Arquivo para a categoria ‘Imparidades’

Novo Banco com prejuízos de 1.058,8 milhões de euros em 2019

Sábado, Fevereiro 29th, 2020

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Negócios

Com base nos resultados relativos ao ano passado, o banco liderado por António Ramalho vai pedir mais 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

O Novo Banco registou um prejuízo de 1.058,8 milhões de euros no ano passado, o que representa uma melhoria de 25% face ao resultado negativo de 1.412 milhões de euros no ano anterior. Com base nas contas de 2019, a entidade liderada por António Ramalho vai pedir 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

“O grupo Novo Banco apresentou em 2019 um resultado negativo de -1.058,8 milhões de euros, decorrente da combinação de uma perda de 1 236,4 milhões de euros na atividade legacy e de um ganho de +177,6 milhões de euros na atividade recorrente”, de acordo com os resultados divulgados esta sexta-feira.

Neste período, adianta a entidade, o banco “registou perdas relacionadas com o processo de restruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente os projetos Sertorius, Albatros e NATA II, e o processo de venda da GNB Vida”.

“O Novo Banco fechou o ano com um resultado recorrente muito positivo e um crescimento do negócio acima dos 5%. Foi um feito. Mas também foi um feito fazê-lo em simultâneo com uma redução de 3,3 mil milhões de euros de NPL e uma redução acima de 50% do seu balanço legado”, afirmou António Ramalho, CEO do Novo Banco, no comunicado dos resultados.

O produto bancário comercial ascendeu a 864,1 milhões de euros, o que representa um aumento de 12,5% em termos homólogos, “influenciado pelo crescimento na margem financeira (+19,0%) bem como nos serviços a clientes (+3,1%)”, nota o banco.

Já os resultados de operações financeiras foram negativos em -196,8 milhões de euros, “reflexo das perdas decorrentes da atividade legacy (-269,0 milhões de euros). Em oposição a estes resultados, as reservas de justo valor relacionadas com a carteira de títulos apresentaram um expressivo aumento”

Os custos operativos apresentam uma redução de 1,8%, mostra a instituição financeira, situando-se em 478,5 milhões, “um reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores, tendo os custos da atividade legacy apresentado uma redução significativa”.

Quanto às provisões, o valor fixou-se nos 935,4 milhões, desdobrando-se em 627,5 milhões de euros para crédito e 308,1 milhões de euros para outros ativos e contingências, dos quais 47,3 milhões respeitam a provisões para restruturação e 177,8 milhões estão relacionadas com os processos de venda de ativos não produtivos (NATA II, Sertorius e Albatros) e da GNB Vida.

Menos crédito, mais recursos
O crédito a clientes (bruto) registou uma quebra de -1.658 milhões de euros face a dezembro de 2018. “A redução observada no crédito a empresas no exercício de 2019 teve especial incidência no crédito não produtivo da atividadelegacy, que decresceu -2.841 milhões de euros”, refere o Novo Banco.

Na atividade recorrente, o volume de crédito cresceu 5,6%, registando-se aumentos nas carteiras de particulares e empresas.

Já os recursos totais de clientes totalizaram 34,4 mil milhões, o que representa uma subida de 0,8% no valor em análise.

Novo Banco: Depois do travão, imparidades estão em velocidade furiosa

Segunda-feira, Agosto 26th, 2019

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Expresso

Novo Banco está a vender carteira de malparado de €3,3 mil milhões, o que representa dois terços do valor da sua capitalização em 2014

O Novo Banco está a registar imparidades a mais? No passado pecou por defeito? Andou a reestruturar créditos em vez de os provisionar? Cinco anos depois da intervenção no antigo BES e de uma capitalização de €4,9 mil milhões para manter e devolver o banco ao mercado, as perdas estão à vista. Em dois anos, a fatura cresceu mais €1,9 mil milhões à conta do Fundo de Resolução e não vai ficar por aqui. Existem mais €2 mil milhões para usar.

Como têm sido geridos e recuperados os ativos tóxicos depois da intervenção do banco em agosto de 2014? A resposta a esta questão e à sua originação mesmo antes do colapso do BES só deverá ser conhecida em detalhe quando for feita a auditoria independente obrigatória por lei (e pedida pelo Governo e pelo Parlamento) e o respetivo apuramento de responsabilidades em várias frentes. A auditoria irá incidir sobre “operações de crédito, incluindo concessão, garantias, reestruturação ou perdão de dívida, dações em cumprimento ou execução de garantias”, mas também sobre as operações de “venda de carteiras de crédito ou transferência para fundos de reestruturação”. E têm sido muitas as operações de alienação de crédito malparado do banco comandado por António Ramalho desde agosto de 2016.

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Caixa teve perdas de 50 milhões com queda do BES

Sexta-feira, Abril 19th, 2019

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Expresso

Em 2014, a Caixa Geral de Depósitos tinha investimentos de cerca de 300 milhões de euros no banco liderado por Ricardo Salgado

Há cinco anos, quando o Banco Espírito Santo caiu, a Caixa Geral de Depósitos tinha investimentos de cerca de 300 milhões de euros no banco liderado por Ricardo Salgado. Estes resultaram numa perda de cerca de 50 milhões de euros para o banco do Estado, revela o “Público” esta quinta-feira.

“As perdas resultantes da exposição directa ao BES, num montante inferior a 50 milhões de euros, emergiram fundamentalmente das posições em ações e de parte significativa das obrigações detidas. Tratam-se da posições em que a CGD atuava como investidora”, diz o Banco de Portugal (BdP) numa carta dirigida aos deputados da comissão de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos.

Esta missiva surge após o deputado socialista João Paulo Correia ter questionado Carlos Costa sobre o assunto quando foi ao Parlamento responder aos deputados. Na altura, o governador do BdP disse não ter consigo os dados.

A resposta de Carlos Costa por escrito, em todo caso, ficou aquém do que havia sido pedido. Os deputados também queriam saber a exposição e as perdas totais da CGD com o GES, o que incluía o sector não financeiro do grupo e não apenas a exposição ao banco.

De acordo com os dados do supervisor, o banco público tinha 664 mil acções do BES com um valor estimado de 600 mil euros. Tinha, ainda, obrigações emitidas pelo BES “com valor nominal de 47,35 milhões de euros”.

CGD: Imparidades sobre o BES na base de prejuízos de 519 milhões entre 2014 e 2015

Segunda-feira, Abril 1st, 2019

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Económico

Entre 2014 e 2015, o grupo CGD registou prejuízos de 519 milhões de euros devido entre outros factores, a custos de reestruturação em Espanha e Portugal e a imparidades sobre um grupo financeiro nacional, segundo o relatório da auditoria da EY à gestão da Caixa, num período de 15 anos, que não identificou o grupo financeiro português. Autora do relatório revela agora no Parlamento que é o BES, em resposta à deputada do CDS-PP, Cecília Meireles.

O Banco Espírito Santo (BES) é o grupo financeiro nacional sinalizado na auditoria da EY à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2000 e 2015, como o responsável pelos prejuízos de 519 milhões de euros do grupo CGD em 2014 e 2015 (348 milhões em 2014 e 171,5 milhões em 2015). A revelação foi feita por Florbela Lima, responsável da auditora EY, que está nesta terça-feira, 26 de março, a ser ouvida no Parlamento no âmbito da nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) à gestão da CGD que arrancou hoje os trabalhos.

Segundo Florbela Lima a referência ao “Grupo financeiro nacional” que é feita no relatório da auditoria da EY, na análise à situação financeira do grupo CGD entre 2014 e 2015, é mesmo ao BES. A resposta da autora do relatório foi dada à deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, que pediu  à técnica da EY para confirmar se o BES era o grupo financeiro responsável pelos maus resultados da Caixa naquele período que superaram os 500 milhões de prejuízos.

Resultados que, segundo o relatório da EY, foram influenciados negativamente com “imparidades sobre um Grupo financeiro nacional, pelos custos de reestruturação em Espanha e Portugal e pelo desfasamento entre o crescimento económico e a capacidade de recuperação do crédito vencido”.

Antes da intervenção da deputada do CDS, também Mariana Mortágua, deputado do BE questionou a responsável da EY sobre qual o valor do crédito que foi dado a empresas do Grupo Espírito Santo. A deputada bloquista diz que encontrou uma dívida da Espírito Santo Entreprises, que apontou como uma das operações “mais óbvias” que foi à procura.

Segundo Florbela Lima, foram selecionadas as operações da amostra – as que tinham exposição em 2015 e que registavam maiores perdas – e que dentro deste critério, seria possível encontrar os maiores devedores.

A nova CPI à Caixa foi criada após a divulgação daquele documento que concluiu por perdas de 1.647 milhões de euros em 186 operações de crédito que acabaram por se revelar ruinosas.

É sobre estes resultados que a nova CPI  está hoje a ouvir os três responsáveis da auditoria da EY,  a entidade que marca o arranque dos trabalhos no Parlamento para apuramento de responsabilidades nas práticas de concessão de crédito da CGD ao longo de 15 anos, com a audição aos autores do relatório da EY, Florbela Lima, António Garcia e Tiago Silva.

“Entre 2005 e 2008 foi um período de elevada taxa de imparidades. Temos operações de concessão de crédito com perdas significativas avultadas”, afirmou Florbela Lima, em resposta à deputada do PSD Inês Domingos que questionou a responsável do relatório da EY quanto ao período crítico com elevada taxa de incumprimento face aos regulamentos internos.

Segundo a auditoria da EY no ‘Top 25’ dos créditos mais ruinosos, num total de 1.263 milhões de euros, foi entre 2000 e 2007 que se concentraram 78% destas operações: 871 milhões de euros de perdas registadas em 2015, referentes ao período em que a administração de  Carlos Santos Ferreira (entre 2005 e 2008) é apontada com maior concentração de créditos ruinosos, como à Artlant, a Joe Berardo e ao empreendimento Vale do Lobo.

Sobre os 25 créditos mais ruinosos, a deputada do PSD, Inês Domingues pretendeu esclarecer se as operações que geram as maiores perdas correspondem também a operações com um “grande grau de incumprimento de normativos internos”. Em resposta, Florbela Lima começou por explicar que “a análise foi feita operação a operação, pelo que não foi feita a análise estatística sobre irregularidades de normativos associados a cada uma das operações”.

A autora do relatório da EY frisa, porém, que “as perdas não podem ser relacionadas directamente com incumprimento de normativos”, adiantando que no Top 25 de créditos mais ruinosos “há operações que cumprem normativos e situações de excepção, bem como operações com parecer favorável que geraram perdas”.

Já sobre os regulamentos internos de concessão de crédito, a responsável da EY explicou que o trabalho da auditora teve uma tipificação que aplica-se de igual forma aos 16 anos de análise.

“Na concessão de rédito, existem ordens de serviço que regulam os procedimentos. Da nossa leitura, deste normativo – com base numa ordem de serviço 13/3003 – resulta a intervenção da Direção de Risco na concessão de crédito e garantias – com distinção de prazos superior a 18 meses, com garantias reais superiores a 120% da concessão de crédito,  e inferior a 18 meses”, explicou Florbela Lima.

A segunda CPI arranca nesta terça-feira, 26 de março com a audição da auditora EY. Nos dois dias seguintes, 27 e 28, seguir-se-ão, respetivamente, as audições ao atual governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e ao anterior, Vítor Constâncio.

Para além das audições à EY, a Carlos Costa e a Vítor Constâncio, foram já aprovadas outras ao anterior Revisor Oficial de Contas da Caixa, a Oliveira Rego & Associados, ao anterior responsável pelo departamento de auditoria da Caixa, Eduardo Paz Ferreira, ao anterior presidente do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal, João da Costa Pinto, e ainda a João Dias Garcia, antigo secretário da mesa da assembleia geral da CGD.

A lista de nomes propostos pelo PS, PSD, CDS, BE e PCP, inclui reguladores, auditores, antigos presidentes, administradores e directores do banco, órgãos de fiscalização, políticos e grandes devedores como Manuel Fino da Investifino e Joe Berardo da Fundação Berardo.

Os partidos querem ainda ouvir antigos administradores entre os quais Carlos Santos Ferreira e Armando Vara (2005 a 2008), Celeste Cardona (2004 a 2008), Almerindo Marques (2000 a 2002) e Carlos Costa (2004 a 2006), que também será ouvido na qualidade de Governador do Banco de Portugal.