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Há mais três grandes devedores no Novo Banco e perdas com créditos sobem 608 milhões

Quarta-feira, Setembro 4th, 2019

Citamos

Económico

Há mais três devedores elegíveis em dezembro de 2018 que geraram perdas de mais 608 milhões de euros face a junho de 2018. “Ocorrência de mais de três situações de incumprimento”, explica o Banco de Portugal.

O Banco de Portugal acaba de atualizar a informação agregada e anonimizada relativa a grandes posições financeiras do Novo Banco, relativas a 31 de dezembro. A última informação que tinha sido divulgada no âmbito do processo dos grandes devedores aos bancos que receberam ajuda pública, referia-se a 30 de junho.

O Banco de Portugal disponibiliza “em cumprimento da Lei n.º 15/2019, de 12 de fevereiro de 2019, informação agregada e anonimizada sobre as grandes posições financeiras do Novo Banco, com referência a 31/12/2018, na sequência do pagamento efetuado pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco, no dia 6 de maio de 2019, ao abrigo e em cumprimento do disposto no Acordo de Capitalização Contingente, celebrado a 18 de outubro de 2017”, lê-se no comunicado do supervisor.

BES Angola gera perdas de 374 milhões ao Novo Banco em 31 de dezembro

Tal como já era evidente no relatório dos grandes devedores enviado pelo Banco de Portugal aos deputados, em julho, o BES Angola é o grande devedor do Novo Banco responsável por perdas de 2.941 milhões de euros. Esse é o “cliente 130” ao qual o Novo Banco tinha, a 31 de dezembro, uma exposição de 374 milhões de euros, abaixo da exposição ao BES Angola reportada a 30 de junho de 2018 que era de 546 milhões de euros. Ambos abaixo da exposição original de 3.328 milhões de euros.

O prejuízo com o BES Angola justifica a maioria das perdas com grandes devedores que somam 3.025 milhões de euros a 31 de dezembro (eram 3.542 milhões de euros a 30 de junho de 2018, data em que recebeu ajuda do Estado através do Fundo de Resolução (cerca de 792 milhões de euros).

Recorde-se que o BES Angola passou a Banco Económico onde o Novo Banco é acionista minoritário com 9,72%.

A data de referência de 31 de dezembro de 2018 é a data em que se reporta o apuramento do montante dos fundos públicos disponibilizados em 6 de maio de 2019, sustentado em contas do banco que foram objeto de auditoria e certificação legal. O Novo Banco recebeu este ano do Fundo de Resolução 1.049 milhões de euros, ao abrigo do mecanismo de capital contingente, relativo aos prejuízos de 2018.

Mais grandes devedores e mais perdas

Outra alteração que se destaca é o aumento de exposição a grandes devedores. Pois se no relatório referente a 30 de junho de 2018, eram 33 os grandes grupos económicos cujas dívidas ao Novo Banco eram superiores a 43,3 milhões de euros. Tendo estes 33 devedores gerado perdas de 3.542 milhões de euros em junho do ano passado. Seis meses depois, a 31 de dezembro de 2018, são agora 36 os grupos económicos em incumprimento no Novo Banco, representando uma perda de 4.150 milhões (em perdas decorrentes de crédito malparad0). Logo mais 608 milhões de euros do que em 30 de junho de 2018.

Este é o somatório da rubrica “outras perdas”, que se refere ao valor agregado (dos devedores pertencentes a um mesmo grupo económico) relativas a medidas de reestruturação, ao desreconhecimento de exposições (por perdão, write-off, cessão a terceiros com desconto, ou medida similar) e à execução de garantias. Inclui perdas estimadas (para além da imparidade, reportada e perdas realizadas/definitivas registadas nos 5 anos anteriores à data de referência).

Mas há ainda a exposição a participações em instrumentos de capital (participações financeiras) e juntando as duas  – as perdas com grandes devedores e as perdas em participações financeiras – o banco liderado por António Ramalho tinha, em 31 de dezembro, uma exposição (perda) superior  a 5,2 mil milhões de euros. Um valor que compara com os 4,4 mil milhões de euros registados até junho desse mesmo ano. Isto é,mais 750 milhões de euros.

As perdas com participações financeiras somam em dezembro 2,2 mil milhões.

O reporte integra grupos económicos face aos quais a exposição inicial foi originada na esfera do Banco Espírito Santo mas que não integraram o reporte anterior porque só a 31/12/2018 passaram a cumprir os critérios previstos na Lei, designadamente no que se refere à ocorrência de mais de três situações de incumprimento, explica o Banco de Portugal.

Para efeitos da recolha da informação relevante foram seguidas as opções técnicas e metodológicas adotadas no âmbito da preparação do relatório extraordinário elaborado pelo Banco de Portugal.

Em causa estão posições financeiras de montante agregado superior a 5 milhões de euros, desde que igual ou superior a 1% do valor total dos fundos públicos mobilizados para essa instituição. No caso do Novo Banco o limite mínimo de elegibilidade são os 43,3 milhões de euros.

“A informação sobre as grandes posições financeiras é apresentada de forma agregada numa perspetiva de grupo económico, podendo incluir diferentes devedores desde que incluídos no mesmo grupo. Para efeitos do presente reporte, foram consideradas as operações que preenchem os critérios de elegibilidade previstos na Lei, de valor igual ou superior a 43,3 milhões”, explica o supervisor.

Os dados agregados e anonimizados incluem, para cada grupo económico, o valor da exposição inicial, o capital reembolsado, o montante da exposição à data de referência, o valor das imparidades e outras perdas registadas nos cinco anos anteriores, os tipos de garantias associadas e a existência ou não de ações e medidas de recuperação.

O Novo Banco apresenta, para além de “outras perdas” com grandes devedores de 4,15 mil milhões a 31 de dezembro de 2018, tinha ainda 2,179 mil milhões de euros de  imparidades para crédito na mesma data.

De salientar que as perdas por imparidades correspondem a uma estimativa de perdas à data de referência, calculadas de acordo com o normativo contabilístico aplicável, as quais são passíveis de reversão ou de aumento, caso se verifique, respetivamente uma melhoria ou deterioração das condições financeiras do devedor, lê-se no relatório.

Grécia e BES Angola entre os 128 grandes responsáveis pelas perdas que levaram o Estado a injetar dinheiro na banca

Quarta-feira, Julho 17th, 2019

Citamos

Expresso

á 128 grandes responsáveis pelas perdas registadas em oito banco nacionais que necessitaram de ser ajudados pelo Tesouro português. Entre eles, encontram-se o antigo BES Angola e o Estado grego, mas há muitos outros. Contudo, ainda não são conhecidos. A divulgação da lista dos grandes devedores foi feita sem identificação. Mas há algumas conclusões a tirar.

O Banco de Portugal publicou esta terça-feira a “informação agregada e anonimizada” sobre os grandes devedores. Foi por conta da lei da transparência na banca (Lei n.º15/2019), que obriga a que, além do documento completo com toda a informação sobre os grandes devedores dos bancos ajudados pelo Estado entregue confidencialmente no Parlamento, seja também disponibilizada publicamente uma informação agregada e com dados, mas sem identificação.

E é isso que se pode tirar do documento de 30 páginas: Há 16 quadros, cada um deles relativo ao momento em que foi disponibilizado dinheiro estatal para auxiliar cada um dos oito bancos. Estão em causa a CGD (seis quadros, um para cada data, a última em 2017), BES/Novo Banco (quatro, a última em 2018), Banif (duas, a última em 2015), BCP (um, em 2012), BPI (um, em 2012), BPN (um, em 2012) e BPP (um, em 2010).

Para cada um dos bancos, aparece um código – o grupo cliente devedor anónimo – bem como quanto é que já tinham feito o banco perder nos anos antes da data da ajuda estatal. Os clientes não aparecem com nome. Surgem códigos – e é o mesmo código se aquele devedor aparecer em diferentes bancos. São 130 códigos. Mas o 020 e o 043 não surgem na listagem, pelo que descem para 128 os grandes devedores. E estes grandes devedores correspondem a grupos económicos: podem estar aí integradas diferentes entidades.

Além disso, os devedores são devedores em diferentes momentos consoante o banco, daí que não se possam fazer somas fáceis. Isto porque cada quadro é uma fotografia no momento em que o banco recebeu auxílio estatal. E os bancos precisaram de ajuda em datas distintas.

BES ANGOLA É O 130

Mas conseguem-se tirar conclusões. Desde logo que o Novo Banco tem a maior perda com um só grupo. Como noticiou o Expresso, trata-se do BES Angola, de que Álvaro Sobrinho (na foto) foi o principal líder.

O Novo Banco tinha já perdido com a exposição ao BES Angola, depois transformado em Banco Económico, um total de 2,9 mil milhões em 2018 (quando usou dinheiro do Fundo de Resolução já após a venda à Lone Star). E havia ainda uma exposição de 546 milhões a este ativo – não se sabendo se há alguma imparidade associada.

Ao todo, as perdas já registadas pelo Novo Banco com os seus 33 maiores devedores ascendiam, em junho de 2018, a 3,5 mil milhões de euros, pelo que o BES Angola foi um grande responsável. A exposição do banco liderado por António Ramalho a este grupo de clientes era, na mesma data, outros 3,5 mil milhões.

Na Caixa Geral de Depósitos, os grandes devedores, em junho de 2017, acumulavam perdas de 1,3 mil milhões de euros. Eram 16 grandes devedores, a que se juntavam ainda 12 participações financeiras com perdas de 576 milhões. Ao todo, eram 1,9 mil milhões de euros de perdas nestes dois conjuntos.

112? QUANDO A GRÉCIA ESTEVE EM EMERGÊNCIA

Há um devedor que se destaca nos anos de 2012. É o código 112. A identificação do número é revelado através de um comunicado de reação do BPI, enviado às redacções logo após a divulgação do documento pelo Banco de Portugal.

“Este montante agregado inclui as perdas com os títulos de dívida pública grega que, à data de referência (2011), ascendiam a 408 milhões de euros, representando 80% do total de perdas reportadas”, indica o banco liderado por Pablo Forero. Ao todo, as perdas registadas com grandes devedores do BPI eram de 508 milhões.

Ora, sendo títulos de dívida emitidos pela Grécia, quer isto dizer que o devedor foi o Estado grego. Este mesmo 112 surge no BCP. Perdas de 358 milhões foram as que o banco agora presidido por Miguel Maya já tinha registado para esta exposição naquele ano de 2012, quando também recebeu ajuda estatal.

No caso do BCP, o peso dos grandes devedores e das participações financeiras era superior, com perdas totais de 2 mil milhões à data.

De qualquer forma, ambos reembolsaram os empréstimos do Estado (1,5 mil milhões, no BPI, 3 mil milhões, no BCP) – e ambos gostam de referir que o fizeram reembolsando tudo e pagando juros e comissões.

DOIS MAIORES DO BANIF SEM QUALQUER GARANTIA

No caso do Banif, alvo de medida de resolução em 2015, eram dois os grandes devedores a 30 de junho, considerados de acordo com os critérios legais. A um deles o banco tinha emprestados 36 milhões, a outro 119 milhões, resultando numa exposição total de 155 milhões.

Deste montante, 130 milhões estavam, naquela data, cobertos por imparidades, ou seja, havia já o reconhecimento de que dificilmente seriam recuperados.

Um dado que se pode retirar é que nenhum destes créditos tinha associado qualquer tipo de garantia.

BPN E BPP SEM DEVEDORES RELEVANTES

Nacionalizado em 2008, só em 2012 é que entram dinheiros públicos efectivos no BPN. E é por isso que a fotografia tirada neste relatório tem como referência o final daquele ano. Neste caso, o banco tinha uma exposição de 2,4 mil milhões de euros a sete devedores, havendo imparidades constituídas de 1,5 mil milhões – e perdas incorridas de apenas 11 milhões.

Segundo os cálculos definidos pela lei, o BPP, que recebeu um auxílio de 450 milhões (o mais reduzido em todos estes bancos), tem grandes devedores quando as exposições são superiores a 5 milhões. São dois: um a que o banco estava exposto precisamente com 5 milhões; e outro com 12 milhões.

Nenhum deles tinha causado perdas reais e efectivas em 2010, a data de referência. Mas ambos estavam sob imparidades, de 11 milhões, não se sabendo qual a divisão entre cada um.

Novo Banco dispara 90 mil ações contra devedores para recuperar créditos

Quarta-feira, Abril 17th, 2019

Citamos

Negócios

O banco está a vender ativos tóxicos. Mas está também a tentar recuperar créditos na Justiça. São mais de 90 mil as ações executivas que correm nos tribunais, cujos visados são sobretudo empresas.

O Novo Banco está a vender carteiras de crédito malparado, mas também a tentar recuperar créditos em dívida. A instituição financeira liderada por António Ramalho tem mais de 90 mil ações a correr nos tribunais, apurou o Negócios. Os alvos são, na sua maioria, empresas. E, dessas, um terço está em insolvência ou perto disso.

No total, o banco que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES) tem 90.700 ações executivas em tribunal para tentar recuperar as dívidas . Entre os processos em curso, contam-se 24 mil reclamações de crédito por parte do Novo Banco junto de empresas em insolvência. Já relativamente às empresas que estão em Processo Especial de Revitalização (PER) – através do qual os devedores negoceiam a dívida com os respetivos credores – são 2.700 processos, conforme apurou o Negócios. Ou seja, cerca de 30% das reclamações estão a ser movidas junto de empresas que estão numa situação financeiramente frágil.

Mas há ainda uma grande “fatia” de ações executivas diretas, que é o caso, por exemplo, de penhoras: são, ao todo, 44 mil processos que correm na Justiça numa tentativa de recuperar estas dívidas por cobrar. Os restantes 20 mil são reclamações não tipificadas.

Vendas de 4 mil milhões
Estas ações servem para tentar recuperar os créditos que continuam no balanço do banco. Mas é apenas uma das vertentes dos esforços do Novo Banco para se tornar uma instituição financeira rentável. António Ramalho e a restante administração estão a apostar na venda de carteiras de ativos tóxicos, que incluem empréstimos em incumprimento e imóveis.

Conforme avançou a Bloomberg, o Novo Banco está à procura de compradores para dois portefólios de crédito malparado, cujo montante total supera os 3,5 mil milhões de euros. Mas, segundo apurou o Negócios, a este montante podem vir a juntar-se outras vendas, elevando o valor para perto de 4 mil milhões de euros este ano. Isto depois de, no ano passado, o banco ter avançado com o chamado projeto “Nata”.  Nesta operação estavam em causa duas parcelas: uma de 550 milhões de euros e outra de 1,2 mil milhões de euros de crédito malparado. Já o segundo projeto, o “Viriato”, incluiu a venda de 9.000 imóveis à Anchorage Capital.

Estas vendas acabaram por provocar perdas de perto de 270 milhões de euros, num ano em que o Novo Banco registou um prejuízo de 1.412 milhões de euros e pediu uma nova injeção de capital ao Fundo de Resolução.

 

Grandes devedores dão perda de 1500 milhões ao Novo Banco e ao BES

Segunda-feira, Abril 1st, 2019

Citamos

Sábado

A Ongoing, o grupo Moniz da Maia e o grupo Joe Berardo geram prejuízo milionário ao Novo Banco e ao BES. Empresas estão entre os maiores clientes em incumprimento.

A Ongoing, o grupo Moniz da Maia e o grupo Joe Berardo, três dos maiores devedores da Banca, causaram perdas de quase 1500 milhões de euros ao Novo Banco e ao BES. As maiores imparidades dizem respeito à Ongoing, empresa de Nuno Vasconcellos declarada insolvente em 2016, e ao grupo Moniz da Maia, a cujo líder o Novo Banco arrestou um avião e um iate de luxo no valor total de 37 milhões de euros, em 2015.