Carlos Tavares não quer Novo Banco vendido a investidores de retalho

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Revista Sábado

“Não nos parece que, nas condições actuais, esta deva ser uma operação dirigida a investidores a retalho”, declarou Carlos Tavares no Parlamento. A venda em bolsa pode voltar a ser opção após o Verão.

O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) confirmou no Parlamento que não é favorável à alienação em mercado regulamento de parte do capital do Novo Banco.
 
“Não nos parece que, nas condições actuais, esta deva ser uma operação dirigida a investidores a retalho”, frisou Carlos Tavares na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa esta quarta-feira, 13 de Julho.
 
Aos deputados, o presidente do regulador português do mercado de capitais afirmou que, além da dúvida dessa dispersão de capital por pequenos investidores, o Novo Banco também é ainda um banco de transição, pelo que não tem a mesma estabilidade que outras entidades cotadas.
 
“A nossa lei diz que uma entidade para ser cotada tem de ter três anos de contas aprovadas e auditadas. Não é o caso”, sublinhou Carlos Tavares sobre o Novo Banco, constituído apenas a 3 de Agosto de 2014.

Há formas de contornar esse limite, com uma autorização da CMVM. Uma autorização que tem de ser “fundada” e tem de ser “no interesse do emitente e dos investidores”. E, como declarou Carlos Tavares, os investidores de retalho não devem ser contemplados por esta operação.   O Novo Banco está em processo de venda, sendo que o Banco de Portugal tinha duas modalidades em aberto: a venda a investidor(es) estratégico(s) ou a dispersão do capital em bolsa. A segunda foi deixada em suspenso por conta da turbulência do mercado, causada pelo Brexit, e a primeira chegou à fase da entrega de propostas pelo Novo Banco (à partida, serão o BPI, Apollo e a Centerbridge em consórcio, a Loan Star e ainda o BCP).   Só depois de avaliar estas propostas é que o Banco de Portugal vai decidir como será feita venda do capital do Novo Banco, 100% nas mãos do Fundo de Resolução: se com a venda a um daqueles administradores, se com o processo de venda em bolsa após o Verão.   Carlos Tavares afirmou no Parlamento que tem mantido “muitas conversas” com o Banco de Portugal e com o Fundo de Resolução.

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