Arquivo para a categoria ‘Novo Banco’

Estado arrisca ser acionista do Novo Banco em 2021

Quinta-feira, Agosto 15th, 2019

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Expresso

Alteração à lei acelera direitos de conversão a favor do Estado. Tesouro pode entrar mais cedo em bancos cujos acionistas não recomprem posições. Lone Star não está interessada nessa aquisição relativamente ao Novo Banco

O esforço público com o Novo Banco não se vai ficar pelos €2 mil milhões de empréstimos que ainda podem ser concedidos ao Fundo de Resolução. E nem será preciso esperar muito para ver o ‘prejuízo’ crescer. Já no final de 2021, o Estado deverá ver-se forçado a entrar no capital da instituição financeira, ficando nas mãos com títulos que dificilmente conseguirá vender com lucro.

Em causa está uma alteração legislativa aprovada recentemente no Parlamento que veio acelerar todo o processo de emissão de direitos de conversão a favor do Estado ao abrigo do chamado REIAD, um regime especial criado em 2014 que permitiu aos bancos com prejuízos converterem os seus ativos por impostos diferidos (DTA) em créditos tributários e receberem diretamente um cheque do Tesouro. Este esquema, generoso, exige em contrapartida que os bancos constituam uma reserva especial e emitam direitos de conversão a favor do Estado por 110% do que receberam. E que, no fim do processo, promovam um aumento de capital e entreguem estes títulos ao Estado ou, então, que os seus acionistas os comprem de volta.

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Novo Banco obrigado a revelar preço (e desconto) das vendas de malparado e imóveis

Quinta-feira, Agosto 15th, 2019

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Expresso

Primeiro, o Novo Banco comunicou apenas o impacto das alienações de grandes carteiras de ativos tóxicos nos resultados semestrais. Três dias depois, revelou qual o valor registado dessas carteiras. Mas só dois dias depois é que publicou o desconto a que concretizou tais operações.

O Novo Banco foi obrigado a divulgar e especificar as perdas que verificou nas operações de venda de imóveis e crédito malparado. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem insistido na necessidade de detalhar o efeito destes negócios, para que os investidores possam ter a informação minimamente aceitável do seu lado.

Novo Banco fez a primeira divulgação sobre as operações de venda de malparado concretizadas em 2019 nos resultados do primeiro semestre, apresentados a 2 de agosto. Aí, revelou que as duas operações de alienação de crédito malparado e imóveis em Espanha, o projeto Albatroz, e de venda de imóveis, o projeto Sertorius, contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros que registou no período – e para a estimativa de que, se o final do ano fosse com estes números, o Novo Banco precisaria de 541 milhões de euros do Fundo de Resolução.

Mas os números divulgados publicamente não se ficaram por aqui. Na segunda-feira seguinte, dia 5, houve novidades. Em dois comunicados distintos, o banco liderado por António Ramalho informou o que constava em cada carteira, o seu valor contabilístico e quem foi o comprador. No caso da Albatroz, eram 308 milhões de euros em crédito e imobiliário, a alienar à americana Waterfall Asset Management; no de Sertorius eram 487,8 milhões de euros em ativos imobiliários, a vender ao fundo americano Cerberus.

Só que a informação não foi suficiente. Quarta-feira houve nova comunicação. Um “aditamento”. E foi aí que o Novo Banco teve de revelar o preço de venda. E esse preço de venda é comparável ao valor contabilístico. Logo, foi possível perceber qual o desconto assumido pelo banco liderado por António Ramalho nas vendas. Em ambas, o Novo Banco aceitou que os compradores pagassem um terço do valor contabilístico, o que tem aí consubstanciado um desconto de dois terços. O Albatroz foi vendido por 98,7 milhões de euros; o Sertorius a 159 milhões.

POR QUE PEDE A CMVM MAIS INFORMAÇÕES

O regulador liderado por Gabriela Figueiredo Dias não quis confirmar ao Expresso qualquer atuação sobre um emitente específico. Contudo, assume que as vendas de ativos são operações a tomar em atenção e um campo em que tem atuado.

“A CMVM, no âmbito da sua função de supervisão de emitentes, procura ativamente garantir, em qualquer circunstância, que a informação por estes divulgada, em particular no contexto de alienação de ativos, apresenta elevados padrões de qualidade e completude, permitindo aos investidores compreender o impacto material da mesma na situação financeira do emitente e, com isso, fundamentar as suas decisões de investimento ou desinvestimento”, diz a autoridade do mercado de capitais ao Expresso.

Ainda este ano, em fevereiro, a circular anual da CMVM dirigida aos emitentes de valores mobiliários mencionava este assunto, já que vinha verificando “algumas situações em que se revelou necessário (…) solicitar a correção de comunicados de informação privilegiada”.

“Esclarece-se que de acordo com o tipo de transações em causa – por exemplo, aquisições, alienações e fusões –, tal poderá implicar, nomeadamente, a divulgação dos valores da transação e o impacto da mesma (nomeadamente, nas vendas, informação sobre as mais ou menos valias ou sobre a necessidade de registar eventuais imparidades – ainda que se trate de valores não definitivos), sem a inclusão das quais o investidor não terá ao seu dispor a informação mínima indispensável à correta formação das suas decisões de investimento”, indicava essa nota enviada aos emitentes do mercado nacional.

Não foi possível obter resposta do Novo Banco, mas não foi a primeira vez que o banco fez um aditamento aos seus comunicados. A 1 de março do ano passado, a instituição comunicou a venda da sucursal venezuelana. Só no dia seguinte adiantou que a operação foi feita, ao câmbio da altura, por 272 mil euros, e que não teve impacto nas contas, por já ter sido anteriormente provisionada.

Novo Banco vende créditos e imóveis tóxicos a americanos por um terço do valor

Sexta-feira, Agosto 9th, 2019

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Expresso

Banco liderado por António Ramalho teve de dar informações adicionais sobre projetos de alienação de ativos problemáticos à CMVM. E revelou qual o desconto associado à venda de créditos e imóveis

O Novo Banco está na fase final de venda de carteiras de crédito malparado e de imóveis. O preço definido é um terço do valor contabilístico destes ativos. Devido a este preço, as duas operações geraram perdas de 229 milhões de euros para o banco, contribuindo para os prejuízos de 400 milhões do primeiro semestre.

Sertorius, de imóveis, e Albatroz, de malparado e imobiliário em Espanha, são os nomes dos dois projetos de venda de ativos problemáticos. As duas transações visavam ativos cujo valor contabilístico era de 795,8 milhões de euros. Mas o preço acordado para a sua alienação foi de 257,7 milhões de euros.

Ou seja, os compradores – o fundo americano Cerberus, no primeiro caso, e a Waterfall Asset Management, no segundo – pagaram apenas um terço do montante registado no balanço. Por outras palavras, com um desconto de dois terços.

As duas operações deverão ser concretizadas até ao final do ano. A correr está ainda uma outra operação de crédito malparado, de 3,3 mil milhões de euros, que deverá ficar fechada até ao final do ano. E também perdas adicionais deverão vir dessa transação.

SERTORIUS

Na segunda-feira, o Novo Banco, detido em 75% pelos americanos da Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução, tinha anunciado a assinatura de um contrato-promessa de compra e venda com a Cerberus de um conjunto de ativos imobiliários “com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões de euros”. Esta carteira é “composta por 195 imóveis agregados, que se traduzem em 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos”.

Esta quarta-feira, o banco liderado por António Ramalho teve de comunicar à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários que “o valor de venda da carteira a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P., ascendeu a 159 milhões de euros”.

É um terço do valor bruto contabilístico.

ALBATROZ

Também na segunda-feira, o Novo Banco anunciara que a sua sucursal espanhola celebrou um contrato de compra e venda com a também americana Waterfall. A carteira de ativos imobiliários e crédito não produtivo “tem um valor bruto contabilístico para o Novo Banco, ao nível consolidado, de 308 milhões de euros”.

Esta quarta-feira, veio nova comunicação: “Informa-se que o valor de venda da carteira à Waterfall Asset Management L.L.C., ascendeu a 98,7 milhões de euros”.

Mais uma vez, um terço do valor.

E AS PERDAS

No comunicado desta quarta-feira, o Novo Banco acrescenta que “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

Quer este número dizer que parte dos créditos e dos imóveis já estava coberta por imparidades ou provisões, já que este montante de perdas registado no semestre é inferior ao diferencial entre o valor contabilístico e o preço acordado.

Estas perdas agora verificadas contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros no primeiro semestre e para a estimativa de que, com base nas contas de junho, o Novo Banco precisaria de 541 milhões do Fundo de Resolução para manter os seus rácios de capital.

O Novo Banco tem compromissos de redução de ativos problemáticos do seu balanço, pelo que tem optado por fazer vendas de grandes carteiras. Como o prazo para a concretização apertado e qa dimensão expressiva, as operações tendem a ser feitas com descontos elevados.

Novo Banco encaixa 258 milhões com venda de malparado

Quinta-feira, Agosto 8th, 2019

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Dinheiro Vivo

O Novo Banco vendeu a carteira ‘Projeto sertorius’ por 159 milhões de euros e a carteira ‘Projeto Albatroz’ por 98,7 milhões de euros.

O Novo Banco encaixou 258 milhões de euros com a venda de duas carteiras de crédito malparado, um valor que corresponde a cerca de 70% menos do que o valor contabilístico dos ativos. As duas carteiras estavam avaliadas em 796 milhões de euros. O banco explica, em comunicado, “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

O Novo Banco anunciou no dia 5 de agosto que tinha acordado a venda destas carteiras de crédito malparado. O ‘Projeto Sertorius’, uma carteira composta por 195 imóveis agregados, incluindo 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos, está avaliada em 487,8 milhões de euros.

Foi vendida a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P. O ‘Projeto Albatroz’, composto por crédito malparado e ativos imobiliários, tem um valor bruto contabilístico total de 308 milhões de euros. Foi vendido à Waterfall Asset Management L.L.C., uma gestora de ativos norte-americana.

O Novo Banco prevê que as duas transações estejam concluídas até ao final do ano. O banco liderado por António Ramalho quase duplicou o seu prejuízo no primeiro semestre deste ano, para os 400 milhões de euros, face ao resultado de igual período de 2018. O Novo Banco anunciou, no seu comunicado com as contas semestrais, que terá de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução. O banco foi criado em 2014 na sequência da resolução do BES, para ficar com parte dos ativos daquele banco. Foi vendido em outubro de 2017 ao fundo norte-americano Lone Star, que passou a deter 75% do banco, sendo os restantes 25% detidos pelo Fundo de Resolução, uma entidade gerida pelo Banco de Portugal.

Costa Pinto: “Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco”

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

João da Costa Pinto, antigo presidente do conselho de auditoria do BdP, admite que as dificuldades do BES “eram conhecidas”, mas não diz desde quando. Mas reconhece também que a resolução não era a única alternativa.

João Costa Pinto critica o Governo anterior, que diz ter passado “todo o ónus” dos problemas do Banco Espírito Santo (BES) para o supervisor. No fim, ficámos com uma “situação impossível de gerir”, resultado da venda rápida do Novo Banco, imposta por Bruxelas.

Como recebeu a notícia de que o BES ia ser resolvido?
As dificuldades do grupo BES eram conhecidas. Sabia-se que o BES enfrentava dificuldades decorrentes dos problemas do grupo. O que não era do conhecimento público era a amplitude das dificuldades. Aqui, tenho de estabelecer os parâmetros desta conversa. Como presidente do conselho de auditoria do BdP, tive conhecimento de informações que são submetidas a sigilo e que não posso referir. E passaram cinco anos desde a resolução. Há questões que se apresentam com uma clareza que não existia.

Quando diz que se sabia que o BES enfrentava dificuldades e que teve informações sob sigilo, o que quer dizer é que o BdP conhecia a situação do BES. Conhecia desde quando? E atuou atempadamente?
Tudo o que seja o comportamento do BdP e a avaliação desse comportamento está para lá da linha vermelha que eu tracei.Havia alternativas?
As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira, não há dúvida. Havia uma questão central, que era a preservação da estabilidade do sistema financeiro. Para além disso, a economia estava num processo muito complexo de resposta a dificuldades financeiras, que tinham trazido a troika e o programa de ajustamento. Por outro lado, a união bancária implicou o estabelecimento da resolução, que foi testada connosco, com uma particularidade: foi aplicada sobre uma instituição de importância sistémica. A primeira observação é que a resolução é de aplicação extraordinariamente difícil.

E, portanto, não deveria ser testada num banco sistémico?
Já lá vamos. A resolução parte de uma ideia. Um banco está em dificuldades que ameaçam a sua sobrevivência e, de acordo com uma doutrina que se desenvolveu na Europa, há dois caminhos: ou é liquidado ou é resolvido. A ideia central é que é possível ir ao balanço de uma instituição e separar a parte boa da má. Quem tem experiência de banca sabe que, se olharmos para o balanço de um banco, não é possível traçar uma linha como se uma parte fosse branca e outra preta. No meio há uma vasta zona cinzenta constituída por ativos em dificuldades, mas em que uma gestão adequada permite uma recuperação integral ou substancial. Só que, para isso, é necessário tempo. No caso do BES surgiram duas dificuldades. A primeira foi uma decisão do Governo de se pôr de lado.

Não se afastou totalmente, a resolução também é uma decisão política.
Acaba por ser, mas a verdade é que, por virtude de uma decisão política, todo o ónus e a responsabilidade recaiu sobre o supervisor. Um problema da dimensão do BES não podia deixar de ter uma avaliação de natureza política.

Atribui então culpas ao governo anterior?
Acho, pessoalmente, que não foi a melhor decisão. Não estou a fazer nenhum julgamento. O governo terá muitos argumentos para explicar a decisão que tomou.

“As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira.”

“Por virtude de uma decisão política, todo o ónus recaiu sobre o supervisor.”

Disse que uma das prioridades era preservar o sistema. Conseguiu-se?
No essencial, a estabilidade do sistema bancário português foi preservada. Foi abalada pela convergência de um conjunto de fatores, um dos quais foi a aplicação do programa da troika. Uma das coisas que hoje é óbvia é que subavaliámos claramente o impacto do programa de ajustamento sobre a situação dos bancos. Durante muito tempo, mantivemos a ficção de que os nossos bancos estavam suficientemente capitalizados para absorver o impacto da crise.

Foi só uma subavaliação do impacto da crise que levou a que o BES não recorresse à linha de financiamento?
Aí houve claramente erros. É absurdo que o montante que a troika destinou para a recapitalização dos bancos nunca tenha sido utilizado na totalidade. Mas o grande problema foi que, numa imposição absurda, as autoridades comunitárias forçam uma venda do banco bom, num curto período, e criam uma situação impossível de gerir.

Podia ter sido feita uma venda melhor do Novo Banco?
É difícil, porque estamos a falar de uma autêntica “fire sale”. Foi uma venda em situação de emergência, num período muito curto, em que havia no balanço do BES a tal zona cinzenta, que precisava de tempo para que fosse preservado e recuperado valor.

Qual era a alternativa?
Era fazer o que fizeram os ingleses com o Royal Bank of Scotland e com o Lloyd’s.

E uma solução dessas teria um peso diferente para os contribuintes?
Não vejo que não tivesse. Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco, só no final é que se vai poder fazer as contas. Esta é a perversidade do exercício.

Era possível recuperar o BES?
Essa é uma resposta muito difícil. A separação dos ativos sem valor era indispensável. Podemos olhar para Espanha, onde os bancos enfrentavam problemas não menos complexos, foram negociados com a Europa fundos de 100 mil milhões e criados veículos para onde os bancos passaram os ativos que tinham perdido valor. Os bancos foram mantidos em toda a sua plenitude. Nós atuámos tarde e numa dimensão que não foi a suficiente.

Novo Banco prevê pedir mais 540 milhões ao Fundo de Resolução

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

O banco liderado por António Ramalho já pediu 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

O Novo Banco prevê pedir mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital. A informação foi avançada pelo banco esta sexta-feira, 2 de agosto, no comunicado sobre os resultados do primeiro semestre.

“O Novo Banco tem os seus rácios de Common Equity Tier 1 (CET1) e Tier 1 protegidos em níveis predeterminados até aos montantes das perdas já verificadas nos ativos protegidos pelo Mecanismo de Capital Contingente. O montante de compensação de capital estimado nas contas do semestre é de 541 milhões de euros. A compensação do final do ano dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”, de acordo com o comunicado enviado à CMVM.

A previsão é revelada no mesmo dia em que o banco liderado por António Ramalho apresentado prejuízos de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com o resultado negativo de 212,2 milhões de euros registado no mesmo período do ano passado.

No final do ano passado, os prejuízos foram de 1.412 milhões de euros, o que levaram o banco a pedir
uma injeção de capital de 1.149 milhões ao Fundo de Resolução. Dinheiro que já está do lado do Novo Banco.

A entidade liderada por Máximo dos Santos já tinha sido chamada a colocar 792 milhões de euros na instituição financeira que resultou da falência do Banco Espírito Santo, no verão de 2014. No total, já foram utilizados perto de 2 mil milhões, cerca de metade do montante máximo definido no acordo de venda.

Na venda de 75% do banco à Lone Star, foi estabelecido um teto máximo de 3,89 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução poderá injetar no Novo Banco, por via de um mecanismo de capital contigente.

Novo Banco fecha venda de carteira de imobiliário avaliada em 400 milhões ao fundo Cerberus

Quarta-feira, Julho 24th, 2019

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Eco

Novo Banco fecha venda de carteira de imobiliário avaliada em 400 milhões ao fundo Cerberus

 

Banco liderado por António Ramalho já fechou a venda da carteira “Sertorius”, composta por imóveis no valor de 400 milhões de euros, à Cerberus e Finsolutia. Para trás ficou o fundo Bain.

Novo Banco acabou de fechar a venda de uma carteira de imóveis no valor de 400 milhões de euros ao fundo Cerberus, que concorreu com a Finsolutia, apurou o ECO junto de fonte do mercado. Na corrida pelo designado “Projeto Sertorius” estava ainda o fundo Bain (juntamente com a Whitestar), mas a proposta acabou por ser preterida.

Esta carteira é composta por 200 ativos, cerca de dois terços terrenos não edificados e alguns imóveis industriais, residenciais e comerciais, segundo avançou o Jornal Económico em abril. A maioria destes imóveis está localizada em Lisboa e em Setúbal.

No final do ano passado, a Cerberus tinha adquirido um portefólio de ativos imobiliários ao Santander Totta no valor de 600 milhões de eurosFoi também este fundo que comprou o francês BES Vénétie ao Novo Banco nos últimos dias de 2018 por cerca de 50 milhões de euros.

O banco liderado por António Ramalho prossegue a estratégia de redução do nível de ativos não rentáveis com a venda de carteiras de crédito malparado e imobiliário, perante às exigências dos reguladores europeus. Nos próximos meses o Novo Banco também prevê fechar o “Projeto Nata 2”. Conforme avançou o ECO em primeira mão, é a maior carteira de malparado alguma vez posta à venda no mercado português, num valor superior a 3.000 milhões de euros. Inclui créditos mediáticos como da Ongoing, Joaquim Oliveira ou Moniz da Maia.

Neste caso, Bain, KKR e Davidson Kempner foram as entidades que passaram à segunda fase do concurso (binding offer). A Bloomberg indicava que era a Bain quem estava em melhor posição para ficar com a carteira, à frente da Davidson Kempner.

Estas operações têm sempre de ser aprovadas pelo Fundo de Resolução, uma vez que tem de responder por perdas associadas à alienação de carteiras. Este ano o fundo liderado por Máximo dos Santos foi chamado a injetar 1.145 milhões de euros no âmbito do mecanismo de capital contingente assinado aquando da venda de 75% do banco aos americanos do Lone Star, em outubro de 2017.

Dívida de €234 milhões da Escom afeta Novo Banco

Domingo, Julho 21st, 2019

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Expresso

O antigo BES tem uma herança pesada, e a Legacy é um exemplo. Os créditos a esta entidade, antiga Escom, estão à venda numa operação com custos para o Estado

Uma das entidades do universo Escom, hoje Legacy, é uma das grandes devedoras do Novo Banco. E é uma das sociedades cujos créditos em incumprimento estão agora a ser vendidos pelas instituição financeira. São €234 milhões, agora desvalorizados, os que estão a ser alienados a fundos compradores de ativos tóxicos, numa transação que pode trazer mais perdas para o Estado.

A Legacy Investments Assets Group Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, é a quarta maior devedora do Novo Banco no conjunto de créditos que estão a ser alienados no âmbito do projeto Nata 2, em que está à venda uma carteira global de €3,3 mil milhões. O crédito está registado por €234 milhões, segundo informação obtida pelo Expresso, mas não se sabe qual o nível de imparidades associadas, ou seja, de perdas já reconhecidas.

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Parlamento aprova auditoria ao Novo Banco que deixa Governo em “situação muito desconfortável”

Domingo, Julho 21st, 2019

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Expresso

A Assembleia recomendou ao Governo uma auditoria ao Novo Banco que vá além da lei e analise o processo de venda à Lone Star. Os socialistas e o Executivo não veem com bons olhos

Mesmo com o Governo e o Banco de Portugal a darem andamento a uma auditoria ao pré e ao pós-resolução do BES/Novo Banco, a Assembleia da República recomendou a realização de uma outra auditoria ao banco liderado por António Ramalho que analise também a venda à Lone Star. O que deixa o “Governo numa situação muito desconfortável”, segundo o socialista João Paulo Correia.

No plenário desta sexta-feira, só o PS votou contra o projeto de resolução do PSD, tendo todos os restantes partidos dado a sua luz verde.

Já na semana passada, os deputados, em sede de comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, tinham mostrado este posicionamento, com direita e esquerda favoráveis à auditoria e o PS contra.

Porquê? O PSD propôs uma auditoria ao Novo Banco em que, além de operações de crédito e decisões de investimento, deveriam ser escrutinadas as condições da venda à Lone Star, bem como a estratégia de imparidades sobre os ativos problemáticos cobertos pelo mecanismo de capital contingente, criado por acordo com o Fundo de Resolução e o Banco de Portugal.

“Quem deve fazer auditoria à atuação do Banco de Portugal é o próprio Parlamento. O Governo fica numa situação muito desconfortável. Não concordamos com os termos propostos. A raiz do problema do Novo Banco está no mecanismo de capital contingente. O projeto de resolução do PSD não vai à raiz do problema”, declarou o socialista João Paulo Correia.

Para os socialistas e o Executivo (e também o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução), uma auditoria à venda do banco e à decisão de criar o mecanismo de capital contingente coloca problemas, já que poderá consubstanciar-se numa avaliação do Governo ao trabalho do supervisor – o que afeta a sua independência, consagrada na legislação europeia.

Embora aprovada, está aqui em causa uma recomendação da Assembleia da República que o Governo não necessita de seguir. Até porque está já em curso o caminho para que haja uma auditoria ao Novo Banco, por via da lei da transparência da banca. Em vigor desde fevereiro, esta lei (a mesma que obriga à divulgação dos grandes devedores e que reforçou o poder dos inquéritos parlamentares) obriga a que seja feita uma auditoria sempre que há injeções de dinheiros públicos. E houve já este ano no Novo Banco, com a entrada de 1.149 milhões de euros pelo Fundo de Resolução, 850 milhões dos quais emprestados pelo Estado.

Assim, como o Expresso já noticiou, “o Ministério das Finanças desencadeou o processo para a realização da referida auditoria e o Novo Banco foi já informado sobre a realização da auditoria especial” que vai olhar para o período anterior à resolução, na origem dos créditos problemáticos, mas também posterior, sobre a sua gestão e acompanhamento.

A auditoria ao banco que resultou da intervenção no BES, vai incidir sobre “operações de crédito, incluindo concessão, garantias, restruturação ou perdão de dívida, dações em cumprimento ou execução de garantias”, mas também as operações de “venda de carteiras de crédito ou transferência para fundos de reestruturação” não vão escapar. E têm sido muitas as operações de alienação de crédito malparado pela instituição hoje em dia comandada por António Ramalho. As decisões de investimento e desinvestimento também serão escrutinadas, sendo que a maior parte tem de ser feita por conta do plano de reestruturação acordado entre a Comissão Europeia e o Estado português.

Novo Banco fecha venda de carteira de imóveis à Cerberus

Quarta-feira, Julho 17th, 2019

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Negócios

O Novo Banco vai dar mais um passo para se libertar do peso dos ativos tóxicos no seu balanço.

O banco liderado por António Ramalho deverá fechar esta sexta-feira a venda da carteira que ficou conhecida como Sertorius, apurou o Negócios. Em causa estão pouco mais de 400 milhões de euros em imóveis, que vão agora passar para as mãos do fundo Cerberus. Em conjunto com o projeto Nata 2, esta deverá ser uma das maiores vendas de crédito malparado em Portugal.

A carteira com o nome do general romano é sobretudo composta por terrenos não edificados e alguns ativos imobiliários industriais, mas também imóveis residenciais e comerciais, conforme avançou o Jornal Económico em abril, adiantando que a maioria dos imóveis em causa está localizada nos distritos de Lisboa e Setúbal.

Quanto ao valor do portefólio, inicialmente, previa-se que este incluiria 500 milhões de euros em imóveis, em termos brutos. Porém, este montante acabou por mudar ao longo do processo de negociação. Isto porque, conforme apurou o Negócios, terão sido retirados ativos desta carteira ou vendidos à parte, sem que tenha sido possível perceber o tipo de ativos em causa ou a que entidades foram alienados.

Para breve deverá ainda estar a conclusão do projeto Nata 2, que envolve 3.000 milhões de euros em empréstimos em incumprimento. O prazo para a entrega das propostas vinculativas está a horas de terminar. Os interessados neste portefólio têm até esta sexta-feira, 12 de julho, para entregar as propostas vinculativas. Até agora, apenas foi avançado um possível comprador: a Bain Capital. Quanto à conclusão desta venda, tudo dependerá da forma como as negociações se vão desenrolar. Ainda assim, tudo indica que deverá ser um processo célere, refere fonte próxima.
O Novo Banco tem avançado com a “limpeza” do balanço no âmbito do plano de reestruturação e numa altura em que aumenta a pressão dos reguladores sobre a banca europeia para a venda de ativos tóxicos.