Arquivo para a categoria ‘Ministro das Finanças’

Centeno defende que acção passada do BdP prejudicou venda do Novo Banco

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Negócios

“A venda do Novo Banco é uma boa notícia para os portugueses”, declarou Mário Centeno, repetindo que não há impacto directo ou indirecto nos contribuintes com a venda do Novo Banco.

“Não esqueçamos, por exemplo, a decisão do Banco de Portugal, em 29 de Dezembro de 2015, que alterou a composição das componentes do BES e do Novo Banco, tendo transferido 2 mil milhões de obrigações seniores para o BES”, indicou o ministro das Finanças no debate de actualidade sobre a alienação do Novo Banco, marcado pelo BE esta quarta-feira, 5 de Abril.

Não foi a única circunstância referida pelo governante: “também não esqueçamos que no passado houve outras oportunidades de concretizar a venda do Novo Banco, com mais de um ano de processo negocial entre o Fundo de Resolução e os potenciais compradores, e tendo o processo avançado mesmo para negociações exclusivas, não tendo sido vendido 1% sequer do Novo Banco”.

Por estes motivos, não foi possível fazer uma alienação com outras condições para a venda que permitissem, por exemplo, ao Fundo de Resolução recuperar os 3,9 mil milhões de euros injectados no Novo Banco aquando da resolução de 3 de Agosto de 2014.

Além de defender as más condições em que o processo de venda do banco herdeiro do BES, Mário Centeno quis frisar que as “alternativas à venda eram bem piores”. Tal como na sexta-feira, dia do anúncio, o Governo defendeu que uma nacionalização da instituição financeira teria um custo imediato de 4 mil milhões de euros e todos os riscos futuros recairiam sobre o Estado.

“A venda do Novo Banco é uma boa notícia para os portugueses”, disse Mário Centeno, elencando também a capitalização da CGD e a consolidação das estruturas accionistas dos bancos (BCP e BPI) como prova do esforço para a estabilidade financeira em Portugal.

No debate de alienação, Centeno voltou a insistir que os três requisitos essenciais do Governo foram alcançados: não há liquidação se a venda se concretizar; “não existe impacto directo ou indirecto e não existe qualquer garantia do Estado”.

A Lone Star comprou 75% do Novo Banco a custo zero, mantendo o Fundo de Resolução os restantes 25% do capital, e assumindo o risco por 3,8 mil milhões de euros em activos que estão no balanço do banco através de um mecanismo de capitalização contingente. Este mecanismo, se for accionado para cobrir qualquer daquele montante, será feito mediante empréstimos concedidos pelo Estado ao Fundo de Resolução, que depois serão reembolsados por esta entidade financiada pela banca.

“Não tenho de me pronunciar sobre o lugar do governador”

Quinta-feira, Março 30th, 2017

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Público

Mensagem única para Carlos Costa: “Desejos e votos de que cumpram as funções para as quais existem.” Nomes para a administração ainda não foram fechados.

Relativamente ao governador do Banco de Portugal (faço-lhe a mesma pergunta que lhe fiz a ele): o lugar do governador está seguro depois da venda do Novo Banco?

Não tenho de me pronunciar sobre o lugar do governador do Banco de Portugal. Aquilo que lhe posso dizer é o mesmo que digo de todas as instituições: os meus desejos e votos de que cumpram as funções para as quais existem, no quadro institucional nacional.

Voltou a discutir os nomes para o conselho de administração do BdP com Carlos Costa?
Se disse há pouco que não falava em público sobre negociações institucionais em curso, vou manter essa resposta.

Ainda não está nomeado?
Se já estivesse nomeado, os senhores saberiam.

Portanto também não está nomeada a restante administração para o Conselho de Finanças Públicas? O nome de Teresa Ter-Minassian continua a fazer faísca nas Finanças?
Nada disso passou aqui pelo ministério, posso garantir-lhe.

Não vai passar?
Não tem por quê.

Novo Banco: “Não é verdade que o Estado fique sem poder sobre nada”

Quinta-feira, Março 30th, 2017

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Público

Ministro das Finanças confirma que o Estado ficará com 25% do Novo Banco, mas não que fique sem uma palavra a dizer quanto ao seu futuro. Lone Star é parceiro confiável, acredita o ministro.

Portugal foi o único país do euro que conseguiu atrair para o sistema bancário capital estrangeiro durante o ano de 2016, sublinha o ministro das Finanças, feliz com o evoluir das negociações.

Devemos ver como um sucesso que o Novo Banco seja vendido, mas com uma participação de 25% do Estado e sem poder mandar em coisa nenhuma?
Está a tirar uma conclusão que não sabe se é verdadeira ou não. Posso garantir-lhe que não é verdadeira.

Não vai ficar com 25%?
Não é isso. Tendo 25%, não é verdade que não tenha responsabilidades sobre nada no Novo Banco. Falaremos nisso quando…

Não é verdade que não fique a mandar nada?
A negociação está a decorrer a bom ritmo, e envolve muitas partes. Nunca comentei negociações que tenho a correr. O que lhe posso garantir é que neste momento — e como resulta do comunicado que o Governo emitiu logo no início do ano — as preocupações que o Governo tem neste processo são com a estabilidade do sistema financeiro, a estabilidade da instituição e com a sua continuidade. Depois, preocupações com o dinheiro dos contribuintes e o envolvimento financeiro que o Estado possa ter. Todas estas vertentes vão ser acauteladas e consideradas na conclusão do negócio.

O Lone Star é um investidor confiável para o Estado português?
Com certeza que sim, o Lone Star é um investidor internacional…

Classificado como “fundo abutre” por parceiros parlamentares deste Governo.
Os mercados têm todos um aspecto predatório, numa certa dimensão. Ao contrário do que diz o líder da oposição, os mercados não são a história da carochinha — são matérias sérias e têm de ser tratadas como tal. Sendo um investidor internacional, tendo presença bancária em mercados europeus, não temos objecção a levantar nessa matéria.

O máximo de tempo que ficam num país é oito anos…
Não sei se há alguma evidência disso, mas já estão há tanto tempo quanto isso na Alemanha e estão, que eu saiba, para durar. A questão que gostava de realçar é esta: Portugal foi o único país do euro que conseguiu atrair para o sistema bancário capital estrangeiro durante o ano de 2016. De todos os continentes e para um número muito grande de instituições bancárias. E isso é um grande sucesso. É um enorme sucesso e de confiança no país. Portanto, não percebo muito bem quando dizem que há uma falta de confiança… não, há uma enorme confiança no sistema financeiro nacional.

Centeno: “Não é claro que precisemos de aprovação parlamentar” para a venda do Novo Banco

Quarta-feira, Março 29th, 2017

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Negócios

O ministro das Finanças admite que a venda do Novo Banco à Lone Star não passe pela Assembleia da República, tal como o Negócios noticia hoje.

“Não é claro que precisemos de aprovação do Parlamento. Estamos a trabalhar num quadro em que não precisamos dessa aprovação”, afirmou Mário Centeno, num fórum organizado pela Bloomberg.

O Negócios escreveu hoje que o Governo está a desenhar a venda do Novo Banco para que não seja necessário uma votação no Parlamento, o que impediria qualquer bloqueio do Bloco de Esquerda, PSD e CDS, partidos que já sinalizaram que votariam contra a venda. “Tenho falado de Portugal como um país de ambiente político estável e tenho a certeza que, com o Novo Banco, isso também será demonstrado”, acrescentou o ministro das Finanças.

Como é que isto é feito? Na edição de hoje do Negócios, uma fonte próxima do processo explica que o facto de o negócio ser feito com o Fundo de Resolução dispensa aprovação parlamentar. A venda de 75% do Novo Banco é realizada através de “um contrato permanente entre o Fundo de Resolução e o comprador”, refere essa fonte. “Não tem qualquer intervenção jurídica, nem do Governo, nem do Parlamento.”

Ou seja, haverá certamente debate político, mas não necessariamente uma autorização. Caso fosse necessária aprovação parlamentar, o Governo enfrentaria grandes dificuldades, uma vez que um dos partidos que o apoia – o Bloco de Esquerda – já deixou claro que pretende travar a venda e a oposição PSD/CDS adiantou que o Executivo não deve contar com ela para a aprovar.

No mesmo fórum da Bloomberg, Mário Centeno disse ainda que há questões sobre a venda do Novo Banco que apenas podem ser fechadas depois de oficializada a venda.

Governo vai entrar na entidade única de supervisão financeira

Sábado, Março 18th, 2017

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Eco

Governo vai entrar na entidade única de supervisão financeira

Mário Centeno falou em “personalidades independentes” para integrar o supervisor financeiro único, juntamente com Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros (ASF), mas Carlos Tavares, que coordenou o grupo para a reforma do modelo de supervisão financeira, recomenda que o Governo também deve ter assento na nova entidade supervisora.

No documento que este grupo de trabalho já apresentou ao Executivo, e no capítulo a que o ECO teve acesso, Carlos Tavares deixa claro que o Ministério das Finanças é uma “entidade relevante” e que deve ser um participante dentro desse derradeiro supervisor que garanta a estabilidade financeira em Portugal.

Primeiro porque o ministério tutelado por Mário Centeno detém instrumentos vitais para assegurar a solidez do sistema. Depois, prossegue Tavares, porque qualquer falha na supervisão será sempre, em última instância, responsabilidade do Governo, uma posição que o próprio ministro das Finanças fez questão de sublinhar quando, no passado dia 9 de março, apresentou aos deputados a intenção de avançar para a criação do novo supervisor central que passará a concentrar a supervisão macroprudencial e a resolução dos bancos — algo que está atualmente na esfera do Banco de Portugal.

“Dado o seu papel de garante da estabilidade financeira e de prevenção do risco sistémico, a escolha da entidade responsável terá de ser criteriosa e assegurar a participação equilibrada de todas as entidades relevantes, incluindo o Ministério das Finanças — com salvaguarda da independência da autoridade macroprudencial”, considera o ex-presidente da CMVM, explicando de seguida por que razão o Governo também deve estar representado: “Quer por dever ser o detentor de instrumentos cruciais para o efeito, quer por inevitavelmente ser um destinatário central das consequências de eventuais falhas na supervisão“.

Também Centeno explicou a necessidade de operar alterações ao modelo de supervisão com a responsabilização que o Governo assume enquanto garante último da segurança do sistema financeiro. “Não nos enganemos, o responsável pela estabilidade financeira é o Governo, é o ministro das Finanças“, declarou o governante na Assembleia há uma semana.

Na mesma intervenção, ainda assim, garantiu que a entidade “deverá ser dotada de personalidade jurídica e de um estatuto de independência“. “Na sua administração participarão as autoridades de supervisão setorial, mas será dirigida por personalidades independentes, garantindo assim, em simultâneo, a participação e responsabilização plena de todas as autoridades nas matérias de supervisão”, frisou ainda.

Estas mudanças vêm dar resposta a duas das principais falhas que aponta ao atual sistema, nomeadamente os conflitos de interesse entre a supervisão microprudencial e as decisões de resolução — como aquelas que foram aplicadas ao BES e Banif; e a insuficiente coordenação e troca e informações entre Banco de Portugal, CMVM e ASF.

O anteprojeto de documento de consulta pública já foi apresentado ao Governo, que dará a conhecer brevemente a sua proposta.

Para já, tanto Comissão Europeia como o Banco Central Europeu (BCE) estão expectantes em relação ao novo modelo de supervisão que o Governo português quer implementar. Não levantam objeções às mudanças que estão em curso, esperando por mais detalhes.

Portugal com uma supervisão única

No caso de Chipre, a supervisão macroprudencial dos setores segurador e de fundos de pensões encontra-se sob alçada direta do Governo. No caso da Grécia, as competências do banco central abrangem a supervisão microprudencial dos setores bancário e segurador”, explica. No caso da Espanha, a “atribuição deve entender-se como provisória”, estando previstas mudanças na estrutura supervisora.

Tavares justifica a necessidade de separar supervisão microprudencial (banco a banco) da supervisão macroprudencial (mais abrangente) “de modo a evitar conflitos de interesse e permitir uma atuação independente e transversal na definição de políticas macroprudenciais que reforcem a estabilidade do sistema financeiro, isto sem prejuízo do papel importante que o banco central deve ter na estabilidade financeira“.

Centeno ganha aliados para esvaziar Banco de Portugal

Segunda-feira, Março 13th, 2017

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Público

Novo modelo – proposto por Carlos Tavares e anunciado por Mário Centeno – vai retirar ao supervisor – liderado por Carlos Costa – a decisão sobre resolução de bancos. Banco de Portugal vai ainda deixar de ser a autoridade que garante a estabilidade do sistema financeiro no seu conjunto.

O processo de mudança na supervisão bancária ainda vai ser demorado, mas para já, as propostas não chegaram ao debate com o pé errado. O Governo quer retirar poderes ao Banco de Portugal, a esquerda não ficou desagradada, a oposição tem dúvidas mas admite discutir essas ideias e Mário Centeno não disse que não a propostas do CDS. Contudo, as mudanças na “arquitectura institucional” do Banco de Portugal ainda vão demorar meses a ver a luz do dia.

Parte desta solução decorre de legislação europeia que estipula a divisão entre a autoridade de supervisão e a entidade de resolução. E vai também ao encontro das intenções do próprio Governador que defendeu que o BdP não deveria ser a entidade que decide sozinho sobre o futuro de um banco e depois a entidade que o vende. Para esta mudança, garante o gabinete de Centeno, não é preciso o aval do Banco Central Europeu, uma vez que é lei interna que vai ao encontro da legislação europeia e segue exemplos noutros países como a Holanda ou a França.

Significa isto que o Governo quer esvaziar as competências do BdP numa altura em que aumentam o tom das críticas a Carlos Costa pondo em causa a sua independência? Centeno garante que não. Disse no debate que ontem aconteceu na Assembleia da República a pedido do CDS que “a responsabilidade pela estabilidade financeira é do Governo e do Ministério das Finanças”.

Ao PÚBLICO, o porta-voz do PS, João Galamba, nega esta ideia até porque “além da política monetária, o BdP manterá sempre competências muito significativas na supervisão microprudencial [análise individual dos bancos], que constitui o grosso da autoridade de supervisão do Banco de Portugal”. Contudo, desde que está em vigor o Mecanismo Único de Supervisão em Portugal, a vigilância microprudencial dos bancos significativos já está na alçada do BCE.

As ideias de Centeno não desagradam ao BE, apesar de o partido ter a sua própria proposta que vai mais longe na retirada de poderes ao BdP, criando duas entidades fora do perímetro do BdP para a supervisão prudencial por um lado e para a comportamental por outro (o chamado twin peaks). Uma solução que foi mencionada, ainda que indirectamente, pelo próprio Centeno no discurso inicial, quando disse que “há que ter em conta que existe já uma integração significativa da supervisão comportamental na CMVM”.

“É um passo importante no sentido de resolver um problema de forma estrutural”, resumiu Mariana Mortágua ao PÚBLICO.

Para Miguel Tiago, do PCP, “a segregação de funções no âmbito da supervisão não resolve o problema. Acrescentar regras e mecanismos à supervisão apenas cria a sensação de que é possível resolver o problema sem o controlo público da banca. Contudo, todas as medidas que, não sendo o controlo público, melhorem o controlo e a supervisão não merecem rejeição do PCP”.

A direita tem dúvidas no modelo de supervisão apresentado, mas admite discutir o modelo. A proposta do Governo “não é incompatível” com as do CDS. “Há disponibilidade para um debate sério”, defendeu João Almeida do CDS. Já pelo PSD, Leitão Amaro levantou dúvidas sobre a retirada do poder de resolução ao BdP até porque “nenhum modelo vai garantir zero erros, zero falhas” e coloca travões a qualquer proposta que faça a tentativa de “violar, atacar e condicionar a independência” dos reguladores.

Além destas propostas sobre a supervisão bancária, haverá um conjunto de propostas sobre a nomeação do governador ou sobre a relação dos bancos com os clientes quer do CDS, como também do BE e do PS. O ministro abriu a porta às propostas do CDS. “Muitas das ideias apresentadas pelo CDS têm uma enorme virtude que é trazer a debate questões relevantes para a economia nacional e para o sistema financeiro”, disse.

O processo não será fácil e demorará alguns meses. Centeno admite dificuldades na transição de modelos e por isso quer que a discussão seja demorada: nas próximas semanas apresentará o relatório de Carlos Tavares e durante três meses ficará em discussão até se conhecerem as propostas finais.

Demitir Carlos Costa?

O BE vai avançar com um projecto a recomendar ao Governo que avance com o processo para a destituição de Carlos Costa. Mas, apesar das críticas ao governador, o PS não vai acompanhar os bloquistas no pedido de demissão.

Fonte do partido garantiu ao PÚBLICO que os deputados do PS votarão contra esta proposta uma vez que para o PS uma coisa é criticar a actuação do governador, outra é encetar um processo de demissão e substituição do governador quando há vários dossiers sobre banca para fechar. Com Sofia Rodrigues

 

Governo quer novo supervisor financeiro no topo da hierarquia

Segunda-feira, Março 13th, 2017

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Diário de Notícias

Só depois da discussão sobre reforma ficará definido se nova entidade vai concentrar contactos com o BCE

O governo apresentou ontem as diretrizes gerais da reforma que quer promover à supervisão financeira no país. O eixo principal da mudança passa pela criação de uma nova entidade supervisora, com poderes executivos e orçamento próprio, que ficará com algumas das principais responsabilidades que hoje estão concentradas no Banco de Portugal.

“Esta nova entidade, tendo a responsabilidade última pela estabilidade financeira, deverá ter as funções de autoridade macroprudencial e de autoridade nacional de resolução”, detalhou Mário Centeno, ministro das Finanças, ontem no Parlamento.

O objetivo do executivo é substituir o atual Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF), organismo meramente consultivo e que não tem servido o propósito de coordenar os diferentes supervisores visados – Banco de Portugal, Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários e Autoridade de Seguros e Pensões. “A reforma do modelo de supervisão financeira deverá passar pelo reforço da coordenação entre supervisores. Ao contrário do atual CNSF, a nova entidade responsável por esta coordenação será dotada de personalidade jurídica e de recursos próprios”, justificou o governante.

A proposta ontem apresentada pelo governo partiu das conclusões apresentadas pelo grupo de trabalho criado pelo executivo, em janeiro, para estudar o modelo atual de supervisão em Portugal. A ideia é que esta entidade surja no topo da hierarquia da regulação financeira, com uma administração composta por representantes de cada supervisor setorial, mas “dirigida por personalidades independentes, garantindo assim em simultâneo a participação e responsabilização plena de todas as autoridades” em termos de prevenção e risco sistémico.

Dada a importância que o governo atribui a esta reforma, explicou ainda Mário Centeno aos deputados, a proposta, que será ultimada nas próximas semanas, ficará em discussão pública por pelo menos três meses até tomar forma. Este calendário permitirá ao executivo prevenir igualmente que a supervisão financeira não caia em algum tipo de vazio regulatório durante a fase de transição para o novo modelo.

Questionado pelo DN/Dinheiro Vivo sobre que tipo de relação terá esta nova entidade com o Banco Central Europeu (BCE), fonte oficial do Ministério das Finanças explicou que este é um ponto ainda “prematuro” a abordar, já que as alterações “ainda vão para discussão pública” e só depois desta “haverá uma proposta” devidamente desenhada. Apesar desta incerteza, certo é que o BCE não tem qualquer voto nesta matéria: “É legislação interna e não precisa de autorização do BCE”, explicou a tutela ao DV.

CDS e BE: nomeações e demissões

Além das alterações apresentadas pelo governo, também o CDS e o Bloco apresentaram as suas posições para a melhoria da supervisão financeira em Portugal. Os centristas, a pedido de quem se realizou o debate de ontem, propuseram a criação de um sistema de triplo crivo para a nomeação de supervisores: “O governo propõe, a Assembleia ouve e o Presidente da República nomeia”, sintetizou Cecília Meireles, deputada do CDS, no Parlamento.

Este modelo de triplo crivo é para aplicar “à Autoridade da Concorrência, ao Banco de Portugal, à CMVM e à Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões”, detalhou.

Além da revisão à nomeação dos supervisores, o CDS defendeu igualmente a clarificação da função do supervisor aquando da análise às estruturas hierárquicas de um banco – “não basta ter órgãos que funcionam bem no Power-point para supervisor ver” -, propondo ainda que as escolhas dos cargos de direção no Banco de Portugal passem a ser decididos “de forma transparente e através de um processo concursal”.

Já o Bloco de Esquerda avançou com medidas a médio e longo prazo mas sem esquecer o curto prazo, leia-se tirar Carlos Costa de um cargo que não sabe desempenhar, acusam os bloquistas: “O relatório do BES é uma lista dos problemas do BdP e o seu maior problema é o governador atual”, apontou Mariana Mortágua.

“Defendemos a manutenção do BdP como autoridade monetária e a constituição de duas entidades, uma para supervisão comportamental e outra para a prudencial, juntando em cada as valências do BdP, CMVM e ISP. Estas entidades devem ser coordenadas pelo CNSF. Esta é a proposta a médio e longo prazo mas não resolve o curto prazo”, começou por dizer a bloquista no Parlamento.

“Carlos Costa está a mais no Banco de Portugal e, em nome dos contribuintes lesados pela inação e má ação do BdP, vamos propor um projeto de resolução para recomendar a retirada de Carlos Costa do BdP, exigindo a sua demissão por não ser capaz de cumprir as suas funções”, rematou.

 

Carlos Costa defende mandato de oito anos com nomeação do Presidente

Quinta-feira, Março 9th, 2017

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Público

Governador do Banco de Portugal avisa que conversas sobre a sua equipa são para “se travar à porta fechada”. Mas gostaria de alterar a lei para garantir maior independência.

Tem havido muitas notícias sobre as nomeações para a administração do Banco de Portugal, com nomes que terão sido rejeitados pelo Governo. É verdade que voltou atrás com a sua lista de nomes propostos?
Eu não comento diálogos que têm se se travar à porta fechada. E em que o princípio é: o governador apresenta uma proposta e o Governo aprova os nomes. É natural que haja um diálogo intenso. Como em qualquer diálogo há… pontos de vista.

E quando é que este diálogo vai chegar ao fim?
Quando as duas partes convergirem.

É natural, tendo em conta o estatuto de independência do Banco de Portugal, que o Governo rejeite sistematicamente um nome que é proposto pelo governador?
Não faço comentários sobre isso.

Achou bem a nomeação de Francisco Louçã para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal?
O Conselho Consultivo é, por natureza, um reflexo da sociedade civil e dos meios económicos. Tem um papel que é de transmitir presencialmente aquilo que por vezes lemos ou ouvimos. E temos a grande oportunidade de partilhar, à porta fechada, aquilo que não podemos partilhar na praça pública.

Pareceu-lhe natural?
Não tenho nenhuma dificuldade em viver com a diversidade.

Acharia bem que o governador do Banco de Portugal fosse, para bem da sua independência, nomeado pelo Presidente da República?
Em devido tempo, em 2012, apresentei uma proposta ao Ministro das Finanças que depois não teve seguimento (que teve a ver com o facto de ter implicações constitucionais). Se recuperarem essa proposta, perceberão qual era o pensamento do governador.

Não nos quer explicar que proposta era essa? Pelo que me diz, havendo limitação constitucional, era para a nomeação ser feita pelo Presidente da República.
Defendo, está escrito – no Ministério das Finanças e nos arquivos do Banco de Portugal – um mandato único de oito anos, em vez de dois mandatos. Exactamente em nome da independência. E defendo que o governador devia ser nomeado pelo Presidente, por indigitação do Governo. E que o presidente do Conselho de Auditoria devia ser nomeado pela Assembleia da República, por indigitação do Governo. O que significa que não excluo, em nada, o Governo do processo. Gostaria era que, para reforçar a independência, houvesse uma dupla legitimidade. Para o governador e para o conselho de auditoria.

O PS já se pronunciou no sentido de uma nomeação pelo Presidente, o PSD e CDS também. Por que é que acha que nunca avançou?
Não faço ideia. Em 2012 eu fiz uma proposta. Que, neste momento, se quisermos retomar, terá que ser revista em função de factos posteriores, nomeadamente pela União Bancária que, na altura, não estava nem de perto, nem de longe, no nosso horizonte. Hoje exercermos um poder partilhado.

Centeno garante: “Não há tensão institucional” com o Banco de Portugal

Quarta-feira, Março 8th, 2017

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Rádio Renascença

Últimas revelações sobre o caso BES colocaram em causa a acção do governador do Banco de Portugal, que já disse querer “repor a verdade”.

Numa altura em que se avolumam as críticas ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por parte do Bloco de Esquerda e do PCP, o ministro das Finanças vem garantir a normalidade das relações institucionais.

“O Governo, num respeito absoluto pelas instituições, está a operar e a levar a sua política. Não há, desse ponto de vista, qualquer tensão institucional que se possa revelar”, afirmou Mário Centeno, esta terça-feira, numa conferência de imprensa.

A acção de Carlos Costa foi posta em causa a propósito do caso BES, depois da investigação feita pela SIC e transmitida na semana passada pelo canal.

Na sequência da polémica criada, o governador colocou-se à disposição do Parlamento para prestar esclarecimentos.

“Consideramos positivo que os esclarecimentos que seja importante ter estejam a ser prestados. Eles vão ser dados e, nesse quadro, as dúvidas que possam existir vão também dissipar-se”, afirmou o ministro das Finanças sem alguma vez referir o nome ou o cargo de governador.

Na mesma conferência de imprensa, Mário Centeno também falou do processo negocial para a venda do Novo Banco: “está numa fase crucial, importante”.

“Todos sabemos que o Banco de Portugal atribuiu a um dos competidores o estatuto de negociação em exclusividade. Há negociações a decorrer, de cujo sucesso depende a conclusão do processo. A expectativa que existe é que esse processo decorra nas próximas semanas”, afirmou sem avançar datas.

Mário Centeno falou aos jornalistas ao lado do seu homólogo francês, Michel Sapin, de visita a Lisboa.

Banco de Portugal perde “vice”, tensão com o Governo continua

Quarta-feira, Março 8th, 2017

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Público

José Ramalho pediu a Carlos Costa para sair já, por razões pessoais. Marcelo tenta mediar conflito entre Governo e BdP. Carlos Costa não quer abdicar do nome vetado.

O Banco de Portugal (BdP) já só tem cinco administradores em funções, depois de o actual vice-governador José Ramalho ter pedido a Carlos Costa para não ficar à espera de substituto – numa carta em que alegou razões pessoais para sair, sabe o PÚBLICO. José Ramalho acumulava o cargo de vice-governador do BdP com a presidência da comissão directiva do Fundo de Resolução, tendo sido já substituído pelo administrador Luís Máximo dos Santos nesta última função. Ficam, assim, três lugares já em aberto no órgão de topo do banco central. A que se juntará mais um que aceitou ficar à espera de um substituto para sair – Pedro Duarte Neves, precisamente o outro vice-governador em funções.

Foi perante este impasse que o Presidente da República recebeu Carlos Costa no último fim-de-semana, em Belém, numa tentativa de ajudar a ultrapassar as divergências. Mas ontem, a tentativa presidencial ainda não tinha dado frutos – os nomes de Carlos Costa ainda não tinham sido enviados ao Parlamento. Pelo que, aos jornalistas, Marcelo optou esta segunda-feira por dar uma resposta cautelosa – e genérica – sem falar da reunião em Belém: “Não posso confirmar coisa nenhuma. Continuamos a fazer tudo, o Presidente também, no sentido de consolidar o sistema financeiro. É nisso que estamos a trabalhar todos, ainda teremos pela frente meses de trabalho nesse sentido. (…) Estamos todos a remar na mesma direcção. É isso que tem acontecido e que vai acontecer.”

Mesmo genérica, a declaração de Marcelo dá um sinal importante para a esquerda parlamentar: a de que não tenciona deixar cair o governador, num momento em que este voltou a ser o alvo da esquerda: uma reportagem da SIC, sobre a gestão que o Banco de Portugal fez do caso BES, que mostrou documentos que Carlos Costa não entregou na comissão de inquérito realizada em 2015, chegou para que o Bloco e PCP voltassem a pedir a saída do governador, mas também para o líder parlamentar do PS, Carlos César, anunciar uma “reflexão” no PS sobre o tema.

António Costa foi mais prudente: disse na sexta-feira (e reiterou esta segunda-feira) que a “função” do Governo é “trabalhar leal e construtivamente” com o BdP na “estabilização do sistema financeiro”, que está “bastante melhor”. Deixando até a indicação de se ter conformado com um governador que preferia não ter no banco central: “Temos que aprender a trabalhar com as instituições tal como elas existem. É o que nós fazemos com o governador do BdP no dia-a-dia”.

Esta segunda-feira, também Carlos Costa deu um sinal claro de pretender resistir às pressões para uma sua demissão. Em reacção à reportagem da SIC – e às críticas da esquerda -, o governador pediu para ir ao Parlamento “esclarecer todos os pontos” levantados por esta nova polémica, acusando a televisão de dar “informações gravemente distorcidas”, que diz pretenderem “desacreditar a conduta do Banco de Portugal”. A audição terá o acordo de todos os partidos e pode acontecer ainda esta semana. O primeiro-ministro reagiu a esta intenção com ironia: “Acho que é sempre saudável que haja um acompanhamento por parte da AR da actividade de supervisão e, se o governador [Carlos Costa] quer dialogar com a Assembleia, excelente”.

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