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Ricciardi e o livro de Ricardo Salgado: É “patético”

Terça-feira, Março 15th, 2016

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Observador

Em declarações ao Público, o primo de Ricardo Salgado diz que não vai perder tempo a ler o livro que resultou do testemunho direto do ex-presidente do BES e acusa-o de ser patético.

Não leu, nem irá perder tempo a ler: é assim que o banqueiro José Maria Ricciardi, à frente da operação portuguesa do Haitong Bank, antigo braço de investimento do BES que também liderava, reage ao livro em que o seu primo, o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, fala sobre a queda do império Espírito Santo. Em declarações ao jornal Público, José Maria Ricciardi chama “patético” ao primo e acusa-o de ser responsável pela destruição do grupo.

Não é de nova, nem sequer escondida, a inimizade entre os dois membros da família Espírito Santo. Agora, em comentário ao livro Os Dias do Fim, da autoria da jornalista Alexandra Almeida Ferreira e que resultou do testemunho do antigo presidente do BES, José Maria Ricciardi acusa Ricardo Salgado de se “armar em baluarte da honra e da dignidade da familiar que traiu e aviltou”.

“É pelo menos patético que quem é responsável pela destruição de um património familiar de várias gerações, e ainda pelos incalculáveis prejuízos causados à economia nacional, às poupanças de milhares de depositantes, colaboradores e investidores, venha a terreiro arvorar-se em baluarte da honra e da dignidade da família, que ele próprio traiu e aviltou”, diz o responsável, acrescentando que não entende como é que não tendo Ricardo Salgado meios económicos para pagar cauções, pode pagar a assessores de imprensa.

Ricciardi continua a ser investigado por suspeita de tráfico de influências

Quinta-feira, Março 10th, 2016

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Observador

Primo de Ricardo Salgado esteve sob escuta durante 335 dias devido a alegadas irregularidades nas privatizações da EDP e da REN que terão prejudicado o Estado em 130 milhões, segundo a Sábado.

José Maria Ricciardi foi investigado e considerado suspeito pelo procurador Rosário Teixeira na investigação às privatizações da EDP e da REN, tendo sido passado a pente a fino todo o trabalho de assessoria que o Banco Espírito Santo Investimento (BESI) prestou às empresas chinesas China Three Gorges e State Grid – ambas vencedoras dos concursos que garantiam posições de controlo na EDP e na REN. Ricciardi foi mesmo constituído arguido em 2013 por suspeitas da prática do crime de tráfico de influência e ainda continua com esse estatuto porque a investigação ainda não foi concluída.

De acordo com a revista Sábado, que faz esta manhã capa com este tema, as suspeitas iniciais sobre alegadas irregularidades nos dois processos de privatização nasceram no processo Monte Branco e estão relacionadas com crimes de fraude fiscal qualificada, abuso de informação, tráfico de influência, e violação do segredo. E ainda o ilícito contra-ordenacional de abuso de informação, previsto no Código dos Valores Mobiliários. Em 2013, e já depois de José Maria Ricciardi ter sido constituído arguido, o inquérito foi autonomizado do caso Monte Branco.

Pedro Reis, advogado de Riccardi, afirmou esta manhã em comunicado que o líder do Haitong Bank (empresa chinesa que comprou o BESI) vai processar a Sábado.

Tudo porque a revista noticia que o Departamento Central de Investigação e Ação Penal suspeita que o Estado terá sido prejudicado em mais de 130 milhões de euros. Isto é, existem indícios de que os contactos políticos de Riccardi e de outros membros da administração do BESI terão permitido não só ganhar a assessoria das empresas chinesas como também terão permitido aos seus clientes poupar esse montante, ficando o Estado prejudicado já que não terá conseguido arrecadar mais de 130 milhões de euros de receita. No total, o Estado conseguiu uma receita de 3,3 mil milhões de euros com a venda das duas participações.

Trata-se de um caso que deu muito que falar em 2013 porque envolvia escutas telefónicas realizadas a José Maria Ricciardi que ‘apanharam’ o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Ricciardi contactou o líder do PSD com o objetivo de recolher informação sobre a privatização da REN mas, apesar de Passos Coelho ter afirmado de forma clara de que não podia falar sobre esse assunto, as escutas telefónicas foram enviadas para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de forma a serem validadas pelo conselheiro Noronha de Nascimento, então presidente do STJ.

“A circunstância de as referidas interceções não revelarem qualquer receptividade do sr. primeiro-ministro à abordagem realizada pelo suspeito José Maria Ricciari não afasta o preenchimento do crime de tráfico de influência (…), uma vez que se não exige que o agente do crime alcance um resultado favorável às suas pretensões, mas tão-só que venda e abuse da sua capacidade de influência”, lê-se num despacho de Rosário Teixeira, citado pela mesma revista.

Jorge Tomé foi constituído arguido

Além de Ricciardi, também Jorge Tomé foi constituído arguido, segundo a Sábado. Tomé era então o presidente da da Caixa BI, o banco de investimento da Caixa Geral Depósitos que assumia o papel de conselheiro do Estado nos dois processos de privatização, e foi considerado suspeito por alegadamente ter passado informação confidencial a Riccardi sobre os preços apresentados pelos concorrentes da China Three Gorges e da State Grid. Tomé, que foi até há pouco tempo líder do BANIF, foi constituído arguido em Abril de 2013 por suspeitas da prática do crime de violação de segredo, tendo alegado na altura que todas as informações que dera a Ricciardi já eram públicas.

As escutas telefónicas a que Ricciardi foi sujeito durante 335 dias, incluíram contactos com os governantes mais influentes do Executivo PSD/CDS, como Miguel Relvas, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque. Muitas conversas com jornalistas terão sido igualmente gravadas e transcritas. Segundo Paulo Silva, o inspetor tributário que é o braço direito do procurador Rosário Teixeira nos inquéritos por este dirigidos, tais conversas indiciavam uma alegada manipulação da comunicação social por parte do banqueiro. Estávamos no auge da guerra entre Ricardo Salgado e Ricciardi pelo controlo do Grupo Espírito Santo e as batalhas travadas pelos primos no interior da família começavam a ser noticiadas na imprensa.

A Sábado revela também que depois de ter solicitado a sua inquirição a Carlos Alexandre e a Rosário Teixeira, José Maria Ricciardi apresentou igualmente justificações para vários depósitos em numerário que tinham sido feitos nas suas contas, nomeadamente cerca de 385 mil euros. O banqueiro alegou que se tratavam de despesas confidenciais que tinham sido pagas pelo BESI e retificou as suas declarações fiscais – como o seu primo Ricardo Salgado também fez devido a uma prenda de 14 milhões de euros do construtor José Guilherme.

Ouvido pelo procurador Rosário Teixeira em 2013 na condição de arguido, Ricciardi negou qualquer espécie de pressão sobre o poder político ou acesso indevido a informação privilegiada, argumentando que não tinha conhecido antecipadamente as propostas finais da China Three Gorges e da State Grid.

Mas as explicações não convenceram Rosário Teixeira que continua a considerar que houve uma interferência ilícita nos processos de privatização da EDP e da REN – interferência essa que fez com que as propostas das empresas chinesas tivessem baixado da primeira fase para fase da best and final offer. No caso do concurso da EDP, a proposta da China Three Gorges terá sido reduzida de 3,6 para 3,45 euros por ação, enquanto no concurso da REN, ter-se-á verificado uma redução de 3 para 2,9 euros. Resultado: o Estado terá sido prejudicado em cerca de 130 milhões de euros.

Ricciardi processa Sábado

Pedro Reis, advogado de José Maria Ricciardi, afirmou esta manhã em comunicado que o seu cliente “não está incriminado por coisa nenhuma, nem é devedor de qualquer montante à Autoridade Tributária, razão pela qual o objetivo da reportagem só pode atribuir-se a um intuito meramente persecutório”, lê-se no texto enviado para as redações.

Além de considerar que o texto da Sábado “não passa de um conjunto de imputações caluniosas”, o advogado diz que Ricciardi vai “instaurar de imediato ações cíveis e criminais contra o autor da reportagem, bem como contra o diretor e a sociedade proprietária da revista”, acrescentando que “a manifesta intenção dolosa que pauta o desenvolvimento da reportagem e as sucessivas mentiras ou insinuações difamatórias nela constantes, convidam o meu constituinte [José Maria Ricciardi] a não anuir ao repto de exercer por ora o contraditório a que tem direito”.

Ricciardi defende estabilidade nacional para atrair investimento e vender Novo Banco

Domingo, Novembro 29th, 2015

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Negócios

José Maria Ricciardi, actual presidente da Haitong (ex-BESI), defende que a transmissão de confiança e estabilidade política e económica é fundamental para atrair investimento estrangeiro para o país e pode ajudar a uma venda vantajosa do Novo Banco.

José Maria Ricciardi disse não ter ficado surpreendido com os valores apresentados para a recapitalização do Novo Banco, na ordem de 1,4 mil milhões de euros, e acrescentou que o valor seria superior sem a venda do BESI.

“Penso que o banco ainda tem a possibilidade de vender participações que não são estratégicas para conseguir descer essa necessidade para o futuro comprador”, observou.

Quanto à contratação de Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações pelo Fundo de Resolução por 12 meses para a venda do Novo Banco, Ricciardi considera que a situação foi colocada de forma transparente, pelo que desvaloriza questões éticas.

Uma boa venda do Novo Banco é o objetivo que o presidente da Haitong (ex-BESI) espera que seja alcançada por Sérgio Monteiro.

Uma imagem que transmita confiança e estabilidade de Portugal é para Ricciardi um elemento fundamental para atrair o investimento externo numa altura em que a capacidade do investimento interno é limitada para dar uma nova dinâmica económica.

“Precisamos de investimento produtivo para haja mais desempregados que voltem a trabalhar”, disse quando questionado sobre a abordagem menos austera e de estímulo ao consumo que o novo Governo pretende implementar.

Ricciardi sublinhou que a adopção de formas artificiais de impulsionar o consumo podem ser prejudiciais e aumentar o endividamento e desequilíbrio das contas externas.

O Fórum Empresarial do Algarve arrancou esta sexta-feira com o tema “2020, Portugal e o mundo” e termina este domingo, dia 30 de novembro.

Caso BES. Reavaliação da idoneidade de Ricciardi só se colocará a partir de 2016

Sexta-feira, Outubro 23rd, 2015

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Observador

Reavaliação só se verificará no caso de alguma condenação no Banco de Portugal. Regulador entende que responsabilidades são claramente diferentes da dupla Ricardo Salgado/Amílcar Morais Pires.

Depois da segunda acusação do Banco de Portugal (BdP) contra os ex-responsáveis do Banco Espírito Santo (BES) é a grande interrogação que persiste: a idoneidade de José Maria Ricciardi – o único membro da família Espírito Santo que continua a exercer funções no setor bancário como presidente executivo do Haitong Bank (ex-Banco Espírito Santo Investimento) – vai ser reavaliada?

Ao que o Observador apurou, o supervisor do sistema bancário não pretende tomar nenhuma iniciativa imediata. Isto é, o facto de Ricciardi ter sido acusado pela segunda vez por parte do BdP de uma contraordenação grave não implica automaticamente a abertura de um processo de reavaliação da idoneidade.

 Segundo o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, a idoneidade é um requisito fundamental para o BdP autorizar, por exemplo, a nomeação de um titular de um órgão social executivo de uma instituição de crédito ou sociedade financeira.

Tal processo de reavaliação de idoneidade só estará em cima da mesa no início do segundo trimestre de 2016 – altura em que o primeiro de processo de contraordenação do caso BES deverá estar concluído no BdP. Essa data é a mais provável de acordo com fontes das diferentes defesas.

Isto é, Ricciardi e os restantes 17 acusados só saberão entre abril e junho de 2016 se o regulador mantém ou reduz os termos dessa primeira acusação. Será então o tempo da condenação formal por parte do BdP, através do Conselho de Administração liderado pelo governador Carlos Costa.

Pelas seguintes razões:

  • Em nome das garantias de defesa que qualquer acusado tem no regime jurídico português. José Maria Ricciardi, tal como todos os ex-responsáveis do BES, foi apenas acusado – ainda não foi condenado pelo BdP. Está a decorrer neste momento a fase de instrução do primeiro processo de contraordenação (relacionado com falsificação de contabilidade da Espírito Santo International) onde todos os acusados têm o direito de contestar a acusação, apresentando prova e testemunhas que fundamentem os seus argumentos. Só após essa fase será tomada uma decisão final administrativa: a condenação ou absolvição. O que se prevê para o inicio do primeiro trimestre de 2016,sendo certo que é raro uma entidade administrativa absolver um arguido depois de o ter acusado.
  • Até a essa data, deverão ser concluídos os restantes três processos de contraordenação que o BdP abriu na sequência da derrocada do BES/GES. Se José Maria Ricciardi voltar a ser acusado, esse eventual fato será relevante para uma eventual reavaliação da sua idoneidade.
  • É certo que uma condenação em processo administrativo, como são os do BdP, é sempre passível de recurso para as instâncias judiciais, no caso o Tribunal de Supervisão, sedeado em Santarém, e deste para a Relação de Lisboa. Mas qualquer reavaliação do processo de idoneidade não esperará pelo trânsito em julgado de eventuais recursos.

    Contactado pelo Observador, fonte oficial do regulador afirmou: O Banco de Portugal, dentro dos seus poderes e atribuições, leva a cabo um processo contínuo de reavaliação de idoneidade dos titulares de órgão sociais de qualquer instituição de crédito, tendo em conta, em particular, o conhecimento de novos fatos devidamente provados”.

     Ricciardi diferente da dupla Salgado/Morais Pires 
  • Uma coisa, contudo, é certa. A situação de José Maria Ricciardi é claramente diferente aos olhos do BdP face à posição, por exemplo de Ricardo Salgado, ex-presidente da Comissão Executiva do BES, e de Amílcar Morais Pires, ex-CEO do BES. Basta ler as duas acusações do regulador já produzidas para constatar essa diferença.

Na primeira acusação, conhecida em maio de 2015, é imputado a Ricciardi, juntamente com outros ex-administradores do BES, uma violação negligente das suas funções de administrador ao não ter contribuído para a adoção de um sistema de gestão de riscos adequado na colocação de títulos de dívida da Espírito Santo Internacional (uma das holdings do Grupo Espírito Santo que faliu) junto de clientes do BES. Já Ricardo Salgado e Morais Pires são apontados como tendo conhecimento da situação de falência técnica da ESI e de não terem informado o BdP e os restantes administradores desse fato. Além das suspeitas de falsificação de contabilidade da ESI que são imputadas a Salgado.

Salgado, aliás tem as acusações mais graves, sendo acusado de atos dolosos de gestão ruinosa. Esta infração é igualmente imputada a José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo e Ricardo Abecassis.

Em suma: o BdP entende que José Maria Ricciardi, como a maioria dos restantes ex-administradores do BES, não tinham conhecimento da gravidade da situação da ESI mas que teria a obrigação como titular de órgão social executivo de assegurar que o banco tinha os devidos mecanismos de risco.

No caso da segunda acusação, conhecida na semana passada, José Maria Ricciardi foi acusado a titulo doloso título doloso, juntamente com António Souto, Jorge Martins, Joaquim Goes, João Freixa e Stanislas Ribes, de três contra-ordenações reativas ao deficiente sistema de gestão, controlo e avaliação de risco.

Mas, mais uma vez, a situação é diferente. Ricardo Salgado, Morais Pires e Rui Silveira, ex-administrador executivo, são os principais protagonistas na ótica do Banco de Portugal. Nesta segunda acusação estão em causa as relações entre o BES e a sua subsidiária Banco Espírito Santo Angola (BESA), nomeadamente a exposição de mais de três mil milhões de euros de empréstimos ao BESA decididos em Lisboa. O trio Salgado/Morais Pires/Silveira é acusado pelo regulador a título doloso de não ter informado o BdP da real situação desses créditos e da situação financeira problemática daquele banco angolano (que impediu o pagamento dos empréstimos) mesmo depois dessa informação global lhes ter sido transmitida em Luanda no âmbito de uma conturbada Assembleia-Geral especialmente convocada para o efeito. Regressados a Lisboa, Salgado, Morais Pires e Silveira não partilharam, segundo o BdP, a informação com os restantes administradores do BES (incluindo Ricciardi) nem informaram o regulador.

Nova acusação une Salgado e Ricciardi contra Banco de Portugal

Segunda-feira, Outubro 19th, 2015

Citamos

Negócios

O Banco de Portugal tem responsabilidades nas perdas que o BES teve no BESA, concordam Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, na reacção à nova acusação do supervisor. Ambos fazem duras críticas a Carlos Costa.

A segunda acusação do Banco de Portugal contra os antigos administradores do BES uniu Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi nas críticas à entidade liderada por Carlos Costa. Apesar de desavindos, ambos os primos …

Ricciardi diz que “estava ao alcance” de Carlos Costa afastar Salgado

Sábado, Outubro 17th, 2015

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Económico

José Maria Ricciardi, único dos banqueiros ligados ao BES ainda em funções, reage às acusações de ontem do Banco de Portugal. Instituição devia ter afastado Salgado em Dezembro de 2013, defende.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal é hoje visado num comunicado assinado por Pedro Reis, advogado de José Maria Ricciardi. “O Banco de Portugal faz, lamentavelmente, uma gestão política dos processos contra-ordenacionais, visando camuflar as responsabilidades que lhe são atribuíveis, de forma a esconder que estava ao seu alcance determinar o afastamento do Dr. Ricardo Salgado, desde Dezembro de 2013, conforme o meu representado preconizava”, lê-se no comunicado enviado às redacções por Pedro Reis, advogado de José Maria Ricciardi.

Este comunicado surge depois de ontem à noite ter sido revelado que o Banco de Portugal (BdP) acusou Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi, Rui Silveira, Joaquim Goes e 11 outros ex-gestores do antigo Grupo Espírito Santo (GES) num processo de contraordenação relativo aos elevados financiamentos concedidos pelo BES ao BES Angola. O advogado de José Maria Ricciardi defende assim ser “absolutamente falso” que o seu representado “tivesse tido conhecimento de irregularidades praticadas no BESA nos exercícios anteriores a 2014”.

Na mesma carta Pedro Reis lê-se que “não é legítimo” que a instituição presidida por Carlos Costa “se arvore em acusador e justificeiro, atingindo todos os membros da Comissão Executiva do BES por igual, relativamente a uma área de actuação em que as responsabilidades que lhe são inerentes não podem ser silenciadas”, aponta o primo de Ricardo Salgado, actual presidente do Haitong Bank, ex-BESI.

“Não cabia ao meu representado o pelouro do relacionamento com o BESA, nem foi alguma vez chamado a intervir na actividade dessa subsidiária”, escreve o advogado de Ricciardi, explicando que “o BESA tinha órgãos sociais próprios e entidades fiscalizadoras a quem competia a responsabilidade da avaliação das boas práticas de gestão bancária”, e que “os dados oficiais transmitidos através dos órgãos institucionais do BESA, não suscitavam, em termos objectivos, quaisquer dúvidas ou incertezas sobre a legalidade, rentabilidade e integridade da ‘governance'”.

“O meu representado não participou em nenhuma Comissão Executiva do BES desde Abril de 2013 até Junho de 2014, que aprovasse, reforçasse ou renovasse qualquer linha de crédito a BESA”, lê-se no comunicado a que o Económico teve acesso.

Na parte final de um documento com 10 pontos, Pedro Reis escreve que “o Banco de Portugal sabia há muito que não era possível proceder no quadro interno do BES a uma avaliação de risco sobre as linhas de crédito concedidas ao BESA, dada a inexistência de informação relevante sobre a sua carteira de crédito, tendo-se conformado com essa realidade que lhe foi dada a conhecer pela entidade supervisora em Angola”.

Num comunicado com várias acusações, lê-se que “as imputações formuladas contra o meu representado estão longe de corresponder à verdade, omitindo o Banco de Portugal de forma grave o conhecimento de que dispunha sobre a impossibilidade de avaliação da carteira de clientes do BESA, dado tais elementos serem considerados confidenciais pelo Banco Nacional de Angola, tendo o Banco de Portugal reconhecido a legitimidade desta instituição, ao atribuir-lhes poderes para sustentar a supervisão”.

Ricciardi entre os ex-gestores do GES acusados pelo Banco de Portugal

Sexta-feira, Outubro 16th, 2015

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Observador

Novo processo de contra-ordenação do Banco de Portugal, relacionado com o BESA, visa Salgado, Morais Pires, entre vários outros ex-gestores do GES.

José Maria Ricciardi é um dos ex-gestores do Grupo Espírito Santo (GES) alvo de contra-ordenações num novo processo lançado pelo Banco de Portugal que está relacionado com créditos ao BES Angola(BESA). Ricciardi, que se manteve como presidente do banco de investimento BESI após o colapso do grupo e que continua como líder dessa instituição – que agora se chama Haitong Bank, após ser comprada pelos chineses da Haitong –, é o único dos 16 gestores acusados que manteve a idoneidade e está em funções na banca nacional.

O Diário Económico noticia esta manhã, citando o documento da acusação a que teve acesso, que os visados são Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi, Rui Silveira, Joaquim Goes e 11 outros ex-gestores do antigo Grupo Espírito Santo (GES). Em causa estão elevados financiamentos concedidos pelo BES ao BES Angola. O Banco de Portugal identificou falhas em matéria de ‘compliance’, auditoria interna, gestão de riscos, informação de gestão e reporte de controlo interno, escreve a publicação financeira.

 Os ex-gestores receberam esta semana o documento da acusação e têm um prazo de 30 dias para apresentarem a sua defesa.

Acusações de dolo a Salgado e outros

O antigo presidente executivo do banco, Ricardo Salgado, o seu braço-direito para a área financeira, Morais Pires, e o responsável pela auditoria do banco, Rui Silveira, são os que enfrentam um maior número de contra-ordenações: quatro. O Jornal de Negócios diz que estes são acusados de ser autores, a título doloso, de três contra-ordenações e uma infracção especialmente grave.

A elementos como José Manuel Espírito Santo, António Souto, Jorge Martins, José Maria Riccardi, Joaquim Goes, João Freixa e Stanislas Ribes, é imputada a autoria das três contra-ordenações relativas aos sistemas de gestão, controlo e avaliação de risco.

Ex-BESI compromete-se a melhorar acesso de investidores chineses à Euronext

Terça-feira, Outubro 6th, 2015
Ciamos
Negócios
A introdução de valores mobiliários de taxas fixas denominadas na moeda chinesa é uma das medidas resultantes do acordo entre a Euronext, que gere a Bolsa de Lisboa, e a Haitong.

A Haitong, empresa chinesa que adquiriu o antigo Banco Espírito Santo de Investimento, pretende facilitar o acesso de investidores estrangeiros aos mercados de capitais geridos pela Euronext, como é o caso da Bolsa de Lisboa.

 

A introdução de valores mobiliários de taxa fixa (títulos de dívida) denominados em renminbi, a moeda chinesa, faz parte do memorando de entendimento assinado entre a Haitong e a Euronext esta segunda-feira, 5 de Outubro, que contou com a presença de José Maria Ricciardi, líder do Haitong Bank (ex-BESI), e Luís Laginha de Sousa, presidente da gestora da bolsa de Lisboa. Além disso, também se pretende estudar o lançamento de produtos que permitam a internacionalização da moeda chinesa.

 

A promoção de lançamentos de empresas em bolsa é outro dos objectivos do memorando de entendimento que tem como objectivo, segundo o comunicado de imprensa da Euronext, “melhorar o acesso dos investidores e empresas de investimento chineses aos mercados e produtos Euronext, e a entrada nos mercados de capitais europeus”.

uma intervenção em inglês, Laginha de Sousa afirmou que o memorando de entendimento será não só uma oportunidade para as duas signatárias mas também para a economia portuguesa, dada a “importante posição” que a Haitong, após a compra do BESI, assumiu no mercado financeiro português.

 

Quando pertencia ao Banco Espírito Santo, ainda antes de pertencer ao grupo chinês, e de ter mudado de nome para Haitong Bank, o banco de investimento liderado por José Maria Ricciardi já era um parceiro da bolsa de Lisboa. Era uma parceria entre as duas entidades que levava as empresas portuguesas a Nova Iorque para reuniões com investidores do centro financeiro.

 

Para José Maria Ricciardi, conforme disse na conferência de imprensa, a assinatura do memorando vai “trazer investidores dessa parte muito importante do mundo” que são os mercados asiáticos.

Ricciardi: Segunda tentativa de venda do Novo Banco vai atrair mais interessados

Sexta-feira, Outubro 2nd, 2015

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Económico

O presidente-executivo (CEO) do Haitong Bank, José Maria Ricciardi, considera que a decisão de adiar a venda do Novo Banco foi correcta e acredita que surgirão mais interessados na segunda fase do processo de venda.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente do antigo BESI afirmou que o futuro concurso para vender o Novo Banco, mais flexível e que deixe de obrigar a venda imediata de 100 pct do capital do ‘good bank’, deverá atrair mais interessados, para além dos candidatos do primeiro processo de alienação recentemente cancelado. Em 16 de Setembro, tal como o Diário Económico tinha avançado em primeira mão, o Banco de Portugal (BP) decidiu cancelar o processo de venda do Novo Banco e lançar um segundo concurso, mas não avançou um ‘timing’ preciso, embora uma fonte próxima do processo tenha dito que deverá ser em finais de 2015 ou inícios de 2016. No primeiro procedimento, chegaram à fase final a seguradora chinesa Anbang e a também chinesa Fosun, bem como a norte-americana Apollo.

Ricciardi disse que o concurso inicial foi dificultado pela incerteza sobre quanto capital necessitará o Novo Banco, adiantando: “a experiência também deu aos negociadores a ideia que fazer uma negociação parcial torna o formato mais flexível e pode atrair um maior número de investidores”.

Realçou que, “por exemplo, poder ser vendido só 51 pct e o resto ficar no Fundo de Resolução para se fazer depois uma ‘saída’ em Bolsa, isso não estava previsto neste primeiro concurso”.

“Sinceramente acho que, do ponto de vista técnico, esta decisão (de adiar venda) foi uma boa solução e acho que vai trazer à mesa (das futuras negociações) não só os anteriores interessados, como um maior número de interessados na aquisição do Novo Banco”, disse o CEO.

O Chief Executive Officer (CEO) adiantou que tal “poderá até melhorar a situação de partida do preço do venda do Novo Banco, no que diz respeito à parte que vai entrar no Fundo de Resolução”.

“Portanto, não compartilho em nada essa visão que agora isto, a venda do Novo Banco, vai ser um drama. Tenho a opinião contrária e acho que foi uma boa decisão (adiar)”.
Afirmou que a “Gestão que está no Novo Banco é extremamente competente e, até ao novo concurso, irá sempre melhorando a situação do banco, como o fez até agora em todos os seus aspectos”, referindo: “não tenho nada a ideia que o Novo Banco vai piorar ou perder valor”.

Adiantou que o Haitong Bank não fará qualquer ‘bid’ pelo Novo Banco “porque a Haitong Securities é um banco de investimento e não quer entrar na área da banca comercial”.
“Mas, a Haitong Bank, agora que já não pertencemos ao Novo Banco e não temos esse conflito de interesses, poderá vir a ser assessor de futuros interessados ou nas participações não estratégicas que o Novo Banco vai alienar”, afirmou.

“Ou aparecer com algum comprador, assessorando algum potencial investidor novo no novo formato, que se vai verificar no próximo concurso”, acrescentou José Maria Ricciardi.

Após terem falhado as negociações exclusivas com a chinesa Anbang, que tinha o melhor ‘bid’, também fracassou o processo negocial em exclusivo com a chinesa Fosun 0656.HK. O BP e a norte-americana Apollo não entraram propriamente em negociações exclusivas pois, após curtos contactos, chegaram à conclusão que não fazia sentido e o processo foi cancelado.

“Às vezes quando se fazem calendários de venda das instituições não se conseguem controlar os calendários de todo um conjunto de outras situações que acontecem”.
Lembrou que “os ‘stress tests’ que o Banco Central Europeu (BCE) está a fazer aos bancos portugueses vão decorrer durante o mês de Outubro e, portanto, só no final do mês de Outubro é que se vai ter a certeza das exigências de capital, seja do Novo Banco, seja dos outros bancos portugueses”.

“É muito difícil estar-se a negociar a venda de uma instituição financeira, sem se ter a certeza exactamente do valor que será ou não necessário, qual o montante do aumento de capital, neste caso do Novo Banco, mas também poderá ser de outras instituições portuguesas”.

Adiantou que “são muitas variáveis, desde qual o nível de ‘common equity’ Tier 1 que o BCE vai impor, como é que é avaliada a carteira de crédito da instituição, etc…”

“É muito difícil estar a negociar com um comprador, sem ter estes assuntos mais apurados porque decorre destes o valor que o comprador está disposto a pagar ao Fundo de Resolução (FR)”.
Salientou que “também se aprende caminhando e é preciso perceber que o BP – não é nenhuma crítica – é a primeira vez que está a negociar a venda de instituição financeira, nesta situação muito especial, que nunca aconteceu na Europa”, e para os consultores também é uma estreia com um caso destes.

“Além disso, segundo sei, vai ser dada uma autonomia importante à Administração do Novo Banco, ao dr. Stock da Cunha, para alienar um conjunto de participações que não são estratégicas, nem têm grande interesse para o futuro comprador do Novo Banco e que acrescentam capital, libertam capital”.

Isto “fará que o total do aumento de capital que vai ser calculado, depois de se saberem os resultados dos ‘stress tests’, poderá não ser tão elevado como seria na situação em que estas participações pertencem ao Novo banco”.

Na sequência do colapso do Império da família Espírito Santo e dos prejuízos recorde do BES no primeiro semestre de 2014, o BP a 3 de Agosto decidiu a resolução do BES e criou um ‘banco bom’ expurgado de activos tóxicos – o Novo Banco que foi dotado de 4.900 ME de capital.

O Tesouro, usando a linha pública prevista no resgate do país, concedeu um empréstimo de 3.900 ME ao Fundo de Resolução (FR), que é detido pelos bancos do sistema português, com um prazo de três meses, renovável até um máximo de dois anos e uma taxa crescente para incentivar o reembolso.

Alguns banqueiros têm alertado que, caso o Novo Banco fosse alienado por menos do que os 4.900 ME de capital injectado, os restantes bancos do sistema teriam de reconhecer imparidades entre a diferença do valor de venda e aquele montante, o que penalizaria os seus resultados e poderia pesar no capital.

 

Reuniões que aprovaram venda do papel comercial do GES sob investigação

Segunda-feira, Setembro 28th, 2015

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Económico

Goes esteve nas reuniões, mas queixa-se de falta de informação. Salgado, Morais Pires e Ricciardi estiveram ausentes.

O processo de aprovação da venda de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) a clientes do BES está a ser passado a pente fino pelo Banco de Portugal (BdP) e pela CMVM, apurou o Económico. Os procedimentos em questão incluem as duas reuniões em que foi dado o ‘OK’ à venda destes títulos, com a presença de vários altos responsáveis do grupo BES. Os supervisores procuram apurar quem tomou as decisões, se as regras foram cumpridas e se todos os intervenientes sabiam o que estava em causa.

Em causa estão uma reunião do Comité de Activos e Passivos (ALCO), de 4 de Setembro de 2013; e outra da comissão executiva do BES, de 3 de Outubro de 2013, na qual foi aprovada a acta do ALCO, sancionando assim a comercialização do novo produto financeiro, que viria a lesar cerca de 2.500 clientes do banco. Os quais ainda hoje tentam recuperar os seus investimentos.

As actas das reuniões, a que o Económico teve acesso, demonstram que as colocações foram discutidas no ALCO e na comissão executiva, embora os documentos não refiram o montante total. “Na proposta de oferta para Setembro [de 2013] é de destacar a nova oferta de curto prazo do BES Ordens, aos prazos de seis meses e de seis meses a um ano, extensível a todos os segmentos”, refere a acta do ALCO, que um mês depois foi votada na comissão executiva. Porém, o administrador com os pelouros do risco e do marketing, Joaquim Goes, garantiu ao BdP que não conhecia o montante das colocações nem a real situação das empresas do GES que emitiam o papel comercial. Segundo a “Visão”, Goes, que esteve presente nas duas reuniões, acusa o antigo presidente-executivo (CEO) Ricardo Salgado e o administrador financeiro (CFO) Amílcar Morais Pires de terem ocultado “deliberadamente” os riscos destas colocações.

Neste contexto, o BdP e a CMVM estão a investigar o teor e a qualidade da informação que foi prestada nas duas reuniões, tendo já recolhido depoimentos de funcionários do BES. As investigações dos supervisores partem de ângulos distintos, mas complementares: para o BdP, estão em causa as regras da boa gestão bancária, enquanto a CMVM analisa o problema do ponto de vista dos direitos dos investidores. Os resultados das investigações poderão servir para novos processos de contra-ordenação e serão comunicados ao Ministério Público.

Segundo as actas, na primeira reunião, estiveram presentes os membros da comissão executiva do banco, directores de departamento e administradores de subsidiárias como a ES Ventures, o BESI e o BEST. Na segunda, estiveram os membros da comissão executiva, incluindo Joaquim Goes, mas houve três ausências de peso: Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e José Maria Ricciardi. O paradeiro dos dois primeiros, nessa data, é do conhecimento público, já que se encontravam em Angola para pedirem ao presidente José Eduardo dos Santos a concessão de uma garantia soberana para a dívida que o BESA tinha a pagar ao BES.

Na reunião do ALCO, o Departamento de Gestão de Poupança (DGP), que reportava a Morais Pires, apresentou uma nova oferta comercial através do “BES Ordens”, com aplicações em dívida de “grandes empresas nacionais e empresas GES”, com maturidades de três meses, seis meses e um ano. A aposta no novo produto era justificada com o interesse demonstrado pelos clientes nas aplicações de tesouraria de empresas do GES, após os supervisores terem forçado o banco a reduzir a perigosa exposição ao fundo ES Liquidez, que investia sobretudo em empresas do GES.

O novo produto era apresentado como “financeiro não complexo” e, no enquadramento apresentado no ALCO pela DGP, é referido que a informação prestada aos clientes incluiria as “características do programa, as contas e demonstrações de resultados certificadas, a informação sobre a actividade da empresa e o tipo de riscos associados ao investimento”. Adiantava que se pretendia “utilizar a Plataforma BES Ordens para a comercialização destas emissões”. Desta forma, a colocação do papel comercial foi discutida e aprovada pelo ALCO, embora as emissões não tenham sido aprovadas individualmente. Até ao fecho da edição, não foi possível obter esclarecimentos de fontes oficiais do BdP e da CMVM.