Arquivo para a categoria ‘Ministra das Finanças’

“Venda do Novo Banco não vai ser brilhante e alguém vai pagar a fatura”

Segunda-feira, Novembro 30th, 2015

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Notícias ao Minuto

Luís Marques Mendes comentou este domingo, no Jornal da Noite da SIC, os cinco desafios que o Governo de António Costa vai enfrentar nos próximos tempos.

Para o ex-presidente do PSD, há cinco desafios que poderão dificultar a vida do atual primeiro-ministro, António Costa. No comentario no Jornal da Noite na SIC, Marques Mendes começou por enumerá-los.

“O Orçamento do Estado para 2016 vai ser basicamente o conjunto de promessas que estão nos acordos feitos entre os três partidos. Não temos orçamento antes de março. Uma coisa é aprovar dentro do Governo, mas não vai ter dificuldades em passá-lo”, elucidou.

De seguida, considerou a questão dostransportes urbanos, “que o governo anterior entregou a privados, e agora vai tentar anular essas concessões”. “Acho que isto vai ser feito sem lei. Isto porque os contratos ainda não estão aprovados pelo Tribunal Constitucional, portanto estou mesmo a ver os ministros a dar ordens para anular os contratos. Acho que isto vai ser feito já para a semana”, considerou.

“A venda do Novo Banco é o primeiro grande caso de colisão entre Mário Centeno e o Banco de Portugal (BdP). O negócio nunca vai ser brilhante e alguém vai pagar a fatura política”.

Por fim, o social-democrata acredita que o Programa de Estabilidade e Crescimento a apresentar a Bruxelas vá ser uma dificuldade. “Para agradar a Bruxelas terá problemas com o PCP e Bloco de Esquerda. E o Orçamento para 2017… Aí pago para ver como ele vai ser feito e como vai ser aprovado. Acho que este vai ser o ponto crítico destas alianças”, explicou.

Plano de capital do Novo Banco terá de ser validado por Centeno até segunda-feira

Sexta-feira, Novembro 27th, 2015

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Negócios

Antes de fechar o plano de capital do Novo Banco, o Banco de Portugal quer obter o conforto político do Governo de António Costa. Avaliação de Mário Centeno pode ditar ajustamentos no leque de medidas de capitalização
O plano de capitalização do Novo Banco, que tem de ser entregue até segunda-feira ao Banco Central Europeu (BCE), vai ser pré-validado pelo novo ministro das Finanças, Mário Centeno, antes de ser enviado para …

Novo Banco. Venda tem de ser feita até Agosto de 2016 para não entrar em falência

Quinta-feira, Novembro 26th, 2015

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Ionline

Afinal, quem explicou a Bruxelas a medida de resolução do BES foi a ministra das Finanças, num documento a que o i teve teve acesso através do CDIBES, o consórcio de pequenos accionistas que pôs o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução em tribunal.

 

A carta de Maria Luís Albuquerque, que nunca chegou à comissão parlamentar de inquérito, foi enviada ao então vice--comissário da Comissão Europeia a 3 de Agosto, ainda antes da divulgação da medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal.

A governante justificou a medida pela “ausência de compradores” e considerou-a como a “única solução para salvaguardar a estabilidade do sistema financeiro em Portugal”.

Joaquín Almunia recomendou à ministra que consultasse a Direcção da Concorrência da CE, numa troca de missivas que decorreu durante todo o dia 3 de Agosto.

E foi clara nas recomendações que fez a Portugal. O banco de transição tem de ser vendido até dois anos depois da data da medida de resolução, ou seja, até Agosto do próximo ano, sob pena de entrar em insolvência. Em simultâneo, “quaisquer activos não alienados até essa data serão liquidados no mês seguinte”. Já quanto à licença bancária, esta “será revogada após a venda integral da instituição ou 24 meses após a data da decisão, consoante a data em que ocorrer a primeira”.

A razão, justifica Almunia, é que, pelo facto de ter ajudas estatais, a instituição financeira está a distorcer a concorrência face aos outros bancos. O comissário acrescentou que estes apoios permitem “ao banco de transição o capital necessário para evitar a insolvência”, e a medida “é igualmente susceptível de afectar as trocas comerciais entre os estados-membros, dado que o mercado de serviços financeiros é, pela sua natureza, um mercado global. O BES concorre a um nível internacional e alguns dos seus concorrentes em Portugal são subsidiárias ou sucursais de bancos estrangeiros”.

Apoio aos compradores Há ainda um pormenor na resposta de Bruxelas. “A venda de uma instituição de crédito no decurso de um processo de resolução ordenada pode implicar um auxílio estatal para o adquirente, excepto se a alienação for organizada através de um concurso aberto, não discriminatório e incondicional, e os activos forem vendidos à proposta mais elevada.”

A Comissão refere também toda a informação prestada pelo governo português sobre o banco da família Espírito Santo. O BES é descrito no documento como “o terceiro maior banco português, à data de Março de 2014, com activos no valor de 76,6 mil milhões de euros, 37,3 mil milhões de euros em depósitos de clientes, 13,7 milhões de euros em dívida emitida e 4,2 mil milhões em recursos a outras entidades de crédito”.

As autoridades portuguesas informaram ainda Bruxelas de que o banco estava presente em quatro continentes e 25 países, empregando 10 mil pessoas e sendo o segundo maior banco privado português.

“A 30 de Julho”, acrescenta a carta de Almunia, “e segundo resultados divulgados pelo BES, este dispunha de activos no valor de 80,2 mil milhões de euros, 36,7 mil milhões dos quais em depósitos de clientes e 5,8 mil milhões em recursos de outras instituições de crédito.”

O governo português também reconheceu perante Bruxelas que “o BES prestava serviços a todos os segmentos de clientes: retalho, empresarial e institucional, oferecendo uma vasta gama de produtos financeiros através de uma rede diversificada”, acrescentando que a instituição financeira, “desde a sua privatização, em 1992, seguira uma estratégica de crescimento consistente no mercado doméstico apoiada pelo desenvolvimento de uma abordagem pluriespecialista no mercado doméstico”.

E que o seu crescimento orgânico “foi sustentado pela franquia da marca BES e pelas fortes dinâmicas nos segmentos de retalho e comercial”.

E avançava com dados de 30 de Junho: um total de activos de 76,6 milhões de euros, empréstimos e adiantamentos a clientes no valor de 45,8 mil milhões de euros, depósitos de clientes de 37,3 milhões de euros e um total de fundos grossistas de 14,4 mil milhões de euros.

Só que a exposição do banco à ESI e ao grupo da família Espírito Santo acabou por deitar por terra todo este optimismo. Na mesma data, o BES já tinha um rácio Common Equity Tier 1 (CET1) de 5%, quando o valor mínimo exigido pelo Banco de Portugal era de 7%.

Parvalorem: alguém sai bem na fotografia?

Terça-feira, Outubro 13th, 2015

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Público Opinião Ricardo Cabral

AParvalorem, um dos três “bancos maus” que resultaram do BPN, foi criada por despacho do Secretário de Estado do Tesouro e Finanças do XVIII Governo Constitucional, Carlos Pina, em Setembro de 2010, após a nacionalização do BPN por esse governo emNovembro de 2008.

O ainda actual governo —  XIX Governo Constitucional — dois meses depois de ter injectado 600 milhões de euros de capital no antigo BPN, privatizou o “banco bom” (o “BPN bom”) após negociações com o BIC (controlado por capitais angolanos), por 40 milhões de euros. E, para além disso, o contrato de privatização já determinou entretanto pagamentos ao BIC de pelo menos 27,6 milhões de euros, (mas as contingências podem ainda subir até quase 200 milhões de euros). E, à semelhança do que mais tarde ocorreria com o BES/Novo Banco, também se transferiram activos e passivos entre a Parvalorem e o “BPN bom” (entretanto redenominado BIC).

O processo de privatização do “BPN bom” foi em larga medida conduzido pela Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque (actual Ministra das Finanças).

Foram retirados poucos ensinamentos da cisão do BPN no “banco bom” e nos “bancos maus”, das confusões com activos “tóxicos” do BPN e da própria privatização do “BPN bom”. Talvez o maior ensinamento retirado — porque a Ministra das Finanças teve a experiência pessoal de gerir toda o processo — foi que, o melhor mesmo, era não ser o Ministério das Finanças a lidar com tais assuntos e passar a proverbial “batata quente” para o Banco de Portugal.

Mas voltemos à Parvalorem. Em 2012, a então Secretária de Estado do Tesouro exarou um despacho a classificar a Parvalorem na categoria B (mais elevada) “para efeito da remuneração de gestores públicos” e, pouco tempo depois, um outro  despacho a nomear Francisco Nogueira Leite (que deu “apoio à gestão” na Tecnoforma onde era administrador Passos Coelho) para presidir ao Conselho de Administração da Parvalorem, após parecer favorável da CReSAP (Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública) e após Maria Luís Albuquerque ter pedido aos membros do anterior Conselho de Administração que se demitissem.

A Parvalorem não é qualquer “empresazita de vão de escada”, infelizmente. Após vários anos de existência e de venda de activos, segundo o Relatório & Contas de 2014, a Parvalorem geria cerca de 3,7 mil milhões de euros de activos brutos no final de 2014. E tem tido prejuízos de váriascentenas de milhões de euros ano após ano. Ou seja, gera mais prejuízos em cada ano do que as receitas da maior parte das empresas públicas e privadas portuguesas.

Até se pode, por isso, justificar a decisão da ministra de classificar a Parvalorem na categoria B.

O que talvez não se justifique é ter nomeado Francisco Nogueira Leite para a presidência da Parvalorem: porque este só tinha experiência de administração de pequenas empresas, tivesse embora passado pela administração de empresas participadas de algumas empresas públicas, mas aparentemente nada com a dimensão da Parvalorem; segundo porque é amigo pessoal de Passos Coelho de longa data.

A Parvalorem presidida por Francisco Nogueira Leite contratou, sem concurso, a empresa do contabilista da antiga Tecnoforma, Francisco Banha, com quem colaborou noutras duas empresas, numa decisão que parece pessoalizar em demasia a gestão da Parvalorem.

Em Fevereiro de 2013, a então Secretária de Estado do Tesouro envia um e-mail à Parvalorem  perguntando se não era possível terem previsões mais optimistas sobre as imparidades de 2012. E, em consequência desse e-mail, a Parvalorem reveu as imparidades e os prejuízos em baixa.

Há poucos dias, mais uma notícia sobre a Parvalorem. A Ministra das Finanças remeteu para o Ministério Público, para efeitos tidos por convenientes, uma alteração do valor contabilístico de activos que foram transferidos do banco bom (BPN) para o banco mau (Parvalorem) pouco antes da privatização, mas após o encerramento das contas do BPN. Prejuízo estimado para o erário público: 107 milhões de euros. Ou seja, não são trocos.

É incrível como a então Secretária de Estado do Tesouro não notou uma alteração desta dimensão no perímetro do negócio de “40 milhões de euros” (i.e., da privatização do “BPN bom”) e, na minha opinião, para além de remeter o assunto para o Ministério Público deveria determinar uma inspecção independente às entidades públicas envolvidas no negócio, incluindo a própria Secretaria de Estado do Tesouro e Finanças por si tutelada à altura.

Por último dois factos: o contabilista que “corrigiu” as contas em eventual benefício do banco BIC (comprador) foi contratado por este; o contabilista que tinha feito a avaliação inicial que beneficiava o Estado foi demitido pela Parvalorem.

Moral da história: Quem age em prol do Estado perde quase sempre…

Nogueira Leite revela que “Carlos Costa é um grande conselheiro de Passos Coelho”

Domingo, Setembro 27th, 2015

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Público

Economista diz que Passos Coelho encontrou em Carlos Costa “alguém disponível para receber os louros ou as críticas de um processo em que o Governo decidiu não se envolver.”

Pedro Passos Coelho tem como conselheiro o governador do Banco de Portugal Carlos Costa, “alguém que estava disponível para receber os louros ou as críticas do processo em que o Governo decidiu não se envolver”, conta António Nogueira Leite, que entre 2008 e 2011 integrou o conselho nacional do PSD.

Num debate na Rádio Renascença, conduzido pelo jornalista José Pedro Frazão, o economista, que em Junho de 2011 esteve ao lado de Pedro Passos Coelho nas eleições legislativas, não escondeu críticas ao processo de resolução e de venda do Novo Banco.

O ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças entre 1999 e 2000 (e ex-presidente da Bolsa de Valores de Lisboa) declarou-se “à vontade” para dizer que o actual primeiro-ministro conta com dois “grandes conselheiros”: “Manuel Rodrigues”, o seu secretário de Estado do Orçamento, e “Carlos Costa”, o governador do Banco de Portugal (BdP). E defende que Passos Coelho encontrou em Carlos Costa “alguém disponível para receber os louros ou as críticas de um processo em que o Governo decidiu não se envolver.”

Nogueira Leite confessa-se surpreendido com o facto de Carlos Costa ter estado “sempre tão confortável a regular” o BES, um banco “especioso”. “É difícil de perceber.” “Excesso de confiança de Carlos Costa? Não sei. Às vezes custa-me a entender como é que pessoas com tanta experiência possam expressar graus de ingenuidade tão grandes”. No BdP “estavam absolutamente convencidos de que havia um ‘ringfencing’ [protecção do BES da contaminação do GES] do ‘banco bom’ em relação ao resto”, mas “a realidade” mostrou que não era assim. “Processos destes, mesmo que o ‘ringfencing’ fosse bem feito, têm sempre um potencial brutal de litigância.”

Sobre a venda “falhada” do Novo Banco [que não gerou ofertas compatíveis com as expectativas do vendedor], o economista conta que a sua “experiência profissional de 30 anos tem colidido bastante com o que se tem passado”. E defende que, em alternativa à intervenção via Fundo de Resolução [que injectou 4900 milhões no Novo Banco] teria sido “mais fácil uma solução parecida com a que a que foi proposta pela equipa” de Vítor Bento.

O primeiro presidente do Novo Banco [Bento deixou o banco em Setembro de 2014 depois das autoridades terem antecipado a venda para 2015, quando estava prevista ocorrer até ao Verão de 2016] propunha “injectar o dinheiro público que fosse necessário, limpar adequadamente o banco durante o tempo que fosse preciso.” A solução é equiparada por Nogueira Leite à seguida por António Horta Osório no Lloyds, em Inglaterra. O Estado assumiu o Lloyds “e foi vendido à medida que foi sendo limpo”, o que possibilitou recuperar “a confiança dos consumidores”.

Sobre a possível intenção da coligação Portugal à Frente retomar a tese de privatizar a CGD, Nogueira Leite começou por referir que “esta ideia de Passos Coelho” constituiu “uma das suas primeiras proclamações políticas nesta sua emergência pós-jota” e que se tratou “da minha primeira derrota, porque acho que num sistema onde não há capital como o sistema capitalista português, é importante que haja bancos portugueses, geridos com rigor e supervisionados” por um “supervisor mais exigente”.

Neste momento o único banco 100% português é a Caixa, enquanto não for privatizada.” Instado a comentar declarações recentes de Passos Coelho a criticar a actual administração da CGD presidida por José Matos (que Nogueira Leite integrou de Junho de 2011 a Janeiro de 2013), Nogueira Leite explicou: Passos Coelho “devia saber pelos relatórios e contas da Caixa e pelos jornais que esta administração que eventualmente o desconforta já registou nas suas contas mais de cinco mil milhões de imparidades ou perdas de crédito de operações feitas” antes de tomar posse. “E nunca vimos José de Matos [presidente executivo] ou a sua equipa a atirar culpas para o passado.”

A proposta de Passos Coelho de constituir um banco de fomento para apoiar as empresas, projecto bandeira do Governo ainda pouco activo, mereceu igualmente contestação por parte de Nogueira Leite: “Em vez de a Caixa fazer o que fazia no passado, que era ‘torrar dinheiro’ em operações políticas usando os seus veículos de capital de risco”, devia antes “pegar em montantes semelhantes” e pô-los “nas mãos de profissionais que os distribuía por quem os merecia, com critérios rigorosos e sem pressão política”. Concluiu: “Não sei para que é preciso um Banco de Fomento, nunca percebi. Mas também ninguém me explicou em detalhe”, rematou.

Governo: Preparação do OE/2016 está adiantado

Sábado, Setembro 26th, 2015

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Económico

Maria Luís Albuquerque diz que tudo o que pode estar adiantado, está feito, mantendo a decisão política em aberto. Meta do défice de 2015 é “mais do que viável”.

A ministra das Finanças disse hoje que o Governo tem o trabalho avançado sobre a preparação do Orçamento do Estado para 2016, deixando em aberto tudo aquilo que implica decisão política.

“Está tudo avançado”, disse Maria Luís Albuquerque, no final da reunião de Conselho de Ministros, quando confrontada com o facto de o PS estar a manter reuniões com parceiros sociais com vista à preparação do Orçamento do Estado para 2016.

A governante acrescentou que os documentos que podem ser feitos estão prontos, mas que a “decisão política” está em aberto.

As eleições de 4 de Outubro podem ditar uma mudança de Governo e, por isso, uma alteração de políticas.

Meta do défice de 2015 “é mais do que viável”

No final da reunião, a ministra das Finanças disse ainda, em resposta aos jornalistas, que a meta do défice para este ano “é mais do que viável”, sem medidas adicionais.

Na quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatística divulgou números do défice em contabilidade nacional (o que interessa para Bruxelas) no primeiro semestre, que apontam para um défice de 4,7% do PIB, dois pontos acima da meta do Governo para o conjunto do ano.

“Historicamente o segundo semestre costuma ser mais positivo”, justificou Maria Luís Albuquerque, avançando que este perfil “é particularmente verdade quando estamos em ciclos de crescimento económico”.

Além disso, Maria Luís Albuquerque adiantou que os dados da execução orçamental de Agosto, que serão conhecidos esta sexta-feira, “reforçam a convicção” de que o Governo conseguirá atingir um défice de 2,7% do PIB.

Novo Banco: Maria Luís sublinha que empréstimo não aumentou a dívida 

A governante desvalorizou ainda o impacto do registo da capitalização do Novo Banco no défice de 2014 e garantiu que não houve qualquer impacto do Novo Banco na dívida de 2014, já que os 3,9 mil milhões de euros que foram “emprestados” ao Fundo de Resolução para a capitalização do banco “era dinheiro que existia nos cofres do Estado e não foi preciso emitir dívida para o ir buscar”, disse citada pela Lusa.

Por outro lado, desvalorizou o facto de o reembolso do empréstimo não ter acontecido no prazo de um ano, como o Governo previa, devido ao adiamento da venda do Novo Banco: “A nossa ‘almofada’ financeira continua a ser suficiente para termos tranquilidade relativamente ao nosso acesso ao mercado ou quaisquer perturbações externas”, sublinhou a ministra das Finanças, destacando que os juros da dívida não foram penalizados.

“O efeito em 2014 não tem impacto nem no défice, nem na dívida de 2015, não tem efeito no cumprimento das metas, logo Bruxelas não exige quaisquer medidas compensatórias. O ruído que se tem gerado à volta desse assunto, com o não reconhecimento de algumas partes parece-me claramente de má fé, lamentou dizê-lo. Não vale a pena tentar assustar as pessoas com isso, Bruxelas já confirmou que aquele efeito não conta para o cumprimento das metas”, acrescentou a governante.

Maria Luís Albuquerque declarou que o efeito mais importante da venda do Novo Banco “é o reembolso do empréstimo ao Tesouro” e acabar com a incerteza para os bancos sobre se terão, ou não, de suportar custos com a resolução do BES.

“É uma matéria de estabilidade financeira”, declarou, destacando que “para a vida dos cidadãos não tem consequências”.

Factos e ficções sobre o impacto do Novo Banco

Sábado, Setembro 26th, 2015

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Económico

O Novo Banco entrou na campanha eleitoral. De um lado, o Governo garante que a resolução do BES e consequente criação do Novo Banco não terá custos para o contribuinte e acusa a oposição de “má fé”. Do outro, PS, BE e PCP criticam o Executivo e garantem que os eleitores vão pagar a factura.

“Não serão necessárias medidas adicionais para cumprir a meta do défice”
A frase é da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e está correcta. Na hora de apurar a meta do défice deste ano, a Comissão Europeia não vai olhar para o impacto do Novo Banco, pelo que o efeito da operação, nesse sentido, é estatístico. Mas há um pormenor que não é estatístico: dos 4,9 mil milhões de euros que foram injectados no Novo Banco, 3,9 mil milhões saíram directamente dos cofres do Estado, que podiam ser utilizados noutro sítio, e 700 milhões são um empréstimo da banca ao Fundo de Resolução.

“Quanto mais tempo demorar a vender o Novo Banco, mais juros recebe o Estado”
Verdade. A frase é de Pedro Passos Coelho e o primeiro-ministro quis sublinhar os cerca de 120 milhões de euros em juros que o Estado já recebeu pelo empréstimo de 3,9 mil milhões de euros ao Fundo de Resolução. Quanto mais tempo o Fundo de Resolução levar a amortizar o empréstimo junto do Tesouro, mais juros vai ter de pagar. Contudo, o contribuinte não ganha nada com isso. É que os juros que o Tesouro recebe são, ao mesmo tempo, despesa do Fundo de Resolução. E como o Fundo de Resolução faz parte das Administrações Públicas, os ganhos anulam-se.

Ontem, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, argumentou que ao longo do tempo o efeito positivo seria visível, já que as despesas do Fundo vão sendo cobertas pelas contribuições dos bancos. Mas as contribuições dos bancos são, para todos os efeitos, receita pública – receita que fica desde já comprometida com esta despesa em vez de ficar disponível para futuras necessidades.

“sabemos que o Novo Banco vai estar sujeito a testes em novembro e desses testes vai resultar, ou não, a necessidade de reforço do capital.”

A frase é de António Costa e está correcta. Passos Coelho, pelo contrário, não tem razão quando diz que o aumento de capital “não pode ser feito” pelo Fundo de Resolução. Mas o socialista Pedro Nuno Santos também se esticou na afirmação de que “quem terá de injectar dinheiro é o Fundo de Resolução e os contribuintes portugueses”. A ministra das Finanças explica: se for preciso recapitalizar o Novo Banco, há um prazo de nove meses para o fazer. Entretanto, “o banco pode ser vendido e são os accionistas privados que têm de fazer face ao aumento de capital”.

Se tal não acontecer, “o Novo Banco pode alienar activos e, com isso, realizar o aumento de capital necessário” – é esse o plano A do Banco de Portugal nesta altura.

A ministra não descarta que o Fundo de Resolução possa ter de pôr mais dinheiro no Novo Banco – se as necessidade de capital forem muito grandes, por exemplo. No entanto, nesse caso, “tínhamos outra vez a mesma questão que tivemos em 2014, outra vez sem consequências nenhumas, porque mais uma vez isso não tem impacto para as metas”.

“Não há qualquer impacto na dívida”
Maria Luís Albuquerque diz que não há impacto na dívida porque os 3,9 mil milhões de euros que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução estavam nos cofres, “não foi preciso emitir dívida para os ir buscar”. Isso é verdade. Mas o Fundo de Resolução está dentro do perímetro das Administrações Públicas e pediu um empréstimo de 700 milhões de euros à banca, ou seja, contraiu dívida. Além disso, o não reembolso dos 3,9 mil milhões este ano tem impacto na estratégia de financiamento. O Estado contava com esse dinheiro para gestão da dívida. Agora, terá de recorrer à almofada financeira – que Maria Luís diz continuar a ser “mais do que suficiente” – para fazer algumas amortizações, ou emitir mais dívida. Fica também limitado na margem que tem para acelerar os reembolsos antecipado ao FMI, que geram poupanças nos juros.

Livrai-nos do Bom

Domingo, Setembro 20th, 2015

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Negócios Opinião João Quadros

Comunicado do Banco de Portugal: “No seguimento do convite do Fundo de Resolução, publicado a 4 de dezembro de 2014, 17 entidades manifestaram interesse no procedimento de alienação do Novo Banco dentro do prazo fixado (até às 17h00 de 31 de dezembro de 2014)”.
Eram 17 interessados e, no fim, não houve casamento. O melhor é o Novo Banco ir para um convento. Parece-me a ideia mais sensata, não vale a pena insistir e vai-lhe saber bem o silêncio depois das manifestações dos lesados do BES. Em princípio. Porque a verdade é que o Novo Banco esteve, recentemente, quase um ano numas termas, a limpar todo o bicho que tinha e, no final, saiu de lá com mais 200 milhões de prejuízo em seis meses.
Não sei se o Novo Banco não está a ganhar características de casa assombrada. Alguém disse aos chineses que ainda se ouve o espírito santo, à noite (quando o tempo está mais húmido e escorregadio), a rondar os balcões dos depósitos, e eles fugiram. Também podem ter fugido porque fizeram contas, pois é sabido que os chineses são muito supersticiosos com dinheiro. Os chineses da Fosun não tinham coragem de voltar à China e ser gozados pelos da Three Gorges.

TG – Então, também foste às compras em Portugal?

FS – Sim, comprei o Novo Banco por 3,5 mil milhões de euros.

TG – AHAHHAHAHA, devias ter ido aos saldos, eu saquei a EDP por 2,7 mil milhões.

FS – … mas tens de dar de comer ao Catroga.

TG – Diz que hoje vai chover

– Nota: se eu trocasse os R por L, na fala dos chineses, isto ficaria giríssimo.

Na verdade, parece-me que o maior problema foi o vendedor. Carlos Costa começou por aldrabar os chineses da Angbang – e os jornalistas deste jornal e de outros – fazendo crer que os americanos estavam em segundo e não os outros chineses da Fosun, o que deve ter dado uma enorme credibilidade ao negócio que, já de si, era manhoso. Com um vendedor como este, não admira que os clientes se tenham pirado: Carlos Costa é o indivíduo que vende louro prensado no Chiado.

Fazendo um ponto de situação, na ponta final da gestão deste Governo, perdemos a TAP, mas ficámos com mais um banco. Eu preferia variar, estou um bocado farto de ter bancos. A vantagem de ter bancos é que, como todos sabemos, é muito raro terem custos para o contribuinte e, ao contrário dos aviões, nunca caem.

Estava a ficar um bocado nervoso – já com ideias paranóicas, que nós ainda íamos pagar isto, etc. –, mas fiquei mais calmo quando vi a ministra das Finanças. Maria Luís veio à televisão dizer que não há custos para o contribuinte mas importa salvaguardar o sistema financeiro. Por acaso, ficava mais descansado se tivesse dito ao contrário.

Para afastar de vez os meus fantasmas sobre o futuro, ligo a televisão e vejo, na TVI, o João Rendeiro, que nos vem tranquilizar quanto à gestão do Novo Banco. Pareceres bancários de Rendeiro são a excelência de informação. Falta o Bibi para vir dizer para que lado as crianças devem dormir e o Palito para vir falar sobre felicidade no casamento. Estou convencido de que se Salazar não tivesse morrido, tinha um programa sobre a União Europeia.

Conclusão, bem sei que o BES (ainda) não é o BPN, mas será que o Mira Amaral não quer mais um banco por 40M?

Não há almoços grátis!

Domingo, Setembro 20th, 2015

Citamos

Jornal de Notícias Opinião Teixeira dos Santos

O Novo Banco não foi vendido dentro do prazo pretendido pelo Governo. É um embaraço político para Passos Coelho e a sua ministra das Finanças. Mas não será necessariamente mau para o sistema financeiro. Vender o banco em condições que podem não garantir a sua solidez financeira seria um fator de risco que poderia, no futuro, voltar a abalar a confiança no sistema bancário.

Este desfecho não me surpreende. Recordo bem o processo do BPN e as dificuldades então sentidas na sua alienação. Era um tempo diferente, é certo. Na altura a apetência para a aquisição de um banco era menor que atualmente. A atividade bancária atravessava um período difícil marcado pelos efeitos da grande recessão de 2009 e pela crise da dívida soberana. Não era o tempo de recuperação económica e de acalmia nos mercados que hoje se vive. Mas, um e outro caso revela-nos que são acima de tudo as incertezas e riscos que recaem sobre uma instituição maculada por uma gestão danosa que acabam por determinar a vontade dos potenciais adquirentes.

Em 2008, a nacionalização do BPN era o único meio legal de intervenção do Estado. Em 2014, o BES foi intervencionado através de um mecanismo novo criado no âmbito da União Bancária. Mas, em ambos os casos, a intervenção do Estado ocorreu por recomendação do Banco de Portugal e, em ambos, a gestão dos bancos foi entregue a uma instituição pública: à Caixa no caso do BPN e ao Banco de Portugal no caso do BES.

Outra semelhança clara é que, num e noutro caso, serão os portugueses a suportar os custos. O primeiro-ministro e a sua ministra das Finanças insistem que no caso do BES, contrariamente ao do BPN, o Governo evitou “impor soluções ineficientes, caras e injustas a todo o país”, isto é, com custos para os contribuintes. Pura mistificação! Um dos primeiros ensinamentos em Economia é que não há almoços grátis. E o caso do BES não é exceção. Se a nacionalização impõe um custo ao Estado, e portanto aos contribuintes, o custo do fundo de resolução recai sobre os bancos que o vão repercutir nos seus clientes. Contribuintes ou clientes de bancos vai dar ao mesmo. Somos todos nós.

Quando o BPN foi nacionalizado, longe de imaginar, como a maioria dos analistas, que a crise que então afetava o Mundo se iria prolongar e agravar, considerei que o banco poderia ser recuperado e que não haveria custos a impor aos portugueses. Poucos meses depois tive de reconhecer que estava errado. Não me surpreende que o primeiro-ministro e a sua ministra das Finanças achem que não têm erros seus com os quais possam aprender, mas já me custa compreender que ao menos não tenham aprendido com os erros dos outros.

Nasceu Novo e era Bom

Sábado, Setembro 19th, 2015

Citamos Opinião Expresso Pedro Santos Guerreiro

Um prejuízo é um prejuízo. Não evaporou ao sol do verão, não voa com o vento do outono, não se afogará na chuva do inverno. Um prejuízo paga-se. Perde-se. Hoje, amanhã ou depois. Estes, aqueles ou nós. Se o processo do Novo Banco foi abortado porque a venda traria um prejuízo de pelo menos dois mil milhões de euros (o Público fala em três mil milhões), reabilitá-lo para vender até à primavera não fará florir proveitos no lugar de perdas. Este processo foi um fracasso. Foi para o lixo. Começa-se de novo. E, sem explicar nada do que se passou, volta a prometer-se tudo sobre o que se vai passar.

Se as perdas com processos judiciais se concretizarem nos tribunais, o custo vai para o Fundo de Resolução: esses prejuízos serão pagos pelos demais bancos. Se o Novo Banco vende ativos, fica com o prejuízo das vendas e ficará um banco mais pequeno. Se o capital é reforçado com obrigações, o Novo Banco poderá ter de pagar taxas de juro altas para atrair investidores privados, que por sua vez assumem o risco. Ou então, como alvitra o economista Ricardo Arroja no blogue O Insurgente, talvez “este empréstimo obrigacionista possa vir a ser de longo prazo convertível em capital do Fundo de Resolução, e por conseguinte do Novo Banco”: os outros bancos acabariam acionistas do Novo Banco.

Vê? Não é alquimia, é matemática. O prejuízo, que é sempre um prejuízo, vai ser redistribuído de outra maneira. Pelo mesmo Banco de Portugal. Com um novo governo. Com que banca? Como explicámos no Expresso Diário, o BCP e o BPI desvalorizaram 40% nos últimos três meses. Em grande parte por causa do Novo Banco.

Maria Luís Albuquerque diz que era melhor que tivesse sido vendido (no i). Passos Coelho diz que o processo “não tem nada que ver com eleições”. O PS (citado pela Renascença) qualifica o cancelamento da venda como “um dos maiores fracassos” do Governo.

Como escreveu ainda ontem o Ricardo Costa, já percebemos que nos contaram um conto de crianças. E esse é talvez o maior problema: a falta de transparência no processo. Evitou-se um BPN, como nota Helena Garrido no Negócios. Mas não evitámos um prejuízo. O banco nasceu Novo. Era um banco bom. Alguém lhe há de pegar. Para já, pega a administração. A conta faz-se em 2016.Um prejuízo é um prejuízo. Não evaporou ao sol do verão, não voa com o vento do outono, não se afogará na chuva do inverno. Um prejuízo paga-se. Perde-se. Hoje, amanhã ou depois. Estes, aqueles ou nós. Se o processo do Novo Banco foi abortado porque a venda traria um prejuízo de pelo menos dois mil milhões de euros (o Público fala em três mil milhões), reabilitá-lo para vender até à primavera não fará florir proveitos no lugar de perdas. Este processo foi um fracasso. Foi para o lixo. Começa-se de novo. E, sem explicar nada do que se passou, volta a prometer-se tudo sobre o que se vai passar.

Se as perdas com processos judiciais se concretizarem nos tribunais, o custo vai para o Fundo de Resolução: esses prejuízos serão pagos pelos demais bancos. Se o Novo Banco vende ativos, fica com o prejuízo das vendas e ficará um banco mais pequeno. Se o capital é reforçado com obrigações, o Novo Banco poderá ter de pagar taxas de juro altas para atrair investidores privados, que por sua vez assumem o risco. Ou então, como alvitra o economista Ricardo Arroja no blogue O Insurgente, talvez “este empréstimo obrigacionista possa vir a ser de longo prazo convertível em capital do Fundo de Resolução, e por conseguinte do Novo Banco”: os outros bancos acabariam acionistas do Novo Banco.

Vê? Não é alquimia, é matemática. O prejuízo, que é sempre um prejuízo, vai ser redistribuído de outra maneira. Pelo mesmo Banco de Portugal. Com um novo governo. Com que banca? Como explicámos no Expresso Diário, o BCP e o BPI desvalorizaram 40% nos últimos três meses. Em grande parte por causa do Novo Banco.

Maria Luís Albuquerque diz que era melhor que tivesse sido vendido (no i). Passos Coelho diz que o processo “não tem nada que ver com eleições”. O PS (citado pela Renascença) qualifica o cancelamento da venda como “um dos maiores fracassos” do Governo.

Como escreveu ainda ontem o Ricardo Costa, já percebemos que nos contaram um conto de crianças. E esse é talvez o maior problema: a falta de transparência no processo. Evitou-se um BPN, como nota Helena Garrido no Negócios. Mas não evitámos um prejuízo. O banco nasceu Novo. Era um banco bom. Alguém lhe há de pegar. Para já, pega a administração. A conta faz-se em 2016.