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Banco de Portugal escolhe Deloitte para nova auditoria ao Novo Banco

Terça-feira, Junho 23rd, 2020

Citamos

Negócios

O Banco de Portugal propôs ao Governo que seja a consultora Deloitte a fazer a auditoria ao Novo Banco na sequência da injeção de capital feita em maio, disse à Lusa fonte oficial do banco central.

“Na sequência da solicitação feita pelo Governo, e tal como está previsto na Lei n.º 15/2019, o Banco de Portugal propôs ao Governo a designação da Deloitte para a realização da auditoria especial que decorre do pagamento realizado em maio pelo Fundo de Resolução”, respondeu o Banco de Portugal à Lusa.

A Deloitte é a mesma consultora que está a fazer a auditoria especial aos atos de gestão do BES/Novo Banco referente ao período entre 2000 e 2018 (ou seja, abarcando quer o período antes quer depois da resolução do BES e criação do Novo Banco), que deverá ser conhecida em julho.

Foi esta auditoria que em maio esteve na base de uma crise política entre o primeiro-ministro, António Costa, o então ministro das Finanças, Mário Centeno, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de o chefe do Governo ter dito que a injeção do Novo Banco só seria feita depois de conhecida a auditoria quando essa já tinha sido realizada (no valor de 1.035 milhões de euros).

Quanto à nova auditoria esta é obrigatória por lei. Segundo a legislação aprovada no ano passado no parlamento, quando um banco é recapitalizado com fundos públicos (como é o caso da injeção de capital do Fundo de Resolução no Novo Banco), “o Governo manda realizar uma auditoria especial por entidade independente, por si designada sob proposta do Banco de Portugal, a expensas da instituição auditada”.

Nascido na resolução do BES (em 03 de agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo 25% o Fundo de Resolução bancário, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo.

O Lone Star não pagou qualquer preço, tendo injetado 1.000 milhões de euros no Novo Banco. Além disso, foi acordado um mecanismo de capital contingente, que previa que durante oito anos o Fundo de Resolução compensasse o Novo Banco por perdas de capital num conjunto de ativos ‘herdou’ do BES até 3.890 milhões de euros.

Desde então e até hoje, o Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros e ainda poderá colocar mais de 900 milhões de euros, valores que em cada ano têm impacto nas contas públicas uma vez que o Fundo de Resolução é uma entidade da esfera do Estado.

Na última injeção de capital, referente a 2019, o Novo Banco requereu ao Fundo de Resolução uma injeção de capital de 1.037 milhões de euros, mas o Fundo transferiu 1.035 milhões de euros. Segundo noticiou o jornal Expresso, o valor de dois milhões de euros não transferido corresponde aos bónus dos membros do Conselho de Administração Executivo liderado por António Ramalho, a serem pagos no futuro, mas correspondentes a 2019.

O Novo Banco voltou a ser tema esta semana depois de, numa entrevista conjunta ao Jornal de Negócios e à Antena 1, o presidente executivo, António Ramalho, ter dito que a instituição vai precisar de mais capital do que o previsto para este ano, face ao impacto da covid-19, mas sem revelar números.

Estas declarações levaram o Presidente da República a declarar ter ficado “estupefacto” e o ministro das Finanças, João Leão, disse que o Governo, à semelhança de Marcelo Rebelo de Sousa, também ficou estupefacto com as declarações sobre uma possível nova injeção no banco.

O novo ministro das Finanças, João Leão, admitiu ainda esta semana, no parlamento, que o Estado poderia também intervir no Novo Banco “enquanto acionista”, numa intervenção estatal direta.

Segundo Leão, no âmbito do mecanismo contingente o máximo que o Fundo de Resolução pode injetar no Novo Banco são 3,89 mil milhões de euros”, mas acrescentou que existe “uma questão diferente” que é o Estado poder ter de intervir no capital em caso de “eventos extremos”.

Para aprovar a venda do Novo Banco ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, em 2017, a Comissão Europeia exigiu um plano de reestruturação do banco e que o Estado português garantisse a sua viabilidade, abrindo a porta a uma intervenção pública direta.

Banco de Portugal escolhe Deloitte para nova auditoria ao Novo Banco

Segunda-feira, Junho 22nd, 2020

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TSF

A auditoria é obrigatória por lei, uma vez que o banco foi recapitalizado com fundos públicos.

Banco de Portugal propôs ao Governo que seja a consultora Deloitte a fazer a auditoria ao Novo Banco na sequência da injeção de capital feita em maio, disse à Lusa fonte oficial do banco central.

“Na sequência da solicitação feita pelo Governo, e tal como está previsto na Lei n.º 15/2019, o Banco de Portugal propôs ao Governo a designação da Deloitte para a realização da auditoria especial que decorre do pagamento realizado em maio pelo Fundo de Resolução”, respondeu o Banco de Portugal à Lusa.

A Deloitte é a mesma consultora que está a fazer a auditoria especial aos atos de gestão do BES/Novo Banco referente ao período entre 2000 e 2018 (ou seja, abarcando quer o período antes quer depois da resolução do BES e criação do Novo Banco), que deverá ser conhecida em julho.

Foi esta auditoria que em maio esteve na base de uma crise política entre o primeiro-ministro, António Costa, o então ministro das Finanças, Mário Centeno, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de o chefe do Governo ter dito que a injeção do Novo Banco só seria feita depois de conhecida a auditoria quando essa já tinha sido realizada (no valor de 1.035 milhões de euros).

Quanto à nova auditoria esta é obrigatória por lei. Segundo a legislação aprovada no ano passado no parlamento, quando um banco é recapitalizado com fundos públicos (como é o caso da injeção de capital do Fundo de Resolução no Novo Banco), “o Governo manda realizar uma auditoria especial por entidade independente, por si designada sob proposta do Banco de Portugal, a expensas da instituição auditada”.

Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros

Nascido na resolução do BES (em 03 de agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo 25% o Fundo de Resolução bancário, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo.

O Lone Star não pagou qualquer preço, tendo injetado mil milhões de euros no Novo Banco. Além disso, foi acordado um mecanismo de capital contingente, que previa que durante oito anos o Fundo de Resolução compensasse o Novo Banco por perdas de capital num conjunto de ativos ‘herdou’ do BES até 3.890 milhões de euros.

Na última injeção de capital, referente a 2019, o Novo Banco requereu ao Fundo de Resolução uma injeção de capital de 1.037 milhões de euros, mas o Fundo transferiu 1.035 milhões de euros. Segundo noticiou o jornal Expresso, o valor de dois milhões de euros não transferido corresponde aos bónus dos membros do Conselho de Administração Executivo liderado por António Ramalho, a serem pagos no futuro, mas correspondentes a 2019.

As polémicas em torno do Novo Banco

Quarta-feira, Junho 3rd, 2020

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Negócios

O cheque que chegou sem auditoria concluída, o aumento dos salários dos gestores, o bónus que o Fundo de Resolução recusou pagar, os prejuízos de quase 5 mil milhões em quatro anos, e a devolução do dinheiro se houver má gestão.

1. O cheque que chegou sem auditoria concluída

O Novo Banco já esteve envolvido em várias polémicas este ano. E uma delas colocou António Costa e Mário Centeno em rota de colisão. Tudo por causa de uma “falha de comunicação” entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças em torno da injeção de capital de 1.035 milhões na instituição financeira.

Tudo aconteceu nos primeiros dias de maio depois de António Costa ter garantido ao Bloco de Esquerda que “até haver resultados da auditoria” que está em curso ao Novo Banco “não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução” para financiar o banco. Mas a injeção tinha sido feita no dia antes, avançou o Expresso. Ao todo, já foram injetados 2,9 mil milhões do total possível de 3,89 mil milhões de euros.

No dia seguinte, o primeiro-ministro dizia que não tinha sido informado da transferência, enquanto Mário Centeno garantia que não tinha sido feito “à revelia”. A questão, que quase levou à saída do ministro, acabou por ficar resolvida. Em causa está a auditoria aos atos de gestão, entre 2000 e 2018, que a Deloitte está a realizar e que deve ficar fechada em julho. Arrancou agora uma nova auditoria referente à nova injeção.

Ao que apurou o Negócios, a Deloitte deverá também assumir esta análise – desta vez apenas aos atos de gestão em 2019 – considerando as limitações das outras auditoras.

2. O aumento dos salários dos gestores 

Os salários da administração do Novo Banco foram outro dos motivos para a instituição financeira ficar novamente em foco. Isto depois de ter sido avançado que os rendimentos sofreram um aumento significativo desde que o banco foi vendido.

Foi no mês passado que o Público escreveu que, desde que o fundo norte-americano Lone Star entrou no capital do banco, em 2017, os salários pagos à administração do Novo Banco, liderada por António Ramalho, dispararam 75%, considerando que a remuneração anual dos seis gestores executivos do Novo Banco, em 2017, se fixou em 1.336.000 euros, mas não levando em conta que três desses administradores entraram em funções apenas em abril e maio, pelo que não receberam o ano completo. Por isso, o jornal esclareceu depois que o aumento seria de 53%, assumindo um salário anual completo dos três gestores face a 2019. Nesse ano, tal como o Negócios avançou, o salário do CEO do Novo Banco cresceu 4,7% em relação ao ano anterior.

Este tema levou a que os deputados chamassem António Ramalho ao Parlamento, numa audição ainda sem data definida. “Como nem os bónus foram pagos nem os aumentos existiram, será uma audição curiosa. Pena que ninguém tenha perguntado. Poupar-se-ia tempo de antena”, comentou, no Twitter, o presidente executivo do Novo Banco.

3. O bónus que o Fundo de Resolução recusou pagar 

Outra questão polémica foi a atribuição de um prémio de perto de dois milhões de euros, diferido e condicionado ao cumprimento de metas, à gestão executiva do Novo Banco. A decisão foi tomada pela comissão de remunerações da instituição financeira, tal como o Expresso avançou, num bónus que será pago em 2022, depois de concluído o plano de reestruturação.

Esta questão agitou a opinião pública, mas também provocou uma discórdia com o Fundo de Resolução. O Expresso escreveu que o fundo se recusou a pagar o prémio, retirando esse valor da nova injeção de capital: transferiu 1.035 milhões, menos dois milhões do que estava inicialmente previsto.

De acordo com informação obtida pelo Negócios, no centro deste desacordo está o facto de o auditor do banco ter exigido que fosse criada uma provisão para o bónus. Um reforço com o qual o fundo não concordou, perante as recomendações europeias para que não sejam pagos prémios aos gestores dos bancos, num período marcado pela incerteza quanto ao impacto e duração da pandemia.

Para esta entidade, não fazia sentido constituir uma provisão para algo que poderá não acontecer, penalizando entretanto os resultados do banco, explica fonte próxima, notando que esta questão será novamente analisada pela comissão de remunerações, mas só em 2022, ano em que o pagamento poderá, ou não, avançar.

4. Os prejuízos de quase 5 mil milhões em quatro anos 

O Novo Banco foi vendido há três anos. Neste processo, 75% ficaram nas mãos do Lone Star e os restantes 25% do lado do Fundo de Resolução. E, ao longo deste período, o banco tem registado prejuízos avultados, com os resultados a serem pressionados pelas perdas associadas à venda de crédito malparado e imóveis.

No total, entre 2016 e 2019, os prejuízos acumulados do Novo Banco chegam perto dos 5 mil milhões de euros, num período que foi marcado pela aposta na “limpeza” do crédito malparado. No ano passado, o Novo Banco vendeu uma das maiores carteiras alguma vez transacionadas em Portugal, de perto de três mil milhões de euros. Isto além de outros dois portefólios, como o caso dos projetos Sertorius e Albatros, em Espanha, e da GNB Vida.

Estas operações geraram perdas de 350 milhões de euros para a instituição financeira liderada por António Ramalho, no ano passado.

A deputada Helena Roseta chegou a afirmar, no Parlamento, que, na “limpeza do balanço que o Novo Banco tem vindo a fazer, estão a ser vendidos ‘ativos imobiliários não estratégicos’, ao desbarato e com grandes perdas, ao primeiro que se apresente”. Fonte oficial do banco contra-argumentou, dizendo que o Novo Banco “não vende, nem pretende vir a vender, quaisquer imóveis a preços desajustados de valores de mercado”.

5. A devolução do dinheiro se houver má gestão

Depois das “falhas de comunicação” entre António Costa e Mário Centeno, os bónus atribuídos aos gestores e os aumentos salariais, também o contrato de venda do Novo Banco ficou em xeque.

António Costa, em resposta à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou no Parlamento que, “se a auditoria [da Deloitte] concluir que houve má gestão, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação do dinheiro que desembolsou” e que não tinha de o fazer.

Como o Negócios avançou, caso venha a ser detetada uma violação grosseira e reiterada de uma ou mais das obrigações definidas no contrato assinado com o Lone Star – nomeadamente a obrigação de gestão sã e prudente -, o Fundo de Resolução pode denunciar o contrato e recorrer aos tribunais. Uma questão que levou o Bloco de Esquerda a requerer o acesso ao contrato, um pedido já aprovado por unanimidade.

O conselho de administração do Novo Banco também reagiu a esta questão, dizendo “não aceitar e lamentar profundamente que o bom nome da instituição continue a ser usado como arma de arremesso político e/ou manobras político-mediáticas”. O banco acredita ser “seguramente uma das entidades bancárias mais escrutinadas, tanto a nível nacional como a nível europeu”.

Costa: Se auditoria concluir má gestão no Novo Banco, Fundo de Resolução pode pedir reembolso

Sexta-feira, Maio 22nd, 2020

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Negócios

Se a auditoria ao Novo Banco concluir que houve má gestão, o Fundo de Resolução “tem toda a legitimidade” para pedir um reembolso, defendeu o primeiro-ministro. Empréstimos do Estado já renderam 500 milhões de euros em juros.

O primeiro-ministro defendeu nesta quarta-feira que se a auditoria ao Novo Banco concluir que houve má gestão, o Fundo de Resolução “tem toda a legitimidade” para pedir a devolução do dinheiro.

“Se a auditoria concluir que houve má gestão, o Fundo tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação do dinheiro que desembolsou e que não tinha de desembolsar”, afirmou António Costa, nesta quarta-feira, 20 de maio.

O primeiro-ministro respondia à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que criticou o Governo por injetar dinheiro antes de ter a auditoria. “Como é que uma auditoria que era indispensável é agora dispensável? E os resultados da auditoria terão consequências?”, questionou.

“Se o Novo Banco tiver sido mal gerido, vamos lá buscar o dinheiro?”, interrogou a deputada bloquista.

Na resposta, o primeiro-ministro disse ainda que “sendo o fundo financiado pelos outros bancos, acredito que esses não estejam propriamente disponíveis para financiar a má gestão do Novo Banco”.

No que diz respeito ao Governo, o papel que tem aqui não é injetar dinheiro no Novo Banco, mas emprestar dinheiro ao Fundo de Resolução. “Se e esse dinheiro injetado no Novo Banco foi mal injetado, com certeza que o Fundo terá de retirar daí as necessárias ilações”, afirmou António Costa.

Segundo o chefe de Governo, das injeções feitas no Novo Banco 32% foram feitas através do empréstimo do Estado, 13% das contribuições do banco e 55% de investimentos privados.

Além disso, disse Costa, o Estado já recebeu do Fundo de Resolução cerca de 500 milhões de euros em pagamento de juros, pelos montantes emprestado.

O primeiro-ministro respondia ao líder do PSD, Rui Rio, que afirmou que a “fatura em impostos com o Novo Banco são 7 mil milhões de euros” e criticou que a justiça não tenha conseguido julgar ou punir os responsáveis “pelo maior crime de colarinho branco em Portugal”.

Governo teve um mês para travar injecção no Novo Banco

Sábado, Maio 9th, 2020

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Público

Pedido para injectar mais 850 milhões de euros no Novo Banco chegou ao Governo no início de Abril. Ministério das Finanças deu luz verde. Caso saltou para arena política com pedido de desculpas de António Costa ao Bloco de Esquerda.

O Governo sabia oficialmente desde o início de Abril que o Novo Banco precisava de mais 850 milhões de euros para fechar em Maio os resultados de 2019. A chamada de capital foi feita pelo banco detido pelos americanos do fundo Lone Star ao Fundo de Resolução, que logo a transmitiu ao Ministério das Finanças, que deu luz verde. Um mês depois, o dinheiro entrou no banco liderado por António Ramalho, permitindo a este antigo gestor público cumprir as metas impostas pelas autoridades.

Segundo apurou o PÚBLICO junto de fontes financeiras ligadas ao dossiê, em nenhum momento desta fase final do processo foi colocado qualquer entrave à injecção do dinheiro, nem condicionada a decisão à auditoria que está em curso para avaliar, entre outras, as decisões relativas aos créditos problemáticos na base das necessidades de capital do Novo Banco.

As mesmas fontes sublinham, por outro lado, que se o ministro das Finanças, Mário Centeno, ou o primeiro-ministro, António Costa, pretendessem travar nesta fase o processo, colocariam em causa não só os compromissos assumidos no momento da venda do banco (que prevê injecções até 3,9 mil milhões de euros), mas também os rácios de solidez que a instituição se comprometeu a cumprir junto do Banco de Portugal. Um cenário que forçaria uma negociação com o Banco Central Europeu, em plena crise económica grave provocada pela pandemia covid-19. Mas poderiam fazê-lo, garantem.

O processo que culminou numa nova injecção de dinheiros públicos no banco herdeiro do BES começou em Novembro quando o país percebeu que os resultados muito negativos de 2019 iriam exigir mais um reforço de verbas através do Fundo de Resolução.

Um cenário confirmado na apresentação das contas anuais onde a gestão do Novo Banco revelou o novo pedido de apoio público de 1037 milhões de euros, dos quais 850 milhões do Orçamento do Estado sobre a forma de empréstimo. Verbas que se somam às ajudas dos anos anteriores e que já quase esgotaram a rede de segurança de 3,9 mil milhões de euros negociada com o Lone Star no momento da venda.

No final do ano passado, arrancou o processo de auditoria especial no qual foi encomendado à Deloitte o escrutínio de créditos problemáticos do Novo Banco, para apurar, entre outras decisões do passado, o critério de venda de carteiras de crédito a desconto, que está a gerar estas perdas avultadas que justificam a intervenção do Estado para repor os rácios de solidez da instituição.

Sobre esta auditoria, a 22 de Abril, no Parlamento, António Costa sublinhou, numa resposta à líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins: “A auditoria sobre o Novo Banco, que nós determinámos, está em curso. Só estará concluída em Julho”. E acrescentou que os resultados dessa auditoria serão “fundamentais para as decisões” a tomar por parte do Governo nos termos daquilo que está contratado com o Novo Banco.

Ao PÚBLICO, Mourinho Félix esclareceu, por seu turno, que “a auditoria não pode ser condição para a injecção porque o que diz a lei 15/2019 é que a auditoria é depois da injecção de fundos”.

O pedido de desculpas

Este tem sido um dos temas mais polémicos da governação de António Costa e no qual as divergências à esquerda são mais evidentes. Agora, abre também um flanco dentro do Governo, levantando dúvidas sobre se a informação entre o ministério das Finanças e o gabinete do primeiro-ministro continua a circular com a mesma fluidez de outros tempos.

Na quinta-feira, o Expresso noticiou que António Costa se viu forçado a pedir desculpa ao Bloco de Esquerda pelo facto de ter garantido no Parlamento, durante o debate quinzenal, que não haveria reforço do empréstimo ao Novo Banco antes de ser conhecido o resultado da auditoria, prevista para Maio (mas que derrapou).

Acontece que a transferência no valor de 850 milhões para o banco que resultou do fim do BES tinha sido feita dias antes, sem que o primeiro-ministro se tivesse apercebido. Ao PÚBLICO, Mourinho Félix sublinha isso mesmo: “O empréstimo foi feito na véspera do debate e a informação ainda não tinha sido dada. O esclarecimento foi feito de seguida”.

Na conferência de imprensa em que apresentou um pacote com 20 medidas para a resposta no pós-pandemia, a líder do Bloco de Esquerda foi questionada sobre este pedido de desculpa inédito. Catarina Martins não quis revelar o conteúdo da conversa com António Costa e preferiu destacar que “o mais relevante e chocante é o facto de ser feita injecção sem ser conhecida a auditoria”.

“No momento em que há uma crise pandémica, este tipo de opções e opacidade são absolutamente insuportáveis”, acusa a líder bloquista, que critica também o facto de o Estado não ter uma palavra a dizer na gestão da instituição financeira.

O PCP também é crítico do facto de o país estar a “enterrar milhões” no Novo Banco, sem que o Estado assuma o seu controlo. O tema Novo Banco levou ainda o PAN a considerar esta injecção de capital como uma “operação irresponsável”. E apontou a “ironia” desta decisão do Governo “que afirma que não existe dinheiro, por exemplo, para financiar apoios para que os sócios-gerentes das micro, pequenas e médias empresas ou os profissionais do sector da cultura, para que estes possam fazer face às graves dificuldades financeiras colocadas pelo novo coronavírus”.

Mas as críticas não surgem só dos partidos à esquerda do PS. “A entrega de mais uma tranche de dinheiro dos contribuintes ao Novo Banco, sem que, mais uma vez, o Governo tenha aferido da necessidade de o fazer através de uma auditoria específica para o efeito, é uma atitude que tem de merecer a nossa clara reprovação”, disse o líder do PSD, Rui Rio, ao Expresso.

O que perguntou o Bloco

Catarina Martins tem pedido explicações com regularidade sobre as empresas que têm beneficiado de ajudas públicas durante a pandemia. E no debate de quinta-feira voltou a insistir na injecção para o Novo Banco. A líder do Bloco de Esquerda quis saber se “não haverá nenhuma injecção no Fundo de Resolução e no Novo Banco até se conhecer a auditoria que está prometida, que está contratualizada e que tem que ser pública”.

Costa foi claro na resposta: “A resposta que tenho para lhe dar não tem grande novidade relativamente à última vez que me fez a pergunta, ou seja, a auditoria está em curso e até haver resultados da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução para esse fim”.

Quando foi ao Parlamento, a 16 de Abril, o ministro das Finanças, disse que o Governo ia continuar a “cumprir os contratos”. O Novo Banco recebeu um cheque de 1037 milhões de euros, dos quais 850 milhões resultam de um empréstimo feito pelo Estado ao Fundo de Resolução.

O prazo inicial para a auditoria era Maio (coincidindo com a tranche que foi paga agora), mas a pandemia fez derrapar o calendário para Junho/Julho.

Vírus atrasa auditoria ao Novo Banco

Segunda-feira, Março 30th, 2020

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Económico

A conclusão da auditoria da Deloitte deverá derrapar para lá de 31 de maio.

O surto do novo coronavírus vai atrasar a conclusão da auditoria que a Deloitte está a fazer ao Novo Banco e que estava prevista até 31 de maio, soube o Jornal Económico (JE) junto de fonte do próxima ao processo.
“Este momento altamente disruptivo levará ao adiamento da conclusão da auditoria ao Novo Banco”, explicou, adiantando que não há agora uma data prevista para a sua conclusão.

m causa está a dificuldade dos 40 técnicos da Deloitte de realizarem inspeções presenciais na sede do banco para recolha de prova e de documentos devido às medidas de distanciamento, explicou. A Deloitte vai auditar cerca de 200 ativos entre créditos, imóveis, títulos e operações com subsidiárias que tenham gerado perdas cobertas pelo CCA.

O JE sabe que a Deloitte tem avançado com a análise aos atos e que esta semana houve uma reunião à distância. Mas o ritmo de trabalho é mais lento nas atuais circunstâncias de confinamento. A Covid-19 condiciona os serviços de auditoria, o que levou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários a emitir, na semana passada, recomendações dando primazia à “utilização de ferramentas digitais de trabalho remoto” nos casos em existam limitações no acesso à informação ou às instalações de empresas.

A Deloitte tem pela frente um trabalho hercúleo porque o mandato que lhe foi atribuído abrange a caracterização das perdas e outras variações patrimoniais ocorridas entre a data da resolução do BES, no dia 4 de agosto de 2014, e 31 de dezembro de 2018, que provocaram chamadas de capital ao Fundo de Resolução no âmbito do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA), desde a sua origem, algumas das quais remontam ao ano 2000. Mas a investigação remonta à origem destas operações, pelo que o horizonte temporal da auditoria estende-se por um período de 18 anos, a partir do ano 2000, apanhando as administrações de Ricardo Salgado, Vítor Bento (BES) e de Eduardo Stock da Cunha e de António Ramalho (do Novo Banco).

Bloco quer travar mais dinheiro público no Novo Banco até fim da auditoria

Sexta-feira, Março 13th, 2020

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Esquerda Net

O Bloco entregou um projeto de resolução em que recomenda que o governo deixe de transferir verbas para o fundo de resolução destinadas ao Novo Banco “até que a auditoria às suas contas esteja concluída”.

O projeto de resolução, cuja primeira signatária é Mariana Mortágua, foi entregue esta quarta-feira. Recomenda que o governo não transfira mais verbas para o fundo de resolução, que sejam destinadas à injeção de capitais no Novo Banco, até que a auditoria a esta entidade bancária esteja terminada.

Propõe-se assim uma tomada de posição da Assembleia da República no sentido de pressionar o governo para que “não mobilize mais recursos públicos para o Fundo de Resolução no âmbito do financiamento do Novo Banco sem que sejam conhecidos e devidamente analisados, inclusive pelo Parlamento, os resultados da auditoria à gestão do Novo Banco”.

O Bloco foi contra a venda deste banco à Lone Star e a “criação de uma garantia pública destinada a subsidiar, durante anos, o novo proprietário privado”. Pelo contrário, o partido faz questão de relembrar que defendeu “a manutenção do Novo Banco na esfera pública”.

O grupo parlamentar bloquista também não esquece o dinheiro público que o buraco do BES engoliu desde 2014 através do Fundo de Resolução: foram 5180 milhões de euros. A que se soma o anúncio feito a 26 de fevereiro de que este fundo deverá injetar mais 1037 milhões no Novo Banco.

Este anúncio não toma em conta a decisão parlamentar do ano passado de que “novas injecções de capital em instituições bancárias” passam a ser obrigatoriamente acompanhadas de uma auditoria às suas operações de crédito, “incluindo concessão, garantias, reestruturação ou perdão de dívida, dações em cumprimento ou execução de garantias, venda de carteiras de crédito ou transferência para fundos de reestruturação; decisões de investimento, expansão ou desinvestimento realizadas em Portugal ou no estrangeiro; decisões de aquisição e alienação de ativos”.

Sendo que no Novo Banco já está a decorrer uma auditoria e sendo que os resultados são esperados até ao final de maio, não se trata aqui de iniciar um processo deste tipo mas pura e simplesmente de esperar até que a auditoria a contas e créditos do BES esteja concluída. Isto porque “o mínimo que a Assembleia da República deve procurar garantir, em nome da transparência e da boa gestão das contas públicas, é que o Governo suspenda qualquer transferência para o Novo Banco através do Fundo de Resolução sem que antes seja conhecida a auditoria às suas contas e ao tratamento dos créditos provenientes do BES.”

O partido lembra ainda que “na lista de crédito malparado que transitou para o Novo Banco estavam as dívidas da Fundação Berardo, do Sporting, da Ongoing, do Grupo Mello, de Luís Filipe Vieira, de João Pereira Coutinho, ou da família Moniz da Maia. Até agora os responsáveis por estas operações não foram acusados ou julgados, a começar pelo próprio Ricardo Salgado.”

Auditoria ao Novo Banco custa três milhões. É o triplo do que custou a da Caixa

Quarta-feira, Fevereiro 19th, 2020

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Eco

Auditoria ao Novo Banco custa três milhões. É o triplo do que custou a da Caixa

A Deloitte tem algumas dezenas de técnicos a trabalhar na auditoria especial ao Novo Banco. Encargos são de três milhões de euros. É um valor três vezes superior ao que a Caixa pagou à EY.

A auditoria especial da Deloitte ao Novo Banco vai custar cerca de três milhões de euros ao banco, sabe o ECO. É um valor três vezes superior ao encargo que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve de assumir com a auditoria da EY, feita em 2017 aos atos de gestão no banco público e que tinha sido pedida pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, por causa da recapitalização do banco público.

De acordo com o Expresso, são 100 créditos tóxicos que estão na mira: 50 créditos maus que estão no perímetro do mecanismo de capital contingente que obriga o Fundo de Resolução a injetar dinheiro no Novo Banco sempre que acionado; e outros 50 créditos com grande peso na instituição e que tinham sido identificados pelo Fundo de Resolução como devedores relevantes.

Mas há outro aspeto relevante: os auditores terão de fazer esta análise à luz do normativo interno na altura da decisão. Ao que apurou o ECO, estão em causa mais de 3.000 regras internas que foram mudando ao longo do tempo no banco e que a Deloitte terá de ter em conta para aferir a qualidade de uma decisão a determinado momento.

A auditoria, que estará concluída em maio, vai compreender os atos de gestão não só no período do BES, que foi alvo de uma medida de resolução em agosto de 2014, mas também do Novo Banco, até 2018. Incluirá as gestões desde Ricardo Salgado até António Ramalho.

Neste caso, o Novo Banco pediu no ano passado 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução (que por sua vez teve de pedir um empréstimo ao Tesouro no valor de 850 milhões) através do mecanismo de capital contingente, uma espécie de “garantia pública” criada em outubro de 2017, aquando da venda da instituição ao Lone Star. Ou seja, de acordo com a lei, se o Tesouro voltar a emprestar ao Fundo de Resolução para injetar no banco, terá de haver nova auditoria. O Orçamento do Estado prevê 600 milhões.

Por causa de incompatibilidades de outras grandes auditoras, a escolha do Banco de Portugal (aprovada pelo Ministério das Finanças) para realizar a auditoria ao Novo Banco acabou por recair sobre a Deloitte, o que acabou por reduzir o poder negocial na contratação de uma empresa de auditoria para realizar o trabalho.

Na auditoria da CGD, os trabalhos ficaram a cargo da EY, que analisou 200 devedores e outras operações de investimento desde 2000 até 2015. Custou um milhão de euros e, também naquele caso, a fatura foi enviada para o banco.

O ECO contactou o Novo Banco e a Deloitte. O banco não comenta, enquanto a auditora não respondeu até à publicação do artigo.

100 créditos tóxicos do Novo Banco sob auditoria

Quarta-feira, Janeiro 22nd, 2020

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Expresso

Cinquenta imóveis que causaram maiores perdas serão alvo da auditoria da Deloitte ao Novo Banco

A auditoria ao Novo Banco, que tem necessitado de empréstimos estatais para sobreviver ao longo dos últimos anos, deverá analisar a origem e o acompanhamento dado a uma amostra de 100 créditos tóxicos, segundo informação apurada pelo Expresso.

A auditoria, que está a cargo da Deloitte, olha para as operações dos 50 devedores individuais com maior exposição dentro do mecanismo de capital contingente, sistema criado aquando da venda de 75% do capital à Lone Star, em 2017, e que expõe o Fundo de Resolução a injeções de até €3,89 mil milhões (dos quais €1,9 mil milhões já foram materializados), além dos €4,9 mil milhões colocados logo em 2014. Esses ativos foram os mais problemáticos e aqueles pelos quais a entidade americana não se quis responsabilizar na totalidade, partilhando o encargo com o veículo financiado pela banca.

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Auditoria deverá deixar de fora venda da Tranquilidade por 40 milhões de euros

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

Citamos

Económico

Apesar de o perímetro da auditoria da Deloitte ainda não estar concluído, o Jornal Económico sabe que a venda de ativos estará fora do âmbito da análise.

O âmbito da auditoria da Deloitte ao Novo Banco (NB) vai ficar estipulada num caderno de encargos que o Fundo de Resolução está a elaborar e que, segundo sabe o Jornal Económico (JE), está em fase de conclusão. Esse caderno de encargos define o que, contratualmente, a auditora Deloitte vai ter de fazer. É o chamado mandato do auditor.

Apesar de o perímetro da auditoria da Deloitte ainda não estar concluído, o JE sabe que a venda de ativos estará fora do âmbito da análise. Nomeadamente a venda da Tranquilidade à Apollo, que foi feita no tempo de Vítor Bento como presidente do BES. Recorde-se que a Tranquilidade foi vendida ao fundo americano Apollo Global Management por 40 milhões de euros no fim de agosto de 2014 (a seguradora era da ESFG mas passou para a titularidade do banco por causa de um penhor). O fundo norte-americano acabou por vender este ano a seguradora – que integrou na Seguradoras Unidas – à Generali, por cerca de 500 milhões.