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Novo Banco não convence. Credor espanhol também critica “baixo preço” da oferta

Domingo, Setembro 10th, 2017

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Eco

Novo Banco não convence. Credor espanhol também critica “baixo preço” da oferta

 

 

“Estas ofertas deviam encorajar os investidores a participar com preços mais elevados do que o mercado… não é este o caso”, critica a Ever Capital, que investiu cinco milhões no Novo Banco.

Duas semanas após o lançamento da oferta de troca de obrigações, os credores do Novo Banco continuam a manifestar muitas reservas quanto ao preço que o banco se propõe a pagar para absorver os cerca de 2,7 mil milhões de euros de títulos de dívida. Ao fundo alemão Xaia junta-se agora a sociedade espanhola Ever Capital Investments, que vem criticar aquilo que considera ser um “preço baixo” que não convence qualquer investidor a participar na operação.

“O preço é baixo”, sublinhou, ao ECO, Eva Rodríguez Roselló, que ajudou a fundar o Ever Capital Investment, com sede em Madrid. “Normalmente, estas ofertas de aquisição deviam encorajar os investidores a participarem e os preços têm ser mais elevados do que os níveis secundários anteriores à oferta. E este não é o caso com a oferta do Novo Banco”, acrescentou a responsável.

“O preço é baixo. Normalmente, estas ofertas de aquisição deviam encorajar os investidores a participarem e os preços deviam ser mais elevados do que os níveis secundários anteriores à oferta. E este não é o caso com a oferta do Novo Banco.”

Eva Rodríguez-Roselló

Ever Capital Investments

Ainda que seja uma operação vital para o futuro do banco, dado que só assim o acordo de venda aos norte-americanos do Lone Star fica fechado, aquilo que está neste momento em cima da mesa não é do agrado de muitos investidores, mesmo perante a possibilidade de um falhanço na operação provocar a liquidação da instituição com perdas para todos.

De acordo com os termos da oferta, o Novo Banco pretende recomprar 36 linhas de dívida pelo seu valor de mercado com preços que cobrem entre 10% e 90% o valor nominal das obrigações. Que é como quem diz: há descontos implícitos entre 10% e 90%, que variam consoante a linha de obrigações.

Foi por causa deste “preçário” diferenciado que o fundo alemão Xaia Investments, que também está no grupo de grandes investidores que colocou Portugal em tribunal num outro caso relacionado com obrigações que foram transferidas para o “BES mau”, questionou a matemática por detrás da oferta logo após o seu anúncio.

“Parece-me que os preços não seguem uma fórmula justa num sentido económico.Parece-me mais uma decisão motivada politicamente“, disse ao ECO Jochen Felsenheimer, diretor daquele fundo alemão que tem cerca de 100 milhões de euros investidos em obrigações do BES/Novo Banco.

Na altura, Felsenheimer queixou-se ainda do tratamento preferencial que é dado aos clientes de retalho, considerando que essa diferenciação não é correta porque “por detrás dos todos investidores institucionais estão investidores de retalho, isto é, os clientes privados aplicaram investimentos que são geridos pelos gestores de ativos institucionais”.

A alternativa tanto para o Xaia Investment como para a Ever Capital Investment pode passar pela opção depósitos em vez do cash. Mas tanto um como o outro fundo ainda não conhecem as condições da oferta que visa trocar dívida por depósitos a três e cinco anos, adiantaram ao ECO. Segundo explicou Felsenheimer, o banco está a informar individualmente os credores acerca das condições após perceber qual o montante que detêm em obrigações do Novo Banco.

“Parece-me que os preços não seguem uma fórmula justa num sentido económico. Parece-me mais uma decisão motivada politicamente.”

Grandes investidores falham AG. Aumenta a pressão sobre o Novo Banco

Domingo, Setembro 10th, 2017

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Eco

Grandes investidores falham AG. Aumenta a pressão sobre o Novo Banco

 

O ECO sabe que o grupo de grandes credores, que detém mais de 30% da dívida, não vai estar presente hoje na AG, adiando para o dia 29 o desfecho. Não querem dar o benefício da dúvida ao Novo Banco.

Autointitulam-se de Comité de Credores e são sobretudo investidores institucionais estrangeiros e que controlam mais de 30% das obrigações que o Novo Banco quer recomprar a desconto para reforçar os seus capitais, uma condição essencial para a venda da instituição bancária ao Lone Star.

Mas o ECO apurou junto de uma fonte desse grupo que nenhum dos elementos do Comité estará presente nas assembleias gerais (AG) que estão a decorrer esta manhã. Estão a acontecer 36 assembleias gerais, correspondentes a 36 linhas de obrigações objeto de oferta.

E por que razão não vão estar presentes? Este grupo, segundo apurou o ECO, considera que os depósitos oferecidos pelo Novo Banco fazem parte material da oferta (ao contrário do Novo Banco, que continua a argumentar que é uma oferta comercial, independente da oferta em curso) e que não têm garantias nesta altura de que vão poder aceder a esses depósitos.

Querem ter um documento escrito que assegure que poderão aceder aos depósitos (ou a um instrumento financeiro equivalente), independentemente do perfil do investidor em causa. E não estão dispostos a dar o benefício da dúvida ao Novo Banco, recordando o que aconteceu em dezembro de 2015, quando parte desses credores perderam o seu investimento porque o Banco de Portugal decidiu transferir as suas obrigações para o bad bank.

Além disso, argumentam, há investidores que fazem parte deste Comité e que não podem ter o dinheiro investido em ativos que não sejam passíveis de ser transacionáveis em mercado, como é o caso dos depósitos.

Para tal, querem sentar-se à mesa com o Novo Banco e o Banco de Portugal para estudarem uma solução técnica que permita ultrapassar estas questões. Já não se trata tanto de uma questão de preço, mas mais da possibilidade de os credores institucionais poderem ou não aceder à remuneração que está a ser oferecida nos depósitos e que vai permitir aos credores amenizar ou recuperar as perdas impostas pela oferta de recompra.

O problema é que até agora ainda não se sentaram formalmente nem com as autoridades portuguesas, nem com a instituição liderada por António Ramalho. O Jornal Económico já tinha noticiado esta sexta-feira que a Pimco, que faz parte deste Comité, não iria votar na primeira convocatória da assembleia. O ECO também contactou outros investidores, — como o fundo Xaia Investments, que detém cerca de 100 milhões, — que confirmaram igualmente que não vão estar presentes. “Não vamos participar e não acreditamos que haja o quórum necessário”, disse o diretor do fundo Xaia ao ECO.

O Novo Banco lançou uma oferta no dia 24 de julho, propondo-se a recomprar as 36 linhas de obrigações vivas, com um saldo de três mil milhões de euros, e com um desconto real que pode ultrapassar os 30%, correspondente a um haircut de 10% a 90% do valor nominal dos títulos.

Não participando na oferta hoje, muitas linhas vão ficar sem quórum para votações, e outras não vão conseguir atingir a fasquia dos 75% de votos que o Novo Banco pretende que seja alcançada para aprovação da cláusula do “solicitação de consentimento de reembolso antecipado”.

Ou seja, a decisão deverá ficar adiada para o dia 29 de setembro, altura em que está marcada a segunda convocatória das AG que estão a decorrer hoje, ou para o dia 2 de outubro, altura em que esgota o prazo de aceitação ou não da oferta.

Novo Banco espera falta de quórum no dia 8 de setembro

Terça-feira, Setembro 5th, 2017

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Novo Banco espera falta de quórum no dia 8 de setembro

Já está previsto pelo Novo Banco e pelo Fundo de Resolução que só em segunda convocatória, já marcada, os obrigacionistas decidam a troca.

O Novo Banco e o Fundo de Resolução não esperam que a decisão dos obrigacionistas de aceitação da oferta lançada no fim de julho seja tomada já no próximo dia 8 de setembro, na primeira convocatória da assembleia de obrigacionistas. O banco está já a contar com a falta de quórum na primeira convocatória das assembleias.

Estas assembleias vão votar a solicitação de consentimento para o reembolso antecipado das emissões de obrigações que são alvo do LME (Liability Managment Exercise).

Segundo disse ao Jornal Económico uma fonte ligada ao processo, está previsto que os investidores institucionais, sobretudo, só votem na segunda convocatória, que por causa disso já foi convocada para 29 de setembro.

Tal como definido a 24 de julho no calendário para a operação de troca de dívida sénior do Novo Banco, a oferta é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado das 36 emissões de obrigações alvo do LME.

A partir das 9 horas (hora de Lisboa) da próxima sexta-feira, dia 8 de setembro, realizam-se as primeiras assembleias de obrigacionistas, que se realizam no escritório de advogados (Linklaters em Londres). Estas são precedidas (48 horas antes) de declaração de aceitação da oferta.

Logo de seguida, o mais depressa possível, é anunciado o resultado das ofertas e é feita a segunda convocatória de assembleias de obrigacionistas (que é o que previsivelmente vai acontecer).

Mais uma vez, 48 horas antes (até 27 de setembro) terão de chegar as declarações de aceitação da oferta e as instruções exclusivas de voto em assembleia de obrigacionistas, para permitir a participação nas assembleias de dia 29 de setembro (decisivas para a aceitação da oferta e sucesso do LME).

A 27 de setembro, até às 18 horas, é também o prazo máximo de revogação de declarações de aceitação da oferta feitas para a primeira convocatória.

Assim que possível são então anunciados os resultados, e no dia 2 de outubro é encerrada a oferta.

A oferta prevê a compra de todas as obrigações referentes a 36 emissões do Novo Banco, é uma oferta com contrapartida em cash, que “proporcionará aos seus detentores um preço alinhado com o mercado e é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado (consent solicitation)”, revelou o Novo Banco em comunicado na altura.

De acordo com as regras da solicitação de consentimento de reembolso antecipado, prevista em todas as emissões, para que as declarações de aceitação da ofertas sejam vinculativas, o nível de aprovação em assembleia tem de ser de 75% dos votos representados, bastando que na reunião estejam presentes 66% dos investidores.

Se a oferta for aprovada nestes termos, a aquisição dos títulos será extensível a todas as obrigações, independentemente de os investidores terem votado favoravelmente. Caso as primeiras assembleias-gerais não reunam 66% dos obrigacionistas, na assembleia realizada por segunda convocatória bastará que se façam representar 33% dos investidores e que a oferta seja aprovada com 75% dos votos presentes para que a aquisição passe a ser vinculativa.

É aqui que residem as esperanças do Novo Banco e do Fundo de Resolução/Banco de Portugal para a aprovação das modificações dos termos e condições de cada uma das séries de valores mobiliários apresentadas no âmbito da solicitação de consentimento, tal como descreve a Tender Offer and Solicitation Memorandum (memorando da oferta e solicitação de consentimento) datados de 24 de julho.

Grandes investidores admitem deixar de apostar em Portugal

Segunda-feira, Setembro 4th, 2017

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Diário de Notícias

Em causa a operação de recompra de dívida do Novo Banco a obrigacionistas.Venda pode estar dependente desta operação

“As compras de obrigações portuguesas pelo Banco Central Europeu não vão durar para sempre.” A frase é de uma fonte de um grande investidor institucional mundial e serve de aviso futuro, quando os maiores credores do Novo Banco enfrentam mais uma leva de perdas depois de no final de 2015 terem visto serem “confiscados” 2,2 mil milhões de euros em obrigações sénior do banco, que acabaram transferidas para o BES mau, que agrega os ativos tóxicos do antigo Banco Espírito Santo. O anúncio e a decisão do Banco de Portugal apanhou então os investidores de surpresa. Foi um choque.

Agora, o Banco de Portugal é de novo visto por investidores estrangeiros como um dos principais responsáveis pela oferta em curso de recompra de dívida do Novo Banco e que acarreta perdas entre 11% e 90% ao longo da maturidade dos títulos, entre entre 2019 e 2052.

Fonte de um destes investidores mundiais diz mesmo que aqueles que forem mais penalizados pelas decisões do Banco de Portugal e do Novo Banco, admitem “não voltar a investir em ativos portugueses”. “Portugal é que vai pagar no futuro todas estas decisões”.

Falando com estes investidores, há quem refira que “as decisões têm sido de algum amadorismo, com falhas técnicas, e com atitudes erráticas e imprevisíveis”. Outra fonte refere ainda que, em Portugal, “nota–se uma descoordenação entre as várias entidades. Isto é assustador, porque foram compradas obrigações seniores e nunca se sabe o que vai acontecer”.

Os grandes credores uniram-se num comité de obrigacionistas que enviou uma carta ao supervisor por estar contra a proposta do Novo Banco: consideram que a proposta não tem base legal e que, dizem, servirá apenas para facilitar a venda à Lone Star. Estes investidores podem travar a venda do banco já que detêm mais de 30% do valor nominal das obrigações do Novo Banco e a operação exige um nível mínimo de aceitação de 75%.

Mas os grandes credores, incluindo nomes como a Pimco, o maior gestor de obrigações a nível mundial e que tem um investimento de 228,6 milhões no banco, enfrentam a ausência de vontade em negociar do lado português. O Banco de Portugal remete as responsabilidades pela oferta para o Novo Banco e este diz que a oferta é transparente e para todos os credores.

Certo é que mais uma vez o Banco de Portugal e o Novo Banco enfrentam os maiores investidores do mundo. E estes não estão nada satisfeitos ao terem de enfrentar novos prejuízos. “O Banco de Portugal e o Novo Banco não mostram vontade em negociar de forma construtiva. Isto é simplesmente chantagem”, disse fonte de um dos investidores estrangeiros. “Não me parece uma boa forma de atrair investimento estrangeiro no futuro.” E pode mesmo afastar investidores da dívida soberana portuguesa, quando deixar de haver a rede de compras do Banco Central Europeu. A expansão do balanço dos três principais bancos centrais – Reserva Federal, Banco Central Europeu e Banco do Japão – deverá abrandar para próximo de zero em 2019.

De costas voltadas

Para já, sabe-se que não há negociações entre o Novo Banco e os seus maiores obrigacionistas, que detêm mais de 30% do montante nominal das obrigações do banco. A operação, denominada LME-Liability Management Exercise -, envolve 36 linhas de obrigações e é uma das condições para a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star. O objetivo do Novo Banco é poupar 500 milhões de euros e reforçar o seu capital. No total, as obrigações abrangem um valor de 8,3 mil milhões de euros.

O Novo Banco já respondeu à carta enviada pelo comité de obrigacionistas, mas não divulgou qual foi a resposta. Estes grandes investidores têm mostrado disponibilidade para negociar uma solução mais vantajosa, quando a oferta que está na mesa envolve perdas para os investidores entre 11% e cerca de 90%. Mas para o Novo Banco as condições da oferta são as que estão na mesa, já anunciadas formalmente e são válidas para todos os obrigacionistas, sem exceções. “O Novo Banco respondeu sempre a todos os obrigacionistas ou seus representantes”, afirmou fonte do Novo Banco ao DN/Dinheiro Vivo.

O braço-de-ferro vai continuar entre o Novo Banco e o comité de obrigacionistas que ainda não decidiu se aceita a oferta. Segundo o DN/Dinheiro Vivo apurou junto do comité de obrigacionistas, “não há negociações em curso”. E lamentam que nem o Novo Banco nem as autoridades portuguesas, incluindo o Fundo de Resolução e o Banco de Portugal, têm ponderado propostas construtivas para responder a algumas questões sobre a oferta.

Os depósitos foram uma solução anunciada pelo Novo Banco como forma de minimizar perdas para os obrigacionistas e incentivá-los a aceitar a oferta. Oferecem juros entre 1% e 6,84% e o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, afirmou à Reuters que estes depósitos vão permitir aos investidores recuperar a totalidade do valor investido.

Mas alguns fundos de investimento e outras instituições alegam que não podem ter depósitos. Ou seja, não podem beneficiar do”incentivo”. Os depósitos, ao contrário de ações e obrigações, não podem ser transacionados no mercado e não podem estar na carteira de alguns dos fundos, apontou uma fonte de um investidor institucional. “Existem questões técnicas, legais, importantes, que não foram tidas em conta na montagem da operação”, apontou uma fonte de um dos principais grandes obrigacionistas.

Analistas e grandes investidores têm outra opinião e falam em oferta coerciva e que obriga os investidores a aceitar a oferta ou a correr o risco de ver falhar a venda do Novo Banco à Lone Star ou que haja uma liquidação ou nova resolução. No mercado, há ainda quem acredite que o Novo Banco poderá baixar o patamar de aceitação da oferta, para abaixo dos 75%, e ficar com os restantes obrigacionistas que não aceitem a oferta. Questionado sobre esta possibilidade, o Novo Banco não comenta.

A oferta decorre até 2 de outubro mas os obrigacionistas terão de dar o seu aval ou rejeitar a operação já no dia 8 de setembro em assembleia geral. Parte destes grandes investidores recorreram para os tribunais devido à transferência de 2,2 mil milhões de euros em obrigações sénior do Novo Banco para o BES mau.

Novo Banco. CEO garante que obrigacionistas vão recuperar todo o investimento

Sexta-feira, Agosto 18th, 2017

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Dinheiro Vivo

António Ramalho está confiante que imposição de perdas aos obrigacionistas do banco será um sucesso. Operação visa ajudar Lone Star a ficar com ex-BES

A proposta de um depósito com remunerações entre 1% e os 6,84% aos obrigacionistas visados pela oferta do Novo Banco para poupar 500 milhões de euros permitirá que estes investidores recuperem a totalidade do valor investido, defendeu António Ramalho, CEO do ex-BES, citado pela “Reuters”. “Esta é uma oferta justa porque em rigor, em última instância, o que se pede aos obrigacionistas é apenas a perda de lucros futuros – a perda de juros futuros, a perda de expectativas futuras”, disse o responsável à agência, esta quarta-feira.

A imposição de perdas de 500 milhões de euros aos obrigacionistas que confiaram os seus investimentos ao Novo Banco foi uma das condições exigidas pela Lone Star para tomar conta do banco de transição que resultou do colapso do BES a troco de zero euros. Contra a indefinição e suspeição que esta operação levantou junto de analistas e agências de rating, o banco acabou por propor o acesso destes lesados a depósitos remunerados que não estarão disponíveis a mais clientes. À Reuters, o CEO do Novo Banco assegurou porém que apesar da imposição de perdas entre 11% e 90% do valor nominal das obrigações, a oferta agora apresentada permitirá “de alguma maneira” recuperar essas perdas, mas só no caso dos títulos que vencem nos anos mais próximos. “Nesta oferta comercial, os depósitos que incidem nas notes até 2022 – cuja oferta tendo sido feita a preço de mercado puro – têm taxas de juro que permitem que, de alguma maneira, seja retomado o valor nominal ou o valor nominal dos títulos”, garante. “Esta oferta [depósitos] permite que o valor final seja igual ao valor de emissão. Eles perdem os juros. [Os obrigacionistas] mitigam as perdas, voltando a recuperar o valor investido. O conceito é de recuperação do valor investido”, sublinha. António Ramalho realça também que apesar dos ‘haircuts’ aos obrigacionistas, há um lado positivo nesta imposição, pois oferece aos mesmos a possibilidade de receber parte dos seus investimentos já em dinheiro, manifestando-se “otimista” em relação ao sucesso da operação. Os cortes e as remunerações Conforme recorda a Reuters, a recompra de obrigações com descontos por parte do Novo Banco visa 36 séries de obrigações, com um valor nominal de 8,3 mil milhões de euros. Estas obrigações vencem entre 2019 e 2052, dependendo da maturidade de cada investimento o juro oferecido pelo ex-BES no depósito remunerado. Como exemplo, note-se que nas obrigações que atingem a maturidade ao longo de 2019, o Novo Banco propõe um depósito a três anos com um juro anual de 6,84%,oferecendo 82% do seu valor – ou seja, se confiou 100 euros ao banco, receberá 82 euros. Um outro caso, em relação aos detentores de dívida que só vence em 2022, a oferta propõe pagar apenas 73,25% do valor, dando acesso a um depósito a 5 anos com um juro de 6,5%. Tal como o Dinheiro Vivo noticiou ontem, esta proposta de obrigações apenas visa algumas obrigações senior do Novo Banco, já que o Banco de Portugal decidiu transferir outras linhas de obrigações de volta para o buraco negro do BES, mais de um ano depois de ter definido o perímetro da resolução. Esta decisão “fora de horas” do supervisor acabou por prejudicar pelo menos 111 particulares que avançaram com os seus investimentos no Novo Banco já depois da resolução, acreditando na palavra do então já dono do Novo Banco, o Banco de Portugal. Estes 111 particulares exigem agora ser retransferidos para a esfera do Novo Banco, de modo a poder participar nesta oferta de troca de obrigações, evitando assim perder 100% dos seus investimentos – que totalizam 19,2 milhões de euros.

Particulares com obrigações do BES querem aderir à troca do Novo Banco

Quinta-feira, Agosto 17th, 2017

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Dinheiro Vivo

Mais de 100 particulares foram empurrados para o “banco mau” pelo BdP. Pedem às autoridades para aderir à proposta de troca de obrigações

O conjunto de 111 investidores particulares que viram os seus investimentos empurrados para o “banco mau” pelo Banco de Portugal (BdP) um ano e meio após a resolução do BES vão contactar o banco central esta semana para solicitar a sua inclusão na lista de obrigações que o Novo Banco quer recomprar com desconto. Em contrapartida a este desconto, o Novo Banco propõe o acesso a um depósito a prazo especial, cuja remuneração pode chegar aos 6,5%. “Vamos enviar esta semana uma carta formal ao Banco de Portugal a solicitar que nos dêem acesso à mesma solução oferecida aos detentores das linhas de obrigações seniores que ficaram no Novo Banco, e que inclui o acesso a um depósito a prazo”, revelou Ruy Ribeiro, presidente da Associação de Obrigacionistas Sénior Particulares Lesados do Novo Banco (AOSPNB), ao Dinheiro Vivo. Acarta será dirigida a CarlosCosta, governador do BdP, mas será igualmente enviada ao cuidado dos grupos parlamentares e à Comissão do Mercado de ValoresMobiliários (CMVM). “Procuramos ter um tratamento igual ao que foi dado aos restantes obrigacionistas, que irão recuperar já 70% a 80% do valor investido e, a médio-prazo, através da remuneração prevista no depósito a prazo oferecido pelo Novo Banco, elevar essa recuperação para a casa dos 90% a 100%”, explicou Ruy Ribeiro. Caso não sejam integrados nesta solução, estes 111 particulares que investiram 19,2 milhões de euros no Novo Banco vão perder a totalidade do seu investimento. “Ainda que as cinco séries de obrigações seniores transferidas pelo BdP do Novo Banco para o BES tenham sido preferencialmente compradas pela Pimco e Blackrock, estes revenderam-nas no mercado secundário e foi o próprio Novo Banco, já depois de agosto de 2014, que as vendeu a clientes através dos balcões, dizendo que como o banco já estava nas mãos do Banco dePortugal, o investimento era seguro e garantido”, explicou o mesmo responsável. O presidente da AOSPNB explicou ao DV que os 111 lesados pelo Banco de Portugal sentem-se discriminados pelo supervisor, precisamente quem devia ser o seu garante, pois este era já responsável pela gestão do Novo Banco quando os trabalhadores da instituição começaram a vender estas obrigações. “Além disso, o Banco de Portugal escolheu a dedo quais as obrigações que iam ser transferidas para o ‘banco mau’”, acusa Ruy Ribeiro. “Só escolheram séries onde os casos de litígio são resolvidos em Portugal. O BdP conhece a justiça portuguesa e sabe que as ações nos tribunais deverão demorar uns 5/6 anos a ser decididas, e depois outros tantos tanto no Tribunal de 2ª Instância como no Supremo, ou seja, o supervisor tem a garantia que os processos podem demorar pelo menos 15 anos.” Já as restantes obrigações seniores sobre as quais o BdP optou por não mudar as regras depois do jogo concluído – leia-se transferi-las para o buraco do BES meses depois da resolução –, não por acaso são as que prevêem que eventuais litígios sejam resolvidos na Justiça Inglesa, bastante mais célere como ficou evidente no recente caso dos ‘swaps’ das empresas de transportes públicos. Origem dos lesados do BdP Foi a 29 de dezembro de 2015 que Carlos Costa decidiu alterar o perímetro da resolução decretada quase um ano e meio antes, transmitindo a responsabilidade sobre cinco séries de obrigações séniores específicas do Novo Banco para o BES – com um valor nominal de 1985 milhões de euros. Na altura, o supervisor garantiu que a decisão apenas afetava investidores institucionais – normalmente grandes fundos de investimento, como as referidas BlackRock ou PIMCO. Contudo, e com o passar do tempo, descobriu-se que mais de uma centena de particulares foram também lesados pela opção de CarlosCosta, já que nos meses que passaram entre a resolução e a transmissão, o próprio Novo Banco andou a vender estas obrigações aos balcões, exigindo um investimento mínimo de 100 mil euros. Tratando-se de apenas 111 investidores, um número de lesados bem menos expressivo que noutros casos similares – lesados do BES, lesados do Banif ou emigrantes lesados –, estes investidores apontam não ter capacidade para organizar grandes manifestações, como aquelas que, mesmo ganhando contornos violentos, ou talvez até por isso, acabaram por obrigar as autoridades a dar ouvidos aos restantes lesados pelas resoluções bancárias decididas da noite para o dia.

Recompra de títulos do Novo Banco impõe perdas aos investidores

Sábado, Agosto 5th, 2017

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RTP com som

A maioria dos investidores do Novo Banco vai ter perdas entre 11 e 90 por cento se aceitarem a recompra dos títulos pelo banco. A alternativa pode ser a liquidação da instituição. O banco propõe aos particulares a constituição de depósitos pelo montante da venda das obrigações para poderem reaver uma parte maior do capital.

Credor do Novo Banco: “investir em Portugal é uma confusão”

Sábado, Julho 29th, 2017

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Eco

Credor do Novo Banco: “investir em Portugal é uma confusão”

 

Fundo alemão investiu 100 milhões no Novo Banco e diz que o sucesso da operação de troca de dívida por dinheiro vai depender dos juros – “o bombom” – que a instituição oferecer nos depósitos.

O fundo alemão Xaia Investment está à espera de conhecer as condições finais da oferta de compra de obrigações do Novo Banco para decidir que rumo dar à posição de cerca de 100 milhões de euros que tem em dívida da instituição. Isto porque o sucesso da operação “dependerá das condições finais dos depósitos” que o Novo Banco vai disponibilizar aos credores, disse o ECO o diretor Jochen Felsenheimer.

Este fundo alemão detém uma posição em obrigações do BES/Novo Banco perto de 100 milhões de euros, mas não está autorizado a divulgar a posição exata. Ao ECO, Jochen Felsenheimer adiantou que já tentou entrar em contacto com o departamento de Relações para o Mercado do Novo Banco, mas sem sucesso. “Eu entendo. Talvez seja demasiado cedo e não queiram dar informação privada”, nota o responsável.

É nesta opção que Felsenheimer acredita que pode estar a chave do sucesso da operação que visa reforçar o capital do Novo Banco em pelo menos 500 milhões de euros.

“O meu entendimento neste momento até agora é que o ‘bombom’ da transação poderá vir da possibilidade de aceitar a oferta dos depósitos, dependendo dos termos finais da oferta”, notou o diretor do Xaia. “Depois de ter estado em contacto com alguns investidores, a minha impressão pessoal é que o nível da oferta em dinheiro é muito desapontante e, por isso, a probabilidade de ter todo o negócio feito dependerá das condições finais dos depósitos“, sublinhou.

“O meu entendimento neste momento até agora é que o ‘bombom’ da transação poderá vir da possibilidade de aceitar a oferta dos depósitos, dependendo dos termos finais da oferta.”

Jochen Felsenheimer

Xaia Investment

Da informação que foi revelada ao mercado até ao momento, sabe-se que cada depósito a prazo disponibilizado renderá juros a uma taxa fixa por um período determinado de tempo que irá variar de três a cinco anos, condições a aplicar em função da série de obrigações.

“No caso de termos uma taxa de juro, que te compensa ao longo do tempo pelo desconto da oferta e finalmente tu tens o ‘par’ (isto é, a soma da oferta mais todos os juros recebidos nos depósitos) ao fim de alguns anos, economicamente, não é nada mais do que uma extensão da maturidade(juntamente com um haircut)”, explica Felsenheimer.

Desapontado com as perdas que pode vir a assumir com o investimento em obrigações do Novo Banco, Felsenheimer tenta desdramatizar esse cenário: “Eu gosto de Portugal, gosto muito das pessoas e até gosto da cerveja Sagres… mas investir em Portugal é às vezes uma verdadeira confusão”.

“Eu gosto de Portugal, gosto muito das pessoas e até gosto da cerveja Sagres… mas investir em Portugal é às vezes uma verdadeira confusão.”

Donde vem o dinheiro para a oferta do Novo Banco? Do balanço

Sábado, Julho 29th, 2017

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Eco

Donde vem o dinheiro para a oferta do Novo Banco? Do balanço

 

O Novo Banco vai gastar quase 3 mil milhões caso os investidores aceitem a troca de dívida. Para pagar, conta com dinheiro da venda de ativos (600 milhões em seis meses) e elevada liquidez do balanço.

É uma das perguntas para a qual os analistas e investidores do Novo Banco ainda não tinham resposta. Onde é que o Novo Banco vai arranjar 2,7 mil milhões de euros para pagar aos investidores caso a oferta de troca anunciada no início desta semana tenha sucesso?

Tendo em conta que recorrer à emissão de dívida é uma carta fora do baralho(já que o banco está precisamente a pedir aos detentores de dívida sénior para devolverem as suas obrigações e assumirem perdas), só resta ao Novo Banco recorrer a fundos próprios.

E que fundos são esses e onde estão? Os responsáveis do banco fecham-se em copas, mas o ECO conseguiu apurar junto de fontes de mercado que o Novo Banco está a contar com o produto da alienação de ativos e o buffer de liquidez que tem no balanço.

Segundo apurou o ECO, nos últimos seis meses o banco conseguiu realizar cash no valor de 600 milhões de euros em alienação de ativos não core. Uma tendência que vai continuar nos próximos anos e, caso se concretize a venda do banco ao Lone Star, o Novo Banco vai contar ainda com o mecanismo de capital contingente (garantia do Fundo de Resolução) que lhe permitirá acomodar perdas nos rácios de capital provocadas pela venda de ativos não core de até 3,9 mil milhões de euros.

Nos primeiros três meses deste ano, o ativo do Novo Banco totalizava 51 mil milhões de euros, menos cinco mil milhões do que os 66 mil milhões de euros contabilizados em março de 2016.

13,2 mil milhões de euros para descontar no BCE?

Em termos de liquidez, o banco também conta com uma posição confortável, e segundo as contas trimestrais tinha no final do primeiro trimestre 13,2 mil milhões de euros de ativos elegíveis para descontar no BCE.

“A oferta prevê a compra de todas as obrigações referentes a 36 emissões do Novo Banco, é uma oferta com contrapartida em cash, proporcionará aos seus detentores um preço alinhado com o mercado e é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado (consent solicitation)”, diz o banco no comunicado onde explica a operação. Caso os obrigacionistas aceitem a troca — que é voluntária — o Novo Banco vai ter de desembolsar 2,7 mil milhões de euros em outubro.

Novo Banco propõe troca de obrigações por depósitos

Quarta-feira, Julho 26th, 2017

Citamos

Público

O Novo Banco já definiu o passo mais decisivo para concretizar a sua venda à Lone Star: recompra antecipadamente dezenas de séries de obrigações a preço de mercado e paga com depósitos. O saldo entre o que gasta e o que poupa em juros permite ter uma folga de 500 milhões para melhorar a solidez.

O Novo Banco comunicou esta madrugada ao mercado os detalhes da operação que falta para finalizar a aquisição pelos norte-americanos do Lone Star. Com o objectivo de reforçar a sua solidez em 500 milhões de euros, o banco liderado por António Ramalho propõe reembolsar de forma antecipada os detentores de obrigações de 36 emissões colocadas no Luxemburgo, e Londres, no valor global de 8300 milhões de euros.

A proposta prevê que o reembolso seja feito a preços de mercado, o que significa que quem aceitar receberá um montante inferior ao valor nominal da dívida. Este desconto varia entre um mínimo de 11% e um máximo de 90,25%, dependendo das maturidades dos títulos, que oscilam entre 2019 e 2052.

Na comunicação que fez aos investidores, o Novo Banco sublinhou que é condição de sucesso desta oferta que um número mínimo de obrigacionistas representantivos de 6276 milhões de euros desta dívida aceite a proposta. Por outro lado, se não aceitarem, a venda ao Lone Star não se concretizará, alertando o banco que as consequências para estes obrigacionistas podem ter “um resultado final mais adverso” do que a proposta em causa, numa referência a uma eventual resolução da instituição.

E vai mais longe neste alerta: “O insucesso na venda do Novo Banco à Lone Star de acordo com os compromissos assumidos pela República Portuguesa perante a Comissão Europeia poderia reintroduzir o tema da liquidação do Novo Banco”.

A oferta termina a 2 de Outubro, depois de convocadas e realizadas as assembleias de obrigacionistas que votarão a proposta. A liquidação da oferta está marcada para 4 de Outubro, pelo que antes desta data o Lone Star não assumirá as rédeas do banco que sucedeu ao Banco Espírito Santo.

Como irá o Novo Banco pagar?

No documento enviado ao mercado, o banco sublinha que “acredita que a sua actual situação de liquidez é suficiente para suportar o desembolso de caixa associado [à oferta], incluindo na circunstância de todos os valores mobiliários serem adquiridos ou antecipadamente reembolsados”. Mesmo que a injecção de capital de 750 milhões de euros prevista na operação de venda à Lone Star ocorra já depois desta operação concretizada.

Por outro lado, o Novo Banco esclarece que os depósitos que poderão atingir um valor máximo de 3000 milhões de euros deverão ter um prazo entre três e cinco anos, consoante a maturidade dos títulos de dívida que substituam nas carteiras dos investidores, sendo que a taxa de juro dependerá também dos termos dessa troca.

A Lone Star acordou comprar 75% do Novo Banco, ficando os restantes 25% na posse do Fundo de Resolução, e aceitou injectar um total de 1000 milhões de euros no banco, 750 milhões no momento da compra e os restantes 250 milhões no prazo de três anos. Adicionalmente, o Fundo de Resolução comprometeu-se a injectar capital no Novo Banco até um máximo de 3890 milhões de euros no caso de se verificar a degradação de activos do banco – em especial na carteira de crédito – com impacto no seu nível de solidez de tal forma que ponha em causa o cumprimentos das metas estabelecidas pelas autoridades europeias.

Os argumentos do Novo Banco

Para tentar convencer os obrigacionista a aceitarem esta oferta, para além do alerta feito acerca das consequências potencialmente mais gravosas num cenário de resolução ou liquidação do banco, a instituição financeira defende também os méritos do valor implícito na troca de obrigações por depósitos.

“Desde a aplicação da medida de resolução ao BES, os preços de mercado secundário dos valores mobiliários têm estado sob pressão devido a um número de factores, nomeadamente devido ao estatuto do Novo Banco como banco de transição” explica na comunicação ao mercado, destacando alguns exemplos como as alterações do Banco de Portugal ao perímetro de activos e passivos, como passagem de títulos para o BES – muito contestada por investidores internacionais -, ou a “existência de vários processos judiciais” na sequência da resolução do banco.

Por outro lado, “os mercados secundários caracterizam-se por níveis reduzidos de liquidez. Os volumes de negociação são reduzidos e deve-se notar que, devido à falta de liquidez (…) os preços sofreram uma grande volatilidade” ao longo dos últimos 12 meses. Portanto, conclui o Novo Banco “caso a oferta não seja bem sucedida e o investimento pela Lone Star não se concretize, os detentos dos valores mobiliários poderão enfrentar perdas substanciais face aos preços de mercado secundário actuais”.

Estes argumentos dirigem-se sobretudo aos investidores institucionais na posse dos títulos em causa, que são também alguns dos que mais têm contestado a passagem de obrigações seniores do Novo Banco para o BES, no valor de mais de dois mil milhões de euros, decidida pelo Banco de Portugal no âmbito das suas competência como autoridade de resolução. Estes investidores, entre os quais se destacam as gestoras BlackRock e Pimco, já recorreram mesmo aos tribunais para defender as suas posições e estarão, agora, do outro lado da mesa desta proposta do Novo Banco, com uma peso significativo no volume total de obrigações abrangidas pela oferta divulgada esta madrugada ao mercado.

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