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Maria Luís Albuquerque acredita que Estado terá mais perdas com Novo Banco

Quinta-feira, Maio 18th, 2017

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Negócios

A deputada social-democrata exige “esclarecimentos cabais” sobre a alienação do Novo Banco. Maria Luís Albuquerque, que critica o atraso no envolvimento “voluntário” dos obrigacionistas, está contra a manutenção de 25% do capital do banco no Estado.

A ministra das Finanças entre 2013 e 2015 está contra o modelo de venda do Novo Banco à Lone Star. De acordo com Maria Luís Albuquerque, os 25% que o Fundo de Resolução mantém na instituição financeira poderão representar “perdas futuras”.

“É muito negativa a decisão de manter a posição de capital. Serve apenas para responsabilizar o Estado para problemas futuros”, defendeu Maria Luís Albuquerque na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa. A antiga governante não acredita em ganhos futuros com aqueles 25% que não foram alienados aos americanos da Lone Star. “Se calhar, permitirão é perdas futuras”, frisou.

“Manter capital no Novo Banco é um passivo para os contribuintes”, afiançou Maria Luís Albuquerque, recusando a ideia do socialista João Galamba de que aquela posição é um activo. Para o deputado do PS, a venda de 75% foi a custo zero, pelo que se fossem vendidos 100% também seria por zero.

Ex-ministra aposta que governo PS injectará dinheiro no Novo Banco

Nas respostas dadas aos deputados, a também deputada do PSD declarou que, se houver um aumento de capital futuro na instituição financeira para além dos acordados com a Lone Star, o Estado irá injectar dinheiro se o Governo que estiver em funções for do Partido Socialista. “Se for um Governo liderado pelo PS, posso fazer uma aposta que acompanham e arranjarão argumentos para acompanhar”.

Sobre o modelo de venda à Lone Star, apresentado no final de Março pelo Banco de Portugal e pelo Governo, Maria Luís Albuquerque criticou o mecanismo de capitalização contingente que poderá obrigar o Fundo de Resolução a cobrir responsabilidades que ascendem a 3,8 mil milhões de euros. Além disso, deixou farpas, também, à troca de dívida que permitirá libertar o Novo Banco de responsabilidades de 500 milhões de euros, essencial para a concretização da operação.

Maria Luís Albuquerque não percebe por que motivo é que “uma cláusula tão fundamental como o envolvimento voluntário dos objectivos esteja ainda tão atrasada, atendendo que é tão determinante para a conclusão do processo”.

Num dia em que Ricardo Santos Silva, presidente da sociedade britânica Aethel, voltou a dizer que tem uma proposta para o Novo Banco com melhores condições do que a da Lone Star, Maria Luís Albuquerque argumentou que “se há potenciais interessados” alternativos, o Governo tem de dizer “porque é que escolheram esta proposta” e “porque é que é a melhor para a salvaguarda da estabilidade do sistema financeiro”.

A tal borla aos bancos

Terça-feira, Abril 11th, 2017

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Expresso Opinião João Galamba

Era uma vez um fundo que Maria Luís Albuquerque jurava ser dos bancos. Esse fundo, chamado Fundo de Resolução, era uma entidade pública, estava no perímetro das administrações públicas, mas isso é apenas estatístico, garantiu vezes sem conta Maria Luís Albuquerque, porque as contribuições para o fundo seriam integral e exclusivamente pagas pelos bancos, não pelos contribuintes. O empréstimo que o Estado teve de conceder ao Fundo tem um prazo curto e será inteiramente suportado pelo fundo, isto é, pelos bancos. O enorme detalhe que Maria Luís Albuquerque nunca explicou foi como é que era suposto contribuições inferiores a 200 milhões de euros por ano, que pagavam pouco mais do que os juros devidos ao Estado, reembolsarem uma dívida superior a 4 mil milhões até agosto de 2016.

Ao contrário do que a mitologia da Imaculada Resolução sustentava, o Novo Banco não foi vendido por um valor que permitisse amortizar a dívida do fundo de resolução. Não havendo qualquer amortização da dívida que decorra do processo de venda do Novo Banco, a única receita anual do fundo que poderia reeembolsar o Estado seria a contribuição anual dos bancos. Como é evidente, os bancos, com a Caixa Geral de Depósitos à cabeça, não tinham capacidade de pagar 4 mil milhões de euros sem incumprir os seus rácios de capital regulatório. No caso da Caixa estamos a falar de mais de mil milhões de euros.

Para se perceber o que podem ou não os bancos pagar, recuemos ao debate e votação do Orçamento do Estado para 2016, quando o governo propôs aumentar a contribuição sobre o sector bancário. Este agravamento permitia que as contribuições anuais para o fundo aumentassem cerca de 50 milhões de euros anuais. PS, BE, PCP e PEV votaram a favor; o PSD votou contra.

É o mesmo PSD que votou contra o aumento das contribuições da banca que vem hoje falar de alegadas borlas dadas aos bancos no empréstimo concedido pelo Estado. Como o reembolso do empréstimo depende exclusivamente das contribuições dos bancos, o PSD acaba por defender uma coisa e o seu contrário: defende que os bancos paguem menos e mais; potencialmente muito mais, não sabemos, até porque o PSD não explica.

Como é fácil de entender, a estrutura do empréstimo (prazo, juros) tem de ser adaptado à realidade das contribuições feitas pelos bancos. Só assim, depois de ajustado o empréstimo à realidade, é podemos dizer que a dívida será efectivamente paga pelos bancos, através das ditas contribuições, as únicas existentes para tal efeito. Até 2046, é certo; com um juro baixo, é verdade. Mas, nesses novos termos, serão mesmo as contribuições anuais dos bancos, e só estas, a pagar a dívida do fundo ao Estado. So depois do actual governo ter feito o que fez é que aquilo que o anterior governo afirmava sobre a responsabilidade dos bancos em relação ao fundo passou a ser verdade: são os bancos que pagam a dívida do fundo.

Podemos debater se o juro ou o prazo devia ser este ou aquele, mas todos esses debates seriam sempre, afinal, sobre o mesmo e único tema relevante: qual deve ser o valor da contribuição anual dos bancos para o fundo de resolução? Em 2016, contra a vontade do PSD, que votou contra, aumentou 50 milhões de euros. Se queremos um empréstimo mais rentável para o Estado, então temos de saber se isso é sustentável para o sector financeiro, porque implicaria um novo aumento das contribuições do sector bancário para o fundo de resolução. É um debate que podemos ter, mas, como se tem visto, não me parece que o PSD tenha qualquer intenção de participar nele de forma séria.

Carlos Costa, Maria Luís e Vítor Gaspar chamados ao Parlamento

Quarta-feira, Março 8th, 2017

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Diário de Notícias 

Em causa tanto está a questão do BES (no caso do governador) como a dos offshores, para as audições dos ex-ministros das Finanças.

No caso da audição dos ex-ministros, o PSD propôs que as audições só se fizessem depois de uma audição ao inspetor-geral das Finanças, cujo organismo está investigar porque razão transferências bancárias para offshores avaliadas em dez mil milhões de euros ficaram sem escrutínio do Fisco.

O PS, apoiado à esquerda, objetou a que assim fosse: as audições aos ministros das Finanças Vítor Gaspar (ministro das Finanças entre 2011 e 2013) e Maria Luís Albuquerque (2013-2015) serão antes da audição com o inspetor-geral das Finanças.

Por consenso, foi também deliberado convocar o governador do Banco de Portugal, respondendo a um pedido do próprio Carlos Costa e a um requerimento que já tinha sido apresentado há semanas pelo PCP.

Em causa, na disponibilidade de Carlos Costa, uma reportagem recentemente transmitida pela SIC com dados novos sobre a informação de que o governador do Banco de Portugal disporia sobre a verdadeira situação do Grupo Espírito Santo.

Novo Banco: Parlamento chama Maria Luís, Centeno, Carlos Costa e Fundo de Resolução

Quarta-feira, Fevereiro 8th, 2017

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TVI

O Parlamento decidiu chamar para audições sobre o Novo Banco e a resolução do BES a anterior e o atual ministros das Finanças, o governador do Banco de Portugal e o presidente do Fundo de Resolução

O Parlamento decidiu chamar para audições sobre o Novo Banco e a resolução do BES a anterior e o atual ministros das Finanças, o governador do Banco de Portugal e o presidente do Fundo de Resolução.

O PCP tinha apresentado, no final de janeiro, à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa um requerimento para a audição do governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, e da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o que motivou uma forte oposição do PSD.

O requerimento do grupo parlamentar comunista acabou por ser votado em dois pontos, sendo aprovada a audição de Carlos Costa, com os votos favoráveis do PS, BE e PCP e os votos contra do PSD e do CDS.

No entanto, a audição de Maria Luís Albuquerque proposta pelo PCP foi chumbada, com os votos favoráveis do PCP e BE, contra do PSD e do CDS-PP e abstenção do PS, que considerou que “embora seja legítimo chamar ao parlamento membros de antigos governos, a comissão [parlamentar] ordinária não tem essa missão”.

Ainda assim, a audição da ex-ministra Maria Luís Albuquerque acabou por ser aprovada, no seguimento de uma proposta do PSD apresentada na comissão parlamentar desta tarde para promover um conjunto de audições parlamentares sobre o Novo Banco.

O requerimento do grupo social-democrata sugeria ouvir também o presidente do conselho diretivo do Fundo de Resolução, José Joaquim Berberan e Santos Ramalho, e do atual ministro das Finanças, Mário Centeno.

A audição de Maria Luís Albuquerque acabou por ser aprovada com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP, BE e PCP e a abstenção do PS, sendo que as audições de Mário Centeno e do presidente do Fundo de Resolução também foram aprovadas, mas apenas com os votos a favor do PSD, CDS-PP e BE, uma vez que PCP e PS se abstiveram.

Sérgio Monteiro: Força nas canelas

Domingo, Janeiro 22nd, 2017

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Correio da Manhã

Faz 43 anos para o mês que vem, o gestor que se farta de pedalar. Aquele que já foi de Mangualde à Serra da Estrela, das PPP à TAP, corre agora o risco de derrapar agarrado ao Novo Banco
O amigo conterrâneo precipitou-se. O Opus Dei, afinal, não recrutou Sérgio da Silva Monteiro. Na adolescência, foi acólito, o padrinho é sacerdote, a falecida mãe, professora primária, era devota, a irmã assessorou um antigo presidente da Câmara de Mangualde, que é supranumerário.

Coincidências. Sérgio Paulo Lopes da Silva Monteiro diz pela sua própria voz que nunca pertenceu à Prelatura pessoal da Igreja Católica. Casado e com descendentes, três raparigas e um rapaz, é fácil encontrá-lo, aos fins-de-semana , a passear os herdeiros de bicicleta, no Parque das Nações, em Lisboa, onde reside. No passado, pedalou desde a sua terra natal, Mangualde, até ao infinito da Serra da Estrela. Agora, os pedais têm tempo limite: Abril próximo.

A milionária prestação de serviço ao Banco de Portugal justifica-se numa alínea: encontrar comprador para o ‘banco bom’ após o naufrágio de Ricardo Salgado. Bem posicionado para ficar com o Novo Banco é o Lone Star Funds, comandado por John Grayken, tido como um oportunista que fez fortuna a partir dos erros alheios.

Próximo de Maria Luís

O governador Carlos Costa entusiasmou-se com a biografia do homem nascido em 19 de Fevereiro de 1974, sobretudo no que respeita a processos de privatização, sucedidos em 2013, e colocou-o à frente do projecto de um negócio que já viu as águas de bacalhau. Não é a estreia de Sérgio Monteiro na ribalta.

Antes de ser secretário de Estado das Infra-estruturas e Transportes de Passos Coelho, administrou a Caixa Banco de Investimento da CGD, onde às suas costas caíam as Parcerias Público-Privadas (PPP). Dialogante, conciso e combativo. Travou batalhas. Na TAP negociou com sindicatos de pilotos. No Metro retirou aos funcionários a regalia dos óculos escuros. Privatizou a ANA, resolveu a CP Carga, vendeu os CTT em Bolsa à finança internacional.

Almas vivas do PSD não querem saber do CV de Monteiro: “Ainda para mais não é militante.” É apenas adepto do Benfica. No consulado de Passos Coelho, diz-se que o pós-graduado em Ciências Empresariais fez papel de ministro da Economia e que teve proximidade com Maria Luís Albuquerque.

Há militantes do PSD que não digerem o facto de, em Janeiro de 2011, ter integrado o Grupo de Trabalho para a reavaliação das PPP e Concessões, por indicação de Governo socrático: “Sérgio Monteiro começa com os socialistas e a seguir vai para governo de coligação PSD/PP. E depois, continua no seu melhor?!” A ironia refere-se ao salário atual – 25, 4 mil € -, que teve direito a um prolongamento. A explicação do balúrdio veio em comunicado. Monteiro, filho de um bancário da CGD, recebe uma remuneração igual à que auferia no CaixaBI. Este detalhe provoca riso a fonte adjacente. O lugar de Monteiro terá sido preenchido e é improvável que volte a reunir tantos euros num só mês.

Fact check. O PSD “destruiu” mesmo o BES, como acusou António Costa?

Quinta-feira, Dezembro 29th, 2016

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Observador

António Costa disse que o PSD não tem legitimidade para falar de bancos porque, na sua governação, “destruiu o BES”, equiparando às situações do Banif e da Caixa. Faz sentido? Leia o “fact check”.

(Fact check atualizado às 20h53 com declarações de João Galamba, do PS, à imprensa)

A frase

“O que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro. Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o Banco Espírito Santo (BES), conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif”.

António Costa, em entrevista à Lusa a 24 de novembro de 2016

A tese

António Costa deu uma entrevista à Lusa em que passou ao ataque e acusou a governação de Pedro Passos Coelho de ter “conduzido à destruição” o Banco Espírito Santo (BES), equiparando o que se passou com o banco liderado por Ricardo Salgado aos casos do Banif e da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Todos estes são casos complexos, todos eles sujeitos a comissões de inquérito parlamentar, mas faz sentido juntá-los no mesmo saco para dizer que foi o Governo de Passos Coelho o responsável pela queda do BES?

Os factos

Muito se escreveu sobre o adiar do problema que existia no Banif e de como o processo conturbado terminou com uma resolução ruinosa, depois de uma sucessão de acontecimentos como o regresso aos mercados, o fecho do programa da troika, as dificuldades na venda de ativos e a entrada de novos investidores no Banif e a própria resolução do BES (que causou perdas ao Banif e desvalorizou os seus ativos).

Muito se falou, também, sobre a acumulação de prejuízos na Caixa Geral de Depósitos e a indefinição que se vive no banco há alguns anos, mesmo antes de as atenções dos jornais se virarem para o banco público. Só em julho de 2015, vários meses antes das eleições e da queda do Banif, Passos Coelho disse publicamente que estava “preocupado” com o facto de o banco público não ter, ainda, naquela altura, reembolsado qualquer cêntimo do empréstimo estatal. Houve notícias que sugeriam a existência de planos de capitalização apresentados pela anterior administração a que não foi dado seguimento por parte do governo de Passos.

Ainda assim, 0 que parece ser um caso distinto, e muito mais complexo até, foi o colapso do Banco Espírito Santo (BES) no verão de 2014, quando Maria Luís Albuquerque contava com um ano como ministra das Finanças. A agora deputada do PSD já veio repudiar as declarações do primeiro-ministro, considerando que quando Costa diz que o PSD “destruiu” o BES está a revelar “grande ignorância” e teria dado “milhares de milhões” a Ricardo Salgado.

António Costa não esclareceu sobre o que se referia. Mas é um facto que Ricardo Salgado pediu a Pedro Passos Coelho para intervir no sentido de obter um empréstimo milionário (cerca de 2,5 mil milhões de euros) para o Grupo Espírito Santo (GES) — e não para o BES. Seria um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos ao grupo da família, mas com a intenção — segundo Salgado — de proteger o banco, que viria a ser contaminado pelas dificuldades do grupo, e facilitar a reestruturação de ativos da parte não financeira.

A partir das declarações de António Costa não é possível depreender que o líder do PS defenderia — se estivesse no lugar de Passos Coelho — o empréstimo ao Grupo Espírito Santo. E é impossível provar que esse empréstimo da Caixa ao GES poderia ter sido a solução para os problemas de Ricardo Salgado e que, com esse empréstimo, tanto o BES como o GES estariam, hoje, de boa saúde.

Aquilo que é verificável é que houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o colapso do BES que chegou a várias conclusões e nenhuma delas apontou culpas ao governo de Passos Coelho. Existe, nas conclusões da Comissão, uma crítica de que a troika poderia ter feito mais para descobrir os problemas (recorde-se que o BES não pediu ajuda estatal), mas não existem críticas diretas ao Governo PSD-CDS.

A comissão de inquérito fez algumas críticas ao Banco de Portugal, sobretudo por ter tido uma intervenção “porventura tardia”, mas atribuiu a Ricardo Salgado a “centralização de responsabilidades” pelo colapso do grupo e do banco e escreveu que “todos os administradores e dirigentes de topo do GES são solidariamente responsáveis”.

 O porta-voz do PS, João Galamba, respondeu ao final da tarde aos comentários de Maria Luís Albuquerque sobre esta controvérsia, dizendo que “a posição do PS foi sempre a mesma ao longo de toda a comissão de inquérito do BES”. “Quando o PSD diz agora que António Costa teria entregado milhares de milhões de euros a Ricardo Salgado, está a distorcer a posição do PS porque a nossa posição sempre foi, ao longo de toda a comissão de inquérito e ainda é hoje, que no momento em que se descobriu que Ricardo Salgado tinha falsificado as contas da Espírito Santo International, no final de 2013, esse era o momento para substituir-se Ricardo Salgado”, vincou João Galamba.

À Lusa, João Galamba acrescentou que “a substituição da administração (…), esta era a tese do PS e mantemos ainda hoje, só não foi feito no final de 2013, porque não dava jeito ao Governo da altura, ao Banco de Portugal e à troika, um escândalo financeiro em plena saída limpa de Portugal do programa [de ajustamento]”, declarou o deputado socialista.

Errado. Comparar as situações do Banif e da Caixa com o BES parece fazer pouco sentido, a menos que António Costa tenha dados novos que (nesta entrevista) não foram revelados. A recusa de Passos Coelho do empréstimo da Caixa ao GES, sustentada com a indisponibilidade do Estado para “resgatar grupos privados”, terá sido relevante para o decurso do processo. Mas é impossível saber o que aconteceria se a resposta tivesse sido outra — o Estado poderia ter ficado a pagar uma fatura elevada se se tivesse associado aos problemas do GES. De qualquer forma, o ponto é: a Comissão de Inquérito não apontou as culpas pelo colapso do BES ao Governo de Passos, e o PS (já então liderado por António Costa) votou favoravelmente as conclusões da CPI.

PSD sugere que PS teria entregue “milhares de milhões” ao BES se fosse Governo em 2014

Terça-feira, Novembro 29th, 2016

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Negócios

O PSD repudiou as acusações do primeiro-ministro de que o anterior Governo destruiu o BES e o Banif, lembrando que o governador do Banco de Portugal já considerou ser “ignorância” considerar o programa de ajustamento um fracasso.

Num comentário esta sexta-feira aos excertos da entrevista do primeiro-ministro à Agência Lusa divulgados na quinta-feira, a vice-presidente do PSD Maria Luís Albuquerque considerou que as acusações proferidas relativamente aos sociais-democratas são “de uma tal gravidade e falsidade” que não podem deixar de merecer um comentário.

“O doutor António Costa, numa tentativa de justificar o injustificável comportamento do Governo relativamente à matéria da Caixa Geral de Depósitos acusou o Governo anterior de ter destruído o Banco Espírito Santo, de ter destruído o Banif e que, segundo as palavras do doutor António Costa, só a mudança do Governo impediu que houvesse mais destruição”, recordou.

Tais declarações, referiu, permitem concluir que se António Costa fosse primeiro-ministro em 2014 “teriam sido entregues milhares de milhões de euros de dinheiro dos contribuintes ao doutor Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES”.

Maria Luís Albuquerque remeteu ainda o primeiro-ministro para as declarações proferidas pelo governador do Banco de Portugal também na quinta-feira, quando Carlos Costa “esclareceu que os problemas que ainda hoje colocam grandes desafios à banca nacional são problemas que tiveram a sua origem antes de 2011 e é ainda o legado desses tempos que pesa na banca nacional”.

“Isto são as palavras do senhor governador, que a política para o sistema financeiro para a banca durante o período dos anos de ajustamento foi um fracasso, isso é só um sinal de uma grande ignorância ou até de iliteracia”, sublinhou a ex-ministra das Finanças.

Na entrevista à Agência Lusa, o primeiro-ministro considerou que a postura do PSD é “absolutamente irresponsável” no caso da Caixa Geral de Depósitos, acusando os sociais-democratas de terem procurado, enquanto Governo, esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro”.

“Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o Banco Espírito Santo (BES), conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif, e se não tivesse mudado o Governo gostava de saber quantos mais bancos teriam sido destruídos. Há um seguramente que teria sido destruído, a CGD, ou, pelo menos, teria sido empurrado para uma privatização que privaria os portugueses de terem um instrumentos fundamental ao serviço da economia”, acusou António Costa.

Na entrevista, o primeiro-ministro disse ainda que o PSD, “não contente com o seu passado de Governo na gestão do sistema financeiro, comporta-se agora na oposição com uma irresponsabilidade total, inventando casos sobre casos, falsas polémicas sobre falsas polémicas, com um único objetivo, que é ver se evita a concretização dos programas de capitalização e de reestruturação da Caixa e a execução do novo plano de negócios”.

Também na quinta-feira, numa intervenção de abertura do Fórum Banca 2016, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defendeu que os bancos portugueses estão hoje mais capitalizados do que em 2011, considerando que contradizer esta realidade “é uma ofensa ao programa de ajustamento e ao BdP” e que “só pode ser grande ignorância ou iliteracia”.

“Novo Banco deveria ter sido vendido” logo à primeira oportunidade, diz ex-ministra

Terça-feira, Setembro 13th, 2016

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Expresso

A ministra das Finanças de Passos Coelho admite que se ainda se encontrasse no Governo hoje reconduziria Carlos Costa à liderança do Banco de Portugal. “Não me arrependo de todo da decisão tomada. Acho que foi um homem muito corajoso”, diz Maria Luís Albuquerque

O Novo Banco deveria ter sido vendido” logo na primeira oportunidade, diz Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. “Essa decisão não era do Governo, era do Fundo de Resolução. Mas a minha posição na altura é que devia ter sido vendido. Acho que esperar por dias melhores para vender não tem sido uma estratégia positiva”, explica.

Para Maria Luís Albuquerque, pode demorar mais tempo para que o Fundo de Resolução devolva os 3,9 mil milhões, “mas a lei nem permite que esse dinheiro não seja devolvido”. “A questão que se pode colocar é se demora mais ou menos tempo”, diz.

A ministra das Finanças de Pedro Passos Coelho assume que se ainda se encontrasse no governo hoje reconduziria Carlos Costa à liderança do Banco de Portugal. “Não me arrependo de todo da decisão tomada. Acho que foi um homem muito corajoso, que tomou decisões muito difíceis, numa altura particularmente exigente da supervisão e da regulação”, explicou.

Quanto à génese da crise portuguesa, diz que “é como a história do ovo e da galinha”. Não se pode dizer com grande certeza se teve origem na crise bancária ou nas contas públicas. “Contas públicas saudáveis fazem diferença quando é preciso intervir no sector financeiro. A crise começou por ser financeira, transformou-se numa crise de dívidas soberanas e, no caso de Portugal, eliminou os fatores que disfarçavam a sua existência. A crise estava cá, os nossos problemas estruturais estavam cá. Enquanto a situação era de alguma euforia, os mercados ignoraram os sinais de alerta e quando as coisas correram mal, interromperam abruptamente o financiamento, como acontece sempre”, afirmou.

Maria Luís responsabiliza PS por situação do sistema financeiro

Sexta-feira, Julho 1st, 2016

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Jornal de Notícias

A deputada do PSD e ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque responsabilizou, esta sexta-feira, o Governo e a maioria de esquerda pela situação do setor financeiro, argumentando que é um “espelho da economia”.

“Aquilo que leva à acumulação de imparidades é o que os senhores fizeram à economia. Ponham a mão na consciência”, declarou Maria Luís Albuquerque num debate marcado pelo PS sobre o sistema financeiro.

Na resposta, o PCP acusou a ex-titular das Finanças de ter feito tudo para esconder dos portugueses a situação dos bancos, “incluindo mentir”, com o objetivo de “manter viva a narrativa da saída limpa”, argumentando que os créditos mal parados e imparidades não pararam de crescer durante os quatro anos do Governo PSD/CDS.

Maria Luís Albuquerque defendeu que “o sistema financeiro é o espelho da economia, recupera quando há crescimento e confiança, fica em dificuldades quando o crescimento recua e a confiança desaparece e um sistema financeiro em dificuldades não ajuda a economia e crescer”.

“O que fez esta maioria desde que tomou posse? Proclamou o fim da austeridade mas tirou mais a todos para devolver a alguns. Acusou aqueles de quem dependemos para nos emprestarem dinheiro de quererem a desgraça do país, e, em dias alternados e em partidos à vez, ameaça não pagar a dívida. Reverteu as concessões das empresas de transportes, afastando investidores estrangeiros de que Portugal tanto precisa, para dar à CGTP o poder que os trabalhadores lhe tinham retirado ao longo dos anos”, argumentou.

Segundo a ex-ministra das Finanças, o atual Governo “anuncia a cada oportunidade que vai reverter tudo o que o governo anterior fez e que permitiu voltar a crescer e recuperar a credibilidade e ainda alimenta a comunicação social com rumores sobre a Caixa Geral de Depósitos e o resto do sistema financeiro, que depois não confirma nem desmente, deixando espaço para especulações que prejudicam todo o sistema financeiro”.

Pelo PCP, o deputado Miguel Tiago acusou Maria Luís Albuquerque de fazer “malabarismos” para tentar fazer crer que “o crédito mal parado na banca surge de um momento para o outro e representa um problema de um momento para o outro”.

“É no mínimo, não dizemos uma irresponsabilidade, porque é certamente deliberado e intencional, porque a senhora deputada enquanto ministra tudo fez para esconder dos portugueses a verdadeira situação da banca”, acusou, argumentando que quando o PCP perguntava pelo Banif e o BES, a então ministra era omissa sobre a real situação das instituições.

O deputado do PS Eurico Brilhante Dias interveio no encerramento do debate, recomendando ao PSD e ao CDS uma ida ao psicanalista: “Os senhores precisam de ir para o divã, vêm aqui dizer de forma surpreendente que querem uma auditoria e uma comissão de inquérito quando foram Governo quatro anos”.

“A receita da austeridade custe o que custar anunciada aqui nesta tribuna do Governo no parlamento, pelo doutor Pedro Passos Coelho, sabem o que é que produziu: mais insolvências, mais falência de famílias, mais crédito mal parado, mais problemas nos bancos”, argumentou.

Já o CDS – que interveio depois da deputada do BE Mariana Mortágua ter feito uma intervenção sobretudo contra as declarações do ministro alemão das Finanças – acusou os bloquistas de terem “uma lavandaria política que se destina única e exclusivamente a encobrir os erros do PS”.

O PEV, através do deputado José Luís Ferreira, interveio para fazer a defesa de uma Caixa Geral de Depósitos pública, “integralmente nas mãos do Estado”, e para alertar para a venda do Novo Banco “significará um novo Banif ou um novo BPN, com graves prejuízos para os contribuintes”.

Leia mais: Maria Luís responsabiliza PS por situação do sistema financeiro http://www.jn.pt/economia/interior/maria-luis-responsabiliza-ps-por-situacao-do-sistema-financeiro-5260790.html#ixzz4DCBapDAo
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Maria Luís. “Nós não colocámos dinheiro dos contribuintes no Novo Banco”

Sexta-feira, Julho 1st, 2016

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Dinheiro Vivo

Ex-ministra das Finanças diz que não foi gasto dinheiro público no Novo Banco. Fundo de Resolução injetou 4,9 mil milhões, 3,9 mil milhões do Estado.

ex-ministra das Finanças e deputada do PSD Maria Luís Albuquerque garantiu hoje no debate sobre sistema financeiro no Parlamento que o PSD não colocou dinheiro dos contribuintes no Novo Banco, uma afirmação que levantou um forte burburinho das bancadas da esquerda.

“Nós não colocámos dinheiro dos contribuintes no Novo Banco”, afirmou, perante os protestos da esquerda. Maria Luís justificou, dizendo que o capital foi da responsabilidade do Fundo de Resolução. E foi mais longe. –

Não venham dizer que tirámos dinheiro aos contribuintes. Se alguém o puser serão vocês e a responsabilidade será vossa”, atirou à bancada socialista. O Fundo de Resolução injetou 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco, que ontem recebeu quatro propostas de compra. Deste valor, 3,9 mil milhões de euros foram colocados pelo Estado. A ex-ministra mostrou-se ainda “ofendida” com o deputado do PCP Miguel Tiago, que a acusou de mentir.

“É grave. Já não é a primeira vez e é uma ofensa. Sinto-me ofendida e das muitas vezes que o PCP me acusou de mentir eu provei que não tinha mentido e é importante recuperar essa memória também”, afirmou, perante palmas e burburinho das bancadas. Miguel Tiago tinha acusado Maria Luís de “fazer malabarismo” com a informação relativa ao crédito malparado.

“A senhora deputada tudo fez para ocultar, para esconder dos portugueses a verdadeira situação da banca. Para manter viva a narrativa da saída limpa a senhora deputada fez tudo, incluindo mentir.” Maria Luís garantiu ainda que o PSD não está contra a recapitalização da CGD mas quer saber quanto será preciso e como será feito o processo, antes deste estar concretizado, dizendo que os quatro ou cinco mil milhões que têm vindo a ser referidos não é um “valor razoável face ao que se conhecia”.