias vezes referido que a ausência de negociação com as autoridades portuguesas tem impactos nos custos de financiamento da dívida portuguesa, assim como no investimento no capital dos bancos portugueses.

Em novembro de 2017, aquando de uma emissão de dívida pelo banco BCP, as gestoras de fundos de investimento Attestor Capital, BlackRock, CQS, Pimco, River Birch Capital e York Capital anunciaram que não iam participar na operação, tendo em conta precisamente a ausência de uma solução para o seu caso.

Então, a vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, considerou em declarações à Lusa ser “legítimo” que os fundos “tentem em determinados momentos valer a sua posição negocial” e recordou que já aquando da recompra de dívida do Novo Banco, realizada em outubro, os fundos fizeram pressões e a operação aconteceu.

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