Arquivo para a categoria ‘GNB Vida’

Global Bankers à frente na corrida pela GNB Vida. Oferece 250 milhões

Quinta-feira, Fevereiro 22nd, 2018

Citamos

Eco

A oferta fica bastante abaixo do valor contabilístico da seguradora do Novo Banco, o que poderá obrigar o Fundo de Resolução a cobrir as perdas.

O Global Bankers é a única instituição que passou à fase final de negociações direta para comprar a GNB Vida, a seguradora do grupo Novo Banco que foi colocada à venda no ano passado. Segundo apurou o ECO, este grupo internacional especializado em aquisições de seguradoras está a oferecer 250 milhões de euros pelos seguros do ramo vida do Novo Banco, um valor que fica bastante abaixo da avaliação que tinha sido feita do GNB Vida, em torno de 450 milhões de euros. A concretizar-se esta venda, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir as perdas.

O processo de venda da GNB Vida teve início em agosto do ano passado. No relatório e contas relativo ao primeiro semestre de 2017, o Novo Banco, que detém 100% da seguradora, referia que “o processo organizado de venda tem a expectativa de concretização de um acordo para venda da GNB Vida durante o último trimestre de 2017“. Contudo, chegados ao final desse ano, não havia ainda um acordo estabelecido.

Contactada, fonte oficial do Novo Banco refere apenas que o processo de venda está a decorrer e que, no final do ano passado, foram recebidas várias propostas de compra, sem confirmar a identidade dos potenciais compradores. O Global Bankers também não respondeu às questões colocadas pelo ECO.

Os 250 milhões de euros oferecidos pelo Global Bankers ficam bastante aquém da avaliação da GNB Vida. O valor contabilístico da seguradora que tem sido noticiado ronda os 450 milhões de euros, ainda que o Novo Banco, contactado, não confirme este número. Sendo este o valor, uma venda abaixo de 450 milhões pode obrigar o Fundo de Resolução a ativar o mecanismo de capital contingente, o instrumento que criou como garantia para que o Lone Star aceitasse ficar com o Novo Banco.

O mecanismo de capital contingente, no valor de 3,89 mil milhões de euros, foi uma das condições a que o Governo cedeu para conseguir vender o Novo Banco. O mecanismo é suportado pelo Fundo de Resolução, que detém uma participação de 25% do capital do banco, e é acionado com a acumulação de duas condições:

  • Se os ativos considerados tóxicos do Novo Banco sofrerem uma desvalorização face ao seu valor de referência, que será determinado no momento da conclusão da venda;
  • E se os rácios de capital do Novo Banco baixarem de um rácio de cerca de 12%.

A concretizar-se a venda, e a ser aceite o valor que está a ser oferecido pelo Global Bankers, há um desconto superior a 46% (ou 200 milhões de euros) face ao valor contabilístico da GNB Vida. Se, a par disto, os rácios de capital do Novo Banco baixarem do nível acordado no contrato de compra e venda assinado com o Lone Star, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir a diferença.

 

Novo Banco vai vender GNB Seguros Vida

Quinta-feira, Agosto 3rd, 2017

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TVI

Fonte oficial da instituição financeira confirma que já iniciou o processo de contactos

Novo Banco iniciou o processo de venda da seguradora GNB Seguros Vida, confirmou esta terça-feira à Lusa uma fonte oficial da instituição financeira.

A notícia tinha sido avançada pelo Negócios, que citava a Reuters.

Contactado pela Lusa, fonte oficial do Novo Banco confirmou que a entidade já arrancou com o processo de venda da GNB Seguros Vida e iniciou o processo de contactos.

A GNB Vida pertence ao Novo Banco (instituição que resultou da resolução do Banco Espírito Santo – BES) e estava em processo de venda.

Aliás, já em 2015, no plano de recapitalização apresentado ao Banco de Portugal, o Novo Banco dava a indicação de que queria alienar a antiga empresa de seguros do ramo vida do Banco Espírito Santo (BES), o que ainda não tinha acontecido.

Nas contas de 2016, o Novo Banco tinha já constituído uma provisão de 135 milhões de euros para eventual desvalorização do ativo na sequência da sua alienação.

No ano passado, a GNB Vida registou prejuízos de 84,6 milhões de euros.

A conta aberta pelo GES 7 meses depois do colapso

Domingo, Setembro 4th, 2016

Citamos

Expresso

Uma offshore da família Espírito Santo detentora de um fundo considerado suspeito pelo MP abriu uma nova conta bancária secreta no Panamá já em 2015

O núcleo duro do Grupo Espírito Santo (GES) decidiu abrir uma conta em março de 2015, sete meses depois do colapso do BES e do GES, num banco no Panamá para guardar ativos de uma offshore detentora de um fundo considerado suspeito pelo Ministério Público por estar envolvido em “operações fraudulentas” ao longo dos últimos anos. Os procedimentos para a abertura dessa conta bancária no Credicorp Bank, sediado na Cidade do Panamá, constam dos “Panama Papers”, a fuga de informação que teve origem na operadora de offshores Mossack Fonseca e que resulta de uma colaboração do diário alemão “Süddeutsche Zeitung” com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), de que o Expresso e a TVI são parceiros em Portugal.

O pedido de abertura de conta aconteceu dois meses antes de o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que conduz os vários inquéritos-crime relacionados com o colapso do grupo financeiro dos Espíritos Santos, ter promovido o arresto de mais de 500 bens em Portugal, entre moradias e empreendimentos turísticos, detidos ou controlados pela família do banqueiro Ricardo Salgado, incluindo a Herdade da Comporta. O arresto era justificado num comunicado da Procuradoria-Geral da República de 18 de maio de 2015, como “uma medida de garantia patrimonial” para impedir uma eventual dissipação de bens que ponha em causa, em caso de condenação, o pagamento de quaisquer quantias associadas à prática do crime, nomeadamente a indemnização de lesados ou a perda a favor do Estado das vantagens obtidas com a atividade criminosa”. Já na semana passada, de acordo com o “Jornal de Notícias”, o DCIAP promoveu um novo arresto, desta vez de todas as contas bancárias que o Ministério Público identificou como tendo como beneficiários ex-responsáveis do GES e cujos depósitos os procuradores estimam poder ascender a mais de mil milhões de euros. Mas nenhuma das contas visadas fica fora de Portugal.

 

O fundo ligado à nova conta no Panamá, de nome Zyrcan Harthan, foi retratado num longo artigo do “Wall Street Journal” a 12 de agosto de 2014, dias após o anúncio do colapso do BES e do GES. O artigo dava conta do papel que esse fundo desempenhou entre 2009 e 2011 na compra de títulos de dívida do BES e de financiamento das holdings de topo do GES de forma a ajudar a família Espírito Santo a manter o controlo do grupo. O jornal norte-americano dava como exemplo uma operação em 2009 quando o BES emitiu 1,8 mil milhões de euros em obrigações de cupão zero (ou papel comercial) em que o Zyrcan “foi o único comprador”, vendendo-as rapidamente a seguir “pelo dobro ou triplo do preço que tinha pago”. Uma obrigação de cupão zero não paga juros a quem a compra. Ela é vendida pelo banco com um desconto sobre o seu valor facial (ou o seu preço de capa) e o ganho está na dimensão desse desconto. De acordo com o jornal norte-americano, que citava uma carta de alguém ligada ao fundo e “enviada a um banco intermediário”, a ideia era lucrar com a revenda desses títulos de dívida em vários lotes “a clientes do Banco Espírito Santo, em Lisboa”. A operação é descrita pelo economista Luciano Amaral no seu livro “Em Nome do Pai e do Filho” como “um esquema de Ponzi ou, como coisas do género ficaram conhecidas em Portugal, de D. Branca”.

O “Wall Street Journal” referia também como exemplo a compra de 174 milhões de euros em títulos de dívida ao BES por parte do Zyrcan na primeira semana de janeiro de 2011, meses antes do plano de resgate a Portugal pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu ter sido acionado, quando o banco da família Espírito Santo enfrentava custos de financiamento muito elevados, atingindo valores recorde devido à pressão crescente dos mercados financeiros sobre a economia nacional.

O Zyrcan foi criado no ano 2000 nas Ilhas Virgens Britânicas a pedido da Eurofin, uma companhia de serviços fiduciários (isto é, de ocultação financeira) fundada em 1999 na Suíça e que tem estado a ser investigada pelas autoridades judiciais em Portugal por estar alegadamente implicada em perdas de 800 milhões de euros para o BES através de “operações fraudulentas” e de estar alegadamente envolvida no desvio de dinheiro do banco para entidades desconhecidas.

UM GESTOR DE CONTA VINDO DO BES

Foi a 24 de março de 2015 que a Eurofin pediu ajuda à Mossack Fonseca para abrir uma conta no Credicorp Bank, no Panamá, para a Arca Investments Limited, uma companhia offshore que é detentora direta do Zyrcan.

Segundo uma troca de e-mails entre a Eurofin e a Mossack Fonseca ocorrida entre março e abril do ano passado, todos os papéis necessários para abrir a conta bancária foram assinados pelos administradores de fachada da Arca Investments — e que eram funcionários da Mossack — de forma a serem enviados para um gestor do Credicorp Bank. Esse gestor, cujo nome é referido nos e-mails mas com quem o Expresso ainda não conseguiu falar, tem nacionalidade portuguesa e tinha estado pouco tempo antes na direção do ES Bank (Panamá), S.A. — mais conhecido como BES Panamá — entre 2011 e 2014, tendo começado a trabalhar para o BES em Portugal em 1996.

A correspondência mais recente encontrada na fuga de informação da Mossack Fonseca sobre o assunto é do final de novembro de 2015, quando Alexandre Cadosch, administrador-delegado da Eurofin e antigo quadro superior do GES na Suíça, foi declarado como o beneficiário final da conta bancária no Credicorp Bank. Numa entrevista ao jornal “Público” em dezembro de 2014, Cadosch assumia-se como mero intermediário financeiro. Os “Panama Papers” mostram, no entanto, que os esquemas de ocultação montados por este gestor para a família de Ricardo Salgado eram sofisticados, incluindo o uso de códigos de assinatura especiais para movimentar contas bancárias.

Não há ficheiros na Mossack Fonseca com detalhes sobre o que aconteceu de novembro de 2015 para cá, durante os últimos nove meses. As informações descobertas na base de dados dos “Panama Papers” revelam, em contrapartida, algumas coisas que ocorreram com o Zyrcan antes disso, ao longo de 15 anos.

Desde julho de 2000 que o Zyrcan é detido pela Arca Investments e gerido pela Eurofin. De acordo com um documento de 2003, o fundo chegou a ter contas em cinco bancos diferentes. Dois deles faziam parte do universo GES fora de Portugal: o Banque Espírito Santo e de la Vénétie S.A., em Paris, e o ES Bank (Panama) S.A., no Panamá; mas os outros três bancos, não: o Crédit Suisse First Boston e a Union Bancaire Privée, ambos em Londres, e o SG Private Banking (Curaçao) S.A. em Curaçao (antigas Antilhas Holandesas, nas Caraíbas). Esse documento revela ainda que o Zyrcan já estava vocacionado na altura para emitir papel comercial, isto é, títulos de dívida de curto prazo, como os que foram usados para financiar a Espírito Santo International, a sub-holding de topo mais importante do GES, no primeiro semestre de 2014 e que deram a perder centenas de milhões de euros a dois mil clientes do BES.

Em 2009, o Zyrcan reduziu as suas contas para apenas duas: no BES Panamá e o SG Private Banking (Curaçao). Em paralelo, a Arca Investments, a offshore que detinha o Zyrcan, possuía uma conta no SG (ou Société Général) Private Banking de Lausana, na Suíça. Aparentemente, as contas da Société Général acabariam por ser fechadas em 2012, depois de, segundo o artigo de agosto de 2014 do “Wall Street Journal”, os funcionários do departamento de compliance desse banco terem exigido saber mais sobre as transações bancárias que estavam a ser efetuadas pela Eurofin sem obterem esclarecimentos.

OFFSHORES CRUZADAS

Nos “Panama Papers” existem várias cópias de acordos de empréstimo feitos entre o Zyrcan e offshores também geridas pela Eurofin e igualmente controladas pelo núcleo duro do GES. Uma delas, a Relcove, tinha contas bancárias com um código de assinatura especial (ENZED) e serviu para a família de Ricardo Salgado deter de forma encoberta ações da Portugal Telecom e do grupo Semapa, de Pedro Queiroz Pereira, como o Expresso contou na sua edição em papel de 20 de agosto último.

O Zyrcan emprestou €20,7 milhões à Relcove em dezembro de 2007, através de dois contratos, um de €19,5 milhões e outro de €5,2 milhões, com a duração de um ano, mas automaticamente renováveis. Um ano depois o fundo concederia um crédito adicional de €3,8 milhões àquela offshore.

Esta sequência de empréstimos — em que quem empresta e quem recebe são as mesmas pessoas — permitia ocultar o fluxo do dinheiro gerado com os lucros produzidos pelas operações do Zyrcan feitas com o BES. Uma ocultação que era reforçada pela forma como as offshores envolvidas foram sendo detidas indiretamente pelos seus verdadeiros beneficiários — a família Espírito Santo — num esquema em cascata e sempre com administradores de fachada a assinar os papéis.

A história da Arca Investments, a sociedade detentora direta do fundo Zyrcan, é tortuosa, seguindo o padrão encontrado noutras offshores do universo Espírito Santo. Inicialmente, a Arca era controlada através de ações ao portador guardadas num cofre do escritório da Eurofin em Lausana, sendo que a 29 de dezembro passou a ser detida pela Paison Holdings, uma companhia já referida pelo Expresso (ver edição em papel de 20 de agosto), pelo facto de as suas contas serem movimentadas por Jean-Luc Schneider, um gestor suíço que foi vice-presidente do Espírito Santo Financial Group (ESFG) — a sub-holding com que a família de banqueiros dominava o BES — e que foi também administrador executivo da Espírito Santo Enterprises, o alegado saco azul do grupo.

Em agosto de 2010 a Arca deixou de ser detida pela Paison Holdings e passou a ser propriedade de uma outra offshore, a Nolania Investissements. Além de ir passando formalmente de mão em mão, a Arca também mudou de país. Incorporada no início de 2000 em Samoa, um arquipélago na Polinésia, a companhia foi redomiciliada em janeiro de 2007 para Niue, uma ilha entre Samoa e a Nova Zelândia com mil habitantes. Confrontado com o fundo Zyrcan e a abertura da conta no Credicorp Bank em 2015, o porta-voz de Ricardo Salgado afirmou que “não faz comentários” sobre o assunto.

HISTÓRIAS QUE O EXPRESSO JÁ PUBLICOU

3 de abril de 2016
O site do Expresso publica, em simultâneo com os órgãos de comunicação social parceiros do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), um extenso artigo que revela a maior fuga de informação da história do jornalismo mundial, com 11,5 milhões de ficheiros que têm como origem a Mossack Fonseca, uma operadora de offshores. Nos dias seguintes, são publicados no site e no Expresso Diário os artigos produzidos pelo núcleo duro do ICIJ, incluindo casos que envolvem chefes de Estado e de Governo como Vladimir Putin e o primeiro-ministro da Islândia.

9 de abril
São publicadas na edição impressa do Expresso as primeiras histórias portuguesas. É revelado que existem mais de 240 portugueses ligados a offshores criadas pela Mossack Fonseca, incluindo mais de 90 intermediários. São descritos os casos de Luís Portela, dono da farmacêutica Bial, de Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica, e do industrial Ilídio Pinho. São publicados ainda dois artigos extensos: um sobre o facto de o saco azul do Grupo Espírito Santo (a ES Enterprises) ter sido mantido em segredo durante 21 anos e outro sobre um gestor de fortunas no Luxemburgo que admitiu ter como clientes ex-ministros portugueses.

16 de abril
É revelado que o dinheiro do caso Sócrates veio do saco azul do GES e que Ricardo Salgado escondeu contas offshore nas Ilhas Caimão e no Panamá e transmitiu um lote na Quinta Patiño para João Rendeiro; e são divulgados os casos individuais de empresários condecorados por Cavaco Silva (o dono da Gelpeixe, Manuel Tarré Fernandes, e o advogado José António Silva e Sousa).

23 de abril
É publicado o artigo que tem gerado mais polémica nas redes sociais: que o MP tem uma lista de alegados pagamentos feitos pela Espírito Santo Enterprises, e que essa lista inclui políticos, empresários e jornalistas. Outras histórias são reveladas: que os deputados do Parlamento da Madeira Tranquada Gomes e Miguel de Sousa tiveram procurações passadas por offshores, que 13 empresas sediadas no Funchal trabalharam como intermediárias e que o empresário Pedro Queiroz Pereira usou uma offshore para pagar um jato privado.

30 de abril
O Expresso cruza informações dos “Panama Papers” com processos de amnistia fiscal (os RERT) e revela que, além de Ricardo Salgado, outros membros da família Espírito Santo recebiam dinheiro no estrangeiro através de offshores. São divulgados outros nomes, como o do empresário Vasco Pereira Coutinho e o do ex-administrador do BPN Luís Caprichoso. E é publicado um artigo sobre sociedades de advogados na base de dados, como a PLMJ de José Miguel Júdice e a SRS de Pedro Rebelo de Sousa, irmão do Presidente da República.

7 de maio
Um artigo explica como Hélder Bataglia, presidente da Escom, se tornou sócio da filha do Presidente do Congo, sendo o português que mais vezes é mencionado nos “Panama Papers”; o que o BES Panamá fazia para esconder o nome de pessoas politicamente expostas; como Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola, usou uma offshore para comprar um barco… E há referências a mais nomes, como Paulo Lalanda e Castro, ex-patrão de José Sócrates.

9 de maio
O site do Expresso passou a disponibilizar a base de dados do ICIJ, com todas as offshores existentes nos “Panama Papers” e os nomes, incluindo de portugueses, que aparecem como acionistas, administradores e beneficiários. Qualquer pessoa pode fazer pesquisas nesta base de dados (basta ir a expresso.sapo.pt/panama-papers). Não estão disponíveis, contudo, os documentos e e-mails que fazem parte do acervo nem aparecem os nomes que possam estar contidos nesses documentos mas que não estejam registados nas fichas de cada offshore.

14 de maio
Zeinal Bava, ex-presidente executivo da Portugal Telecom, assume ter recebido 18,5 milhões de euros da Espírito Santo Enterprises; e Álvaro Sobrinho recebeu cinco depósitos em dinheiro vivo na sua conta no BES Angola entre 2011 e 2012, num total de 19,6 milhões de euros.

16 de julho
Um artigo conta, em pormenor, como a Espírito Santo Enterprises usou contratos forjados para justificar transferências de 17 milhões de euros que foram parar ao fluxo financeiro do caso de corrupção que envolve José Sócrates.

20 de agosto
A edição impressa do Expresso publica um trabalho a explicar como 24 offshores ligadas à família Espírito Santo usavam um código especial de assinatura para movimentar contas bancárias no estrangeiro. Essas offshores serviam para pedir ao próprio BES dinheiro emprestado, que depois era usado nos investimentos da família.

 

Grupo Espírito Santo: ESI só tem dinheiro para pagar 3% das dívidas

Quarta-feira, Janeiro 20th, 2016

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Dinheiro Vivo

A 30 de dezembro, a Espírito Santo International contabilizava 1000 declarações de credores. Créditos podem ser reclamados até 30 de junho.

A 30 de dezembro, a Espírito Santo International (ESI) contabilizava 1000 declarações de credores. Reclamações de créditos podem ser efetuadas até 30 de junho de 2016. A holding que controlava os negócios da área não-financeira da família Espírito Santo e que estava no topo do grupo tinha ativos bancários de 122,7 milhões de euros no final de 2015, de acordo com o relatório dos curadores do Luxemburgo, publicado hoje.

Este montante compara com 4 mil milhões de euros em créditos já reclamados por credores da ESI. Feitas as contas, a empresa que precipitou a queda do GES tem recursos financeiros para reembolsar apenas 3% dos créditos já reclamados. As expectativas de recuperação dos credores são cada vez mais reduzidas. Leia também: Rio Forte mantém dívida de 2,8 mil milhões e reclamações aumentam O relatório dos curadores luxemburgueses alerta ainda que os recursos disponíveis “contém fundos detidos por precaução, no valor de 120,6 milhões de euros”. “Esses fundos referem-se a responsabilidades da empresa em falência sobre os quais terceiros possam vir a invocar direitos”. Até ao final de dezembro, a empresa tinha registado 1000 declarações de credores. Até 31 de agosto, a ESI tinha recebido 2,5 mil milhões de euros em reclamações de crédito.

Em quatro meses, o valor disparou 1,5 mil milhões de euros. Já as disponibilidades financeiras da ESI fixavam-se em 767 mil euros. O valor aumentou com o contributo das receitas de quadros do grupo, vendidos na leiloeira Christie’s em Paris, e a alienação do Espírito Santo Plaza. Leia também: Tribunal gasta 3 milhões com empresas falidas do GES “O processo de venda de imóveis localizados nos Estados Unidos da América está parcialmente concluído. A repartição final do preço de venda entre as diversas empresas de GES será determinado”. O relatório dá ainda conta de que “os ativos de duas sociedades offshores foram recuperados pela empresa em falência”.

As sociedades estão em fase de liquidação. As vendas futuras de ativos da ESI serão anunciadas oportunamente pelos curadores luxemburgueses, que não arriscam apresentar uma estimativa de recuperação de receitas. A reclamação de créditos tem de ser feita para os administradores das insolvências no grão-ducado até 30 de junho. O relatório dos curadores das insolvências das empresas do universo Espírito Santo, datado de 19 de janeiro, faz também um ponto de situação dos depósitos bancários existentes e das dívidas já reclamadas pelos credores da Rioforte e da Espírito Santo Control no Luxemburgo. Relações com outras entidades do GES O GES tem um elevado número de empresas, tendo sido identificadas mais de 500.

Destacam-se a ESI, a Rio Forte Investments e a Espírito Santo Control. “Os curadores têm estado em contacto com curadores e administradores de insolvência de outras sociedade do GES, com o objetivo de identificar oportunidades de cooperação e os riscos de conflito de interesses”. Já no relatório anterior, os curadores alertaram que foram detetadas inúmeras operações de crédito intragrupo, o que gerou reclamações mútuas, garantias e compromissos, “que têm de ser analisados ao detalhe quanto à sua existência, validade e efeitos após as insolvências”. Em matéria de investigações, os curadores continuam o seu trabalho de colaboração com a justiça portuguesa e em contacto regular com o Ministério Público Federal do Cantão de Lausanne com o objetivo de recuperar os ficheiros e os documentos necessários às sociedades do GES para o cumprimento das suas obrigações financeiras, como as fiscais.

Segundo passo da resolução do Novo Banco traz dúvidas à Fitch

Terça-feira, Janeiro 12th, 2016

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Negócios

A partir do momento em que houve dívida sénior do Novo Banco a ser retransmitida para o BES mais de um ano depois da intervenção, há uma herança que tem de ser incorporada na avaliação de risco, segundo a Fitch.

A transferência de cinco linhas de obrigações seniores do Novo Banco para o BES traz dúvidas para a Fitch: os investidores que tinham escapado sem perdas à intervenção perdem, ano e meio depois, o seu dinheiro. Um risco que tem de ser incorporado.

Numa nota de investimento datada de 11 de Janeiro, os analistas James Longsdon e Alan Adkins falam sobre os “riscos de retransmissão dos bancos de transição”. É uma herança que a Fitch acredita que pode ter de ser incluída nos bancos de transição, como é o caso do Novo Banco.

O Banco de Portugal seleccionou cinco das várias séries de obrigações seniores que o Novo Banco recebeu a 3 de Agosto de 2014, quando foi criado, e retransmitiu-as para o BES, o banco “mau”, que vai entrar em liquidação. Um processo que afecta algumas obrigações com o maior nível de privilégio na hierarquia de credores (só são afectadas em caso de incumprimento depois das obrigações subordinadas e das acções) e que coloca títulos da mesma classe em duas entidades distintas.

Segundo a agência de notação financeira norte-americana, o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha tem de ser visto como um primeiro exemplo: “a forma de lidar com o processo de resolução levanta questões sobre como é que a União Europeia vai lidar com resoluções bancárias, particularmente porque os prazos se podem revelar demasiado demorados”. A transferência de dívida sénior ocorreu 16 meses depois da constituição da instituição financeira herdeira dos activos e passivos considerados saudáveis do Banco Espírito Santo.

“A experiência do Novo Banco também significa que qualquer futuro ‘rating’ associado a um banco de transição terá de ser afectado para reflectir riscos de retransmissão dos activos herdados para os investidores até que esse risco seja suficientemente remoto”, indica ainda a nota desta segunda-feira.

O banco português não é avaliado pela agência de notação de risco norte-americana, ainda que a mesma diga que, se classificasse a dívida do Novo Banco, haveria a indicação de um “incumprimento restrito” (quando a Fitch considera que se falhou o pagamento da dívida ainda que sem uma entrada efectiva em incumprimento).

Depois da decisão do Banco de Portugal, que serviu para reforçar os rácios do bancoatravés da retirada de uma responsabilidade de reembolso de 1.985 milhões de euros, aMoody’s comentou que o Novo Banco ainda teria dificuldades pela frente. Já a canadiana DBRS considerou que o novo passo da resolução iria retirar confiança dos investidores.

 

Rede do Novo Banco é isco na venda dos seguros

Quarta-feira, Novembro 18th, 2015

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Negócios

O acordo para a venda de seguros aos balcões do Novo Banco é o principal factor de atracção da seguradora GNB Vida. Companhias sem ligações a bancos perfilam-se como principais interessadas. Venda reduz em 400 milhões necessidades de capital do banco.

O acesso à rede de balcões do Novo Banco para a venda de produtos de seguros promete ser um dos principais factores de atracção da GNB Vida, a companhia que a instituição pretende vender para reduzir as suas …