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Novo Banco quer vender 1.200 milhões de crédito malparado até final do ano

Sexta-feira, Setembro 25th, 2020

Citamos

Eco

Novo Banco quer vender 1.200 milhões de crédito malparado até final do ano

O CEO do Novo Banco tem nos planos avançar com a venda do portefólio “Nata 3”, de acordo com as novas condições do mercado.

O Novo Banco quer vender até 1.200 milhões de euros em crédito malparado até ao final do ano, adiantou o presidente executivo do banco, em entrevista à Bloomberg, citada pelo Jornal de Negócios (acesso livre). António Ramalho prevê conseguir alcançar o primeiro lucro no banco já no próximo ano.

Segundo o CEO do Novo Banco, a maioria dos “non performing loans” (NPL) faziam parte do portefólio “Nata 3”, que contempla imóveis, crédito ao consumo e grandes créditos, que já ia ser vendido antes da pandemia, mas acabou por ser suspenso. Atualmente, a venda está de novo em cima da mesa, considera Ramalho, mas num contexto diferente.

“Sem a pandemia, seria natural para nós vender o ‘Nata 3’ numa operação única. Agora, temos de encontrar uma forma de nos adaptarmos às novas condições do mercado”, explicou o CEO à agência noticiosa norte-americana. Ainda assim, a procura por estes portefólios em Portugal continuou “razoavelmente estável”, apontou.

 

Este foram os negócios com mais perdas para o Novo Banco

Quarta-feira, Julho 29th, 2020

Citamos

Eco

Este foram os negócios com mais perdas para o Novo Banco

Entre malparado e imóveis, o Novo Banco vendeu ativos tóxicos no valor bruto de 4,4 mil milhões de euros. Cinco operações deram prejuízos de 610 milhões.

As duas vendas de imóveis feitas pelo Novo Banco que se encontram em análise pela Procuradoria-Geral da República geraram uma perda de 380 milhões de euros. Mas estas não foram as únicas operações em que o banco liderado por António Ramalho perdeu dinheiro, obrigando o Fundo de Resolução a injetar dinheiro na instituição.

Desde 2018, face à necessidade de reduzir a exposição a ativos não produtivos, o Novo Banco já alienou cinco grandes carteiras de crédito malparado (empréstimos vencidos há muito tempo) e de imobiliário, cujas perdas totalizam em 611 milhões de euros.

As carteiras têm nomes sugestivos. Por exemplo, o Projeto Nata I, que compreendia uma carteira de malparado no valor bruto de cerca de 1.500 milhões de euros, foi vendida em 2018 ao fundo KKR, com o Novo Banco a registar um impacto negativo nos resultados no valor de 110 milhões de euros. Ao Nata I seguiu um Nata II, com créditos de clientes mais conhecidos no valor de 1.300 milhões de euros. Esta carteira foi vendida à Davidson Kempner no ano passado e originou uma perda de 80 milhões de euros para o Novo Banco. E ao Nata II vai seguir-se um Nata III, que Ramalho disse que estava a ser preparada e ainda não chegou ao mercado, segundo informações recolhidas pelo ECO.

Em Espanha, foi vendido também em 2019 uma carteira com ativos de créditos tóxicos e imóveis com um valor bruto de 308 milhões de euros. Quem comprou este conjunto de ativos foi a Waterfall, numa operação que levou o banco português a registar um prejuízo de quase 34 milhões de euros.

Sertorius foi a venda com maior prejuízo

ProjetoMilhões de eurosImpacto nos resultadosAlbatroz (mix)Nata 2 (crédito)Nata 1 (crédito)Viriato (imóveis)Sertorius (imóveis)-250-200-150-100-500

Fonte: Novo Banco

No que diz respeito às duas carteiras de imóveis que estão na mira da PGR, o projeto Viriato (com um valor bruto de 717 milhões) gerou uma perda de 159 milhões de euros com a venda ao fundo Anchorage, em 2018. Já o Sertorius (com um valor bruto de 488 milhões) foi vendido à Cerberus no ano passado, causando um prejuízo de 229 milhões de euros.

É esta última carteira que está no centro da nova polémica por ter sido vendida um fundo de investimento com ligações recentes ao presidente do conselho geral de supervisão do Novo Banco, Byron Haynes. Segundo o jornal Público, esta operação motivou uma queixa à autoridade europeia (ESMA) com a denúncia de “gestão ruinosa” e “conflito de interesses”.

Por causa das perdas com a venda de ativos tóxicos e do impacto nos rácios, o Novo Banco tem vindo a pedir compensações ao Fundo de Resolução, ao abrigo do chamado mecanismo de capital contingente. Ao todo, já pediu cerca de 3.000 milhões de euros, sendo que poderá pedir mais 900 milhões ao abrigo do que está contratualizado.

Créditos problemáticos estiveram três anos “esquecidos” do Novo Banco

Domingo, Maio 17th, 2020

Citamos

Público

Empréstimos que estão a ser vendidos com desconto a fundos – e a gerar as injecções do Estado – foram ignorados até à entrada do Lone Star por auditores, reguladores e Governo. António Ramalho, em 2016, descrevia uma carteira de créditos sólida.

Durante três anos – em 2014, 2015 e 2016 –, o Banco de Portugal, as administrações do Novo Banco e a auditora PwC consideraram que as carteiras de créditos herdadas do BES estavam devidamente provisionadas, não colocando ênfases ou reservas às contas, nem alertas para eventuais necessidades adicionais de capital.

A partir de Outubro de 2017, assim que o banco passou para a esfera do Lone Star, com uma almofada de capital de 3,9 mil milhões de euros, a gestão começou a reconhecer perdas do “antigamente” e a vender carteiras de créditos problemáticos a grande desconto, sustentando sucessivos pedidos de capital de 2,7 mil milhões ao Fundo de Resolução, que detém 25% da instituição. E são estes créditos, entre outros, que estão a ser escrutinados pela auditoria externa da Deloitte que gerou a polémica política que marcou esta semana.

Em 2015, cerca de seis meses depois da resolução do BES, o então presidente executivo (CEO) do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, defendeu, que, embora ainda com “trabalho de limpeza pela frente”, a instituição estaria em condições de apresentar lucros no ano seguinte, ou seja, em 2016.

Declarações feitas antes de Outubro de 2017, quando o Novo Banco entrou na esfera do Lone Star, com a tal almofada de verbas públicas de 3,9 mil milhões. A partir dali, e logo no fecho das contas de 2017, e ainda nas de 2018 e de 2019, a gestão desatou a reconhecer uma sucessão de “descobertas” de créditos mal provisionados, de 2,7 mil milhões de imparidades, e que António Ramalho tem vindo a imputar “ao antigamente”, o termo que usa para se referir a Ricardo Salgado.

Em 2018 e 2019, o auditor mudou para Ernst & Young. O que levanta questões: o que justifica que entre 2017 e 2019, num período de maior saúde económica do país, com melhoria do preço dos activos, estejam a ser descobertos créditos mal provisionados, que não foram reconhecidos no ciclo de menor crescimento económico, de 2014 a 2016?

Isto porque, dos relatórios contas dos exercícios de 2014 (de Agosto a Dezembro), de 2015 e de 2016, reportados ao mercado, e que o PÚBLICO leu, não constam ênfases, nem reservas do auditor, a PwC, a chamar a atenção para uma insuficiência de provisionamento sobre activos do antigo BES, com implicações em novas necessidades de capital.

Ou seja, a PwC, os órgãos de fiscalização internos do Novo Banco, incluindo o conselho de administração, consideraram que, nos três anos mencionados, o banco constituíra correctamente o nível de imparidades para cobrir eventuais perdas nos créditos. Questionada pelo PÚBLICO, fonte oficial da PwC respondeu que “de acordo com as nossas regras profissionais e de confidencialidade, não comentamos os trabalhos que realizamos para os nossos clientes”.

E como as contas foram aprovadas pelo Banco de Portugal e não suscitaram dúvidas à CMVM (o Novo Banco não está no mercado, mas tem activos cotados em bolsa) significa que as autoridades também não anteciparam insuficiências de capital, para além dos 4,9 mil milhões injectados a 3 de Agosto de 2014. O supervisor bancário não respondeu ao PÚBLICO sobre a ausência de alertas dos auditores até 2016 e posterior vaga de imparidades já com o Lone Star como dono do banco.

O que também se sabe é que, nos últimos três anos, em que se verificou uma valorização acentuada dos activos imobiliários e não imobiliários, o Novo Banco tem vindo a intensificar a venda de carteiras de créditos com grande desconto – e, nalguns casos, com descontos de mais de 50%.

Dali resultam duas coisas: lucros elevados para as sociedades de recuperação de crédito que os adquiriram; e perdas para o vendedor, o banco. E a consequência é uma queda no valor patrimonial do banco e redução dos níveis mínimos de capital exigidos pelas autoridades, que desencadeiam os pedidos de dinheiro ao Fundo de Resolução, como a injecção dos 850 milhões de euros libertados este mês pelas Finanças, que gerou uma tempestade política entre o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças.

São os prejuízos da alienação “a saldo” dos seus activos e o reconhecimento de novas provisões que sustentam as chamadas do Novo Banco ao Fundo de Resolução para injectar capital. E o Fundo de Resolução, que é risco público, em dois anos e meio já meteu na instituição chefiada por António Ramalho, 2,976 mil milhões de euros, 2,1 mil milhões dos quais financiados pelos contribuintes a título de empréstimo a 40 anos (a restante parte são contribuições dos bancos concorrentes).

No final fazem-se mais perguntas: o que mudou para o Novo Banco, assim que foi vendido, ter desatado a reconhecer imparidades sobre créditos que diz serem do antigo BES? Se as imparidades remontam de facto a créditos concedidos antes da resolução, nesse caso, o que levou a gestão, entre Agosto de 2014 e 2016, a renovar ou a renegociar essas dívidas que de repente se tornaram problemáticas? Decisões essas com luz verde do BdP.

Finalmente, falta saber: se a comissão de auditoria extra pedida pelo Governo ao Novo Banco (cuja conclusão é esperada no Verão) é constituída por auditores independentes, sem relação com o BdP, com os intervenientes na medida de resolução, com o Novo Banco, ou com antigos e novos auditores; saber se o trabalho se vai debruçar sobre as análises que fundamentaram a resolução; e, ainda, se vai procurar saber o nome dos últimos titulares das sociedades que têm estado a comprar créditos ao Novo Banco, bem como tentar apurar quanto é que estas empresas, consideradas como “abutres”, ganharam com o negócio, cujo impacto se reflecte nos pedidos de apoio ao Estado?

No início era o BES

As polémicas em torno do dossiê Novo Banco não param desde 2014 e, de tempos em tempos, dominam o debate político. Discussões renovadas na semana que agora terminou, com as diferentes forças da oposição a atacarem António Costa e o ministro das Finanças Mário Centeno por falta de controlo político e por má articulação entre gabinetes.

Em causa esteve a informação avançada pelo Expresso de que as Finanças tinham emprestado 850 milhões de euros ao Fundo de Resolução para este injectar no Novo Banco, sem cumprir a condição imposta pelo primeiro-ministro, de só libertar os fundos depois de avaliadas as conclusões da auditoria esperada para o Verão.

Todos concordam que há um problema no dossiê Novo Banco, quer por efeito da resolução de 3 de Agosto de 2014, quer pelas condições da alienação, em 2017, aos norte-americanos do Texas. Mas as culpas são atribuídas a pessoas e a partidos diferentes.

A oposição questiona os termos do negócio assinado com o private equity que ficou protegido por 3,9 mil milhões de euros, almofada que António Costa, ao revelar o entendimento, classificou de uma espécie de seguro, que não esperava que fosse accionado. Entretanto, do bolo de 3,9 mil milhões, já foram levantados 2,7 mil milhões.

Por seu turno, o actual Governo acusa o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o Banco de Portugal de má condução na resolução do BES, que deu origem a um banco “mau” e a outro alegadamente “bom”, agora designado por Novo Banco.

Mas que afinal eram os dois maus. A divisão resultou de uma auditoria realizada em cima da hora no BdP, com apoio da PwC, que levou a estimar as necessidades de capital acima dos 4,9 mil milhões, na altura, colocados no Novo Banco.

Tal como o PÚBLICO avançou, a equipa de Carlos Costa pediu à então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, uma injecção de 5,5 a seis mil milhões de euros, que esta recusou, pois só daria 4,9 milhões. Mas viviam todos no reino da fantasia, porque quer a ministra quer o governador Carlos Costa defenderam na altura que era possível vender o banco de transição “rapidamente, talvez mesmo por 70% ou 90% do que vier a ser injectado” e o Fundo de Resolução ia “conseguir recuperar o que lá meteu.”

A fotografia só fica composta quando se recuperam as declarações produzidas pelos dois últimos responsáveis do Novo Banco: Stock da Cunha e António Ramalho.

Lucros em 2016?

A 2 de Fevereiro de 2015, Eduardo Stock da Cunha foi ao Parlamento dizer: o Novo Banco “já não está nos cuidados intensivo” . A 26 do mesmo mês, no almoço conferência promovido pelo American Club of Lisbon, declarou: “Vamos voltar aos lucros em 2016”.

A 15 de Novembro de 2015, o Banco Central Europeu (BCE) detectou uma insuficiência de capital no Novo Banco de 1,398 mil milhões. Para resolver a situação, o BdP transferiu para o BES 1,985 mil milhões de euros em obrigações seniores que estavam no Novo Banco, e concluiu que o banco ficou folgado de capital. Isto, depois de ter dito a 3 de Agosto de 2014 que a injecção de 4,9 mil milhões de euros era suficiente.

A 31 de Dezembro de 2015, numa nota interna, Stock da Cunha garantiu que o Novo Banco “está solvente”. Dois meses mais tarde, em Fevereiro de 2016, na divulgação das contas anuais do exercício anterior, anunciou prejuízos de 980,6 milhões de euros.

A 6 de Junho de 2016, antes de ser substituído por António Ramalho, Stock da Cunha proclamou: “O Novo Banco terá capacidade para apresentar lucro em 2018”. Ao Negócios, explicou o que queria dizer por “limpar a má herança deixada” pelo BES: “Quando digo limpar significa gerir as situações.”

No segundo semestre de 2016, já na qualidade de CEO do Novo Banco, António Ramalho baptizou o então presidente da CGD, António Domingues, de “talibã” das imparidades, por ter registado em 2016 imparidades de três mil milhões de euros. Era demais, pensou Ramalho.

Quando em Outubro do mesmo ano, na SIC, foi confrontado com cerca de três mil milhões de euros de créditos parcialmente em risco no Novo Banco, desvalorizou: “No Novo Banco, o crédito vencido a mais de 90 dias tem uma cobertura de 100% e a cobertura do crédito em risco (NPE) é de 45%, em linha com os 41% da média europeia”.

E garantiu que “hoje em dia” (em 2016) no Novo Banco, “os critérios de análise quer das imparidades necessárias, mas também do ponto de vista de seguimento, são extremamente exigentes, na tentativa de evitar que circunstâncias do passado se voltem a repetir.”

À pergunta sobre qual era a razão por que não executava grandes clientes como Luís Filipe Vieira, Teixeira Duarte, Tecnovias, ou Carlos Saraiva, António Ramalho sustentou que não era conveniente fazer falir os devedores: “É tão importante ser criterioso na concessão de crédito, como no seguimento, como na recuperação e gestão dos créditos em risco”, isto, para impedir, por exemplo, que no caso dos clientes do sector turístico “haja quebra da oferta”.

Reagindo então à questão se também não executava os clientes sem negócio de interesse para a economia, como José Guilherme (suspeito de ter pago comissões ao anterior presidente do BES, Ricardo Salgado) ou Joe Berardo (o accionista do BCP que colocou na presidência Santos Ferreira, de que Ramalho foi administrador-financeiro), para não criar problemas, o CEO defendeu: “Não podemos deixar que a narrativa de exemplos concretos que são muito mediáticos transforme os bancos em Dom Quixote em defesa de uma economia totalmente sã que não tenha risco”  – os banqueiros “não podem ter medo do insucesso”, acrescentou.

Seis meses depois de prestar estas declarações, a 31 de Março de 2017, foi anunciado que o Governo tinha acordado vender o Novo Banco ao Lone Star, com uma almofada de protecção. E na altura o primeiro-ministro assegurou que não foram dadas garantias públicas à venda do Novo Banco e que não haveria nem impacto nas contas públicas, nem novos encargos para os portugueses.

O negócio só foi concretizado a 18 de Outubro de 2017. Passados dois meses e meio, a instituição revelou prejuízos de 1,4 mil milhões, os maiores desde 3 de Agosto de 2014. Seguiu-se a comunicação de que o Lone Star manteria no cargo António Ramalho e que ia accionar o mecanismo de capital contingente, requisitando 792 milhões de euros ao Fundo de Resolução. Tratou-se da primeira chamada de capital para cumprir os rácios de solidez financeira.

E foi só a partir daqui que António Ramalho começou a falar em buracos abertos por “créditos do antigamente”, os mesmos que, até à entrada do Lone Star, a própria administração, PwC e BdP diziam estar devidamente provisionados. Desde Agosto de 2014, o Fundo de Resolução já meteu 7,876 mil milhões de euros no Novo Banco.

Contactado pelo PÚBLICO, António Ramalho ignorou o pedido de esclarecimento sobre o não reporte de problemas relacionados com a omissão de problemas nas contas do Novo Banco em 2014, 2015 e 2016.

Novo Banco perde 350 milhões com venda de imóveis e malparado

Sábado, Maio 9th, 2020

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Negócios

O banco concluiu, no ano passado, as vendas dos projetos Nata II, Sertorius e Albatros, mas também da seguradora GNB Vida. Operações que geraram perdas de vários milhões.

O Novo Banco continuou a acelerar a venda de ativos que deixaram de ser estratégicos e que pesam no balanço. Um esforço que já permitiu ao banco liderado por António Ramalho libertar-se de mais de dois terços do legado que herdou do Banco Espírito Santo (BES) nos últimos dois anos. Mas que também levou ao registo de perdas de várias centenas de milhões de euros, no ano passado, e a um novo pedido de mais de mil milhões ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

Em causa está a alienação de três portefólios de crédito malparado e imóveis, mas também da seguradora GNB Vida. Operações que geraram perdas de quase 350 milhões de euros para o Novo Banco. De acordo com o relatório e contas para 2019 do banco, divulgado recentemente, o projeto Nata II – um dos maiores alguma vez transacionados em Portugal – gerou perdas de perto de 79 milhões de euros. Esta carteira de empréstimos vencidos, avaliada em perto de três mil milhões de euros, passou para as mãos da Davidson Kempner no último trimestre do ano passado.

Meses antes, mais precisamente em agosto, o Novo Banco tinha concluído uma outra alienação, uma carteira de ativos imobiliários que ficou conhecida por Sertorius. Os novos “donos” são os norte-americanos da Cerberus. Mas, neste caso, as perdas foram mais significativas: perto de 229 milhões de euros. Esta não foi a única operação neste período. O banco liderado por António Ramalho libertou-se também, através da sua sucursal em Espanha, do projeto Albatros, constituído por imóveis e crédito malparado. A carteira, que foi vendida à Waterfall Asset Management, teve um impacto negativo no resultado líquido do grupo de quase 34 milhões de euros.

A estas perdas somaram-se ainda as que foram registadas com a venda, em setembro, da GNB Vida à Apax: outros 4 milhões de euros. No total, as perdas chegam a 346 milhões de euros. Já em 2018, o impacto negativo das vendas dos projetos Nata e Viriato atinham ficado perto dos 270 milhões.

É que apesar de estas operações melhorarem o balanço dos bancos, podem, por outro lado, ter impacto negativo nas contas, no caso de ser necessário suprir a diferença a que os créditos estão registados no balanço e o valor a que são vendidos. Foi isto que aconteceu ao Novo Banco e que acabou por levar a instituição financeira a registar um prejuízo de 1.058,8 milhões de euros no total de 2019 e a pedir mais 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

Estes esforços permitiram ao Novo Banco reduzir o rácio de crédito malparado para 11,8% no final do ano passado, quando se situava nos 22,4% no ano anterior. Ao fim de dois anos, a instituição financeira já se libertou de 70% dos ativos que herdou do BES. Uma “limpeza” que, tal como já foi admitido pelo CEO do Novo Banco, será agora travada pelo forte impacto da pandemia.

Venda de gestora até junho

O Novo Banco quer concluir a venda da sua unidade de gestão de ativos espanhola, a Novo Activos Financieros España (NAFE), até junho deste ano. “No final de 2019 foi assinado o contrato de promessa de compra e venda da unidade de gestão de ativos (Novo Activos Financieros, SA) de Espanha. Estima-se que o ‘closing’ da transação ocorra no segundo trimestre de 2020”, revela o relatório e contas de 2019 da instituição. Foi em dezembro do ano passado que o banco anunciou a venda da totalidade desta unidade à Trea Asset Management, uma gestora de ativos financeiros em Espanha que, com esta operação, passa a gerir mais de 5 mil milhões de euros em ativos. Esta operação irá decorrer num contexto marcado pela pandemia que, tal como o Negócios já escreveu, está a levar o banco a desenhar um novo plano, bem como o modelo de negócio a aplicar no pós-covid.

 

 

Fundo de Resolução impede Novo Banco de vender créditos da Ongoing e Moniz da Maia

Quinta-feira, Novembro 21st, 2019

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Eco

Fundo de Resolução impede Novo Banco de vender créditos da Ongoing e Moniz da Maia

Novo Banco estava a vender créditos da Ongoing e Sogema no Nata II, mas quando a operação passou pelo Fundo de Resolução estes contratos foram excluídos da carteira alienada aos americanos.

Fundo de Resolução autorizou o Novo Banco a vender a carteira de malparado Nata II, mas impôs várias condições para dar “luz verde” à operação. Segundo apurou o ECO, o Fundo de Resolução exigiu que fossem retirados alguns créditos problemáticos como o da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, da Ongoing, de Nuno Vasconcellos, ou da construtora Prebuild, justificando que o valor oferecido pelo comprador da carteira era baixo.

Ao ECO, o Fundo de Resolução, a autoridade de resolução bancária que funciona junto do Banco de Portugal e é dirigida pelo vice-governador Luís Máximo dos Santos, afirma que “as operações em causa foram submetidas pelo Novo Banco ao Fundo de Resolução uma vez que a sua concretização depende do acordo do Fundo, no que respeita aos ativos que integram o mecanismo de capitalização contingente”.

Segundo a autoridade de resolução, determinou-se que aqueles créditos fossem excluídos por “entender que o preço oferecido não era aquele que oferecia as melhores perspetivas de maximização do valor”. O ECO sabe que a Davidson Kempner oferecia menos de 20 milhões por estes ativos tóxicos que tinham um valor original superior a 1.500 milhões, mas que estão registados no balanço do banco a um valor muito reduzido.

“Relativamente a esses casos, o Fundo de Resolução solicitou ao Novo Banco a apresentação de uma estratégia de recuperação mais condizente com o objetivo de maximização do valor“, indicou ainda a entidade liderada por Máximo dos Santos ao ECO, sem comentar devedores particulares.

O ECO também questionou o banco liderado por António Ramalho sobre as razões que levaram à retirada destes créditos e outros do designado Projeto Nata II. “O Novo Banco não faz comentários sobre eventuais clientes”, disse fonte oficial da instituição, sem querer comentar a lista de créditos que saíram do Nata II. Apenas lembrou que “o banco esteve a negociar com o Fundo de Resolução a saída de um grupo de devedores, e também com o comprador”. Assim foi.

“No caso da operação “Nata II”, o Fundo de Resolução manifestou a sua não oposição à concretização da operação, mas determinou que fossem excluídos da operação de venda um conjunto de ativos, por entender que o preço oferecido não era aquele que oferecia as melhores perspectivas de maximização do valor. Relativamente a esses casos, o Fundo de Resolução solicitou ao Novo Banco a apresentação de uma estratégia de recuperação mais condizente com o objetivo de maximização do valor.”

Fundo de Resolução

Créditos de 1.500 milhões só valem 20 milhões

Num comunicado à imprensa divulgado na sexta-feira, o Novo Banco revelou ter recebido a autorização do Fundo de Resolução para vender esta carteira de malparado, tendo sido utilizada “a prerrogativa negociada pelo banco para excluir alguns créditos da carteira inicial”. Isto é, seguindo orientações do Fundo de Resolução, o banco procedeu à retirada de vários créditos problemáticos do portefólio antes de ser formalmente vendido ao fundo americano.

Os créditos excluídos “continuarão a ser seguidos pelas equipas de recuperação do Novo Banco, com implementação de estratégias alternativas de recuperação, por via negocial ou judicial, que maximizem o valor recuperado dos ativos“, disse ainda o banco.

Segundo apurou o ECO, o valor original destes contratos retirados “à última hora” ascende a mais de 1.500 milhões de euros, sendo que o seu valor contabilístico bruto — isto é, excluindo compromissos, garantias e writeoffs — será apenas de cerca de 350 milhões de euros. Vão continuar a pesar no balanço do Novo Banco. Os fundos que estavam na corrida por este portefólio — a Davidson Kempner e a Bain Capital — pagavam menos de 20 milhões por estes ativos, quase nada face ao seu valor original, o que reflete a fraca qualidade dos ativos e as baixíssimas hipóteses de recuperação de algum do dinheiro emprestado àqueles clientes.

O Fundo de Resolução deu “luz verde” à operação Nata II no final de outubro. Foi duas semanas antes antes de o Novo Banco ter apresentados os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano. O banco liderado por António Ramalho agravou os prejuízos para 575 milhões de euros e o impacto do Nata II já foi refletido nas contas.

A boa notícia da venda do Nata II: “A concretização da operação Nata II permite que, pela primeira vez na sua história, o rácio de NPL do Novo Banco possa descer para menos de 15%”, disse o banco no comunicado na sexta-feira. É um nível ainda elevado face às exigências dos reguladores. E por isso o banco terá de continuar a reduzir o malparado.

Vendas de malparado do Novo Banco aprovadas com reservas

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

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Negócios

A comissão de acompanhamento à venda do Novo Banco deu um parecer favorável à venda das carteiras “Nata 2”, “Sertorius” e “Albatroz”, mas com ressalvas. Considera que há créditos que devem continuar no banco a tentar ser recuperados.

O Novo Banco está a vender carteiras de crédito malparado e imóveis, operações que, para serem concluídas, têm de ter o “ok” da comissão de acompanhamento à venda do banco ao Lone Star e do Fundo de Resolução. A aprovação por parte da entidade liderada por José Rodrigues de Jesus pode, contudo, chegar com reservas. Isso mesmo aconteceu recentemente com os portefólios “Nata 2”, “Sertorius” e “Albatroz”, apurou o Negócios.

O banco liderado por António Ramalho anunciou no início de setembro que tinha assinado um contrato de venda de uma carteira de créditos não produtivos, conhecida por “Nata 2”. Em causa estavam perto de três mil milhões de euros em ativos tóxicos e um dos maiores portefólios alguma vez transacionados em Portugal. Ativos que fazem parte do chamado mecanismo de capital contingente (CCA, na sigla em inglês) e que, por isso, a sua venda foi analisada pela comissão de acompanhamento à venda do Novo Banco.

Esta entidade, de que fazem parte José Rodrigues de Jesus e José Bracinha Vieira, deu um parecer favorável à venda desta carteira que inclui 50 grupos económicos. Mas foi uma opinião positiva com algumas ressalvas, nomeadamente por considerar que alguns créditos deviam ficar no banco de maneira a que a instituição financeira continue a tentar a sua recuperação, explicaram fontes consultadas pelo Negócios.

O mesmo aconteceu com outros dois projetos vendidos durante o verão. Foi o caso do “Sertorius”, uma carteira de ativos imobiliários com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões e que passou para as mãos da Cerberus Capital Management. Mas também do denominado projeto “Albatroz”, alienado à gestora norte-americana Waterfall Asset Management. Este portefólio incluía ativos imobiliários e crédito malparado em Espanha, com um valor contabilístico de 308 milhões de euros. Em ambos os casos, a percentagem de ativos incluída no chamado CCA é muito mais reduzida em comparação com o “Nata 2”.

Depois de emitido o parecer por parte da comissão de acompanhamento – que participa tanto no conselho geral e de supervisão, como no comité de imparidade alargado e nos conselhos de crédito (quando estão em causa ativos do CCA) – cabe ao Fundo de Resolução tomar uma decisão sobre as carteiras à venda, podendo, ou não, seguir a opinião da comissão de acompanhamento.

Cerca de 60% das propostas foram aprovadas
Quando questionada pelo Negócios sobre a sua avaliação feita a estes portefólios, não foi possível obter esclarecimentos da entidade liderada por Máximo dos Santos. Na sua ida à comissão de Orçamento e Finanças, em março, o responsável do Fundo de Resolução adiantou que, até àquela data, tinham sido analisadas 107 operações. “49 operações foram autorizadas tal como foram propostas, enquanto 43 foram autorizadas, mas com condições fixadas pelo fundo”, disse. Já 15 foram chumbadas. Estes números aumentaram entretanto depois de o banco ter avançado com a venda de mais portefólios. Fontes contactadas indicaram ao Negócios que, até agora, o Fundo de Resolução aprovou cerca de 60% das operações propostas, enquanto mais de 20% tiveram o “ok” mas com reservas. A restante percentagem é referente a operações que foram recusadas.

Estas vendas, apesar de necessárias, estão a pressionar as contas do banco. Nos primeiros nove meses, a instituição agravou os prejuízos para 572,3 milhões, com a alienação das grandes carteiras a provocar perdas de 712,4 milhões de euros.

Vendas pesam nas contas

O Novo Banco tem avançado com a venda de carteiras de crédito malparado e imóveis, para se libertar do legado deixado pelo Banco Espírito Santo. Alienações que têm de contar com a luz verde, mesmo que condicionada, do Fundo de Resolução, liderado por Máximo dos Santos. Este detém 25% do capital da instituição financeira, enquanto o Lone Star tem 75%. Estas operações têm pesado nas contas do banco liderado por António Ramalho. Nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco agravou os prejuízos para 572,3 milhões de euros, em comparação com os 419,6 milhões de euros que tinham sido registados em igual período do ano passado. Isto depois de a venda das grandes carteiras de malparado (Nata 2, Sertorius e Albatroz), assim como da seguradora GNB Vida, terem gerado perdas de 712,4 milhões de euros.

Novo Banco vende carteira de crédito malparado com perdas

Sexta-feira, Setembro 6th, 2019

Citamos

Notícias ao Minuto

O Novo Banco acordou a venda de créditos malparados no valor de 2.732 milhões de euros ao fundo Davidson Kempner, num negócio em que estima perdas de 106 milhões de euros na demonstração de resultados, anunciou esta quinta-feira.

“ONovo Banco informa que, após conclusão de um processo de venda competitivo, o Novo Banco e o Arrábida – Fundo Especial de Invstimento Imobiliário Fechado celebraram um Contrato de Compra e Venda de uma carteira de créditos não produtivos (‘non-performing loans’) e ativos relacionados (no seu conjunto, Projeto Nata II) com um valor original (‘outstanding balance’) aproximado total de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros com a Burlington Loan Management, uma sociedade afiliada e aconselhada pela Davidson Kempner European Partners”, refere a comunicação ao mercado.

A informação indica ainda que a venda ao fundo de investimento foi acordada por 191 milhões de euros e que a carteira de ativos está “sujeita a ajustamentos de perímetro usuais nestas transações até à sua concretização”.

O Novo Banco estima um impacto negativo de 106 milhões de euros na demostração de resultados decorrente desta operação.

Segundo fonte do Novo Banco, a operação é feita com um desconto de 89% sobre o valor bruto contabilístico, mas já sobre o valor líquido (que tem em conta as imparidades já constituídas) o desconto é de 35%.

A mesma fonte indicou ainda que apesar do impacto negativo da operação na conta de exploração do banco, esta venda traz um “efeito positivo no capital” e no cumprimento das exigências dos reguladores de redução do malparado.

Com esta operação, o rácio de malparado do banco passa para 15% (face aos 20,7% de final do primeiro semestre).

A mesma fonte do Novo Banco indicou ainda que alguns dos créditos que estavam incluídos inicialmente no projeto de alienação de ativos Nata II a ser alienada foram vendidos individualmente, em vez de em carteira, “o que aconteceu com cerca de uma dezena de casos”.

transação deverá ser concluída “nos próximos meses, assim que reunidas todas as condições necessárias à sua formalização”, refere a entidade liderada por António Ramalho à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) , que considera que com esta operação é dado “mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não produtivos”.

Em 2014, na resolução do BES, o Novo Banco nasceu como o ‘banco bom’, mas tem apresentado prejuízos, justificando a administração com o legado com que ficou do BES.

Para reduzir os ativos ‘tóxicos’, o banco detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star tem feito vendas de créditos e imóveis.

A venda anunciada esta quinta-feira pode vir a pesar no valor que o Novo Banco pedirá ao Fundo de Resolução para se recapitalizar.

É que na venda ao fundo Lone Star, em 2017, foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado) compensa perdas do Novo Banco, sob determinadas circunstâncias, até ao valor de 3,89 mil milhões de euros até 2026.

Até agora, o banco já recebeu 1.941 milhões de euros (referentes a 2017 e 2018) e o valor vai aumentar.

Em 2 de agosto, quando apresentou prejuízos semestrais de 400,1 milhões de euros, o Novo Banco estimou que prevê pedir mais 541 milhões de euros referente ao primeiro semestre.

Contudo, o valor a pedir ao Fundo de Resolução apenas vai ser contabilizado em 2020, quando estiverem fechadas as contas de 2019, pelo que ainda variará consoante o que aconteça no semestre que está a decorrer (perdas e custos com ativos e exigências de capital).

Novo Banco obrigado a revelar preço (e desconto) das vendas de malparado e imóveis

Quinta-feira, Agosto 15th, 2019

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Expresso

Primeiro, o Novo Banco comunicou apenas o impacto das alienações de grandes carteiras de ativos tóxicos nos resultados semestrais. Três dias depois, revelou qual o valor registado dessas carteiras. Mas só dois dias depois é que publicou o desconto a que concretizou tais operações.

O Novo Banco foi obrigado a divulgar e especificar as perdas que verificou nas operações de venda de imóveis e crédito malparado. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem insistido na necessidade de detalhar o efeito destes negócios, para que os investidores possam ter a informação minimamente aceitável do seu lado.

Novo Banco fez a primeira divulgação sobre as operações de venda de malparado concretizadas em 2019 nos resultados do primeiro semestre, apresentados a 2 de agosto. Aí, revelou que as duas operações de alienação de crédito malparado e imóveis em Espanha, o projeto Albatroz, e de venda de imóveis, o projeto Sertorius, contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros que registou no período – e para a estimativa de que, se o final do ano fosse com estes números, o Novo Banco precisaria de 541 milhões de euros do Fundo de Resolução.

Mas os números divulgados publicamente não se ficaram por aqui. Na segunda-feira seguinte, dia 5, houve novidades. Em dois comunicados distintos, o banco liderado por António Ramalho informou o que constava em cada carteira, o seu valor contabilístico e quem foi o comprador. No caso da Albatroz, eram 308 milhões de euros em crédito e imobiliário, a alienar à americana Waterfall Asset Management; no de Sertorius eram 487,8 milhões de euros em ativos imobiliários, a vender ao fundo americano Cerberus.

Só que a informação não foi suficiente. Quarta-feira houve nova comunicação. Um “aditamento”. E foi aí que o Novo Banco teve de revelar o preço de venda. E esse preço de venda é comparável ao valor contabilístico. Logo, foi possível perceber qual o desconto assumido pelo banco liderado por António Ramalho nas vendas. Em ambas, o Novo Banco aceitou que os compradores pagassem um terço do valor contabilístico, o que tem aí consubstanciado um desconto de dois terços. O Albatroz foi vendido por 98,7 milhões de euros; o Sertorius a 159 milhões.

POR QUE PEDE A CMVM MAIS INFORMAÇÕES

O regulador liderado por Gabriela Figueiredo Dias não quis confirmar ao Expresso qualquer atuação sobre um emitente específico. Contudo, assume que as vendas de ativos são operações a tomar em atenção e um campo em que tem atuado.

“A CMVM, no âmbito da sua função de supervisão de emitentes, procura ativamente garantir, em qualquer circunstância, que a informação por estes divulgada, em particular no contexto de alienação de ativos, apresenta elevados padrões de qualidade e completude, permitindo aos investidores compreender o impacto material da mesma na situação financeira do emitente e, com isso, fundamentar as suas decisões de investimento ou desinvestimento”, diz a autoridade do mercado de capitais ao Expresso.

Ainda este ano, em fevereiro, a circular anual da CMVM dirigida aos emitentes de valores mobiliários mencionava este assunto, já que vinha verificando “algumas situações em que se revelou necessário (…) solicitar a correção de comunicados de informação privilegiada”.

“Esclarece-se que de acordo com o tipo de transações em causa – por exemplo, aquisições, alienações e fusões –, tal poderá implicar, nomeadamente, a divulgação dos valores da transação e o impacto da mesma (nomeadamente, nas vendas, informação sobre as mais ou menos valias ou sobre a necessidade de registar eventuais imparidades – ainda que se trate de valores não definitivos), sem a inclusão das quais o investidor não terá ao seu dispor a informação mínima indispensável à correta formação das suas decisões de investimento”, indicava essa nota enviada aos emitentes do mercado nacional.

Não foi possível obter resposta do Novo Banco, mas não foi a primeira vez que o banco fez um aditamento aos seus comunicados. A 1 de março do ano passado, a instituição comunicou a venda da sucursal venezuelana. Só no dia seguinte adiantou que a operação foi feita, ao câmbio da altura, por 272 mil euros, e que não teve impacto nas contas, por já ter sido anteriormente provisionada.

Novo Banco vende créditos e imóveis tóxicos a americanos por um terço do valor

Sexta-feira, Agosto 9th, 2019

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Expresso

Banco liderado por António Ramalho teve de dar informações adicionais sobre projetos de alienação de ativos problemáticos à CMVM. E revelou qual o desconto associado à venda de créditos e imóveis

O Novo Banco está na fase final de venda de carteiras de crédito malparado e de imóveis. O preço definido é um terço do valor contabilístico destes ativos. Devido a este preço, as duas operações geraram perdas de 229 milhões de euros para o banco, contribuindo para os prejuízos de 400 milhões do primeiro semestre.

Sertorius, de imóveis, e Albatroz, de malparado e imobiliário em Espanha, são os nomes dos dois projetos de venda de ativos problemáticos. As duas transações visavam ativos cujo valor contabilístico era de 795,8 milhões de euros. Mas o preço acordado para a sua alienação foi de 257,7 milhões de euros.

Ou seja, os compradores – o fundo americano Cerberus, no primeiro caso, e a Waterfall Asset Management, no segundo – pagaram apenas um terço do montante registado no balanço. Por outras palavras, com um desconto de dois terços.

As duas operações deverão ser concretizadas até ao final do ano. A correr está ainda uma outra operação de crédito malparado, de 3,3 mil milhões de euros, que deverá ficar fechada até ao final do ano. E também perdas adicionais deverão vir dessa transação.

SERTORIUS

Na segunda-feira, o Novo Banco, detido em 75% pelos americanos da Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução, tinha anunciado a assinatura de um contrato-promessa de compra e venda com a Cerberus de um conjunto de ativos imobiliários “com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões de euros”. Esta carteira é “composta por 195 imóveis agregados, que se traduzem em 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos”.

Esta quarta-feira, o banco liderado por António Ramalho teve de comunicar à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários que “o valor de venda da carteira a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P., ascendeu a 159 milhões de euros”.

É um terço do valor bruto contabilístico.

ALBATROZ

Também na segunda-feira, o Novo Banco anunciara que a sua sucursal espanhola celebrou um contrato de compra e venda com a também americana Waterfall. A carteira de ativos imobiliários e crédito não produtivo “tem um valor bruto contabilístico para o Novo Banco, ao nível consolidado, de 308 milhões de euros”.

Esta quarta-feira, veio nova comunicação: “Informa-se que o valor de venda da carteira à Waterfall Asset Management L.L.C., ascendeu a 98,7 milhões de euros”.

Mais uma vez, um terço do valor.

E AS PERDAS

No comunicado desta quarta-feira, o Novo Banco acrescenta que “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

Quer este número dizer que parte dos créditos e dos imóveis já estava coberta por imparidades ou provisões, já que este montante de perdas registado no semestre é inferior ao diferencial entre o valor contabilístico e o preço acordado.

Estas perdas agora verificadas contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros no primeiro semestre e para a estimativa de que, com base nas contas de junho, o Novo Banco precisaria de 541 milhões do Fundo de Resolução para manter os seus rácios de capital.

O Novo Banco tem compromissos de redução de ativos problemáticos do seu balanço, pelo que tem optado por fazer vendas de grandes carteiras. Como o prazo para a concretização apertado e qa dimensão expressiva, as operações tendem a ser feitas com descontos elevados.

Novo Banco encaixa 258 milhões com venda de malparado

Quinta-feira, Agosto 8th, 2019

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Dinheiro Vivo

O Novo Banco vendeu a carteira ‘Projeto sertorius’ por 159 milhões de euros e a carteira ‘Projeto Albatroz’ por 98,7 milhões de euros.

O Novo Banco encaixou 258 milhões de euros com a venda de duas carteiras de crédito malparado, um valor que corresponde a cerca de 70% menos do que o valor contabilístico dos ativos. As duas carteiras estavam avaliadas em 796 milhões de euros. O banco explica, em comunicado, “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

O Novo Banco anunciou no dia 5 de agosto que tinha acordado a venda destas carteiras de crédito malparado. O ‘Projeto Sertorius’, uma carteira composta por 195 imóveis agregados, incluindo 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos, está avaliada em 487,8 milhões de euros.

Foi vendida a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P. O ‘Projeto Albatroz’, composto por crédito malparado e ativos imobiliários, tem um valor bruto contabilístico total de 308 milhões de euros. Foi vendido à Waterfall Asset Management L.L.C., uma gestora de ativos norte-americana.

O Novo Banco prevê que as duas transações estejam concluídas até ao final do ano. O banco liderado por António Ramalho quase duplicou o seu prejuízo no primeiro semestre deste ano, para os 400 milhões de euros, face ao resultado de igual período de 2018. O Novo Banco anunciou, no seu comunicado com as contas semestrais, que terá de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução. O banco foi criado em 2014 na sequência da resolução do BES, para ficar com parte dos ativos daquele banco. Foi vendido em outubro de 2017 ao fundo norte-americano Lone Star, que passou a deter 75% do banco, sendo os restantes 25% detidos pelo Fundo de Resolução, uma entidade gerida pelo Banco de Portugal.