Arquivo para a categoria ‘Novo Banco’

Fundo de Resolução impede Novo Banco de vender créditos da Ongoing e Moniz da Maia

Quinta-feira, Novembro 21st, 2019

Citamos

Eco

Fundo de Resolução impede Novo Banco de vender créditos da Ongoing e Moniz da Maia

Novo Banco estava a vender créditos da Ongoing e Sogema no Nata II, mas quando a operação passou pelo Fundo de Resolução estes contratos foram excluídos da carteira alienada aos americanos.

Fundo de Resolução autorizou o Novo Banco a vender a carteira de malparado Nata II, mas impôs várias condições para dar “luz verde” à operação. Segundo apurou o ECO, o Fundo de Resolução exigiu que fossem retirados alguns créditos problemáticos como o da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, da Ongoing, de Nuno Vasconcellos, ou da construtora Prebuild, justificando que o valor oferecido pelo comprador da carteira era baixo.

Ao ECO, o Fundo de Resolução, a autoridade de resolução bancária que funciona junto do Banco de Portugal e é dirigida pelo vice-governador Luís Máximo dos Santos, afirma que “as operações em causa foram submetidas pelo Novo Banco ao Fundo de Resolução uma vez que a sua concretização depende do acordo do Fundo, no que respeita aos ativos que integram o mecanismo de capitalização contingente”.

Segundo a autoridade de resolução, determinou-se que aqueles créditos fossem excluídos por “entender que o preço oferecido não era aquele que oferecia as melhores perspetivas de maximização do valor”. O ECO sabe que a Davidson Kempner oferecia menos de 20 milhões por estes ativos tóxicos que tinham um valor original superior a 1.500 milhões, mas que estão registados no balanço do banco a um valor muito reduzido.

“Relativamente a esses casos, o Fundo de Resolução solicitou ao Novo Banco a apresentação de uma estratégia de recuperação mais condizente com o objetivo de maximização do valor“, indicou ainda a entidade liderada por Máximo dos Santos ao ECO, sem comentar devedores particulares.

O ECO também questionou o banco liderado por António Ramalho sobre as razões que levaram à retirada destes créditos e outros do designado Projeto Nata II. “O Novo Banco não faz comentários sobre eventuais clientes”, disse fonte oficial da instituição, sem querer comentar a lista de créditos que saíram do Nata II. Apenas lembrou que “o banco esteve a negociar com o Fundo de Resolução a saída de um grupo de devedores, e também com o comprador”. Assim foi.

“No caso da operação “Nata II”, o Fundo de Resolução manifestou a sua não oposição à concretização da operação, mas determinou que fossem excluídos da operação de venda um conjunto de ativos, por entender que o preço oferecido não era aquele que oferecia as melhores perspectivas de maximização do valor. Relativamente a esses casos, o Fundo de Resolução solicitou ao Novo Banco a apresentação de uma estratégia de recuperação mais condizente com o objetivo de maximização do valor.”

Fundo de Resolução

Créditos de 1.500 milhões só valem 20 milhões

Num comunicado à imprensa divulgado na sexta-feira, o Novo Banco revelou ter recebido a autorização do Fundo de Resolução para vender esta carteira de malparado, tendo sido utilizada “a prerrogativa negociada pelo banco para excluir alguns créditos da carteira inicial”. Isto é, seguindo orientações do Fundo de Resolução, o banco procedeu à retirada de vários créditos problemáticos do portefólio antes de ser formalmente vendido ao fundo americano.

Os créditos excluídos “continuarão a ser seguidos pelas equipas de recuperação do Novo Banco, com implementação de estratégias alternativas de recuperação, por via negocial ou judicial, que maximizem o valor recuperado dos ativos“, disse ainda o banco.

Segundo apurou o ECO, o valor original destes contratos retirados “à última hora” ascende a mais de 1.500 milhões de euros, sendo que o seu valor contabilístico bruto — isto é, excluindo compromissos, garantias e writeoffs — será apenas de cerca de 350 milhões de euros. Vão continuar a pesar no balanço do Novo Banco. Os fundos que estavam na corrida por este portefólio — a Davidson Kempner e a Bain Capital — pagavam menos de 20 milhões por estes ativos, quase nada face ao seu valor original, o que reflete a fraca qualidade dos ativos e as baixíssimas hipóteses de recuperação de algum do dinheiro emprestado àqueles clientes.

O Fundo de Resolução deu “luz verde” à operação Nata II no final de outubro. Foi duas semanas antes antes de o Novo Banco ter apresentados os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano. O banco liderado por António Ramalho agravou os prejuízos para 575 milhões de euros e o impacto do Nata II já foi refletido nas contas.

A boa notícia da venda do Nata II: “A concretização da operação Nata II permite que, pela primeira vez na sua história, o rácio de NPL do Novo Banco possa descer para menos de 15%”, disse o banco no comunicado na sexta-feira. É um nível ainda elevado face às exigências dos reguladores. E por isso o banco terá de continuar a reduzir o malparado.

Auditoria deverá deixar de fora venda da Tranquilidade por 40 milhões de euros

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

Citamos

Económico

Apesar de o perímetro da auditoria da Deloitte ainda não estar concluído, o Jornal Económico sabe que a venda de ativos estará fora do âmbito da análise.

O âmbito da auditoria da Deloitte ao Novo Banco (NB) vai ficar estipulada num caderno de encargos que o Fundo de Resolução está a elaborar e que, segundo sabe o Jornal Económico (JE), está em fase de conclusão. Esse caderno de encargos define o que, contratualmente, a auditora Deloitte vai ter de fazer. É o chamado mandato do auditor.

Apesar de o perímetro da auditoria da Deloitte ainda não estar concluído, o JE sabe que a venda de ativos estará fora do âmbito da análise. Nomeadamente a venda da Tranquilidade à Apollo, que foi feita no tempo de Vítor Bento como presidente do BES. Recorde-se que a Tranquilidade foi vendida ao fundo americano Apollo Global Management por 40 milhões de euros no fim de agosto de 2014 (a seguradora era da ESFG mas passou para a titularidade do banco por causa de um penhor). O fundo norte-americano acabou por vender este ano a seguradora – que integrou na Seguradoras Unidas – à Generali, por cerca de 500 milhões.

Auditoria ao Novo Banco vai analisar venda de créditos a fundos

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

Citamos

Público

O Governo pediu uma auditoria especial à Deloitte para avaliar todos os actos de gestão que levaram às injecções de capital do Fundo de Resolução no Novo Banco. Na mira da auditora vai estar também a venda de carteiras a fundos, cujo custo está a caminho dos três mil milhões de euros.

A mais recente divulgação de resultados por parte da gestão do Novo Banco deu conta de uma nova factura a entregar no Fundo de Resolução. Embora não tenha sido revelado o montante do apoio que será necessário em 2020, os resultados dos primeiros nove meses apontam para um valor que ficará perto dos 850 milhões de euros pedidos este ano, estendendo a três mil milhões o envelope financeiro que já custou a “limpeza” de créditos problemáticos em curso no Novo Banco. Perante este cenário, estas “chamadas de capital” serão também escrutinadas na auditoria especial encomendada pelo Governo à Deloitte para avaliar todos os créditos do banco que deixou de ser BES em 2014.

O Governo, após pressão do Parlamento, do Presidente da República e perante as recorrentes necessidades de injecção de capitais para “tapar” os buracos deixados pela limpeza de créditos problemáticos no Novo Banco, tinha encomendado à Deloitte uma auditoria especial que avaliasse toda a evolução, desde o primeiro momento, dos créditos que estão a gerar perdas avultadas para os contribuintes e para o resto da banca. Quando foi decidida esta iniciativa, o âmbito da intervenção estava em aberto no que diz respeito às decisões de venda de carteira de crédito a fundos de recuperação de dívidas.

Isso mesmo foi referido ao Expresso, em Julho, e reafirmado agora ao PÚBLICO por fonte oficial do Ministério das Finanças: “o âmbito da auditoria especial (…) abrange operações de crédito, incluindo concessão, garantias, restruturação ou perdão de dívida, dações em cumprimento ou execução de garantias, venda de carteiras de crédito ou transferência para fundos de reestruturação; decisões de investimento, expansão ou desinvestimento realizadas em Portugal ou no estrangeiro; e decisões de aquisição e alienação de activos.”

Neste universo estavam desde as decisões de crédito tomadas por Ricardo Salgado (no BES), por Vítor Bento (no período de transição), por Stock da Cunha (logo a seguir à resolução) e já por António Ramalho (antes e no momento da venda ao fundo Lone Star, em 2017). Agora, depois de mais um resultado muito negativo do Novo Banco – prejuízo de 572,3 milhões, com o “legado do BES” a pesar mais 712 milhões -, fonte oficial das Finanças esclareceu ao PÚBLICO a abrangência da actuação da Deloitte e acrescentou uma novidade: “o Governo solicitou a realização de uma Auditoria Especial ao Novo Banco, nos termos da Lei n.º 15/2019, de 12 de Fevereiro, considerando o pagamento efectuado em Maio de 2019 pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco, com recurso a financiamento prestado pelo Estado”. E, neste âmbito, sublinhou, “como previsto na Lei, os actos de gestão subjacentes à chamada de capital do Novo Banco ao Fundo de Resolução em 2019 estão incluídos no âmbito da Auditoria Especial”.

A confirmar-se que o Novo Banco irá precisar de mais capital em 2020 em linha com a factura de mais de 700 milhões que o “legado do BES” já pesa nas contas dos primeiros nove meses, este custo soma-se aos 1149 milhões injectados este ano (para cobrir perdas de 1423 milhões em 2018) e aos 792 milhões do ano passado (para cobrir prejuízos de 2017), num total de 1941 milhões de euros. Os mais de 700 milhões de euros superam também o valor inscrito pelo Governo no Programa de Estabilidade para 2020, que foi fixado em 600 milhões (em 2021, o valor inscrito é de 400 milhões). E empurram para três mil milhões de euros o custo das vendas de créditos problemáticos a fundos de investimento.

Na última sexta-feira, os resultados do banco continuaram a dar conta de um agravamento das perdas, passando os prejuízos dos primeiros nove meses de 390,9 milhões para 572,3 milhões. Um desempenho da equipa liderada por António Ramalho explicado pelo legado do BES, que foi separado numa unidade específica e que gerou uma perda de 712 milhões de euros. Segundo explica o banco em comunicado, nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco registou perdas relacionadas com o “processo de restruturação e desalavancagem de activos não produtivos, designadamente o projecto Sertorius, o projecto Albatros, o projecto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.

Estes são os últimos negócios feitos pela gestão de António Ramalho com as condições que lhe foram permitidas no momento da venda do banco. E que estarão agora na mira da Deloitte. Sobre prazos para a conclusão desta auditoria – cujo método deverá estar alinhado com o que foi utilizado na auditoria que a EY fez à gestão ruinosa da CGD -, a mesma fonte oficial das Finanças respondeu que “o caderno de encargos, que incluirá a data de entrega da Auditoria Especial, está a ser ultimado. O Ministério das Finanças aguarda que lhe seja enviado este caderno de encargos”.

“A estratégia mais correcta”

O Novo Banco adianta, no comunicado dos resultados que o montante a pedir ao Fundo de Resolução no final do ano “dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”. “Estamos hoje certos de atingir todos os ambiciosos compromissos que foram acertados entre Portugal e a Comissão Europeia. A estratégia de limpeza do legado tem provado ser a mais correcta”, afirmou, numa declaração à Lusa, o presidente executivo do banco, António Ramalho, sem revelar o montante da injecção que precisa para atingir esses compromissos.

Sobre esta questão, o Ministério das Finanças esclarece que “uma eventual chamada de capital relativa à actividade do Novo Banco em 2019, só poderá ocorrer após o fecho das contas da instituição e depois de o valor das eventuais imparidades dos activos previstos no quadro do mecanismo de capital contingente ter sido validado por um agente de verificação”. Recorde-se que em Março, um dos membros da Comissão de Acompanhamento do Novo Banco, Bracinha Vieira, havia admitido no Parlamento que a totalidade do pedido de injecção de capital ao Fundo de Resolução podia chegar a 3000 milhões de euros. Isto, já depois de o presidente desta Comissão, José Rodrigues de Jesus, ter referido que “alguém há-de fazer dinheiro” com os activos problemáticos do Novo Banco, dado que o comprador está numa posição negocial mais forte que o Novo Banco.

Só a venda da NATA II, uma carteira de crédito malparado no valor de três mil milhões – com um desconto de 89% -, gerou uma perda líquida para o Novo Banco de cerca de 100 milhões de euros e alargou para 640 milhões as provisões que podem ser “tapadas” pelo mecanismo de capital contingente, criado precisamente como rede de segurança para este efeito.

Segundo o acordo entre o Governo, Banco de Portugal e Lone Star, o comprador do sucessor do Banco Espírito Santo dispõe de uma rede de segurança financiada pelo Fundo de Resolução de um total de 3,89 mil milhões de euros até 2026. Pelo actual ritmo da limpeza operada por António Ramalho, esta almofada deverá esgotar-se mais cedo, dado que depois dos mais de 700 milhões de euros (pelo menos) deste ano, e dos dois mil milhões dos dois anos anteriores, sobram pouco mais de mil milhões.

O mecanismo de capital contingente foi criado para que o Novo Banco pudesse regressar a uma situação de solidez financeira e cumprir as metas exigidas pelas entidades reguladoras nacional e europeia, permitindo à gestão ir vendendo carteiras de créditos problemáticos a desconto, compostos por créditos à habitação, créditos empresariais, pessoais, participações financeiras, entre outros. Para cobrir os danos que essas operações vão provocando nas suas contas o Fundo de Resolução é chamado a intervir todos os anos para manter os rácios nos níveis mínimos exigidos. Entre os créditos envolvidos nestes negócios estão alguns que dizem respeito aos grandes clientes do BES, mas também carteiras extensas de crédito à habitação de particulares ou créditos de pequenas e médias empresas.

O Governo tem inscrito nos Orçamentos de Estado um valor indicativo de 850 milhões de euros destinado ao reforço do Fundo de Resolução, que é financiado por empréstimos do Tesouro e por contribuições do sector bancário. Nos últimos dois anos, o esforço do Estado – com reflexos nas contas públicas – já chegou aos 2280 milhões de euros, divididos entre 850 milhões este ano e 430 no ano passado). O resto – que cobre também as perdas geradas pela queda do Banif – foi pago pelos bancos através da contribuição sobre o sector bancário e de contribuições periódicas ou pontuais.

Os fundos de investimento dedicados à recuperação de dívidas têm vindo a comprar dezenas de pacotes de crédito malparado aos bancos, no valor original de milhares de milhões de euros, com descontos muito significativos. A sua missão passa por tentar recuperar o máximo das garantias associadas a esses créditos ou renegociar os empréstimos em condições que os bancos não conseguiram fazer.

Vendas de malparado do Novo Banco aprovadas com reservas

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

Citamos

Negócios

A comissão de acompanhamento à venda do Novo Banco deu um parecer favorável à venda das carteiras “Nata 2”, “Sertorius” e “Albatroz”, mas com ressalvas. Considera que há créditos que devem continuar no banco a tentar ser recuperados.

O Novo Banco está a vender carteiras de crédito malparado e imóveis, operações que, para serem concluídas, têm de ter o “ok” da comissão de acompanhamento à venda do banco ao Lone Star e do Fundo de Resolução. A aprovação por parte da entidade liderada por José Rodrigues de Jesus pode, contudo, chegar com reservas. Isso mesmo aconteceu recentemente com os portefólios “Nata 2”, “Sertorius” e “Albatroz”, apurou o Negócios.

O banco liderado por António Ramalho anunciou no início de setembro que tinha assinado um contrato de venda de uma carteira de créditos não produtivos, conhecida por “Nata 2”. Em causa estavam perto de três mil milhões de euros em ativos tóxicos e um dos maiores portefólios alguma vez transacionados em Portugal. Ativos que fazem parte do chamado mecanismo de capital contingente (CCA, na sigla em inglês) e que, por isso, a sua venda foi analisada pela comissão de acompanhamento à venda do Novo Banco.

Esta entidade, de que fazem parte José Rodrigues de Jesus e José Bracinha Vieira, deu um parecer favorável à venda desta carteira que inclui 50 grupos económicos. Mas foi uma opinião positiva com algumas ressalvas, nomeadamente por considerar que alguns créditos deviam ficar no banco de maneira a que a instituição financeira continue a tentar a sua recuperação, explicaram fontes consultadas pelo Negócios.

O mesmo aconteceu com outros dois projetos vendidos durante o verão. Foi o caso do “Sertorius”, uma carteira de ativos imobiliários com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões e que passou para as mãos da Cerberus Capital Management. Mas também do denominado projeto “Albatroz”, alienado à gestora norte-americana Waterfall Asset Management. Este portefólio incluía ativos imobiliários e crédito malparado em Espanha, com um valor contabilístico de 308 milhões de euros. Em ambos os casos, a percentagem de ativos incluída no chamado CCA é muito mais reduzida em comparação com o “Nata 2”.

Depois de emitido o parecer por parte da comissão de acompanhamento – que participa tanto no conselho geral e de supervisão, como no comité de imparidade alargado e nos conselhos de crédito (quando estão em causa ativos do CCA) – cabe ao Fundo de Resolução tomar uma decisão sobre as carteiras à venda, podendo, ou não, seguir a opinião da comissão de acompanhamento.

Cerca de 60% das propostas foram aprovadas
Quando questionada pelo Negócios sobre a sua avaliação feita a estes portefólios, não foi possível obter esclarecimentos da entidade liderada por Máximo dos Santos. Na sua ida à comissão de Orçamento e Finanças, em março, o responsável do Fundo de Resolução adiantou que, até àquela data, tinham sido analisadas 107 operações. “49 operações foram autorizadas tal como foram propostas, enquanto 43 foram autorizadas, mas com condições fixadas pelo fundo”, disse. Já 15 foram chumbadas. Estes números aumentaram entretanto depois de o banco ter avançado com a venda de mais portefólios. Fontes contactadas indicaram ao Negócios que, até agora, o Fundo de Resolução aprovou cerca de 60% das operações propostas, enquanto mais de 20% tiveram o “ok” mas com reservas. A restante percentagem é referente a operações que foram recusadas.

Estas vendas, apesar de necessárias, estão a pressionar as contas do banco. Nos primeiros nove meses, a instituição agravou os prejuízos para 572,3 milhões, com a alienação das grandes carteiras a provocar perdas de 712,4 milhões de euros.

Vendas pesam nas contas

O Novo Banco tem avançado com a venda de carteiras de crédito malparado e imóveis, para se libertar do legado deixado pelo Banco Espírito Santo. Alienações que têm de contar com a luz verde, mesmo que condicionada, do Fundo de Resolução, liderado por Máximo dos Santos. Este detém 25% do capital da instituição financeira, enquanto o Lone Star tem 75%. Estas operações têm pesado nas contas do banco liderado por António Ramalho. Nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco agravou os prejuízos para 572,3 milhões de euros, em comparação com os 419,6 milhões de euros que tinham sido registados em igual período do ano passado. Isto depois de a venda das grandes carteiras de malparado (Nata 2, Sertorius e Albatroz), assim como da seguradora GNB Vida, terem gerado perdas de 712,4 milhões de euros.

Depois das Ilhas Caimão e da Alemanha, Novo Banco “engole” sociedade na Irlanda

Segunda-feira, Novembro 18th, 2019

Citamos

Expresso

Ainda carrega o nome Espírito Santo, mas vai acabar. A empresa irlandesa do antigo BES, constituída em 1999, será integrada no Novo Banco em Portugal. É a terceira operação do género realizada pelo banco em poucos meses

Novo Banco vai deixar de ter uma empresa autónoma na Irlanda. A Espirito Santo Public Limited Company (ES PLC), até aqui uma sociedade independente, vai ser integrada na instituição liderada por António Ramalho. É uma nova operação de emagrecimento da estrutura depois de, no final de outubro, ter avançado para a extinção do banco autónomo das Ilhas Caimão e de, em maio, ter anunciado a eliminação da alemã BES Beteiligungs GmbH.

A Espírito Santo PLC foi constituída em 1999 e, desde esse ano, faz parte da estrutura do Banco Espírito Santo. Transitou para o Novo Banco na resolução, em 2014. Até este ano, segundo o projeto de fusão, publicado no portal de justiça.

O banco detém a totalidade da empresa, que não tem qualquer trabalhador, e todo o seu património passará a ser diretamente do Novo Banco. A empresa extingue-se. É a chamada fusão por incorporação. Segundo o balanço anexo ao projeto de fusão, os ativos ascendem a 86 milhões de euros, sendo que as responsabilidades (passivo) são bastante superiores: 215 milhões, a grande maioria de depósitos de outros bancos. Assim, o capital próprio é negativo em 129 milhões.

“A fusão das duas sociedades levará à simplificação organizacional e a corte nos custos, por exemplo através da redução do número de contas anuais a preparar e da eliminação de relações intra-grupo. Em particular, os custos com auditoria e com a submissão de documentos junto do registo comercial e das autoridades serão reduzidos com a fusão transfronteiriça”, justifica o banco liderado por António Ramalho no projeto de fusão.

Foram estas as explicações dadas para a fusão por incorporação anunciada em outubro, para a eliminação do Bank Espirito Santo (International) Limited, localizado nas Ilhas Caimão, bem como para a extinção da alemã BES Beteiligungs GmbH, em maio.

No que diz respeito ao banco das Ilhas Caimão, havia ainda a referência ao cumprimento de compromissos assumidos pelo Estado na Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, que impôs condições para que os contribuintes pudessem colocar dinheiro na instituição financeira.

Os custos operacionais do Novo Banco ascenderam a 362 milhões entre janeiro e setembro deste ano, caindo 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com os gastos gerais administrativos a recuarem 9% para 134 milhões. O Novo Banco apresentou, na passada, sexta-feira os resultados dos primeiros nove meses do ano, período em que reportou um prejuízo de 572 milhões de euros. Um número que sinaliza que o Fundo de Resolução terá de gastar parte dos quase 2 mil milhões de euros que pode ter de injetar no Novo Banco até 2026 por via do mecanismo de capital contingente acordado com Bruxelas.

CGD E BCP TAMBÉM FIZERAM OPERAÇÕES IDÊNTICAS

Estas fusões por incorporação não são um exclusivo do Novo Banco, já que todo o setor tem acelerado estas operações – ainda que as do banco detido na sua maioria pelos americanos da Lone Star sejam fusões de entidades no estrangeiro. Bruxelas obrigou-o a reduzir o seu peso internacional, limitando-o a um banco apenas com presença ibérica.

Em Portugal, Caixa Geral de Depósitos vai eliminar duas empresas, juntando-as a outras e reduzindo, assim, o peso burocrático e administrativo. São visadas a imobiliária Imocaixa, que passará para a Caixa Imobiliário, e a gestora de fundos de investimento imobiliário Fundger, que é integrada na Caixa Gestão de Ativos. Já no fecho de 2018 tinha feito o mesmo com seis participadas distintas, integrando o seu património dentro da casa-mãe.

O BCP também anunciou o fim do Banco de Investimento Imobiliário (BII), depois de ter também absorvido duas imobiliárias que tinham parar ao seu balanço por incumprimento.

Donos do Novo Banco mais perto de esgotar rede de 3,9 mil milhões

Segunda-feira, Novembro 11th, 2019

Citamos

Público

O banco liderado por António Ramalho e detido pelo fundo americano Lone Star está mais perto de consumir a almofada assegurada no processo de venda. Depois de dois mil milhões nos últimos dois anos, a acumulação de resultados negativos aumenta as necessidades de apoio público.

Está a ficar esgotada a rede de segurança garantida pelos norte-americanos do Lone Star no momento da compra do Novo Banco. Depois das injecções de quase dois mil milhões de euros nos últimos dois anos, para o próximo ano a instituição liderada por António Ramalho prepara-se para pedir mais dinheiro, para cobrir as perdas que está a gerar o processo de limpeza dos créditos problemáticos do banco. E que foram agravadas durante o terceiro trimestre do ano, penalizando ainda mais o saldo já acumulado desde o início de 2019.

Esta sexta-feira, os resultados do banco continuaram a dar conta de um agravamento das perdas, passando os prejuízos dos primeiros nove meses de 390,9 milhões para 572,3 milhões. Um desempenho da equipa liderada por António Ramalho explicado pelo legado do BES, que foi separado numa unidade específica e que gerou uma perda de 712 milhões de euros. Segundo explica o banco em comunicado, nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco registou perdas relacionadas com o “processo de restruturação e desalavancagem de activos não produtivos, designadamente o projecto Sertorius, o projecto Albatros, o projecto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.

O Novo Banco adianta, no comunicado dos resultados que o montante a pedir ao Fundo de Resolução no final do ano “dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”. “Estamos hoje certos de atingir todos os ambiciosos compromissos que foram acertados entre Portugal e a Comissão Europeia. A estratégia de limpeza do legado tem provado ser a mais correcta”, afirmou, numa declaração à Lusa, o presidente executivo do banco, António Ramalho, sem revelar o montante da injecção que precisa para atingir esses compromissos.

Só a venda da NATA II, uma carteira de crédito malparado no valor de três mil milhões – com um desconto de 89% -, gerou uma perda líquida para o Novo Banco de cerca de 100 milhões de euros e alargou para 640 milhões as provisões que podem ser “tapadas” pelo mecanismo de capital contingente, criado precisamente como rede de segurança para este efeito. Assim, segundo noticiou esta sexta-feira o Jornal Económico, a gestão de António Ramalho irá pedir ao Fundo de Resolução para injectar mais de 700 milhões de euros na instituição, como forma de manter os rácios de solidez acima das metas exigidas, depois de mais uma vaga de perdas volumosas confirmadas nas contas dos primeiros nove meses (em Junho, o Novo Banco perdeu 400 milhões de euros).

A confirmar-se, este valor soma-se aos 1149 milhões injectados este ano (para cobrir perdas de 1423 milhões em 2018) e aos 792 milhões do ano passado (para cobrir prejuízos de 2017), num total de 1941 milhões de euros. Os mais de 700 milhões de euros superam também o valor inscrito pelo Governo no Programa de Estabilidade para 2020, que foi fixado em 600 milhões (em 2021, o valor inscrito é de 400 milhões).

Segundo o acordo entre o Governo, Banco de Portugal e Lone Star, o comprador do sucessor do Banco Espírito Santo dispõe de uma rede de segurança financiada pelo Fundo de Resolução de um total de 3,89 mil milhões de euros até 2026. Pelo actual ritmo da limpeza operada por António Ramalho, esta almofada deverá esgotar-se mais cedo, dado que depois dos mais de 700 milhões de euros (pelo menos) deste ano, e dos dois mil milhões dos dois anos anteriores, sobram pouco mais de mil milhões.

Governo tem inscrito nos Orçamentos de Estado um valor indicativo de 850 milhões de euros destinado ao reforço do Fundo de Resolução, que é financiado por empréstimos do Tesouro e por contribuições do sector bancário. Nos últimos dois anos, o esforço do Estado – com reflexos nas contas públicas – já chegou aos 2280 milhões de euros, divididos entre 850 milhões este ano e 430 no ano passado). O resto – que cobre também as perdas geradas pela queda do Banif – foi pago pelos bancos através da contribuição sobre o sector bancário e de contribuições periódicas ou pontuais.

Os fundos de investimento dedicados à recuperação de dívidas têm vindo a comprar dezenas de pacotes de crédito malparado aos bancos, no valor original de milhares de milhões de euros, com descontos muito significativos. A sua missão passa por tentar recuperar o máximo das garantias associadas a esses créditos ou renegociar os empréstimos em condições que os bancos não conseguiram fazer.

Governo não deve autorizar mais pagamentos ao Novo Banco “sem saber o que se passa”

Segunda-feira, Novembro 11th, 2019

Citamos

Governo não deve autorizar mais pagamentos ao Novo Banco “sem saber o que se passa”

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) disse, este sábado, que “o Governo não deve autorizar mais pagamentos ao Novo Banco sem saber o que se passa”, realçando que o país tem direito a respostas.

A líder bloquista falava no Teatro São Luís, em Lisboa, à margem de uma homenagem a José Carvalho, que foi assassinado há 30 anos, à porta da então sede do PSR (Partido Socialista Revolucionário), na Rua da Palma, por um grupo de neo-nazis.

“O mínimo dos mínimos é o Governo não autorizar mais pagamentos ao Novo Banco sem saber exatamente como estão as coisas e sem nomear administrador público”, anotou Catarina Martins.

Na sexta-feira, soube-se que o Novo Banco aumentou os prejuízos em 46% nos primeiros nove meses do ano, para 572,3 milhões de euros, depois de ter registado perdas de 390,9 milhões de euros no mesmo período de 2018.

Aos jornalistas, a coordenadora do BE recordou que os bloquistas tinham avisado que a resolução do BES “ia custar muito dinheiro aos contribuintes” e vendê-lo a privados seria um erro.

“Dissemos que era um erro vender o Novo Banco a privados porque iríamos continuar a pagá-lo mesmo depois de o vender, ou de o oferecer, oferecemo-lo”, considerou.

Segundo Catarina Martins, o Governo tem ainda de nomear um administrador para perceber o que o Novo Banco está a fazer com o dinheiro dos contribuintes.

“O Estado tem de ter administrador. Não só para saber o que se passa, mas para poder responder a todo o país. […] Todo o país tem perguntas para fazer sobre o que se está a passar no Novo Banco e tem direito às respostas“, disse.

Num comunicado enviado, na sexta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Novo Banco indica que o resultado dos primeiros nove meses é “decorrente da combinação de uma perda de 712,4 milhões de euros na atividade legacy e de um ganho de 140,1 milhões de euros na atividade recorrente”.

“Neste período, o Grupo Novo Banco registou perdas relacionadas com o processo de restruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente o projeto Sertorius, o projeto Albatros, o projeto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.

Novo Banco agrava prejuízos para 572,3 milhões

Segunda-feira, Novembro 11th, 2019

Citamos

Público

O banco que sucedeu ao BES continua a operar no vermelho, devido ao legado do seu antecessor. Prejuízos agravaram-se em 46,4% para 572,3 milhões.

O Novo Banco fechou os primeiros nove meses do ano com um agravamento do seu resultado negativo, passando de uma perda de 390,9 milhões de euros registada em Setembro do ano passado, para um prejuízo de 572,3 milhões. Um desempenho da equipa liderada por António Ramalho explicada pelo legado do BES, que foi separado numa unidade específica e que gerou uma perda de 712 milhões de euros.

A actividade recorrente, isto é, a operação do banco excluindo os activos relacionados com o legado do BES, saldou-se por um resultado positivo de 140 milhões de euros.

Segundo explica o banco em comunicado, nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco registou perdas relacionadas com o “processo de restruturação e desalavancagem de activos não produtivos, designadamente o projecto Sertorius, o projecto Albatros, o projecto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.

O Novo Banco adianta, no comunicado enviado ao mercado, que o montante a pedir ao Fundo de Resolução no final do ano “dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”.

“Estamos hoje certos de atingir todos os ambiciosos compromissos que foram acertados entre Portugal e a Comissão Europeia. A estratégia de limpeza do legado tem provado ser a mais correcta”, afirmou, numa declaração à Lusa, o presidente executivo do banco, António Ramalho.

As contas hoje apresentadas englobam ainda uma rectificação face às apresentadas no mesmo período de 2018, já que então o banco tinha divulgado prejuízos de 419,6 milhões de euros, hoje corrigidos para 390,9 milhões de euros.

“A demonstração dos resultados referente a 30 de Setembro de 2018 foi reexpressa, por forma a reflectir a alteração do registo inicial de passivos relacionados com a operação de LME [Liability Management Excercise, troca de obrigações] concretizada no último trimestre de 2017. Esta reexpressão visa assegurar a comparabilidade e consistência dos dados apresentados”, de acordo com o Novo Banco.

A instituição liderada por António Ramalho aumentou o produto bancário comercial em 11,5%, nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período do ano passado, para 631,2 milhões de euros.

A margem financeira aumentou também 22% nos primeiros três trimestres face ao mesmo período do ano passado, mas o serviço a clientes reduziu-se em 3% no período.

Já os resultados em operações financeiras registaram perdas de 44,3 milhões de euros até Setembro de 2019, algo atribuído pelo Novo Banco às “perdas decorrentes da actividade legacy [legado do BES]” em 54,6 milhões de euros.

Também em queda estiveram os custos operacionais do Novo Banco, que se reduziram em 0,5% para 361,8 milhões de euros, “reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da optimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores, tendo os custos da atividade legacy apresentado uma redução significativa”, de acordo com a instituição.

As provisões totalizam 640,9 milhões de euros.

Menos 129 trabalhadores e sete balcões

O Novo Banco perdeu 129 trabalhadores e sete balcões desde o final do ano passado, de acordo com os dados hoje divulgados pelo banco liderado por António Ramalho. Segundo comunicado enviado hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pelo Novo Banco, “os custos com pessoal totalizaram 200,6 milhões de euros (+0,6% em termos homólogos), tendo ocorrido uma redução de 129 colaboradores face a 31 de Dezembro de 2018”.

“Em 30 de Setembro de 2019 o Grupo Novo Banco contava com 4.967 colaboradores”, revelou ainda a instituição que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES). Já em termos de balcões, no final de Setembro, o Novo Banco contava com um total de 395, uma descida de sete face aos registados no final de 2018.

De resto, os gastos gerais administrativos do Novo Banco reduziram-se em 13,6 milhões de euros nos primeiros três trimestres do ano face a igual período de 2018, tendo as amortizações aumentado em 10,7 milhões para 26,9 milhões de euros em igual intervalo temporal.

Novo Banco medeia solução para emigrantes lesados do BES receberem 47% dos investimentos

Quinta-feira, Novembro 7th, 2019

Citamos

Económico

Em causa perdas de 75 milhões de euros com o produto financeiro EG Premium, acções preferenciais vendidas como depósitos a prazo a 571 clientes emigrantes do BES. Negociações entre a associação de emigrantes lesados portugueses e entidade emitente, mediadas pelo Novo Banco, levam a proposta de recompra pela EGP de quase metade das acções nos próximos dias, num total de 35 milhões.

Está finalmente em marcha a solução para os clientes emigrantes do BES que após a resolução do banco não recuperaram as poupanças aplicadas no produto financeiro EG Premium (EGP). Em causa estão centenas de emigrantes que acusam o banco de lhes ter vendido produtos arriscados (ações de sociedades veículo), quando lhes tinha dito que se tratavam de depósitos a prazo para não residentes. A solução alcançada entre a Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP ) e a entidade emitente, EGP, mediada pelo Novo Banco, foi fechada nesta segunda-feira, 4 de novembro, e passa por uma oferta de recompra das acções preferenciais aos 571 emigrantes que aplicaram cerca de 75 milhões de euros no produto EG Premium, veículo que pertencia ao GES. Nos próximos dias, a EGP lança oferta de recompra sobre 47% deste valor, ficando na posse dos emigrantes os direitos contra o BES, nomeadamente o direito a 31,7% do capital, a ser pago pelo Fundo de Resolução.

Questionado sobre esta solução, Luís Marques, presidente da AMELP, confirmou ao JE que “há uma proposta que vai ser apresentada pelo Novo Banco, na sequência de reuniões com o banco e a EGP, que contaram sempre com a presença de representantes do Governo”, realçando que a solução que visa a recuperação de 47% do montante investido por centenas de clientes emigrantes do BES “é a possível, sem qualquer mínimo de adesão”.  Luís Marques acrescenta ainda que “a AMELP deixará aos associados a total liberdade de aceitarem ou não”. Os contornos da solução agora encontrada foram apresentados ontem ao final da tarde aos associados da AMELP.

O Jornal Económico sabe que a solução, alcançada no início desta semana, visa a recuperação de quase metade do montante investido pelos clientes emigrantes do BES, na sua maioria na França (320) e Suíça (65). Em causa estão 35 milhões de euros (47% do montante investido) correspondentes à recompra das acções preferenciais pela EG Premium, cuja oferta será publicada, nos próximos dias, na Euroclear – empresa de serviços financeiros com sede na Bélgica que faz a transacção de valores mobiliários.

Após a publicação deste aviso de início de oferta, o Novo Banco entrará em contacto com cada um dos 571 clientes emigrantes abrangidos por esta solução para se dirigirem aos balcões do banco. O JE sabe que as condições da oferta já foram apresentadas ao Ministério Público (MP) e à CMVM, os quais não irão tomar qualquer posição sobre a oferta (dado que são ativos do GES que não estão arrestados, o MP podia arrestá-los o que não irá fazê-lo dado tratar-se de uma entrega aos credores).

Segundo fonte próxima ao processo, a solução agora proposta poderá abranger também, nos próximos meses, o produto financeiro  EuroAforro 10 que também ficou de fora do acordo alcançado em agosto de 2017, entre a AMELP e o Novo Banco que visou uma solução para os clientes emigrantes dos produtos financeiros Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7 recuperarem 75% do dinheiro ao longo dos próximos anos.

Estas últimas soluções abrangiam cerca de 668 milhões de euros e 7.500 clientes, tendo tido uma taxa de adesão da ordem dos 96%. Já os produtos EG Premium e EuroAforro 10, em que mais de 1.500 famílias investiram cerca de 150 milhões de euros, ficaram então de fora deste acordo devido à complexidade destes produtos, tendo nesta solução os emigrantes  desistido das ações judiciais contra o Novo Banco e seus trabalhadores.

Do total de 75 milhões de perdas do dinheiro aplicado no EG Premium, os emigrantes poderão agora recuperar  perto de metade: 35 milhões de euros, correspondentes a 47% do montante investido em acções preferenciais que a entidade emitente, EG Premium, se propõe a recomprar no âmbito da solução proposta, e com possibilidade de majoração deste valor devido ao facto de os emigrantes ficarem na sua posse com todos os direitos contra o BES, nomeadamente contra o banco e ex-administradores, bem como contra auditora do BES, a KPMG.

Sobre estes direitos que ficam na posse dos emigrantes lesados, o JE sabe que o objectivo é que estes possam numa fase posterior ser vendidos a fundo como forma de futura majoração do montante de 47% de recompra de acções preferenciais previsto na solução alcançada com a EGP e que contou com a mediação do Novo Banco.

Até ao fecho desta edição, o JE não conseguiu obter um comentário do Novo Banco sobre a proposta de recuperação de 47% do montante investido pelos clientes emigrantes do BES que aplicaram as suas poupanças no produto financeiro EG Premium.

Emigrantes ficam com direito a 31,7% do capital do BES

Na mão dos emigrantes que aderirem a esta proposta fica ainda a possibilidade destes lesados receberem 31,7% dos créditos a que têm direito. Isto porque, a propósito da resolução do BES, em 2014, a Deloitte fez uma auditoria pedida pelo Banco de Portugal para saber a quanto têm direito os credores comuns do BES, uma vez que o princípio ‘no creditor worse off’ estabelece que um credor não pode ter perdas maiores num cenário de resolução do que as que teria num cenário de liquidação.

A consultora Deloitte contabilizou, assim, que se o banco tivesse sido liquidado os credores comuns teriam recuperado 31,7%, pelo que esse valor terá que lhes ser pago pelo Fundo de Resolução bancário. Contudo, há dúvidas sobre quando pagará esse valor o Fundo de Resolução, podendo ser apenas no fim do processo de liquidação do BES, que está a decorrer e poderá demorar anos.

Indemnização reclamada desde resolução do BES

Após a resolução do BES, em 03 de agosto de 2014, cerca de 8.000 emigrantes de França e Suíça (o equivalente a 12 mil contas, uma vez que há clientes que têm mais do que uma conta) vieram reclamar mais de 720 milhões de euros, acusando o banco de lhes ter vendido produtos arriscados  quando lhes tinha dito que se tratavam de depósitos a prazo para não residentes.

A responsabilidade sobre estes produtos ficou, na resolução do BES, no Novo Banco – o banco de transição então criado – que propôs, em 2015, aos emigrantes uma proposta comercial, que teve a aceitação de cerca 80% do total (cerca de seis mil clientes), que detinham em conjunto 500 milhões de euros. No entanto, houve milhares de clientes que não aceitaram a solução, por considerarem que não se adequava ao seu perfil e não era justa.

Em agosto de 2017, a AMELP acordou com o Novo Banco e com o Governo uma solução para os cerca de 1.000 clientes emigrantes que não aderiram à proposta comercial feita pelo Novo Banco em 2015 e que tinham aplicado as poupanças nos produtos financeiros Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7 recuperarem 75% do dinheiro ao longo dos próximos anos. Já os produtos EG Premium e Euro Aforro 10 ficaram de fora.

Ainda no início de outubro deste ano, a associação AMELP, que representa emigrantes lesados pelo BES, sinalizou não haver avanços com vista a uma solução para recuperar as poupanças dos emigrantes aplicadas nestes dois produtos.  O presidente desta associação, Luís Marques, sinalizou mesmo que a AMELP continua a acreditar no compromisso público de 2016, em que o Governo foi a Paris dizer aos emigrantes que iam recuperar as suas poupanças. Mas durante o mês de outubro acabaram por intensificar-se as reuniões entre as partes, levando à apresentação desta solução no início de novembro.

 

 

Novo Banco absorve banco nas Caimão para cortar custos

Quinta-feira, Outubro 24th, 2019

Citamos

Negócios

O banco vai incorporar o Bank Espírito Santo International, com sede nas Ilhas Caimão e que chegou a estar sob a alçada de Amílcar Morais Pires. Fusão deve estar concluída até final do ano.

Fusões atrás de fusões. O banco liderado por António Ramalho continua a avançar com o seu plano de redução de custos e simplificação da estrutura. Depois de incorporar o alemão BES Beteiligungs, o Novo Banco vai agora absorver o Bank Espírito Santo International Limited (BESIL), uma entidade criada pelo Banco Espírito Santo (BES) nas Ilhas Caimão e que chegou a estar sob a alçada de Amílcar Morais Pires.

As duas entidades querem avançar com esta fusão “mediante a transferência global do património do BESIL para o Novo Banco”, lê-se nos documentos publicados no portal da Justiça dando conta da operação entre o Novo Banco e o BESIL, que foi aprovada na reunião do conselho de administração do banco, a 30 de setembro, por unanimidade.

A instituição financeira explica ainda que esta “fusão das sociedades levará à simplificação organizacional e a corte nos custos, nomeadamente, através da redução do número de contas anuais a preparar e da eliminação de relações intragrupo”. E reforça: os “custos com auditoria e com a submissão de documentos junto do registo comercial e das autoridades serão reduzidos com a fusão”. Atualmente, o BESIL não tem trabalhadores ou imóveis. E há muito que tem vindo a reduzir a sua atividade. Agora vai ser absorvido pelo Novo Banco e desaparecer totalmente.

Segundo os anexos ao projeto de fusão por incorporação, o banco com sede nas Ilhas Caimão apresentava um ativo de cerca de 336 milhões e um passivo de 247 mil euros.

Fusão concluída até meados de dezembro
Além do objetivo de racionalização dos encargos, o Novo Banco adianta ainda que esta operação “será ainda realizada com o objetivo de cumprir com os compromissos assumidos pelo Estado português diante da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia em 2017”.

O objetivo é que esta incorporação fique concluída até ao final do ano. De acordo com a instituição financeira que resultou da falência do BES, no verão de 2014, “para efeitos contabilísticos, a transferência de bens e passivos da sociedade incorporada para a sociedade incorporante produzirá os seus efeitos no dia 16 de dezembro de 2019”.

A empresa, com sede nas Ilhas Caimão, foi uma das entidades sob a responsabilidade de Amílcar Morais Pires, então CFO (administrador financeiro) do BES e que se viu envolvido em vários dos processos contraordenacionais em torno do banco liderado por Ricardo Salgado. Isto além do BES Cayman e do BIC International Bank Limited (incorporado em 2016 para facilitar a venda do Novo Banco), mas também do BES Beteiligungs. Também esta última entidade, responsável sobretudo pela emissão de dívida do banco na Alemanha, foi entretanto alvo de uma fusão por incorporação, tal como o Negócios avançou.

Absorver bancos e encolher equipas
São tudo exemplos dos esforços do banco para libertar da sua estrutura ativos que deixaram de ser considerados estratégicos. Isto ao mesmo tempo que vai apostando na venda de carteiras de crédito malparado e imóveis. Tudo com um único objetivo: deixar para trás o legado que herdou do banco chefiado por Ricardo Salgado.

A redução de custos também tem passado pelo corte do número de trabalhadores em Portugal e lá fora. Esta terça-feira, o jornal espanhol El Confidencial avançou que o banco apresentou um plano que afetará 27% do quadro de funcionários em Espanha. Por cá, o número de colaboradores recuou 289 até junho, em comparação com o mesmo período do ano passado.