Arquivo para a categoria ‘Obrigações’

Recompra de dívida do Novo Banco já conta com 4600 milhões

Domingo, Outubro 1st, 2017

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Púbico

Valor representa 73% do objectivo.

A operação de recompra de dívida do Novo Banco, em curso até 2 de Outubro, já assegurou o reembolso antecipado de 4604 milhões de euros, 73,4% do objectivo definido para o seu sucesso, segundo a entidade.

Isto, na sequência das assembleias-gerais das 12 séries de obrigações que se realizaram nesta sexta-feira, em Londres, depois de não terem tido obtido suficiente quórum constitutivo na primeira convocatória realizada em 8 de Setembro.

As assembleias-gerais de hoje reuniram com um quórum mínimo de um terço das obrigações existentes para votar o reembolso antecipado nos termos propostos pelo Novo Banco, informou em comunicado a instituição liderada por António Ramalho.

Em sete das 12 assembleias-gerais, os obrigacionistas aprovaram a proposta por uma maioria mínima de 75%.

A operação – vital para concluir a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star – diz respeito a um total de 8300 milhões de euros em obrigações da instituição. O objectivo é chegar a 75% (cerca de 6200 milhões) deste valor e criar uma almofada de liquidez na ordem dos 500 milhões de euros. Com as decisões tomadas hoje nas assembleias-gerais, fica a faltar 20% (cerca de 1600) do total da dívida. O prazo termina na próxima segunda-feira.

Banco de Portugal pode ser chamado a pagar perdas dos obrigacionistas do BES

Domingo, Outubro 1st, 2017

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RTP com som

O Banco de Portugal pode ser chamado a pagar uma parte da fatura com as perdas dos obrigacionistas do BES.

Em causa estão os grandes investidores que perderam dois mil milhões de euros com a transferência de obrigações em dezembro de 2015, por decisão do banco central.

Quase dois anos depois, a RTP apurou que está a ser preparada uma solução que lhes permite recuperar metade do valor investido. E que esse dinheiro poderá sair do Fundo de Resolução e do próprio Banco de Portugal.

Credor alemão: “Novo Banco está a fazer all-in. É bom que tenha uma boa mão”

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

Citamos

Eco

Novo Banco reúne credores amanhã. Depois do “ok” da Pimco, agora tem um “não” do fundo alemão Xaia. “Responsáveis parecem muito convencidos” com sucesso da operação, diz diretor do fundo ao ECO.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer all-in. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão”.

O desabafo é de Jochen Felsenheimer, diretor do fundo alemão Xaia Investment, que já decidiu que não vai participar na Assembleia Geral de obrigacionistas do Novo Banco que se realiza esta sexta-feira. Este fundo detém cerca de 100 milhões de euros em dívida que o banco português não vai poder recomprar. Faltam quatro mil milhões de euros para atingir o objetivo. Caso não consiga, o destino da instituição pode passar pela resolução (bail-in) ou até mesmo liquidação.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou desconhecedores) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores”, frisou Felsenheimer.

“É como se o Novo Banco estivesse a jogar póquer e a fazer ‘all-in’. Se tu fazes isso, tens de estar muito seguro em relação à tua mão.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

Ao manter as suas obrigações, o fundo Xaia junta-se a outros tantos investidores que rejeitaram a proposta do Novo Banco na primeira reunião, realizada no início deste mês.

O banco de transição pretende recomprar dívida que emitiu no passado e oferece em troca cash ou depósitos. Se a operação não cumprir o objetivo, a venda ao Lone Star não se concretiza e todos os credores podem ser chamados a assumir perdas num cenário de nova resolução (bail-in) do banco ou até de liquidação, como vem anunciado no prospeto do Novo Banco. Porém, caso a operação seja bem-sucedida, então estes credores que não participaram na oferta mantêm as condições financeiras iniciais e evitam perdas que estão implícitas na oferta lançada há dois meses pelo Novo Banco. É essa também a aposta da Ever Capital Investment, sediada em Madrid.

Com cerca de cinco milhões de euros em obrigações do Novo Banco, este credor espanhol havia dito à agência Bloomberg no final de julho que iria manter as obrigações no seu portefólio à espera de uma valorização destes títulos assim que a venda do Novo Banco esteja finalmente fechada. O ECO tentou falar com Eva Rodríguez Roselló, da Ever Capital, mas sem sucesso. Em agosto, a responsável espanhola disse ao ECO que o preço oferecido pelo Novo Banco “era baixo”.

Pequenos investidores resistem

Ainda que a Pimco tenha dado o seu aval no início desta semana, depois de desbloqueado o problema técnico que impedia alguns investidores de acederem à oferta de depósitos, abrindo caminho para esta operação encontre êxito, ainda não há certezas de que o Novo Banco vai cumprir o objetivo dos seis mil milhões de euros em recompras de obrigações.

“Na verdade, estou um pouco perdido neste caso. Os responsáveis do Novo Banco parecem muito convencidos (ou ignorantes) em relação ao resultado destes encontros. Como eu atuo como fiduciário do dinheiro dos meus clientes, eu não posso recomendar investimentos em bancos ou países que se comportam assim com os seus investidores.”

Jochen Felsenheimer

Diretor do fundo Xaia Investment

À data da última reunião faltava convencer investidores representando quase quatro mil milhões de euros, tendo ficado cumprido apenas 37% do objetivo que permitirá que o banco de transição reforce os seus capitais em 500 milhões de euros e seja finalmente vendido ao fundo norte-americano Lone Star. Esta transação foi anunciada no final de março, mas a sua concretização depende do sucesso da operação de troca de dívida.

A decisão da Pimco vem ajudar a cumprir uma parte importante do objetivo. Mas a operação ainda não está concluída e até dia 2 de outubro o Novo Banco vai continuar a receber ordens dos seus credores. Os fundos Xaia e Ever Capital não participam. E “muitos investidores individuais”, representando “centenas de milhões de euros” em dívida do Novo Banco ainda resistiam, relatava a revista Sábado esta terça-feira, colocando maior incerteza em relação ao futuro do banco.

O ECO contactou o Novo Banco que não quer fazer qualquer comentário. Será para manter o seu poker face?

Novo Banco: Compensação aos obrigacionistas pode custar 230 milhões de euros

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

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Eco

Em causa está o custo com os juros dos depósitos dos investidores que venderem as suas obrigações, que em grande parte tem de ser financiado pela oferta de compra de dívida.

Remunerar os depósitos que venham a ser constituídos pelos investidores que aceitarem a oferta de compra de dívida do Novo banco pode vir a custar 230 milhões de euros à instituição liderada por António Ramalhoavança o Jornal de Negócios nesta quinta-feira (acesso pago).

Este valor é uma estimativa do custo que o banco pode vir de ter a assumir com os juros dos depósitos que foram disponibilizados aos obrigacionistas que aceitem a oferta, e pressupõe cálculos efetuados pelo jornal. Essas contas partiram do pressuposto que a oferta de compra de dívida tem uma taxa de adesão de 75%, que é a condição mínima para o sucesso da operação, e que75% dos investidores que vendem os seus títulos aplicam esses recursos em depósitos a prazo. Esta lógica de cálculo foi aplicada a cada linha de obrigações, sendo então calculada a remuneração a pagar pelo Novo Banco tendo em conta as condições – prazo e taxa de juro – dos depósitos que a instituição oferece aos detentores de cada emissão de dívida, especifica o Negócios.

A oferta de depósitos a prazo com remunerações muito superiores à média do mercado, foi uma via seguida pelo Novo Banco para conseguir convencer os investidores a aceitarem a sua oferta de compra de dívida. As aplicações têm de se manter por um período entre três e cinco anos e pagam taxas de juro que variam entre 1% e 6,84%, consoante as linhas de obrigações.

Esse argumento foi usado, sobretudo, junto dos clientes de retalho, mas também há investidores institucionais interessados em aplicar o resultado da venda das suas obrigações em depósitos. A Pimco, é um desses casos. Tal como o ECO confirmou no início desta semana, aquele que é um dos principais credores do Novo Banco, vai vender as suas obrigações e aplicar esse dinheiro em depósitos a prazo.

Morgan Stanley cria veículo para desbloquear compra de dívida do Novo Banco

Sexta-feira, Setembro 29th, 2017

Citamos

Negócios

O Morgan Stanley terá sido o responsável pela solução que permitiu ao Novo Banco desbloquear a recompra de obrigações, convencendo a Pimco. O banco criou um veículo que dará liquidez aos depósitos que ficarão nas mãos dos investidores que aceitarem vender as obrigações.

O banco americano Morgan Stanley estará por detrás de um veículo especial que será determinante para a o processo de recompra das obrigações do Novo Banco, revelou fonte próxima do processo, citada pela Bloomberg.

 

Esta estratégia terá sido determinante para convencer investidores como a Pimco a participar neste processo. Ainda que não se saiba a percentagem exacta, é certo que a Pimco tem uma palavra determinante para viabilizar a operação. E, depois de ter recusado inicialmente as condições apresentadas pelo banco liderado por António Ramalho, já terá aceite.

 

O Morgan Stanley terá encontrado a solução para aquilo que era alvo de objecção por parte dos detentores de dívida, arranjando uma forma de transformar os depósitos a prazo, que serão constituídos para os investidores que aceitarem a oferta de compra das obrigações, em activos transaccionáveis.

 

A solução encontrada passa por transformar os depósitos em obrigações transaccionáveis por um veículo especial, chamado de Emerald Bay, segundo as mesmas fontes.

 

O Morgan Stanley terá apresentado a solução esta semana e deverá ficar com, pelo menos, 50 pontos base de cada negociação. As assembleias-gerais que não reuniram ou que não juntaram o quórum necessário na primeira chamada estão agendadas para esta sexta-feira, 29 de Setembro.

 

Para convencer os obrigacionistas a aceitarem a oferta de compra de dívida, o Novo Banco concebeu uma proposta comercial que permite aos investidores recuperarem a quase totalidade do capital aplicado nas obrigações através de depósitos a prazo. As aplicações têm de se manter por um período entre três e cinco anos e pagam taxas de juro que variam entre 1% e 6,84%, consoante as linhas de obrigações. A oferta de compra de dívida do Novo Banco tem de gerar uma folga de solidez superior a 500 milhões para absorver os custos dos depósitos que estão a ser propostos aos obrigacionistas.

 

O êxito da operação exige que a instituição liderada por António Ramalho consiga adquirir 75% do total da dívida e, pelo menos, 1.000 milhões das emissões realizadas a partir da sucursal de Londres. Está ainda previsto que, após o fecho bem-sucedido da oferta, a venda do banco aconteça até 20 de Outubro. Só com a recompra de obrigações avança a alienação à Lone Star.

Contagem  decrescente na venda do Novo Banco

O fim da oferta de compra de dívida está à vista, pelo que a venda do Novo Banco entra em contagem decrescente. Saiba o que falta.

Detentores de 12 linhas votam venda compulsiva de dívida
Esta sexta-feira, os investidores com títulos de 12 emissões votam a proposta de venda compulsiva das obrigações. As assembleias gerais têm lugar em Londres e seguem-se às reuniões realizadas a 8 de Setembro, em que nove linhas aprovaram o carácter compulsivo da oferta de aquisição e 15 emissões chumbaram esta proposta.

Ordens de venda podem ser dadas até 2 de Outubro
Os investidores que têm obrigações do Novo Banco podem dar ordens de venda dos títulos até 2 de Outubro. Mesmo os detentores de obrigações das 15 emissões que chumbaram a venda compulsiva podem alienar os seus títulos. Já os investidores das nove linhas que aceitaram a venda compulsiva não necessitam de fazer nada: a decisão da assembleia-geral torna a alienação obrigatória.

Liquidação da oferta acontece dia 4
Depois de conhecidos os resultados da oferta, a liquidação financeira da operação acontece a 4 de Outubro. Para que a operação tenha sucesso, o Novo Banco tem de conseguir comprar 75% das obrigações e gerar uma folga de solidez de 500 milhões de euros.

Venda do banco tem de ocorrer até dia 20
Está previsto que a venda do Novo Banco seja concretizada no prazo de dez dias úteis após a liquidação da oferta de compra de dívida. Assim, o negócio tem de ser concluído até 20 de Novembro. Mas para que isso aconteça é necessário que o BCE autorize a operação de venda à Lone Star.

Novo Banco oferece cash para comprar três mil milhões de dívida

Domingo, Setembro 10th, 2017

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Eco

Novo Banco oferece cash para comprar três mil milhões de dívida

É o passo que faltava para completar a venda do Novo Banco. A instituição vai avançar com uma oferta em dinheiro para comprar obrigações seniores. Quer poupar 500 milhões de euros.

O Novo Banco já apresentou aos obrigacionistas seniores a proposta de troca de dívida para que o banco possa conseguir uma almofada adicional de capital, de 500 milhões de euros.

Ao contrário do que chegou a ser aventado, não haverá uma troca de obrigações por outras (de menor valor, ou menor cupão), mas sim por dinheiro. Ou seja, os obrigacionistas vão receber cash em troca da dívida detida, sendo que as obrigações serão avaliadas ao preço a que estão no mercado.

“A oferta prevê a compra de todas as obrigações referentes a 36 emissões do Novo Banco, é uma oferta com contrapartida em cash, proporcionará aos seus detentores um preço alinhado com o mercado e é acompanhada por uma operação de solicitação de consentimento de reembolso antecipado (consent solicitation)“, diz o banco em comunicado.

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Esta ‘consent solicitation’ deverá implicar a convocação de uma assembleia geral de obrigacionista em que é necessária a aprovação de 75% dos obrigacionistas. Neste cenário, a oferta será válida para 100% dos credores. Se houver um nível de aceitação inferior aos 75%, a oferta não será geral, mas o banco terá de fazer contas para aferir se consegue amealhar a poupança pretendida de 500 milhões de euros.

Qual é o preço de recompra?

“A opção pela solução em ‘cash’ torna mais simples e percetível a contrapartida e mais ajustada aos investidores institucionais e de retalho”, afirma o banco liderado por António Ramalho, acrescentando que “para os clientes do banco que optem pela venda ou que sejam reembolsados serão disponibilizados depósitos a prazo com condições específicas”.

O Novo Banco diz que a operação “segue os preços de mercado, ligeiramente acima do valor médio verificado no ultimo ano”. Ou seja, quem comprou e ainda detém obrigações ao par poderá perder dinheiro, perda que poderá ser menor para os que adquiriram os títulos em mercado já que estavam a negociar na generalidade com desconto.

A oferta arranca esta terça-feira e termina a 2 de outubro de 2017, com liquidação prevista a 4 de outubro de 2017.

Num comunicado publicado no site da CMVM, o banco elenca as 36 series de obrigações e a respetiva contrapartida ou valor de reembolso antecipado. Clique aqui para consultar o preço que será oferecido por cada uma das séries.

E a condição de sucesso da oferta?

Para assegurar o sucesso da operação, o Novo Banco revela que “deverá obter a participação de obrigacionistas que permitirá o reforço dos capitais próprios em, pelo menos, 500 milhões de euros, quer por poupança de juros quer por ganhos de capital”.

Esta é umas das condições que têm de ser preenchidas para que o Lone Star possa concretizar a compra da instituição bancária. Os norte-americanos acordaram a compra de 75% do capital do Novo Banco e comprometeram-se a injetar mil milhões de euros para reforçar os capitais. Capital que será reforçado em mais 500 milhões de euros caso os obrigacionistas do Novo Banco aceitem a proposta agora posta em cima da mesa.

Isso mesmo confirma o banco em comunicado à CMVM: “Esta operação é uma das condições precedentes para a concretização da venda à Lone Star que, nos termos do acordo de compra e venda, irá realizar injeções de capital no Novo Banco no montante total de 1.000 milhões de euros (incluindo 750 milhões de euros no momento da conclusão da operação e 250 milhões de euros no prazo de até três anos) e adquirir 75% do capital social do, mantendo o Fundo de Resolução 25% do capital”

A operação abrange 36 séries de obrigações, com maturidades entre 2019 e 2052, “no valor nominal global de 8,3 mil milhões de euros, correspondente a cerca de 3 mil milhões de euros de passivo contabilístico”.

O banco recorda ainda que “em 2016, enquanto a dívida do grupo relativa a obrigações seniores representava menos de 10% do total do passivo do Novo Banco, a mesma representava cerca de 40% dos juros e custos do passivo financeiro”.

Novo Banco não convence. Credor espanhol também critica “baixo preço” da oferta

Domingo, Setembro 10th, 2017

Citamos

Eco

Novo Banco não convence. Credor espanhol também critica “baixo preço” da oferta

 

 

“Estas ofertas deviam encorajar os investidores a participar com preços mais elevados do que o mercado… não é este o caso”, critica a Ever Capital, que investiu cinco milhões no Novo Banco.

Duas semanas após o lançamento da oferta de troca de obrigações, os credores do Novo Banco continuam a manifestar muitas reservas quanto ao preço que o banco se propõe a pagar para absorver os cerca de 2,7 mil milhões de euros de títulos de dívida. Ao fundo alemão Xaia junta-se agora a sociedade espanhola Ever Capital Investments, que vem criticar aquilo que considera ser um “preço baixo” que não convence qualquer investidor a participar na operação.

“O preço é baixo”, sublinhou, ao ECO, Eva Rodríguez Roselló, que ajudou a fundar o Ever Capital Investment, com sede em Madrid. “Normalmente, estas ofertas de aquisição deviam encorajar os investidores a participarem e os preços têm ser mais elevados do que os níveis secundários anteriores à oferta. E este não é o caso com a oferta do Novo Banco”, acrescentou a responsável.

“O preço é baixo. Normalmente, estas ofertas de aquisição deviam encorajar os investidores a participarem e os preços deviam ser mais elevados do que os níveis secundários anteriores à oferta. E este não é o caso com a oferta do Novo Banco.”

Eva Rodríguez-Roselló

Ever Capital Investments

Ainda que seja uma operação vital para o futuro do banco, dado que só assim o acordo de venda aos norte-americanos do Lone Star fica fechado, aquilo que está neste momento em cima da mesa não é do agrado de muitos investidores, mesmo perante a possibilidade de um falhanço na operação provocar a liquidação da instituição com perdas para todos.

De acordo com os termos da oferta, o Novo Banco pretende recomprar 36 linhas de dívida pelo seu valor de mercado com preços que cobrem entre 10% e 90% o valor nominal das obrigações. Que é como quem diz: há descontos implícitos entre 10% e 90%, que variam consoante a linha de obrigações.

Foi por causa deste “preçário” diferenciado que o fundo alemão Xaia Investments, que também está no grupo de grandes investidores que colocou Portugal em tribunal num outro caso relacionado com obrigações que foram transferidas para o “BES mau”, questionou a matemática por detrás da oferta logo após o seu anúncio.

“Parece-me que os preços não seguem uma fórmula justa num sentido económico.Parece-me mais uma decisão motivada politicamente“, disse ao ECO Jochen Felsenheimer, diretor daquele fundo alemão que tem cerca de 100 milhões de euros investidos em obrigações do BES/Novo Banco.

Na altura, Felsenheimer queixou-se ainda do tratamento preferencial que é dado aos clientes de retalho, considerando que essa diferenciação não é correta porque “por detrás dos todos investidores institucionais estão investidores de retalho, isto é, os clientes privados aplicaram investimentos que são geridos pelos gestores de ativos institucionais”.

A alternativa tanto para o Xaia Investment como para a Ever Capital Investment pode passar pela opção depósitos em vez do cash. Mas tanto um como o outro fundo ainda não conhecem as condições da oferta que visa trocar dívida por depósitos a três e cinco anos, adiantaram ao ECO. Segundo explicou Felsenheimer, o banco está a informar individualmente os credores acerca das condições após perceber qual o montante que detêm em obrigações do Novo Banco.

“Parece-me que os preços não seguem uma fórmula justa num sentido económico. Parece-me mais uma decisão motivada politicamente.”

Grandes investidores falham AG. Aumenta a pressão sobre o Novo Banco

Domingo, Setembro 10th, 2017

Citamos

Eco

Grandes investidores falham AG. Aumenta a pressão sobre o Novo Banco

 

O ECO sabe que o grupo de grandes credores, que detém mais de 30% da dívida, não vai estar presente hoje na AG, adiando para o dia 29 o desfecho. Não querem dar o benefício da dúvida ao Novo Banco.

Autointitulam-se de Comité de Credores e são sobretudo investidores institucionais estrangeiros e que controlam mais de 30% das obrigações que o Novo Banco quer recomprar a desconto para reforçar os seus capitais, uma condição essencial para a venda da instituição bancária ao Lone Star.

Mas o ECO apurou junto de uma fonte desse grupo que nenhum dos elementos do Comité estará presente nas assembleias gerais (AG) que estão a decorrer esta manhã. Estão a acontecer 36 assembleias gerais, correspondentes a 36 linhas de obrigações objeto de oferta.

E por que razão não vão estar presentes? Este grupo, segundo apurou o ECO, considera que os depósitos oferecidos pelo Novo Banco fazem parte material da oferta (ao contrário do Novo Banco, que continua a argumentar que é uma oferta comercial, independente da oferta em curso) e que não têm garantias nesta altura de que vão poder aceder a esses depósitos.

Querem ter um documento escrito que assegure que poderão aceder aos depósitos (ou a um instrumento financeiro equivalente), independentemente do perfil do investidor em causa. E não estão dispostos a dar o benefício da dúvida ao Novo Banco, recordando o que aconteceu em dezembro de 2015, quando parte desses credores perderam o seu investimento porque o Banco de Portugal decidiu transferir as suas obrigações para o bad bank.

Além disso, argumentam, há investidores que fazem parte deste Comité e que não podem ter o dinheiro investido em ativos que não sejam passíveis de ser transacionáveis em mercado, como é o caso dos depósitos.

Para tal, querem sentar-se à mesa com o Novo Banco e o Banco de Portugal para estudarem uma solução técnica que permita ultrapassar estas questões. Já não se trata tanto de uma questão de preço, mas mais da possibilidade de os credores institucionais poderem ou não aceder à remuneração que está a ser oferecida nos depósitos e que vai permitir aos credores amenizar ou recuperar as perdas impostas pela oferta de recompra.

O problema é que até agora ainda não se sentaram formalmente nem com as autoridades portuguesas, nem com a instituição liderada por António Ramalho. O Jornal Económico já tinha noticiado esta sexta-feira que a Pimco, que faz parte deste Comité, não iria votar na primeira convocatória da assembleia. O ECO também contactou outros investidores, — como o fundo Xaia Investments, que detém cerca de 100 milhões, — que confirmaram igualmente que não vão estar presentes. “Não vamos participar e não acreditamos que haja o quórum necessário”, disse o diretor do fundo Xaia ao ECO.

O Novo Banco lançou uma oferta no dia 24 de julho, propondo-se a recomprar as 36 linhas de obrigações vivas, com um saldo de três mil milhões de euros, e com um desconto real que pode ultrapassar os 30%, correspondente a um haircut de 10% a 90% do valor nominal dos títulos.

Não participando na oferta hoje, muitas linhas vão ficar sem quórum para votações, e outras não vão conseguir atingir a fasquia dos 75% de votos que o Novo Banco pretende que seja alcançada para aprovação da cláusula do “solicitação de consentimento de reembolso antecipado”.

Ou seja, a decisão deverá ficar adiada para o dia 29 de setembro, altura em que está marcada a segunda convocatória das AG que estão a decorrer hoje, ou para o dia 2 de outubro, altura em que esgota o prazo de aceitação ou não da oferta.

Novo Banco. CEO garante que obrigacionistas vão recuperar todo o investimento

Sexta-feira, Agosto 18th, 2017

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Dinheiro Vivo

António Ramalho está confiante que imposição de perdas aos obrigacionistas do banco será um sucesso. Operação visa ajudar Lone Star a ficar com ex-BES

A proposta de um depósito com remunerações entre 1% e os 6,84% aos obrigacionistas visados pela oferta do Novo Banco para poupar 500 milhões de euros permitirá que estes investidores recuperem a totalidade do valor investido, defendeu António Ramalho, CEO do ex-BES, citado pela “Reuters”. “Esta é uma oferta justa porque em rigor, em última instância, o que se pede aos obrigacionistas é apenas a perda de lucros futuros – a perda de juros futuros, a perda de expectativas futuras”, disse o responsável à agência, esta quarta-feira.

A imposição de perdas de 500 milhões de euros aos obrigacionistas que confiaram os seus investimentos ao Novo Banco foi uma das condições exigidas pela Lone Star para tomar conta do banco de transição que resultou do colapso do BES a troco de zero euros. Contra a indefinição e suspeição que esta operação levantou junto de analistas e agências de rating, o banco acabou por propor o acesso destes lesados a depósitos remunerados que não estarão disponíveis a mais clientes. À Reuters, o CEO do Novo Banco assegurou porém que apesar da imposição de perdas entre 11% e 90% do valor nominal das obrigações, a oferta agora apresentada permitirá “de alguma maneira” recuperar essas perdas, mas só no caso dos títulos que vencem nos anos mais próximos. “Nesta oferta comercial, os depósitos que incidem nas notes até 2022 – cuja oferta tendo sido feita a preço de mercado puro – têm taxas de juro que permitem que, de alguma maneira, seja retomado o valor nominal ou o valor nominal dos títulos”, garante. “Esta oferta [depósitos] permite que o valor final seja igual ao valor de emissão. Eles perdem os juros. [Os obrigacionistas] mitigam as perdas, voltando a recuperar o valor investido. O conceito é de recuperação do valor investido”, sublinha. António Ramalho realça também que apesar dos ‘haircuts’ aos obrigacionistas, há um lado positivo nesta imposição, pois oferece aos mesmos a possibilidade de receber parte dos seus investimentos já em dinheiro, manifestando-se “otimista” em relação ao sucesso da operação. Os cortes e as remunerações Conforme recorda a Reuters, a recompra de obrigações com descontos por parte do Novo Banco visa 36 séries de obrigações, com um valor nominal de 8,3 mil milhões de euros. Estas obrigações vencem entre 2019 e 2052, dependendo da maturidade de cada investimento o juro oferecido pelo ex-BES no depósito remunerado. Como exemplo, note-se que nas obrigações que atingem a maturidade ao longo de 2019, o Novo Banco propõe um depósito a três anos com um juro anual de 6,84%,oferecendo 82% do seu valor – ou seja, se confiou 100 euros ao banco, receberá 82 euros. Um outro caso, em relação aos detentores de dívida que só vence em 2022, a oferta propõe pagar apenas 73,25% do valor, dando acesso a um depósito a 5 anos com um juro de 6,5%. Tal como o Dinheiro Vivo noticiou ontem, esta proposta de obrigações apenas visa algumas obrigações senior do Novo Banco, já que o Banco de Portugal decidiu transferir outras linhas de obrigações de volta para o buraco negro do BES, mais de um ano depois de ter definido o perímetro da resolução. Esta decisão “fora de horas” do supervisor acabou por prejudicar pelo menos 111 particulares que avançaram com os seus investimentos no Novo Banco já depois da resolução, acreditando na palavra do então já dono do Novo Banco, o Banco de Portugal. Estes 111 particulares exigem agora ser retransferidos para a esfera do Novo Banco, de modo a poder participar nesta oferta de troca de obrigações, evitando assim perder 100% dos seus investimentos – que totalizam 19,2 milhões de euros.

Grandes investidores contra proposta de troca do Novo Banco

Terça-feira, Agosto 15th, 2017

Citamos

Eco

Grandes investidores contra proposta de troca do Novo Banco

 

Credores como a Pimco enviaram uma carta ao Novo Banco e ao Banco de Portugal a reclamar uma reunião “urgente”. Não estão dispostos a aceitar as condições oferecidas. Venda ao Lone Star em risco.

Um grupo de grandes investidores do Novo Banco, entre os quais se encontra a Pimco, está contra a proposta de compra de obrigações anunciada ao mercado no dia 25 de julho e, neste quadro, enviou uma carta à instituição liderada por António Ramalho e ao Banco de Portugal a propor uma reunião urgente. O ECO sabe que este grupo – que detém mais de 30% das obrigações – enviou a carta ao Novo Banco e ao supervisor na passada quinta-feira à noite por email e no dia seguinte por correio, com conhecimento também para as autoridades europeias.

O sucesso desta operação é uma das condições obrigatórias que têm de ser cumpridas para que o Novo Banco possa ser vendido aos norte-americanos do Lone Star. Por isso é que no passado dia 24 de julho o Novo Banco anunciou uma proposta de troca de obrigações por dinheiro, com o objetivo de conseguir uma almofada adicional de capital, de 500 milhões de euros. Esta operação implica que os atuais credores assumam perdas já que as obrigações serão recompradas pelo Novo Banco com desconto (face ao valor facial) de dez a 90%.

A ameaça: sem nós a operação não avança

Na carta, a que o ECO teve acesso a alguns excertos, o grupo faz uma ameaça pouco velada: sem nós a operação não se faz. Isto porque para que a operação tenha sucesso, pelo menos 75% dos credores terão de dar o seu ok na Assembleia convocada para o dia 8 de setembro.

Na missiva, o grupo, que se apelida de Comité de Obrigacionistas, diz que “o seu tamanho e influência faz com que sejam indispensáveis para o sucesso de qualquer LME [operação de troca]”. Ou seja, fazem questão de deixar claro que o LME — Liability Management Exercise na terminologia anglo-saxónica — não avança sem eles.

“Encorajamos o Banco a envolver-se com o Comité de forma apropriada para garantir que o LME tenha sucesso. A postura que o Banco tomou até esta data não reconhece que será impossível implementar com sucesso a oferta sem o apoio deste grupo”, lê-se na missiva.

Apenas uma reunião formal até agora

Este grupo, que contratou a firma britânica PJT Partners como assessora financeira, terá tido apenas uma reunião com responsáveis do Novo Banco três dias antes de ser anunciada a oferta de troca e, desde então, garante que tem, de forma reiterada, feito pedidos para ser formalmente recebido, coisa que até esta terça-feira à noite ainda não terá acontecido. Esta versão não é, ainda assim, corroborada por fontes do ECO que acompanham o processo do lado do Novo Banco e Banco de Portugal. Mais: a proposta anunciada ao mercado terá sido diferente daquela que foi apresentada aos fundos, precisamente porque incorporou algumas das suas sugestões. “Não toda, mas foi feito um esforço sério para aceitar as possíveis”, garantem.

Ainda assim, o grupo de investidores não percebe o silêncio do Novo Banco, cuja postura classifica na carta de “não satisfatória”, mas diz que “o Comité está disposto a discutir compromissos voluntários [com o Novo Banco] para facilitar a operação de venda com sucesso e o subsequente processo de reabilitação do banco”. Sobre o LME que está em cima da mesa considera que não tem uma base legal, e que só foi implementado para melhorar as condições de venda ao Lone Star.

Não sabem que juros vão receber

Além de garantirem não ter tido feedback por parte do Novo Banco, o que estranham, já que sem eles a oferta cai por terra, este grupo não percebe como é que é possível que a operação tenha já arrancado a 25 de julho e, até agora, ainda não tenha tido informações sobre parte das condições da oferta, nomeadamente os juros, a maturidade e a liquidez dos depósitos que serão oferecidos aos obrigacionistas que aceitarem a oferta. O Jornal de Negócios (acesso pago) avança que o Novo Banco está disposto a pagar um juro até 6,5%, dependendo da maturidade da aplicação, para minimizar perdas, mas aos investidores de retalho.

A resposta das mesmas fontes do Novo Banco e Banco de Portugal é clara: o grupo de investidores ainda não revelou qual é exatamente a carteira de obrigações que tem e em que séries. “Quando isso suceder, saberão com precisão as condições desses depósitos”, garantem. Além disso, os depósitos são voluntários e não integram formalmente o LME, acrescentam.

Na Rua do Comércio e na Avenida da Liberdade ainda se acredita que esta posição de força por parte deste Comité de Obrigacionistas — que pode comprometer a oferta — possa ser uma espécie de bluff.

Os  investidores também estão desconfortáveis com o facto de o Novo Banco poder vir a oferecer taxas de juros diferentes de cliente para clientes, embora o ECO tenha conseguido saber junto de outras fontes que a remuneração que será oferecida pela instituição bancária vai variar em função da série de obrigações detida e não em função de cada cliente.

Do outro lado da “barricada”

Este Comité de Obrigacionistas também torce o nariz à oferta já que os credores, ao aceitarem as condições propostas, poderão ter de abdicar dos processos movidos contra o Novo Banco, sem a devida compensação a que acham ter direito. Recorde-se que parte deste credores do Novo Banco também integram um grupo de obrigacionistas que meteram um processo em tribunal contra a venda do Novo Banco por causa da decisão do Banco de Portugal de transferir, em dezembro de 2015, 2,2 mil milhões de euros de dívida do Novo Banco para a esfera dos ativos do BES, que está em processo de liquidação.

Bluff ou não, os investidores endureceram a sua posição, e mais cedo do que se esperava, tendo em conta que a oferta está no mercado até ao final de setembro. Ainda assim, os grandes investidores estrangeiros estão longe de fecharem as portas a um entendimento, e terminam a carta com um excerto onde se lê: “O Comité reitera a sua disponibilidade para trabalhar convosco de forma construtiva, com o objetivo de chegar a um acordo sobre a revisão das propostas da oferta para que esta possa ser anunciada ao mercado com o apoio público deste Comité. Acreditamos que isto deva ser feito de uma forma urgente e esperamos que possamos chegar a um acordo”.

Recorde-se que este grupo, em maio, também já tinha enviado uma carta ao Banco de Portugal e Novo Banco, com a sugestão de serem eles próprios a comprar o Novo Banco. O ECO sabe também que o grupo está disposto a ficar no banco (trocando eventualmente dívida por capital) como acionista minoritário e com a Lone Star como maior acionista. Uma solução que nunca foi levada a sério pelo Novo Banco e pelas autoridades portuguesas, desde logo pela necessidade de voltar a discutir tudo com a DG Comp (a Concorrência europeia).

Resta saber se o Novo Banco terá alguma abertura para as propostas alternativas destes grandes credores e até onde estão estes investidores dispostos a esticar a corda. Oficialmente, o Novo Banco e o Banco de Portugal garantem que não há qualquer hipótese de mudança das condições da oferta de compra de obrigações seniores já conhecidas. De resto, como lembra uma fonte que acompanha o processo, no Memorando da Oferta é o próprio Novo Banco que coloca em cima da mesa o cenário de liquidação do banco ou de uma resolução (leia-se bail in de obrigacionistas), caso esta oferta falhe.