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Santander desvaloriza oferta sobre Novo Banco e diz querer crescer organicamente

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Negócios

José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”: “finalizar em Outubro a integração do Banif”, comprado por 150 milhões de euros no ano passado, e ganhar quota de mercado.

O administrador-delegado do Grupo Santander, José António Álvarez (na foto), desvalorizou esta quarta-feira, 27 de Abril, a possibilidade de fazer uma oferta pelo Novo Banco, salientando que “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objectivo “é crescer organicamente”.

“No ano passado analisámos o Novo Banco e colocámos uma oferta não vinculativa. Seguimos os desenvolvimentos em Portugal, mas o nosso objectivo em Portugal é crescer de forma orgânica, o que estamos a fazer”, afirmou o responsável do banco espanhol, que opera em Portugal através do Santander Totta.

O crescimento orgânico refere-se ao aumento dos resultados dentro do actual perímetro do banco, ou seja sem recorrer a compras.

José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”, o primeiro dos quais “finalizar em Outubro a integração do Banif”, que o banco espanhol comprou por 150 milhões de euros no ano passado.

“Estamos nessa integração. O segundo tema é ganhar quota de mercado, no qual temos vindo a crescer”, acrescentou.

José António Álvarez foi ainda instado a comentar o decreto-lei aprovado recentemente pelo Governo português para as instituições de crédito – que permite levantar os bloqueios estatutários a alguns accionistas e que poderá permitir uma resolução para o conflito do catalão Caixabank no BPI -, mas escusou-se dizendo: “Desconheço a lei”.

No final de Janeiro, aquando da apresentação de resultados anuais, o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, repetiu que “o Banco Santander é um grande banco e está sempre atento a tudo aquilo que se passa à sua volta“.

“Naturalmente, olhará mais uma vez para o processo do Novo Banco. Mais do que isso, não posso dizer porque não sabemos quais os contornos do que vai haver, se estão enquadrados, ou não, na nossa política”, continuou, dizendo que aguarda a publicação do caderno de encargos.

A segunda tentativa de venda do banco que resultou dos activos saudáveis do BES após a resolução do Banco Espírito Santo, prevê um de dois caminhos: a dispersão em bolsa de parte do capital do Novo Banco ou a operação de venda directa da instituição a um investidor, uma opção em que os grupos espanhóis, como o Santander e o CaixaBank, são os candidatos mais fortes.

O objectivo é abrir o leque de opções e garantir o máximo de competitividade do processo, que tem de ter um desfecho até ao final de Julho, avançou em Março o Negócios.

Santander “segue desenvolvimentos” do processo de venda do Novo Banco

Quarta-feira, Abril 27th, 2016

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Dinheiro Vivo

José António Álvarez “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objetivo “é crescer organicamente”.

O administrador-delegado do Grupo Santander, José António Álvarez, desvalorizou hoje a possibilidade de fazer uma oferta pelo Novo Banco, salientando que “segue os desenvolvimentos em Portugal”, mas que o objetivo “é crescer organicamente”.

“No ano passado analisámos o Novo Banco e colocámos uma oferta não vinculativa. Seguimos os desenvolvimentos em Portugal, mas o nosso objetivo em Portugal é crescer de forma orgânica, o que estamos a fazer”, afirmou o responsável do banco espanhol, que opera em Portugal através do Santander Totta.

O crescimento orgânico refere-se ao aumento dos resultados dentro do atual perímetro do banco, ou seja sem recorrer a compras. José António Álvarez explicou que o Santander tem “dois objectivos em Portugal”, o primeiro dos quais “finalizar em outubro a integração do Banif”, que o banco espanhol comprou por 150 milhões de euros no ano passado.

“Estamos nessa integração. O segundo tema é ganhar quota de mercado, no qual temos vindo a crescer”, acrescentou. José António Álvarez foi ainda instado a comentar o decreto-lei aprovado recentemente pelo Governo português para as instituições de crédito – que permite levantar os bloqueios estatutários a alguns acionistas e que poderá permitir uma resolução para o conflito do catalão Caixabank no BPI -, mas escusou-se dizendo: “Desconheço a lei”. –

BCP: Salgueiro diz que Marcelo e Costa se “atravessaram” após contacto de Bruxelas

Sexta-feira, Março 25th, 2016

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Sábado

O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, revelou, no programa “Negócios da Semana” da SIC Notícias, que as instâncias europeias pressionaram o BCP a não reforçar o capital africano no banco. A intervenção terá sido feita através de um telefonema, o que levou o primeiro-ministro António Costa a agir.
“Isto foi comunicado ao banco [BCP], não sei se telefonicamente ou como é que foi, que mais africanos não é possível”, reproduziu o antigo banqueiro, que é apontado como porta-voz do movimento anti-espanholização da banca.
“Já sabemos qual é o banco que vai para lá. Por acaso é um banco espanhol. Mas é uma coincidência”, acrescentou Salgueiro. “Não posso falar do nome dos outros”. Questionado por José Gomes Ferreira se se trata do Sabadell, o responsável respondeu “não sei, não sei, não posso falar do nome dos outros”.

João Salgueiro sugere que Bruxelas considerava que a entrada de investidores europeus – potencialmente espanhóis – “eram favas contadas”, mas que o primeiro-ministro e o presidente da República “atravessaram-se” em relação a essa decisão.
Isto porque, tal como o Expresso noticiou no fim-de-semana, o Governo de António Costa autorizou Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP em contrapartida da saída da empresária angolana do capital do BPI. Esse movimento facilitaria o pagamento do valor remanescente dos 750 milhões de euros em CoCo’s injectados pelo Estado e que ainda estão no BCP, e a resposta à exigência do BCE de redução da exposição do BPI a Angola.
O Governo não vira a cara “a resolver os problemas que necessitam de ser resolvidos” no sistema financeiro. “Foi o que fizemos com o Banif, com o BPI e é o que faremos com o Novo Banco e com todos, porque há que virar a página da instabilidade sobre o nosso sistema financeiro”, afirmou Costa no sábado.

Esta quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa aplaudiu a actuação do Governo no sector garantindo quese justifica a “intervenção dos órgãos de soberania, em articulação com os reguladores” para defender a estabilidade do sistema financeiro.
“Mais vale prevenir que remediar, não pode haver ostracismos, não deve haver dependências – a pensar no princípio da independência nacional”, disse Rebelo de Sousa.
As declarações coincidem ainda com o surgimento de um manifesto contra a “espanholização” da banca portuguesa, depois de o Santander Totta ter comprado o Banif por 150 milhões de euros.
“Achei logo uma imprudência aceitarmos a forma como foi feito o resgate do Banif, porque vai fixar o paradigma dos casos seguintes”, considerou João Salgueiro no programa.

Patrões alarmados com espanholização da banca portuguesa

Sábado, Março 19th, 2016

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Diário de Notícias

Bruno Bobone lança repto a empresários nacionais: comprem ou criem um banco

Pode ser uma Aljubarrota dos empresários portugueses e da economia nacional. Os “patrões” do turismo, do comércio, dos serviços, da indústria, da agricultura, da construção e do imobiliário juntam-se ao Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas e Francisco Louçã, no alerta contra o risco do domínio da banca portuguesa por capitais espanhóis. “A acontecer esse predomínio”, salienta Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo, “é evidente que muitas das decisões estratégicas para o financiamento da economia nacional vão ser tomadas nesse país”.

Na origem da inquietação – tem sido objeto de alarme por parte de protagonistas de todos os quadrantes políticos, da esquerda à direita – estão as contas feitas sobre a concentração do sistema bancário exigida pela União Europeia. O Banco Central Europeu (BCE) quer a consolidação da banca ibérica, com o objetivo de criar bancos mais fortes, com menos risco de falir. Como a banca nacional não tem capacidade para comprar bancos espanhóis, o inevitável é o movimento inverso.

O resultado dessas somas, que passam por várias fusões, pode ter como consequência, a breve prazo, que a banca espanhola passe a controlar cerca de 60% dos balcões em Portugal. Na equação está a entrada de Madrid, através de bancos como o Santander (já o 4.º maior em Portugal, com a compra do Banif), o LaCaixa, o CaixaBank, na estrutura acionista, em posição maioritária, nos principais privados a operar em Portugal. O BPI, o Millennium BCP e na compra do Novo Banco, para a qual o Santander já manifestou interesse.

Para Bruno Bobone, presidente da Câmara de Comércio e Indústria – que acabou de recrutar o impulsionador da diplomacia económica, Paulo Portas, para a internacionalização das empresas – a solução existe e até pode ter dois caminhos. “Ou os empresários portugueses se juntam para comprar um banco que já exista ou criam um novo”, declara. Bobone sublinha que “a diversificação da origem do capital é uma mais-valia em qualquer economia e a concentração nunca é boa em nenhuma atividade, incluindo o setor bancário.” Assinala ainda que “a não existência de um banco privado de capital português é uma fragilidade do nosso sistema bancário”. Daí o repto que lança aos empresários: “Se não apresentarem uma alternativa, não devem criticar.”

António Saraiva, o “patrão dos patrões”, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) vê com “preocupação” as “alterações que estão a acontecer na banca” e não duvida de que terá “inevitáveis reflexos na concessão de créditos, principalmente às pequenas e médias empresas (PME). Numa economia em que a banca tradicional era o pilar que alavancava estas PME, pode acontecer, não digo um tsunami, mas uma grande tempestade na economia nacional”. António Saraiva olha, com esperança, para a Caixa Geral de Depósitos (CGD), a “joia da coroa na defesa da economia portuguesa, que pode melhorar o apoio ao tecido empresarial”. Se “conjugado com o anunciado, mas não concretizado, Banco de Fomento, pode ser uma saída”. Mas frisa: “Se esta questão é uma grande preocupação de responsáveis nacionais é preciso bater o pé em Bruxelas. É a nossa economia que está em causa!”

Também da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) a “preocupação é grande”, com o futuro da competitividade do setor, sendo Espanha um concorrente direto de grande capacidade. O presidente João Machado também vê na CGD uma possibilidade de conter a ameaça espanhola, mas para isso, sublinha, o banco público “teria de fazer uma revisão completa do seu papel e ter uma atitude diferente, de apoio às PME”.

Igualmente apreensivas estão as confederações do Comércio e Serviços e da Construção e Imobiliário. João Vieira Lopes, presidente da primeira, lembra que a “concentração da banca, independentemente da origem do capital, já limita muito mais os financiamentos”. Se “o peso maior for de um banco estrangeiro não é positivo e, para contrabalançar a CGD teria de ser um verdadeiro banco das PME e do investimento”, afirma. Vieira Lopes assume, porém, algum ceticismo quanto à capacidade de impedir a invasão espanhola. “Não vejo alternativa”, diz.

Reis Campos, o “patrão” das construtoras e imobiliárias, um setor já “muito afetado pela limitação dos créditos”, avalia o cenário como “muito preocupante”. “O que se espera é que seja assegurado que a banca cumpra de forma justa e equilibrada o seu papel”, assinala.

No seu encontro com o rei de Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa foi assertivo: “Nenhuma economia deve ter uma posição exclusiva noutra economia.”

Espanha não pode ter ‘posição exclusiva’ na banca, avisa Marcelo

Quinta-feira, Março 17th, 2016

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Ionline

Na véspera da sua primeira visita oficial a Madrid – esta quinta-feira, da parte da tarde, após estar de manhã com o Papa Francisco no Vaticano –, o Presidente da República deu uma entrevista ao diário espanhol ABC em que deixa antever que a posição dos grupos espanhóis na banca portuguesa é um dos assuntos que leva na agenda para o encontro com o Rei Felipe VI.

O risco de o Novo Banco e de o BPI passarem a ser controlados por bancos espanhóis tem sido criticado por alguns setores em Portugal. A solução, aliás, irá ao encontro dos desejos do Banco Central Europeu, de consolidação da banca na Península Ibérica.

Na entrevista de hoje ao ABC, Marcelo Rebelo de Sousa começa por salientar a existência de uma “cumplicidade fraternal” entre Portugal e Espanha que “é quase impossível de ser melhorada”. Mas, acrescenta, “a verdade é que pode  sempre ser melhorada”. Questionado pelo jornal, dá exemplos: “Gostaria que houvesse mais intercâmbio cultural, mais solidariedade entre as universidades e mais cooperação no mundo económico, especialmente no setor financeiro. Neste sentido, creio que Espanha teve, tem e terá uma posição muito forte, mas não pode ser exclusiva. Sei que Espanha compreende isto muito bem”.

Marcelo afirma ainda estar muito grato a Felipe VI por ter estado na sua tomada de posse como Presidente e lembrou que “há que ter em conta uma circunstância fundamental: a cumplicidade entre os dois países vai muito para além dos respetivos governos, é uma cumplicidade entre Estados”.

De resto, o Presidente reafirmou os seus objetivos, em termos internos, de ser um garante da estabilidade política em Portugal. Segundo descreve o diário espanhol, Marcelo “não terá vida fácil, pois cabe-lhe moderar o primeiro-ministro socialista António Costa, para que não se deixe arrastar pelos seus companheiros da esquerda radical”.

Antes de se deslocar a Espanha, Marcelo estará de manhã no Vaticano: “Porquê o Vaticano? Porque foi o primeiro a reconhecer a independência de Portugal em 1179. E mediatamente depois foi a Espanha”.

Quem tem medo dos bancos espanhóis?

Terça-feira, Março 15th, 2016

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Observador

A venda do Novo Banco abre a porta da consolidação na banca. Mais do que o controlo estrangeiro, o que está em causa é o domínio dos bancos portugueses pelo capital de um só país.

 

Ninguém o assume de viva voz, mas o debate sobre a nacionalização do Novo Banco e o aparente regresso do apetite espanhol pelos bancos portugueses, é mais do que uma coincidência.

A compra do Banif pelo Santander, em condições que fizeram desconfiar da isenção de Bruxelas, o reposicionamento de bancos espanhóis face ao Novo Banco e os episódios decisivos da novela BPI/Angola, servem de pano de fundo a uma discussão sobre o futuro da banca portuguesa, ou sobre a falta de futuro da banca portuguesa controlada por portugueses.

Os espanhóis são o problema? Os espanhóis podem ser um problema na medida em que se materializem cenários de controlo acionista estrangeiro dos bancos nacionais, concentrados na mesma nacionalidade. Ou seja, explica um ex-líder de um banco ouvido pelo Observador: A questão não é tanto os bancos serem todos controlados por capital internacional, na prática já há pouco capital português nos bancos privados, mas serem todos detidos por capital do mesmo país.

E que país é esse? O facto de ser a Espanha, o vizinho mais poderoso reforça os receios de quem vê uma ameaça à independência económica nacional nesta concentração.

Se as decisões estratégicas da economia e das empresas passarem para os bancos controlados a partir de Madrid, que prioridade será dada aos interesses dos agentes portugueses? Sobretudo se conflituarem com os interesses dos clientes espanhóis, mais poderosos.

Há ainda quem lembre que os grupos espanhóis foram muito mais rápidos a cortar no crédito às empresas portuguesa, sobretudo PME, quando a crise financeira portuguesa rebentou. Para já não falar no caso dos swaps, em que o Santander levou o Estado a um tribunal de Londres para provar a legalidade dos contratos que custam muitos milhões às empresas públicas.

São inquietações que vão buscar fundamento à proximidade geográfica e recordam os obstáculos políticos colocados a uma venda da TAP à Iberia, ao controlo da Portugal Telecom pela Telefónica e às ofensivas da banca espanhola sobre a portuguesa, sempre mal recebidas em Lisboa.

Em causa está sempre o mesmo receio: a transferência para Madrid dos centros de decisão, uma política já seguida por muitas multinacionais.

A preocupação já chegou a Belém, pela mão do novo inquilino. Segundo o semanário Expresso,Marcelo Rebelo de Sousa está “preocupado e a acompanhar de perto” o risco de desequilíbrios na banca, em particular no que toca ao xadrez acionista. O Presidente da República terá, mesmo, procurado definir com o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal uma orientação para evitar o domínio da banca nacional por um só país, que é o mesmo que dizer Espanha.

Para além da venda do Novo Banco e da clarificação acionista no BPI, que pode passar pela tomada de controlo do Caixabank, também o futuro do BCP estará a alimentar estas apreensões. O banco liderado por Nuno Amado está muito barato em bolsa e tem uma grande dispersão de capital, o que pode ser um convite a ofertas de compra, não necessariamente amigáveis. E o seu maior acionista, a petrolífera angolana Sonangol, está a perder músculo financeiro.

Da “invasão” chinesa ao risco espanhol

Há um ano, o Novo Banco também estava no mercado. Os interessados eram todos estrangeiros — o BPI chegou a fazer uma oferta, mas foi afastado no início do processo. Mas fora dos círculos tradicionais de defesa da presença do Estado na economia (os partidos à esquerda), a nacionalização do banco que resultou da resolução do Banco Espírito Santo não era um tema. Tirando algumas declarações pontuais de desconforto — a mais forte foi feita presidente do BPI, Fernando Ulrich, e num contexto de competição pelo Novo Banco — nada parecia travar a escalada do investimento chinês na economia portuguesa.

A onda parecia imparável. Em três anos, apanhou aEDP, REN, Fidelidade, Luz Saúde, Banco Espírito Santo de Investimentos (atual Haitong).

O favoritismo dos grupos chineses — Anbang e Fosun — na compra do Novo Banco era de tal ordem que os jornais chegaram a fazer contas à quota que o capital made in China teria na banca nacional, 15%, sobretudo depois de o Santander, o único banco que chegou a entrar na corrida, ter sido afastado após ter apresentado uma oferta considerada baixa.

“Ser um porta-aviões chinês da Europa e para a Europa não é o destino que eu mais goste em Portugal (…) Faz-me muita impressão que haja tanto investimento chinês em setores estratégicos da economia. Choca-me”.
Fernando Ulrich, 15 de abril de 2015

“Ser um porta-aviões chinês da Europa e para a Europa não é o destino que eu mais goste em Portugal (…) Faz-me muita impressão que haja tanto investimento chinês em setores estratégicos da economia. Choca-me. (…) O investimento chinês vem comprar as melhores empresas que nós fizemos, mas não vi os seus contributos para o futuro (…)”, afirmou Fernando Ulrich.

“Que comprem o Novo Banco pelos preços que se têm falado porque tornará menores as perdas a assumir pelo fundo de resolução e levará a que, mais tarde ou mais cedo, se perceba que os outros bancos valem o dobro ou o triplo, porque não têm riscos de litigância e têm balanços limpinhos”, acrescentou o presidente do BPI.

A profecia acabou por se realizar. Fosse por causa dos esqueletos escondidos no armário do Novo Banco, que apresentou em 2015 prejuízos de quase mil milhões de euros, pela turbulência na economia e na bolsa ou, até, pelas reservas das autoridades europeias, o interesse chinês arrefeceu muito e a venda acabou frustrada.

Um Novo Banco com um balanço mais leve, depois da passagem da dívida sénior para o BES, ainda que com prejuízos avultados, volta ao mercado. E desta vez não há tantos chineses no horizonte. O que se sabe sobre o processo de alienação do Novo Banco indica a preferência do Banco de Portugal por investidores que combinem a garantia de idoneidade com a ausência de riscos reputacionais relacionados com a sua origem.

Os vendedores procuram, sobretudo, compradores que passem no crivo mais exigente do Banco Central Europeu, que se sintam confortáveis com as novas e intrusivas regras de supervisão europeia e que tenham mostrado interesse ou concretizado operações recentes no mercado europeu. Por outro lado, os grupos chineses travaram o ímpeto aquisitivo, mais concentrados em digerir as compras recentes e a resolver os problemas dentro de casa.

As apostas parecem ir agora todas para os grupos do outro lado da fronteira, onde, apesar de um resgate bancário ou talvez graças a ele, os grandes bancos têm a casa arrumada e parecem estar prontos para voltar a crescer.

Portugal é visto como a continuação do mercado doméstico e, com a exceção do BBVA, os grandes bancos espanhóis mantiveram a presença. A fragilidade da banca nacional, e dos seus acionistas não espanhóis, até funciona como um fator adicional de atração. Santander, BBVA, CaixaBank, Popular, são os nomes que circulam.

O estranho caso do banco resolvido e comprado num fim de semana

Revelador da maior atenção espanhola aos bancos portugueses foi o processo de venda do Banif. E por duas ordens de razão. Antes de mais, porque houve dois grupos a apresentar ofertas pelo negócio bancário: O Santander, que nunca deixou de olhar para as oportunidades em Portugal, e o Popular, que acabou por desistir na fase final do processo, já em quadro de resolução.

Mas talvez a principal explicação esteja no comportamento seguido por Bruxelas no thrillerbancário que conduziu à resolução do Banif. Ou nas leituras que em Portugal se fizeram das opções da Comissão Europeia.

Opções ou imposições? As regras europeias e as limitações ou proibições vindas de Bruxelas parecem ter determinado a solução de venda do pequeno banco português ao grande banco espanhol (o Santander). Permitindo, até, condições (incluindo ajudas de Estado) que foram negadas ao Banif e a outros potenciais compradores. Se todas as ofertas feitas pelo banco incluíam ajudas de Estado adicionais, porque foram chumbadas em nome de um modelo que parece ter acabado por custar mais ao Estado e aos contribuintes?

A narrativa do favorecimento do Santander é ainda apoiada num email enviado ao ministro das Finanças, Mário Centeno, por Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, e citado pelo Expresso.

“A chamada com o Santander correu muito bem e a Comissão Europeia vai aprovar. (…) Há outras ofertas pelo Banif, que, de acordo com a Comissão, não respeitam as regras de União Europeia das ajudas de Estado e que, por isso, não podem seguir em frente. (…) A Comissão Europeia foi muito clara neste aspeto, por isso, recomendo que nem percam tempo a tentar fazer passar essas propostas. (…) O Santander está a comportar-se de maneira muito profissional e tem um departamento legal excelente”.

Foi a suspeita da preferência europeia pelo Santander que alimentou por cá a tese de que a venda do Novo Banco iria seguir o mesmo caminho. Afinal trata-se de um banco de resolução e qualquer solução está fortemente balizada pelas regras e vontades europeias. E se Bruxelas privilegia uma estratégia de consolidação a nível ibérico, quem a pode liderar se não os bancos saudáveis de maior dimensão, os espanhóis?

O eurodeputado do CDS, Nuno Melo, foi um dos primeiros a mostrar a desconfiança portuguesa, pelo menos em público. “O processo de venda do Banif ao Santander foi acelerado? Confirma-se que existiu uma intenção deliberada de se fomentar a consolidação da banca espanhola, através da absorção de bancos portugueses?”.

Esta foram questões colocadas à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu, no final de janeiro, até agora sem resposta. Num tom mais conclusivo, o deputado comunista João Ferreira, refere: “O Estado funciona, assim, como o depositário dos prejuízos e agente de limpeza, para entrega do banco, livre de riscos e prejuízos, ao Santander, quando podia e devia assumir o controlo público do Banif, assegurando a sua gestão ao serviço dos interesses nacionais”.

Para João Ferreira, a pergunta que se impõe é, no entanto, outra: “Inviabilizou a Comissão Europeia toda a qualquer solução que passasse pela manutenção do Banif na esfera pública? Em caso afirmativo, com que fundamento o fez?”.

A nacionalização da banca é um dos temas tradicionais da esquerda, mas desta vez os partidos que apoiam esta via são um apoio fundamental para o governo socialista. E as suas vozes ouvem-se mais alto agora do que no passado recente. A primeira exigência clara de nacionalização do Novo Banco feita ao executivo de António Costa veio do Bloco de Esquerda e estava associada ao processo de resolução do Banif.

Manter o banco em mãos públicas era uma das condições enunciadas por Catarina Martins, a coordenadora do Bloco de Esquerda, para votar a favor do Orçamento Retificativo que materializou a solução do Banif. O caderno de encargos do BE foi rejeitado e a primeira decisão polémica do “governo de esquerda” acabou por ser viabilizada pelo seu maior inimigo: o PSD de Pedro Passos Coelho absteve-se, afinal não estava isento de culpas no caso Banif.

Mas outra das condições de Catarina Martins, aparentemente recusada, acabou por ser recuperada pelo mais improvável dos protagonistas. O Banco de Portugal acabou por aplicar a receita defendida pelo Bloco para a recapitalização do Novo Banco, impondo perdas aos credores seniores, um cenário que surpreendeu tudo e todos. Terá sido porventura coincidência.

Controlo estrangeiro ou controlo espanhol?

Mas há outra coincidência que convence menos. A emergência mais à direita do debate sobre a necessidade de estudar a nacionalização do Novo Banco parece alinhada com o regresso do fantasma espanhol à banca nacional. Ninguém o assume, mas em surdina ouvem-se vozes de preocupação que recordam traumas do setor bancário português, que envolveram o Santander: o caso Totta Banesto no início dos anos 1990 e o negócio Champalimaud, na viragem do milénio.

No primeiro caso, o governo português (então liderado por Cavaco Silva) conseguiu recuperar o controlo nacional do Totta junto do Santander, que depois de assumir a gestão do Banesto, cedeu ao ultimato de Lisboa e vendeu a António Champalimaud. Para a história ficou a frase de Emilio Botín, então líder do do banco espanhol. “As instituições permanecem, mas os governos mudam. E o Santander voltará a Portugal”.

No segundo episódio, e quando confrontado com a venda dos bancos de Champalimaud ao Santander, o executivo de António Guterres usou a Caixa e a vontade de crescer do BCP para impor a divisão do grupo por portugueses e espanhóis: O BCP ficou com o Banco Pinto e Sotto Mayor, a Caixa ficou a com a seguradora Mundial Confiança e uma participação no BCP, e o Santander ficou com o Totta e o Crédito Predial Português. Hoje, uma tal engenharia financeira seria impossível. Não há capital. Nem no Estado, nem nos privados.

“As instituições permanecem, mas os governos mudam. E o Santander voltará a Portugal”.
Afirmação de Emilio Botín em 1995, quando aceitou vender o Totta a António Champalimaud

O discurso da sucessora mantém a mesma prioridade estratégica dada ao mercado português. “Continuamos a apostar no mercado português e estamos ampliando as nossas operações”, afirmouAna Botín, quando passou por Portugal, em setembro do ano passado. E depois do Banif, que permitiu ao banco espanhol conquistar uma posição muito forte nos Açores e na Madeira, o Santander posiciona-se para comprar o Novo Banco.

Um dos principais concorrentes nesta disputa pode ser o CaixaBank, diretamente ou via BPI. O banco catalão poderá finalmente assumir o controlo do BPI, para ultrapassar o bloqueio acionista que o opõe a Isabel dos Santos. Qualquer um destes cenários — Santander Totta+Banif+Novo Banco ou BPI (CaixaBank)+Novo Banco — resultará na criação do maior banco privado português, controlado por um dos grandes bancos espanhóis.

Sobram um BCP ainda com problemas para resolver e o maior acionista — a Sonangol — a perder fôlego com a queda do petróleo, um Montepio a sanear o balanço e com barreiras a investidores privados e um BPI que ninguém sabe como será depois de abril. Com ou sem Angola? Com ou sem Isabel dos Santos? Ou mais espanhol do que nunca? E, claro, a Caixa. Mas o banco público está impedido por Bruxelas de ser protagonista num processo de consolidação.

Solução nacional tem de ser solução pública?

É com este cenário em cima da mesa que Vítor Bento relançou o debate. O primeiro presidente do Novo Banco defendeu, em entrevista à Antena 1 e Diário Económico: “Considerar o Novo Banco como parte do património público num processo de consolidação do sistema bancário é um cenário que vale a pena pensar. (…) Vamos ser agentes passivos da nacionalização e ficar com a banca toda dominada a partir do estrangeiro? Ou queremos ser protagonistas, gerando consolidação interna, criando a possibilidade de haver, pelo menos, uma grande instituição a nível nacional?”

Manuela Ferreira Leite, antiga líder do PSD, retoma o tema dias depois. No comentário na TVI, a ex-ministra das Finanças defendeu, também, a ponderação da hipótese de nacionalizar, para salvaguardar a presença portuguesa no setor.

“Não conheço nenhum país que se desenvolva e que cresça sem ter uma banca nacional forte. Por isso, nós temos que olhar para o nosso sistema financeiro dessa perspetiva. (…) Se estivermos com um sistema financeiro totalmente dependente de estrangeiros e não de nacionais, eu digo que temos uma perda significativa e visível da nossa soberania.”

“Não conheço nenhum país que se desenvolva e que cresça sem ter uma banca nacional forte. Por isso, nós temos que olhar para o nosso sistema financeiro dessa perspetiva. (…) Se estivermos com um sistema financeiro totalmente dependente de estrangeiros e não de nacionais, eu digo que temos uma perda significativa e visível da nossa soberania.”
Manuela Ferreira Leite, ex-líder do PSD e antiga ministra das Finanças

Vítor Bento veio mais tarde clarificar o sentido das suas palavras num artigo de opinião publicado no Expresso. O economista afastou o foco do Novo Banco e recolocou a discussão na consolidação bancária e nos desafios políticos que o tema levanta. E fez ainda questão de “sublinhar que o capital estrangeiro — onde se engloba naturalmente o espanhol — é muito bem-vindo e deve ser acarinhado”.

A única alternativa aos estrangeiros é o Estado? Para alguns, a resposta é sim. No atual contextonão há investidores portugueses, com capital ou crédito, ainda que com vontade, para assegurar o controlo de um banco de grande dimensão. E quem, à direita, acena com o perigo do controlo estrangeiro, admite que só há um refúgio seguro para evitar o domínio estrangeiro do setor bancário: a mão protetora do Estado.

E é essa mão que os partidos de esquerda insistem em tentar agarrar. O discurso dos partidos Comunista e Bloco de Esquerda em defesa da nacionalização do Novo Banco está em crescendo. Mais contido, o PS admite apenas estudar a possibilidade se o Novo Banco não for vendido.

Em entrevista ao Público, Mariana Mortágua avisouque a divergência com o partido socialista sobre esta matéria poderá vir a ser um golpe fatal na aliança que sustenta o governo de António Costa, caso este insista na operação.

Mas se a consolidação do setor bancário parece inevitável, a venda do Novo Banco será o primeiro passo, há também na banca quem defenda uma abordagem mais pragmática.

Não é necessariamente verdade que a única solução para manter o centro de decisão nacional passe pelo Estado ser o acionista. No mundo em que vivemos, os centros de decisão nacional não passam só pelo capital, mas passam sobretudo pela gestão. O capital não tem nacionalidade, os gestores sim, sublinha um alto responsável do setor. E há bancos com gestão nacional (casos do BCP e do BPI) que podem participar no concurso para o Novo Banco em parceria com outras instituições.

E como se responde à ameaça de controlo dos grandes bancos privados portugueses por capital estrangeiro de um só país? Assegurando que a venda do Novo Banco é um processo competitivo e público e o mais aberto possível para atrair o maior número possível de interessados e de nacionalidades. Ao contrário do que aconteceu no Banif, em que a venda teve a pressão da urgência.

Não vender é uma opção viável?

O discurso do executivo ainda não mudou. Ainda numa recente entrevista à Bloomberg, o ministro das Finanças, Mário Centeno, reafirmou a intenção de vender a instituição em 12 meses. O cenário alternativo pode até nem ter cobertura legal, pelas regras europeias. Essa foi a convicção já manifestada pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

“A nacionalização não é um processo fácil, e eu diria mesmo que é muito difícil de pôr em execução. No quadro de uma resolução, existe uma disposição que permite, em condições excecionais – que ponham em causa a estabilidade do sistema financeiro -, uma nacionalização que tem que ser aprovada pela Comissão [Europeia]”, afirmou Faria de Oliveira à Lusa.

“Mas isso já aconteceu. O que foi objeto de resolução foi o BES e essa não foi a opção tomada”. O Novo Banco é hoje um banco de transição e “nacionalizar um banco de transição no novo quadro [a partir de 1 de janeiro] não é possível sem uma resolução prévia do Novo Banco”, o que imporia perdas adicionais aos acionistas (neste caso o Fundo de Resolução) e aos obrigacionistas que ainda não foram afetados. Este processo, conclui, “é quase impossível de ser concretizado”.

Para o presidente da APB, a venda orientada para o encaixe será o cenário que melhor defende os interesses do sistema bancário, que será chamado a assumir a diferença entre o valor injetado na instituição e o preço final. Ainda assim, gostaria que fosse possível encontrar “um comprador que seja muito credível e que permita uma configuração do sistema bancário português onde em qualquer circunstância exista um peso significativo da banca nacional.

E Bruxelas deixa?

Faria de Oliveira admitiu que “existirá alguma capacidade negocial sobre esta matéria”. Uma nacionalização do Novo Banco só poderia ser defendida por Portugal como uma alternativa menos má se estivesse em causa uma liquidação da instituição que comprometesse a estabilidade financeira. É um cenário admissível, depois de esgotado o prazo limite previsto nas regras de resolução para vender o banco, cinco anos ou 2019.

Ainda assim, envolveria negociações complexas em Bruxelas, não só com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, mas também ao mais alto nível, no Conselho Europeu (onde se sentam os líderes de governo).

O compromisso de venda do Novo Banco foi assumido junto da Comissão Europeia no processo de resolução do Banco Espírito Santo, em agosto de 2014, e foi contrapartida do plano de reestruturação aprovado no final do ano passado pela temível DG Comp, a autoridade europeia da concorrência, que chumbou as ajudas de Estado ao Banif. Bruxelas até aceitou alargar o prazo para a alienação, mas irá certamente contrariar a pretensão contrária. Sobretudo se estiver em causa o reforço da banca pública, através do Novo Banco.

Aliás, num cenário hipotético de nacionalização, o Novo Banco não poderia ser consolidado com a Caixa, à luz das regras de ajudas de Estado. Isto porque o banco público está impedido de adquirir ou absorver novas instituições até reembolsar o financiamento que recebeu do acionista Estado. Foi esse o principal travão à integração do Banif na Caixa.

E se não se conseguir vender o Novo Banco?

Já aconteceu uma vez, quando havia muitos interessados, e pode voltar a acontecer. A ambição dos vendedores do Novo Banco é claramente menor do que há um ano. Nuvens negras no setor bancário português, desconfiança internacional em relação à economia, à segurança política e, até, regulatória e as más notícias com grande eco internacional — a transferência de dívida sénior para o BES e os prejuízos de 981 milhões de euros em 2015 — complicam, e muito, o negócio.

Todos os cenários estão a ser considerados. Amissão possível que se coloca à equipa liderada pelo ex-secretário de Estado, Sérgio Monteiro, é a deconcluir uma transação com privados, ainda que parcial e gradual. Será uma espécie de terceira via entre a venda total e a manutenção na esfera pública. Em cima da mesa estão todas as operações, desde a alienação de uma participação minoritária, a exclusão de ativos do perímetro de venda, passando por vários investidores e, até, a dispersão em bolsa.

Vender uma parte será preferível a reconhecer um segundo fracasso neste dossiê. Além de que os responsáveis portugueses acreditam que, assim, será mais fácil convencer as instituições europeias a aceitar mais um adiamento na solução final e privada. As regras europeias transpostas para o regime geral das instituições de crédito abrem a latitude a várias possibilidades.

“O Banco de Portugal pode determinar a alienação parcial ou total de direitos e obrigações de uma instituição de crédito objeto de resolução, que constituam ativos, passivos, elementos extrapatrimoniais e ativos sob gestão da instituição, e da titularidade das ações ou outros títulos representativos do seu capital social”, estabelece o Regime Geral das Instituições de Crédito.

“O Banco de Portugal pode determinar a alienação parcial ou total de direitos e obrigações de uma instituição de crédito objeto de resolução, que constituam ativos, passivos, elementos extrapatrimoniais e ativos sob gestão da instituição, e da titularidade das ações ou outros títulos representativos do seu capital social”.
Regime Geral das Instituições de Crédito
Em defesa de uma solução parcial, as autoridades nacionais podem sempre argumentar que a resolução do Banco Espírito Santo foi o primeiro grande teste ao regime europeu de resolução para o qual a banca portuguesa serviu de cobaia. Mas, para que a estratégia resulte, é preciso que Governo e Banco de Portugal falem a uma só voz. Fora e dentro de Portugal.

Novo Banco: venda direta ou ida para a Bolsa em aberto

Terça-feira, Março 8th, 2016

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Expresso

Banco de Portugal espera que a segunda tentativa de venda aconteça até junho. Em cima da mesa está a hipótese de o banco ser alienado em parcelas

O segundo concurso para a venda do Novo Banco vai ser mais flexível do que a primeira tentativa de venda que fracassou em toda a linha. Segundo apurou o Expresso, o processo de venda, anunciado em janeiro, deverá estar concluído até junho e poderá ser concretizado através da colocação em bolsa e/ou através de venda direta, com a entrada de um acionista do sector financeiro.

O objetivo é tornar o banco mais apetecível num processo mais competitivo e otimizar a receita daí decorrente. A favor da venda este ano está o facto de o Novo Banco ter sido recapitalizado através da transferência de cinco emissões de dívida sénior para o BES ‘mau’, no valor de 1985 milhões de euros, o que permitiu à instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha reduzir as necessidades de capital no curto e médio prazo. O rácio de capital ficou nos 13,6%.

São dois caminhos – encontrar um comprador estratégico da banca ao mesmo tempo que se abre a porta ao mercado de capitais – que serão trilhados em simultâneo. Este modelo passa pela divulgação de um caderno de encargos que apenas será público no final de maio. Antes disso a equipa de assessores farão uma ronda por vários países e investidores internacionais, nomeadamente fundos britânicos e norte-americanos. Estas apresentações servem para contactar informalmente o mercado, informando os investidores sobre os impactos da reestruturação que está a ser feita, e com isso atrair o maior número de potenciais interessados possível. Entre eles, além de fundos, estão os bancos espanhóis Santander Totta (que acabou de comprar o Banif em dezembro por 150 milhões de euros) e La Caixa (o maior acionista do BPI), que são vistos com bons olhos pelo Banco Central Europeu (BCE), que tem apelado a uma concentração do mercado bancário, e pela Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia (DGCom). Estes dois bancos já foram sondados pelo Banco de Portugal como noticiou o Expresso.

Existe a possbilidade de vender apenas o negócio bancário doméstico (à semelhança do que aconteceu com o Banif) e desinvestir em outros ativos não estratégicos e créditos em incumprimento. Está também em aberto a venda em separado da seguradora do grupo, a GNB Seguros. Para isso será criado um novo veículo (side bank) para acomodar estes ativos a vender. Mas este cenário irá depender da prospeção de mercado que será feita antes de ser tomada uma decisão final. Uma coisa é certa, sem tempo para finalizar a reestruturação do banco já aprovada pela DGCom, quaisquer que sejam os pressupostos da venda assentarão sempre em cenários de crescimento e execução conservadores.

Recorde-se que o Novo Banco pode ser vendido até agosto de 2017, mas nesse caso, se nada for feito entretanto, o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha terá de ser vendido na sua totalidade e não por áreas de negócios. É uma corrida contra o tempo, numa altura em que o desconto que o mercado está a fazer à banca é elevado.

ENCAIXE DA VENDA SERÁ PARA REDUZIR A DÍVIDA PÚBLICA

A receita da venda do Novo Banco como um todo, em partes ou através da sua colocação em bolsa será consignada para reduzir a dívida pública. Descontado o valor que está a penalizar a banca europeia e atendendo a que o Novo banco tem custos de reestruturação pela frente e não deu ainda provas do seu resultado, as contas dos potenciais compradores não cobrem nem de perto nem de longe os 4,9 mil milhões já injetados no Banco.

Santander e La Caixa sondados para Novo Banco

Sábado, Fevereiro 27th, 2016

Citamos

Expresso

Novo Banco é para vender

O PCP veio falar em nacionalização. O PS ainda admitiu, mas o Governo garante que é mesmo para “recolocar no mercado”

O Governo garante que há de encontrar a melhor solução para o Novo Banco. Com calma e sem se deixar afetar por quaisquer pressões, venham de onde vierem. Na semana em que o primeiro administrador do Novo Banco (Vítor Bento) admitiu a nacionalização, e o PCP aproveitou o debate do Orçamento do Estado para pôr a hipótese em cima da mesa, fonte oficial do Governo assegura ao Expresso: “Tratámos de obter a prorrogação do prazo de venda até agosto de 2017 para não estarmos pressionados a decidir.

Há várias soluções, escolheremos a que melhor sirva os contribuintes e o financiamento das empresas portuguesas.”

O ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, corrobora esta informação: “A estratégia de venda apressada é errada, mas é preciso encontrar melhores condições de mercado, no que pode ajudar o caminho de estabilização da economia. O Novo Banco é um banco público, com natureza de transição e a tarefa é recolocá-lo no mercado”, afirma ao Expresso.

Já o deputado socialista Eurico Brilhante Dias introduz outra perspetiva: “Não sei qual seria a solução jurídica para fazer uma nacionalização”, adverte. “O Novo Banco está sob supervisão do BCE, ao abrigo do mecanismo de resolução, se tiver que ter capitalização, esta será pública e em bail in”, acrescenta. O facto de João Galamba ter admitido a hipótese de nacionalização (em último recurso) até é, na sua opinião, um bom argumento para impedir propostas de compra ao desbarato. Um banco não pode ser vendido a qualquer preço, acrescenta, no que é a posição prevalecente no PS.

O sector financeiro, por sua vez, não vê como seria possível a nacionalização. Isto porque a medida de resolução aplicada ao BES dividiu o banco em dois, e o Novo Banco é um banco de transição cujo fim é a sua venda total ou por áreas de negócio. “A nacionalização do Novo Banco teria de ser muito bem negociada e só seria eventualmente aceite pelas instâncias europeias se a segunda tentativa de venda fracassasse”, afirmou ao Expresso fonte do sector financeiro. Além disso, adverte outra fonte: “A haver uma nacionalização, a questão que se coloca é se os €3,9 mil milhões injetados no antigo BES, em agosto de 2014, através de um empréstimo garantido pelo Tesouro ao Fundo de Resolução, teriam de ser pagos aos bancos que contribuem para o mesmo.” E se assim fosse “isso poderia ter um impacto negativo na dívida e no défice”(Economia P8).

Luísa Meireles com Isabel Vicente lmeireles@expresso.impresa.pt

Vieira Monteiro: “Santander olhará novamente para o Novo Banco”

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

Citamos

Dinheiro Vivo

Presidente do Santander Totta revela que irá entrar na corrida pelo Novo Banco e adianta que valor oferecido pelo Banif foi igual

“Não me pronuncio sobre o Governador do Banco de Portugal”, afirmou António Vieira Monteiro quando questionado sobre a possível saída de Carlos Costa. Sobre o Novo Banco e a possível participação do Santander na corrida à compra, o presidente do Santander Totta disse que “o banco Santander é um grande banco e está sempre atento a tudo aquilo que se passa à sua volta, naturalmente olhará mais uma vez para o processo do Novo Banco”.

“Mas não sabemos os contornos que vai haver, se se enquadram na nossa política. Estamos numa primeira fase e na escolha dos consultores e só depois apresentado o cadernos de encargos e aí diremos se estamos interessados ou não. Vamos ver, acompanharemos com certeza o processo”, garantiu. Sobre os 283 milhões de euros que surgiram nas contas do Santander espanhol relativos ao impacto do Banif, o responsável explicou: “qualquer aquisição quando é efetuada gera uma diferença contabilística que é a reserva de aquisição. Depois da provisão acima de 300 milhões no nosso balanço essa diferença foi de 283 milhões. Mas também entraram 4 mil milhões de euros ponderados pelo risco. Quando entram no balanço os ativos ponderados pelo risco e a reserva de fusão, o rácio baixa 100 basis points.

Tivemos de alocar capital novo para a aquisição. São movimentos contabilísticos”. Compra do Banif “Não costumamos adquirir maus negócios, mas não direi que atualmente tivemos conhecimento de algumas situações que não julgaríamos que estivesse no balanço do Banif”, começou por explicar Vieira Monteiro. Questionado sobre as críticas de Jorge Tomé, o banqueiro não quis comentar. “Não comento, durante muitos anos o Banif apresentou prejuízos e chegámos a esta situação, que foi determinada pelas autoridades. O passado não é nosso mas o futuro é. Entramos num processo competitivo de venda, apresentámos uma proposta e no dia em que a apresentamos foi-nos indicado que essa proposta não existia e teríamos de apresentar uma nova proposta”, explicou o banqueiro. Vieira Monteiro esclareceu que a proposta de compra “era diferente da proposta inicial, na qual estava dependente de uma due diligence onde iríamos aprofundar a situação do banco. Pediram-nos uma nova proposta firme com mais risco e daí o valor foi diferente”.

“Foi-nos dito: os senhores compram e os riscos inerentes são vossos. Sabendo o que sabemos hoje se calhar não teríamos feito a proposta”, disse o banqueiro revelando que quanto ao valor “é o mesmo”.

Não temos nenhum benefício dado pelas autoridades”, garantiu Vieira Monteiro. “Não existe qualquer ajuda de Estado ao Santander Totta na aquisição, a ajuda foi para o Banif SA antes da compra. Nunca estamos disponíveis para entrar em operações com ajudas de Estado. Corremos todos os riscos com esta operação e entendemos provisionar 316 milhões de euros em ativos”, explicou. “Quem nos pede a alteração da proposta é o Fundo de Resolução. Encontrámos situações, a nível de crédito e de outras. Na devida altura serão especificadas”, adiantou o presidente do Santander Totta. Questionado sobre essas situações encontradas pelo Santander Totta na contas do Banif, o banqueiro explicou que “as situações inesperadas é um risco totalmente nosso. Na outra proposta podíamos fazer uma due diligence ou sair do negócio se não nos interessasse, neste caso fizemos uma proposta vinculativa sem qualquer garantia”.

“A partir da meia-noite de segunda-feira o risco passou a ser da conta do Santander Totta, qualquer coisa inesperada ou qualquer custo é da nossa responsabilidade, não há qualquer título de garantia do Estado português ou compensação financeira futura. A folga é para erros matemáticos, se um ativo não tinha um determinado valor haverá um acerto, mas o risco da atividade económica ou o mau comportamento dos ativos e passivos é da responsabilidade do Santander Totta”, salientou. Vieira Monteiro foi mais taxativo: “Não aceitamos nem podíamos aceitar um negócio com ajudas estatais”. Os ativos e passivos do Banif “já estão no balanço”, garantiu o responsável. “Demos o preço justo pelo Banif”. Consolidação vai continuar “Processo de consolidação é uma realidade e vai-se dar, também em Portugal, porque vai trazer bancos mais capitalizados e dar mais confiança a todas as entidades”, acrescentou Vieira Monteiro.

Fora da corrida pelo BarclayCard

O presidente Santander Totta revelou ainda que “não concorremos pelo BarclayCard”

Racionalização ainda decorre

António Vieira Monteiro revelou ainda que a “racionalização ainda está a decorrer e o processo do Banif ainda não está fechado”, acrescentado que “fechámos 19 agências e saíram 25 pessoas no ano passado”. “Vieram todos os funcionários do Banif, 1100 trabalhadores. Nós entendemos que deveríamos assumir o fundo de pensões de todos os empregados do ex-Banif, de 2500 pessoas”, rematou. O banqueiro revelou que “ainda estamos a avaliar a estrutura de balcões, do Santander e do Banif, tal como a analisar o número de trabalhadores. Haverá saídas normais e há pessoas que vão ser utilizadas para outras áreas. Estamos a analisar tudo, a racionalizar a rede e aproveitarmos o máximo possível as pessoas. Mas estendemos aos trabalhadores do Banif os aumentos que os trabalhadores do Santander tinham recebido”.

Consolidação e concorrência

“Não me pronuncio sobre saídas de gestores de outros bancos, mas o sistema financeiro tem passado por problemas nos últimos anos”, disse Vieira Monteiro quando questionado sobre o estado de saúde do sector. O banqueiro defendeu que “deve ser feito rapidamente no sistema é capitalizar-se e ser rentável para enfrentar o futuro com maior confiança. A consolidação vai ter de existir, é uma realidade que resulta também das imposições regulatórias, que levam a maiores requisições de capital, além de uma concorrência exterior cada vez maior, com a entrada de grandes operadores de telecomunicações. A resposta do sistema bancário tem de ser forte e para isso é preciso estar capitalizado”. “Regulação, novos tipos de concorrência, investimento futuros, para isso é preciso um sistema financeiro forte”, concluiu.

Confiança no Orçamento de Estado

“Tenho confiança na execução orçamental e num orçamento que responda às necessidades do país”, acrescentou. Partilhe esta notícia   –

BPI vai analisar Novo Banco

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2016

Citamos

Económico

O presidente-executivo do BPI disse esta quarta-feira que o banco vai analisar a oportunidade de compra do Novo Banco, no âmbito do processo de venda que está a ser retomado pelo Banco de Portugal. Mas acrescentou que falta ainda conhecer o caderno de encargos da operação.

“O novo processo de venda deverá iniciar-se com alguma brevidade e nós analisaremos as condições”, disse Fernando Ulrich.

Questionado se a redução da exposição ao mercado ngolano, por imposição do BCE (e que o BPI pretende fazer por via de uma cisão dos activos africanos), coloca pressão sobre o BPI para encontrar outras oportunidades de investimento, Ulrich mostrou-se cauteloso. “Não me sinto pressionado a olhar para outros mercados. A diversificação em banca é mais difícil do que se possa pensar”, disse.

“A internacionalização em banca de retalho e banca comercial tem muito que se lhe diga”, acrescentou, lembrando os investimentos mal-sucedidos que vários bancos nacionais e estrangeiros realizaram nos últimos anos.

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