Arquivo para a categoria ‘Credores’

Fundos credores do BES processam Estado

Domingo, Outubro 20th, 2019

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Expresso

Transferência de dívida do Novo Banco para o BES, em 2015, motivou novas ações contra Estado e supervisor

á mais fundos internacionais, com sede nas ilhas Caimão, Irlanda e Luxemburgo, a processarem o Estado e o Banco de Portugal (BdP) por conta do Banco Espírito Santo (BES). Mais de cinco anos depois da queda da instituição financeira, continuam a entrar processos nos tribunais portugueses com ela relacionados. Os processos, que deram entrada no final de setembro no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, visam o Estado português, o BdP e ainda o Fundo de Resolução, num valor em torno de €3,5 milhões.

Os autores são o York European Strategic Investors Holding Fund (sediado nas ilhas Caimão mas ligado à americana York Capital), o Hestia Investments (gestora irlandesa que chegou a ser acionista da portuguesa Pharol) e o CCP Credit Acquisition Holdings Luxco (do grupo americano Centerbridge), e todos têm uma coisa em comum: assumem-se como credores do BES. É, aliás, esse o tema do processo.

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Adiado prazo para comissão liquidatária do BES responder a impugnações

Quinta-feira, Outubro 3rd, 2019

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Notícias ao Minuto

O prazo para a comissão liquidatária do BES responder às 2.300 impugnações dos credores do BES foi prorrogado e sem uma data determinada para esse trabalho estar concluído, segundo fonte ligada ao processo.

Esta quarta-feira terminava o prazo para a comissão liquidatária responder às impugnações de credores do BES.

Contudo, segundo fonte ligada ao processo, devido ao elevado nível de impugnações recebidas, 2.300, e ao complexo trabalho jurídico associado esse prazo foi prorrogado, não havendo uma data para estar concluído.

Em 31 de maio, a comissão liquidatária do Banco Espírito Santo (BES) entregou no Tribunal de Comércio de Lisboa a sua proposta de lista dos credores reconhecidos e não reconhecidos, tendo reconhecido créditos no valor de 5.057 milhões de euros (2.221.549.499,00 euros de créditos comuns e 2.835.265.089,00 euros de créditos subordinados) pertencentes a 4.955 credores.

Já 21.253 credores viram as suas reclamações recusadas, não tendo os respetivos créditos sido reconhecidos.

O que a comissão liquidatária faz é uma proposta e a decisão caberá ao tribunal, pelo que desde 02 de agosto e até 02 de setembro teve lugar a fase de impugnação pelos credores do banco.

Puderam impugnar os credores que não viram os seus créditos reconhecidos, mas também credores reconhecidos.

Neste caso, podem reclamar por não concordarem, por exemplo, com os valores reconhecidos ou com a categorização dos créditos. Puderam ainda reclamar uns credores face ao reconhecimento de outros credores.

No total, houve 2.300 impugnações, segundo a mesma fonte.

Quando for concluída a contestação da comissão liquidatária do BES, o processo passa para o tribunal, sendo que também aí não haverá um período definido para o tribunal se pronunciar, podendo haver mesmo matéria para julgamento.

Esta fase do reconhecimento de créditos faz parte do processo de liquidação do BES, que continua a arrastar-se quando já passam mais cinco anos da aplicação da medida de resolução ao banco da família Espírito Santo, em 3 de agosto de 2014.

 

AdC tem de se registar como credora do BES

Segunda-feira, Setembro 16th, 2019

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Económico

Concorrência multou o BES em 700 mil euros, mas terá de reclamar créditos para obter pagamento.

A Autoridade da Concorrência (AdC) multou o BES em 700 mil euros, mas precisará de se registar como credora junto do Tribunal de Comércio de Lisboa, onde corre o processo judicial de liquidação do banco.

Para tal, a AdC confirmou ao Jornal Económico que terá de realizar uma reclamação extraordinária, porque o prazo para a reclamação de créditos já terminou.

Impugnações de credores do BES chegaram às centenas por dia

Terça-feira, Setembro 10th, 2019

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Negócios

O prazo para impugnação das listas de credores do BES terminou na semana passada. A comissão liquidatária tem agora até ao início de outubro para analisar as contestações, mas não é certo que o prazo seja cumprido.

O processo de insolvência do Banco Espírito Santo (BES) entrou numa nova fase na semana passada, mas os prazos para já definidos começam a ficar comprometidos. Em causa estão as várias centenas de impugnações às listas de credores reconhecidos e não reconhecidos que, durante o último mês, chegaram todos os dias ao primeiro juízo do Tribunal do Comércio de Lisboa, onde decorre o processo. Agora, a comissão liquidatária do BES tem um prazo de um mês para analisar as impugnações, mas não sabe ainda, sequer, quantas são.

Foi no passado dia 31 de maio que foram publicadas as listas de credores do BES. A comissão liquidatária reconheceu 4.955 credores, que detêm créditos no valor total de cerca de 5 mil milhões de euros. De fora desta lista ficaram 21.253 reclamantes, cujos créditos não foram reconhecidos, não se conhecendo ainda o valor total reclamado por estes.

Apresentadas as listas, os credores tiveram dois meses para as consultar. Logo a seguir, decorreu o prazo para impugnação das listas, que terminou na semana passada. Agora, e até ao início de outubro, decorre o prazo para as respostas da comissão liquidatária a estas impugnações, mas não é certo que o mesmo seja cumprido.

“Foram às 300 por dia”, disse ao Negócios uma funcionária do tribunal, referindo-se à quantidade de impugnações que foram entregues. Por esta altura, as impressoras deste juízo “estão a funcionar oito horas por dia, sem parar”, mas ainda só estão disponíveis para consulta os documentos que deram entrada no dia 2 de agosto, o primeiro dia do prazo para as impugnações.

Do lado da comissão liquidatária, também não há certezas quanto ao rumo que irá tomar o processo de insolvência do BES, aberto em julho de 2016. Para já, os liquidatários não conseguiram sequer contabilizar a totalidade de impugnações, que deverá chegar aos milhares, até porque não serão só os credores não reconhecidos a contestar as listas. Isto porque, entre os que constam da lista de reconhecidos, há vários casos em que só uma parte do montante total reclamado acabou por ser reconhecida.

Pelo meio, vão sendo detetados “lapsos” no processo, de uma dimensão sem precedentes, que fazem com que as listas de credores acabem por ter de ser atualizadas. “Apurou-se um conjunto limitado e circunscrito de reclamações de créditos recebidas, tempestivamente, por correio eletrónico que acabaram por não ser tramitadas”, pode ler-se num requerimento apresentado ao tribunal, no qual a comissão liquidatária pede para atualizar as listas de credores reconhecidos e não reconhecidos.

Listas sem fundamentação

Têm sido várias as reclamações dos credores do BES. Mais recentemente, um grupo de credores contestou em tribunal o facto de a lista dos credores não reconhecidos não conter os motivos desse não reconhecimento dos créditos reclamados, argumentando que esta omissão afetaria os seus exercícios de impugnação desta lista. O juiz responsável pelo caso considerou, contudo, que, uma vez que este é um processo de “natureza excecional e complexa, cuja tramitação teve de ser devidamente adaptada à ordem de grandeza do número de credores e aos valores em questão”, justifica-se que as fundamentações da comissão liquidatária não tenham sido publicadas juntamente com as listas. “A dimensão da lista de credores reconhecidos e não reconhecidos com os motivos do não reconhecimento dos créditos inviabilizaria a sua publicação e a sua subsequente consulta”, concluiu o juiz, numa decisão datada de 7 de agosto. Os credores podem, seja como for, consultar estes motivos no tribunal ou num espaço que foi disponibilizado pela comissão liquidatária.

TOME NOTA

Liquidação está a decorrer há três anos

O processo de insolvência do BES foi aberto em julho de 2016. Já são conhecidas as listas de credores reconhecidos e não reconhecidos e já foram entregues as impugnações às mesmas.

Resolução e insolvência
A 3 de agosto de 2014, um domingo, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, comunica que o BES vai ser dividido numa parte boa e numa parte má. É só dois anos depois, a 19 de julho de 2016, que o processo de insolvência do chamado BES “mau” arranca. Ainda está a decorrer no Tribunal do Comércio de Lisboa.

Listas de credores
As listas de credores reconhecidos e não reconhecidos foram divulgadas no dia 31 de maio. A comissão liquidatária recebeu cerca de 32.500 reclamações. Acabou por reconhecer 4.955 credores, que detêm um total de cerca de 5 mil milhões de euros em créditos reconhecidos. Outros 21.253 reclamantes acabaram por não ver reconhecidos os créditos que reclamavam.

Impugnações
O prazo para impugnar as listas de credores reconhecidos e não reconhecidos decorreu entre 2 de agosto e 2 de setembro. Agora, e até 3 de outubro, decorre o prazo para a comissão liquidatária responder a estas impugnações.

Lesados do papel comercial do BES fora da lista de credores reconhecidos

Quarta-feira, Setembro 4th, 2019

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Notícias ao Minuto

O grupo de lesados do papel comercial do antigo BES (Banco Espírito Santo), que inclui emigrantes, foi notificado de que os seus créditos não foram reconhecidos pela comissão liquidatária que tem gerido o processo, de acordo com um comunicado.

A entidade, que tem protestado em Portugal e em países como França, onde vivem emigrantes lesados, adiantou que “os lesados do BES/NB Papel Comercial e Emigrantes vieram recentemente a ser notificados de que foram integrados na lista de credores não reconhecidos. O mesmo é dizer, que os seus créditos reclamados não foram reconhecidos”, referiu a nota.

Em resposta a perguntas da Lusa, fonte do grupo disse que tem “conhecimento de que há lesados que receberam informação, de não serem reconhecidos como credores do BES, no fim do mês de maio, e o prazo para impugnar era de 02 de agosto a 02 de setembro“.

Segundo a mesma fonte, foram afetados por esta decisão, “todos os clientes de retalho, ou seja os lesados com as aplicações que os gerentes fizeram, no chamado papel comercial e nos diversos nomes que davam às aplicações que fizeram aos emigrantes. Não temos conhecimento de que algum tenha sido reconhecido” pela comissão liquidatária, indicou.

A entidade diz que “não pode concordar com tal decisão de não-reconhecimento e pelas razões/fundamentos invocadas para tal”, de acordo com o comunicado.

“O BES não só afirmou publicamente que assumia o pagamento do conjunto de créditos onde nos englobamos como criou mesmo uma provisão para esse fim”, acrescenta.

Na mesma nota, o grupo garantiu que “o que afirma a comissão liquidatária para decidir pelo não-reconhecimento dos nossos créditos é um derradeiro insulto aos milhares de portugueses que se viram privados das suas economias num processo orquestrado de extorsão”.

A organização realçou ainda que iria impugnar a decisão, “mas é provável que muitos lesados de idade não tenham, num período de férias, advogados a quem recorrer, até porque muitos nem reclamação de créditos fizeram, nem instrução têm para fazer isso”.

No final de maio foi anunciado que os lesados do BES teriam mais 15 dias para apresentarem reclamações às comissões de peritos da Ordem dos Advogados e serem eventualmente incluídos numa solução que os compense, disse fonte próxima do processo à Lusa.

Cerca de 800 lesados do BES apresentaram reclamações nessa altura.

Os lesados elegíveis para apresentar reclamações eram investidores não qualificados (investidores não profissionais), tanto particulares como pequenas empresas, que investiram em títulos de dívida do grupo do BES através das sucursais exteriores (que são sobretudo emigrantes da Venezuela e África do Sul) e através do Banque Privée (pertencia ao BES).

No caso dos lesados do BES apenas puderam reclamar aqueles que não foram abrangidos pela solução para o papel comercial. Aqueles lesados que podiam ter sido abrangidos por aquela solução, mas decidiram não o fazer, muitos dos quais por a considerarem injusta, não puderam concorrer a esta solução.

Credores do BES têm até hoje para impugnar lista de créditos reconhecidos

Segunda-feira, Setembro 2nd, 2019

Citamos

Eco

Credores do BES têm até hoje para impugnar lista de créditos reconhecidos

Já 21.253 credores viram as suas reclamações recusadas, não tendo por isso os respetivos créditos sido reconhecidos.

Os credores do BES têm até hoje para impugnarem a lista de créditos reconhecidos pela comissão liquidatária do banco, um processo que faz parte da liquidação do BES quando já passaram cinco anos da resolução.

Em 31 de maio, a comissão liquidatária do Banco Espírito Santo (BES) entregou no Tribunal de Comércio de Lisboa as listas dos credores reconhecidos e não reconhecidos, tendo reconhecido créditos no valor de 5.057 milhões de euros (2.221.549.499,00 euros de créditos comuns e 2.835.265.089,00 euros de créditos subordinados) pertencentes a 4.955 credores.

Já 21.253 credores viram as suas reclamações recusadas, não tendo por isso os respetivos créditos sido reconhecidos.

O que a comissão liquidatária faz é uma proposta e a decisão caberá ao tribunal, pelo que durante um mês (desde 02 de agosto) e até hoje tem lugar a fase de impugnação.

Podem impugnar os credores que não viram os seus créditos reconhecidos, mas também credores reconhecidos.

Neste caso, podem reclamar por não concordarem, por exemplo, com os valores reconhecidos ou com a categorização dos créditos. Podem ainda reclamar uns credores face ao reconhecimento de outros credores.

Depois desta fase, a comissão liquidatária do BES terá até 3 de outubro para fazer contestação das reclamações.

Não há depois um período definido para o tribunal se pronunciar, podendo haver mesmo matéria para julgamento.

Esta fase do reconhecimento de créditos faz parte do processo de liquidação do BES, que continua a arrastar-se quando já passaram cinco anos da aplicação da medida de resolução, em 03 de agosto de 2014.

 

Credores do BES têm um mês para impugnar lista de créditos reconhecidos, não reconhecidos ou omissos

Sábado, Agosto 3rd, 2019

Citamos

Notícias ao Minuto

Os credores do BES têm um mês a partir de hoje para impugnarem a lista de créditos reconhecidos pela comissão liquidatária do banco, quando está prestes a cumprir-se cinco anos desde a resolução.

Em 31 de maio, a comissão liquidatária do Banco Espírito Santo (BES) entregou no Tribunal de Comércio de Lisboa as listas dos credores reconhecidos e não reconhecidos, tendo reconhecido créditos no valor de 5.057 milhões de euros (2.221.549.499,00 euros créditos comuns e 2.835.265.089,00 euros créditos subordinados) pertencentes a 4.955 credores.

Já 21.253 credores viram as suas reclamações recusadas, não tendo por isso os respetivos créditos sido reconhecidos.

O que a comissão liquidatária faz é uma proposta e a decisão caberá ao tribunal, pelo que a partir de hoje (02 de agosto) e até 02 de setembro tem lugar a fase de impugnação.

Poderão impugnar os credores que não viram os seus créditos reconhecidos, mas também credores reconhecidos.

Neste caso, poderão reclamar por não concordar, por exemplo, com os valores reconhecidos ou com a categorização dos créditos. Podem ainda reclamar uns credores face ao reconhecimento de outros credores.

A comissão liquidatária do BES terá então, de 03 de setembro a 03 de outubro, prazo para fazer contestação das reclamações.

Não há depois um período definido para o tribunal se pronunciar, podendo haver mesmo matéria para julgamento.

O processo de liquidação do BES continua a arrastar-se, assim, quando está prestes a cumprir cinco anos da aplicação da medida de resolução.

Na noite de 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal anunciou a aplicação ao Banco Espírito Santo de uma medida de resolução.

Acha que tem algo a receber do BES e não lhe foi reconhecido? As impugnações começam hoje

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Expresso

Credores do BES têm um mês para impugnar a lista de créditos reconhecidos. E as contestações vêm aí. O fundo que junta os clientes com papel comercial e a venezuelana PDVSA já anunciaram que iam reagir à comissão liquidatária. Haverá julgamento. O ressarcimento, a acontecer, vai demorar

Quem não concorda com a lista de créditos reconhecidos do Banco Espírito Santo, que elenca um conjunto de 5 mil credores a reclamar 5 mil milhões de euros, pode, a partir desta sexta-feira, 2 de agosto, impugná-la. E já há promessas de investidores. Entre eles, quem subscreveu papel comercial aos balcões do banco.

A listagem oficial foi publicada em maio pela comissão liquidatária, liderada por César Brito, e a impugnação dos credores reconhecidos inicia-se um dia antes da data em que se marcam cinco anos da resolução aplicada ao Banco Espírito Santo. Podem fazê-lo até a 2 de setembro.

O universo de eventuais impugnações encontra-se no conjunto de 23.960 reclamantes que entregaram 32.500 reclamações, por considerarem que devem ser ressarcidos pelo BES. Isto porque, neste conjunto, apenas foram reconhecidos como efetivos credores da entidade um total de 4.955 nomes (e aqui há credores que nem tinham reclamado, mas a comissão liquidatária considerou que lhes era devido créditos pelo BES). Ficaram como não reconhecidos 21.253 reclamantes.

Os credores reconhecidos viram-lhes ser considerados como existentes créditos de 5 mil milhões de euros, 2,2 mil milhões dos quais comuns (seniores, com prioridade na recuperação) e 2,8 mil milhões subordinados. Só que a lista é apenas a proposta da comissão liquidatária e pode ser contestada.

“Pode qualquer interessado impugnar a lista de credores reconhecidos através de requerimento dirigido ao juiz, com fundamento na indevida inclusão ou exclusão de créditos, ou na incorreção do montante ou da qualificação dos créditos reconhecidos”, revela o Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas.

PAPEL COMERCIAL E VENEZUELA IMPUGNAM

Haverá depois a resposta da comissão liquidatária a cada uma das impugnações. Já há várias anunciadas. O fundo de recuperação de créditos que foi criado para poder minorar as perdas dos clientes do BES com papel comercial emitido pela ESI e Rioforte não foi reconhecido como credor do antigo banco e “irá impugnar a decisão proferida”.

Como a Patris, a gestora do fundo, já anunciou no seu site, “o BES é diretamente responsável pelo não reembolso do papel comercial, em virtude da posição preponderante que exerceu durante o período de comercialização daqueles instrumentos”. Neste caso, o trabalho da comissão liquidatária até está poupado: em vez de receber impugnação por cada detentor de papel comercial, receberá apenas a do fundo de recuperação de créditos (ou de outros eventuais investidores que não aderiram a esse mecanismo).

Mas o fundo não é o único a impugnar. A família Amorim, através das suas Topbreach Holding e a Oil Investments, estão na lista de créditos não reconhecidos do Banco Espírito Santo, e também disse ao Expresso que iria tudo fazer para ser ressarcidos pelos prejuízos causados por “práticas manifestamente ilegais e de carácter doloso do BES na relação com os seus clientes”.

A petrolífera Venezuela PDVZA revelou igualmente que iria fazer uma impugnação, já que os seus créditos não estão na lista de créditos reconhecidos.

Ao todo, também os credores que foram reconhecidos como credores subordinados podem impugnar a listagem, por não concordarem com a graduação e pretenderem ser considerados credores comuns. O Goldman Sachs, por exemplo, surge como credor subordinado, por o Banco de Portugal considerar que foi acionista do BES nos dois anos antes da resolução, mas o grupo financeiro contesta esse entendimento. Contudo, não revela se vai impugnar esta listagem.

Haverá depois resposta da comissão liquidatária e o caso seguirá para julgamento. É ainda muito o tempo que falta para haver uma conclusão.

RECUPERAÇÃO É LIMITADA

De qualquer forma, o ressarcimento, a acontecer, será limitado. O ativo do BES representava 2,85% de todo o passivo no fim de 2018. E os credores comuns são os primeiros a serem ressarcidos. Os subordinados dificilmente conseguirão registar alguma recuperação.

No caso dos credores seniores, há uma auditoria que define que têm o direito a receber o equivalente a 31,7% dos seus investimentos no BES – seria isto que receberiam se, a 3 de agosto de 2014, o banco tivesse ido logo para liquidação em vez de ter ocorrido a resolução. Esse dinheiro tem de ser conseguido na liquidação. Não havendo, é o Fundo de Resolução que tem de assegurar aquela percentagem de recuperação.

Segundo um cálculo simples, como já escreveu o Expresso, são 704 milhões de euros os que podem vir a ser imputados a este veículo financiado pelos bancos, mas que tem sobrevivido com injeções estatais e que já teve encargos com a resolução do BES e com a venda do Novo Banco.

O Banco Espírito Santo foi alvo da medida de resolução determinada pelo Banco de Portugal a 3 de agosto de 2014. Foi dividido em dois: o BES, que ficou com os ativos e passivos então considerados tóxicos (os ligados ao Grupo Espírito Santo), e o Novo Banco, que herdou os ativos e passivos classificados então como saudáveis.

Desde aí, o futuro do BES “mau” ficou desenhado: a queda ia efetivamente acontecer, já que não era um banco normal e a situação patrimonial era deficitária. No final de 2015, para capitalizar o Novo Banco, “recebeu” títulos de dívida que vieram agravar ainda mais o seu património, devido ao aumento das responsabilidades. Só a 13 de julho de 2016 é que foi revogada a autorização para a instituição operar. Por isso, só aí começou o processo de liquidação: o tribunal do comércio de Lisboa decretou o arranque a 21 de julho desse ano.

Entre essa data e o dia 8 de março de 2019, esteve a correr o período para as reclamações de crédito. Até setembro, prolonga-se o período das impugnações da lista de créditos reconhecidos. O julgamento ainda não tem data. E vai durar.

Credores do BES acusam juiz de travar acesso a documentos

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

Um grupo de 272 credores do BES pede o afastamento do juiz responsável pelo processo de insolvência do banco.

Passaram três anos desde o início do processo de insolvência do Banco Espírito Santo (BES). Foi só este ano que foram publicadas as listas de credores reconhecidos e não reconhecidos. Esta sexta-feira, arranca a fase de impugnação destas listas, mas as perspetivas dos credores são curtas, até porque o acesso à documentação não tem sido fácil. Um grupo de 272 credores decidiu mesmo avançar para tribunal contra a comissão liquidatária e o juiz responsável pelo processo de insolvência, que acusa de não disponibilizar todas as partes do processo.

A disputa começa a 17 de junho, quando a Miguel Reis & Associados apresenta, em nome destes credores, um requerimento ao Tribunal do Comércio de Lisboa para pedir ao juiz que ordene “a inserção imediata de todos os documentos e atos relativos à liquidação no Citius”. Isto porque a comissão liquidatária estaria a “ocultar todos os dados necessários às reclamações e a propor métodos inaceitáveis” de consulta. Em causa, o facto de os liquidatários convidarem os interessados a examinar as reclamações em “local e horários” agendados previamente. Por outro lado, os mandatários destes credores não foram notificados de despachos do tribunal (incluindo um que continha prazos do processo) e de decisões da comissão liquidatária quanto aos créditos reclamados.

O juiz deste processo não tem as mínimas condições para prosseguir a sua direção.MIGUEL REIS & ASSOCIADOS
SOCIEDADE REPRESENTANTE
DE CREDORES DO BES

A 27 de junho, os credores entregam novo requerimento para voltar a pedir acesso digital a todo o processo, mas há uma novidade: ao requerimento original, de 17 de junho, foi atribuído um número de referência; na decisão relativa a esse requerimento, terá sido atribuído um número de referência diferente. A firma de advogados considera que esta prática representa “indícios de sérios crimes de falsificação de documentos”.

O juiz considerou que “tudo está acessível, quer no tribunal, quer no Citius, para consulta desde o primeiro momento”. Quanto aos despachos que não foram notificados, o juiz argumenta que “não se pode confundir o facto de os despachos serem públicos com a obrigação, de notificar sempre todos os interessados ou credores, já que “só os visados pelos despachos têm de ser notificados dos mesmos em cada momento”.

Os credores não se conformaram e, a 12 de julho, avançaram com novo requerimento, agora ao Tribunal da Relação de Lisboa, a quem dizem que “é falso” que o processo esteja público. “Basta consultar o Citius para concluir que estamos perante uma intolerável mentira”, afirmam.

Assim, voltam a pedir o acesso à documentação, mas, também, o afastamento do juiz do processo. “Entendemos que o juiz titular deste processo não tem as mínimas condições para prosseguir a sua direção e lavraremos o maior aplauso se tomar a iniciativa de se afastar.”

 

Pimco, Goldman Sachs e Novo Banco são os maiores credores do BES. Veja a lista

Sexta-feira, Junho 7th, 2019

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Eco

Pimco, Goldman Sachs e Novo Banco são os maiores credores do BES. Veja a lista

Foram reconhecidos quase cinco mil credores do BES. Mas apenas 10 grandes entidades concentram a maior fatia do montante reclamado. Exigem 2,1 mil milhões de euros. Quem são?

Mais de 40 fundos da Pimco reclamam do BES aproximadamente de 560 milhões de euros. É o maior credor reconhecido pela comissão liquidatária do banco falido de acordo com as listagens entregues no Tribunal do Comércio de Lisboa na semana passada. Seguem-se o Goldman Sachs e o Novo Banco, que exigem 315 milhões e 277 milhões de euros respetivamente.

Aproximadamente 5.000 credores foram reconhecidos pela comissão de liquidação do BES, reclamando à instituição pouco mais de 5.000 milhões de euros na sequência queda aquando da medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal à 22h45 de domingo, 3 de agosto de 2014.

Na sua grande maioria são pequenos clientes da instituição falida. São sobretudo portugueses, mas também há estrangeiros. Entre eles estão os antigos gestores do banco, como Ricardo Salgado, por exemplo. Ainda assim, quase metade do valor reclamado (e validado pela comissão liquidatária) vem de apenas dez grandes entidades que foram agora reconhecidas como credoras do BES: exigem mais de 2,1 milhões de euros. Quem são?

10 maiores credores do BES

CredorEurosMontantePimcoGoldman SachsNovo BancoBES FinanceBTGGoldenTree AssetBlackRockTrinity InvestmentsTDC PensionskasseCQS0100M200M300M400M500M600MGoldman Sachs● Montante: 314 411 832

Fonte: Comissão Liquidatária do BES