Arquivo para a categoria ‘Obrigações’

Novo Banco condenado a pagar mais de 100 mil euros a cliente

Quarta-feira, Dezembro 6th, 2017

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Jornal de Notícias

O tribunal de Aveiro condenou o Novo Banco a pagar mais de 100 mil euros a um cliente a quem vendeu obrigações em dezembro de 2014, que acabariam por passar para o BES ‘mau’ em 2015 com perda do investimento.

A sentença, a que a Lusa teve acesso, é da passada sexta-feira (1 de dezembro) e condena o “réu [Novo Banco] a restituir ao autor [da ação] a quantia de 103.806,00Euro (cento e três mil oitocentos e seis euros), acrescida de juros civis vencidos e vincendos desde a respetiva liquidação (17/12/2014), até integral pagamento”.

O tribunal exige, assim, que “seja anulado o contrato” da venda de obrigações e que o Novo Banco restitua ao cliente queixoso o dinheiro envolvido na operação.

O caso remonta a dezembro de 2014, quando o cliente, um empresário de Aveiro, subscreveu 100 mil obrigações do Novo Banco por 101.600 euros (mais comissões bancárias e imposto de selo).

BES mau tem depósito a dar 5,5% ao ano no Novo Banco até 2022

Domingo, Novembro 19th, 2017

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Negócios

O BES mau conta com juros pagos num depósito do Novo Banco para aumentar a massa insolvente. A aplicação foi feita no âmbito da recompra de obrigações do NB. A credora Trinity contestou.

O Banco Espírito Santo tem um depósito que rende 5,5% ao ano no Novo Banco. O banco mau espera, com isso, mais do que compensar o valor que tinha investido em obrigações daquela instituição financeira, esperando aumentar o valor captado pela massa insolvente.

Na carteira do BES, cuja insolvência está a correr na 1.ª Secção do Comércio da Comarca de Lisboa, havia uma linha de obrigações do Novo Banco alvo da oferta de recompra de títulos de dívida, operação essencial para a venda à Lone Star. O valor nominal era de 27,7 milhões de euros, com o banco presidido por António Ramalho a propor-se pagar 76,75% do montante, isto é, 21,3 milhões de euros.

Nessa operação, a instituição financeira propunha-se a constituir depósitos em que, com os juros, tentava aproximar-se do valor nominal. Neste caso, a aplicação tem uma rentabilidade de 5,51% ao ano, até 2022. Ao final de cinco anos, o rendimento acumulado será de 30,76%, ou, em termos absolutos, 6,5 milhões de euros.

Ao todo, com a venda das obrigações e a constituição do depósito, a comissão liquidatária antecipa encaixar 27,8 milhões de euros dentro de cinco anos. Como ressalva nos documentos entregues no tribunal, a decisão permite a recuperação do total das obrigações e uma rentabilidade adicional face ao valor nominal.

A comissão liquidatária e a comissão de credores, no seu todo, foram favoráveis a esta venda, mas houve contestação. A comissão de credores integra o Novo Banco, o Fundo de Resolução, a Autoridade Tributária, uma representante de trabalhadores e a Trinity Investments. Esta última, representando credores como a Pimco e a BlackRock, estava contra. Queria que o BES mau vendesse as obrigações do Novo Banco a um banco de investimento internacional, Seaport Group Europe, que tinha feito uma proposta, pagando mais de 21,3 milhões de euros pelos títulos. O pedido foi indeferido em tribunal, permitindo ao BES vender ao Novo Banco durante o prazo em que estava a decorrer a oferta.

Novo Banco. Investidores com seguros sobre a dívida vão receber

Segunda-feira, Outubro 9th, 2017

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Dinheiro Vivo

A oferta de recompra de dívida do Novo Banco constituiu um evento de reestruturação de crédito, segundo o comité de decisões de crédito da ISDA.

A oferta de recompra de dívida do Novo Banco constitui um evento de reestruturação de crédito, pelo que os detentores de contratos de seguros vão ter direito a receber um valor ainda por apurar. A decisão foi tomada esta sexta-feira, por unanimidade, pelo comité de decisões de crédito da ISDA (International Swaps and Derivatives Association).

O comité formado por 15 membros do mercado financeiro, volta a reunir na próxima segunda-feira para determinar quais os ativos que podem ser incluídos num leilão para apurar o valor a pagar aos detentores de contratos de seguros de crédito contra o risco num título, ou CDS (Credit Default Swaps).

Em causa, está um valor nocional líquido de 300 milhões de dólares de CDS, segundo a Reuters. Os CDS são, em geral, produtos financeiros utilizados pelos investidores para se protegerem de incumprimentos ou riscos em títulos. O Novo Banco concluiu no dia 4 de outubro uma oferta de recompra de dívida que implicava perdas até à maturidade dos títulos.

O banco garantiu a recompra de 4,74 mil milhões de euros de obrigações. A operação era uma das condições para a compra do banco pela norte-americana Lone Star, que deverá ocorrer em breve. A decisão desta sexta-feira é favorável aos investidores em CDS ao contrário da tomada em relação à transferência, no final de 2015, de obrigações do Novo Banco para o banco ‘mau’ criado para ficar com os ativos tóxicos do ex-Banco Espírito Santo.

Novo Banco garante 500 milhões na recompra de obrigações. Venda ao Lone Star quase fechada

Quarta-feira, Outubro 4th, 2017

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Eco

É oficial. O Novo Banco convenceu os credores com dívida a mais curto prazo, o que garantiu o sucesso da recompra de obrigações. Só falta o ‘ok’ final de Bruxelas para fechar venda ao Lone Star.

Era uma das principais condições para que se concretizasse a venda do Novo Banco ao Lone Star. A instituição liderada por António Ramalho cumpriu os objetivos na operação de recompra de obrigações seniores, ao recomprar mais de 4,7 mil milhões de euros em obrigações. Com esta operação de Liability Management Exercise (LME), o Novo Banco garante mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital, já tendo em conta o impacto dos depósitos que serviram de contrapartida à recompra. Agora, só faltam formalismos, nomeadamente com as autoridades em Bruxelas e Frankfurt, para fechar a venda ao fundo norte-americano.

A adesão por parte dos investidores com dívida com maturidades mais curtas foi massiva, “claramente acima dos 75%”, o que acabou por ter um peso decisivo no objetivo da instituição que procurava com esta operação recomprar dívida a desconto para arrecadar um reforço de mais de 500 milhões de euros nos rácios de capital. Nas maturidades mais longas, a adesão foi menor, mas como são obrigações a mais longo prazo, e sobretudo de cupão zero, o impacto no capital era menor.

Com estes resultados, a equipa de António Ramalho, Sérgio Monteiro e o Banco de Portugal pode finalmente cantar vitória no processo de venda do Novo Banco cuja primeira tentativa de alienação remonta a janeiro de 2015. As últimas horas, já depois do apuramento dos resultados da recompra de obrigações, foram de negociações intensas com as autoridades para fechar as pontas que ainda estavam soltas, nomeadamente o plano de negócios. Os resultados da operação foram comunicados esta madrugada e depois o ‘closing’ da operação terá de ser feito nos próximos dez dias, mas há a intenção de encurtar estes prazos. O que falta? O ‘ok’ da DG Comp (a direção geral da concorrência europeia).

O sucesso da operação de recompra era uma das condições obrigatórias para que se concretizasse a venda do Novo Banco aos norte-americanos do Lone Star que vão ficar com 75% da instituição que resultou da resolução do antigo Banco Espírito Santo.

O Lone Star vai injetar 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação, e compromete-se a colocar mais 250 milhões num prazo de até três anos. O Fundo de Resolução permanecerá com 25% do capital do banco e ainda esta segunda-feira o Governo aprovou um acordo-quadro que permita assegurar “a capacidade de o Fundo de Resolução satisfazer os seus compromissos, que são eventuais, e contribuir, assim, para a conclusão do processo de alienação do Novo Banco”.

Isto porque o processo de venda prevê um mecanismo de capital contingente, em que o Estado garante aos norte-americanos a reposição dos rácios de capital até um montante de 3,9 mil milhões de euros. Esta reposição acontece sempre que o rácio de capital, pela via da alienação dos ativos do side bank abaixo do valor a que estão registados no balanço, cair abaixo de um determinado nível, previsivelmente de 12,5%.

Comunicado do Novo Banco à CMVM

O Novo Banco vai proceder à compra e reembolso antecipado de 4.743 milhões de euros de obrigações, representando 57% do valor nominal das obrigações objeto da oferta, pelo montante global de 1.988 milhões de euros nos termos da oferta de aquisição e de solicitação de consentimento concluído a 2 de outubro.

A transação vai permitir o cumprimento dos objetivos de aumento de capital próprio (Core Tier 1) e ganhos equivalentes, incluindo poupança de juros, num valor acima de 500 milhões de euros.

O sucesso obtido ficou a dever-se ao facto de a oferta ter permitido a compra e reembolso de obrigações representativas de 73% do valor contabilístico.

A data da liquidação está agendada para hoje 4 de outubro de 2017.

A concretização da venda do Novo Banco à Lone Star deverá ocorrer logo após a autorização formal da Comissão Europeia.

Recompra de dívida do Novo Banco já conta com 4600 milhões

Domingo, Outubro 1st, 2017

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Púbico

Valor representa 73% do objectivo.

A operação de recompra de dívida do Novo Banco, em curso até 2 de Outubro, já assegurou o reembolso antecipado de 4604 milhões de euros, 73,4% do objectivo definido para o seu sucesso, segundo a entidade.

Isto, na sequência das assembleias-gerais das 12 séries de obrigações que se realizaram nesta sexta-feira, em Londres, depois de não terem tido obtido suficiente quórum constitutivo na primeira convocatória realizada em 8 de Setembro.

As assembleias-gerais de hoje reuniram com um quórum mínimo de um terço das obrigações existentes para votar o reembolso antecipado nos termos propostos pelo Novo Banco, informou em comunicado a instituição liderada por António Ramalho.

Em sete das 12 assembleias-gerais, os obrigacionistas aprovaram a proposta por uma maioria mínima de 75%.

A operação – vital para concluir a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star – diz respeito a um total de 8300 milhões de euros em obrigações da instituição. O objectivo é chegar a 75% (cerca de 6200 milhões) deste valor e criar uma almofada de liquidez na ordem dos 500 milhões de euros. Com as decisões tomadas hoje nas assembleias-gerais, fica a faltar 20% (cerca de 1600) do total da dívida. O prazo termina na próxima segunda-feira.

Banco de Portugal pode ser chamado a pagar perdas dos obrigacionistas do BES

Domingo, Outubro 1st, 2017

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RTP com som

O Banco de Portugal pode ser chamado a pagar uma parte da fatura com as perdas dos obrigacionistas do BES.

Em causa estão os grandes investidores que perderam dois mil milhões de euros com a transferência de obrigações em dezembro de 2015, por decisão do banco central.

Quase dois anos depois, a RTP apurou que está a ser preparada uma solução que lhes permite recuperar metade do valor investido. E que esse dinheiro poderá sair do Fundo de Resolução e do próprio Banco de Portugal.

Credor alemão: “Novo Banco está a fazer all-in. É bom que tenha uma boa mão”

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

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Eco

Novo Banco reúne credores amanhã. Depois do “ok” da Pimco, agora tem um “não” do fundo alemão Xaia. “Responsáveis parecem muito convencidos” com sucesso da operação, diz diretor do fundo ao ECO.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer all-in. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão”.

O desabafo é de Jochen Felsenheimer, diretor do fundo alemão Xaia Investment, que já decidiu que não vai participar na Assembleia Geral de obrigacionistas do Novo Banco que se realiza esta sexta-feira. Este fundo detém cerca de 100 milhões de euros em dívida que o banco português não vai poder recomprar. Faltam quatro mil milhões de euros para atingir o objetivo. Caso não consiga, o destino da instituição pode passar pela resolução (bail-in) ou até mesmo liquidação.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou desconhecedores) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores”, frisou Felsenheimer.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer ‘all-in’. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

Ao manter as suas obrigações, o fundo Xaia junta-se a outros tantos investidores que rejeitaram a proposta do Novo Banco na primeira reunião, realizada no início deste mês.

O banco de transição pretende recomprar dívida que emitiu no passado e oferece em troca cash ou depósitos. Se a operação não cumprir o objetivo, a venda ao Lone Star não se concretiza e todos os credores podem ser chamados a assumir perdas num cenário de nova resolução (bail-in) do banco ou até de liquidação, como vem anunciado no prospeto do Novo Banco. Porém, caso a operação seja bem-sucedida, então estes credores que não participaram na oferta mantêm as condições financeiras iniciais e evitam perdas que estão implícitas na oferta lançada há dois meses pelo Novo Banco. É essa também a aposta da Ever Capital Investment, sediada em Madrid.

Com cerca de cinco milhões de euros em obrigações do Novo Banco, este credor espanhol havia dito à agência Bloomberg no final de julho que iria manter as obrigações no seu portefólio à espera de uma valorização destes títulos assim que a venda do Novo Banco esteja finalmente fechada. O ECO tentou falar com Eva Rodríguez Roselló, da Ever Capital, mas sem sucesso. Em agosto, a responsável espanhola disse ao ECO que o preço oferecido pelo Novo Banco “era baixo”.

Pequenos investidores resistem

Ainda que a Pimco tenha dado o seu aval no início desta semana, depois de desbloqueado o problema técnico que impedia alguns investidores de acederem à oferta de depósitos, abrindo caminho para esta operação encontre êxito, ainda não há certezas de que o Novo Banco vai cumprir o objetivo dos seis mil milhões de euros em recompras de obrigações.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou ignorantes) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

À data da última reunião faltava convencer investidores representando quase quatro mil milhões de euros, tendo ficado cumprido apenas 37% do objetivo que permitirá que o banco de transição reforce os seus capitais em 500 milhões de euros e seja finalmente vendido ao fundo norte-americano Lone Star. Esta transação foi anunciada no final de março, mas a sua concretização depende do sucesso da operação de troca de dívida.

A decisão da Pimco vem ajudar a cumprir uma parte importante do objetivo. Mas a operação ainda não está concluída e até dia 2 de outubro o Novo Banco vai continuar a receber ordens dos seus credores. Os fundos Xaia e Ever Capital não participam. E “muitos investidores individuais”, representando “centenas de milhões de euros” em dívida do Novo Banco ainda resistiam, relatava a revista Sábado esta terça-feira, colocando maior incerteza em relação ao futuro do banco.

O ECO contactou o Novo Banco que não quer fazer qualquer comentário. Será para manter o seu poker face?

Novo Banco: Compensação aos obrigacionistas pode custar 230 milhões de euros

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

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Eco

Em causa está o custo com os juros dos depósitos dos investidores que venderem as suas obrigações, que em grande parte tem de ser financiado pela oferta de compra de dívida.

Remunerar os depósitos que venham a ser constituídos pelos investidores que aceitarem a oferta de compra de dívida do Novo banco pode vir a custar 230 milhões de euros à instituição liderada por António Ramalhoavança o Jornal de Negócios nesta quinta-feira (acesso pago).

Este valor é uma estimativa do custo que o banco pode vir de ter a assumir com os juros dos depósitos que foram disponibilizados aos obrigacionistas que aceitem a oferta, e pressupõe cálculos efetuados pelo jornal. Essas contas partiram do pressuposto que a oferta de compra de dívida tem uma taxa de adesão de 75%, que é a condição mínima para o sucesso da operação, e que75% dos investidores que vendem os seus títulos aplicam esses recursos em depósitos a prazo. Esta lógica de cálculo foi aplicada a cada linha de obrigações, sendo então calculada a remuneração a pagar pelo Novo Banco tendo em conta as condições – prazo e taxa de juro – dos depósitos que a instituição oferece aos detentores de cada emissão de dívida, especifica o Negócios.

A oferta de depósitos a prazo com remunerações muito superiores à média do mercado, foi uma via seguida pelo Novo Banco para conseguir convencer os investidores a aceitarem a sua oferta de compra de dívida. As aplicações têm de se manter por um período entre três e cinco anos e pagam taxas de juro que variam entre 1% e 6,84%, consoante as linhas de obrigações.

Esse argumento foi usado, sobretudo, junto dos clientes de retalho, mas também há investidores institucionais interessados em aplicar o resultado da venda das suas obrigações em depósitos. A Pimco, é um desses casos. Tal como o ECO confirmou no início desta semana, aquele que é um dos principais credores do Novo Banco, vai vender as suas obrigações e aplicar esse dinheiro em depósitos a prazo.

Morgan Stanley cria veículo para desbloquear compra de dívida do Novo Banco

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

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Negócios

O Morgan Stanley terá sido o responsável pela solução que permitiu ao Novo Banco desbloquear a recompra de obrigações, convencendo a Pimco. O banco criou um veículo que dará liquidez aos depósitos que ficarão nas mãos dos investidores que aceitarem vender as obrigações.

O banco americano Morgan Stanley estará por detrás de um veículo especial que será determinante para a o processo de recompra das obrigações do Novo Banco, revelou fonte próxima do processo, citada pela Bloomberg.

 

Esta estratégia terá sido determinante para convencer investidores como a Pimco a participar neste processo. Ainda que não se saiba a percentagem exacta, é certo que a Pimco tem uma palavra determinante para viabilizar a operação. E, depois de ter recusado inicialmente as condições apresentadas pelo banco liderado por António Ramalho, já terá aceite.

 

O Morgan Stanley terá encontrado a solução para aquilo que era alvo de objecção por parte dos detentores de dívida, arranjando uma forma de transformar os depósitos a prazo, que serão constituídos para os investidores que aceitarem a oferta de compra das obrigações, em activos transaccionáveis.

 

A solução encontrada passa por transformar os depósitos em obrigações transaccionáveis por um veículo especial, chamado de Emerald Bay, segundo as mesmas fontes.

 

O Morgan Stanley terá apresentado a solução esta semana e deverá ficar com, pelo menos, 50 pontos base de cada negociação. As assembleias-gerais que não reuniram ou que não juntaram o quórum necessário na primeira chamada estão agendadas para esta sexta-feira, 29 de Setembro.

 

Para convencer os obrigacionistas a aceitarem a oferta de compra de dívida, o Novo Banco concebeu uma proposta comercial que permite aos investidores recuperarem a quase totalidade do capital aplicado nas obrigações através de depósitos a prazo. As aplicações têm de se manter por um período entre três e cinco anos e pagam taxas de juro que variam entre 1% e 6,84%, consoante as linhas de obrigações. A oferta de compra de dívida do Novo Banco tem de gerar uma folga de solidez superior a 500 milhões para absorver os custos dos depósitos que estão a ser propostos aos obrigacionistas.

 

O êxito da operação exige que a instituição liderada por António Ramalho consiga adquirir 75% do total da dívida e, pelo menos, 1.000 milhões das emissões realizadas a partir da sucursal de Londres. Está ainda previsto que, após o fecho bem-sucedido da oferta, a venda do banco aconteça até 20 de Outubro. Só com a recompra de obrigações avança a alienação à Lone Star.

Contagem  decrescente na venda do Novo Banco

O fim da oferta de compra de dívida está à vista, pelo que a venda do Novo Banco entra em contagem decrescente. Saiba o que falta.

Detentores de 12 linhas votam venda compulsiva de dívida
Esta sexta-feira, os investidores com títulos de 12 emissões votam a proposta de venda compulsiva das obrigações. As assembleias gerais têm lugar em Londres e seguem-se às reuniões realizadas a 8 de Setembro, em que nove linhas aprovaram o carácter compulsivo da oferta de aquisição e 15 emissões chumbaram esta proposta.

Ordens de venda podem ser dadas até 2 de Outubro
Os investidores que têm obrigações do Novo Banco podem dar ordens de venda dos títulos até 2 de Outubro. Mesmo os detentores de obrigações das 15 emissões que chumbaram a venda compulsiva podem alienar os seus títulos. Já os investidores das nove linhas que aceitaram a venda compulsiva não necessitam de fazer nada: a decisão da assembleia-geral torna a alienação obrigatória.

Liquidação da oferta acontece dia 4
Depois de conhecidos os resultados da oferta, a liquidação financeira da operação acontece a 4 de Outubro. Para que a operação tenha sucesso, o Novo Banco tem de conseguir comprar 75% das obrigações e gerar uma folga de solidez de 500 milhões de euros.

Venda do banco tem de ocorrer até dia 20
Está previsto que a venda do Novo Banco seja concretizada no prazo de dez dias úteis após a liquidação da oferta de compra de dívida. Assim, o negócio tem de ser concluído até 20 de Novembro. Mas para que isso aconteça é necessário que o BCE autorize a operação de venda à Lone Star.

Novo Banco oferece cash para comprar três mil milhões de dívida

Domingo, Setembro 10th, 2017

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Eco

Novo Banco oferece cash para comprar três mil milhões de dívida

É o passo que faltava para completar a venda do Novo Banco. A instituição vai avançar com uma oferta em dinheiro para comprar obrigações seniores. Quer poupar 500 milhões de euros.

O Novo Banco já apresentou aos obrigacionistas seniores a proposta de troca de dívida para que o banco possa conseguir uma almofada adicional de capital, de 500 milhões de euros.

Ao contrário do que chegou a ser aventado, não haverá uma troca de obrigações por outras (de menor valor, ou menor cupão), mas sim por dinheiro. Ou seja, os obrigacionistas vão receber cash em troca da dívida detida, sendo que as obrigações serão avaliadas ao preço a que estão no mercado.

“A oferta prevê a compra de todas as obrigações referentes a 36 emissões do Novo Banco, é uma oferta com contrapartida em cash, proporcionará aos seus detentores um preço alinhado com o mercado e é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado (consent solicitation)“, diz o banco em comunicado.

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Esta ‘consent solicitation’ deverá implicar a convocação de uma assembleia geral de obrigacionista em que é necessária a aprovação de 75% dos obrigacionistas. Neste cenário, a oferta será válida para 100% dos credores. Se houver um nível de aceitação inferior aos 75%, a oferta não será geral, mas o banco terá de fazer contas para aferir se consegue amealhar a poupança pretendida de 500 milhões de euros.

Qual é o preço de recompra?

“A opção pela solução em ‘cash’ torna mais simples e percetível a contrapartida e mais ajustada aos investidores institucionais e de retalho”, afirma o banco liderado por António Ramalho, acrescentando que “para os clientes do banco que optem pela venda ou que sejam reembolsados serão disponibilizados depósitos a prazo com condições específicas”.

O Novo Banco diz que a operação “segue os preços de mercado, ligeiramente acima do valor médio verificado no ultimo ano”. Ou seja, quem comprou e ainda detém obrigações ao par poderá perder dinheiro, perda que poderá ser menor para os que adquiriram os títulos em mercado já que estavam a negociar na generalidade com desconto.

A oferta arranca esta terça-feira e termina a 2 de outubro de 2017, com liquidação prevista a 4 de outubro de 2017.

Num comunicado publicado no site da CMVM, o banco elenca as 36 series de obrigações e a respetiva contrapartida ou valor de reembolso antecipado. Clique aqui para consultar o preço que será oferecido por cada uma das séries.

E a condição de sucesso da oferta?

Para assegurar o sucesso da operação, o Novo Banco revela que “deverá obter a participação de obrigacionistas que permitirá o reforço dos capitais próprios em, pelo menos, 500 milhões de euros, quer por poupança de juros quer por ganhos de capital”.

Esta é umas das condições que têm de ser preenchidas para que o Lone Star possa concretizar a compra da instituição bancária. Os norte-americanos acordaram a compra de 75% do capital do Novo Banco e comprometeram-se a injetar mil milhões de euros para reforçar os capitais. Capital que será reforçado em mais 500 milhões de euros caso os obrigacionistas do Novo Banco aceitem a proposta agora posta em cima da mesa.

Isso mesmo confirma o banco em comunicado à CMVM: “Esta operação é uma das condições precedentes para a concretização da venda à Lone Star que, nos termos do acordo de compra e venda, irá realizar injeções de capital no Novo Banco no montante total de 1.000 milhões de euros (incluindo 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação e 250 milhões de euros no prazo de até três anos) e adquirir 75% do capital social do, mantendo o Fundo de Resolução 25% do capital”

A operação abrange 36 séries de obrigações, com maturidades entre 2019 e 2052, “no valor nominal global de 8,3 mil milhões de euros, correspondente a cerca de 3 mil milhões de euros de passivo contabilístico”.

O banco recorda ainda que “em 2016, enquanto a dívida do grupo relativa a obrigações seniores representava menos de 10% do total do passivo do Novo Banco, a mesma representava cerca de 40% dos juros e custos do passivo financeiro”.