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Moody`s considera positiva eventual injeção de capital do Estado no Novo Banco

Sábado, Março 3rd, 2018

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RTP

A Moody’s considera positiva para o Novo Banco uma eventual recapitalização deste pelo Fundo de Resolução bancário, disse hoje em comunicado a agência de ‘rating’.

“Este plano é positivo para o crédito do Novo Banco porque o banco receberá fundos próprios adicionais. Os fundos adicionais ajudarão o Novo Banco a acelerar a redução do risco do seu balanço, que está constrangido por um ‘stock’ elevado de ativos problemáticos”, disse a vice-presidente da Moody’s e analista do Novo Banco Pepa Mori, citada no comunicado.

O secretário de Estado adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, admitiu, no passado fim de semana, que o Estado possa injetar este ano mais dinheiro no Novo Banco, em entrevista ao jornal Dinheiro Vivo e à rádio TSF.

“Existe a possibilidade de, ao abrigo do mecanismo de capital contingente e caso se venham a verificar perdas que afetem o rácio de capital e o ponham abaixo do ‘triggers’, o Fundo de Resolução poder vir a ser chamado”, disse Mourinho Félix.

Já em inícios de janeiro o mesmo governante tinha dado indicação, no Parlamento, de que poderia haver uma recapitalização pública do Novo Banco.

Segundo a imprensa, o Novo Banco poderá apresentar prejuízos entre 1.000 e 2.000 milhões de euros referentes a 2017.

O Novo Banco foi criado em agosto de 2014, aquando da resolução do BES. Apesar de ter sido criado como o ‘banco bom’, ficou no seu balanço com muitos ativos problemáticos do ex-BES.

Desde outubro passado, o Novo Banco pertence maioritariamente (em 75%) ao fundo norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução os restantes 25%.

A compra do Novo Banco não implicou o pagamento de qualquer preço, tendo o Lone Star acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco para o capitalizar.

No âmbito da venda foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução poderá ter de compensar o Novo Banco por perdas de capital resultantes de um conjunto de ativos ‘tóxicos’, no máximo de 3,89 mil milhões de euros.

CreditSights recomenda aceitar oferta “coerciva” do Novo Banco

Sábado, Julho 29th, 2017

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Negócios

A empresa de “research” especializada em dívida de empresas considera que não vender agora as obrigações pode expor os investidores a um risco ainda maior.

A CreditSights divulgou esta manhã um breve relatório sobre a oferta de compra de obrigações anunciada pelo Novo Banco onde aconselha genericamente a aceitação da oferta, tendo em conta o risco de uma futura resolução caso a operação fracasse. E nota o tom “duro” do prospecto.

O Novo Banco anunciou na madrugada de terça-feira uma oferta sobre as obrigações seniores do banco, propondo-se a comprá-las por um valor próximo do valor de mercado, o que implica perdas significativas em relação ao valor nominal. A operação visa conseguir o reforço do capital em 500 milhões de euros, uma condição essencial para que o negócio da venda à Lone Star se possa consumar.
“Para muitos investidores, a oportunidade para sair de um activo ilíquido por um preço próximo dos valores actuais de mercado poderá ser uma opção menos arriscada quando comparada com a incerteza de uma resolução e as dúvidas sobre a viabilidade do banco no longo prazo”, escreve a CreditSights.

A empresa de “research” salienta que a alternativa à oferta e à venda ao Novo Banco é “presumivelmente o banco ser resolvido, o que envolveria um ‘bail-in’ dos detentores de obrigações seniores, uma vez que o NB não tem dívida subordinada ou outros instrumentos híbridos para absorver perdas. Podem ser alvo de uma redução do valor nominal ou convertidas em acções, dependendo do plano de resolução. Esta pode ser uma opção mais atractiva para alguns obrigacionistas, mas isso depende da sua opinião sobre os termos do ‘bail-in’ em comparação com a presente oferta”.

A CreditSights não deixa de salientar o tom do prospecto. Lembra que se o reembolso for aceite pelos detentores de mais de 75% das obrigações, os mesmos termos serão aplicados aos restantes títulos da mesma série, considerando que “a oferta tem um aspecto algo coercivo, através desta cláusula ‘sweep-up’”. A expressão “oferta coerciva” está também no título do relatório. Observa ainda que a linguagem usada é “deliberadamente dura”.
As obrigações têm um valor nominal de 8,3 mil milhões de euros mas estão registadas no balanço do Novo Banco por pouco mais de 3.000 milhões, salienta a CreditSights. Pelos seus cálculos, a aceitação da oferta permitirá reforçar os rácios de capital em pelo menos 250 milhões de euros, vindo o restante valor das poupanças que o banco conseguirá no pagamento de juros.

Moody’s: Se troca de obrigações falhar, aumenta o risco de liquidação do Novo Banco

Sexta-feira, Junho 23rd, 2017

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Eco

Moody’s: Se troca de obrigações falhar, aumenta o risco de liquidação do Novo Banco

 

 

Agência prolongou a revisão do rating do banco que está em vias de ser vendido ao Lone Star. E deixa o aviso: se a troca de obrigações voluntária falhar, aumenta o risco de liquidação do Novo Banco.

A agência Moody’s prolongou a revisão para um possível donwgrade do rating “Caa2” do Novo Banco porque ainda não tem informações suficientes acerca da proposta de troca voluntária de obrigações seniores no sentido de reforçar o capital do banco em 500 milhões de euros. E deixa um novo aviso: “Se o liability management exercise (troca de obrigações) não for bem-sucedido, aumenta o risco de uma resolução ou liquidação do banco com consequentes perdas para os credores“.

Foi a 5 de abril que esta agência baixou o rating do Novo Banco para um nível de quase incumprimento, iniciando ao mesmo tempo uma revisão negativa sobre a instituição, depois de o Banco de Portugal ter anunciado uma proposta de troca voluntária destes títulos de dívida por outros títulos como requisito vital para a conclusão do processo de venda do ex-BES ao fundo norte-americano Lone Star.

Neste cenário, a Moody’s diz que esta troca de obrigações seniores continua em cima da mesa sem que tenham surgido novas informações entretanto, razão pela qual estende o prazo de revisão da notação da dívida sénior do Novo Banco.

“A extensão da revisão reflete o facto de o LME do Novo Banco envolvendo os credores seniores continua num processo de definição e de implementação. A Moody’s espera concluir esta revisão assim que a agência de rating tiver maior visibilidade acerca da conclusão do LME, que é um requerimento que precisa de ser preenchido antes de o Lone Star completar a aquisição de uma posição maioritária no Novo Banco”, argumenta a Moody’s numa decisão divulgada esta segunda-feira.

“Se o LME não for bem-sucedido, aumenta o risco de uma resolução ou liquidação do banco com consequentes perdas para os credores.”

Moody’s

Comunicado

Porém, “se o LME não for bem-sucedido, aumenta o risco de uma resolução ou liquidação do banco com consequentes perdas para os credores”, alerta a agência.

A taxa das obrigações seniores do Novo Banco agravou-se na última semana, estando a negociar esta segunda-feira perto dos 17,5%, o nível mais elevado desde fevereiro, num sinal de maior desconfiança dos investidores em relação ao processo de troca de obrigações.

O ECO noticiou no início deste mês que o Governo quer chegar a um acordo com os credores que, em dezembro de 2015, perderam grande parte do seu investimento no Novo Banco quando o Banco e Portugal decidiu transferir cinco séries de obrigações para o ‘BES mau’ no valor de 2,2 mil milhões de euros.

Caso esta solução semelhante àquela que a Áustria aplicou a um banco do país seja bem-sucedida, o Governo português poderá ver facilitada a operação de troca de dívida, uma vez que alguns dos credores que perderam dinheiro no banco, em 2015, ainda são credores do Novo Banco e vão ter de dar o seu aval voluntário para a operação de LME.

 

Risco da dívida do Novo Banco dispara após alerta da Moody’s

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Risco da dívida do Novo Banco dispara após alerta da Moody’s

 

Risco nas obrigações seniores do Novo Banco disparou com troca voluntária de dívida acordada entre Banco de Portugal e Lone Star. Para a Moody’s, há sérios riscos de default parcial nestes títulos.

A taxa das obrigações seniores do Novo Banco disparam esta quarta-feira para máximos de quase dois meses, depois de a agência Moody’s ter baixado o rating destes títulos para um nível de quase incumprimento. Para a agência, os obrigacionistas seniores do banco arriscam seriamente a perder dinheiro perante as dúvidas em relação à proposta de troca de dívida que o Banco de Portugal anunciou na passada sexta-feira para fechar o negócio com o fundo Lone Star.

A yield das obrigações aumenta para 14,941%, o nível mais elevado desde meados de fevereiro, estando a subir desde que no final da semana passada as autoridades portuguesas anunciaram uma proposta dirigida a credores seniores do banco sobre uma troca de obrigações “voluntária” por outros títulos que permitam ao Novo Banco reforçar o seu capital em 500 milhões de euros.

Para a agência de notação financeira, que classifica as obrigações seniores do Novo Banco em Caa2, com elevado risco de crédito, esta oferta de troca é “problemática” perante a ameaça de perdas que a operação de troca de dívida representa para os investidores.

Juros disparam com desconfiança do mercado em relação à troca de dívida

Fonte: Bloomberg (valores em %)

“O downgrade do rating da dívida sénior sob revisão de mais agravamentos reflete a expectativa de perdas que os obrigacionistas seniores do Novo Banco deverão enfrentar como parte” da troca de obrigações que o Banco de Portugal anunciou na sexta-feira para fechar a venda da instituição ao fundo Lone Star, justifica a Moody’s no comunicado divulgado esta quarta-feira. “A agência de rating considera esta oferta como uma troca problemática que será realizada como forma de evitar a liquidação do Novo Banco e conclusão do processo de venda”, acrescenta.

“O downgrade do rating da dívida sénior sob revisão de mais agravamentos reflete a expectativa de perdas que os obrigacionistas seniores do Novo Banco deverão enfrentar como parte da troca de obrigações seniores.”

Moody’s

Comunicado

Uma das condições para o Lone Star injetar mil milhões de euros no Novo Banco passa pela troca “voluntária” de obrigações seniores por outros títulos de dívida que permitam ao banco reforçar a sua posição de capital em 500 milhões de euros.

Na conferência de anúncio de venda do Novo Banco, o governador Carlos Costa sublinhou que “a solução desenhada não envolve uma ação não voluntária” e “não afetará o capital” dos obrigacionistas. No entanto, caso não haja investidores que aceitem trocar os títulos, o negócio com o Lone Star será inviabilizado. A alternativa será a nacionalização ou a mesmo a liquidação do banco.

 

DBRS: É improvável que o Novo Banco volte a transferir ativos para o BES

Terça-feira, Fevereiro 7th, 2017

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Jornal Económico

A DBRS considera que uma nova alteração do perímetro do Novo Banco é improvável, uma vez que o BES já está em processo de liquidação.

A DBRS, agência de rating canadiana, emitiu hoje uma nota sobre os ratings do Novo Banco, onde confirma os ratings de curto prazo (R-5) e melhora a perspectiva dos ratings de longo prazo (que se mantêm estáveis em CCC high).

“Uma pressão positiva pode surgir se o Banco demonstrar melhoria sustentada do desempenho financeiro e continuar a reduzir o risco do seu balanço através da melhoria da qualidade dos ativos e da  ativos não essenciais”, diz a agência de rating DBRS numa nota divulgada hoje. A venda de ativos não estratégicos do Novo Banco pode também ser acelerada pela venda bem-sucedida do banco a um investidor de longo prazo, acrescenta.

“Seria também necessária a venda para a estabilização da sua capacidade de financiamento e posição de liquidez”, refere a nota.

Em sentido inverso, na lista dos factores que pressionam o rating do banco negativamente, a DBRS salienta o risco de surgir uma notável deterioração da marca, particularmente no mercado doméstico (Portugal), ou se a confiança do mercado no banco enfraquecer, o que poderia afetar negativamente a linha dos custos e a liquidez do banco. O enfraquecimento dos fundamentais financeiros também poderá pressionar os ratings do banco, diz a agência.

Os ratings do Novo Banco estão agora em “Stable Trend” para refletir a visão da DBRS de que alguns dos riscos imediatos enfrentados pelo Banco têm se reduzido substancialmente, diz a agência. Estes riscos que agora estão mitigados incluem o facto de o Banco Espírito Santo (BES) ter entrado no processo de liquidação, pelo que a DBRS considera que a transferência para lá de obrigações séniores (como aconteceu com as da Oak Finance) é agora como altamente improvável de voltar a ser feita. Além disso, a confiança dos investidores no Novo Banco melhorou e a DBRS espera que esta continue com a conclusão do processo de venda, que “deveria ser em janeiro de 2017”. A tendência estável também reflete o progresso do Novo Banco no plano de reestruturação.

Os ratings do NB levam em conta o desafio que o banco enfrenta para regressar a lucros sustentáveis em ambiente de baixas taxa de juros. com a lentidão da recuperação económica em Portugal e com as crescentes exigências regulamentares em curso.

O Grupo continua a ter uma forte presença em Portugal onde é o terceiro maior banco em ativos totais com participação significativa no mercado doméstico de 12,1% em depósitos e 10% em crédito hipotecário até Junho de 2016 e onde mantém posições de liderança no segmento de crédito a empresas com quotas de mercado de cerca de 20%.

A DBRS considera que uma nova alteração do perímetro do Novo Banco é improvável, uma vez que o BES já está em processo de liquidação, diz a agência numa nota de segunda-feira. “Além disso, a confiança dos investidores no banco melhorou e a DBRS espera que esta continue até à conclusão do processo de venda.

Fitch corta perspetiva do rating português para “estável”

Sábado, Março 5th, 2016

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RTP

A agência Fitch manteve o rating da dívida portuguesa em “BB+”, o primeiro nível da categoria “lixo”, mas baixou o “outlook” de “positivo” para “estável”. A agência de notação financeira justificou a decisão com o défice de 2015, que ficou “muito aquém” da meta, e com os riscos sobre o défice deste ano.

No relatório emitido esta sexta-feira à noite, a Fitch refere que o desempenho orçamental do país ficou “muito além das metas em 2015, com o défice a atingir os 4,2 por cento do PIB, comparativamente com os 2,7 por cento estimados inicialmente”.
“Excluindo os 2,2 mil milhões de euros de resgate ao Banif acordados em dezembro último, o défice poderá ficar acima de 3 por cento. Perante este cenário, o país não vai sair do Procedimento por Défices Excessivos esta primavera, como estava agendado”, explica a agência de rating.

A Fitch acrescenta que a redução do défice, que se situava nos 7,2 por cento em 2014 (3,4 por cento excluindo medidas extraordinárias) ficou a dever-se ao “crescimento modesto” e não às medidas estruturais, porque a consolidação orçamental ficou “suspensa” com as eleições legislativas de outubro.

A Fitch lança ainda o alerta sobre as previsões do Governo para 2016. A agência sublinha que a meta de défice de 2,2 por cento está “em risco”, uma vez que assenta em “pressupostos otimistas” em relação ao crescimento económico e à evolução dos preços.
Perto do “ponto de rutura”
Além disso, acrescenta a agência, permanece “alguma incerteza sobre a forma como o novo governo vai financiar o fosso que resulta da reversão de medidas anunciadas para este ano, já que algumas das medidas do lado da receita poderão ser difíceis de implementar em pleno”.

O acordo de incidência parlamentar entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP levanta dúvidas à agência de notação financeira. “Equilibrar os compromissos europeus com as exigências do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista está a ser um desafio, e aumenta consideravelmente os riscos políticos a curto prazo”, consideram os técnicos.

Que concluem, num tom ainda mais pessimista, que “a necessidade de implementar mais medidas de austeridade nos orçamentos de 2016 ou de 2017 poderá ser o ponto de rutura para a coligação”.

A Fitch aponta para um défice de 2,8 por cento do PIB este ano.
Deceções e avisos
Sobre a fraca redução da dívida pública, a Fitch aponta culpas à resolução do Banif e ao fracasso da venda do Novo Banco. A menor consolidação orçamental levou assim a agência a deteriorar as previsões para a redução da dívida a médio prazo. A Fitch espera que a dívida pública portuguesa caia para os 122 por cento em 2020, face às projeções de março do ano passado, que admitiam uma dívida de 117,5 por cento na mesma data.

A agência sublinha ainda o nível “desapontante” do investimento em 2015. Para este ano a agência espera que o aumento do consumo, a redução do desemprego e os custos mais baixos da energia continuem a impulsionar o crescimento “moderado” da economia, que a Fitch espera ser de 1,6 por cento.

Em tom de alerta a Fitch sublinha que pode vir a baixar o rating de Portugal caso o país não consiga reduzir o rácio da dívida pública ou se o crescimento da economia ficar abaixo das expetativas, o que poderá ter um efeito negativo no setor financeiro e nas finanças públicas.

A Fitch é uma das três agências de rating que mantém a nota da dívida portuguesa no nível “lixo”.
Governo confiante
O Governo reagiu à decisão da Fitch através de um comunicado enviado à agência Lusa. O Ministério das Finanças diz-se confiante “que a execução do Orçamento de Estado e a redução da dívida bruta ao longo de 2016 permitirá a revisão em alta do rating da República numa próxima avaliação”.

O Ministério chefiado por Mário Centeno nota que “revisão da previsão é justificada pela Fitch com a trajetória ascendente da dívida, que vem do passado e que, no início do ano, foi afetada pela injeção de capital no Banif”.

 

DBRS deixa “rating” do Novo Banco inalterado e mantém perspectiva negativa

Sábado, Março 5th, 2016

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Negócios

A agência de notação financeira canadiana DBRS manteve o “rating” do Novo Banco inalterado depois de divulgados os resultados relativos a 2015. A entidade liderada por Stock da Cunha fechou o ano com prejuízos de 980 milhões de euros.

Numa nota divulgada esta sexta-feira, a agência canadiana Dominion Bond Rating Service (DBRS) deixou inalterado o ‘rating’ de longo prazo do Novo Banco em CCC (alto), ou seja, num patamar de investimento especulativo (o chamado “lixo”), salientando que a fragilidade do financiamento e da posição de liquidez justificam a manutenção do ‘outlook’ (perspectiva) negativo – o que significa que a classificação pode vir a ser cortada.

Os resultados de 2015 “continuam a reflectir os desafios significativos que o banco está a enfrentar para recuperar a actividade, assim como os esforços da gestão para resolver questões relacionadas com o legado do Banco Espírito Santo (BES)”, pode ler-se na nota divulgada.

“As perdas de 2015 estão fortemente associadas à dimensão das imparidades associadas a empréstimos, títulos e activos imobiliários, em grande parte relacionadas com as exposições herdadas do BES”, acrescenta.

A DBRS assinala que o banco “melhorou os lucros antes de provisões e impostos” e reconhece que este “fez progressos significativos” quer ao nível do financiamento, quer na posição liquidez. No entanto, ressalva, ainda existem fragilidades.

Assim, para a DBRS, “o financiamento e a posição de liquidez permanecem frágeis com baixos níveis de confiança dos investidores”, pelo que o ‘outlook’ (perspectiva) do Novo Banco continua “negativo”.

O desempenho do Novo Banco reflecte também “alguns desafios enfrentados pelos seus pares num difícil ambiente de baixas taxas de juro e de lenta recuperação económica em Portugal”.

A agência de notação financeira salienta ainda que “as acções do Banco de Portugal tomadas no final de 2015 impulsionaram o nível de capital regulatório do Novo Banco, mas a sua capitalização ainda permanece frágil”.

A entidade liderada por Stock da Cunha divulgou a 24 de Fevereiro os resultados relativos a 2015, tendo fechado o ano com prejuízos de 980,6 milhões de euros. As contas do banco liderado por Stock da Cunha foram impactadas negativamente por provisões de 1.054 milhões de euros para crédito a clientes, títulos e imóveis e anulação de prejuízos fiscais.

 

A DBRS é uma das quatro agências de “rating” – a par da Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch – cujas avaliações são consideradas pelo Banco Central Europeu ao aceitar activos como garantia no financiamento que dá aos bancos.

 

A agência utiliza os termos ‘alto’ (high) e ‘baixo’ (low) nas suas notações, associados a letras. Esses termos correspondem aos sinais de ‘+’ e ‘-’ atribuídos pelas três maiores agências de rating e pela grande maioria das restantes agências.

Juros da dívida aliviam mas analistas continuam preocupados

Terça-feira, Fevereiro 16th, 2016

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Observador

Arranque de semana positivo para as bolsas. Portugal beneficia do maior apetite pelo risco e da tranquilidade da agência DBRS. Commerzbank fala em “alívio frágil” e Morgan Stanley recomenda cautela.

As bolsas internacionais estão a ter um arranque de semana positivo, com alguns comentários das autoridades chinesas sobre o valor do renminbi a inspirarem alguma confiança entre os investidores. Num contexto global de maior apetite por ativos vistos como tendo maior risco, a dívida portuguesa está a ver os juros implícitos aliviarem – mantendo a tendência iniciada na tarde de sexta-feira, após os últimos comentários da agência de rating DBRS.

A agência de rating canadiana disse-se “confortável” – “neste momento” – com a nota que atribui a Portugal – a única notação acima de lixo com que Portugal conta. Mas indicou que fará depender qualquer decisão futura da reavaliação que Bruxelas fizer do Orçamento, especificamente em maio. Esta declaração aliviou os receios de que a agência poderia cortar o rating da dívida portuguesa já na próxima revisão, que está pré-agendada para 29 de abril.

Os juros da dívida de Portugal estão a baixar em todos os principais prazos, com a taxa a 10 anos a cair 15 pontos-base para 3,58%. Já na sexta-feira, os juros tinham baixado 37 pontos, depois de chegarem aos4,44% (máximo de sessão). Em Espanha e Itália, as taxas também estão a cair – entre três e cinco pontos base nos principais prazos.

Em nota distribuída esta manhã pelos clientes, o Commerzbank diz que quer ver “mais alguns dias positivos para confirmar que estamos numa tendência” de alívio duradoura. Ainda assim, o banco diz que “os comentários da DBRS de que está confortável com o rating de Portugal, para já, devem proporcionar algum alívio adicional” dos juros no mercado.

Por outro lado, o banco receia que “se as condições de mercado continuarem adversas, Portugal possa ser alvo de cortes de rating por parte de [outras] agências que decidam antecipar as suas datas pré-agendadas de atualização dos ratings“. É por isso que o Commerzbank diz que a descida dos juros na sexta-feira e esta segunda-feira é um “alívio frágil“.

As outras agências já consideram a dívida de Portugal um investimento dealto risco, mas, a confirmarem-se cortes de rating para níveis de lixoainda mais desfavoráveis, isso poderá aumentar a pressão sobre a DBRS – cuja notação permite ao Estado português beneficiar das compras de dívida por parte do BCE no mercado.

Além do anúncio previsto para 29 de abril pela DBRS, as datas que estão agendadas para Portugal são 4 de março na Fitch, 18 de março na S&P e 6 de maio na Moody’s. Mas as agências têm liberdade para tomar decisões fora do calendário previsto, desde que justifiquem porque o fazem.

Morgan Stanley diz que Portugal está sob “stress grave”

Outro banco de investimento influente, o Morgan Stanley, partilha a cautela manifestada pelo Commerzbank. Uma equipa de analistas liderada por Daniele Antonucci enviou uma nota aos clientes, citada pela Bloomberg, em que diz que o mercado português está sob “stress grave”, mais do que os outros países da chamada periferia.

O banco continua “cauteloso” em relação à dívida portuguesa, tendo em conta a volatilidade elevada dos títulos e a falta de liquidez no mercado. O Morgan Stanley diz que a economia está a crescer a um ritmo limitado e que, apesar de as reformas aplicadas terem tido algum efeito, o problema da dívida elevada e do baixo crescimento potencialcontinuam.

Quanto ao Orçamento do Estado, o Morgan Stanley diz que este cumpre os limites europeus, mas existem um “risco de derrapagens“. Associado a isso está a incerteza sobre “até quando o apoio da extrema esquerda ao governo minoritário irá durar” e orisco de cortes de ratingO Morgan Stanley viu, também, com preocupação a decisão “pouco ortodoxa” de impor perdas aos detentores de dívida senior do Novo Banco.

DBRS: Caso Novo Banco afecta confiança e acesso da banca aos mercados

Sábado, Janeiro 16th, 2016

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Negócios

A decisão de retirar apenas parte dívida sénior do Novo Banco prejudica a confiança dos investidores e “pode atrasar o total acesso dos bancos portugueses aos mercados financeiros”, segundo a agência canadiana DBRS.

A recapitalização do Novo Banco à custa de alguns detentores de dívida sénior pode afectar todo o sistema bancário português, na óptica da agência de notação financeira DBRS. À partida, a reputação poderá ser afectada.

Segundo uma nota publicado esta sexta-feira, 15 de Janeiro, a operação decidida pelo governador Carlos Costa (na foto) tem a possibilidade de “aumentar os riscos reputacionais para o sector bancário português, o que poderá ter impacto sobre o sentimento e a confiança dos investidores nos bancos portugueses”.

A agência de “rating” canadiana considera que a selecção de cinco linhas de obrigações para serem transferidas do Novo Banco para o BES ignora o princípio de “pari-passu”, que é o de igualdade de tratamento perante instrumentos financeiros da mesma categoria. Contudo, houve dívida sénior que permaneceu como responsabilidade da instituição financeira liderada por Eduardo Stock da Cunha e outra, avaliada em 1.985 milhões de euros, transitou para o banco “mau”. O que, diz a DBRS, “cria incertezas sobre a forma como o regulador pode tratar os credores em Portugal no futuro”.

Esta acção, que já mereceu contestação por parte dos mais atingidos (a Pimco tem sido o grande exemplo), poderá mesmo ter um impacto mais directo nos restantes bancos do sistema: “pode atrasar o total acesso dos bancos portugueses aos mercados financeiros devido à mais fraca confiança dos investidores e a maiores custos”.

Assim, a banca portuguesa deverá enfrentar uma pressão adicional já que a DBRS defende que poderão ser exigidos níveis de capital mais elevados para os bancos portugueses. Apesar disso, a agência canadiana sublinha que a actual capitalização “é adequada”, ainda que espere que sejam exigidos “mais reforços de capital no futuro”.

A transmissão de dívida do Novo Banco, feita com o objectivo de reforçar os seus rácios e cobrir as necessidades de capital detectadas pelos testes de stress, já tinha levado aDBRS a cortar o “rating” das obrigações do banco, classificando-as com uma notação de “CCC (elevado)”, onde não aconselha o investimento por considerá-lo altamente especulativo. Tudo por conta do impacto na confiança.

A Fitch também comentou esta operação decidida pelo Banco de Portugal (de que o Governo português e o Banco Central Europeu já declararam não ter quaisquer responsabilidades) e defendeu que a possibilidade de transferir dívida um ano e meio depois da resolução é um risco que tem de ser incorporado nos bancos de transição. A Moody’s cortou o “rating” do Novo Banco apesar da recapitalização, acreditando que ainda há motivos para temer problemas de capital na instituição.

 

Obrigacionistas lesados. Finanças remetem responsabilidades para Carlos Costa

Terça-feira, Janeiro 12th, 2016

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Dinheiro Vivo

Ministério diz que decisão que afetou várias dezenas de obrigacionistas particulares é “da exclusiva competência” do Banco de Portugal.  Finanças remetem responsabilidades para Carlos Costa.

Várias dezenas de clientes particulares vão perder o dinheiro investido em obrigações seniores do BES, na sequência da deliberação do Banco de Portugal de recapitalizar o Novo Banco com a retransmissão de 1985 milhões de euros de títulos dívida não subordinada para o BES mau.

O governo descarta-se de qualquer responsabilidade e remete o assunto para o Banco de Portugal. Questionado pelo DN/Dinheiro Vivo, o ministério das Finanças não comenta se teve conhecimento oficial de que a solução adotada pelo supervisor bancário poderia ter consequências para pequenos investidores. “A decisão é da exclusiva competência e responsabilidade da autoridade de resolução”, diz apenas fonte oficial do ministério tutelado por Mário Centeno.

A retransmissão de cinco linhas de obrigações seniores – que têm maiores privilégios na hierarquia de credores – foi originalmente colocada em investidores institucionais, como bancos, seguradoras, fundos de investimento ou de pensões. Mas acabou por apanhar clientes de retalho que investiram nos títulos seniores através do mercado secundário ou em balcões de bancos, como por exemplo o Best ou o BIG. O número total de clientes de retalho lesados ainda não é oficialmente conhecido. A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a apurar junto dos bancos e corretoras qual o número de titulares com exposição aos títulos e qual o montante em causa. Deliberação do Banco de Portugal é discriminatória e ilegal”, dizem os clientes particulares que investiram nestas obrigações Para já, e apenas a título indicativo, sabe-se que há pelo menos cerca de 30 obrigacionistas lesados, que decidiram criar a Associação de Obrigacionistas Sénior Particulares. Com mais de três milhões de euros em carteira, estes obrigacionistas têm como principal missão “a recuperação do investimento”, lê-se na página oficial da Associação na Internet que foi ontem criada.

Para estes investidores particulares, a deliberação do Banco de Portugal é “discriminatória e ilegal”, porque foi retransmitido para o BES um conjunto de cinco séries de obrigações senior “num universo total de 52 emissões com a mesma graduação, alegadamente colocadas especificamente junto de investidores qualificados, mas que devido à ação da banca de retalho acabaram, em parte, nas mãos de particulares”. Os próximos passos da Associação são pedir uma reunião são pedir uma reunião ao supervisor bancário, contratar um assessor jurídico e contestar judicialmente a decisão de Carlos Costa.

A solução implementada pelo Banco de Portugal não está apenas a gerar a contestação de particulares. A medida está a ganhar eco na imprensa internacional e já recebeu criticas das agências de rating e de grandes investidores internacionais. E há, para já, uma certeza: o supervisor bancário não vai recuar na medida, não prevendo criar qualquer solução para salvaguardar os clientes de retalho que investiram na dívida senior.

Assim, avançar com processos em tribunal será a única opção para os pequenos ou grandes investidores que queiram tentar reverter a decisão do BdP. Ontem, a Fitch – que não avalia o Novo Banco – emitiu um comunicado a alertar que a retransmissão de obrigações comporta um risco que deve ser incorporado nos bancos de transição. “A forma de lidar com o processo de resolução levanta questões sobre como é que a União Europeia vai gerir resoluções bancárias”, defende a agência. A Moody’s e a DBRS já tinham castigado a notação de rating do Novo Banco, alertando para as várias consequências da decisão.