Arquivo para a categoria ‘BESI’

Ex-diretor de risco do BES desconhecia venda de dívida da ESI a clientes

Quinta-feira, Abril 20th, 2017

Citamos

Notícias ao Minuto

O ex-coordenador do Departamento de Risco Global do BES disse hoje em Tribunal que só soube posteriormente que a dívida do papel comercial da Espírito Santo Internacional (ESI) tinha sido vendida a clientes do banco e da ESAF.

Carlos Calvário começou hoje a ser ouvido como testemunha, arrolado pela defesa de Amílcar Pires e Ricardo Salgado, no âmbito do julgamento que decorre, desde 6 de março, no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), em Santarém, dos pedidos de impugnação das contraordenações aplicadas pelo Banco de Portugal (BdP) ao ex-administrador e ao ex-presidente do BES (no valor de 600.000 e 4 milhões de euros, respetivamente) por terem permitido que fossem comercializados títulos de dívida da ESI junto de clientes do BES e da Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF) apesar de conhecerem a situação líquida negativa da ESI.

Com quatro dias agendados para a sua inquirição, Carlos Calvário está a prestar depoimento por videoconferência, circunstância autorizada pelo TCRS depois de o ex-quadro do BES ter invocado o agendamento em cima da hora numa altura em que se encontra em fase de procura ativa de emprego e alegado a despesa inerente à deslocação a Santarém quando se encontra desempregado.

Os mandatários dos arguidos recorrentes ainda alegaram “irregularidade” por a decisão de audição da testemunha por videoconferência ter acontecido sem terem sido consultados previamente e a violação do direito de defesa, por considerarem que fica inviabilizada a confrontação com documentos constantes no processo.

Contudo, a juíza do TCRS invocou a celeridade que se impõe ao processo e a existência dos meios técnicos para a apresentação dos documentos.

Na sessão de hoje, Raul Soares da Veiga, mandatário de Amílcar Pires, “contextualizou” o que está em causa no processo, sublinhando que enquanto o BdP tem o entendimento de que o processo se destina exclusivamente ao apuramento da responsabilidade dos dois arguidos na colocação de dívida da ESI primeiro junto de clientes da ESAF (em 2012 e 2013) e depois do BES, a defesa pretende saber se o banco tinha ou não implementados os sistemas adequados de gestão e controlo de risco.

As questões do primeiro dos quatro dias em que Carlos Calvário prestará testemunho (estão agendadas sessões para quinta, sexta e segunda-feira próximas) foram centradas no esclarecimento sobre mecanismos de controlo interno, de uma forma geral, e, no caso concreto da dívida da ESI, se o banco avaliou ou não o risco da sua colocação junto de clientes.

Carlos Calvário afirmou que só soube que tinha sido vendida dívida do papel comercial da ESI a clientes do BES e da ESAF no âmbito da ETRIC (inspeções da ‘troika’ ao sistema), em cujo plano de recuperação trabalhou a partir de março de 2014, lembrando que deixou a coordenação do Departamento de Risco Global (que ocupava desde 2004) em agosto de 2012, altura em que foi para o departamento criado para a reestruturação de empresas.

Depois da resolução do BES, Carlos Calvário ainda exerceu funções no Novo Banco, a partir de outubro de 2014, como diretor do departamento técnico imobiliário, encontrando-se atualmente desempregado, disse.

As sessões do julgamento das impugnações apresentadas por Ricardo Salgado e Amílcar Pires às contraordenações aplicadas pelo BdP decorrem de segunda a quinta-feira no TCRS, em Santarém.

Ramalho cria equipe para gerir soluções de capital do Novo Banco e quer comissão executiva

Quinta-feira, Setembro 22nd, 2016

Citamos

Económico

O CEO do NB quer alterar os estatutos e escolher um modelo de governance que terá uma equipa de administração não executiva e uma comissão executiva, esta composta por sete elemento. Veja aqui a carta de António Ramalho aos colaboradores do Novo Banco na integra.

O novo presidente do Novo Banco dirigiu uma carta aos colaboradores. De todas as mensagens destacamos que a administração do banco está a trabalhar com o Fundo de Resolução para uma solução accionista que passará por uma entrada em bolsa (IPO).

O maior accionista, neste cenário, poderia ser quem ficasse com mais acções (um figurino accionista semelhante ao dos CTT), parece transparecer das palavras do CEO do Novo Banco.

Outra novidade na carta é a proposta, que tem de ser feita ao BCE, de um modelo de governação “ajustado às novas exigências regulatórias”, que passa pela “convergência das exigências de capital com os outros bancos nacionais e ibéricos”. Nesse sentido já foram apresentados novos estatutos ao BCE, e já foram fixados os perfis que completarão selectivamente a Comissão Executiva e aguarda-se a definição dos administradores independentes.

Segundo o Económico sabe a proposta consiste em ter sete administradores executivos (à semelhança da CGD).

Fontes admitem que José Bettencourt que entrou no Novo Banco pelas mãos do anterior presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha como chefe de gabinete do presidente, possa passar a administrador, mas a informação não foi confirmada.

Finalmente um terceiro ponto importante na carta, é que o side bank pode ser transferido para um side bank de toda a banca nacional, de que há muito se fala no governo e Banco de Portugal. “Somos o banco mais avançado na separação conceptual dos seus activos supérfluos através do conceito de “side Bank” o que nos permitirá beneficiar de quaisquer instrumentos que, no futuro, se poderão criar para endereçar esse problema comum à Banca portuguesa e europeia”, diz António Ramalho.

A notícia da carta foi avançada pelo Jornal de Negócios.

Eis a carta obtida pelo Económico na integra:

“Faz hoje um mês que tomei posse como CEO do Novo Banco. Desde essa data elegi três prioridades como essenciais a esta fase do nosso Banco.

A primeira assenta numa nova responsabilidade na gestão do capital que envolve o Management na resolução do problema accionista que ainda nos afecta. Nesse sentido, continuamos a apoiar intensamente o Fundo de Resolução na venda directa, estamos em vias de terminar os trabalhos essenciais à preparação de um eventual IPO para Institucionais e criámos uma equipe designada CPO-Capital Project Office para desenvolver e apresentar várias soluções de capital, alternativas e complementares ao processo em curso.

A segunda, mais lenta mas mais importante no longo prazo, consiste no estudo de uma solução comercial para o futuro, que terá, na digitalização e na relação de proximidade aos clientes, os seus maiores desafios. Menos visível já existe uma equipe a trabalhar alguns temas específicos para assegurar o arranque rápido desta iniciativa.

A terceira consiste na definição de um modelo de governação ajustado às novas exigências regulatórias, assegurando a convergência das exigências de capital com os outros bancos nacionais e ibéricos e o aumento da nossa reputação bancária essencial à nossa actividade comercial. Nesse sentido já foram apresentados novos estatutos ao BCE, já foram fixados os perfis que completarão selectivamente a Comissão Executiva e aguarda-se a definição dos administradores independentes.

Todas estas iniciativas realizadas num mês têm sido explicadas em diversas reuniões na rede de retalho, na rede private e na rede empresas. Mas neste mês também se notou uma renovada atenção dos actuais concorrentes à compra directa do nosso Banco, bem como um novo interesse por novos investidores potenciais em ambiente de IPO.

Não existe assim, objectivamente, nenhuma razão, para que o Banco não encontre um ou vários accionistas neste processo de venda em curso, nesta ou noutra modalidade. Temos todos consciência que esta operação, sendo realizada da melhor forma possível nas actuais condições de mercado, contribuirá, quer para um futuro desafiante para o nosso Banco, quer para a estabilização de todo o sistema financeiro português.

Sabemos que ainda surgem esporadicamente, ainda que de forma cíclica, ideias vagas sobre a divisão do Novo Banco. Mas, hoje tais ideias não são credíveis porque estão desactualizadas.

E estão desactualizadas porque o Banco tem estado na primeira linha do desinvestimento em actividades não “core”.

Primeiro pelo exemplo da venda de activos como o BESI ou mais recentemente os processos de venda do NB Asia e BES Venetie, que contribuem para recentrar o Banco na sua actividade doméstica antecipando o que outros tenderão a fazer.

Segundo, porque somos o Banco mais agressivo na venda de património imobiliário estimando atingir vendas superiores a 500 Milhões de Euros ainda neste ano.

Terceiro, porque somos o banco mais avançado na separação conceptual dos seus activos supérfluos através do conceito de “Side Bank” o que nos permitirá beneficiar de quaisquer instrumentos que, no futuro, se poderão criar para endereçar esse problema comum à Banca portuguesa e europeia.

 

 

Produtos financeiros do ex-BESI com dívida da PT liquidados a 1 de Agosto

Sábado, Julho 30th, 2016

Citamos

Negócios

Os produtos estruturados montados pelo antigo BESI terão vencimento antecipado na próxima segunda-feira. A entidade não revela valores.

O Haitong (antigo BESI) informou o Novo Banco que 17 produtos complexos que têm como um dos activos base obrigações da antiga Portugal Telecom serão pagos antecipadamente a 1 de Agosto. Este reembolso ocorre após a Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA) ter considerado que o pedido de recuperação judicial da Oi, entidade que garante as obrigações da antiga PT, constituir um evento de crédito.

A maior parte destes produtos trará perdas aos investidores, que dependerão das características de cada um desses instrumentos. No entanto o comunicado divulgado à CMVM pelo Novo Banco, a informar da notificação que recebeu do Haitong em relação a estes produtos, não menciona o valor dos reembolsos. Informa apenas que “os titulares dos produtos financeiros complexos identificados poderão contactar o Novo Banco através dos meios habituais, a fim de verificar quais as condições aplicáveis ao seu produto”.

O valor do reembolso irá variar de produto para produto. Por exemplo, os detentores de “credit linked notes” que têm apenas obrigações da antiga PT como activo subjacente perdem mais de 80%. Esse tipo de produtos pagarão um valor equivalente a 20% do valor nominal dos títulos, preço que foi definido num leilão da ISDA, em que dez bancos internacionais tentaram chegar a uma indicação do valor a recuperar com a dívida da antiga PT. A esse montante do reembolso serão ainda deduzidos os custos com a desmontagem desses instrumentos.

No entanto, existem também “credit linked notes” em que além de obrigações da antiga PT estão incluídos títulos de outras cotadas como activo base. Nesses casos, poderá haver um corte correspondente ao valor que as obrigações da ex-PT tinham nesses cabazes. No entanto, pode haver produtos em que apesar do incumprimento da Oi tenham como uma das condições não infligirem perdas após uma das entidades ter sido alvo de um evento de crédito.

A Deco Proteste já havia aconselhado aos detentores destes produtos estruturados a “verificar a documentação do produto, porque as consequências de um evento de crédito na PTIF não serão iguais para todos”.

Além do BESI, também o Deutsche Bank montou produtos deste tipo, tendo previsto reembolsar um desses instrumentos a 3 de Agosto.

São estes os produtos que serão pagos antecipadamente:

Comprou obrigações ao Novo Banco e agora perdeu tudo

Domingo, Janeiro 10th, 2016

Citamos

Notíicias ao Minuto

O Banco de Portugal decidiu que, afinal, as obrigações sénior passam para o BES. Isto significa que os obrigacionistas perdem tudo o que investiram.

A TVI avança este sábado que muitos obrigacionistas foram agora lesados, uma vez que as obrigações passaram do banco bom para o banco mau e foram vendidas pelo próprio Novo Banco a clientes particulares.

Isto significa que aqueles que investiram em obrigações não serão reembolsados.
Em entrevista à estação televisiva de Queluz de Baixo, um cliente, emigrante na Alemanha, conta que comprou as obrigações diretamente ao Novo Banco, mas com a decisão do Banco de Portugal (BdP) de as transferir para o BES perdeu tudo.

“Eu não me fui aconselhar a uma loja de chineses, estava no Novo Banco e um subdiretor aconselhou-me a comprar obrigações de 2018 porque eram muito mais seguras e ao mesmo tempo estava a assegurar uma rentabilidade de 4,75%”, relata.

O cliente não imaginava que estas obrigações seriam transferidas para o banco mau. Segundo o cliente, o Novo Banco disse só lamentar ter perdido o dinheiro. “Disse só: ‘lamentamos ter perdido o seu dinheiro’ e ponto final. Estamos a falar de umas centenas de milhares de euros”, acrescenta.

Todas as obrigações sénior tinham ficado garantidas no Novo Banco, mas um ano e meio depois da resolução com a queda do BES, o BdP decidiu que afinal há cinco séries destas obrigações que passavam para o banco mau.

“Eu regressei mais tarde a Portugal acreditando que no meu país encontraria gente mais honesta e que não encontraria tantos ladrões”, afirma, revelando que perdeu tudo e que tem só a mala com que veio da Alemanha. “Simplesmente não tenho dinheiro”, remata.

Quanto custou afinal a resolução do BES?

Sexta-feira, Novembro 20th, 2015

Citamos

Público opinião Ricardo Cabral

O BES, no final de 2013, era um banco com activos de 80,6 mil milhões de euros, 7 mil milhões de euros de capitais próprios e dívida subordinada de cerca de mil milhões de euros. A 11 de Junho de 2014, realizou um aumento de capital de cerca de mil milhões de euros.

Depois de perdas de 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2014, anunciadas no final de Julho, o Conselho de Administração do Banco de Portugal determina a aplicação de uma resolução bancária a 3 de Agosto de 2014.

A resolução bancária impôs perdas totais aos accionistas, a credores subordinados e a alguns outros credores do BES (e.g., depósitos de administradores do BES).[1] Em Dezembro, mas retroactivamente a 3 de Agosto de 2014, como se sabe, o Banco de Portugal passou do Novo Banco para o BES, uma dívida de 834 milhões de euros a uma sociedade da Goldman Sachs. Além disso, o Fundo de Resolução injectou 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco que, contabilizando os itens acima descritos, foi criado com cerca de 72,3 mil milhões de euros de activos.

Note-se que cerca de 2,8 mil milhões de euros desses activos eram (e são) créditos fiscais concedidos pelo erário público, por conta dos prejuízos registados pelo BES. E que aparentemente em resultado dos prejuízos registados em 2014 pelo BES, o Novo Banco pôde contabilizar mais 1,8 mil milhões de euros de activos por impostos diferidos, quando comparado com o que o BES detinha no balanço no final de 2013.

Ou seja, num banco com 80,6 mil milhões de euros de activos a 31 de Dezembro de 2013, estima-se que a reestruturação do passivo do BES, os créditos fiscais e a injecção de capital no Novo Banco somem cerca de 17 mil milhões de euros.[2]

Não será essa a dimensão das perdas contabilísticas registadas por privados, erário público e Fundo de Resolução no processo que culminou com a resolução do BES. Mas é possível estimar as perdas a partir desse valor: se, por exemplo,  o Novo Banco tivesse sido “vendido” por 3 mil milhões de euros — como pretendia o Banco de Portugal e, note-se, não foi possível privatizar o Novo Banco a esse preço -, as perdas contabilísticas desses agentes económicos teriam sido de cerca de 14 mil milhões de euros (=17–3).

Desde Agosto de 2014, o Novo Banco tem vindo a reduzir a dimensão do seu balanço, nomeadamente vendendo activos, perdoando créditos (aceitando reestruturar a dívida de clientes) e ainda reduzindo as suas disponibilidades líquidas. Os activos do Novo Banco diminuem 10,5 mil milhões de euros entre Agosto de 2014 e Junho de 2015. Mas desse montante, cerca de 6,8 mil milhões de euros explicam-se por um perdão de dívida ao BES Angola de perto de 3 mil milhões de euros e o restante por redução do dinheiro em caixa, esta última expectável dada a normalização da situação do Novo Banco.

E agora, apenas 15 meses passados sobre a data da resolução, um teste de stress do Banco Central Europeu indica que o Novo Banco não tem capital suficiente e que têm de ser injectados mais 1,4 mil milhões de euros de capital nesse banco.

Como é que se pode compreender que após a realização, a 3 de Agosto de 2014, da resolução bancária especial no BES, que culminou numa reestruturação (redução) dos passivos do BES e em perdas globais que provavelmente estarão em torno dos 14 mil milhões de euros, seja agora necessária nova injecção de capital no Novo Banco de cerca de 1,4 mil milhões de euros?

Um erro de 10% nas contas?

“Lesados” do Novo Banco regressam aos protestos esta quarta-feira

Quarta-feira, Novembro 4th, 2015

Citamos

Negócios

Era suposto terem protestado aquando da tomada de posse do novo Executivo mas não aconteceu. Contudo, esta quarta-feira, 4 de Novembro, os detentores de papel comercial voltam a mostrar o desagrado pela falta de solução.

A associação que reúne clientes do Banco Espírito Santo que adquiriram papel comercial de sociedades do Grupo Espírito Santo marcou um protesto para esta quarta-feira, 4 de Novembro. É um regresso depois de um período de paragem, que esteve em vigor devido ao período eleitoral.

“Este protesto, será realizado quarta-feira, dia 4 de Novembro, na sede do Novo Banco, Lisboa”, indica um e-mail enviado pela Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) esta terça-feira, 3 de Novembro, em que é anunciado o evento para as 11:30.

 

Os investidores neste título de dívida de curto prazo (muitos dizem que não sabiam o que estavam a subscrever, tendo confiado na oferta feita pelo gestor de conta) relembram que ainda não foram reembolsados pelo dinheiro aí colocado, apesar de o Novo Banco e o Banco de Portugal terem, durante a resolução e também nos meses que se seguiram àquela decisão, terem assegurado o seu reembolso.

 

“Este comportamento por parte de uma instituição bancária, ainda por cima tutelada por uma entidade estatal, é inaceitável. Contribui para o descrédito do próprio banco e de todo o sistema financeiro, descrédito esse que está a minar todo o sistema bancário que se quer credível e funcionante”, indica o comunicado da associação liderada por Ricardo Ângelo.

No comunicado, a AIECP critica o facto de o Novo Banco estar, alegadamente, a processar clientes por prejudicarem a imagem da instituição financeira e ainda ataca o facto de o valor das aplicações em papel comercial surgir nos extractos bancários dos clientes, apesar de tal dinheiro não poder ser aplicado. A associação tem defendido a implementação de um processo de arbitragem para a resolução deste diferendo.

 

Desde 25 de Setembro, pelo menos, que a associação não organizava um protesto, para “manter a via institucional aberta” com qualquer um dos partidos que estava a concorrer nas últimas legislativas. “Não estamos na campanha a fazer qualquer tipo de acção contra os partidos políticos”, disse então Ricardo Ângelo com uma garantia: “Seja qual for o governo, lá estaremos”. Desde sexta-feira que Passos Coelho lidera um novo Executivo ainda que o acordo à esquerda ameace a sua durabilidade.

Neste momento, ainda não há qualquer solução para os mais de 2.000 clientes do Novo Banco que, aos balcões do antigo Banco Espírito Santo, adquiriram papel comercial da ESI, da Rioforte e da ES Property , num total de cerca de 500 milhões de euros. Os reguladores Banco de Portugal e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários só se entendem na necessidade de todos os investidores reclamarem as suas dívidas no Luxemburgo, onde estão em insolvência as sociedades emitentes ESI e Rioforte.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Francisco Cary é o novo presidente da seguradora do grupo Novo Banco

Terça-feira, Novembro 3rd, 2015

Citamos

Económico

Francisco Cary era vice-presidente da administração do Banco Espírito Santo Investimento (BESI).

O administrador do Novo Banco Francisco Cary foi designado como novo presidente do Grupo Novo Banco (GNB) Seguros Vida até ao final do mandato em curso (2012-2015), substituíndo no cargo Rui Leão Martinho, informou esta segunda-feira a seguradora.

A antiga BES Vida, que mudou o seu nome e elegeu novos membros para os órgãos sociais no final do ano passado, manteve na altura na liderança Leão Martinho, que é também o bastonário da Ordem dos Economistas.

Em comunicado enviado pela companhia à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a seguradora dá conta desta mudança na sua presidência.

Francisco Cary era vice-presidente da administração do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), entidade entretando vendida pelo Novo Banco à chinesa Haitong, tendo transitado para a administração do Novo Banco no primeiro trimestre deste ano.

No banco liderado por Eduardo Stock da Cunha, Cary ficou com a tutela da gestão de ativos, do Banco Best, da área internacional e da ES Ventures. O responsável ficou ainda como o representante do Novo Banco na administração da Portugal Telecom (PT).

Nova acusação une Salgado e Ricciardi contra Banco de Portugal

Segunda-feira, Outubro 19th, 2015

Citamos

Negócios

O Banco de Portugal tem responsabilidades nas perdas que o BES teve no BESA, concordam Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, na reacção à nova acusação do supervisor. Ambos fazem duras críticas a Carlos Costa.

A segunda acusação do Banco de Portugal contra os antigos administradores do BES uniu Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi nas críticas à entidade liderada por Carlos Costa. Apesar de desavindos, ambos os primos …

Ricciardi diz que “estava ao alcance” de Carlos Costa afastar Salgado

Sábado, Outubro 17th, 2015

Citamos

Económico

José Maria Ricciardi, único dos banqueiros ligados ao BES ainda em funções, reage às acusações de ontem do Banco de Portugal. Instituição devia ter afastado Salgado em Dezembro de 2013, defende.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal é hoje visado num comunicado assinado por Pedro Reis, advogado de José Maria Ricciardi. “O Banco de Portugal faz, lamentavelmente, uma gestão política dos processos contra-ordenacionais, visando camuflar as responsabilidades que lhe são atribuíveis, de forma a esconder que estava ao seu alcance determinar o afastamento do Dr. Ricardo Salgado, desde Dezembro de 2013, conforme o meu representado preconizava”, lê-se no comunicado enviado às redacções por Pedro Reis, advogado de José Maria Ricciardi.

Este comunicado surge depois de ontem à noite ter sido revelado que o Banco de Portugal (BdP) acusou Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi, Rui Silveira, Joaquim Goes e 11 outros ex-gestores do antigo Grupo Espírito Santo (GES) num processo de contraordenação relativo aos elevados financiamentos concedidos pelo BES ao BES Angola. O advogado de José Maria Ricciardi defende assim ser “absolutamente falso” que o seu representado “tivesse tido conhecimento de irregularidades praticadas no BESA nos exercícios anteriores a 2014”.

Na mesma carta Pedro Reis lê-se que “não é legítimo” que a instituição presidida por Carlos Costa “se arvore em acusador e justificeiro, atingindo todos os membros da Comissão Executiva do BES por igual, relativamente a uma área de actuação em que as responsabilidades que lhe são inerentes não podem ser silenciadas”, aponta o primo de Ricardo Salgado, actual presidente do Haitong Bank, ex-BESI.

“Não cabia ao meu representado o pelouro do relacionamento com o BESA, nem foi alguma vez chamado a intervir na actividade dessa subsidiária”, escreve o advogado de Ricciardi, explicando que “o BESA tinha órgãos sociais próprios e entidades fiscalizadoras a quem competia a responsabilidade da avaliação das boas práticas de gestão bancária”, e que “os dados oficiais transmitidos através dos órgãos institucionais do BESA, não suscitavam, em termos objectivos, quaisquer dúvidas ou incertezas sobre a legalidade, rentabilidade e integridade da ‘governance'”.

“O meu representado não participou em nenhuma Comissão Executiva do BES desde Abril de 2013 até Junho de 2014, que aprovasse, reforçasse ou renovasse qualquer linha de crédito a BESA”, lê-se no comunicado a que o Económico teve acesso.

Na parte final de um documento com 10 pontos, Pedro Reis escreve que “o Banco de Portugal sabia há muito que não era possível proceder no quadro interno do BES a uma avaliação de risco sobre as linhas de crédito concedidas ao BESA, dada a inexistência de informação relevante sobre a sua carteira de crédito, tendo-se conformado com essa realidade que lhe foi dada a conhecer pela entidade supervisora em Angola”.

Num comunicado com várias acusações, lê-se que “as imputações formuladas contra o meu representado estão longe de corresponder à verdade, omitindo o Banco de Portugal de forma grave o conhecimento de que dispunha sobre a impossibilidade de avaliação da carteira de clientes do BESA, dado tais elementos serem considerados confidenciais pelo Banco Nacional de Angola, tendo o Banco de Portugal reconhecido a legitimidade desta instituição, ao atribuir-lhes poderes para sustentar a supervisão”.

Ricciardi entre os ex-gestores do GES acusados pelo Banco de Portugal

Sexta-feira, Outubro 16th, 2015

Citamos

Observador

Novo processo de contra-ordenação do Banco de Portugal, relacionado com o BESA, visa Salgado, Morais Pires, entre vários outros ex-gestores do GES.

José Maria Ricciardi é um dos ex-gestores do Grupo Espírito Santo (GES) alvo de contra-ordenações num novo processo lançado pelo Banco de Portugal que está relacionado com créditos ao BES Angola(BESA). Ricciardi, que se manteve como presidente do banco de investimento BESI após o colapso do grupo e que continua como líder dessa instituição – que agora se chama Haitong Bank, após ser comprada pelos chineses da Haitong –, é o único dos 16 gestores acusados que manteve a idoneidade e está em funções na banca nacional.

O Diário Económico noticia esta manhã, citando o documento da acusação a que teve acesso, que os visados são Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi, Rui Silveira, Joaquim Goes e 11 outros ex-gestores do antigo Grupo Espírito Santo (GES). Em causa estão elevados financiamentos concedidos pelo BES ao BES Angola. O Banco de Portugal identificou falhas em matéria de ‘compliance’, auditoria interna, gestão de riscos, informação de gestão e reporte de controlo interno, escreve a publicação financeira.

 Os ex-gestores receberam esta semana o documento da acusação e têm um prazo de 30 dias para apresentarem a sua defesa.

Acusações de dolo a Salgado e outros

O antigo presidente executivo do banco, Ricardo Salgado, o seu braço-direito para a área financeira, Morais Pires, e o responsável pela auditoria do banco, Rui Silveira, são os que enfrentam um maior número de contra-ordenações: quatro. O Jornal de Negócios diz que estes são acusados de ser autores, a título doloso, de três contra-ordenações e uma infracção especialmente grave.

A elementos como José Manuel Espírito Santo, António Souto, Jorge Martins, José Maria Riccardi, Joaquim Goes, João Freixa e Stanislas Ribes, é imputada a autoria das três contra-ordenações relativas aos sistemas de gestão, controlo e avaliação de risco.