Arquivo para a categoria ‘José Maria Ricciardi’

Fundo dos lesados do BES processa Haitong e ex-administradores

Sábado, Junho 15th, 2019

Citamos

Económico

Veículo criado para indemnizar lesados do Banco Espírito Santo exige 518 milhões a banco de investimento e cada um dos seis antigos gestores, entre os quais Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi e Morais Pires. Ação deu entrada no tribunal a 7 de junho.

O fundo que representa os lesados do Banco Espírito Santo (BES) avançou, a 7 de junho, com sete ações judiciais, no valor global de 3.626 milhões de euros, contra o antigo banco de investimento da família Espírito Santo (BESI) – atual Haitong -, e seis antigos administradores, que responsabiliza pela queda da instituição em 2014, revelou ao Jornal Económico fonte próxima ao processo. “As ações de responsabilidade solidária deram entrada na passada sexta-feira, 7 de junho, no Juízo Central Cível de Lisboa”, revelou ao Jornal Económico fonte próxima do Fundo de Recuperação de Créditos de clientes do BES, o veículo que foi criado para indemnizar os dois mil lesados do banco falido que compraram papel comercial de holdings do GES nos balccões do BES, Banco Best e Banco Espírito Santo Açores (BAC).

Acusações a Ricardo Salgado

Número de processos no âmbito da Operação Marquês, por tipo de crime

933321

Total: 21

  •  Branqueamento de capitais
  •  Falsificação de documento
  •  Fraude fiscal qualificada
  •  Abuso de confiança
  •  Corrupção activa
  •  Corrupção activa de titular de cargo político

Segundo a mesma fonte, “os réus foram administradores do atual Haitong: Amílcar Morais Pires, José Manuel Espirito Santo Silva, José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral, Ricardo Salgado e Ricardo Espírito Santo”, dando conta que o valor individual de cada acção é de 517,5 milhões de euros. Sobre este montante explica que é o valor das perdas dos lesados em papel comercial da ESI e Rioforte, mais juros: 423,9 milhões de euros de capital mais 93,6 milhões de juros. Recorde-se que Ricciardi foi o único membro do conselho superior do GES que se manteve em órgãos do banco e do grupo após a medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal. Presidiu o BESI, integrado no Novo Banco até à venda à sociedade chinesa Haitong.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

“Não tenho dúvidas de que haverá condenações no caso BES”

Segunda-feira, Março 25th, 2019

Citamos

Público

José Maria Ricciardi, ex-administrador do BES, considera que a resolução do banco foi “um erro colossal” e está convicto sobre o desfecho das investigações à gestão do seu primo Ricardo Salgado. E, sobre o Novo Banco, acusa: “O Fundo de Resolução está a transferir dinheiro para as empresas de recuperação de crédito”.

Na primeira entrevista que dá desde a resolução do banco em que foi administrador, José Maria Ricciardi contraria António Ramalho e diz que o problema do Novo Banco é a sua falta de rentabilidade e o próprio modelo de negócio da instituição.

Na qualidade de gestor do GES (final de 2011 até Junho de 2014), e de administrador do BES, foi visado em processos do Banco de Portugal (BdP). Já este ano o supervisor ilibou-o…
Na verdade, embora tenha sido absolvido pelo BdP, o BdP aplicou-me uma pequena coima [contra-ordenação mínima de 60.000 euros, suspensa em três quartos por cinco anos], nada comparável com a que foi aplicada a outros. Mas não fui inibido de exercer a actividade na banca, pelo que me mantive como presidente do ex-BESI, agora Banco Haitong, por mais três anos após a resolução [3 de Agosto de 2014]. Fui acusado pelo BdP no processo BESA e acabei absolvido. E nos restantes, a base para as investigações do Ministério Público ( (MP), ao BES/GES/PT, ou da CMVM, nem fui constituído arguido.

Pode dizer-se que ao fim de cinco anos de investigação do BdP se sentiu aliviado?
Apesar do caminho ter sido longo, fiquei contente, mas não acho que o BdP me tenha feito um favor. Fez-se justiça.

O facto de a meio de 2013 ter surgido publicamente como rosto da contestação à gestão do seu primo Ricardo Salgado, contribuiu para o BdP não o condenar?
Há um facto que gostava de frisar, e que na época me custou muito e foi mal interpretado. É que eu não me limitei a não participar nas actividades alegadamente fraudulentas, ou ilícitas, também, e desculpe o pretensiosismo, fui o único a exercer os meus deveres de diligência. Entrei para a administração do GES em Novembro de 2011 e, em termos práticos, ao fim de ano e meio já estava a actuar. E quando percebi o que se passava fui várias vezes ao BdP falar. Se me pergunta se eu fui absolutamente perfeito, respondo que a perfeição não existe. Mas quando me apercebi de que a situação no grupo não era correcta, fui o único a agir. E agi sozinho.

O que é que o levou a “puxar o gatilho”?
Em 2012, fui constituído arguido pelo MP por causa de um assunto da EDP, e foi quando comecei a perceber que se passavam coisas, que não tinham a ver comigo, que considerei inaceitáveis. A partir dali comecei a actuar e fi-lo a duras penas, pois estava num grupo com uma componente familiar. E a minha família acusou-me de não a defender, de não ser solidário.

Dizia-se que estava sem controlo, desequilibrado, descontrolado…
Sim, que eu estava descontrolado. E outra narrativa dada na altura era a de que eu queria o lugar do drº Salgado. O que é completamente incorrecto. Portanto, acho que o BdP reconheceu e daí nunca me ter retirado a idoneidade. Mas como a memória é curta, e tudo se passa a correr, ouvi, recentemente, alguém questionar: “Então mas ele estava lá e não sabia de nada?”. Eu respondo: ‘Estava lá e quando soube, actuei, e fui o único.” E houve outros que souberam dos factos e nada fizeram. E note que a organização [o GES] era muito grande.

Que não era só a família que sabia do que se lá estava a passar. Se não me apercebi mais cedo, não foi por não ter querido, foi por não conseguir lá chegar. E os problemas não são assim tão simples de se saberem, pois caso contrário as autoridades não estavam ainda hoje a investigar.

O tempo que as autoridades estão a levar a fechar os processos do BES/GES  não o incomoda?
Os processos são muito complexos, com movimentos financeiros que se passam no exterior, difíceis. E mesmo assim o BdP foi o mais rápido.

Mas a complexidade e as dificuldades das investigações do MP são superiores às do BdP.
É verdade. Devido à dimensão do problema e às várias geografias envolvidas, Venezuela, Dubai, e por aí fora, abriram-se vários processos e cheguei a pensar que o MP os ia partir, para ser mais célere. Explicaram-me que não foi possível fazê-lo, pois as matérias estão muito interligadas e se o fizessem os processos podiam ficar mal instruídos. Os processos são muito grandes e acabam por levar mais tempo a fechar. E os meios do MP para investigar também são escassos, apesar do esforço.

Muitos questionam o tempo que as investigações policiais e do MP ao BES, GES, PT estão a levar e duvidam que resultem em condenações.
Quando ouço dizer que afinal não se passa nada, faz-se uma grande injustiça, porque toda a gente que tem prevaricado e tem cometido crimes tem sido acusada e há condenações. É verdade que a Justiça demora tempo, mas acaba por funcionar. Não tenho dúvidas que levarão a condenações. Mas há sempre o direito à defesa e à presunção de inocência.

Com todos os sinais que já existiam em 2013 de falta de capital no BES e GES, o BdP e o anterior executivo não deveriam ter intervindo mais cedo?  
Hoje é fácil criticar. Eu não venho para aqui defender o BdP, mas o BdP só se apercebeu no final de 2013, no exercício do ETRIC 2 [exame transversal aos créditos dos bancos], quando foi olhar para a situação do GES e viu que as contas não estavam certas [tinha um buraco de 1,3 mil milhões]. O BES era um banco sistémico, que se entrasse em convulsão, como viria a acontecer em 2014, poderia ter repercussões muito graves sobre todo o sistema financeiro. E o BdP foi, por um lado, firme e foi a única instituição a enfrentar o dr. Ricardo Salgado, mas por outro lado, teve que ter um certo cuidado, compreensível pela dimensão e sensibilidade do tema.

Qualquer supervisor bancário tem por missão evitar que os bancos declarem falência, e o BES faliu na praça pública. E teve de ser resolvido com dinheiros públicos.
Sim, é verdade. Mas eu aqui critico mais o dr. Pedro Passos Coelho e sou insuspeito pela relação muito forte que tenho com ele. O problema é mesmo a Resolução, que nunca devia ter sido feita. E não foi o BdP que a quis, foi a União Europeia que a impôs, para fazer aqui uma nova experiência que praticamente não repetiu em mais lado nenhum. E isto revela um problema endémico dos governos portugueses.

O que é quer dizer com isso?
Nunca enfrentam a União Europeia. E o dr. Passos Coelho vai-me desculpar, mas acho que o governo dele não teve coragem, não bateu o pé a esta solução. O buraco estava no GES e o BES nem tinha uma grande exposição ao GES, por, na altura, até estar a cumprir as regras do BdP. O que o BES tinha era um problema reputacional, andara a vender papel comercial das holdings do grupo [problemáticas] aos seus clientes. O tema não era patrimonial, mas reputacional. E em Junho de 2014 o BES até constituiu uma provisão para pagar a integralidade da dívida aos ditos hoje “lesados do BES” [que perderam o que investiram], e que acabou estornada para outras coisas. Ao saber-se de tudo isto, gerou-se um levantamento de liquidez e o BCE, como queria fazer uma resolução, bloqueou a linha emergencial [de liquidez] cujo acesso teria evitado o que aconteceu [o colapso].

Quanto é que era preciso para evitar o colapso do BES?
Seis ou sete mil milhões. E na Grécia foram facultados pelo BCE 100 mil milhões de euros de liquidez e [o BCE] nunca resolveu os bancos. Houve em Portugal um tratamento completamente diferente. Culpo mais o governo de Passos Coelho e a sua atitude face às autoridades europeias.

Passos Coelho e a então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque (agora a trabalhar no fundo de investimento Arrow, de recuperação de créditos), foram desleixados ou não perceberam o impacto do desfecho do BES?
Não avaliaram bem as consequências da Resolução que ainda hoje estamos a viver. Se o BES tivesse sido capitalizado com o que ainda havia de CoCos [obrigações convertíveis, a partir da linha de 12 mil milhões], e nem sei se era preciso esgotá-la, o país estaria agora numa situação mais folgada. E a ida do BES aos 12 mil milhões não evitava que se apurassem responsabilidades e se averiguassem as fraudes. Agora tenta-se confundir tudo, como se a ida do BES ao mecanismo público de capitalização tivesse impedido o apuramento das responsabilidades. Foi um erro colossal!

Ao dar acesso ao BES à linha de 12 mil milhões de euros, o Estado entrava logo no banco e tinha condições de detectar as ilegalidades?
Exactamente. Na Grécia foi o que foi e a banca chegou a estar encerrada para evitar a corrida aos depósitos, mas recebeu liquidez. E não houve resolução. O mesmo se passou em Espanha, onde a Caja Madrid recebeu uma injecção de fundos públicos de 30 mil milhões de euros, e é um banco do tamanho da CGD.

À luz dos acontecimentos acha que a UE actuou com dois pesos e duas medidas?
Acho.

Bruxelas obrigou a que o Banif fosse entregue ao Santander com mais 3,5 mil milhões de verbas dos contribuintes, mas em contrapartida o Deutsche Bank (DB) vai ser salvo pelo Estado alemão com uma fusão interna.
Agora as autoridades europeias fecham os olhos e o DB nunca será resolvido.

O Banco Central Europeu (BCE) e a DGcomp (Direcção-Geral da Concorrência europeia) defendem a criação de bancos transfronteiriços, mas Bona já disse que a questão bancária é um tema de soberania nacional, e vai criar a um grande banco alemão com a fusão do DB com o Commerzbank.
Esse é outro ponto e grave. Portugal defende mal os seus interesses próprios. Não vemos nenhum sistema bancário europeu, a não ser o nosso, a ser detido praticamente por capitais estrangeiros. Em Portugal, parte substancial pertence a bancos espanhóis. Em Espanha, os bancos são espanhóis, em França, franceses e na Alemanha, alemães. E a banca é uma alavanca fundamental da economia. Para a nossa economia isto não é positivo.

Como é que avalia a venda do Novo Banco (NB) ao fundo norte-americano Lone Star, com uma almofada de segurança de 3,9 mil milhões de euros?
Acertar no totobola à segunda-feira é fácil. Mas hoje eu iria mais pela solução do dr. Vítor Bento [o primeiro presidente do Novo Banco] de manter o NB mais tempo na esfera do Estado. Se é para usar o dinheiro do Estado para ir saneando o banco, faria mais sentido mantê-lo na esfera pública, escolhendo gestores profissionais, vendendo-o quando o banco estivesse em melhores condições. Agora ser um privado a gerir os dinheiros do Estado, é uma solução que eu nunca vi em lado nenhum.

Compreende a sequencial correcção de imparidades no Novo Banco, quando todo o sector bancário as está a reduzir?
Não. Quando se deu a Resolução houve análises profundas de casas de auditoria internacionais que disseram qual era o nível de provisionamento que os créditos tinham que ter. Pode-se sempre dizer que os créditos não são estáticos, mas a economia portuguesa até melhorou. Muitos desses créditos têm como garantia activos imobiliários e o que eu sei é que os preços não desceram, até subiram.

Fica surpreendido?
Confesso que fico surpreendido, sobretudo porque os créditos estão lá há cinco anos e os créditos tiveram de ser renovados várias vezes no Novo Banco. E começaram do zero. Agora vêm dizer que o crédito é mau e têm que fazer mais imparidades? Não percebo.

Acha que faz sentido realizar uma nova auditoria às contas do NB até 2014, como defende o Governo?
Também não consigo entender. Mas já ouvi o sr. Presidente da República dizer que a auditoria deve ser feita até este momento. E é o que está correcto. Na banca comercial a maioria dos créditos são a três, a seis, a nove meses e a um ano. O BCP é hoje muito bem gerido e conseguiu sanear-se, reduzindo centenas e centenas de milhões de euros de imparidades e apresentando bons resultados operacionais. Com a economia a melhorar, o Novo Banco registou dois mil milhões de imparidades. O que significa que o seu problema não é apenas de imparidades.

O que é que os números que o Novo Banco apresenta estão a esconder?
Que não consegue gerar cash-flow para a dimensão que tem e isso já não tem a ver com imparidades, mas sim com não conseguir desenvolver novo negócio. E daí ter tido um resultado operacional de apenas dois milhões de euros, que se fosse muito superior teria servido para fazer face às imparidades. No Novo Banco há um problema de rentabilidade e de actividade económica por resolver.

O Governo e o novo Banco justificam o agravamento das imparidades alegando que os problemas vêm detrás, do tempo do BES. Aceita esta tese?
Eu não pertencia ao conselho de crédito do BES [antes da Resolução], mas não a aceito. O NB existe há cinco anos e só ao fim de cinco anos é que se descobre o que se passou lá atrás? A terem sido quantificadas as imparidades deveriam ter sido no início. E por isso é que este tema deve ser bem apurado até porque a situação económica melhorou [e as garantias foram reforçadas]. Sou insuspeito, mas se a culpa é da gestão do dr. Salgado, por que razão as imparidades não foram apuradas quando o NB foi criado?

As empresas de recuperação de crédito compraram os activos imobiliários do NB com forte desconto e agora estão a ganhar muito dinheiro.
Essas empresas estão a ter rentabilidades muito altas. Se se confirmar que são muito altas, então estamos a transferir dinheiro do Fundo de Resolução para os lucros dessas entidades. Há aqui um tema: por imposição do BCE os bancos portugueses aceleraram a descida dos níveis de imparidades, que devia ser mais lenta. E isto obriga à venda forçada, dos ditos NPL (crédito malparado), em proveito das recuperadoras de crédito. O BCP e o BPI têm tentado recuperar o crédito internamente, em vez de recorrerem a entidades externas, o que prova que essa recuperação tem melhores resultados feita in house. Este é um aspecto que também deve se esclarecido.

Saiu a sorte grande ao Novo Banco quando, em 2015, o BESI, o banco de investimento do BES, foi vendido por 400 milhões de euros ao grupo chinês Haitong?
Sim e foi considerado um milagre. E foi por isso que, em 2016, a revista World Finance me considerou o banqueiro europeu do ano. E já se tinham passado dois anos da resolução.

O Fundo de Resolução e o NB podem agradecer-lhe?
O negócio foi feito muito acima do valor de balanço. E depois o Haitong ainda pagou integralmente ao Novo Banco as linhas de 750 milhões de euros. Entraram em 2015 no Novo Banco de uma assentada quase 1,2 mil milhões de euros. Garanto-lhe que até hoje o Novo Banco não fez um negócio destes.

Os chineses quando se aperceberam não devem ter gostado muito?
Os chineses são muito rentáveis, mas seguiram uma linha de que discordei.

Justiça ainda não encontrou todos os acusados da queda do BES

Quarta-feira, Junho 27th, 2018

Citamos

Negócios

A justiça portuguesa ainda não notificou Pedro Mosqueira do Amaral, na Alemanha, Ricardo Abecassis, no Brasil, e Stanilas Ribes, em França, do facto de serem considerados culpados, pelo Ministério Público, pela queda do BES. Só depois podem reagir.

Ainda só dez dos 13 apontados como culpados pela queda do Banco Espírito Santo, entre os quais Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, foram notificados desta consideração da comissão liquidatária da instituição financeira, com a qual o Ministério Público concordou em absoluto.

Neste momento ainda decorrem diligências para que a 1.ª secção do Comércio da Comarca de Lisboa consiga confirmar que três visados foram notificados da decisão que qualifica a insolvência do BES como culposa. Em causa estão os nomes com residência no estrangeiro: Ricardo Abecassis, primo de Ricardo Salgado que vive no Brasil; Pedro Mosqueira do Amaral, na Alemanha; Stanilas Ribes, em França.

As notificações no estrangeiro envolvem comunicações protocolares e embaixadas, pelo que acabam sempre por demorar mais tempo.

Em Fevereiro deste ano, o Ministério Público mostrou “plena concordância” e “total adesão” às considerações deixadas pela comissão liquidatária do BES em relação ao incidente de qualificação da insolvência daquele banco.

[As condutas] terão gerado um prejuízo global para o BES de 5,9 mil milhões de euros, o que conduziu, ou agravou, a situação de insolvência. COMISSÃO LIQUIDATÁRIA
PROPOSTA DE QUALIFICAÇÃO  

Segundo as conclusões da comissão liquidatária, as condutas que considera reprováveis na gestão do banco – ainda que salvaguardando que haverá diferentes graus de intervenção – terão “gerado um prejuízo global para o BES de 5,9 mil milhões de euros, o que conduziu, ou agravou, inelutavelmente, a situação de insolvência em que se encontra”.

Só após a notificação de todos os visados sobre esta consideração é que começa a contar o prazo para que todos possam responder e recorrer do incidente de qualificação de insolvência.

Só depois haverá uma sentença judicial da qualificação de insolvência. Aí, aponta o Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas, haverá identificação dos visados e dos graus de culpa. O juiz poderá determinar a perda de eventuais créditos sobre a massa insolvente ou, também, condenar os afectados a indemnizarem os credores.

CAUSAS

Culpados dão prejuízos de 5,9 mil milhões

A proposta de qualificação da comissão liquidatária e confirmada pelo Ministério Público, que terá de ser validada por sentença judicial, avança com cinco causas para a liquidação.

Venezuela
As cartas de conforto emitidas pelo BES (Banco Espírito Santo) a favor de duas entidades da Venezuela garantiam que o banco iria reembolsá-las caso a ESI não conseguisse pagar as suas dívidas. Salgado e José Manuel Espírito Santo são visados porque eram administradores do BES e da ESI e sabiam da débil situação financeira da última. O banco teve de constituir uma provisão de 267 milhões em 2014.

Papel comercial
O banco comercializou títulos de dívida da ESI, sociedade de topo do GES com contas que não correspondiam à sua situação. A colocação em clientes, ditada por Salgado e Morais Pires, custou ao banco 589 milhões.

Crédito ao GES
Rioforte, Esfil e Escom: são três sociedades financiadas pelo BES, mas cujo acompanhamento creditício não era adequado. O custo imputado é de 791 milhões.

BES Angola
A comissão liquidatária diz que a gestão do BES permitiu o financiamento ao BESA sem cumprir regras legais e estatutárias. O encargo é, na sua óptica, de 2,75 mil milhões, pela provisão que o banco constituiu em 2014 devido à exposição ao BESA, e pelos 273 milhões pela perda das posição que aí tinha.

“Triangularização”
O circuito de triangularização através de veículos pelos quais a dívida do Banco Espírito Santo chegou a clientes da instituição teve encargos de 1,2 mil milhões para o banco, numa operação imputada a Ricardo Salgado e Morais Pires.

 

Guerra entre primos. Depoimento de Ricciardi arrasa Salgado

Domingo, Julho 16th, 2017

Citamos

Sol

José Maria Ricciardi não poupa o primo nos negócios ruinosos que este terá feito. Fala em luvas que terão sido pagas e como Salgado tudo fez para impedir a OPA da Sonae à PT

No depoimento que prestou no âmbito da Operação Marquês, Ricciardi afirma que Salgado fez bluff na questão da compra da participação na Oi. O primo do líder do BES falou também sobre a relação próxima entre Salgado e Sócrates.

No testemunho que deu, no início de maio, no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de Lisboa, no âmbito da Operação Marquês, José Maria Ricciardi arrasou o primo, Ricardo Salgado – dos trabalhos desenvolvidos na compra da Telemar/Oi por parte da Portugal Telecom (PT) à relação com o antigo primeiro-ministro José Sócrates e à existência do saco azul do Grupo Espírito Santo (GES), o antigo líder do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) não poupou críticas ao ex-“dono disto tudo”.

Durante o depoimento, Ricciardi descreveu a intervenção do BESI na procura de alternativas ao investimento da PT na VIVO, operadora de telecomunicações brasileira criada entre a empresa portuguesa e a espanhola Telefónica, que acaba por ser vendida na sua totalidade a esta última. Tais trabalhos eram exigidos por Salgado, que queria singrar no mercado brasileiro – surge então a oportunidade de adquirir uma participação na Telemar, empresa que está na origem da Oi. O líder do BESI sempre se mostrou contra este investimento, apesar de o primo ser um dos que mais defendiam a entrada no negócio.

Quando se opôs à venda da participação na VIVO, Ricciardi afirmou que Salgado contrariou essa ideia, defendendo que em causa estaria um negócio que poderia trazer dividendos ao Banco Espírito Santo (BES). Ricciardi disse ainda que se mostrou contra a entrada na Telemar/Oi desde o início, defendendo que se tratava de uma empresa com pouca solidez e com problemas de gestão, mas que o BESI continuou a trabalhar neste investimento por insistência de Salgado.

Recorde-se que a PT vendeu a Vivo por 7,5 mil milhões de euros e comprou 22% da Oi por 3,8 mil milhões. Este foi considerado um negócio de risco – a Oi era uma empresa muito grande mas muito endividada, a necessitar de capital para reduzir passivo e investir em tecnologia. O Ministério Público suspeita que o negócio da compra da empresa brasileira tenha envolvido pagamentos ilícitos de dezenas de milhões de euros, parte dos quais terão beneficiado Ricardo Salgado e o GES.

Em julho de 2015, Ricardo Salgado afirmou publicamente que “o colapso da Portugal Telecom (PT) dá-se, e esta é uma opinião pessoal, devido ao negócio com a Oi/Telemar. Foi muito pior para a PT o investimento na Oi/Telemar do que o contributo [da compra de 900 milhões de euros de dívida] do Grupo Espírito Santo. O tempo encarregar-se-á de me dar razão”. O antigo líder do BES tentava assim dissociar-se do negócio entre a operadora portuguesa e a empresa brasileira. No entanto, Ricciardi disse no DCIAP que esta oposição pública não passava de um jogada de bluff: Salgado era a favor do negócio e terá insistido para que o BESI realizasse vários trabalhos de estudo quanto às operações necessárias para o que investimento fosse consumado. O primo de Salgado disse ainda que foi este último quem decidiu a entrada da PT na Telemar/Oi, desvalorizando o papel da golden share usada por José Sócrates, que tinha como objetivo impedir que a PT vendesse a posição que tinha na Vivo aos espanhóis até que fosse encontrada uma solução no Brasil. Ricciardi acredita que a influência de Salgado junto da administração da PT terá sido fulcral para a realização do negócio ruinoso.

O medo da OPA No seu testemunho, Ricciardi terá confirmado aquilo que o MP já suspeitava: Salgado terá usado a sua posição e o seu poder financeiro para influenciar a decisão em relação à oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae à PT, em 2007.

Este cenário iria enfraquecer a posição do GES na operadora portuguesa, um cenário que desagradava a Salgado. Por isso, o ex-líder do BES decidiu fazer tudo para travar esta proposta da Sonae – o MP suspeita que Salgado tenha pago contrapartidas não só a José Sócrates, que começou por ser favorável à OPA mas progressivamente se aproximou de Salgado, como também a outras entidades, por forma a conseguir apoio para travar esta oferta.

Ricciardi afirma que se apercebeu do receio existente dentro do GES quando começaram a ser desenvolvidas certas ações dentro do grupo, nomeadamente a concessão de financiamentos a outros acionistas da PT para que estes adquirissem ou reforçassem a sua posição na operadora. Entre eles estava o grupo Ongoing.

Telemóveis fora da sala José Maria Ricciardi falou ainda sobre a relação entre Ricardo Salgado e o então primeiro-ministro, José Sócrates, arguido na Operação Marquês por suspeitas de corrupção passiva para a prática de atos contrários aos deveres do cargo, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação, recebimento indevido de vantagem e tráfico de influências.

De acordo com o depoimento de Ricciardi, o antigo líder do BESI terá recebido instruções quanto ao contacto com o antigo líder do governo – o relacionamento com José Sócrates só deveria ser feito através de Ricardo Salgado. Os dois últimos reuniam-se com frequência e tomavam algumas medidas de cautela – uma delas era deixar sempre os telemóveis fora das salas onde se realizavam as reuniões.

Ricciardi disse ainda no DCIAP que chegou a correr o rumor de que teria sido o seu primo a indicar o nome de Manuel Pinho para o governo. Recorde-se que Pinho, envolvido agora no processo das rendas da EDP, foi ministro da Economia entre 2005 e 2009.

Guerra entre primos O Grupo Espírito Santo (GES) era composto por cerca de 400 empresas, geridas por três holdings: a Espírito Santo International (ESI), a Rioforte e a Espírito Santo Financial Group (ESFG). Esta última era a principal acionista do Banco Espírito Santo (BES) – o negócio financeiro primordial da família Espírito Santo. Com a crise financeira de 2008 e com negócios ruinosos a acumularem-se, as contas do grupo descambam. É nesta altura que o clã começa a dividir-se.

A cisão é visível nas reuniões entre os principais rostos do GES. Em novembro de 2013 são discutidos os pedidos de prestação de contas do grupo feitos por José Maria Ricciardi. Salgado deu um murro na mesa e exigiu um voto de confiança na sua gestão, pedido que Ricciardi ignorou. Começa então uma guerra aberta.

Com a queda do GES, a família fica de costas voltadas. Salgado, aquele que era visto antes como o “dono disto tudo”, fica sem o apoio de familiares e amigos, a braços com vários problemas na justiça. Mas Ricciardi também não é visto com bons olhos entre os Espírito Santo – para a maioria, é considerado um traidor, podendo contar apenas com o apoio do pai, António Ricciardi.

Salgado e Ricciardi acusados pela CMVM

Terça-feira, Junho 27th, 2017

Citamos

Negócios

A CMVM decidiu acusar oito antigos gestores do BES pelo facto de terem dado informação “não verdadeira” aos clientes do banco que investiram em papel comercial da ESI e da Rio Forte, avança a Sábado. Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi arriscam coimas de cinco milhões cada.

Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi e José Manuel Espírito Santo são três dos antigos administradores do BES acusados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, numa contra-ordenação relacionada com a venda de papel comercial da Espírito Santo International e da Rio Forte aos clientes do banco, noticia a Sábado, esta quarta-feira, 21 de Junho.

A entidade de supervisão concluiu que os clientes do banco e investidores em papel comercial das “holdings” do antigo Grupo Espírito Santo tiveram acesso a informação que “não era verdadeira, não era completa, não era actual e não era lícita”, de acordo com a decisão de 2 de Junho, citada pela revista.

Além de Salgado, Ricciardi e José Manuel Espírito Santo, são também acusados neste processo Ricardo Abecassis, Pedro Mosqueira do Amaral, Manuel Fernando Espírito Santo, Rui Silveira e Amílcar Morais Pires. Todos, à excepção deste último, são acusados de oito infracções, puníveis com coimas individuais de 25 mil a 5 milhões de euros.

Entre os acusados estão ainda o BES, visado por seis acusações, e o Banco Haitong, antigo BES Investimento, acusado de duas infracções.

Após terem sido notificados, os acusados têm 20 dias para apresentarem a sua defesa. Só depois desta fase, que deve implicar a audição de testemunhas, haverá uma decisão final da CMVM.

Salgado e Ricciardi acusados pela CMVM

Sexta-feira, Junho 23rd, 2017

Citamos

Negócios

A CMVM decidiu acusar oito antigos gestores do BES pelo facto de terem dado informação “não verdadeira” aos clientes do banco que investiram em papel comercial da ESI e da Rio Forte, avança a Sábado. Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi arriscam coimas de cinco milhões cada.

Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi e José Manuel Espírito Santo são três dos antigos administradores do BES acusados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, numa contra-ordenação relacionada com a venda de papel comercial da Espírito Santo International e da Rio Forte aos clientes do banco, noticia a Sábado, esta quarta-feira, 21 de Junho.

A entidade de supervisão concluiu que os clientes do banco e investidores em papel comercial das “holdings” do antigo Grupo Espírito Santo tiveram acesso a informação que “não era verdadeira, não era completa, não era actual e não era lícita”, de acordo com a decisão de 2 de Junho, citada pela revista.

Além de Salgado, Ricciardi e José Manuel Espírito Santo, são também acusados neste processo Ricardo Abecassis, Pedro Mosqueira do Amaral, Manuel Fernando Espírito Santo, Rui Silveira e Amílcar Morais Pires. Todos, à excepção deste último, são acusados de oito infracções, puníveis com coimas individuais de 25 mil a 5 milhões de euros.

Entre os acusados estão ainda o BES, visado por seis acusações, e o Banco Haitong, antigo BES Investimento, acusado de duas infracções.

Após terem sido notificados, os acusados têm 20 dias para apresentarem a sua defesa. Só depois desta fase, que deve implicar a audição de testemunhas, haverá uma decisão final da CMVM.

Ricciardi quer lançar reconstrução do grupo Espírito Santo

Sexta-feira, Janeiro 20th, 2017

Citamos

Negócios

O ex-presidente do BESI e primo de Ricardo Salgado, que assume ter sido “ingénuo” e se arrepende de ter confiado “em certas pessoas”, diz que o relançamento do grupo familiar terá de acontecer “brevemente”.

O antigo presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) e do Haitong Bank em Portugal admite relançar o Grupo Espírito Santo em breve e reconhece ter sido “ingénuo” ao não antecipar a derrocada da organização antes do Verão de 2014.

“Vou tentar se tiver ainda alguns anos de vida. Construir não vou conseguir fazer, sejamos realistas, mas lançar a construção. (…) O nome Espírito Santo era a melhor marca da banca portuguesa”, diz José Maria Ricciardi, em declarações ao Jornal Económico.

Ricciardi, que em meados de Dezembro se demitiu da liderança em Portugal do Haitong Bank (entidade que comprou o BESI) para desenvolver “actividades profissionais de índole diferente das actuais”, afirma que “ainda é possível” reerguer o grupo, antevendo “grandes dificuldades.”

“Será brevemente, não posso ainda adiantar como. Terá que ser brevemente”, reforça, avaliando que o mercado nacional não tem mercado para mais que três grandes bancos.

Acrescenta ter “condições, conhecimentos e vontade” para ser banqueiro em Portugal e na Europa, lamentando não ter conseguido transformar o BESI num banco de investimento global: “Fiquei a meio caminho nesse processo.”

Em declarações gravadas ao longo de cerca de sete minutos, o primo de Ricardo Salgado assume ter sido “ingénuo” no período que antecedeu a crise no grupo Espírito Santo, ao não ter antecipado os acontecimentos por “ter confiado em certas pessoas.”

“Um pouco de ingenuidade. Uma visão um bocado optimista do carácter das pessoas. Fiquei absolutamente estupefacto (…) com aquilo que fui-me apercebendo já relativamente tarde sobre o comportamento de certas pessoas e sobre o que elas são capazes de fazer por causa do dinheiro,” afirma, sempre sem indicar nomes.

“Sou uma pessoa muito boa com os números, mas às vezes os sentimentos causam-me problemas com números. (…) A hipocrisia é muito maior do que aquela que eu pensava das pessoas e do dinheiro. E não sou de esquerda,” defende.

Finalmente, quando o questionado sobre o que pensa do “optimismo” em torno da “geringonça”, respondeu ter “algum receio que esta onda de optimismo iluda as pessoas e não as prepare mais uma vez para enfrentar dificuldades”.

Ricciardi prefere Novo Banco nacionalizado

Quinta-feira, Janeiro 5th, 2017

Citamos

Negócios

Para o antigo banqueiro, é preferível que o Novo Banco passe temporariamente pelas mãos do Estado a ser vendido a fundos abutre que o poderão comprar e vender aos bocados.

José Maria Ricciardi prefere o Novo Banco nacionalizado a vê-lo entregue a fundos abutre que o vão comprar para, eventualmente, vender aos bocados. A solução vai ao encontro do interesse público, dada a importância que o NB tem no crédito às pequenas e médias empresas, sustenta.

No mesmo dia em que o Banco de Portugal anunciou ter escolhido o fundo norte-americano Lone Star para negociar a venda do NB, o ex- presidente do BESI e do Haitong Bank deu uma entrevista à Sic Notícias para se aliar às vozes que, como Francisco Louçã, criticam a entrega do banco a “fundos abutre” e defendem a alternativa da nacionalização.

Contudo, a nacionalização na versão Ricciardi seria temporária, à luz do que aconteceu por exemplo no Reino Unido nos casos do Lloyds e do Royal Bank of Scotland, em que o Estado entrou o tempo necessário para estabilizar as instituições financeiras e está lentamente a desfazer-se do capital, à medida que as condições do mercado estabilizam.

Esta seria a melhor solução para os contribuintes e para a economia portuguesa em geral, diz Ricciardi, explicando porquê: “Eu acho que é melhor o banco ser nacionalizado, porque o Novo Banco que advém de outro banco que era o BES, tem uma função extremamente importante na economia portuguesa. É, não digo o único, mas um dos principais bancos no financiamento das PME”.

A venda a qualquer um dos fundos que estão na corrida pelo NB é vista com maus olhos pelo antigo banqueiro devido à própria natureza do negócio destes investidores: “Acho que seria muito grave que se deixasse o banco enveredar por um caminho, ou ter um conjunto de investidores — que eu não tenho a certeza, portanto com as devidas salvaguardas — cuja intenção é ir vender o banco aos bocados, passo o termo”.

De modo mais directo, Ricciardi quer “evitar um investimento abutre que retalhe os activos” do Novo Banco.

Esta quarta-feira à noite, o Banco de Portugal anunciou ter recomendado ao Governo a venda do NB ao fundo norte-americnao Lone Star, por ser a que “mais assegura” a “estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança no futuro do Novo Banco”. A decisão não é, contudo, definitiva, já que o fundo “apresenta condicionantes, nomeadamente um potencial impacto nas contas públicas, que se procurarão minimizar ou remover no aprofundamento das negociações que agora se inicia”. Ou seja, a Lone Star quer um aval público, que o Governo quer evitar.

A palavra final caberá ao Governo, tendo Mário Centeno tido já oportunidade de afirmar que, até ao encerramento do processo, nenhum cenário está excluído. Nem o da nacionalização.

 

Ricciardi gere lucros de conta congelada

Sábado, Junho 11th, 2016

Citamos

Correio da Manhã

Milhões em nome de Santos Silva e que pertencem a Sócrates estão bloqueados, mas MP detetou que banco chinês gere a carteira de títulos.

Ricciardi defende modelo da TAP para o Novo Banco

Quarta-feira, Junho 8th, 2016

Citamos

Expresso

José Maria Ricciardi considera que a melhor solução para o Novo Banco hoje é, em vez de vendê-lo, capitalizá-lo através de um aumento de capital. A Haitong, banco que lidera, já tem potenciais investidores interessados neste modelo

Considero que primeiro devia ser feita uma capitalização do Novo Banco, com um aumento de capital. Mais tarde, far-se-ia uma venda, através de uma oferta pública (IPO) em Bolsa, já com o banco a gerar rentabilidade. É esta a minha opinião”, disse José Maria Ricciardi, presidente da Haitong (ex-BESI) ao Expresso e ao Negócios, em Nova Iorque, durante o Pan European Days.

Ricciardi defende então a entrada de um ou mais grandes acionistas no Novo Banco através de um aumento de capital, mantendo-se o Fundo de Resolução durante mais algum tempo, até haver uma dispersão em bolsa. Seria uma solução mais interessante do que vender o banco já, uma vez que fazê-lo agora implica que seja “com um desconto gigantesco”, diz. O aumento de capital, considera, deveria ser feito até ao final do ano.

“Numa comparação grosseira defendo para o Novo Banco uma solução semelhante há que se adoptou para TAP, em que o Estado fivou, entraram acionista, com uma gestão privada e capital”, exemplifica. Ricciardi considera que este modelo faria com que o Novo Banco deixasse de ser um banco de transição, adquirindo uma nova marca, reestruturando-se e tornando-se mais rentável.

“Nós, Haitong, podemos trazer alguns investidores que poderão estar interessados nesta solução. Sabemos e temos contactos com investidores que numa solução destas poderão apresentar-se como potenciais compradores”, admitiu. E foi mais longe, dizendo mesmo que já há interessados, não quis porém dizer quem.

Ricciardi defendeu ainda a existência de uma maior consolidação da banca portuguesa. “Portugal precisa de ter menos bancos, maiores e mais eficientes. É preciso uma reestruturação do sistema financeiro, e essa reestruturação passa por uma maior consolidação bancária”, afirmou. O gestor acha inclusive que a fusão entre o BCP e o Novo Banco é uma possibilidade. Tudo isto, no entanto, implica que haja capital. E Ricciardi sublinha: ou vem do exterior ou de um segundo resgate, e esta última possibilidade está, ao que tudo indica, posta de parte.