Arquivo para a categoria ‘Novo Banco’

Tribunal absolve Novo Banco de pagar 179 milhões ao Grupo Amorim

Segunda-feira, Setembro 17th, 2018

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Negócios

O Tribunal da Relação confirmou a sentença que iliba o Novo Banco de indemnizar o Grupo Amorim devido às perdas com papel comercial do Grupo Espírito Santo.

O Grupo Amorim perdeu em tribunal a acção que tinha interposto contra o Novo Banco, na qual reclamava 179 milhões de euros devido ao investimento em papel comercial do Grupo Espírito Santo em 2014.

De acordo com a edição do Correio da Manhã esta sexta-feira, na decisão de primeira instância o tribunal cível de Lisboa deu razão ao Novo Banco. E num acórdão de 19 de Junho de 2017, o Tribunal da Relação confirmou esta decisão que coloca em risco a possibilidade do Grupo Amorim recuperar o investimento efectuado em títulos de dívida do GES. Segundo o mesmo jornal, o grupo agora liderado por Paulo Amorim reclamou da decisão da Relação, alegando que esta foi tomada apenas por um juiz e por isso pediu um acórdão do colectivo de juízes.

Negócios noticiou no final de Agosto que o BES mau não constituiu nenhuma provisão para fazer face à reclamação feita por entidades do Grupo Amorim devido à subscrição de títulos de dívida do Grupo Espírito Santo.

A Topbreach e a Oil Investments, sociedades com sede em Amesterdão e que eram controlados pelo falecido empresário Américo Amorim, tinham 179 milhões de euros investidos em instrumentos de dívida da Espírito Santo Irmãos, sociedade que pertencia ao GES. Houve acções colocadas não só contra o BES, mas também o Novo Banco e o próprio Estado português.

 

Novo Banco: Mais dois anos de prejuízos à vista

Segunda-feira, Setembro 17th, 2018

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Expresso

A palavra de ordem no Novo Banco é limpar o balanço. Fundo de Resolução terá de meter mais dinheiro

Ninguém se atreve a dizer até quando o Novo Banco vai dar prejuízo. Tudo depende da conjuntura, da venda de carteiras de ativos indesejados, do malparado e ao mesmo tempo da geração de receitas do crescimento do negócio. Mas poucos serão os que se espantarão se o ex-BES, agora já nas mãos de um acionista maioritário privado com 75% do capital, continuar a dar prejuízos até 2020. O que irá agravar a já pesada fatura de perdas acumuladas pelo banco desde que foi intervencionado no verão de 2014. E, pior, parte das perdas serão suportadas pelo Fundo de Resolução, o que significa que terão impacto no défice orçamental ainda que sejam financiadas durante anos com contribuições do sector bancário. Segundo várias fontes da banca ouvidas pelo Expresso, os €3,89 mil milhões que o Fundo de Resolução deu como ‘garantia’ sobre uma carteira de ativos não surgiram por acaso e só muito excecionalmente não serão esgotados na sua totalidade, num ritmo máximo de €800 milhões anuais.

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Banqueiro irlandês será o próximo CFO do Novo Banco

Segunda-feira, Setembro 17th, 2018

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Negócios

Mark Bourke é um banqueiro com experiência. A sua última missão foi recuperar o irlandês AIB, que foi resgatado pelo Estado em 2010, e colocá-lo em bolsa em 2017.

Mark Bourke, actualmente CFO do irlandês Allied Irish Banks (AIB), está a caminho do Novo Banco, de acordo com uma notícia do “Irish Times”.

O jornal não especifica que cargo vai desempenhar Mark Bourke, afirmando apenas que se espera que o responsável assuma “um cargo sénior no banco português controlado pela Lone Star”. O Negócios sabe que Mark Bourke será mesmo o CFO da instituição portuguesa.

O Irish Times adianta que Mark Bourke deverá assumir funções no início do próximo ano.

Mark Bourke, que está no AIB desde 2014, tinha já anunciado, no início de Setembro, que iria sair do banco, depois de ter sido um dos principais responsáveis por recuperar a instituição  – que foi resgatada em 2010 – e colocá-la em bolsa. O AIB realizou uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) no ano passado. O Governo irlandês vendeu 28,8% do AIB por 3,4 mil milhões de euros. Este trabalho valeu a Mark Bourke a nomeação de CFO do ano pelo Irish Times, em Maio.

O Negócios contactou o Novo Banco, mas ainda não obteve resposta. A Lone Star não quis comentar as notícias.

Actualmente o cargo de CFO do Novo Banco é ocupado por Jorge Cardoso, que está com o pelouro financeiro desde o final de 2014, altura em que Eduardo Stock da Cunha assumiu a liderança do Novo Banco. Jorge Cardoso estará assim no final do seu mandato de quatro anos como administrador da instituição actualmente liderada por António Ramalho.

O Novo Banco, instituição que nasceu do colapso do BES em 2014, continua em processo de reestruturação. A última operação realizada foi na semana passada, quando, depois de um ano do início do processo, fechou a venda da GNB Vida por 190 milhões.

 

Novo Banco vende GNB Vida. Seguros rendem 190 milhões

Quinta-feira, Setembro 13th, 2018

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ECO

Um ano depois de ter iniciado o negócio de alienação do negócio de seguros, o Novo Banco fechou a operação de venda. Vai arrecadar 190 milhões.

O Novo Banco celebrou com a Bankers Insurance Holdings um contrato para a venda da totalidade do capital social da GNB – Companhia de Seguros de Vida por um montante de 190 milhões de euros.

De acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, ao valor acordado acrescerá um montante variável em função do desempenho da empresa, que não é revelado.

Recorde-se que o Novo Banco colocou oficialmente o negócio segurador à venda há pouco mais de um ano, no início de agosto de 2017. Só a Global Bankers Insurance (dona da Bankers Insurance Holdings) passou à fase final das negociações.

De acordo com o que tinha apurado o ECO à data, este grupo internacional especializado em aquisições de seguradoras chegou a fazer uma oferta no valor de 250 milhões de euros — aquém da avaliação da GNB Vida nas contas do banco. O valor final ficou-se pelos 190 milhões.

“Impacto neutro” nas contas

De acordo com o comunicado, a conclusão desta transação — que está dependente da verificação de diversas condições — deverá ter “um impacto neutro” nos resultados do banco que fechou o primeiro semestre com prejuízos de 231,2 milhões de euros. Apesar disso, terá um “impacto positivo no rácio de capital common equity tier 1″ do Novo Banco.

A venda do GNB Vida integra o processo de desinvestimento de ativos de ativos não estratégicos que tem sido levado a cabo pelo banco em causa, “prosseguindo a sua estratégia de foco no negócio bancário”.

Novo Banco põe à venda 1,75 mil milhões de euros em malparado

Quarta-feira, Setembro 12th, 2018

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Eco

O banco liderado por António Ramalho deu início ao processo de venda uma grande carteira de crédito em incumprimento. O valor total ascende a 1,75 mil milhões de euros.

Novo Banco está no mercado a vender malparado. A instituição liderada por António Ramalho deu início ao processo de venda de uma carteira de ativos em incumprimento avaliada em 1,75 mil milhões de euros, de acordo com fontes citadas pela Debtwire. Os interessados vão poder colocar ofertas em outubro.

A Debtwire refere que a carteira que será colocada à venda, a maior de sempre em comercialização no mercado nacional, consiste em duas tranches de títulos de empresas. A primeira totaliza um montante de 550 milhões de euros com empréstimos de 54 grandes empresas, enquanto a segunda tranche, de 1,2 mil milhões, refere-se a malparado de mais de 62 mil empresas.

O banco, que contactado não faz comentários, contratou a Alantra, a KPMG e o Morgan Stanley para comercializarem estes créditos em incumprimento. A instituição liderada por António Ramalho já estará, dizem fontes próximas do processo, a contactar potenciais investidores, aguardando que as propostas comecem a ser apresentadas em outubro.

O banco comprometeu-se com o Banco de Portugal em ir “limpando” o balanço, processo que passa não só pelo reconhecimento de perdas, que explicam os resultados negativos que tem registado, mas também pela venda desses créditos para tentar recuperar algum valor. Os últimos dados apontam para um rácio de cobertura do malparado de 63%.

Na primeira metade deste ano, o Novo Banco registou prejuízos de 231 milhões de euros. No final do ano passado, o resultado líquido foi negativo em 1.395 milhões, um valor que obrigou o Fundo de Resolução à injeção de cerca de 800 milhões no capital do banco, com o Estado a emprestar cerca de 400 milhões ao Fundo.

Recorde-se que o Novo Banco conta com uma espécie de almofada de capital do Estado, que se comprometeu a amparar os maus resultados da instituição aquando da alienação de 75% do capital ao fundo americano Lone Star. Assim, sempre que os rácios de capital do Novo Banco baixarem da fasquia de 12,5%, é ativado o Mecanismo de Capital Contingente, através do qual o Estado garante, sempre que necessário, empréstimos para o Fundo de Resolução se financiar.

Para 2018, ficou estipulado com o Governo que o empréstimo do Estado não pode exceder 850 milhões de euros. E prevê-se que o Fundo de Resolução venha a ser chamado novamente em 2019, mas com uma intervenção mais reduzida face a uma expectativa mais positiva em relação àquilo que serão os resultados do Novo Banco este ano.

Novo Banco inicia venda de imóveis por 700 milhões de euros

Quarta-feira, Setembro 12th, 2018

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Negócios

O Novo Banco arrancou com o processo de venda de um portefólio de 9.000 activos imobiliários. O banco convidou a Anchorage Capital Partners, o Bain Capital Credit e o Arrow Global a apresentarem ofertas até ao início de Outubro.

O Novo Banco deu início ao processo de venda de um portefólio de mais de 700 milhões de euros em imobiliário, avançou a Debtwire. A agência de notícias financeiras, que cita duas fontes próximas da operação, detalha tratar-se do Project Viriato, que agrega cerca de nove mil imóveis.

O banco convidou a Anchorage Capital Partners, o Bain Capital Credit e o Arrow Global Group, onde a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque é administradora não executiva, a apresentarem ofertas, numa operação assessorada pela Alantra.

A Debtwire refere que as ofertas vinculativas para estes activos imobiliários não estratégicos terão de ser apresentadas até ao início de Outubro. Em causa estão nove mil imóveis, a maioria dos quais situados em Lisboa e no Porto, dos quais cerca de metade são residenciais, um quarto são imóveis comerciais e os restantes 25% são terrenos. Contas feitas, o valor médio por cada um dos activos em imobiliário é de 77.778 euros.

Aquando da apresentação das contas semestrais, foi divulgado que os imóveis não estratégicos do Novo Banco valem, em termos líquidos (portanto, já após imparidades), 2.361 milhões de euros. Assim, a operação de alienação de imóveis agora em curso representa cerca de  30% do total de imóveis que a instituição presidida por António Ramalho pretende vender.

Ainda na apresentação dos resultados do primeiro semestre, o banco presidido por António Ramalho tinha adiantado que iria realizar duas operações de venda até ao final do ano, no âmbito da limpeza de carteira. Uma de crédito malparado, denominada Project Nata, e outra de imóveis, o Project Viriato.

Na semana passada a Debtwire avançou que o Novo Banco estava a arrancar com a venda de 1,75 mil milhões de euros em crédito malparado. Estes constituem aproximadamente 19,8% do total de malparado do banco. Segundo a agência, o banco conta com a assessoria da Alantra, da KPMG e do Morgan Stanley nessa operação. Este processo divide-se em duas parcelas: uma, no valor de 550 milhões de euros, relativa a grandes créditos, concentrados em 54 devedores;  e outra, no montante de 1,2 mil milhões de euros, relativa a 62.600 devedores.

O Novo Banco encerrou a primeira metade do ano com prejuízos de 231,2 milhões de euros, uma melhoria de 20,4% face aos 290,3 milhões de perdas  registados no primeiro semestre de 2017. Contudo, a instituição financeira colocou 199,2 milhões de euros de parte nos primeiros seis meses do ano para fazer face a imparidades, um valor que quase duplica o resultado operacional do Novo Banco no período, que se cifrou em 101,6 milhões.

“A reestruturação do banco ainda vai exigir tempo e dinheiro”, assumiu António Ramalho ao apresentar as contas semestrais.

Líder do Novo Banco admite que divulgação de devedores possa ocorrer em “algumas circunstâncias”

Sexta-feira, Agosto 31st, 2018

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Negócios

António Ramalho não tem uma resposta definitiva sobre a divulgação de grandes devedores, mas assume que a banca tem de reconquistar confiança. E um dos passos pode ser, em casos “muito excepcionais”, revelar o que causou os problemas no sector.

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, admite que há “algumas circunstâncias” em que a divulgação de grandes devedores pode justificar-se. Ainda assim, recusa ter uma posição definitiva em relação ao tema. “Essa é talvez a pergunta moralmente mais difícil de responder”, é o que começa por responder quando a pergunta lhe é feita numa entrevista ao Observador.

“O valor do sigilo profissional – que é uma coisa que percebe, porque também vive com ele – e que faz parte do que é o centro da minha ética bancária. Mas não deixo de reconhecer que temos de fazer uma séria reflexão sobre se esse valor não cede em casos muito excepcionais, e excepcionais, a um valor mais elevado: o reconhecimento perante a sociedade de debilidades que globalmente custaram caro”, respondeu o líder da instituição financeira, detida em 75% pela Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução.

Daí que António Ramalho, no cargo há dois anos, diga ao Observador que, “em algumas circunstâncias, o valor da transparência reputacional do sistema pode justificar que haja alguma clareza neste tipo de informação”.

Ramalho lidera o Novo Banco, instituição financeira criada em 2014 com a capitalização de 4,9 mil milhões de euros, 3,9 mil milhões dos quais de injecção de dinheiros públicos. Uma injecção que tem sido prejudicada por grandes créditos que foram concedidos. Por exemplo, em entrevista ao Negócios e à Antena 1, em Abril, Ramalho adiantou que o grosso dos problemas da instituição estava em “44 créditos fundamentais”, e que actualmente há um devedor com uma exposição superior a 500 milhões de euros. Não se sabe quem.

O presidente da instituição tem reiterado que a recuperação do banco é uma “maratona” e que ainda vai custar tempo e dinheiro. Neste momento, o banco está sob um mecanismo de capitalização contingente, que cobre uma carteira dos seus activos, e pelos quais o Fundo de Resolução (que tem sobrevivido devido a empréstimos estatais) assumiu a possibilidade de vir a injectar 3,89 mil milhões de euros – já colocou 792 milhões.

Ainda que dizendo que o seu coração balança neste tema, o banqueiro acredita que essa divulgação poderá ser uma forma de a banca se reconstruir. “O nosso negócio é um negócio de confiança e também tem de se reconstruir na confiança não só dos seus clientes, mas também da sociedade”, respondeu ao jornal digital. Contudo, recusou que se siga um caminho persecutório desses clientes.  

Apoios e oposições

Ramalho junta-se assim ao seu antigo colega no Santander, António Horta Osório, que defende que o princípio do sigilo bancário “colide” com o facto de o dinheiro público ter sido usado para salvar vários bancos. “Parece-me de elementar justiça que os portugueses saibam como é que esse dinheiro foi aplicado e acho muito bem que o Parlamento esteja a legislar no sentido de os bancos que tiveram ajudas públicas terem de ser obrigados a divulgar a lista dos maiores devedores””, disse, em Maio.

O Parlamento aprovou legislação, que tem de ser trabalhada na especialidade, para a exposição pública dos grandes devedores da banca, mais concretamente dos bancos que receberam ajudas estatais, ainda que o conceito não esteja estabelecido na totalidade. O Governo, por Ricardo Mourinho Félix, já se mostrou favorável a uma iniciativa transversal à banca.

Por sua vez, a Associação Portuguesa de Bancos veio mostrar-se contra esta intenção. “O segredo bancário é pedra angular entre banco e cliente”, declarou o seu presidente, Fernando Faria de Oliveira, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos. No banco público, Paulo Macedo também é contra a possibilidade de vir a ser obrigado a divulgar os maiores devedores, tendo em conta, aliás, a legislação actual. “Não há possibilidade de haver essa informação em termos públicos”, já afirmou.

Novo Banco teve prejuízos de 231 milhões no primeiro semestre

Domingo, Agosto 26th, 2018

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Negócios

O resultado líquido do Novo Banco melhorou até Junho, mas continuou a ser negativo. A emissão de dívida feita pelo banco prejudicou as contas, levando a um recuo do produto superior à queda dos custos operacionais.

Foram de 231 milhões de euros os prejuízos que o Novo Banco registou nos primeiros seis meses do ano. As imparidades continuam a pesar nas contas do banco. António Ramalho sublinha que ainda há reestruturação. E que custa tempo e dinheiro.

“A performance do banco no primeiro semestre está em linha com os planos de negócio já apresentados aos diversos ‘stakeholders’. A reestruturação do banco ainda vai exigir tempo e dinheiro”, avisa, citado, no comunicado enviado através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Apesar de negativo, os 231 milhões comparam favoravelmente com os prejuízos de 290 milhões registados no primeiro semestre de 2017.

A margem financeira do banco herdeiro do BES (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) deteriorou-se 4,1% para 202 milhões. Além disso, as comissões subiram 1,7% para 159 milhões.

Só que as operações financeiras geraram perdas de 6,3 milhões. Em causa está a emissão de 400 milhões de euros em dívida pelo banco, operação que foi feita, parcialmente, para trocar obrigações mais caras por outras com um custo financeiro total menos gravoso. “Estas ofertas de aquisição e de troca tiveram contudo um efeito negativo nos resultados do período no montante de -79 milhões de euros”, diz o comunicado.

Assim, o produto bancário acabou por se fixar em 345,8 milhões de euros, uma quebra de 20,8% em termos homólogos.

Já os custos operacionais, de um banco que fechou balcões e tinha 418 agências pelo país em Junho e espera chegar às 400 no final do ano, caíram 7,9% para 244,2 milhões. O banco empregava, no fim do semestre, 5.340 colaboradores, menos 148 do que em Dezembro.

O resultado operacional – a diferença entre o produto e os custos – caiu 40,7% para 101,7 milhões.

Imparidades descem mas ainda pesam

Para os resultados negativos do semestre contaram ainda as imparidades e provisões, ainda que tenham caído 22,7% – mas representam ainda 248,4 milhões de euros. A componente de crédito a clientes é a mais representativa (199,6 milhões).

Em termos de balanço, os depósitos somaram 15,2% em variação homóloga, totalizando 29.240 milhões em Junho, sobretudo devido à operação de gestão de passivo que foi feita no ano passado e que foi essencial para a venda de 75% do banco à Lone Star.

No campo dos créditos, a carteira bruta é de 30,7 milhões, menos 4,7% do que em Junho de 2017, sendo que se sentiu sobretudo no crédito a empresas (7,6%). Nos particulares, menos expressivos no balanço do banco, houve um aumento de 0,8%.

O rácio de capital CET1, o mais exigente na análise de fundos próprios, passou de 12,8%, em Dezembro, para 13,5%, em Junho, de acordo com números provisórios.

Estado deixou nas mãos do Lone Star património cultural de 50 milhões

Sexta-feira, Agosto 10th, 2018

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Público

O conjunto de moedas raras, pinturas e fotografias pode ser vendido, mas não pode sair do país. Estado perdeu oportunidade de manter na esfera pública o espólio que já está contabilizado no balanço do banco. Fundo de Resolução alerta para a falta de garantias sobre destino do acervo.

Depois de aplicar 3,9 mil milhões de euros no Novo Banco e de abrir a porta a injectar outro tanto, o Estado deixou para o fundo de investimento norte-americano Lone Star 50 milhões de euros em moedas raras, fotografias contemporâneas, pintura, mapas portulanos e livros quinhentistas. Um património cultural real e valioso que corresponde a 5% do que os texanos investiram na instituição liderada por António Ramalho e que, fora do perímetro público, fica à mercê da estratégia cultural de cada governo.

Mais valiosa do que a colecção de fotografia contemporânea, que foi o motor do marketing cultural do BES, e é agora do Novo Banco, o que se destaca no balanço do grupo dominado pelo fundo norte-americano é o acervo de numismática.

Da leitura dos números inscritos em balanço percebe-se qual é o peso de cada uma das colecções: as moedas raras estão registadas por 29 milhões de euros; a fotografia por 10 milhões; a pintura (94 obras) e mapas portulano (quatro) por 10 milhões; e a Biblioteca de Estudos Humanísticos (Biblioteca Pina Martins) por 900 mil euros. As parcelas somam 50 milhões de euros, ou seja, precisamente 5% dos mil milhões de euros que os norte-americanos injectaram no Novo Banco para controlarem 75% do capital.

A colecção de numismática, com exemplares anteriores à fundação do Reino de Portugal (1139) até à implantação da República (1910), inclui um total de 13 mil moedas e cédulas antigas. Há peças dos períodos hispano-romano, suevo, visigodo e árabe, e ainda da época medieval, dos descobrimentos e dos anos do ouro do Brasil.

Para além de peças dos reinados de D. Fernando, como a Dobra Pé Terra, e de D. Afonso V, com o escudo, um projecto pessoal do rei, no Novo Banco ficou uma moeda em ouro, com um diâmetro de 32 milímetros e peso de 14,32 gramas, cunhada por D. Pedro I, Rei do Brasil (1822-1831), para marcar a sua coroação.

E sobre o seu destino há episódios que se contam no Banco de Portugal (BdP). Antes de o BES colapsar, o então presidente Ricardo Salgado sugeriu ao supervisor a aquisição desta colecção que o banco ainda guarda em cofres expositores criados para o efeito e localizados na cave do edifício sede, em Lisboa. Contactos que o PÚBLICO confirmou junto de fonte do BdP.

Um quadro bancário envolvido no processo evoca que o BdP “não deu andamento depois de receber pareceres negativos”. Mas o que regista ainda hoje não é tanto o sentido da resposta, mas um dos argumentos: “O BdP disse que já tinha no seu acervo exemplares idênticos aos do BES, e isto ainda que os dedos de uma mão sejam mais do que suficientes para contar as peças conhecidas em todo o mundo.” O que o leva a ironizar: “Portanto, para o BdP era suficiente ter na sua posse um exemplar raríssimo, pois ter dois já era uma fartura.” O que ainda hoje lhe causa perplexidade é o que levou o Governo e o BdP, via Fundo de Resolução, a incluírem no pacote vendido ao Lone Star um acervo que estava no seu perímetro e que conta quase dois mil anos de História do território nacional.

Fotografia e arte

A colecção do Novo Banco com maior notoriedade pública é a de fotografia contemporânea, registada por 10 milhões de euros, e com quase mil peças de 300 artistas nacionais e internacionais. Em Janeiro, como o PÚBLICO noticiou, o seu destino mais provável parecia ser o renovado Convento de São Francisco, em Coimbra. Tanto o Ministério da Cultura como a autarquia confirmaram então que esse cenário estava a ser negociado, mas até hoje não houve quaisquer desenvolvimentos. 

O Novo Banco ficou ainda com 98 obras de arte, entre as quais quatro cartas náuticas portuguesas antigas e 94 pinturas que datam desde o século XVI até aos dias de hoje. A escola flamenga está bem representada, nomeadamente com uma pintura de Pieter Brueghel, o Jovem (filho), o Banquete na Aldeia, onde se pode ver uma ceia com muitos personagens e num canto, meio escondidas, duas figuras numa relação íntima.

A obra de Pieter Brueghel é a mais valiosa da colecção de pintura (valerá cerca de cinco milhões) e encontrava-se na sala particular de Ricardo Salgado, ao lado do seu gabinete, onde este recebia os seus convidados e clientes. E servia para o antigo banqueiro aliviar o “clima” mostrando a cena mais picante.

Outro exemplar da escola flamenga está assinado por Quentin Metsys: Financeiros (1620), como a designou o banco, embora também seja conhecida como Agiotas. No lote de artistas nacionais estão José Malhoa, Silva Porto, Josefa de Óbidos, Sousa Pinto, Helena Vieira da Silva, Árpád Szenes, Júlio Pomar, José Pedro Croft, João Hogan, Nikias Skapinakis, José Guimarães, Graça Morais, Jorge Pinheiro, Júlio Resende e Ângelo de Sousa. Cerca de uma vintena de obras foram emprestadas a museus nacionais [ver texto relacionado], estando em curso novos depósitos em instituições públicas.

Hoje, depois de o banco passar para os norte-americanos, e se António Costa quisesse reforçar o património cultural do Estado português com as várias colecções do Novo Banco, seria mais difícil, pois já há valorizações no balanço da instituição. Ainda há seis meses, a colecção de numismática estava avaliada em 25 milhões de euros, mas entretanto já subiu quatro milhões. Os 50 milhões contabilizados em bens culturais e artísticos ajudaram António Ramalho a valorizar o activo do banco e a melhorar o capital. Teria sido diferente se as autoridades tivessem excluído do negócio o património cultural, sobretudo quando durante as conversações com o Governo os texanos condicionaram a entrada na instituição ao apoio dos contribuintes até 3,9 milhões de euros (tendo já sido injectados 790 milhões).

O Fundo de Resolução, o vendedor do Novo Banco, liderado por Luís Máximo dos Santos, constata agora que se “estes activos fossem retirados do balanço do Novo Banco, teria que existir a devida compensação” e esta “situação não foi prevista nas negociações de venda ao Lone Star” rubricadas em Novembro de 2017. Contratos que incluem dois impedimentos: os acervos herdados do BES não podem ser vendidos para fora do território nacional sem que o Estado autorize; e não podem ser partidos, para não se desvalorizarem.

Protocolo com a Cultura

Nas conversações, Sérgio Monteiro foi a escolha do BdP. E declinou prestar declarações ao PÚBLICO sobre o dossiê. No entanto, instado a explicar as razões que o levaram a arrastar para o negócio os 50 milhões de euros de activos culturais, disse: “O Ministério da Cultura esteve envolvido na negociação desde o primeiro minuto e a preocupação foi garantir que as colecções não são vendidas para fora de Portugal, o que só pode acontecer se o Estado autorizar. Mas não há impedimento à venda se ficarem no país.” Admitiu ainda que “como qualquer contrato, este também pode ser mudado”.

O acordo inicial acabou por ser afinado já este ano, com a realização de um inventário das peças avulsas e a sua formalização em conjuntos. Neste quadro, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e António Ramalho, presidente do banco, estabeleceram que, “por forma a que este património permaneça em Portugal”, o Novo Banco assume o compromisso de “não o alienar, vender ou ceder” sem que o Estado dê autorização “prévia e por escrito”. E, na perspectiva do Governo, o interesse público fica salvaguardado.

Mas na prática pode não ficar. Isto porque os acordos que foram rubricados não estão blindados aos ciclos económicos e políticos. E um governo com outra sensibilidade pode ter outro entendimento. Ao PÚBLICO o Fundo de Resolução admite-o: “A política cultural do país é da competência exclusiva dos diferentes governos”, daí que embora “os acordos” prevejam “expressamente que as colecções de arte deverão sempre ser mantidas em Portugal”, há a possibilidade de “o Estado Português” poder tomar outra decisão.

Há até exemplos. Em 2012, o investidor Miguel Paes do Amaral era proprietário de um obra de 1486, assinada pelo mestre veneziano Carlo Crivelli e que constava da lista de bens de interesse patrimonial do Estado, não podendo sair de Portugal. A sua relevância justificou um empréstimo temporário ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Ora, Paes do Amaral queria vender a pintura em Paris e o Governo de Pedro Passos Coelho levantou as protecções legais e a obra Virgem com o Menino, que estava em Portugal desde o final do século XIX, acabou a viajar até Paris, onde foi arrematada por três milhões de euros. E nem estava em causa encaixe para o Estado.

E sobra sempre o caso BPN. É que o destino das pinturas que lhe pertenciam, ou por compra ou por dação em pagamento, e que estão agora na Parvalorem, continua por fechar. Passos Coelho deu orientações a Francisco Nogueira Leite, o ainda presidente do veículo público, para colocar em mercado 283 obras de arte que ali estavam parqueadas, com o argumento de que o Estado necessitava de encaixe financeiro.

Na altura, na oposição, o PS travou judicialmente a venda de 84 obras do pintor catalão Joan Miró, a agora designada colecção Miró (que em 2017 foi oficialmente integrada no Estado). Mas “esqueceu-se” das restantes 195 pinturas (com preço de balanço de 3,5 milhões), a maioria de artistas nacionais (Amadeo de Souza Cardoso, Vieira da Silva, Paula Rego, entre muitos outros), que a Parvalorem, tutelada por Mário Centeno, mantém com a indicação de venda.

Interpelado, o Novo Banco declinou fazer comentários. Mas o Fundo de Resolução deixou um recado: “Dentro do enquadramento dado pelos poderes enquanto accionista, o Fundo de Resolução acompanha de perto todos os assuntos relacionados com o Novo Banco, nomeadamente a questão do acervo cultural pertencente à instituição.”

António Ramalho: “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”

Domingo, Agosto 5th, 2018

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Eco

O Novo Banco nasceu no berço da complexa resolução aplicada ao histórico BES e já celebra quatro anos de vida. Ao ECO, António Ramalho assume que os próximos quatro anos serão de “reconstrução”.

uando nasceu foi uma espécie de “rei morto, rei posto”, como diz o ditado popular. A 3 de agosto de 2014, surgia o Novo Banco depois de o Banco de Portugal ter liquidado do Banco Espírito Santo (BES). Quatro anos depois, o ECO não resistiu a provocar António Ramalho, presidente da instituição: O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita? A resposta veio com outro ditado: “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Como é gerir um banco que nasceu num berço complicado, após a resolução de um banco histórico? “O maior desafio foi assegurar equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional”, confessa António Ramalho, que assumiu os destinos da instituição em agosto de 2016. Às perguntas colocadas por e-mail pelo ECO, o gestor olha para os próximos quatro anos como a fase da “reconstrução” após quatro anos marcados pela “resiliência”.

Que balanço faz destes quatro anos de existência do Novo Banco e, mais concretamente, dos últimos dois anos em que esteve à frente do banco?

Do ponto de vista profissional estes quatro anos representam um dos maiores desafios que um coletivo empresarial pode passar. Um esforço tremendo, uma noção clara de prioridades, um foco nas soluções. Mas do ponto de vista emocional estes anos representaram um ainda maior desafio de resistência, de relacionamento com os clientes, de crença no futuro, mesmo nos momentos mais exigentes.

Qual é a parte mais exigente e desafiante do trabalho de gerir um banco que nasceu de um contexto de uma resolução?

A parte mais interessante deste desafio foi assegurar o equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional existente. O mais difícil foi fixar as prioridades do sucesso nos escombros das dificuldades. Foi necessário que cada um acreditasse em si para que todos acreditassem no Novo Banco. Foi a altura de preferir quem faz a quem sabe.

“A parte mais interessante deste desafio foi assegurar o equilíbrio entre o envolvimento emocional necessário e a competência profissional existente.”

António Ramalho

Presidente do Novo Banco

“O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Concorda com o ditado popular?

Esse é um ditado sensato que não resiste porém ao princípio de que toda regra tem exceção. Mas o ditado que mais se aplica ao Novo Banco é “o que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Uma das questões mais sensíveis do Novo Banco será esta: é um banco privado com capitais parcialmente públicos. Como esta circunstância de ser um banco privado e público ao mesmo tempo muda/define aquilo que é a sua gestão à frente do banco?

O Novo Banco é um banco privado com dois acionistas e o apoio do Estado (state aid). Isto coloca-nos exigências adicionais em termos de compromissos e sacrifícios. Mas o interesse geral já domina boa parte da gestão de todo o sistema financeiro regulado.

António Ramalho sobre a recuperação do Novo Banco: “O mais difícil foi fixar as prioridades do sucesso nos escombros das dificuldades”.Paula Nunes / ECO

Desde o nascimento, o Novo Banco conheceu um novo dono: o Lone Star. Como é a relação com o acionista?

A relação com ambos os acionistas é ótima e dominada por três “Es”: exigente, envolvente e equilibrada.

O Novo Banco completa agora quatro anos. O que espera nos próximos quatro?

Os quatro primeiros anos foram dominados pela resiliência. Os próximos serão focados na reconstrução. Durante estes oito anos fomos e sempre seremos o banco das empresas e dos profissionais, centrados nos clientes e totalmente envolvidos com o desenvolvimento da economia portuguesa. Os nossos clientes mais que merecem.