Caso BES: ‘Grupo de Braga’ processa governador, CMVM e Salgado

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Sol

O ‘Grupo de Braga’, um conjunto de lesados do caso BES em que se inclui o futebolista Alan, do Sporting Clube de Braga, vai processar Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP), além de responsáveis da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Entre os lesados contactados pelo SOL – que à excepção de Alan não aceitaram dar a cara à saída da PJ de Braga, onde foram ouvidos – reina “muita revolta” pela alegada “inacção” daquelas entidades de supervisão e regulação, o que se traduzirá em acções cíveis.

Esta semana, duas equipas de inspectores da Polícia Judiciária de Lisboa deslocaram-se a Braga para inquirir este grupo de lesados, que até aqui era desconhecido, uma vez que, segundo apurou o SOL, “têm vergonha de dar a cara, pois consideram ter sido enganados pelo BES e por Ricardo Salgado”.

As diligências policiais, que decorreram ao longo desta semana, em Braga, seguem-se a uma queixa criminal por gestão danosa apresentada pelo ‘Grupo de Braga’, também designado como ‘Grupo dos 40’, em que pontua Alan, o principal craque do Sporting de Braga. Alan foi ouvido como “ofendido”, esta terça-feira, na PJ de Braga, tendo confirmado sentir-se “enganado” pelas aplicações financeiras colocadas “a conselho de alguns responsáveis do BES”. O jogador não quis revelar os montantes que agora reclama, mas o SOL apurou que serão dezenas de milhares de euros. Existem ainda mais cerca de 40 pequenos e médios empresários que investiram “forte e frio” (expressão de um dos lesados que por vergonha solicitou anonimato) em produtos que o BES os terá convencido a subscrever, “em troca de elevados lucros”.

Ao todo estarão em causa algumas centenas de milhar de euros. A queixa por gestão danosa foi anexada ao chamado processo principal do caso BES, como está a suceder um pouco por todo o país, onde existem cerca de duas dezenas de queixosos. Todos os grupos, de acordo com aquilo que o SOL apurou esta semana, têm em comum o desejo de “evitar a exposição pública enquanto lesados”, demarcando-se assim da estratégia de outros clientes, que têm feito manifestações por todo o país, nomeadamente junto a agências do BES.

A representar os “Envergonhados de Braga” está o advogado Filipe Pedras, que já tinha representado outros queixosos no caso BPP. “Os meus clientes acreditaram no prestígio do BES e na figura de Ricardo Salgado, mas também nas palavras do senhor Presidente da República e do governador do BdP, que não se cansaram de tranquilizar toda a gente dizendo que o BES tinha boa almofada financeira e agora dão o dito por não dito”.

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