BES na lista dos grandes casos mundiais de corrupção

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Económico

Casos como o do BES ou o da Petrobras estão na lista dos 15 casos “mais simbólicos de grande corrupção” colocada ontem a votação.

O escândalo que levou à resolução do Banco Espírito Santo (BES) e que abalou o sistema financeiro português no Verão de 2014 está entre os 15 casos “mais simbólicos de grande corrupção” em todo o mundo. A lista é da Transparência Internacional e foi colocada ontem a votação.

A fortuna da empresária angolana Isabel dos Santos, que detém em Portugal participações em várias empresas do sector bancário e das telecomunicações, é outro dos casos que aparece na lista da organização não governamental (ONG), divulgada ontem, no Dia Internacional contra a Corrupção. Os 15 casos “mais simbólicos da grande corrupção” foram escolhidos pela Transparência Internacional a partir de 383 candidaturas que chegaram a esta ONG através dos seus parceiros em vários países, tendo sido definidos como critérios o uso da posição de último beneficiário em operações de ‘offshore’ ou em participações de sociedades anónimas, abusos de direitos humanos e escala da corrupção envolvida.

A votação pode ser feita desde ontem e até 9 de Fevereiro de 2016 no site www.unmaskthecorrupt.org, lançando depois a TI um debate sobre a forma como avançar com punições ao caso mais votado.

BES: o maior escândalo desde Alves dos Reis
O colapso do Banco Espírito Santo (BES) já foi descrito como o maior escândalo bancário em Portugal desde o célebre caso Alves dos Reis, na década de 20 do século passado. Em causa estão alegadas irregularidades nas contas das várias holdings do antigo Grupo Espírito Santo (GES), que controlava o BES por via de uma complexa cascata de participações. O banco acabou por ser contaminado pela situação do GES e, em Agosto de 2014, foi alvo de uma medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, que obrigou à criação de um banco de transição (Novo Banco).

O caso Petrobras
O esquema de corrupção na Petrobras, reveladopela Operação ‘Lava Jato’ no ano passado, é outro candidato a maior caso de corrupção do mundo. Em causa estão casos de tráfico de influência dentro da petrolífera estatal brasileira Petrobras, na qual eram concedidos contratos a construtoras em troca do pagamento por parte destas empresas de comissões aos principais partidos políticos do país. Eram cerca de 3% para os políticos do Partido dos Trabalhadores, no poder e 1% para os políticos dos outros partidos da coligação governamental.

Obiang da Guiné Equatorial
Teodoro Obiang, presidente daGuiné Equatorial há 35 anos, é um dos oito governantes mais ricos do mundo, segundo a Forbes, com uma riqueza avaliada em cerca de 600 milhões de dólares. No entanto, de acordo com vários relatórios de associações de direitos humanos, o governo de Obiang inclui “mortes ilegais pelas forças de segurança; tortura sistemática de prisioneiros e detidos pelas forças de segurança; impunidade; detenções arbitrárias.” Em vários países existem investigações em curso sobre o seu filho mais velho, Teodorin Obiang, suspeito de corrupção e branqueamento de capitais.

A fortuna de Isabel dos Santos
A fortuna de Isabel dos Santos, filha do presidente angolano, volta a ser um alvo, desta feita da ONG Transparency Internacional. Alguns activistas e media internacionais têm questionado a origem da sua fortuna, que ascende a 3,3 mil milhões de euros segundo a Forbes. Em Portugal, Isabel dos Santos conta com uma vasta carteira de participações em empresas nacionais. A empresária angolana está presente em empresas como Amorim Energia (accionista da Galp), Banco BIC, NOS e Efacec, entre outras. Em Angola, controla a maior operadora de telecomunicações, a Unitel.

As teias da FIFA
Em Maio deste ano, 14 pessoas, incluindo nove directores da organização do futebol mundial, foram indiciados pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), acusados de fraude, extorsão e lavagem de dinheiro. As últimas notícias dão conta de indícios de que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, actualmente suspenso, sabia de subornos de cerca de 92 milhões de euros pagos a antigos membros do organismo. como o ex-presidente da FIFA João Havelange.

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