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Banco de Portugal já saberia dos riscos nove meses antes da queda do BES

Sexta-feira, Março 3rd, 2017

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Observador

Banco de Portugal já saberia dos riscos nove meses antes da queda do BES

Documentos, a que a SIC teve acesso, mostram que o Banco de Portugal já sabia dos riscos do GES/BES nove meses antes da resolução. Regulador insiste que não tinha “factos” para reavaliar idoneidade.

Técnicos do Banco de Portugal (BdP) assinaram uma nota informativa interna em novembro de 2013 onde punham em causa a continuidade de quatro administradores do Banco Espírito Santo (BES) e sugeriam mesmo o afastamento imediato de Ricardo Salgado, revela a SIC na primeira de três reportagens da série “Assalto ao Castelo”, que serão transmitidas até sexta-feira. Ou seja, nove meses antes da resolução do maior banco privado português já a instituição conheceria, de forma detalhada, os riscos associados ao GES/BES.

Os quatro administradores do BES em causa eram Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi e Paulo José Lameiras Martins. Os técnicos, além de revelarem dúvidas em relação à idoneidade dos mesmos, reconheciam que o Banco de Portugal tinha deixado passar muito tempo sem questionar a idoneidade dos visados. Acrescentavam, porém, que ainda se iria a tempo de o fazer, relata a SIC.

A tal nota foi enviada ao vice-governador do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão, Pedro Duarte Neves, a 8 de novembro de 2013, conta a SIC, apoiando-se nisso para dizer que o governador Carlos Costa omitiu informação aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. Ouvido na CPI, Carlos Costa garantiu que o Banco de Portugal não tinha poderes legais para afastar os gestores do BES mais cedo do que fez, por não dispor de “factos demonstrados” que permitissem abrir um processo formal de reavaliação de idoneidade dos membros do conselho de administração do BES.

Questionado pela SIC, o BdP volta a dizer que não podia ter feito nada antes e afirma que apostou na dissuasão moral, que terminou com a renúncia de alguns administradores na primavera do ano seguinte.

Balanço aos resultados de 20 sucursais e filiais apontava para “riscos elevados”

Nesta primeira reportagem, a SIC dá ainda conta de um segundo documento, um “relatório detalhado” sobre os resultados da avaliação feita pelo supervisor a 20 sucursais e filais do BES em Portugal e no estrangeiro, entre março de 2011 e abril de 2012, e onde se teriam já detetado falhas generalizadas no que toca à auditoria interna e à compliance.

Esse relatório apontava ainda para “práticas de gestão pouco transparentes ou mesmo opacas”, sendo que 38% dessas más práticas tinham sido já identificadas em 2012 e vinham de anos anteriores. Mais de metade apresentavam risco elevado e no BES, alguma dessa “opacidade” tinha sido verificada desde 2004, revela a reportagem da estação de Carnaxide.

E eram já apontados dois casos particularmente graves: a filial angola (BESA) e a francesa (de la Vénétie). No primeiro caso, em 2011 a avaliação já tinha sido “francamente negativa”, apontando um controlo interno deficiente e um risco operacional grave. No caso da filial francesa, foram sublinhadas 28 novas deficiências, oito de risco elevado, o que levou, inclusivamente, a autoridade bancária francesa a fazer uma avaliação bastante negativa desse banco, também em 2011.

BdP insiste que “não dispunha de factos demonstrados” para reavaliar idoneidade

Em reação à reportagem da SIC, o regulador reafirma, em comunicado publicado no site da instituição, o que o governador Carlos Costa disse outrora em sede de comissão de inquérito: “De facto, no final de 2013, o Banco de Portugal não dispunha de factos demonstrados que – dentro do quadro jurídico então aplicável e atenta a jurisprudência dos tribunais administrativos superiores – permitissem abrir um processo formal de reavaliação de idoneidade dos administradores em causa.”

E explica que a referida nota informativa — “desenvolvida a pedido do Conselho de Administração do Banco de Portugal” –, com data de novembro de 2013, “refere expressamente que a informação existente à data tinha que ser devidamente verificada e confirmada para efeitos de eventuais ações ao nível da idoneidade“. “Foram, assim, desenvolvidas pelos serviços competentes do Banco de Portugal várias diligências na sequência daquela e de outras informações, ainda em 2013 e também ao longo de 2014.”

Essas diligências passaram, por exemplo, pela troca de comunicações escritas e reuniões com os administradores em questão, “bem como junto de outras entidades”, detalha o supervisor.

O banco central adianta ainda que “perante a avaliação dos factos que foram chegando ao seu conhecimento, o Banco de Portugal não aprovou pedidos de registo para o exercício de funções em outras entidades do Grupo BES, o que veio a culminar – após solicitação de sucessivas explicações e esclarecimentos aos administradores em causa, através de várias diligências escritas e presenciais – com a retirada desses pedidos pelos próprios em março e abril de 2014″.

Foram ainda desenvolvidas “múltiplas diligências junto dos acionistas de referência do BES, com destaque para o Crédit Agricole, exigindo um plano de sucessão para o órgão de administração do BES”. “Este processo conduziu à apresentação pelo Dr. Ricardo Salgado, em meados de abril de 2014, da calendarização da sua sucessão e de um plano que pressupunha a saída dos membros da família do órgão executivo do BES.”

Ofertas para o Novo Banco podem melhorar e até casar

Segunda-feira, Novembro 7th, 2016

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Negócios

Todos os candidatos ao Novo Banco puseram um preço em cima da mesa, mas nem todos entregaram projectos de contrato de compra e venda. Banco de Portugal vai tentar melhorar ofertas. Há candidatos disponíveis a casar propostas.

Todos os cinco candidatos à compra do Novo Banco entregaram propostas financeiras e é intenção do Banco de Portugal aproveitar os próximos dias para procurar que vários dos interessados possam ainda melhorar as condições apresentadas. Além disso, há interessados que admitem a fusão de ofertas com o objectivo de reforçar a sua posição competitiva no processo, apurou o Negócios.

Entre os cinco candidatos, há dois bancos – BCP e BPI – e três investidores institucionais: o consórcio Apollo/Centerbridge, a Loan Star e o China Minsheng Financial. Os quatro primeiros posicionam-se para o modelo de venda estratégica, enquanto o grupo chinês se posiciona para a alienação em mercado, oferecendo-se para adquirir mais de 50% do Novo Banco e avançar com a dispersão do restante capital.

Se todos os concorrentes puseram um preço em cima da mesa, houve quem não apresentasse propostas de contrato de compra e venda para o Novo Banco. Os interessados que o fizeram deverão, pelo menos nalguns casos, ser desafiados a melhorar também a componente contratual das suas ofertas, um trabalho que a equipa do Banco de Portugal, liderada por Sérgio Monteiro, levará a cabo nos próximos dias.

O objectivo desta “task force” é concluir a nova fase de interacção  com os candidatos tão rápido quanto possível, para poder recomendar uma solução final à administração do Banco de Portugal e ao Governo. Tanto Carlos Costa como António Costa querem que o dossiê NB fique fechado até ao final do ano, até por causa das novas exigências de solidez a que a instituição estará sujeita.

Novo Banco: proposta preferida é a do BPI

Domingo, Agosto 21st, 2016

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Económico

Segundo o Expresso o BPI tem uma das propostas mais apreciadas no Governo, mas a sua concretização depende da desblindagem de estatutos na próxima AG que garante a continuidade da OPA do Caixabank.

O Governo já analisou e devolveu ao Banco de Portugal as propostas para a compra do Novo Banco, avança o Expresso na sua edição de hoje.

O Banco de Portugal, que lidera o processo, terá escolhido como preferida a proposta do BPI, avança o Expresso. O BPI tem uma das propostas mais apreciadas no Governo mas esta depende do que for decidido na próxima Assembleia Geral do BPI sobre a desblindagem dos estatutos que ditará ou não o sucesso da oferta pública de aquisição do CaixaBank sobre o banco.

Na corrida estão também os americanos da Apollo (que detêm a Tranquilidade e a Açoreana) em consórcio com os norte-americanos do Centerbridge e a Loan Star, uma gestora de private equity (detém os centros comerciais Dolce Vita).

As ofertas são diferentes entre si, incluindo aumentos de capital, refere o jornal. Mas o “encaixe” para o Fundo de Resolução está em qualquer caso muito longe dos 4,9 mil milhões injectados em Agosto de 2014 e ao que parece muito longe das propostas oferecidas no ano passado que oscilavam entre os 1,5 e os dois mil milhões de euros.

Segundo o jornal as propostas este ano estão mais perto do valor simbólico, e dão um exemplo dos 40 milhões pelos quais o Estado vendeu o BPN ao angolano BIC em 2012.

Tudo porque ninguém quer assumir o risco de pagar os cerca de dois mil milhões de obrigações seniores que foram transferidos para o BES mau, no fim do ano passado, caso os tribunais assim o determinem. Essa contingência (e outras) ficarão no Fundo de Resolução.

O Novo Banco tem mesmo de ser vendido já porque o prazo dado por Bruxelas acaba em Agosto de 2017, a partir daí o banco entra em liquidação. Esse prazo pode provocar corrida aos depósitos se a venda neste concurso falhar.

O objectivo do Governo é vender a qualquer preço, para estancar o problema Novo Banco, o banco bom do BES.

O Governo tem insistido que o objectivo é não ter de injectar mais dinheiro público no antigo BES, o que aliás implicaria uma nova resolução. Mas fica assim claro que os 4,9 mil milhões ficarão como prejuízo da operação a ser assumido pelo Fundo de Resolução.

O empréstimo transitório do Estado de 3,9 mil milhões feito em 2014 vai ser transformado num empréstimo de muito longo prazo, na ordem das décadas, diz o Expresso. Ao longo dos anos, o Estado vai recebendo dos bancos as contribuições para o fundo, assim reduzindo o empréstimo. No caso de as contingências jurídicas agravarem o custo, o empréstimo poderá ser dilatado em ainda mais anos, diz o jornal.

 

PSD compara ação de Costa na banca aos tempos de Sócrates

Domingo, Março 20th, 2016

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Diário de Notícias

Marcelo e Costa acertaram plano para a banca. Sociais democratas atacam a intervenção

O futuro da banca nacional foi alvo central de um “acordo” estratégico entre o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, o Governador do Banco de Portugal e o Ministro das Finanças. Há um mês (15 e 16 de fevereiro), no espaço de 24 horas, Marcelo Rebelo de Sousa, ainda como chefe de Estado eleito, recebeu no Palácio de Queluz António Costa, Carlos Costa e Mário Centeno. Nesses encontros houve, pelo menos um tema comum: a situação do sistema bancário nacional e o risco de ser dominada pelo capital de outro país, no caso a Espanha, através da entrada no BPI, BCP e Novo Banco.

Fonte que acompanhou o processo, confidenciou ao DN que nesse espaço de horas, o Presidente da República eleito, o Primeiro-Ministro, o Governador do Banco de Portugal e o Ministro das Finanças acertaram um acordo de intervenção política que tem dado os seus sinais nos últimos dias. Objetivo: sem interferir diretamente com os acionistas privados, era necessário produzir orientações de visão a longo prazo para travar a concentração da banca num único país estrangeiro, ajudando a encontrar soluções para as necessárias recapitalizações.

As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, no âmbito do encontro com o rei de Espanha, na última quinta-feira, deram disso eco público. “É importante haver uma participação significativa, o que é diferente de haver um exclusivo. É uma posição de fundo. Nenhuma economia deve ter uma posição exclusiva sobre outra economia”, declarou, assumindo o que tinha sido acordado em Queluz.

O ex-presidente do PSD e comentador político, Luís Marques Mendes, aplaude a atitude. “A soberania política também exige uma soberania financeira e é muito positivo que o Presidente da República tivesse dado importância a este assunto e se empenhasse e juntar as várias partes para tentarem encontrar soluções. É muito positivo que exista uma estratégia concertada entre o chefe de Estado, o governo e o Banco de Portugal, com o objetivo de garantir o equilíbrio ao nível acionista na banca”, assinala.

Este sábado, António Costa explicou porque, também nesta matéria, é diferente do seu antecessor Pedro Passos Coelho. “O Governo PSD/CDS quis enganar os portugueses ” escondendo “debaixo da mesa o estado em que se encontrava o sistema financeiro”, enquanto o PS não “esconde nada, nem vira a cara a resolver os problemas que necessitam ser resolvidos, como aconteceu com o Banif, o BPI ou o Novo Banco”, sublinhou.

Estas declarações serviram que nem uma luva para responder, indiretamente, ao PSD, que numa “carta aberta” divulgada momentos antes tinha questionado e atacado firmemente as alegadas interferências de Costa na banca privada, noticiadas pelo Expresso deste sábado. O semanário escrevia que o primeiro-ministro tinha pessoalmente interferido na redefinição da estrutura acionista do BCP, reunindo com a empresária angolana Isabel dos Santos e, alegadamente, “autorizando” a sua entrada no capital do banco, evitando com isso o potencial predomínio dos espanhóis do la Caixa.

A proatividade de Costa, em sintonia com Marcelo, elogiada pelo ex-líder social-democrata, não é, porém, apreciada por Passos Coelho, cuja direção lançou um violento ataque à nova dinâmica, exigindo esclarecimentos sobre a notícia. “O que aqui está em causa, a ser verdade, é demasiado grave. A que título, com base em que poder, interveio ou participou, como negociante, nas relações entre acionistas privados e bancos privados?”, salientou Leitão Amaro, numa conferência de imprensa na sede do partido. Na carta, com oito perguntas, o PSD chega a comparar Costa com José Sócrates, recordando o resultado “extremamente lesivo” que teve a “intervenção” daquele ex-governante “na gestão e nos negócios privados, em particular em bancos nacionais e grandes empresas de telecomunicações, como o BCP e a PT “.

O economista Jorge Marrão, do think thank Missão Crescimento, onde se debatem propostas para atrair investimento para o nosso país, lembra que “há uma linha muito ténue entre uma estratégia de longo prazo e a não interferência em negócios privados” e compreende a “intervenção política”. “Não estamos a falar só de mercados. É toda uma nação que está em causa. Por isso percebe-se a cautela dos poderes políticos em relação aos novos atores”, assevera.

Costa diz que resolve problemas da banca e exemplifica com BPI

Domingo, Março 20th, 2016

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Negócios

Costa diz que fará tudo para assegurar estabilidade do sistema financeiro. E referiu, neste âmbito, o BPI. Isto acontece no dia que o Expresso escreveu que o primeiro-ministro chamou a si o dossiê do BPI. O PSD quer explicações.

O primeiro-ministro, António Costa, assumiu que tudo fará para garantir a estabilidade do sistema financeiro. O seu governo, declarou no Porto, não vira a cara “a resolver os problemas que necessitam de ser resolvidos [no sistema financeiro]”.

E depois deu os exemplos: “foi o que fizemos com o Banif, é o que fizemos [sic] com o BPI e é o que faremos com o Novo Banco e é o que faremos com todos porque há que virar a página da instabilidade sobre o nosso sistema financeiro”.

As declarações foram proferidas esta tarde, já depois do Expresso ter noticiado que o governo teria autorizado Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP, no qual a Sonangol é o principal accionista. O Expresso escreve que “o acordo foi dado pelo próprio primeiro-ministro, António Costa, numa reunião pessoal com a empresária angolana”. Isabel dos Santos estará, assim, segundo o jornal de saída do BPI, mas quer continuar no sistema financeiro português, o que faria através do BCP, além de ter o BIC Portugal. O Expresso diz, na primeira página, que o primeiro-ministro chamou a empresária a São Bento.

Isabel dos Santos, enquanto accionista do BPI, já tinha anteriormente proposto a fusão deste banco com o BCP.
Esta saída do BPI faria parte do acordo para resolver a disputa com o CaixaBank, maior accionista do BPI. Isabel dos Santos ficaria, ainda, com a posição em Angola. Todo o processo ainda teria de passar pelos reguladores, mas o Expresso diz que o primeiro-ministro “chamou a si o dossiê”. Isto também depois de, segundo o mesmo jornal, Marcelo Rebelo de Sousa ter mostrado preocupação com a espanholização da banca nacional. A SIC noticiou, neste seguimento, e este sábado, que o gabinete do primeiro-ministro que Costa quis apenas servir de mediador para que os accionistas do BPI se entendessem.

Também ao Expresso, há duas semanas, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, tinha assumido não ficar preocupado se o sistema financeiro for dominado por bancos espanhóis. “A questão que me preocupa é o financiamento à economia”. E Santander, La Caixa ouBBVA dão essa garantia? “Sobre o BBVA não me posso pronunciar, não está presente no mercado português, ou está residualmente. O La Caixa tem sido um parceiro importante no BPI e eu espero que continue a ser importante, dada a importância que o BPI tem no sistema financeiro português”. Com esta declaração, Carlos Costa abre novo tema de conversa. O BPI e as negociações entre CaixaBank e Isabel dos Santos. “Acho que há interesse em que um accionista de referência se mantenha em Portugal, os bancos portugueses precisam de accionistas estrangeiros”.

Depois da notícia do Expresso deste sábado, 19 de Março, o PSD já veio, também, a público pedir explicações ao Governo. O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Leitão Amaro anunciou um conjunto de oito perguntas formuladas ao Governo socialista sobre alegadas interferências nos negócios entre a empresária angolana Isabel dos Santos e o setor bancário.

“Os governos socialistas de José Sócrates, um deles com a participação do actual primeiro-ministro, intervieram em negócios privados, na banca, em empresas de telecomunicações e na comunicação social. Essas interferências políticas em negócios privados dão mau resultado, o país já viu esse filme”, recordou o deputado social-democrata, referindo-se à antiga PT e a bancos como a Caixa Geral de Depósitos ou o BCP.

O parlamentar social-democrata vincou que, a confirmar-se a notícia publicada pelo jornal Expresso, de envolvimento do chefe do executivo nas conversações, trata-se de “factos muito graves”, de “falta de imparcialidade” e “interferência”, além da “falta de transparência”. Por isso, “o PSD vai pedir esclarecimentos. O que aqui está em causa, a ser verdade, é demasiado grave e precisa de um cabal esclarecimento. A que título, com base em que poder, interveio ou participou, como negociante, nas relações entre acionistas privados e bancos privados?”, perguntou Leitão Amaro.

O deputado do PSD sugeriu se tal atuação, a confirmar-se, “não coloca em causa, de forma séria e muito grave, a imparcialidade que o Governo deve ter?” e se estará a ser “respeitada a igualdade de tratamento de todos os agentes no mercado, a liberdade de concorrência”.

“Não é colocado em causa a competência própria das entidades reguladoras independentes, quer nacionais, quer europeias? Ter-se-á envolvido e intervindo nas relações societárias de bancos privados, de accionistas estrangeiros de bancos?”, foram algumas das questões colocadas pelo responsável do PSD.

Carlos Costa contrata Deutsche Bank para vender Novo Banco

Quinta-feira, Fevereiro 11th, 2016

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Económico

Ao que o Económico apurou, o escolhido será o alemão Deutsche Bank, que vai trabalhar em conjunto com os assessores que participaram na primeira tentativa de venda: o BNP Paribas, a TC Capital e a Vieira de Almeida & Associados.

O processo de venda do Novo Banco foi formalmente relançado em Janeiro, mas o caderno de encargos ainda não é conhecido, nem os moldes da venda, que poderá ser parcial. Ainda assim, ao que o Económico apurou, na semana passada tiveram lugar contactos informais com vários potenciais interessados na compra do banco de transição que herdou os activos “saudáveis” do antigo Banco Espírito Santo.
O Banco de Portugal vai supervisionar o processo, que será conduzido pelo Fundo de Resolução, o veículo público dono do Novo Banco, financiado pelas contribuições do sector bancário.

No mercado, os grandes bancos espanhóis, com o Santander à cabeça, têm sido vistos como favoritos à aquisição do Novo Banco. Mas além do Santander, também o BPI e o seu accionista catalão CaixaBank são tidos como potenciais interessados, bem como dois ‘players’ que participaram na primeira tentativa de venda, o grupo chinês Fosun e a gestora de fundos americana Apollo.

A segunda tentativa de venda do Novo Banco vai decorrer sem as incertezas que minaram o primeiro concurso, como os riscos de litigância (que serão assumidos pelo Fundo de Resolução) e as necessidades de capital (já resolvidas com o recente ‘bail in’ de algumas emissões de dívida sénior).

BPI vai analisar Novo Banco

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

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Económico

O presidente-executivo do BPI disse esta quarta-feira que o banco vai analisar a oportunidade de compra do Novo Banco, no âmbito do processo de venda que está a ser retomado pelo Banco de Portugal. Mas acrescentou que falta ainda conhecer o caderno de encargos da operação.

“O novo processo de venda deverá iniciar-se com alguma brevidade e nós analisaremos as condições”, disse Fernando Ulrich.

Questionado se a redução da exposição ao mercado ngolano, por imposição do BCE (e que o BPI pretende fazer por via de uma cisão dos activos africanos), coloca pressão sobre o BPI para encontrar outras oportunidades de investimento, Ulrich mostrou-se cauteloso. “Não me sinto pressionado a olhar para outros mercados. A diversificação em banca é mais difícil do que se possa pensar”, disse.

“A internacionalização em banca de retalho e banca comercial tem muito que se lhe diga”, acrescentou, lembrando os investimentos mal-sucedidos que vários bancos nacionais e estrangeiros realizaram nos últimos anos.

Notícias relacionadas

BPI pagou 14,5 milhões para o Fundo de Resolução Europeu no ano passado

Quarta-feira, Janeiro 27th, 2016

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Dinheiro Digital

De acordo com a apresentação feita pelo presidente executivo, Fernando Ulrich, em 2015 o BPI contribuiu com 14,5 milhões de euros para o Fundo de Resolução Europeu, no primeiro ano dessa contribuição.

Já para o Fundo de Resolução Nacional foram 2,8 milhões de euros, abaixo dos 2,7 milhões de 2014, e 700 mil euros para o Fundo de Garantia Depósitos, abaixo dos 3,3 milhões despendidos no ano anterior.

Em 2015, o BPI pagou ainda 13 milhões de euros de Contribuição Extraordinária sobre o Setor Bancário, menos 2,6 milhões do que os 15,6 milhões de euros de 2014.

No total, o BPI contabilizou em 2015 31 milhões de euros com aquilo a que chamou ‘custos especiais’ na sua apresentação de contas aos jornalistas, acima dos 21,5 milhões de euros de 2014, sendo esse aumento justificado pela contribuição para o Fundo de Resolução Europeu.

Este fundo europeu foi criado no âmbito do novo enquadramento de resolução bancária, que entrou em vigor no início deste ano e que coloca a nível europeu a eventual resolução de algum grande banco, impondo ainda novas regras no caso dos resgates bancários.

Para financiar eventuais resgates bancários, desde 01 de janeiro de 2016 os bancos europeus, portugueses incluídos, passaram a contribuir para o fundo do Mecanismo Único de Resolução europeu, estimando-se que em dez anos esse fundo esteja dotado com 55 mil milhões de euros.

Por causa das resoluções do BES e do Banif, neste momento os bancos portugueses enfrentam uma dupla contribuição, pagando tanto para o fundo de resolução português como para o europeu.

Dinheiro Digital com Lusa

Marques Mendes: BdP cancela actual venda do Novo Banco e lança novo concurso até final do ano

Segunda-feira, Setembro 14th, 2015

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Negócios Opinião Marques Mendes

O comentador que revelou a resolução do BES antes do anúncio oficial, disse este sábado que o Banco de Portugal vai cancelar o actual processo de venda. Vai lançar um novo depois do teste de stress do BCE. E já há três interessados, diz.

Luís Marques Mendes considera que o Banco de Portugal vai cancelar o actual processo de venda do Novo Banco. Só depois de conhecidas as necessidades de capital decorrentes dos testes de stress, a revelar em Novembro, é que será lançado um novo concurso.

No seu espaço habitual de comentário na SIC, ao sábado, o ex-presidente do PSD declarou que o actual processo, que se encontra na fase das negociações exclusivas com a Fosun (havendo ainda o terceiro candidato, Apollo), vai ser cancelado.

“O Banco de Portugal fecha este concurso e abre [depois] um novo, embora com um prazo mais curto”, explicou Marques Mendes. Haverá um novo concurso, mas só depois de revelados os resultados dos testes de stress feitos pelo Banco Central Europeu, que irão detectar as necessidades de capital do Novo Banco. Não há data oficial mas os resultados deverão ser apresentados em Novembro.

Havendo um novo processo, poderão entrar novos concorrentes que não aqueles que estiveram no actual, iniciado em Dezembro do ano passado (que contou com 17 manifestações de interesse).

Segundo Marques Mendes, até há interessados em participar nesse eventual novo concurso: “Há pelo menos dois bancos de grande peso, europeus, designadamente de Espanha, interessados no Novo Banco”. Mas não só. “E pode haver até um grupo europeu que possa estar interessado em, comprando o banco, fazer uma fusão com o BPI”, acrescentou ainda.

O ex-presidente do PSD, que há um ano revelou antes do Banco de Portugal a decisão de aplicar uma medida de resolução ao BES, especificou que a decisão de deixar cair o actual processo se deve ao facto de haver incertezas relativas ao aumento de capital e não às eleições legislativas de 4 de Outubro.

O Banco de Portugal defende que continua a decorrer a quarta fase da alienação do Novo Banco, que passa pelas negociações exclusivas com as entidades que apresentaram as propostas vinculativas (já fracassaram as negociações com a Anbang; as conversas com a Fosun estão difíceis – a empresa chinesa tem-se mostrado contra aumentar o preço nominal a oferta; resta ainda a Apollo).

“Oportunamente, o Banco [de Portugal] divulgará o resultado do processo negocial que está a desenvolver para concretizar a venda do Novo Banco SA”, diz o regulador.

 

Apollo pode ter parceiro após compra de Novo Banco. BPI favorito

Quinta-feira, Agosto 6th, 2015

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Dinheiro Vivo

O BPI é a “eterna noiva”. Nos últimos 15 anos esteve envolvido em várias potenciais operações. Esteve quase para “casar” com o BES e com o BCP mas acabou por não acontecer. Nos últimos meses falhou mais três tentativas – compra do Novo Banco, OPA do CaixaBank e cenário de fusão com o BCP. Mas afinal o BPI poderá não ficar sozinho. O Dinheiro Vivo sabe que Apollo Global Management, um dos finalistas à compra do Novo Banco, admite vir a juntar um parceiro do sector financeiro, caso seja o vencedor. O BPI é de novo o favorito.

Apesar de concorrer atualmente sozinho, o fundo norte-americano de private equity tem como intenção poder juntar-se a um banco que já atue no mercado português. No entanto, isso apenas deverá acontecer após a venda. Seja o BPI, ou outro grupo, terá sempre de obter a aprovação do Banco de Portugal e do BCE.

O Dinheiro Vivo sabe que a ideia da Apollo passa por vender todos os ativos e sucursais no estrangeiro e focar-se exclusivamente em Portugal, de forma a tornar a instituição financeira no melhor banco das empresas. Nos planos dos americanos está ainda a manutenção da atual equipa de gestão, liderada por Eduardo Stock da Cunha.

O fundo disponível para investir no Novo Banco tem cerca de 14,5 mil milhões por alocar num horizonte temporal de pouco mais de cinco anos. Por isso, a expectativa é que a Apollo faça uma oferta elevada mas racional e apresente um plano de restruturação profundo, de forma a conseguir rentabilizar o investimento nos próximos cinco.

O Dinheiro Vivo sabe que a Apollo pretende dispersar o capital do Novo Banco em Bolsa; o parceiro da área da banca poderá juntar-se nessa altura ou até antes. Aliás, os norte-americanos olham para a entrada em Bolsa como uma oportunidade de reembolsar o fundo de resolução. Segundo o Dinheiro Vivo apurou, a ideia da Apollo é aproveitar o dinheiro arrecadado com a dispersão para reembolsar o fundo de resolução, de modo a garantir que não haverá perdas nem para o sector, nem para os contribuintes.

Propostas finais até sexta-feira

Apollo, Anbang e Fosun têm até amanhã para entregarem as propostas vinculativas finais sobre o Novo Banco. Apesar das três propostas serem bastante diferentes – tornando difícil a sua comparabilidade -, tendo por base as ofertas não vinculativas fala-se que os chineses do Anbang poderão apresentar a proposta mais elevada.

No entanto, tal como o Dinheiro Vivo já tinha noticiado, ainda existem algumas questões que preocupam os candidatos, e que serão determinantes para a forma como as propostas serão formuladas e até do preço apresentado.

Entre os pontos mais preocupantes estão resultados dos testes de stress, o acordo com fundo de resolução, assim como as imparidades futuras que poderão resultar do incumprimentos de créditos a grandes empresas e acionistas, créditos estes concedidos ainda pela administração de Ricardo Salgado. Estes créditos terão sido identificados nos testes de stress como tendo um elevado risco de incumprimento e, por essa razão, o BCE deverá exigir um aumento de capital de mil milhões de euros ao Novo Banco, segundo avançou a SIC.

Apesar de o preço ser um dos critérios mais importantes, no sector acredita-se que o Banco de Portugal dê também relevância ao projeto e estratégia apresentada por cada um dos candidatos.

Os chineses foram sempre apresentados como favoritos, até pelo preço. No entanto, as quedas da bolsa chinesa, assim como falta de experiência do sector, podem colocar algumas pressão nos grupos chineses.

Do montante total de 4,9 mil milhões injetados no Novo Banco, mil milhões de euros resultaram das contribuições para o Fundo de Resolução, enquanto 3,9 mil milhões de euros saíram da linha de recapitalização da troika para a banca.

Caso o Novo Banco seja vendido abaixo deste valor, será o fundo de resolução, ou seja, os outros bancos, a suportar as perdas. A expectativa é que não haja um impacto material para a banca.

Nuno Amado, CEO do BCP, disse esperar que as “contribuições normais, recorrentes e regulares, sejam suficientes para absorver esse impacto ao longo dos anos”. No entanto, só após a venda é que o Banco de Portugal deverá revelar como irá o sector acomodar as eventuais perdas.