Arquivo para a categoria ‘Obrigacionistas’

Grandes credores do Novo Banco preparam mais ações legais contra o Banco de Portugal

Quinta-feira, Janeiro 25th, 2018

Citamos

Eco

Os grandes investidores que foram lesados com a transmissão de obrigações para o BES mau em 2015 deixam um aviso à comunidade internacional: “A recuperação de Portugal não é bem o que parece”.

Os grandes credores internacionais que saíram lesados com a transferência de obrigações para o BES mau em 2015 vão avançar com mais ações legais contra o Banco de Portugal e alertaram os investidores internacionais para a recuperação de Portugal que “não é bem o que parece”.

Este grupo de grandes fundos internacionais, onde se incluem a Pimco e aBlackRock, trava uma disputa judicial com o Banco de Portugal depois de no final de 2015 terem sido transferidos cinco séries de obrigações no valor de 2,2 mil milhões de euros do Novo Banco para o BES mau. Mas mais ações em tribunal contra a instituição liderada por Carlos Costa estão por virsegundo uma nota publicada esta quarta-feira pelo The Novo Note Group.

O tom do documento publicado no site deste grupo é essencialmente outro: em várias passagens do texto é deixado o alerta para o facto de a retoma da economia portuguesa não ser bem o que parece e os investidores vão sofrer com isso no futuro. A expressão utilizada não podia ser mais clara: “Uma casa construída sobre fundações pobres é provável que volte a mostrar rachas, mesmo que elas tenham sido disfarçadas e a casa seja apresentada ao mercado como nova para venda”.

Uma casa construída sobre fundações pobres é provável que volte a mostrar rachas, mesmo que elas tenham sido disfarçadas e a casa seja apresentada ao mercado como nova para venda.

Novo Note Group

“O regresso de Portugal aos mercados foi anunciado como um sinal de recuperação (…). Mas os investidores devem manter-se em guarda porque as instituições do país continuam fracas e propensas a falhas de governance“, considera o grupo de investidores.

Os avisos não ficam por aqui: “A retransferência [das obrigações] conduziu a uma desconfiança em relação a Portugal da parte da comunidade de investidores internacionais — cuja ajuda Portugal necessita desesperadamente para o país ter uma recuperação sustentável, especialmente no seu setor bancário (…) O sistema bancário de Portugal continua delicado e, apesar das boas notícias na frente económica, está em necessidade extrema de ajuda para sobreviver”.

Lembrando esse episódio da transmissão de obrigações para o banco mau, Novo Note Group sublinha que dois anos não foram suficientes para o Banco de Portugal chegar a um entendimento com estes credores “a quem foram impostas perdas significativas em violação dos princípios legais fundamentais”.

E “o problema não vai desaparecer para Portugal”. Isto porque, continua, “as disputas legais que foram lançadas pelo Novo Note Group e outros investidores ainda decorrem e uma nova ação legal está pronta a ser lançada para responder às decisões ilegais tomadas pelo Banco de Portugal“.

Não é a primeira vez que estes grandes credores criticam a atuação de Carlos Costa. Por causa disto, no passado eles já fizeram boicote a Portugal em protesto contra a decisão do Banco de Portugal de passar obrigações para o BES mau e, mais recentemente, pediram a Mário Centeno para “corrigir” erros do passado que “os investidores não se esquecem”.

Fundos “lesados” do BES mandam carta a lembrar que há “compromisso” por cumprir pelo BdP

Quinta-feira, Dezembro 21st, 2017

Citamos

Negócios

Este mês, cumprem-se dois anos da decisão do Banco de Portugal que empurrou dívida do Novo Banco nas mãos de grandes fundos para o BES “mau”. Desde aí, tem havido luta judicial e mediática. Depois da missiva a Centeno, há agora uma nova carta para Carlos Costa.

As grandes gestoras de fundos de investimento globais que foram prejudicadas pela transferência de dívida do Novo Banco para o BES “mau” enviaram uma carta ao Banco de Portugal a relembrar um alegado “compromisso”: o de retomar o diálogo para chegar a um consenso. O que, dizem, ainda não aconteceu.

 

Na missiva, enviada esta segunda-feira 18 de Dezembro, o grupo composto pela BlackRock, Pimco, Attestor Capital e CQS, que se auto-intitula Novo Note Group, relembra o processo de recompra de dívida do Novo Banco (designado, na sigla inglesa, de LME), que serviu para capitalizar a instituição financeira e no qual alguns dos visados, como a Pimco, participaram.

 

“Embora tenhamos analisado o LME segundo as suas condições, o compromisso do Banco de Portugal em continuar as discussões permitiu-nos confiar no processo. Apesar do compromisso assumido pelo Banco de Portugal, e apesar da participação do grupo no LME, as discussões que visavam resolver as questões advindas da decisão do Banco de Portugal [de 29 de Dezembro de 2015] não foram retomadas e não há progresso para a sua resolução”, aponta a carta enviada às redacções.

A decisão de 29 de Dezembro de 2015, tomada portanto há praticamente dois anos, prendeu-se com a retransmissão de cinco séries de dívida sénior do Novo Banco, avaliadas em cerca de 2 mil milhões de euros, para o BES “mau”. Desde aí, os fundos lesados têm tentado reverter a decisão, inclusive recorrendo aos tribunais, e também tendo enviado uma mensagem a Mário Centeno, quando o ministro das Finanças foi eleito para o Eurogrupo.

Na carta, os visados pedem um novo encontro “com todas as autoridades competentes” para levar em frente “os compromissos assumidos”. O Ministério das Finanças, que assumiu ter tido reuniões com os investidores institucionais afectados, já afirmou que a solução para o problema está nas mãos do supervisor da banca.

Maiores custos para os bancos

Na carta enviada ao governador do Banco de Portugal, e onde se congratulam com o facto de o vice-governador Luís Máximo dos Santos estar a liderar o dossiê, os grandes fundos elencam aquelas que dizem ser as consequências da transferência de dívida determinada pela entidade presidida por Carlos Costa.

“A decisão continua a minar a credibilidade do sector financeiro português como destino do investimento externo. Na verdade, os bancos portugueses pagam juros significativamente mais elevados do que os seus pares”, assinala a missiva enviada por fundos que, antes das emissões de dívida protagonizadas este ano pela CGD e pelo BCP, enviaram notas a anunciar que não iriam participar naquelas operações.

Até haver uma solução, argumentam estes fundos, os bancos portugueses “vão continuar a enfrentar os custos desta decisão sem precedentes na forma de maiores custos de capital e de carência de investidores institucionais credíveis e de longo prazo na sua estrutura de capital”. À BlackRock, que assina a carta, é imputável uma participação accionista de 2,63% no BCP.

A falência de 2015

Domingo, Dezembro 10th, 2017

Citamos

Diário de Notícias Opinião João César das Neves

Portugal está no bom caminho. Depois da quase-falência de 2011, que teria destruído a reputação internacional, conseguiu recuperar o equilíbrio, graças ao apoio dos parceiros e violenta austeridade, lançando um crescimento de que colhe os primeiros frutos. Certo?

Errado. A nossa doença financeira, após quinze anos de endividamento galopante de 1992 a 2008, está longe da cura. O recente clima de alívio e crescimento, que tantos insistem em confundir com prosperidade, pouco passa de inércia, depois do violento aperto e, sobretudo, efeito de uma aberrante situação internacional. A enxurrada de liquidez, com que os bancos centrais evitaram o colapso em 2008, ainda continua. Na falta de verdadeiras reformas, nove anos após a emergência, o planeta mantém-se encharcado em dinheiro, com taxas de juro quase nulas. É isso que permite aos protagonistas da crise, como Portugal, evitar enfrentar a realidade da sua situação, maquilhando-a com ilusões. Mas o cancro está lá, e de vez em quando dá sinal de si. No passado dia 28 de Novembro mostrou que, afinal, é mesmo maligno.

O sinal passou quase despercebido. O BCP foi ao mercado internacional com uma pequena emissão de dívida de 300 milhões de euros, totalmente subscritos. Mais um sintoma da boa imagem do país. Mas seis fundos internacionais de investimento – Attestor Capital, CQS, River Birch Capital, York Capital e os gigantes BlackRock e Pimco – fizeram um comunicado conjunto, declarando boicotar a emissão. A razão invocada é assustadora: “Cada um de nós decidiu que os riscos associados a investir activamente em dívida portuguesa, pública ou privada, são proibitivos, dado o Banco de Portugal ainda não ter lidado com a retransferência de obrigações do Novo Banco para o Banco Espírito Santo em 2015.”

O comunicado foi largamente ignorado, não só porque destruiria a versão oficial do sucesso lusitano, mas por não ter tido efeitos práticos. A procura dos títulos do BCP foi três vezes superior à oferta e grande parte dela veio de investidores externos. Como se vê, está tudo bem. Mas esta ligeireza apenas confirma a ilusão que se vive por cá. Porque o sinal alertava para a pior das doenças financeiras, uma falência internacional. Aquilo que evitámos in extremis em 2011 graças aos milhões da troika, aconteceu quatro anos depois. Afinal pertencemos mesmo ao grupo das economias arruinadas, como Grécia e Argentina, enfrentando a difamação dos credores. Portugal faliu em 2015.

Será o comunicado espúrio, mera vingança mesquinha de capitalistas despeitados? Os acontecimentos falam por si. A nossa emergência de Abril de 2011, que despoletou o programa de ajustamento, esteve centrada nas contas do Estado, ignorando o facto evidente de que o nosso problema financeiro é ainda mais privado que público. Insolitamente, só após a saída da troikacomeçaram a rebentar os bancos. A 3 de Agosto de 2014 o Banco de Portugal resolveu o BES, liquidando totalmente os accionistas, vários deles estrangeiros e alguns entrados menos de dois meses antes, no aumento de capital de Junho. Mas não é este facto, apesar de dramático e até único nos anais da finança mundial, que agora é invocado. Tratou-se de uma medida indispensável, e quem perdeu foram accionistas, que sabem ter de suportar o risco.

Ano e meio depois, a 29 de Dezembro de 2015, dias antes de mudarem as regras pela União Bancária, o Banco de Portugal «completou a resolução», retransmitindo para o BES obrigações não subordinadas. Desta vez quem perdia eram, não donos, mas credores. Pior, a medida atingia apenas alguns deles, limitando-se a investidores institucionais. Havia assim uma aberta discriminação entre aplicações, prejudicando apenas fundos e organizações similares.

Trata-se, sem dúvida, de uma falência, e é claramente nacional. É verdade que estavam em causa não títulos públicos, mas obrigações de uma empresa privada. Só que esta pertencia a uma entidade criada pelas autoridades, o Fundo de Resolução, então financiado por empréstimo do Estado. E foi assumidamente para poupar os contribuintes que este repudiou as responsabilidades que assumira. Não há dúvida que se tratou de um acidente de crédito de magna dimensão.

Mas, afinal, qual é o mal? A verdade é que o comunicado não teve consequências reais. A emissão do BCP seguiu normalmente e tudo acabou bem. Assim, este repúdio da dívida do BES parece mesmo um almoço grátis. Essa é, de novo, a fantasia que nos anima. Claro que numa situação aberrante de excesso de liquidez, com muito dinheiro em busca de remuneração razoável, todas as aplicações têm sucesso e até Grécia e Argentina se conseguem financiar. Mas o estigma está lá e, quando as condições mudarem, o que já se vislumbra, as consequências serão inelutáveis.

A doce ilusão embala-nos mais algum tempo, mas os sintomas são assustadores. O governo não se preocupa, pois espera que, quando desmoronar, as culpas desta tola apatia já fiquem no sucessor.

 

 

Novo Banco condenado a pagar mais de 100 mil euros a cliente

Quarta-feira, Dezembro 6th, 2017

Citamos

Jornal de Notícias

O tribunal de Aveiro condenou o Novo Banco a pagar mais de 100 mil euros a um cliente a quem vendeu obrigações em dezembro de 2014, que acabariam por passar para o BES ‘mau’ em 2015 com perda do investimento.

A sentença, a que a Lusa teve acesso, é da passada sexta-feira (1 de dezembro) e condena o “réu [Novo Banco] a restituir ao autor [da ação] a quantia de 103.806,00Euro (cento e três mil oitocentos e seis euros), acrescida de juros civis vencidos e vincendos desde a respetiva liquidação (17/12/2014), até integral pagamento”.

O tribunal exige, assim, que “seja anulado o contrato” da venda de obrigações e que o Novo Banco restitua ao cliente queixoso o dinheiro envolvido na operação.

O caso remonta a dezembro de 2014, quando o cliente, um empresário de Aveiro, subscreveu 100 mil obrigações do Novo Banco por 101.600 euros (mais comissões bancárias e imposto de selo).

Novo Banco. Investidores com seguros sobre a dívida vão receber

Segunda-feira, Outubro 9th, 2017

Citamos

Dinheiro Vivo

A oferta de recompra de dívida do Novo Banco constituiu um evento de reestruturação de crédito, segundo o comité de decisões de crédito da ISDA.

A oferta de recompra de dívida do Novo Banco constitui um evento de reestruturação de crédito, pelo que os detentores de contratos de seguros vão ter direito a receber um valor ainda por apurar. A decisão foi tomada esta sexta-feira, por unanimidade, pelo comité de decisões de crédito da ISDA (International Swaps and Derivatives Association).

O comité formado por 15 membros do mercado financeiro, volta a reunir na próxima segunda-feira para determinar quais os ativos que podem ser incluídos num leilão para apurar o valor a pagar aos detentores de contratos de seguros de crédito contra o risco num título, ou CDS (Credit Default Swaps).

Em causa, está um valor nocional líquido de 300 milhões de dólares de CDS, segundo a Reuters. Os CDS são, em geral, produtos financeiros utilizados pelos investidores para se protegerem de incumprimentos ou riscos em títulos. O Novo Banco concluiu no dia 4 de outubro uma oferta de recompra de dívida que implicava perdas até à maturidade dos títulos.

O banco garantiu a recompra de 4,74 mil milhões de euros de obrigações. A operação era uma das condições para a compra do banco pela norte-americana Lone Star, que deverá ocorrer em breve. A decisão desta sexta-feira é favorável aos investidores em CDS ao contrário da tomada em relação à transferência, no final de 2015, de obrigações do Novo Banco para o banco ‘mau’ criado para ficar com os ativos tóxicos do ex-Banco Espírito Santo.

Da resolução à venda, 1.160 dias para acabar com o banco de transição

Segunda-feira, Outubro 9th, 2017

Citamos

Eco

Da tensão na noite da resolução, do anticlímax após o fracasso da primeira tentativa de venda ao “cheque” do Lone Star. Mais de 1.100 dias depois, o Novo Banco está quase vendido.

O Banco Espírito Santo (BES) caiu. Foi a 3 de agosto que Carlos Costa anunciou a resolução do banco de Ricardo Salgado, nascendo um banco “mau” e outro “bom”, o banco de transição. De domingo para segunda, o BES desapareceu, nasceu o Novo Banco, uma instituição financeira de marca branca que abriu portas aos clientes, mas que desde logo começou à procura de um comprador. O Lone Star é, agora, o dono, após um processo de 1.160 dias. Uma venda que mais pareceu uma “tragédia grega”.

Da tensão na noite da resolução, expressa na cara do governador do Banco de Portugal, do anticlímax após o fracasso da primeira tentativa de venda — mesmo depois de tantas manifestações de interesse –, passando pela segunda tentativa à perda abrupta de valor do Novo Banco que acabou por ser vendido por um valor “simbólico”, associado a uma garantia de milhares de milhões de euros que despertou a ira dos restantes bancos, até à apoteose final com o “cheque” a ser passado muito em breve pelos norte-americanos mais habituados ao sol de Vilamoura que ao centro financeiro da Avenida da Liberdade.

Adeus BES, olá banco de transição. Nasceu o Novo Banco

“O conselho de administração do Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao Banco Espírito Santo (BES) uma medida de resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo, denominado de Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos.” Estamos em agosto de 2014 quando, num domingo ao final da noite, é anunciada a intervenção pública no BES.Foi o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, que fez este anúncio, que marcou o início de um processo que só terminou agora, mais de três anos depois.

No BES, o chamado banco “mau”, ficaram os ativos problemáticos, que implicaram perdas brutais para os pequenos investidores, acionistas e detentores de dívida subordinada. No Novo Banco, o banco que nasce desta resolução, ficaram os outros ativos. A instituição financeira, que recebeu uma injeção de 4.900 milhões de euros, ficou nas mãos do Fundo de Resolução e na esfera do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças.

O conselho de administração do Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao Banco Espírito Santo (BES) uma medida de resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo, denominado de Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos.

Carlos Costa

Governador do Banco de Portugal

Mas os sinais de que este império estava prestes a desabar surgiram alguns meses antes. A 11 de junho, o BES faz um aumento de capital de 1.045 milhões de euros. Mas o prospeto da operação mostralgumas irregularidades nas contas da holding ES Investimento (ESI). Depois, em julho, a Espírito Santo Financial Group anuncia pela manhã a suspensão da negociação das ações,devido a “dificuldades materiais em curso”, especialmente do seu maior acionista, a ESI. É o início da derrocada. Quatro dias antes de Carlos Costa anunciar a resolução, o BES apresentava o maior prejuízo de sempre: 3.577,3 milhões de euros.

O descalabro nas contas do banco dita a saída de Ricardo Salgado da liderança após décadas na equipa da instituição financeira. E entra Vítor Bento como o novo presidente executivo do BES. Mas não dura muito tempo à frente da administração. O economista sai do Novo Banco em setembro para dar lugar a Eduardo Stock da Cunha, que acaba por sair em julho de 2016. É aqui que entra António Ramalho, vindo da Infraestruturas de Portugal, atual IP, assumindo a liderança até ao final do processo de venda ao Lone Star.

Primeira tentativa de vender o Novo Banco

Foi no final de 2014 que foi lançada a primeira tentativa de venda do Novo Banco. Segundo o Banco de Portugal, eram, ao todo, 17 interessados na compra do banco de transição. Mas não divulgou nomes. Só no final do processo é que se ficou a saber que restaram três. Eram estes os chineses Anbang e Fosun (que, entretanto, se tornou um dos maiores acionistas do BCP) e os norte-americanos da Apollo.

Seguiu-se um processo de análise das propostas, mas, segundo Carlos Costa, nenhuma das que foi apresentada era interessante, sem se perceber exatamente quais eram os critérios e porque não se “encaixavam” na estratégia do Banco de Portugal para o Novo Banco. A operação foi cancelada em setembro de 2015. “O conselho de administração do Banco de Portugal optou por interromper o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, iniciado em 2014, e concluir o procedimento em curso sem aceitar qualquer das três propostas vinculativas”, de acordo com o comunicado da entidade liderada por Carlos Costa.

O regulador e supervisor bancário disse então ao presidente executivo do Novo Banco, Stock da Cunha, para reestruturar a instituição com vista a uma venda futura. E deu indicações para que o até então secretário de Estado Sérgio Monteiro integrasse o Fundo de Resolução para liderar a venda do Novo Banco — foi o responsável por “montar” toda a operação, tendo passado na fase final do processo a consultor externo.

BdP decide transferir dívida para o BES

Mas a falha da venda não foi o único percalço desta “tragédia grega”. Em dezembro de 2015, o Banco de Portugal toma uma decisão polémica e que até hoje incomoda muitos investidores — essencialmente os grandes fundos internacionais. Aquando da resolução, todos os ativos tóxicos foram, supostamente, transferidos para o banco “mau”, deixando os restantes no Novo Banco. Mas, nesse mês, o regulador decidiu transferir cinco séries de obrigações no valor de 2,2 mil milhões de euros do Novo Banco para o BES, uma forma de reforçar os rácios do banco de transição.

Segundo apurou o ECO junto da Pimco, este processo que corre nos tribunais portugueses não conheceu qualquer desenvolvimento nos últimos meses. Os responsáveis do fundo alimentam a esperança de ver este dossiê resolvido em seu favor em tribunal e até estão pacientes com os timings do processo. “Temos um caso forte”, sublinhou uma fonte do fundo. Mas até lá vão manter o país sob embargo.

Novo Banco à venda – Parte II

“O conselho de administração do Banco de Portugal, conforme acordado entre as autoridades nacionais e a Comissão Europeia, decidiu retomar o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco.” Foi assim que, no início de 2016, obanco central português anunciou que tinha retomado a venda do Novo Banco. E, pouco tempo depois, Stock da Cunha e Sérgio Monteiro fizeram-se à estrada à procura de investidores interessados no Novo Banco. Tinha um prazo imposto pela Direção-Geral da Concorrência Europeia para concretizar esta operação de venda: agosto de 2017.

Desta vez também houve vários interessados. BCP, BPI, os fundos norte-americanos Apollo Management, em parceria com a Center Bridge, e a Lone Star entregaram propostas para a compra do banco liderado por António Ramalho, através da venda direta. Já os chineses estavam interessados na venda em mercado.

Mas foi já no início deste ano que esta “tragédia grega” atingiu o clímax: o BdP anunciou que ia negociar com o fundo norte-americano Lone Star. É aqui que começa um período longo de negociações que criou muitas polémicas. Porquê? O fundo Lone Star, tal como o consórcio Apollo/Centerbrige, exigia um aval público para se salvaguardar perante eventuais surpresas com o side bankE o Estado? Centeno disse que não dava. Mas o fundo norte-americano, o eleito pelo Banco de Portugal, disse estar disposto a negociar.

As negociações acabaram por chegar a bom porto e tiveram de se fazer cedências, sobretudo da parte do Executivo. Em julho, a Comissão Europeia deu luz verde à venda do Novo Banco ao fundo. Uma operação que vai custar inicialmente 750 milhões de euros ao Lone Star, que se compromete a injetar mais 250 milhões no prazo de três anos. O Fundo de Resolução vai manter uma participação de 25% no banco e, além disso, vai prestar uma garantia — aquela que o Governo não queria dar — no valor de 3,9 mil milhões de euros para acautelar o risco do chamado side bank.

Do processo do BCP contra a garantia à troca de dívida

O presidente do BCP, Nuno Amado, disse que a decisão de avançar com um processo contra a garantia na venda do Novo Banco foi “equilibrada”.Guo Guangchang

Esta diligência, segundo a instituição liderada por Nuno Amado, “não visa nem comporta a produção de quaisquer efeitos suspensivos da venda do Novo Banco e, consequentemente, dela não resulta legalmente nenhum impedimento à sua concretização nos prazos previstos, centrando-se exclusivamente naquela obrigação de capitalização”.

Este processo decorre ao mesmo tempo que os obrigacionistas seniores do Novo Banco foram chamados a decidem se aceitavam, ou não, a oferta de troca de dívida do Novo Banco. Uma operação que vai permitir que o banco que resultou da resolução do BES crie uma “almofada” de 500 milhões, uma condição essencial para que seja vendido ao Lone Star. Esta proposta levantou muitas dúvidas, sobretudo da parte daqueles grandes investidores que registaram perdas com a decisão do BdP de transferir obrigações em dezembro de 2015.

A Pimco, um dos investidores que se opunha às condições oferecidas, acabou por ceder depois de ter sido encontrada uma solução técnica válida para ambas as partes. Mas diz que vai manter o boicote a Portugal enquanto não vir o problema resolvido com o BdP. Ao ter aceitado as condições, a Pimco desbloqueou este processo e permitiu que o Novo Banco chegasse à poupança desejada.

A venda. Quem é o Lone Star?

Depois de uma resolução, uma primeira venda falhada e negociações difíceis, chegou-se à apoteose desta tragédia: com a poupança dos 500 milhões conseguida o Novo Banco vai ser vendido ao Lone Star. Mas ainda não se conhece o plano de negócios do fundo para o Novo Banco. Questionada pelo ECO se o plano será conhecido em breve, a Direção-Geral da Concorrência esclareceu que estão em “contacto construtivo com o Governo português sobre o plano final de reestruturação do Novo Banco, que precisa de garantir que o banco seja viável a longo prazo”.

E que estes contactos “seguem o acordo de princípio que a Comissária Vestager concluiu com o Governo português para permitir a venda do Novo Banco à Lone Star em conformidade com as regras da UE em matéria de auxílios estatais”.

Sem este plano que nos permite perceber o que fará o Lone Star com o Novo Banco, resta-nos olhar para o que o Lone Star tem feito noutros países e com outras instituições financeiras. Quem é, afinal, este fundo? O Lone Star já existe há mais de duas décadas. O fundo sediado em Dallas, no Texas, EUA, foi fundado por John Grayken em 1995, com atenções viradas para o setor imobiliário, mas também o setor financeiro. O fundo tem uma visão global, investindo desde os EUA e Canadá, onde detém a maior parte dos seus ativos, mas também na Europa e na Ásia.

O Lone Star começou a apostar em Portugal em 2015. Comprou os quatro centros comerciais Dolce Vita detidos pelo grupo espanhol Chamartín Imobiliária. Mas ainda antes desta aquisição, o Lone Star foi ao Algarve comprar o empreendimento Vilamourapor 200 milhões de euros — querendo agora vender este investimento. Para além destes setores, tem também participações no setor financeiro. O fundo comprou em 2008 uma posição de 90,8% no IKB Bank, um banco alemão que tinha sido resgatado pelo Estado. Agora quer vendê-lo.

Novo Banco garante 500 milhões na recompra de obrigações. Venda ao Lone Star quase fechada

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

Citamos

Eco

É oficial. O Novo Banco convenceu os credores com dívida a mais curto prazo, o que garantiu o sucesso da recompra de obrigações. Só falta o ‘ok’ final de Bruxelas para fechar venda ao Lone Star.

Era uma das principais condições para que se concretizasse a venda do Novo Banco ao Lone Star. A instituição liderada por António Ramalho cumpriu os objetivos na operação de recompra de obrigações seniores, ao recomprar mais de 4,7 mil milhões de euros em obrigações. Com esta operação de Liability Management Exercise (LME), o Novo Banco garante mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital, já tendo em conta o impacto dos depósitos que serviram de contrapartida à recompra. Agora, só faltam formalismos, nomeadamente com as autoridades em Bruxelas e Frankfurt, para fechar a venda ao fundo norte-americano.

A adesão por parte dos investidores com dívida com maturidades mais curtas foi massiva, “claramente acima dos 75%”, o que acabou por ter um peso decisivo no objetivo da instituição que procurava com esta operação recomprar dívida a desconto para arrecadar um reforço de mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital. Nas maturidades mais longas, a adesão foi menor, mas como são obrigações a mais longo prazo, e sobretudo de cupão zero, o impacto no capital era menor.

Com estes resultados, a equipa de António Ramalho, Sérgio Monteiro e o Banco de Portugal pode finalmente cantar vitória no processo de venda do Novo Banco cuja primeira tentativa de alienação remonta a janeiro de 2015. As últimas horas, já depois do apuramento dos resultados da recompra de obrigações, foram de negociações intensas com as autoridades para fechar as pontas que ainda estavam soltas, nomeadamente o plano de negócios. Os resultados da operação foram comunicados esta madrugada e depois o ‘closing’ da operação terá de ser feito nos próximos dez dias, mas há a intenção de encurtar estes prazos. O que falta? O ‘ok’ da DG Comp (a direção geral da concorrência europeia).

O sucesso da operação de recompra era uma das condições obrigatórias para que se concretizasse a venda do Novo Banco aos norte-americanos do Lone Star que vão ficar com 75% da instituição que resultou da resolução do antigo Banco Espírito Santo.

O Lone Star vai injetar 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação, e compromete-se a colocar mais 250 milhões num prazo de até três anos. O Fundo de Resolução permanecerá com 25% do capital do banco e ainda esta segunda-feira o Governo aprovou um acordo-quadro que permita assegurar “a capacidade de o Fundo de Resolução satisfazer os seus compromissos, que são eventuais, e contribuir, assim, para a conclusão do processo de alienação do Novo Banco”.

Isto porque o processo de venda prevê um mecanismo de capital contingente, em que o Estado garante aos norte-americanos a reposição dos rácios de capital até um montante de 3,9 mil milhões de euros. Esta reposição acontece sempre que o rácio de capital, pela via da alienação dos ativos do side bank abaixo do valor a que estão registados no balanço, cair abaixo de um determinado nível, previsivelmente de 12,5%.

Comunicado do Novo Banco à CMVM

O Novo Banco vai proceder à compra e reembolso antecipado de 4.743 milhões de euros de obrigações, representando 57% do valor nominal das obrigações objeto da oferta, pelo montante global de 1.988 milhões de euros nos termos da oferta de aquisição e de solicitação de consentimento concluído a 2 de outubro.

A transação vai permitir o cumprimento dos objetivos de aumento de capital próprio (Core Tier 1) e ganhos equivalentes, incluindo poupança de juros, num valor acima de 500 milhões de euros.

O sucesso obtido ficou a dever-se ao facto de a oferta ter permitido a compra e reembolso de obrigações representativas de 73% do valor contabilístico.

A data da liquidação está agendada para hoje 4 de outubro de 2017.

A concretização da venda do Novo Banco à Lone Star deverá ocorrer logo após a autorização formal da Comissão Europeia.

Recompra de dívida do Novo Banco já conta com 4600 milhões

Domingo, Outubro 1st, 2017

Citamos

Púbico

Valor representa 73% do objectivo.

A operação de recompra de dívida do Novo Banco, em curso até 2 de Outubro, já assegurou o reembolso antecipado de 4604 milhões de euros, 73,4% do objectivo definido para o seu sucesso, segundo a entidade.

Isto, na sequência das assembleias-gerais das 12 séries de obrigações que se realizaram nesta sexta-feira, em Londres, depois de não terem tido obtido suficiente quórum constitutivo na primeira convocatória realizada em 8 de Setembro.

As assembleias-gerais de hoje reuniram com um quórum mínimo de um terço das obrigações existentes para votar o reembolso antecipado nos termos propostos pelo Novo Banco, informou em comunicado a instituição liderada por António Ramalho.

Em sete das 12 assembleias-gerais, os obrigacionistas aprovaram a proposta por uma maioria mínima de 75%.

A operação – vital para concluir a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star – diz respeito a um total de 8300 milhões de euros em obrigações da instituição. O objectivo é chegar a 75% (cerca de 6200 milhões) deste valor e criar uma almofada de liquidez na ordem dos 500 milhões de euros. Com as decisões tomadas hoje nas assembleias-gerais, fica a faltar 20% (cerca de 1600) do total da dívida. O prazo termina na próxima segunda-feira.

Banco de Portugal pode ser chamado a pagar perdas dos obrigacionistas do BES

Domingo, Outubro 1st, 2017

Citamos

RTP com som

O Banco de Portugal pode ser chamado a pagar uma parte da fatura com as perdas dos obrigacionistas do BES.

Em causa estão os grandes investidores que perderam dois mil milhões de euros com a transferência de obrigações em dezembro de 2015, por decisão do banco central.

Quase dois anos depois, a RTP apurou que está a ser preparada uma solução que lhes permite recuperar metade do valor investido. E que esse dinheiro poderá sair do Fundo de Resolução e do próprio Banco de Portugal.

Credor alemão: “Novo Banco está a fazer all-in. É bom que tenha uma boa mão”

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

Citamos

Eco

Novo Banco reúne credores amanhã. Depois do “ok” da Pimco, agora tem um “não” do fundo alemão Xaia. “Responsáveis parecem muito convencidos” com sucesso da operação, diz diretor do fundo ao ECO.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer all-in. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão”.

O desabafo é de Jochen Felsenheimer, diretor do fundo alemão Xaia Investment, que já decidiu que não vai participar na Assembleia Geral de obrigacionistas do Novo Banco que se realiza esta sexta-feira. Este fundo detém cerca de 100 milhões de euros em dívida que o banco português não vai poder recomprar. Faltam quatro mil milhões de euros para atingir o objetivo. Caso não consiga, o destino da instituição pode passar pela resolução (bail-in) ou até mesmo liquidação.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou desconhecedores) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores”, frisou Felsenheimer.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer ‘all-in’. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

Ao manter as suas obrigações, o fundo Xaia junta-se a outros tantos investidores que rejeitaram a proposta do Novo Banco na primeira reunião, realizada no início deste mês.

O banco de transição pretende recomprar dívida que emitiu no passado e oferece em troca cash ou depósitos. Se a operação não cumprir o objetivo, a venda ao Lone Star não se concretiza e todos os credores podem ser chamados a assumir perdas num cenário de nova resolução (bail-in) do banco ou até de liquidação, como vem anunciado no prospeto do Novo Banco. Porém, caso a operação seja bem-sucedida, então estes credores que não participaram na oferta mantêm as condições financeiras iniciais e evitam perdas que estão implícitas na oferta lançada há dois meses pelo Novo Banco. É essa também a aposta da Ever Capital Investment, sediada em Madrid.

Com cerca de cinco milhões de euros em obrigações do Novo Banco, este credor espanhol havia dito à agência Bloomberg no final de julho que iria manter as obrigações no seu portefólio à espera de uma valorização destes títulos assim que a venda do Novo Banco esteja finalmente fechada. O ECO tentou falar com Eva Rodríguez Roselló, da Ever Capital, mas sem sucesso. Em agosto, a responsável espanhola disse ao ECO que o preço oferecido pelo Novo Banco “era baixo”.

Pequenos investidores resistem

Ainda que a Pimco tenha dado o seu aval no início desta semana, depois de desbloqueado o problema técnico que impedia alguns investidores de acederem à oferta de depósitos, abrindo caminho para esta operação encontre êxito, ainda não há certezas de que o Novo Banco vai cumprir o objetivo dos seis mil milhões de euros em recompras de obrigações.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou ignorantes) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

À data da última reunião faltava convencer investidores representando quase quatro mil milhões de euros, tendo ficado cumprido apenas 37% do objetivo que permitirá que o banco de transição reforce os seus capitais em 500 milhões de euros e seja finalmente vendido ao fundo norte-americano Lone Star. Esta transação foi anunciada no final de março, mas a sua concretização depende do sucesso da operação de troca de dívida.

A decisão da Pimco vem ajudar a cumprir uma parte importante do objetivo. Mas a operação ainda não está concluída e até dia 2 de outubro o Novo Banco vai continuar a receber ordens dos seus credores. Os fundos Xaia e Ever Capital não participam. E “muitos investidores individuais”, representando “centenas de milhões de euros” em dívida do Novo Banco ainda resistiam, relatava a revista Sábado esta terça-feira, colocando maior incerteza em relação ao futuro do banco.

O ECO contactou o Novo Banco que não quer fazer qualquer comentário. Será para manter o seu poker face?