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Venda do Novo Banco: Herdeiro do BES ainda tem riscos para o Estado

Domingo, Dezembro 24th, 2017

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Negócios

A venda do Novo Banco à Lone Star foi o negócio do ano de 2017.

Mais de três anos depois da sua criação, após um concurso falhado e seguindo-se a vários pedidos de nacionalização, o Novo Banco foi alienado. Não na sua totalidade; apenas 75% do seu capital passou para as mãos americanas do fundo de “private equity” Lone Star. O Fundo de Resolução, que é financiado através de contribuições dos bancos a operar em Portugal, manteve 25% da instituição financeira na sua posse. Não houve lugar a pagamento, apenas foi assegurada a capitalização do banco. Entraram, no imediato, 750 milhões de euros através da Nani, que deu os 75% à Lone Star. E quase a fechar o ano a nova injecção garantiu mais 250 milhões de euros ao banco, conforme estava previsto.

Com a venda, deixou de haver um banco de transição. Para o governador do Banco de Portugal, a alienação de 75% do Novo Banco permitiu cumprir “integralmente as finalidades que presidiram à resolução do Banco Espírito Santo”, determinada a 3 de Agosto de 2014, com a injecção de 3,9 mil milhões de euros estatais no Fundo de Resolução, que terão de ser devolvidos até 2046. A alienação foi a colocação de um ponto final num processo que tornou Carlos Costa um alvo de críticas no Parlamento.

Só que o dossiê não ficou fechado. Na venda, que foi coordenada por Sérgio Monteiro, o Fundo de Resolução assumiu a partilha de riscos em torno do Novo Banco. É o chamado mecanismo de capitalização contingente, que cobre um conjunto específico de activos que a Lone Star considerou tóxicos e que em determinadas condições, nomeadamente prejudicando os rácios de capital do banco, poderá obrigar a uma capitalização pelas instituições.

O Governo assegurou o mecanismo devido à “preservação da estabilidade financeira”, referindo que “os seus compromissos” são “eventuais”. A injecção poderá obrigar à entrada de até 3,9 mil milhões de euros vindos do Fundo de Resolução. Ainda que permitindo a venda, o BCP foi para tribunal para impedir que o mecanismo de capitalização contingente venha a ser executado.

A partilha de riscos não é, no entanto, a única forma possível de mobilização de montantes que pertencem ao Fundo de Resolução relativamente ao banco presidido por António Ramalho. Há centenas de processos judiciais em torno da intervenção administrativa ao BES, nomeadamente contra a resolução ou contra a comercialização de produtos vendidos pelo antigo BES. Um dos processos mais relevantes, pela dimensão, é de grandes gestoras de fundos internacionais, como a Pimco e a BlackRock, que, para além de terem tentado travar a alienação, têm feito um esforço de boicote de idas aos mercados de outros bancos portugueses, como a CGD e o BCP.

A vida do Novo Banco continua. Com o Estado por perto.

Cheque de 250 milhões do Lone Star já chegou ao Novo Banco

Sexta-feira, Dezembro 22nd, 2017

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Eco

Depois dos 750 milhões injetados no Novo Banco, o Lone Star realiza a segunda parte do aumento de capital no valor de 250 milhões. O banco de António Ramalho mudou de auditora para a EY.

Não era obrigatório, mas o Lone Star comprometeu-se em passar o último cheque para concluir a compra do Novo Banco ainda este ano. E cumpriu. A Nani Holdings, a sociedade que vai assumir a posição do fundo norte-americano no banco liderado por António Ramalho, recebeu esta quinta-feira a segunda tranche de 250 milhões de euros, a tempo do Natal, anunciou a CMVM. Por outro lado, o banco mudou de auditores da PwC para EY.

O cheque do Lone Star “chega até ao Natal”, já tinha garantido ao ECO fonte oficial do fundo norte-americano. O dinheiro chegou praticamente uma semana antes do “fim do prazo”, já que o que estava acordado era a entrada do dinheiro no banco até ao final deste ano, e não no prazo de três anos como na versão inicial.

Esta tranche junta-se ao primeiro cheque de 750 milhões de euros que chegou ao banco que resultou da falência do Banco Espírito Santo em outubro, altura em que foi celebrada a venda da instituição de transição. Isto em troca de uma participação de 75% do fundo no banco, com os restantes 25% a ficarem nas mãos do Fundo de Resolução.

“[O cheque do Lone Star] chega até ao Natal.”

Fonte oficial do Lone Star

Esta injeção de mil milhões de euros foi uma das condições para que o Novo Banco fosse vendido ao Lone Star, para além de uma troca de dívida por depósitos que permitiu ao banco uma poupança de 500 milhões de euros para reforçar os rácios de capital.

Na assinatura do contrato de venda do Novo Banco, o senior managing directordo Lone Star afirmou que “através desta operação de venda e do processo de recapitalização (…) a posição de capital do Novo Banco melhorou significativamente. Hoje, o Novo Banco é uma instituição sólida e bem capitalizada”.

Garantir a solidez do Novo Banco

Inicialmente, tinha ficado definido que o montante de 250 milhões chegaria num prazo de três anos. Mas esta injeção acabou por chegar ao banco liderado por António Ramalho ainda este ano. Porquê? Para que a instituição financeira apresente rácios de capital sólidos.

Através desta operação de venda e do processo de recapitalização (…) a posição de capital do Novo Banco melhorou significativamente. Hoje, o Novo Banco é uma instituição sólida e bem capitalizada.

Donald Quintin

Senior managing director do Lone Star

Só com este montante de mil milhões de euros, a que se somam os 500 milhões da troca de dívida, é que o banco liderado conseguiu apresentar uma solidez acima do exigido. Apesar de o banco não revelar qual é o impacto desta injeção, é suficiente para o Banco de Portugal considerar que os níveis são adequados.

Novo Banco vai avançar ainda com outra operação para reforçar os rácios. Mas desta vez não conta com o Lone Star, terá de conseguir atrair investidores no mercado. Obanco liderado por António Ramalho vai emitir dívida subordinada. Pretende obter um montante mínimo de 400 milhões de euros.

Serão emitidos títulos que, não contando para o rácio de capital core da instituição, contam para o rácio de capital total do Novo Banco. Se não houver procura para estes títulos, ou a taxa de juro exigida for extremamente elevada, o Fundo de Resolução toma firme a emissão com o dinheiro que está destinado ao mecanismo de capitalização contingente (num total de 3,89 mil milhões de euros).

 

Tribunal obriga Banco de Portugal a divulgar contrato de venda do Novo Banco

Quinta-feira, Dezembro 21st, 2017

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Negócios

O Banco de Portugal está obrigado a divulgar o contrato de venda do Novo Banco a fundos internacionais que investiram em obrigações do BES, ainda que podendo proteger partes que considere confidenciais, segundo decisão do tribunal administrativo de Lisboa.

O pedido de acesso ao contrato de venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star foi feito por 19 fundos de investimento internacionais que investiram em obrigações subordinadas do Banco Espírito Santo (BES), que aquando da sua resolução ficaram no ‘banco mau’ BES, com penalização dos investimentos.

Na sentença a que a Lusa teve acesso, de 13 de Dezembro, o tribunal administrativo de Lisboa “intima” o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução bancário a “no prazo de 10 dias” darem aos fundos a “cópia do contrato de compra e venda” no Novo Banco, ainda que “expurgado da informação relativa à matéria confidencial”.

Contudo, decide também o tribunal, que a entidade liderada por Carlos Costa tem de justificar a eventual ocultação no contrato de determinadas matérias que considera confidenciais.

Estes fundos de investimento já tinham pedido, em Setembro, acesso ao contrato ao Banco de Portugal e ao Fundo de Resolução, mas como não lhes foi dado avançaram com uma acção judicial a “requerer a intimação de prestação de informação e consulta de processos”.

Contactados já pela Justiça, o Fundo de Resolução e o Banco de Portugal consideraram, de acordo com a sentença, que o contrato é confidencial, uma vez que contém “informação de natureza altamente sensível e sigilosa”, quer sobre a “vida interna do comprador e do próprio Novo Banco”, quer sobre o “segredo de negócio”.

O tribunal diz que não conhece o contrato, mas admite que poderá haver matéria que envolvam “segredo comercial e/ou sobre a vida interna do Novo Banco e/ ou do comprador”, decidindo assim pela sua divulgação retirando os “elementos confidenciais”.

Contudo, exige a Justiça, que o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução fundamentem a ocultação de determinadas partes, “explicitando os concretos motivos para entender que os documentos revelariam dados confidenciais”.

Estes 19 fundos de investimentos já têm outro processo na Justiça em que pedem a impugnação da medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo (BES) e a criação do banco de transição Novo Banco, pelo que o tribunal considera que, nesse âmbito, poderá ser importante terem conhecimento dos contornos da venda já que tal “pode ter consequências na respectiva esfera jurídica e, nesse sentido, os seus interesses”.

Estes fundos reclamam 700 milhões de euros em investimentos.

A Lusa contactou o advogado que representa estes fundos de investimento internacionais, Nuno Silva Vieira, que não quis prestar declarações relativamente ao processo. Contudo, considerou que este tipo de sentenças representa “um grande avanço na democratização do sistema financeiro português” por permitir acesso a informação fundamental para a defesa dos investidores.

A maioria do capital do Novo Banco foi vendida ao fundo norte-americano Lone Star este ano.

O contrato de promessa de compra e venda foi assinado em final de Março, tendo o negócio sido efectivado em 18 de Outubro.

O fundo norte-americano Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injectar 1.000 milhões de euros.

Em troca, ficou com 75% do capital social do Novo Banco, continuando os restantes 25% com o fundo de resolução bancário, entidade gerida pelo Banco de Portugal e antes da venda o único accionista.

Da resolução à venda, como encolheu o Novo Banco

Quarta-feira, Novembro 22nd, 2017

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Eco

Foram mais de 1.100 dias de vida do banco de transição. Uma vida atribulada e de ajustamento à realidade. É um banco mais pequeno, mas tem mais depósitos dos clientes e a liquidez também aumentou.

Foi a 4 de agosto que nasceu o Novo Banco. Resultante da resolução do BES, o banco de transição demorou mais de três anos a abandonar esse estatuto. Foram mais de 1.100 dias em que o banco, atualmente liderado por António Ramalho, foi encolhendo, preparando-se para a venda que acabou por acontecer a 18 de outubro.

Agora, ainda antes da venda ao Lone Star, tudo mudou. Conheça, em cinco indicadores, como encolheu o Novo Banco:

De 0,2 a 6,2 mil milhões de liquidez

A situação era critica antes da resolução do BES. E não melhorou muito para o banco que “nasceu” a 4 de agosto. Nessa data, a instituição liderada, à data, por Vítor Bento, era de apenas 200 milhões de euros. Mas o banco conseguiu recuperar. Até setembro deste ano, ainda antes de assinada a venda ao Lone Star, a liquidez era de 6,2 mil milhões de euros.

Há BCE, mas muito menos

O Novo Banco conseguiu diminuir a dependência do financiamento do Banco Central Europeu. Se na altura da resolução, o banco de transição necessitava de um enorme apoio da instituição liderada por Mario Draghi — 8.768 milhões de euros –, pouco antes da passagem de banco de transição para uma instituição com um novo dono, esse financiamento caiu para 5.121 milhões.

Palavra de ordem: desalavancar

O banco de transição tinha, na altura em que foi criado, 72.383 milhões de euros em ativos, montante que tinha, forçosamente de encolher. E encolheu: baixou em 21.892 milhões de euros à custa de uma forte redução do montante da carteira de crédito. O montante concedido pelo Novo Banco reduziu-se em 9.937 milhões ao mesmo tempo que os depósitos cresceram. Resultado? O rácio de transformação baixou de 140% para 103%.

Provisões para os erros do passado

Ao longo dos mais de 1.100 dias em que viveu, o banco de transição teve de fazer um enorme esforço para resolver erros do passado. Esse esforço passou pelo reconhecimento nas contas de elevadas perdas, mas também pela constituição de enormes provisões. Neste período, o Novo Banco provisionou 3.695 milhões para cobrir créditos em risco. Este ano, até ao final de setembro, foram realizadas provisões no valor de 563,2 milhões.

Atrair mais clientes (e as suas poupanças)

Ao mesmo tempo que o Novo Banco teve de encolher, o que ficou patente no saldo do crédito, para garantir a liquidez necessária teve de conseguir atrair clientes. Uma tarefa nem sempre fácil num contexto de queda dos juros — o banco de transição tinha limites às taxas que podia praticar –, mas que o banco soube cumprir. De 24.617 milhões de euros a 4 de agosto, o saldo de depósitos cresceu 5,5% para 25.960 milhões no final de setembro.

Novo Banco. Vitória numa prova de obstáculos

Quarta-feira, Novembro 22nd, 2017

Citamos

Eco

 

Do anúncio da resolução à venda, viveram-se 1.172 dias de intensas negociações. Batalhas negociais, mas também jurídicas, que culminaram na passagem do banco de transição para o Lone Star.

“Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao Banco Espírito Santo (BES) uma medida de resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo, denominado de Novo Banco.” A frase, proferida num domingo ao final da noite por um Carlos Costa visivelmente exausto, marcou a primeira resolução de uma instituição financeira nacional. Foi uma “experiência” complexa que deu o tiro de partida para uma prova de obstáculos negociais, mas principalmente jurídicos, que culminou com a venda do Novo Banco ao Lone Star.

No BES, o chamado banco “mau”, ficaram os ativos problemáticos, que implicaram perdas avultadas para acionistas e detentores de dívida subordinada. Para o Novo Banco, o banco que nasceu desta resolução, passaram os outros ativos. A instituição financeira de transição, que recebeu uma injeção de 4.900 milhões de euros, ficou nas mãos do Fundo de Resolução e na esfera do Banco de Portugal (BdP) e do Ministério das Finanças. O objetivo era a venda, o mais rapidamente possível. E ao melhor preço.

Foi o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF) que deu ao Banco de Portugal as armas necessárias para resolver um banco, procurando com essa medida extrema evitar consequências graves para a estabilidade financeira. Era, segundo o RGICSF, o banco central que determinava “as medidas de resolução que melhor permitam atingir as finalidades (…), cuja relevância deve ser apreciada à luz da natureza e circunstâncias do caso concreto”. Portanto, fiscalizava, resolvia e supervisionava o Fundo de Resolução, o que podia levantar dúvidas. Era uma situação “intrinsecamente problemática” e de “potencial conflito de interesses”, salienta um especialista à Advocatus.

O RGICSF nunca tinha sido posto à prova até à resolução do BES. Mas assim que o foi, foram necessárias alterações ao regime. Não por causa do banco mau, mas por causa do banco de transição. O Conselho de Ministros alterou no dia após o anúncio do BdP o regime aplicável aos bancos de transição para promover uma gestão “eficiente” e facilitar “a procura de soluções de mercado”.Apesar disso, foram vários os obstáculos à venda. “Tudo o que rodeou o processo da resolução do BES envolveu uma grande complexidade” em termos jurídicos, nota o mesmo especialista. Isto num processo que contou com o advogado Jorge Bleck, da Vieira de Almeida & Associados, do lado do Fundo de Resolução e BdP.

Mais tarde, falhada a primeira tentativa de venda, e já numa segunda fase do processo de alienação do banco, o Lone Star acabou por ser o comprador indicado pelo BdP. O fundo norte-americano contou com a assessoria da sociedade de advogados Weil, Gotshal & Manges. “O processo de venda foi juridicamente menos problemático do que a resolução”, explica um especialista à Advocatus, notando que os obstáculos mais significativos foram as aprovações necessárias, nomeadamente do BdP, Banco Central Europeu e Direção-Geral da Concorrência.

A venda foi assinada a 18 de outubro. O aperto de mão entre Carlos Costa e Donald Quintin, senior managing director do Lone Star, pôs fim a 1.172 dias de um banco de transição que acabou por ser vendido à luz de uma lei que já não existe. A resolução foi a 3 de agosto de 2014. Menos de meio ano depois, em janeiro de 2015, entrou em vigor uma nova diretiva europeia, conhecida como Diretiva Recuperação e Resolução Bancárias (DRRB) que tornou muito mais ágil todo o processo de resolução bancária na Zona Euro. As grandes alterações não foram tanto a nível das ferramentas para fazer frente a situações críticas ou do quadro legislativo. O que mudou foi a “armadura institucional”.

E também evitar situações de distorção do mercado. Como? O MUS vê de forma essencialmente “negativa” a intervenção do Estado num banco, diz o mesmo advogado. No caso do Novo Banco, resultado de uma resolução prévia à nova lei, o Estado mantém 25% do capital mesmo depois da venda ao Lone Star. “O caso do Novo Banco é uma situação de ajudas de Estado que vem de 2013, e enquanto tal, é anterior da diretiva DRRB, [sobre resoluções bancárias]”, esclareceu Valdis Dombrovskis, comissário europeu para o Euro, quando questionado sobre o facto de o Estado português manter uma participação no capital do banco, uma das condições para que esta venda se concretizasse, além da garantia de 3,89 mil milhões de euros para acautelar o risco do chamado side bank. Uma operação em que o fundo norte-americano injeta mil milhões de euros para ficar com 75% da instituição, sendo que para obter o aval de Bruxelas terá ainda de reforçar os rácios de capital com a emissão de 400 milhões de euros em dívida de elevada subordinação.

Para além de todas estas condições impostas ao comprador, bem como ao vendedor, por parte das autoridades europeias, houve um último obstáculo. Para que a alienação se concretizasse foi necessária uma almofada de capital de 500 milhões de euros. E essa “almofada” foi obtida através de uma oferta de troca de dívida sénior, através do LME (Liability Management Exercise, em inglês), bem-vista em Bruxelas, porque envolvia uma lógica de burden sharing no esforço de capitalização do Novo Banco. Foi um processo juridicamente “complexo” por envolver modelos diferentes de troca de dívida. Foi, por isso, uma negociação “intensa e difícil”, refere um especialista envolvido numa operação que foi assessorada pela Garrigues, através do apoio prestado aos bancos internacionais contratos pelo Novo Banco. A equipa foi coordenada pelos sócios Diogo Leónidas Rocha e Marta Graça Rodrigues, tendo envolvido também a participação de Gonçalo Castro Ribeiro, Isabel Coelho dos Santos e Carolina Barrueca.

Chegou a considerar-se a hipótese de aplicar o chamado scheme of arrangement, ou seja, um acordo aprovado em tribunal entre uma empresa e os seus acionistas, mas esta possibilidade caiu. O LME avançou. A operação de troca, que arrancou a 24 de julho, foi decidida, voluntariamente, em duas assembleias-gerais (AG) de obrigacionistas, sendo que os grandes investidores, como a Pimco, acabaram por colocar vários entraves. Primeiro, consideraram que o preço oferecido era baixo, depois o facto de estarem a trocar obrigações seniores por depósitos não agradou aos investidores. O autointitulado Comité de Credores, que controlava mais de 30% das obrigações que o Novo Banco quis recomprar a desconto, afirmou que os depósitos oferecidos não garantiam acesso à liquidez gerada pela entrega dos títulos de dívida, transacionados em mercado.

Bruxelas aprova venda do Novo Banco à Lone Star

Quinta-feira, Outubro 12th, 2017

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Público

O plano de reestruturação visa garantir a viabilidade a longo prazo do banco. Governo espera concluir negócio “nos próximos dias”

A Comissão Europeia aprovou, ao abrigo das regras da UE em matéria de auxílios estatais, a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, foi divulgado nesta quarta-feira em Bruxelas. A 10 de Julho, Bruxelas já havia aprovado a venda do Novo Banco, mas a avaliação das ajudas estatais estava ainda em suspenso.

“Aprovámos os planos de Portugal para conceder um auxílio estatal ao Novo Banco ao abrigo da regras da UE, com base no plano de reestruturação de grande envergadura e às medidas adoptadas pelo banco para limitar as distorções da concorrência”, declarou a comissária Margrethe Vestager.

Em reacção, o gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno, emitiu uma nota às redacções garantindo que, “com esta determinação [de Bruxelas]” – “completando-se assim a resolução ddo BES de 2014” – o “processo de alienação do Novo Banco pelo Fundo de Resolução à Lone Star estará concluído nos próximos dias”.

“Em Agosto de 2014, Portugal decidiu desencadear a resolução do Banco Espírito Santo (BES) ao abrigo do quadro português de resolução bancária e estabeleceu a estratégia para a sua resolução”, recordou esta quarta-feira a Comissão Europeia. “Para permitir uma resolução ordenada, Portugal concebeu algumas medidas de apoio, incluindo o auxílio estatal à transferência de certos activos do BES para um banco de transição, o Novo Banco”.

“Os accionistas do BES e os detentores de dívida subordinada contribuíram plenamente (em quase sete mil milhões de euros) para os custos da resolução em conformidade com os requisitos de repartição de encargos, limitando o montante de capital estatal necessário para o banco de transição”, contextualiza o organismo europeu.

“Outro dos aspectos que permitiu à Comissão aprovar o auxílio foi o compromisso assumido por Portugal de vender o banco de transição Novo Banco para limitar as distorções da concorrência”, explica o comunicado que conclui assim, com esta aprovação, “a resolução do BES de 2014”.

Em termos concretos, a Comissão apreciou três questões ao abrigo das regras da UE em matéria de auxílios estatais: a competitividade do processo de venda do banco de transição; os planos de Portugal para conceder auxílios estatais adicionais, a fim de concluir a resolução do BES; e a venda do banco de transição e a viabilidade da entidade resultante da venda do banco de transição.

O comunicado de Bruxelas cita o plano de reestruturação que permitirá à instituição liderada por António Ramalho “melhorar a gestão do risco de crédito, a fim de reforçar a solvência e a capacidade de resistência do banco”. “A Comissão concluiu que, em conjunto, o plano de reestruturação e os compromissos restabelecem a viabilidade do banco e permitem ao banco ultrapassar a pesada herança”.

O Fundo de Resolução aceitou responsabilidades contingentes (podem acontecer ou não) não excedendo os 3800 milhões. Até 2025, o Fundo de Resolução poderá ser chamado a injectar fundos no Novo Banco para tapar buracos provocados pela saída a desconto de activos do side bank. Como não dispõe de verbas, se tiver de repor o capital do Novo Banco nos níveis exigidos terá de voltar a contrair dívida junto do Estado.

O contrato de promessa de compra e venda entre o Fundo de Resolução e o fundo norte-americano foi assinado em 31 de Março. O negócio prevê injecções de capital no Novo Banco no montante total de 1000 milhões de euros, dos quais 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação e 250 milhões de euros no prazo de até três anos.

No comunicado após ser conhecida a mais recente decisão da Comissão Europeia, o Ministério das Finanças defende: “a injecção de mil milhões de euros pela Lose Star, juntamente com o plano de reestruturação e as medidas aprovados pela Comissão, em conformidade com as regras da União Europeia em matéria de auxílio estatal, irão garantir a viabilidade a longo prazo do Novo Banco”,

Por seu lado, Bruxelas na comunicação desta quarta-feira sublinha que a “decisão de conceder auxílios estatais é da competência exclusiva” de Portugal. “O papel da Comissão limita-se à apreciação da compatibilidade desse apoio previsto, que Portugal notificou à Comissão, com as regras da UE em matéria de auxílios estatais”.

Sem presença no sector bancário nacional, a Lone Star chegou a Portugal em 2015, ano em que ficou com o empreendimento Vilamoura, no Algarve, e com quatro centros comerciais Dolce Vita (Porto, Vila Real, Coimbra e Lisboa).

 

Lone Star coloca Vilamoura à venda

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

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Observador

Lone Star coloca Vilamoura à venda

O fundo norte-americano Lone Star, que está a negociar a compra de 75% do Novo Banco, colocou grande parte de Vilamoura à venda. Entre os ativos alienados, destaca-se a marina de Vilamoura.

fundo norte-americano Lone Star colocou parte de Vilamoura à venda. De acordo com o Jornal de Negócios, a alienação de ativos surge depois da compra do empreendimento em março de 2015.

Ao que tudo indica, uma operação deste tamanho nunca vai estar terminada até ao fim de 2017. Entre os vários ativos à venda, destaca-se a marina de Vilamoura, com 825 postos de amarração. A Lone Star está a ser representada pela consultora imobiliária CBRE, com a qual já fez parcerias noutros negócios. Entre os vários interessados – que não quiseram comentar a notícia – está incluídoum representado pela Aguirre Newman.

 

A verdade é que parte da vila algarvia regressa ao mercado dois anos depois de ter sido adquirida pela Lone Star por certo de 200 milhões de euros; um valor abaixo dos 360 milhões que oCatalunya Banc, detido pelo BBVA, pagou pelos mesmos ativos. O Negócios tentou contactar a Vilamoura World, a empresa que gere o empreendimento, e a própria Lone Star, mas nenhuma quis prestar declarações.

Vilamoura tem uma área total de 1.700 hectares. Destes, 700 mil metros quadrados estão destinados à construção. No empreendimento existem, para além de áreas residenciais e de hotelaria, uma marina, um casino, campos de golfe, futebol e ténis. Em setembro de 2015, o então presidente executivo da Vilamoura World, Paul Taylor, anunciou um investimento de mil milhões de euros, com o objetivo de renovar a área circundante da marina e desenvolver 18 projetos imobiliários – com data de conclusão prevista para 2020. Em outubro de 2016, Taylor foi substituído por Juan Goméz-Vega. Atualmente, o projeto está entregue a Dominique Cressot, o que ilustra as grandes mudanças que a Lone Star tem feito no leme do negócio.

A obra com maior destaque das 18 em construção, até pela dimensão, é o Vilamoura Lakes, antes conhecida como Cidade Lacustre e distinguido como Projeto de Potencial Interessa Nacional. De acordo com o Negócios, este projeto não está contemplado na lista dos que a Lone Star quer agora vender. Esta não é a primeira vez que o fundo norte-americano compra em Portugal para depois vender; adquiriu os centros comerciais Dolce Vita de Porto, Douro e Coimbra ao falido Chamartín para depois os ceder ao Deutsche Bank por 200 milhões. Já em 2016, vendeu o edifício do Monumental e uma das Torres de Lisboa aos espanhóis daMerlin, negócio que valeu mais de 100 milhões.

Atualmente, a Lone Star tem feito capas de jornais em Portugal por estar a negociar a aquisição de 75% do Novo Banco, depois de um acordo firmado com o Banco de Portugal.

 

Novo Banco garante 500 milhões na recompra de obrigações. Venda ao Lone Star quase fechada

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

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Eco

É oficial. O Novo Banco convenceu os credores com dívida a mais curto prazo, o que garantiu o sucesso da recompra de obrigações. Só falta o ‘ok’ final de Bruxelas para fechar venda ao Lone Star.

Era uma das principais condições para que se concretizasse a venda do Novo Banco ao Lone Star. A instituição liderada por António Ramalho cumpriu os objetivos na operação de recompra de obrigações seniores, ao recomprar mais de 4,7 mil milhões de euros em obrigações. Com esta operação de Liability Management Exercise (LME), o Novo Banco garante mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital, já tendo em conta o impacto dos depósitos que serviram de contrapartida à recompra. Agora, só faltam formalismos, nomeadamente com as autoridades em Bruxelas e Frankfurt, para fechar a venda ao fundo norte-americano.

A adesão por parte dos investidores com dívida com maturidades mais curtas foi massiva, “claramente acima dos 75%”, o que acabou por ter um peso decisivo no objetivo da instituição que procurava com esta operação recomprar dívida a desconto para arrecadar um reforço de mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital. Nas maturidades mais longas, a adesão foi menor, mas como são obrigações a mais longo prazo, e sobretudo de cupão zero, o impacto no capital era menor.

Com estes resultados, a equipa de António Ramalho, Sérgio Monteiro e o Banco de Portugal pode finalmente cantar vitória no processo de venda do Novo Banco cuja primeira tentativa de alienação remonta a janeiro de 2015. As últimas horas, já depois do apuramento dos resultados da recompra de obrigações, foram de negociações intensas com as autoridades para fechar as pontas que ainda estavam soltas, nomeadamente o plano de negócios. Os resultados da operação foram comunicados esta madrugada e depois o ‘closing’ da operação terá de ser feito nos próximos dez dias, mas há a intenção de encurtar estes prazos. O que falta? O ‘ok’ da DG Comp (a direção geral da concorrência europeia).

O sucesso da operação de recompra era uma das condições obrigatórias para que se concretizasse a venda do Novo Banco aos norte-americanos do Lone Star que vão ficar com 75% da instituição que resultou da resolução do antigo Banco Espírito Santo.

O Lone Star vai injetar 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação, e compromete-se a colocar mais 250 milhões num prazo de até três anos. O Fundo de Resolução permanecerá com 25% do capital do banco e ainda esta segunda-feira o Governo aprovou um acordo-quadro que permita assegurar “a capacidade de o Fundo de Resolução satisfazer os seus compromissos, que são eventuais, e contribuir, assim, para a conclusão do processo de alienação do Novo Banco”.

Isto porque o processo de venda prevê um mecanismo de capital contingente, em que o Estado garante aos norte-americanos a reposição dos rácios de capital até um montante de 3,9 mil milhões de euros. Esta reposição acontece sempre que o rácio de capital, pela via da alienação dos ativos do side bank abaixo do valor a que estão registados no balanço, cair abaixo de um determinado nível, previsivelmente de 12,5%.

Comunicado do Novo Banco à CMVM

O Novo Banco vai proceder à compra e reembolso antecipado de 4.743 milhões de euros de obrigações, representando 57% do valor nominal das obrigações objeto da oferta, pelo montante global de 1.988 milhões de euros nos termos da oferta de aquisição e de solicitação de consentimento concluído a 2 de outubro.

A transação vai permitir o cumprimento dos objetivos de aumento de capital próprio (Core Tier 1) e ganhos equivalentes, incluindo poupança de juros, num valor acima de 500 milhões de euros.

O sucesso obtido ficou a dever-se ao facto de a oferta ter permitido a compra e reembolso de obrigações representativas de 73% do valor contabilístico.

A data da liquidação está agendada para hoje 4 de outubro de 2017.

A concretização da venda do Novo Banco à Lone Star deverá ocorrer logo após a autorização formal da Comissão Europeia.

Lone Star tem 909 milhões de créditos fiscais para reaver

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

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Negócios

A Lone Star tem 909,3 milhões de créditos fiscais para recuperar no Novo Banco que podem ajudar a rentabilizar o investimento de 1.000 milhões que vai fazer na instituição. Rentabilização só pode ocorrer com venda.

Supervisor dos seguros já aprovou venda do Novo Banco

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

Citamos

Negócios

A Autoridade de Supervisão dos Seguros já aprovou a venda do Novo Banco à Lone Star. Entidade liderada por José Almaça tinha de se pronunciar porque a instituição financeira tem participações em seguradores e gestoras de fundos de pensões. Posição do BCE ainda não é conhecida.

A Lone Star já recebeu autorização da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) para adquirir o Novo Banco, confirmou fonte oficial do supervisor liderado por José Almaça ao Negócios. Quanto à posição do Banco Central Europeu (BCE), ainda não foi possível confirmar se o Mecanismo Único de Supervisão (MUS) já aprovou a operação.

A luz verde da ASF é indispensável à concretização da operação, uma vez que a instituição liderada por António Ramalho tem participações em duas seguradoras e numa gestora de fundos de pensões. A aprovação da entidade de supervisão, dada à Nani Holdings, sociedade da Lone Star, foi tomada ainda em Setembro.

Na sua deliberação, datada de 27 de Setembro, a ASF decidiu “não se opor à aquisição, pela Nani Holdings de uma participação qualificada indirecta correspondente a 100% do capital social e dos direitos de voto da GNB – Companhia de Seguros Vida (…) e da GNB – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões”, bem como da compra de “uma participação qualificada indirecta correspondente a 25% do capital social e dos direitos de voto da GNB – Companhia de Seguros”, adiantou fonte oficial do supervisor liderado por José Almaça.

Já o gabinete de imprensa do BCE recusou adiantar ao Negócios se o MUS já autorizou a Lone Star a ficar com 75% do Novo Banco, tal como ficou acordado entre o investidor norte-americano e o Fundo de Resolução a 31 de Março.

As aprovações dos supervisores são duas das condições precedentes à compra da instituição de cuja obtenção o Novo Banco fazia depender o sucesso da oferta de aquisição de dívida – a instituição tinha a opção de deixar cair esta condição de sucesso de operação de compra de obrigações, cujos resultados serão divulgados esta terça-feira.

Além do BCE e da ASF, também a Comissão Europeia tem de se pronunciar. Bruxelas tem de aprovar o plano de reestruturação que a Lone Star terá de executar nos próximos anos para garantir a viabilidade do Novo Banco.