Arquivo para a categoria ‘Crédito mal parado’

Novo Banco põe à venda 1,75 mil milhões de euros em malparado

Segunda-feira, Setembro 17th, 2018

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Eco

O banco liderado por António Ramalho deu início ao processo de venda uma grande carteira de crédito em incumprimento. O valor total ascende a 1,75 mil milhões de euros.

Novo Banco está no mercado a vender malparado. A instituição liderada por António Ramalho deu início ao processo de venda de uma carteira de ativos em incumprimento avaliada em 1,75 mil milhões de euros, de acordo com fontes citadas pela Debtwire. Os interessados vão poder colocar ofertas em outubro.

A Debtwire refere que a carteira que será colocada à venda, a maior de sempre em comercialização no mercado nacional, consiste em duas tranches de títulos de empresas. A primeira totaliza um montante de 550 milhões de euros com empréstimos de 54 grandes empresas, enquanto a segunda tranche, de 1,2 mil milhões, refere-se a malparado de mais de 62 mil empresas.

O banco, que contactado não faz comentários, contratou a Alantra, a KPMG e o Morgan Stanley para comercializarem estes créditos em incumprimento. A instituição liderada por António Ramalho já estará, dizem fontes próximas do processo, a contactar potenciais investidores, aguardando que as propostas comecem a ser apresentadas em outubro.

O banco comprometeu-se com o Banco de Portugal em ir “limpando” o balanço, processo que passa não só pelo reconhecimento de perdas, que explicam os resultados negativos que tem registado, mas também pela venda desses créditos para tentar recuperar algum valor. Os últimos dados apontam para um rácio de cobertura do malparado de 63%.

Na primeira metade deste ano, o Novo Banco registou prejuízos de 231 milhões de euros. No final do ano passado, o resultado líquido foi negativo em 1.395 milhões, um valor que obrigou o Fundo de Resolução à injeção de cerca de 800 milhões no capital do banco, com o Estado a emprestar cerca de 400 milhões ao Fundo.

Recorde-se que o Novo Banco conta com uma espécie de almofada de capital do Estado, que se comprometeu a amparar os maus resultados da instituição aquando da alienação de 75% do capital ao fundo americano Lone Star. Assim, sempre que os rácios de capital do Novo Banco baixarem da fasquia de 12,5%, é ativado o Mecanismo de Capital Contingente, através do qual o Estado garante, sempre que necessário, empréstimos para o Fundo de Resolução se financiar.

Para 2018, ficou estipulado com o Governo que o empréstimo do Estado não pode exceder 850 milhões de euros. E prevê-se que o Fundo de Resolução venha a ser chamado novamente em 2019, mas com uma intervenção mais reduzida face a uma expectativa mais positiva em relação àquilo que serão os resultados do Novo Banco este ano.

 

Novo Banco. Lone Star prevê aceleração da redução do malparado

Sábado, Maio 13th, 2017

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Dinheiro Vivo

Aceleração da redução do malparado e da estabilização do financiamento permite retorno mais rápido à concessão de crédito

O plano de negócios do Lone Star para o Novo Banco prevê uma aceleração da redução do crédito malparado e da carteira de imóveis do banco de transição. Além disso, o fundo norte-americano antecipou o calendário previsto para a estabilização do financiamento do banco, o que permite mais rapidez no aumento da concessão de novo crédito, noticia a edição desta quarta-feira do Jornal de Negócios.

O Lone Star foi o escolhido para ficar com 75% do Novo Banco (25% fica no Fundo de Resolução), prevendo uma injeção de capital de mil milhões de euros mas o negócio está dependente de várias aprovações: de Bruxelas (onde o plano de negócios já foi entregue), do BCE e ainda de uma troca de obrigações que terá de gerar um ganho de 500 milhões de euros e que é voluntária – se os obrigacionistas não aceitarem a troca a operação cai por terra. O Fundo de Resolução terá sempre uma palavra a dizer sobre os ativos vendidos porque estes estão sob alçada do mecanismo de partilha de risco acordado na venda (em que o Fundo de Resolução tem poder de veto sobre determinados ativos que o Lone Star queira vender). A venda de ativos e a estabilização e aceleração do financiamento permitirá ao Novo Banco libertar capital e reforçar a aposta na concessão de crédito mais cedo do que o previsto. O novo dono do Novo Banco vai ainda reduzir pessoal e fechar balcões mas os valores de redução ainda não foram divulgados.

O que se passa nas “três peças” da banca de que fala Marcelo?

Sábado, Março 18th, 2017

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Público

O Presidente da República falou da estabilidade do sistema financeiro e disse que o Novo Banco, o malparado e a supervisão são as “três peças” que quer ver solucionadas. Afinal, em que pé estão estes dossiers?

Novo Banco, malparado e supervisão são estes os três dossiers que o Presidente da República disse que queria ver resolvidos e que teriam desenvolvimentos nos próximos meses.

O Governo tem acenado com vitórias no sector financeiro, lembrando que assim que entrou em funções resolveu o problema do Banif e conseguiu aprovar uma recapitalização da Caixa Geral de Depósitos com Bruxelas, sem que esta fosse considerada ajuda de Estado. Mas, além disso, ainda há pelo menos mais três nós a desatar no sistema financeiro, e o Presidente faz questão de os salientar.

A venda do Novo Banco (banco bom do BES) já andou para trás e para a frente. As últimas informações que vieram a público são as de que o Governo está a finalizar as negociações com a Lone Star e já só espera pela decisão do Banco Central Europeu (BCE). As partes queriam um acordo até esta sexta-feira e, nas últimas semanas, o Governo e o Banco de Portugal (BdP) têm intensificado as negociações com a Direcção Geral de Concorrência (DGComp) da União Europeia para assegurarem que o Estado (directamente), um veículo por ele indicado ou o Fundo de Resolução sejam autorizados a deter 25% do Novo Banco.

Esta negociação acontece numa altura em que Sérgio Monteiro, que liderava no Fundo de Resolução a venda do Novo Banco, saiu de funções passando a consultor externo.

Supervisão bancária

No que toca à supervisão bancária, há várias mudanças quer em termos legislativos, quer ao nível das nomeações.

A nível legislativo, o Governo prometeu que durante os próximos meses vai apresentar uma alteração à “arquitectura institucional” da supervisão. Na prática, Mário Centeno quer retirar ao Banco de Portugal as competências enquanto autoridade de resolução bancária (deixando de decidir sozinho pela resolução de um banco) e enquanto autoridade de supervisão macroprudencial (que supervisiona os riscos económicos e financeiros para a estabilidade do sistema como um todo).

O processo ainda vai ser demorado uma vez que antes da apresentação de qualquer proposta de lei, o Governo vai lançar o relatório pedido a Carlos Tavares, ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e deixá-lo em debate por pelo menos três meses. Entretanto, no Parlamento, CDS e BE apresentaram propostas sobre a supervisão, e o PS prepara um pacote legislativo centrado na relação entre a banca e os clientes. O processo demorará meses e foram até já levantados algumas problemas para a transição de modelo.

Quanto às nomeações, o processo continua embrulhado entre o que é sugerido pelo governador do Banco de Portugal e o que é a vontade do Ministério das Finanças. O braço-de-ferro tem acontecido nas últimas semanas com vários nomes propostos pelo governador chumbados pelo executivo. Na primeira volta, o Governo manifestou dúvidas sobre um dos três nomes propostos por Carlos Costa para o Conselho de Administração do banco central. Mas não ficaria por aqui: a segunda volta da polémica centrou-se nas características dos administradores. Na última semana, o assunto chegou a Belém. Marcelo está a tentar moderar o processo e aliviar a tensão entre Governo e Banco de Portugal.

Crédito malparado

A solução para o crédito malparado na banca está mais atrasada. O Governo chegou a falar numa solução até ao final de 2016, mas o chamado banco mau para o malparado ainda não existe. A intenção é limpar do balanço dos bancos o crédito em incumprimento, mas a solução não é tecnicamente fácil e implica uma longa negociação com as entidades europeias. Devido aos atrasos, o executivo prometeu uma solução durante este primeiro semestre do ano

Lone Star? “Seria um accionista forte para o Novo Banco”

Quinta-feira, Março 9th, 2017

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Público

Carlos Costa traça um retrato mais optimista do xadrez da banca que supervisiona, depois de solucionados os casos da Caixa, BPI e BCP. E fala de “mochilas” para enquadrar o “bad bank”.

Duas questões sobre o Novo Banco: espera ter uma conclusão da venda agora? O Governo alguma vez lhe pediu para estudar a nacionalização?
O mandato do BdP é muito claro, é estudar a operação de venda do banco de transição. Cabendo sempre ao agente político saber se a proposta e a recomendação que fazemos é aceitável ou não. E mais não comento.

Se soubesse como estamos hoje, teria vendido o banco na primeira tentativa (em 2014)?
Nessa fase de venda não havia condições, porque não havia um comprador firme. É preciso perceber que a primeira fase de venda coincidiu com a crise da bolsa de Xangai e que os compradores potenciais, à última hora, afastaram-se. Porque não tinham condições para, eu diria, concretizar a operação. Aliás, eu diria, com alguma surpresa, coincidiu com um facto quase idêntico nesta fase com um dos interessados.

Acha que é desta?
Estou confiante que sim, o primeiro-ministro também disse que sim. Seria muito bom para a estabilidade do sistema financeiro que a operação se concretizasse. Por três razões: não é possível manter um banco de transição indefinidamente – há prazos; porque é um banco crítico para o financiamento de pequenas e médias empresas; e porque seria uma pedra muito importante para a estabilização do sistema financeiro.

Aí é muito importante perceber três ou quatro pontos. A estabilização do sistema financeiro depende da robustez de cada uma das suas instituições. Nós temos hoje a Caixa em vias de ser recapitalizada, o que é um facto muito positivo, temos o Millennium recapitalizado e com capacidade para limpar o seu balanço, o que é muito positivo. Temos o BPI endossado a um accionista que tem capacidade para lhe dar todo o suporte, o que é muito positivo. Se tivermos a seguir o Novo Banco com um accionista forte, que além disso assegura diversidade do ponto de vista de origem dos capitais, que assume um plano de negócios consistente com o financiamento da economia e com a estabilidade financeira. E se depois, em cima disso, conseguirmos (como estamos a conseguir) que a Caixa Económica se revele uma entidade forte, estamos com um plano de estabilização do sistema financeiro em plena marcha.

Como é óbvio, qualquer plano de estabilidade financeiro está sempre dependente de surpresas vindas da economia, do ambiente internacional, das taxas de juro – e ninguém pense que a estabilidade é um dado estático – é um dado dinâmico e um equilíbrio permanente.

Costa estima para breve solução para o crédito malparado

Quarta-feira, Março 8th, 2017

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Expresso

Governo e o Banco de Portugal estão já a concluir as negociações com as instituições europeias para a adoção de uma solução em relação aos elevados níveis de crédito malparado, assegura o primeiro-ministro

O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo e o Banco de Portugal estão já a concluir as negociações com as instituições europeias para a adoção de uma solução em relação aos elevados níveis de crédito malparado.

António Costa falava num almoço no âmbito de um seminário económico luso-francês, no qual também esteve presente o ministro das Finanças e da Economia de França, Michel Sapin, numa intervenção em que também defendeu a tese de que a venda do Novo Banco encerrará a fase de dificuldades com o setor financeiro nacional.

“Conjuntamente com o Banco de Portugal (Bdp), estamos a concluir a negociação com as instituições europeias de uma boa solução para o elevado nível de crédito malparado que importa resolver. Tal é essencial para criar melhores condições para as empresas poderem investir, mas também para que os bancos tenham melhores rácios para poderem financiar o desenvolvimento da economia”, sustentou António Costa.

Na sua intervenção, o líder do executivo disse que o seu Governo assumiu como prioridade a estabilização do sistema financeiro.

“Ao longo deste ano, temos conseguido ir vencendo, passo a passo, as diferentes ameaças que ainda há um ano se perfilavam em relação ao sistema financeiro. Hoje temos um BPI e o Millenium/BCP capitalizados”, começou por apontar.

Com o presidente do banco público, Paulo Macedo, presente na plateia, o primeiro-ministro adiantou que a Caixa Geral de Depósitos “está em vias de concluir o seu processo de capitalização”.

“E temos em fase final o processo de negociação do Novo Banco, com o que encerraremos os problemas existentes nas diferentes instituições financeiras”, acrescentou.

 

Governo vai desistir de criar o “banco mau”

Domingo, Fevereiro 19th, 2017

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Correio da Manhã

Executivo quer evitar que a venda do crédito malparado tenha efeito negativo nas contas públicas.

O Governo prepara-se para desistir da ideia de criar um ‘banco mau’ para concentrar o crédito malparado da Banca, cujo montante ascendia a 49 mil milhões de euros no final de 2015. O Executivo já está a trabalhar numa solução alternativa, que passa por cada banco resolver o seu problema de crédito malparado individualmente, sendo os grandes devedores merecedores de especial atenção do Governo.

A criação do ‘banco mau’ não deverá ser concretizada, como tem defendido o Banco de Portugal, por causa dos riscos elevados que essa solução poderá ter nas contas públicas e nos balanços dos próprios bancos. O interesse manifestado por vários investidores na compra do crédito malparado das instituições deixou claro que um negócio dessa natureza poderá implicar prejuízos para os bancos, por venderem os créditos por um preço inferior ao valor contabilizado, e para as contas públicas, já que o Estado tem de conceder garantias que assegurem os pagamentos de créditos que não sejam recuperados.

Sendo o risco considerado elevado, e havendo mesmo posições críticas sobre essa possibilidade no Governo e no próprio Banco de Portugal, a solução que está agora a ser ponderada passa por cada banco encontrar uma solução para o seu crédito malparado, que afeta sobretudo a CGD, o Millennium BCP e o Novo Banco. Ao Governo, caberá um papel de acompanhamento, em especial no que diz respeito aos grandes devedores.

A ideia, segundo fontes conhecedoras do processo, tem por base o princípio de que o Executivo ajudará os bancos a encontrarem soluções que impeçam os grandes devedores de deixarem de pagar os seus créditos bancários. Do lado do Executivo, esse acompanhamento será da responsabilidade do novo secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo, que é economista no Banco de Portugal.

MP suspeita de mais mil milhões de créditos irregulares no BESA

Sexta-feira, Abril 22nd, 2016

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TVI

DCIAP recolheu indícios de que a filial angolana do BES terá concedido cerca de 6 mil milhões de euros de empréstimos duvidosos entre 2009 e 2013, quando até aqui o valor apontava para cerca de 5 mil milhões

O Ministério Público suspeita que o BESA, a filial angolana do antigo BES, tenha concedido mais milhões de créditos irregulares do que se pensava até agora. Os indícios recolhidos pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que são citados pelo jornal digital Observador, terão tido como destinatários políticos e empresários angolanos, entidades relacionadas com o homem que liderava o banco na altura e outras ligadas ao Grupo Espírito Santo.

O BESA terá concedido cerca de 6,8 mil milhões de dólares, à volta de 6 mil milhões de euros ao câmbio atual, de empréstimos duvidosos entre 2009 e 2013.

Até aqui, pensava-se que o valor rondava os 5,7 mil milhões de dólares (cerca de 5 mil milhões de euros), valor que estaria coberto pela garantia soberana do Estado angolano, que acabou por cair, fazendo com que o fundo de resolução tivesse de injetar muito mais dinheiro no Novo Banco.

O dinheiro terá sido destinado a entidades do interesse de Álvaro Sobrinho, que estava à frente do BESA nesse período, outras ligadas a titulares de cargos políticos e públicos de Angola e ainda outras relacionadas com o Grupo Espírito Santo.

A maioria desses empréstimos irregulares terá tido como destinatários precisamente estes dois últimos.

No total, o DCIAP avalia agora os ditos créditos exatamente em 6.849.845.000 dólares, ou seja, 6.047.302.758 euros.

Comissão Europeia pede solução para o crédito malparado em Portugal

Terça-feira, Abril 19th, 2016

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Negócios

Os bancos portugueses continuam com níveis elevados de crédito de cobrança duvidosa, um problema que tem que ser resolvido, diz a Comissão Europeia.

Apesar da banca portuguesa ter alcançado resultados líquidos em 2015, os elevados níveis de crédito malparado estão a penalizar os resultados e os rácios de solvência do sector.

A conclusão é da Comissão Europeia e está expressa no relatório da terceira avaliação pós-programa. “Os bancos continuam a ter uma elevada e crescente exposição ao crédito malparado, activos hipotecados e activos imobiliários problemáticos”, refere Bruxelas, acrescentando que esta “fonte de problemas tem que ser resolvida”.

O crédito malparado atingiu 12,9% do total no terceiro trimestre de 2015, um aumento face aos 12% registados no período homólogo e os 11,2% verificados no terceiro trimestre de 2013.

Para enfrentar este problema, o Governo português está a estudar a criação de um “banco mau” para agrupar os activos tóxicos, estando a olhar para o modelo adoptado por Itália como fonte de inspiração.

A propósito do crédito mal parado, Bruxelas assinala que atingiu 2,6% no total nos empréstimos para habitação, 10,7% no crédito ao consumo e 16,3% nas empresas. Do total de 13,5 mil milhões de euros de crédito malparado, dois terços foi concedido a micro-empresas, 20% a pequenas empresas e apenas 1% a grandes companhias.

A Comissão Europeia destaca a exposição excessiva da banca no crédito de cobrança duvidosa às empresas. Neste âmbito, Bruxelas pede uma “abordagem mais corajosa” à desalavancagem das empresas, complementando com medidas já no terreno, como o aumento do nível de provisões e liquidação mais rápida dos activos problemáticos.

No mesmo relatório, Bruxelas afirma que apesar de o sector financeiro em Portugal permanecer relativamente estável, os desenvolvimentos mais recentes, como a resolução do Banif e a transferência de obrigações do Novo Banco para o BES, “influenciou a confiança dos investidores internacionais”.

Acrescenta que a necessidade de a banca portuguesa gerar capital a partir de fontes internas representa um “desafio”, sobretudo devido ao ainda elevado nível de exposição ao mercado angolano, o que “para alguns grupos financeiros pode representar um fardo em termos de alocação de capital”.

Novo banco é o que tem mais malparado. Banco mau pode ajudar na venda

Quarta-feira, Abril 13th, 2016

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Dinheiro Vivo

Superbanco que assuma malparado poderá ter de receber garantia do Estado. Analistas aplaudem ideia, mas temem custos.

O Novo Banco é a instituição bancária que mais tem a ganhar com a criação de um superbanco mau. No limite, criar uma instituição que junte todos os empréstimos de má qualidade da banca portuguesa poderá ajudar a acelerar a venda do banco liderado por Stock da Cunha, tornando-o mais atrativo para os investidores.

Para além disso, o nascimento de um superbanco mau poderá vir a ser mais um empurrão à concessão de crédito. A ideia é defendida pelo analista João Pereira Leite, diretor de investimentos do banco Carregosa.

A explicação é simples: depois da resolução do BES, o Novo Banco continua a ser a instituição com maior volume de malparado. Em dezembro de 2015, os créditos vencidos há mais de 90 dias representavam 14,5% do total de empréstimos concedidos pelo Novo Banco, dados do Relatório e Contas. Além disto, ; 22,8% dos seus empréstimos estavam em risco de vencerem. “Admito que possa ajudar a tornar o Novo Banco mais atrativo para eventuais compradores e aliviar os encargos do Fundo de Resolução que, no fundo, é todo o sector bancário”, disse João Pereira Leite. O mesmo referiu Pedro Oliveira, da GoBulling, ao Negócios: “Poderá aumentar o potencial de venda do Novo Banco.”

Um problema geral

O problema do incumprimento é generalizado na banca portuguesa. “Apesar da recente melhoria na qualidade dos créditos das instituições portuguesas, em algumas delas os créditos vencidos assumem percentagens superiores a 10%”, diz Pedro Ricardo Santos da ; XTB. Em fevereiro, o Banco de Portugal registou um total de 18 mil milhões de euros em créditos malparados. Estima-se ainda que, desde o início da crise, os bancos portugueses tenham gasto 40 mil milhões em imparidades, lucros colocados de parte para enfrentar os incumprimentos. António Costa, primeiro-ministro, quer, por isso, “encontrar um veículo de resolução para o crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa no financiamento às empresas”.

Para já, ainda não são conhecidos os contornos que a instituição poderá ter (o já referido superbanco mau) mas todos os círculos admitem que o tema merece atenção – até o Bloco de Esquerda e o PCP que levantam dúvidas a este mecanismo -, para que se libertem capitais para a concessão de crédito. “Percebe-se evidente a necessidade de encontrar formas de capitalizar os bancos”, afirma Filipe Garcia, da Informação em Mercados Financeiros (IMF), lembrando que “a utilização de um veículo agregador do malparado pode ser interessante se ajudar a reconhecer o verdadeiro montante em causa e a gerir esses créditos de forma conjunta, permitindo uma recuperação ou uma venda mais vantajosa”. “A criação do bad bank, à semelhança de outros países europeus, permitiria libertar os balanços dos bancos nacionais do crédito mal-parado, abrindo a porta ao financiamento das empresas”, acrescenta Pedro Ricardo Santos.

A Associação Portuguesa de Banca e o Banco de Portugal também apoiam o mecanismo. Na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, Carlos Costa disse que a constituição de um veículo que fique com os créditos vencidos e o imobiliário dos bancos é a “solução” que a banca portuguesa necessita. Já a APB, que em 2011 chegou a sugerir um veículo deste género, vê “naturalmente com agrado” esta sugestão do primeiro-ministro.

Quem paga?

Sem mecanismo desenhado, os analistas têm apenas uma dúvida: quem vai dar garantias? “Desvantagens não vejo nenhuma, vejo é dificuldades”, diz João Pereira Leite. O diretor de investimento do Banco Carregosa lembra que a capitalização e gestão desta entidade, bem como a recuperação dos créditos, continuam a ser o maior entrave à sua criação. Pedro Ricardo Santos repete: O envolvimento do Estado português passará, com elevada probabilidade, pela concessão de garantias, de forma a tornar os créditos mais atractivos para o investidor. Nesse caso, havendo incumprimento, o contribuinte pode ser chamado, mais uma vez, a pagar”.

Contribuintes só recuperaram 14% da ajuda à banca desde 2008

Terça-feira, Abril 12th, 2016

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Dinheiro Vivo

Governo duvida do músculo financeiro do país. Em oito anos, Estado gastou 14,6 mil milhões no sector. Recuperou apenas 2 mil milhões

Os contribuintes portugueses só conseguiram reaver 14% do dinheiro usado pelos sucessivos governos para ajudar o sector bancário e financeiro entre 2008 e 2015. Os custos brutos (nacionalizações, injeções de capital, empréstimos, garantias) ascenderam a 14,6 mil milhões de euros; as receitas captadas pela ajuda prestada ficaram-se pelos dois mil milhões de euros, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) enviados ao Eurostat.

E estes valores nem sequer refletem o custo global final suportado pelos contribuintes já que muitas centenas de milhões foram parar diretamente à dívida pública, agravando os juros, logo, o défice. Além disso ainda há o custo não reconhecido (contingentes) com PPP e empresas públicas, por exemplo.

Malparado continua a ser bloqueio

Neste fim-de-semana, numa entrevista ao DN e à TSF, o primeiro-ministro, António Costa, deixou dois alertas importantes. Primeiro, que o nível de crédito em cobrança duvidosa (malparado) é um problema tão grande que continua a bloquear a capacidade dos bancos de fornecer crédito à economia real (às empresas, disse Costa). “Era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas”, referiu. Segundo o Banco de Portugal, 16% dos empréstimos concedidos às empresas estão em incumprimento e o rácio a subir; no segmento dos particulares, o aumento é mais lento, mas o rácio de malparado já vai em 5% do total. Mas António Costa disse mais.

Para o governante não é de excluir um novo programa de assistência externa direcionado só para a banca, envolvendo, eventualmente, mais uma linha de apoio financeiro à recapitalização e ao saneamento de instituições, como aconteceu em Espanha. No entanto, a solução deverá ter contornos diferentes pois hoje as regras são as da resolução, em que se tenta ao máximo poupar os contribuintes e colocar acionistas, credores e, em alguns casos, grandes clientes e aforradores a pagar os problemas dos bancos. Sobre esta possível ajuda externa, Costa disse que a resposta “só pode ser dada pelas instituições europeias”, tendo acrescentado que “não vive indiferente ao tema”. E recordou que o Governo formou uma “unidade de missão para fazer um trabalho muito aprofundado sobre a capitalização das empresas portuguesas, das quais não está excluído o tema sistema financeiro”.

Estabilidade já custou 6,7% do PIB

De facto, não dá para ficar indiferente. Segundo o balanço provisório do INE, o custo líquido da crise bancária e financeira suportada pelos contribuintes portugueses desde 2008 (apenas em sede de défice público) vai, até agora, em 12,5 mil milhões de euros (6,7% do PIB a preços atuais). A taxa de recuperação desses créditos foi de 14% nos oito anos em análise (rácio das receitas em relação às despesas assumidas em nome da estabilidade financeira), mas tem vindo a deteriorar-se de forma notória. Em 2014, foi 8%; em 2015 baixou para 7%. Todos os anos, quase sem exceção, tem havido um caso (ou mais) que implode com a execução orçamental. Normalmente é uma “surpresa de final de ano”. Em 2015, a bomba foi o Banif, cuja operação de ajuda e resolução “determinou um agravamento do défice das Administrações Públicas em 2015 de 2463,2 milhões de euros (1,4% do PIB)”, diz o INE. O défice final saltou para 4,4%. Não fosse isto e Portugal teria cumprido o Pacto de Estabilidade, com 3%. Em 2014, a implosão das contas públicas viria do colapso do BES e de empréstimos definitivamente perdidos no âmbito da ajuda ao BPN. Antes disso, BPN e BPP já tinham custado fortunas. Fora da banca, também houve custos importantes: financiamentos à STCP e à Carris, refere o INE.

CGD usada

Além destes, a despesa pública com a estabilidade tem sido alimentada pelas sucessivas recapitalizações da CGD, o banco público usado para absorver os custos da nacionalização do BPN decidida em 2008 por um governo do PS. Até final de 2014, a limpeza do universo BPN onerou os portugueses em 2,7 mil milhões. E o contador continua ligado. Em 2015, foram assumidos mais 674 milhões de euros em empréstimos às sociedades ‘par’ (as que gerem os ativos problemáticos e o lixo financeiro herdado do BPN). Este ano, o governo conta gastar mais 567 milhões de euros com as referidas entidades.