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Novo Banco não exclui “de modo algum” mais injeção de capital

Domingo, Outubro 28th, 2018

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O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, afirmou esta quinta-feira não excluir, “de modo algum”, mais injeção de capital na instituição, enquanto o líder do BCP, Miguel Maya, considerou que o fundo de resolução é um “fardo”.

“A capitalização da instituição é uma inevitabilidade”, afirmou António Ramalho, na conferência “O Futuro do Dinheiro”, organizada pelo Dinheiro Vivo, TSF e EY, no âmbito do debate “Os Desafios da Banca no Portugal 20 — 30 e o futuro do dinheiro”, que juntou os principais responsáveis da banca portuguesa.

Questionado sobre se o Novo Banco não exclui nova injeção de capital, António Ramalho afirmou: “De modo algum”.

O Orçamento do Estado para 2019 prevê uma injeção de 400 milhões de euros no Novo Banco no próximo ano, sendo que este valor está incluído no cálculo do défice, mas não é certo qual é o montante que o fundo de resolução terá de aplicar na instituição.

Já o presidente do BCP considerou que este “é um tema que não está resolvido”, embora tenha afirmado que a decisão do Governo “foi correta” no momento em que a tomou.

“Mas não subscrevo que vamos viver assim com este fardo às costas”, ou seja, de através do fundo os bancos participarem na capitalização do Novo Banco.

Este banqueiro defendeu uma “reflexão” sobre as contribuições para o fundo de resolução, com “diálogo” para ver como “é que os poucos bancos portugueses conseguem condições competitivas para operar” no mercado, quer a nível de legislação como de custos.

“Não vivo tranquilo e não vou desistir de encontrar uma solução equilibrada para o setor”, afirmou, apontando que as instituições financeiras que não têm sede no país estão excluídas desta contribuição¬.

Miguel Maya recordou que além do imposto especial sobre o setor bancário, o BCP ainda contribui para o fundo, o que representa “mais de 40 milhões [de euros] por ano”.

Ora, “gostava de pegar nesses 40 milhões de euros e investir mais em tecnologias”, assim ficaria “menos preocupado com as ‘fintech’”, afirmou.

Por sua vez, o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, afirmou que a banca portuguesa, quer no crédito à habitação ou às PME – Pequenas e Médias Empresas, tem “preços idênticos ou mais baixos que em Espanha ou Alemanha”, mas depois “há diferentes ónus para os diferentes níveis”.

“Não é só o fundo de resolução, um banco que tem sede em Portugal financia-se mais alto do que o que tem sede em Espanha, o custo marginal de um banco português se financiar é mais elevado”, apontou.

Relativamente à CGD financiar as empresas portuguesas, o presidente da CGD afirmou que o banco mantém o papel de apoiar.

No entanto, advertiu que “o papel da caixa não é de certeza dar crédito às empresas que os outros bancos não querem” dar, sublinhando que “a Caixa tem de desenvolver o seu papel público sem custar o que já custou aos contribuintes”.

Banqueiro irlandês será o próximo CFO do Novo Banco

Segunda-feira, Setembro 17th, 2018

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Negócios

Mark Bourke é um banqueiro com experiência. A sua última missão foi recuperar o irlandês AIB, que foi resgatado pelo Estado em 2010, e colocá-lo em bolsa em 2017.

Mark Bourke, actualmente CFO do irlandês Allied Irish Banks (AIB), está a caminho do Novo Banco, de acordo com uma notícia do “Irish Times”.

O jornal não especifica que cargo vai desempenhar Mark Bourke, afirmando apenas que se espera que o responsável assuma “um cargo sénior no banco português controlado pela Lone Star”. O Negócios sabe que Mark Bourke será mesmo o CFO da instituição portuguesa.

O Irish Times adianta que Mark Bourke deverá assumir funções no início do próximo ano.

Mark Bourke, que está no AIB desde 2014, tinha já anunciado, no início de Setembro, que iria sair do banco, depois de ter sido um dos principais responsáveis por recuperar a instituição  – que foi resgatada em 2010 – e colocá-la em bolsa. O AIB realizou uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) no ano passado. O Governo irlandês vendeu 28,8% do AIB por 3,4 mil milhões de euros. Este trabalho valeu a Mark Bourke a nomeação de CFO do ano pelo Irish Times, em Maio.

O Negócios contactou o Novo Banco, mas ainda não obteve resposta. A Lone Star não quis comentar as notícias.

Actualmente o cargo de CFO do Novo Banco é ocupado por Jorge Cardoso, que está com o pelouro financeiro desde o final de 2014, altura em que Eduardo Stock da Cunha assumiu a liderança do Novo Banco. Jorge Cardoso estará assim no final do seu mandato de quatro anos como administrador da instituição actualmente liderada por António Ramalho.

O Novo Banco, instituição que nasceu do colapso do BES em 2014, continua em processo de reestruturação. A última operação realizada foi na semana passada, quando, depois de um ano do início do processo, fechou a venda da GNB Vida por 190 milhões.

 

Líder do Novo Banco admite que divulgação de devedores possa ocorrer em “algumas circunstâncias”

Sexta-feira, Agosto 31st, 2018

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Negócios

António Ramalho não tem uma resposta definitiva sobre a divulgação de grandes devedores, mas assume que a banca tem de reconquistar confiança. E um dos passos pode ser, em casos “muito excepcionais”, revelar o que causou os problemas no sector.

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, admite que há “algumas circunstâncias” em que a divulgação de grandes devedores pode justificar-se. Ainda assim, recusa ter uma posição definitiva em relação ao tema. “Essa é talvez a pergunta moralmente mais difícil de responder”, é o que começa por responder quando a pergunta lhe é feita numa entrevista ao Observador.

“O valor do sigilo profissional – que é uma coisa que percebe, porque também vive com ele – e que faz parte do que é o centro da minha ética bancária. Mas não deixo de reconhecer que temos de fazer uma séria reflexão sobre se esse valor não cede em casos muito excepcionais, e excepcionais, a um valor mais elevado: o reconhecimento perante a sociedade de debilidades que globalmente custaram caro”, respondeu o líder da instituição financeira, detida em 75% pela Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução.

Daí que António Ramalho, no cargo há dois anos, diga ao Observador que, “em algumas circunstâncias, o valor da transparência reputacional do sistema pode justificar que haja alguma clareza neste tipo de informação”.

Ramalho lidera o Novo Banco, instituição financeira criada em 2014 com a capitalização de 4,9 mil milhões de euros, 3,9 mil milhões dos quais de injecção de dinheiros públicos. Uma injecção que tem sido prejudicada por grandes créditos que foram concedidos. Por exemplo, em entrevista ao Negócios e à Antena 1, em Abril, Ramalho adiantou que o grosso dos problemas da instituição estava em “44 créditos fundamentais”, e que actualmente há um devedor com uma exposição superior a 500 milhões de euros. Não se sabe quem.

O presidente da instituição tem reiterado que a recuperação do banco é uma “maratona” e que ainda vai custar tempo e dinheiro. Neste momento, o banco está sob um mecanismo de capitalização contingente, que cobre uma carteira dos seus activos, e pelos quais o Fundo de Resolução (que tem sobrevivido devido a empréstimos estatais) assumiu a possibilidade de vir a injectar 3,89 mil milhões de euros – já colocou 792 milhões.

Ainda que dizendo que o seu coração balança neste tema, o banqueiro acredita que essa divulgação poderá ser uma forma de a banca se reconstruir. “O nosso negócio é um negócio de confiança e também tem de se reconstruir na confiança não só dos seus clientes, mas também da sociedade”, respondeu ao jornal digital. Contudo, recusou que se siga um caminho persecutório desses clientes.  

Apoios e oposições

Ramalho junta-se assim ao seu antigo colega no Santander, António Horta Osório, que defende que o princípio do sigilo bancário “colide” com o facto de o dinheiro público ter sido usado para salvar vários bancos. “Parece-me de elementar justiça que os portugueses saibam como é que esse dinheiro foi aplicado e acho muito bem que o Parlamento esteja a legislar no sentido de os bancos que tiveram ajudas públicas terem de ser obrigados a divulgar a lista dos maiores devedores””, disse, em Maio.

O Parlamento aprovou legislação, que tem de ser trabalhada na especialidade, para a exposição pública dos grandes devedores da banca, mais concretamente dos bancos que receberam ajudas estatais, ainda que o conceito não esteja estabelecido na totalidade. O Governo, por Ricardo Mourinho Félix, já se mostrou favorável a uma iniciativa transversal à banca.

Por sua vez, a Associação Portuguesa de Bancos veio mostrar-se contra esta intenção. “O segredo bancário é pedra angular entre banco e cliente”, declarou o seu presidente, Fernando Faria de Oliveira, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos. No banco público, Paulo Macedo também é contra a possibilidade de vir a ser obrigado a divulgar os maiores devedores, tendo em conta, aliás, a legislação actual. “Não há possibilidade de haver essa informação em termos públicos”, já afirmou.

António Ramalho: “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”

Domingo, Agosto 5th, 2018

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Eco

O Novo Banco nasceu no berço da complexa resolução aplicada ao histórico BES e já celebra quatro anos de vida. Ao ECO, António Ramalho assume que os próximos quatro anos serão de “reconstrução”.

uando nasceu foi uma espécie de “rei morto, rei posto”, como diz o ditado popular. A 3 de agosto de 2014, surgia o Novo Banco depois de o Banco de Portugal ter liquidado do Banco Espírito Santo (BES). Quatro anos depois, o ECO não resistiu a provocar António Ramalho, presidente da instituição: O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita? A resposta veio com outro ditado: “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Como é gerir um banco que nasceu num berço complicado, após a resolução de um banco histórico? “O maior desafio foi assegurar equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional”, confessa António Ramalho, que assumiu os destinos da instituição em agosto de 2016. Às perguntas colocadas por e-mail pelo ECO, o gestor olha para os próximos quatro anos como a fase da “reconstrução” após quatro anos marcados pela “resiliência”.

Que balanço faz destes quatro anos de existência do Novo Banco e, mais concretamente, dos últimos dois anos em que esteve à frente do banco?

Do ponto de vista profissional estes quatro anos representam um dos maiores desafios que um coletivo empresarial pode passar. Um esforço tremendo, uma noção clara de prioridades, um foco nas soluções. Mas do ponto de vista emocional estes anos representaram um ainda maior desafio de resistência, de relacionamento com os clientes, de crença no futuro, mesmo nos momentos mais exigentes.

Qual é a parte mais exigente e desafiante do trabalho de gerir um banco que nasceu de um contexto de uma resolução?

A parte mais interessante deste desafio foi assegurar o equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional existente. O mais difícil foi fixar as prioridades do sucesso nos escombros das dificuldades. Foi necessário que cada um acreditasse em si para que todos acreditassem no Novo Banco. Foi a altura de preferir quem faz a quem sabe.

“A parte mais interessante deste desafio foi assegurar o equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional existente.”

António Ramalho

Presidente do Novo Banco

“O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Concorda com o ditado popular?

Esse é um ditado sensato que não resiste porém ao princípio de que toda regra tem exceção. Mas o ditado que mais se aplica ao Novo Banco é “o que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Uma das questões mais sensíveis do Novo Banco será esta: é um banco privado com capitais parcialmente públicos. Como esta circunstância de ser um banco privado e público ao mesmo tempo muda/define aquilo que é a sua gestão à frente do banco?

O Novo Banco é um banco privado com dois acionistas e o apoio do Estado (state aid). Isto coloca-nos exigências adicionais em termos de compromissos e sacrifícios. Mas o interesse geral já domina boa parte da gestão de todo o sistema financeiro regulado.

António Ramalho sobre a recuperação do Novo Banco: “O mais difícil foi fixar as prioridades do sucesso nos escombros das dificuldades”.Paula Nunes / ECO

Desde o nascimento, o Novo Banco conheceu um novo dono: o Lone Star. Como é a relação com o acionista?

A relação com ambos os acionistas é ótima e dominada por três “Es”: exigente, envolvente e equilibrada.

O Novo Banco completa agora quatro anos. O que espera nos próximos quatro?

Os quatro primeiros anos foram dominados pela resiliência. Os próximos serão focados na reconstrução. Durante estes oito anos fomos e sempre seremos o banco das empresas e dos profissionais, centrados nos clientes e totalmente envolvidos com o desenvolvimento da economia portuguesa. Os nossos clientes mais que merecem.

António Ramalho: “Grosso dos problemas” do Novo Banco está em 44 créditos

Terça-feira, Abril 10th, 2018

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Expresso

O líder do Novo Banco recusa-se a dar os nomes dos donos dos 44 créditos mais problemáticos, mas explica que estes “têm como característica o facto de ou serem créditos imobiliários sem garantias, ou serem créditos por exemplo à compra de empresas com garantia de ações”

Depois de ter apresentado prejuízos históricos em 2017, ainda não se sabe qual será o rumo tomado pelo Novo Banco para este ano.

“Quero que o Novo Banco, o mais depressa possível, passe de um banco que tem problemas, em reestruturação, para um banco vencedor e com soluções”, garantiu António Ramalho, líder do Novo Banco, em entrevista ao “Jornal de Negócios” e à “Antena 1” esta segunda-feira.

Segundo Ramalho, não é possível antecipar resultados para 2018. Contudo, deixou uma promessa. “Faremos tudo e o melhor que podermos para o banco rapidamente passar a uma fase de lucros. Mas não estou num “sprint” de lucros, estou numa maratona de sustentabilidade. Este banco precisa de sustentabilidade a prazo e todo o sistema financeiro precisa de sustentabilidade a prazo. Isto é uma maratona”, explicou.

De acordo com o líder da instituição, o mecanismo de capitalização contingente do Novo Banco está dividido em duas estruturas: “44 créditos fundamentais, onde está o grosso dos problemas, e um conjunto de créditos granulares que têm já alguns sinais de imparidades, mas que são geridos como um todo. Mas para ter uma ideia, 89% das nossas imparidades são para empresas, portanto, nós não temos nenhumas imparidades adicionais feitas sobre particulares que sejam estranhas”, revelou.

António Ramalho recusou-se a dar os nomes dos donos dos 44 créditos mais problemáticos, mas explicou que estes “têm como característica o facto de ou serem créditos imobiliários sem garantias, ou serem créditos por exemplo à compra de empresas com garantia de acções, ou serem créditos a sectores sobre os quais nós, neste momento, não temos apetite qualquer de risco, como seja a actividade desportiva, os partidos políticos ou atividades religiosas, para dar só um exemplo daquilo que é a definição de apetite de risco”.

António Ramalho confirma: Estado pode ter de voltar a injetar capital no Novo Banco

Domingo, Abril 8th, 2018

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Observador

António Ramalho confirma: Estado pode ter de voltar a injetar capital no Novo Banco

 

António Ramalho já tinha indicado que as imparidades não estão terminadas. Mas confirma, em entrevista ao Negócios e Antena 1, que o Fundo de Resolução pode voltar a ser chamado a capitalizar o banco.

António Ramalho já tinha indicado que as imparidades no Novo Banco não estão terminadas. Mas o presidente-executivo da instituição confirma, em entrevista à Antena 1 e Negócios, que o Fundo de Resolução pode voltar a ser chamado a capitalizar o banco — o que provavelmente implicará novos empréstimos estatais ao organismo público que é alimentado com contribuições dos bancos (mas que tem necessitado de empréstimos do Estado).

Em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, o presidente do Novo Banco diz que novas injeções pelo Fundo de Resolução são “um assunto que não devemos nem tentar antecipar”. Mas “também não devemos pôr de fora, do ponto de vista das possibilidades, que isso possa isso acontecer”. E que montantes podemos estar a falar? “Depende das perdas [que forem reconhecidas nos ativos delimitados] e dos rácios [de capital com que o banco fica depois desse reconhecimento dessas perdas]”.

O mecanismo de capitalização contingente prevê que o Fundo de Resolução venha a assumir perdas nos tais ativos problemáticos até 3,89 mil milhões de euros, na medida em que esses prejuízos venham a degradar os rácios de capital, para menos do que o limite mínimo regulamentar. Essas perdas podem ser reconhecidas num horizonte de dez anos.

 

Mas o acordo de venda do Novo Banco prevê, ainda, cenários adicionais de entrada de mais capital público, como revela a decisão da Comissão Europeia que aprovou a transação. Uma segunda medida em caso de necessidades adicionais de capital vai até 400 milhões de euros, assegurados por via da emissão de instrumentos de capital TIER2 (uma emissão que será feita até ao final do primeiro semestre).

Se não for possível atrair investidores privados, um risco que António Ramalho desvalorizou na conferência de imprensa, o Fundo de Resolução volta a ser chamado a subscrever estes instrumentos.

Por fim, o próprio Estado pode ser chamado a injetar capital público no banco se a avaliação feita no quadro do SREP (Supervisory Review andEvaluation Process) — um teste que revela a situação de uma instituição de crédito em termos de requisitos de fundos próprios e o modo como responde ao risco —  concluir que o nível de capital do Novo Banco está abaixo do exigido. O Fundo de Resolução tem de entrar se não for possível encontrar uma solução privada junto do acionista Lone Star ou no mercado.

António Ramalho: BCE já deu luz verde. Venda do Novo Banco está “muito próxima”

Sexta-feira, Outubro 6th, 2017

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Eco

O presidente do banco garantiu que o BCE já emitiu todas as autorizações necessárias, concluindo assim que o negócio “está muito próximo de terminar”.

 

Na madrugada desta quarta-feira foi conhecido que a oferta de recompra de dívida própria pelo Novo Banco, lançada com o objetivo de conseguir uma poupança de 500 milhões de euros foi concluída. Esta operação era uma das condições essenciais para que se fechasse a venda do Novo Banco à Lone Star, cujo contrato de promessa foi assinado já em março passado, que deverá agora ser concretizada até 20 de outubro.

Contudo, o presidente do Novo Banco mostrou-se convencido que a concretização do negócio poderá ser mais rápida: “Está muito próximo de terminar”, afirmou. Além desta operação de diminuição de passivo do Novo Banco, para a venda ser concretizada são necessárias autorizações de reguladores e supervisores, desde logo os europeus. Questionado sobre se já há ‘luz verde’ do BCE, Ramalho disse que em causa estão múltiplas autorizações, mas adiantou que há várias que já chegaram, como é o caso da que autoriza a Lone Star a comprar o Novo Banco.

“São muitas as autorizações do BCE. Há uma autorização para os novos artigos dos estatutos, já temos. Há uma aprovação para os novos membros do Conselho [de Administração], está em curso, há uma aprovação para autorizar a Lone Star como comprador, já existe. Há uma autorização para que o capital e a liquidez estejam autorizados pelo BCE, já está dada”, explicou.

Quanto à aprovação da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia ao plano de reestruturação do Novo Banco, que também é uma condição precedente à venda, António Ramalho disse que falta a “formalização final”. “É um assunto mais da Lone Star e do Governo português, sabemos que a carta de compromissos do senhor ministro das Finanças foi assinada e estamos à espera da formalização final”, afirmou.

Questionado sobre o que implica o plano de reestruturação do Novo Banco, negociado entre a Lone Star, Governo e Bruxelas, António Ramalho disse que só será divulgado “depois de a transação estar concluída”. 

Novo Banco acusa Banco de Portugal de prejudicar contas de 2016

Sexta-feira, Abril 14th, 2017

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Público

O banco que sucedeu ao BES e foi vendido ao Lone Star acumulou um prejuízo de 788,3 milhões no ano passado. Imparidades voltaram a pesar. O crédito concedido recuou.

A fotografia mais actualizada do banco que está a ser vendido ao fundo norte-americano Lone Star mostra um Novo Banco mais “limpo”, mais leve mas também com menor capacidade de gerar rentabilidade para além de efeitos financeiros e da redução de custos. Essa menor capacidade também resulta da descida do crédito concedido. Nos depósitos, o banco justifica as perdas com a decisão do Banco de Portugal sobre os obrigacionistas seniores.

No comunicado em que apresenta os resultados do exercício de 2016, o Novo Banco destaca alguns dos constrangimentos à sua actividade, nomeadamente que o “desempenho do resultado financeiro foi influenciado pelo facto de as taxas de juro de referência continuarem em terreno negativo e pela necessidade de estabilizar o financiamento da actividade através dos recursos de clientes”.

E neste contexto, destaca que “este objectivo foi condicionado pelos efeitos da retransmissão [decidida pelo supervisor] das emissões de obrigações sénior, em 29 de Dezembro de 2015, que teve como consequência o downgrade [revisão em baixa] dos “ratings” de depósitos de longo prazo o que, conjugado com o adiamento da venda do Novo Banco em 15 de Setembro de 2015 [também da responsabilidade do Banco de Portugal], levou a uma redução dos depósitos de alguns grandes clientes institucionais e empresariais”.

Sobre os depósitos, o banco esclarece assim que “apesar da ligeira recuperação no quarto trimestre, o valor de 25,6 mil milhões de euros representa uma redução de 1,8 mil milhões face ao período homólogo do ano anterior, repetindo que se trata de uma “evolução que não foi alheia à retransmissão de obrigações para o BES”. Uma decisão que já chegou a tribunal, depois dos grandes obrigacionistas envolvidos como os fundos Blackrock e Pimco terem avançado com acções judiciais contra a decisão da entidade liderada por Carlos Costa.

O Novo Banco sublinha, por outro lado, que neste capítulo “o ano de 2016 caracterizou-se por um reforço da confiança dos particulares, traduzido num crescimento de 832 milhões de euros em novos depósitos de clientes de retalho face a 2015”. Um reforço que não foi suficiente, reforça ainda, para contrabalançar “a decisão do Banco de Portugal em retransmitir cinco emissões seniores para o perímetro do BES, com fortes repercussões na captação de recursos de clientes”

Ramalho. Se Estado ficar no capital é porque o Novo Banco vale

Sexta-feira, Fevereiro 24th, 2017

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Observador

Ramalho. Se Estado ficar no capital é porque o Novo Banco vale

 

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, não quer comentar as negociações em curso, mas sempre vai dizendo que se o Estado ficar com uma perninha no banco é porque ele vale.

O presidente do Novo Banco diz que uma eventual manutenção de uma participação pública no capital da instituição, no quadro da operação de venda em curso. António Ramalho não quer comentar as negociações entre o Banco de Portugal e o fundo americano Lone Star, mas deixa esta nota.

“Se o Estado português, ou alguma entidade pública, ficar com as ações seguramente que é porque o banco vale e essas ações, mais tarde, poderão ser vendidas a bom preço”, afirmou o gestor em Évora à margem de uma conferência. Ramalho foi questionado acerca da hipótese de o Novo Banco não ser vendido na totalidade, mas apenas parcialmente, o responsável defendeu que “a melhor opção” será a que “permitir ao banco ficar mais sólido e dar um maior contributo à estabilidade do sistema financeiro, que é, neste momento, um desígnio nacional”.

O Banco de Portugal anunciou esta segunda-feira o início de um processo de negociações exclusivas e definitivas com Lone Star e, segundo informação noticiada por vários órgãos, está a ser negociada uma solução mista em que o Estado, neste caso através do Fundo de Resolução, poderia ficar com uma participação minoritária, para vender mais tarde. Esta possibilidade sempre esteve em cima da mesa, por exemplo, a proposta dos chineses do Minsheng Bank, que ficou pelo caminho, propunha a compra de uma participação maioritária, mas não a totalidade do Novo Banco, com planos para fazer mais tarde uma dispersão do capital em bolsa.

Nas negociações com a Lone Star, a manutenção de uma participação pública no Novo Banco poderia ser uma alternativa para a partilha de risco entre o investidor privado e o Estado, face à exigência de garantias públicas feita na proposta do fundo americano. No entanto, e enquanto entidade incluída no perímetro do Estado, qualquer exposição do Fundo de Resolução adicional ao montante que foi mobilizado para recapitalizar o antigo BES, e que já entrou as contas públicas, terá impacto no défice ou na dívida.

O Governo tem afirmado, e António Costa repetiu-o esta quarta-feira no Parlamento, que não quer dar garantias do Estado que protejam os futuro acionista dos riscos de perdas em créditos. E esta “linha vermelha” tem sido um dos focos do processo negocial que dura há vários meses e ainda sem prazo para terminar, para além de agosto, que foi o deadline imposto pela Comissão Europeia.

Para António Ramalho, o tempo é de descrição e não de declarações. Vincando que a sua missão é “gerir adequadamente o banco”, António Ramalho escusou-se também a revelar se existe algum prazo para finalizar o processo de venda: “Não me pergunte a mim o que é de César. César determinará os prazos”.

Ramalho recordou, contudo, que tem estado “naturalmente otimista” em relação a este processo.

“O banco é um banco que tem valor, que tem os seus problemas, que tem a sua maratona para correr, mas vamos corrê-la”, afiançou, à margem da conferência, subordinada ao tema “As Novas Culturas e Tendências do Setor Agrícola”.

António Ramalho lembrou hoje que, quando chegou ao NB, há seis meses, “disse que tinha vindo para ficar”. “Julgo que isso era um elemento essencial para a estabilidade do banco e aquilo que o banco precisava, que os clientes e os colaboradores exigiam. A Lone Star, ao ter dito o que disse, foi exatamente com o mesmo objetivo, de preservar o que de melhor há no banco e a sua relação com os clientes e os colaboradores”, reagiu.

Presidente do Novo Banco é acionista do site ECO

Sexta-feira, Fevereiro 24th, 2017

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Correio da Manhã

Líder da instituição bancária investiu 12 500 euros quando ainda estava na Infraestruturas de Portugal.
António Ramalho, presidente do Novo Banco, é um dos 33 investidores do site ECO – Economia Digital, que foi lançado a 10 de outubro do ano passado. De acordo com documentos a que o CM teve acesso, o gestor foi um dos empresários que, a 20 de junho de 2016, subscreveu o aumento de capital da Swipe News, a empresa que detém o site de informação económica. Na altura em que realizou esta operação, António Ramalho estava à frente da Infraestruturas de Portugal, mas em agosto desse ano assumiu a presidência do Novo Banco.

O gestor investiu 12 500 euros, cerca de 1% do capital total (1,205 milhões de euros). Entretanto, o CM sabe que António Ramalho já demonstrou a intenção de vender a sua posição, sendo que os outros acionistas têm direito de preferência sobre as suas ações. A alienação deve acontecer na próxima assembleia geral da Swipe News.

O CM questionou António Ramalho se não considera existir um conflito de interesses no facto de o presidente do terceiro maior banco português ser acionista de um site de informação económica, mas, até ao fecho desta edição, não obteve resposta. Recorde-se que o Novo Banco se encontra sob intervenção do Estado, e em processo de venda (os norte-americanos da Lone Star estão em negociações exclusivas com o Banco de Portugal), e o ECO acompanha de perto a atividade da instituição.

Na sua página, o ECO identifica 13 dos seus acionistas, mas os restantes, como António Ramalho, não integram essa lista. Entre os investidores da Swipe News estão António Mota (Mota-Engil, com 250 mil euros), o banco Haitong (150 mil) Luís Guimarães (da Polopique, 100 mil), João Brito e Cunha (Eunea) e Ana Maria Caetano (Parinama), ambos com investimentos de 75 mil. A Internacional Trade Wings, de Mário Ferreira, dono da Douro Azul, colocou 67 500 euros. De referir ainda os investimentos de 50 mil euros da APCL (de Humberto Costa Leite), da CIN (de João Serrenho) e da Brainmade (de Paulo Padrão, promotor do projeto, e ex-diretor de comunicação do BES).

Já a empresa Projetos Especiais – Consultores de Comunicação (de João Viegas Soares) fez um investimento de 30 mil euros. A Amorim SGPS (de António Amorim), a Rising Ventures (de Gabino Oliveira) e João Cotrim Figueiredo, antigo diretor-geral da TVI e ex-presidente do Turismo de Portugal investiram, cada um, 25 mil euros.