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Costa Pinto: “Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco”

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

João da Costa Pinto, antigo presidente do conselho de auditoria do BdP, admite que as dificuldades do BES “eram conhecidas”, mas não diz desde quando. Mas reconhece também que a resolução não era a única alternativa.

João Costa Pinto critica o Governo anterior, que diz ter passado “todo o ónus” dos problemas do Banco Espírito Santo (BES) para o supervisor. No fim, ficámos com uma “situação impossível de gerir”, resultado da venda rápida do Novo Banco, imposta por Bruxelas.

Como recebeu a notícia de que o BES ia ser resolvido?
As dificuldades do grupo BES eram conhecidas. Sabia-se que o BES enfrentava dificuldades decorrentes dos problemas do grupo. O que não era do conhecimento público era a amplitude das dificuldades. Aqui, tenho de estabelecer os parâmetros desta conversa. Como presidente do conselho de auditoria do BdP, tive conhecimento de informações que são submetidas a sigilo e que não posso referir. E passaram cinco anos desde a resolução. Há questões que se apresentam com uma clareza que não existia.

Quando diz que se sabia que o BES enfrentava dificuldades e que teve informações sob sigilo, o que quer dizer é que o BdP conhecia a situação do BES. Conhecia desde quando? E atuou atempadamente?
Tudo o que seja o comportamento do BdP e a avaliação desse comportamento está para lá da linha vermelha que eu tracei.Havia alternativas?
As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira, não há dúvida. Havia uma questão central, que era a preservação da estabilidade do sistema financeiro. Para além disso, a economia estava num processo muito complexo de resposta a dificuldades financeiras, que tinham trazido a troika e o programa de ajustamento. Por outro lado, a união bancária implicou o estabelecimento da resolução, que foi testada connosco, com uma particularidade: foi aplicada sobre uma instituição de importância sistémica. A primeira observação é que a resolução é de aplicação extraordinariamente difícil.

E, portanto, não deveria ser testada num banco sistémico?
Já lá vamos. A resolução parte de uma ideia. Um banco está em dificuldades que ameaçam a sua sobrevivência e, de acordo com uma doutrina que se desenvolveu na Europa, há dois caminhos: ou é liquidado ou é resolvido. A ideia central é que é possível ir ao balanço de uma instituição e separar a parte boa da má. Quem tem experiência de banca sabe que, se olharmos para o balanço de um banco, não é possível traçar uma linha como se uma parte fosse branca e outra preta. No meio há uma vasta zona cinzenta constituída por ativos em dificuldades, mas em que uma gestão adequada permite uma recuperação integral ou substancial. Só que, para isso, é necessário tempo. No caso do BES surgiram duas dificuldades. A primeira foi uma decisão do Governo de se pôr de lado.

Não se afastou totalmente, a resolução também é uma decisão política.
Acaba por ser, mas a verdade é que, por virtude de uma decisão política, todo o ónus e a responsabilidade recaiu sobre o supervisor. Um problema da dimensão do BES não podia deixar de ter uma avaliação de natureza política.

Atribui então culpas ao governo anterior?
Acho, pessoalmente, que não foi a melhor decisão. Não estou a fazer nenhum julgamento. O governo terá muitos argumentos para explicar a decisão que tomou.

“As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira.”

“Por virtude de uma decisão política, todo o ónus recaiu sobre o supervisor.”

Disse que uma das prioridades era preservar o sistema. Conseguiu-se?
No essencial, a estabilidade do sistema bancário português foi preservada. Foi abalada pela convergência de um conjunto de fatores, um dos quais foi a aplicação do programa da troika. Uma das coisas que hoje é óbvia é que subavaliámos claramente o impacto do programa de ajustamento sobre a situação dos bancos. Durante muito tempo, mantivemos a ficção de que os nossos bancos estavam suficientemente capitalizados para absorver o impacto da crise.

Foi só uma subavaliação do impacto da crise que levou a que o BES não recorresse à linha de financiamento?
Aí houve claramente erros. É absurdo que o montante que a troika destinou para a recapitalização dos bancos nunca tenha sido utilizado na totalidade. Mas o grande problema foi que, numa imposição absurda, as autoridades comunitárias forçam uma venda do banco bom, num curto período, e criam uma situação impossível de gerir.

Podia ter sido feita uma venda melhor do Novo Banco?
É difícil, porque estamos a falar de uma autêntica “fire sale”. Foi uma venda em situação de emergência, num período muito curto, em que havia no balanço do BES a tal zona cinzenta, que precisava de tempo para que fosse preservado e recuperado valor.

Qual era a alternativa?
Era fazer o que fizeram os ingleses com o Royal Bank of Scotland e com o Lloyd’s.

E uma solução dessas teria um peso diferente para os contribuintes?
Não vejo que não tivesse. Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco, só no final é que se vai poder fazer as contas. Esta é a perversidade do exercício.

Era possível recuperar o BES?
Essa é uma resposta muito difícil. A separação dos ativos sem valor era indispensável. Podemos olhar para Espanha, onde os bancos enfrentavam problemas não menos complexos, foram negociados com a Europa fundos de 100 mil milhões e criados veículos para onde os bancos passaram os ativos que tinham perdido valor. Os bancos foram mantidos em toda a sua plenitude. Nós atuámos tarde e numa dimensão que não foi a suficiente.

Salgado culpa Passos Coelho por declarações que tiveram “consequências negativas para o BES”

Domingo, Fevereiro 24th, 2019

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Observador

Salgado culpa Passos Coelho por declarações que tiveram “consequências negativas para o BES”

O ex-líder do BES e do grupo GES acusa Pedro Passos Coelho de ter ajudado ao colapso do grupo financeiro com declarações em junho de 2014. Banqueiro apresentou petição em tribunal.

O banqueiro e ex-líder do BES e do grupo GES, Ricardo Salgado, acusou o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho de ter ajudado a causar o colapso daquele grupo financeiro, em 2014.

De acordo com o Correio da Manhã, Ricardo Salgado apresentou uma petição no Tribunal do Comércio de Lisboa, onde contesta a falência culposa do do BES e aponta o dedo ao ex-primeiro-ministro. “Em 24 de Junho de 2014, o senhor primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, proferiu declarações públicas no sentido de que a questão da capitalização do GES era um problema, exclusivamente, deste Grupo (porque constituíam ‘problemas da área não financeira’) e, ainda, que não teria informação que o levasse a ‘temer instabilidade no setor financeiro”, lê-se na petição, citada por aquele jornal.

Em causa estão as declarações do primeiro-ministro a 24 de junho de 2014, pouco antes do colapso do BES e da criação do Novo Banco, em agosto do mesmo anos.

“As questões que respeitam a problemas de capitalização de grupos que também têm uma área financeira, como é o Grupo Espírito Santo, mas que têm muitas outras atividades não respeitam especificamente nem ao Governo nem ao supervisor da área financeira, porque são problemas de natureza não financeira”, disse o primeiro-ministro à altura. “O Grupo Espírito Santo terá com certeza, como outros grupos, os seus problemas para resolver, e o Estado não é chamado a resolver esses problemas. É apenas aquilo que eu posso dizer.”

De acordo com o banqueiro, estas declarações tiveram “consequências negativas sobre o BES”, explicitando que, entre 19 de junho (data em que o Governo recusou viabilizar empréstimos da Caixa Geral de Depósitos ao BES)  e 24 de junho (quando Pedro Passos Coelho fez aquelas declarações), as ações do BES “caíram 16%” e deu-se uma “fuga de depósitos”.

Embora diga que “do ponto de vista jurídico, não se discute o mérito da opção política” de Pedro Passos Coelho, o banqueiro sublinha ainda assim que “o que se discute, por ter um impacto com relevância jurídica, são as consequências de tais declarações públicas do senhor primeiro-ministro então em funções”.

Passos Coelho rodeia-se de vozes contra a nacionalização do Novo Banco

Sexta-feira, Janeiro 13th, 2017

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Público

Posição dos sociais-democratas na reunião da bancada contrastou com as declarações de Rui Rio que se manifestou a favor da operação.

A resposta do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, à hipótese de nacionalizar o Novo Banco – admitida por Rui Rio – ouviu-se forte e esteve acompanhada de figuras do partido. A questão foi debatida logo pela manhã na reunião da bancada parlamentar no dia em que o PÚBLICO noticiou que o ex-autarca do Porto, assim como outros sociais-democratas, eram a favor da nacionalização.

Foi o próprio Marco António Costa que deu a cara pela posição do partido, horas mais tarde, durante o debate de actualidade em plenário agendado pelo BE, mas que foi acompanhado pelo PCP e pelo PSD.

Os socialistas mantiveram a abertura a todos os cenários, num debate marcado pela troca de acusações sobre as responsabilidades que cabe a cada um no Novo Banco e noutros casos problemáticos da banca. O porta-voz do PS, João Galamba, reiterou que o partido não tem uma posição dogmática sobre a solução que venha a ser encontrada para a instituição financeira. “Não há nenhuma posição de princípio do PS. Faremos aquilo que for melhor para o Novo Banco. Depende das propostas e do comprador. O PS não tem uma posição dogmática sobre Novo Banco”, sublinhou, apontando para a última fila da bancada do PSD onde, “como sempre nestes debates”, está sentada, “sem intervir”,a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, o que motivou protestos por parte da própria e de outros deputados.

Galamba criticou as posições do PSD e do CDS por serem uma má forma de negociar ao assumirem que nunca colocam como hipótese a nacionalização. O socialista respondia, em parte, ao deputado do CDS João Almeida que defendeu que “o sector financeiro é demasiado importante para ser deixado ao sabor dos complexos ideológicos”.

O parlamentar acusou os socialistas de fazerem “declarações avulsas” para que “a nacionalização se concretize”. A mesma ideia foi deixada pelo social-democrata Marco António Costa ao referir que PS e Governo tentaram criar na opinião pública a ideia da “inevitabilidade da nacionalização”. Mas, perante esse cenário, deixou um aviso: “Não contem connosco para aventuras financeiras, nem para cometerem os erros do passado”.

A nacionalização do BPN também não é de boa memória para o PCP. Miguel Tiago defende que essa “falsa nacionalização” não se deve repetir por ser parcial. E sustentou que a nacionalização temporária do Novo Banco “não seria mais do que assumir os prejuízos passados e evitar os futuros”. O deputado comunista alinhou pelas críticas ao anterior Governo PSD/CDS, responsabilizando-o pela “desvalorização do Novo Banco” e pelas “perturbações no sistema financeiro”. Uma ideia que foi partilhada pelo deputado do PEV, José Luís Ferreira, e pelo BE.

Sem referir se a operação era temporária ou não, a bloquista Mariana Mortágua defendeu que a “única solução” é a “nacionalização” do banco, mas assumiu as “dificuldades e exigências”. A maior dificuldade “está nas pressões da Comissão Europeia e no Banco Central Europeu que já várias vezes demonstraram que põem o seu autoritarismo dogmático acima da estabilidade do nosso sistema bancário”, afirmou, defendendo que, por isso, o Governo deve excluir a liquidação e uma “venda de favor”.

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Passos acusa Governo de fazer encenação com solução para lesados dos BES

Quinta-feira, Dezembro 22nd, 2016

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Observador

O presidente do PSD acusou o Governo de ter feito “uma encenação” ao anunciar uma solução para os lesados do BES e disse esperar que o primeiro-ministro explique no parlamento os possíveis riscos.

O presidente do PSD acusou o Governo de ter feito “uma encenação” ao anunciar uma solução para os lesados do BES e disse esperar que o primeiro-ministro explique esta quinta-feira no parlamento se a solução envolve riscos para os contribuintes.

Em declarações aos jornalistas à margem do IV Encontro Anual do Conselho da Diáspora, em Cascais, Pedro Passos Coelho lamentou ter de comentar um assunto sobre o qual nada sabe, quando questionado sobre a anunciada solução para os lesados do Banco Espírito Santo (BES).

É um vício deste Governo. Faz anúncios, faz encenações, depois dá de forma particular, mas sem assumir a paternidade, informações a órgãos de comunicação social. E depois acha que com isso as pessoas ficam informadas sobre o que se vai passar. Mas não é bem assim, o Governo tem de dizer o que a gente não sabe”, disse o ex-primeiro-ministro.

Para o líder da oposição, “o Governo não respondeu à oposição nem respondeu aos jornalistas e portanto fez uma encenação”, o que considerou “lamentável”.

“Dizem-nos apenas que tudo acabará bem, que as pessoas acabarão ressarcidas das perdas que tiveram, que isso não terá reflexo nas contas públicas, nem nos bolsos dos portugueses”, recordou.

Pedro Passos Coelho lembrou que esta quinta-feira há um debate no parlamento e afirmou: “Espero que o primeiro-ministro explique qual é a solução, que riscos é que ela pode envolver. Eu espero que ela não envolva riscos para os contribuintes, porque, se envolver, então aquilo que se está a prometer é um engano”.

Para o ex-governante, seria “muito negativo” que o custo recaísse sobre os contribuintes, porque “os portugueses não têm nenhuma culpa desse processo e portanto não têm nada que pagar por esses processos”

“Se for assim, então a encenação que foi feita é para dizer o que é simpático a uns – os que perderam – e para ocultar aos portugueses que são eles que vão pagar, o que seria uma coisa intolerável”, disse Passos Coelho, concluindo: “Alguém vai ter de pagar e isso parece-me um mau princípio”.

O Governo apresentou na segunda-feira o mecanismo que permitirá minorar as perdas de cerca de 4000 clientes do BES que compraram papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), que foi à falência, e cujo reembolso nunca receberam.

Segundo o primeiro-ministro, António Costa, compete agora a cada um dos lesados “avaliar e decidir da sua adesão a esta solução”, que no seu entender consiste num “compromisso equilibrado” que permite reforçar a confiança no sistema financeiro português.

“Não conseguimos o milagre de endireitar a sombra de uma vara torta”, considerou o primeiro-ministro, declarando a sensação de “dever cumprido”.

Fact check. O PSD “destruiu” mesmo o BES, como acusou António Costa?

Terça-feira, Novembro 29th, 2016

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Observador

António Costa disse que o PSD não tem legitimidade para falar de bancos porque, na sua governação, “destruiu o BES”, equiparando às situações do Banif e da Caixa. Faz sentido? Leia o “fact check”.

A frase

“O que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro. Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o Banco Espírito Santo (BES), conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif”.

António Costa, em entrevista à Lusa a 24 de novembro de 2016

A tese

António Costa deu uma entrevista à Lusa em que passou ao ataque e acusou a governação de Pedro Passos Coelho de ter “conduzido à destruição” o Banco Espírito Santo (BES), equiparando o que se passou com o banco liderado por Ricardo Salgado aos casos do Banif e da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Todos estes são casos complexos, todos eles sujeitos a comissões de inquérito parlamentar, mas faz sentido juntá-los no mesmo saco para dizer que foi o Governo de Passos Coelho o responsável pela queda do BES?

Os factos

Muito se escreveu sobre o adiar do problema que existia no Banif e de como o processo conturbado terminou com uma resolução ruinosa, depois de uma sucessão de acontecimentos como o regresso aos mercados, o fecho do programa da troika,as dificuldades na venda de ativos e a entrada de novos investidores no Banif e a própria resolução do BES (que causou perdas ao Banif e desvalorizou os seus ativos).

Muito se falou, também, sobre a acumulação de prejuízos na Caixa Geral de Depósitos e a indefinição que se vive no banco há alguns anos, mesmo antes de as atenções dos jornais se virarem para o banco público. Só em julho de 2015, vários meses antes das eleições e da queda do Banif, Passos Coelho disse publicamente que estava “preocupado” com o facto de o banco público não ter, ainda, naquela altura, reembolsado qualquer cêntimo do empréstimo estatal. Houve notícias que sugeriam a existência de planos de capitalização apresentados pela anterior administração a que não foi dado seguimento por parte do governo de Passos.

Ainda assim, 0 que parece ser um caso distinto, e muito mais complexo até, foi o colapso do Banco Espírito Santo (BES) no verão de 2014, quando Maria Luís Albuquerque contava com um ano como ministra das Finanças. A agora deputada do PSD já veio repudiar as declarações do primeiro-ministro, considerando que quando Costa diz que o PSD “destruiu” o BES está a revelar “grande ignorância” e teria dado “milhares de milhões” a Ricardo Salgado.

António Costa não esclareceu sobre o que se referia. Mas é um facto que Ricardo Salgado pediu a Pedro Passos Coelho para intervir no sentido de obter um empréstimo milionário (cerca de 2,5 mil milhões de euros) para o Grupo Espírito Santo (GES) — e não para o BES. Seria um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos ao grupo da família, mas com a intenção — segundo Salgado — de proteger o banco, que viria a ser contaminado pelas dificuldades do grupo, e facilitar a reestruturação de ativos da parte não financeira.

A partir das declarações de António Costa não é possível depreender que o líder do PS defenderia — se estivesse no lugar de Passos Coelho — o empréstimo ao Grupo Espírito Santo. E é impossível provar que esse empréstimo da Caixa ao GES poderia ter sido a solução para os problemas de Ricardo Salgado e que, com esse empréstimo, tanto o BES como o GES estariam, hoje, de boa saúde.

Aquilo que é verificável é que houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o colapso do BES que chegou a várias conclusões e nenhuma delas apontou culpas ao governo de Passos Coelho. Existe, nas conclusões da Comissão, uma crítica de que a troika poderia ter feito mais para descobrir os problemas (recorde-se que o BES não pediu ajuda estatal), mas não existem críticas diretas ao Governo PSD-CDS.

A comissão de inquérito fez algumas críticas ao Banco de Portugal, sobretudo por ter tido uma intervenção “porventura tardia”, mas atribuiu a Ricardo Salgado a “centralização de responsabilidades” pelo colapso do grupo e do banco e escreveu que “todos os administradores e dirigentes de topo do GES são solidariamente responsáveis”.

O porta-voz do PS, João Galamba, respondeu ao final da tarde aos comentários de Maria Luís Albuquerque sobre esta controvérsia, dizendo que “a posição do PS foi sempre a mesma ao longo de toda a comissão de inquérito do BES”. “Quando o PSD diz agora que António Costa teria entregado milhares de milhões de euros a Ricardo Salgado, está a distorcer a posição do PS porque a nossa posição sempre foi, ao longo de toda a comissão de inquérito e ainda é hoje, que no momento em que se descobriu que Ricardo Salgado tinha falsificado as contas da Espírito Santo International, no final de 2013, esse era o momento para substituir-se Ricardo Salgado”, vincou João Galamba.

À Lusa, João Galamba acrescentou que “a substituição da administração (…), esta era a tese do PS e mantemos ainda hoje, só não foi feito no final de 2013, porque não dava jeito ao Governo da altura, ao Banco de Portugal e à troika, um escândalo financeiro em plena saída limpa de Portugal do programa [de ajustamento]”, declarou o deputado socialista.

Errado. Comparar as situações do Banif e da Caixa com o BES parece fazer pouco sentido, a menos que António Costa tenha dados novos que (nesta entrevista) não foram revelados. A recusa de Passos Coelho do empréstimo da Caixa ao GES, sustentada com a indisponibilidade do Estado para “resgatar grupos privados”, terá sido relevante para o decurso do processo. Mas é impossível saber o que aconteceria se a resposta tivesse sido outra — o Estado poderia ter ficado a pagar uma fatura elevada se se tivesse associado aos problemas do GES. De qualquer forma, o ponto é: a Comissão de Inquérito não apontou as culpas pelo colapso do BES ao Governo de Passos, e o PS (já então liderado por António Costa) votou favoravelmente as conclusões da CPI.

Passos: Governo geriu Banif “da pior maneira” e alimenta especulações na CGD e NB

Segunda-feira, Julho 4th, 2016

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Negócios

Em artigo de opinião no DN, o ex-primeiro-ministro acusa o Governo de querer usar o Brexit, o anterior Governo e a Europa como justificações para a ameaça de sanções e a instabilidade financeira do país.

O presidente do PSD acusa o Governo de ter tratado “da pior maneira a situação do Banif, que acabou por custar demasiado aos bolsos dos contribuintes” e de alimentar “as maiores especulações em relação à Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco”.
Num artigo de opinião assinado na edição desta segunda-feira, 4 de Julho, no Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho refere-se à resolução aplicada ao Banif e às dúvidas em relação ao montante necessário para recapitalizar o banco público, além da situação do banco que herdou os activos saudáveis do Banco Espírito Santo, actualmente com quatro propostas de compra.
Segundo Passos, que antecipa o primeiro debate do Estado da Nação com o novo Governo, que decorre esta semana, a desconfiança em relação a Portugal que se instalou nos últimos meses levou os bancos a perderem dinheiro com a dívida pública portuguesa e colocou o Estado com dificuldades em atrair investimento.
Sobre a situação do sector financeiro nacional, Passos acrescenta que o pacote de ajuda negociado pelo governo Sócrates com a “troika” tinha “apenas” 12 mil milhões de euros para recapitalizar a banca e que o seu Executivo não teve margem de manobra ao nível da dívida pública e capital para fazer o que Espanha ou Itália fizeram na recapitalização do sector.

Num retrato “antes de Costa” e “depois de Costa”, o ex-primeiro-ministro faz o contraponto entre os anos em que, diz, o investimento e exportações cresciam, balança externa melhorava, a despesa pública reduzia-se apesar das eleições, as reformas estruturais abriam a economia e a confiança e a credibilidade tinham sido restauradas.
Agora, acusa, mudou muito, “infelizmente para pior”, a situação no país. A recuperação perdeu vigor, o crescimento recuou “de forma medíocre”, o emprego parou de crescer, o investimento cai, enquanto o Executivo adia despesas e crescem as dívidas a fornecedores. Além disso, refere, as medidas de consolidação das contas públicas até 2020 são uma incógnita, as taxas de juro da dívida nacional afastaram-se das de Itália e Espanha.
E conclui que não admira que o relacionamento entre Portugal e a comissão esteja resumido à questão das sanções. Para Passos, o Governo “virou a página da credibilidade e atirou a confiança pela janela fora” e quer justificar a ameaça de sanções e a instabilidade financeira com o legado do governo anterior.
“Não venham com desculpas de mau pagador nem com viradas contra Bruxelas e a Europa ou contra o anterior Governo, que só piora a situação”, pede o líder social-democrata, que nota que mesmo entre os socialistas na Europa – presidente do Eurogrupo e comissário com responsabilidades no semestre europeu – existem alertas em relação ao Governo de Costa.
Passos classifica ainda o Brexit como uma “contingência previsível” e que Costa está a transformá-la em “inesperada”. “As coisas estão a correr mal”, finaliza, dizendo que não é por culpa de algo inesperado, mas a “consequência natural da falta de prudência e da visão fanfarrona” do Governo.

Passos: Carlos Costa estimou necessidades da banca “em 40 a 50 mil milhões de euros”

Sexta-feira, Abril 8th, 2016

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Negócios

O líder social-democrata mostrou-se descrente que alguém tivesse emprestado, na altura do resgate, o valor considerado necessário pelo Banco de Portugal para reforçar a liquidez dos bancos.

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho revelou esta quinta-feira, 7 de Abril, que as estimativas do Banco de Portugal para as necessidades de capitalização do sector financeiro eram três a quatro vezes superiores ao valor previsto para a banca no resgate da troika.
“Recordo-me bastante bem, na altura, de ouvir o governador do Banco de Portugal dizer que uma capitalização mais adequada para todo o sistema financeiro podia exigir recursos bastante avultados, entre 40 e 50 mil milhões de euros”, afirmou o presidente social-democrata numa entrevista à Antena 1.
Para Passos, uma vez que o programa tinha um valor total de 78 mil milhões de euros e destinava 12 mil milhões à banca, esta “era uma questão insuperável, a menos que o programa ele próprio tivesse um envelope financeiro muito maior e por isso teríamos de ficar a dever muito mais do que 78 mil milhões de euros”, admitiu.
O antigo governante considerou que a dificuldade em resolver o problema do sector financeiro “não é tanto um erro do programa, mas tem mais relação com os meios que estavam à nossa disposição do ponto de vista financeiro” para a capitalização das instituições.
“Se precisássemos de ter ainda mais 30 ou 35 mil milhões para acudir à banca, acreditaria alguém que teríamos condições para pagar, ele ter-nos-ia sido emprestado?”, questionou, afirmando que a dotação para a banca tinha ficado resolvida na negociação do governo anterior, do PS.

Em Dezembro de 2014, o próprio governador referiu que a troika pretendia que a linha de apoio à banca tivesse sido duas vezes superior ao que foi atribuído, elevando esse montante para os 24 mil milhões de euros, segundo o Jornal de Notícias.

E que se tivessem sido usados dinheiros públicos logo na ocasião para fazer face às imparidades de 31 mil milhões de euros registadas, as instituições acabariam por ir parar às mãos do Estado.

“Não diria que se estava perante uma nacionalização, mas de protonacionalização, tal o nível de capital público que seria injectado nos bancos”, disse na altura o governador.

Os 12 mil milhões de euros não chegaram a ser totalmente aplicados no sector financeiro, tendo cerca de metade do valor – seis mil milhões de euros – sido conduzida para a designada “almofada financeira” do Governo Passos.

PSD diz que Governo deve afastar ideia da nacionalização do NB

Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2016

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Negócios

O líder do PSD defendeu esta quinta-feira que o Governo deve esclarecer rapidamente que não tenciona fazer a nacionalização do Novo Banco, considerando que ameaçar com esta possibilidade piora a perspectiva de venda.

“Julgo que era importante que o Governo esclarecesse rapidamente que não tenciona deixar nenhuma porta aberta para a nacionalização do banco”, afirmou Pedro Passos Coelho, esta quinta-feira em Ponta Delgada, Açores, ao ser questionado sobre a saída de mil trabalhadores, com 500 em despedimento colectivo, no âmbito do plano de reestruturação do Novo Banco.

Para Passos Coelho, “compete, nesta altura, à administração do próprio banco e, neste caso, também, ao fundo de resolução e ao Banco de Portugal, que é quem têm a responsabilidade de proceder à venda do Novo Banco, avaliar na sua comunicação com os investidores o que é que é preciso fazer e dizer para, de alguma maneira, melhorar a perspectiva de venda do banco”. “Agora, há uma coisa que eu sei, não é a ameaçar com nacionalizações que se melhora essa perspectiva, pelo contrário”, sustentou.

Para Passos Coelho, a administração do banco e do Banco de Portugal, que está a liderar a alienação, “deve ser encontrada uma estratégia que possa transmitir confiança ao mercado quanto ao trabalho que está a ser realizado dentro da instituição bancária, de modo a que os investidores acreditem que vale a pena vir a comprar”.

Questionado se face ao anúncio dos prejuízos e à possibilidade de saída de mil trabalhadores se este é o ‘timing’ para avançar com a venda, o presidente do PSD considera que é o Governo e o Banco de Portugal que nesta altura “devem fazer a comunicação ao mercado sobre o que são as intenções”.

“O mais que alguém que estivesse na posição de primeiro-ministro deveria fazer, parece-me, era chamar a atenção para a necessidade, em primeiro lugar, de não complicar o processo da venda, para não piorar as perspectivas de venda, e, em segundo lugar, dizer que era melhor que a administração do banco e o fundo de resolução apresentassem um programa rapidamente que oferecessem garantias ao mercado de credibilidade para a venda do banco, clarificando que o Estado não iria nacionalizar o banco. Isto era aquilo que eu diria se fosse primeiro-ministro, mas não sou”, declarou Passos Coelho.

O plano de reestruturação do Novo Banco implica a saída de 1.000 funcionários já este ano, dos quais 500 trabalhadores devem deixar a entidade no âmbito de um despedimento colectivo, informou hoje a comissão de trabalhadores do banco.

“No seguimento do plano de reestruturação imposto pela União Europeia e que já se encontra em curso, o banco terá que reduzir em 2016, cerca de 1.000 postos de trabalho, sendo suposto que 500 sejam através do recurso a um despedimento colectivo”, lê-se num comunicado divulgado pela Comissão Nacional de Trabalhadores do Novo Banco.

Passos Coelho: Banco de Portugal “não se sentiu impelido” a resolver Banif antes de vender Novo Banco

Quarta-feira, Janeiro 13th, 2016

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Rádio Renascença com som

Em entrevista à Renascença, o ex-primeiro-ministro considera, no entanto, que o dossier Banif não terá sido adiado. “Nunca conseguimos identificar um comprador”, sublinha.

No período em que “estava a procurar vender o Novo Banco”, o Banco de Portugal “não se sentiria impelido a tomar uma decisão de resolução do Banif”, admite o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Renascença.

Como explica a surpresa do Banif, que nos vai custar quase tanto como outros desastres financeiros? E isto num banco de menor dimensão e que estava nas mãos do Estado.

Vamos ver quanto custa.

Fala-se em três mil milhões…

É muito possível que esse custo esteja inflacionado porque a Direcção-geral da Concorrência fez um desconto de 66% no valor dos activos que o Banif tinha. É muito possível que esses activos valham mais do que foram contabilizados para efeitos da resolução.

Mas vai custar caro.

Foi uma questão que não se conseguiu resolver. Enquanto fui primeiro-ministro, resolvi muitas questões. Até uma verdadeira surpresa, a do Banco Espírito Santo.

Pode dizer-se que essa questão e a venda do Novo Banco o distraíram do Banif?

Não creio que a questão se possa colocar assim. A auditoria que nós [PSD] solicitámos a todo este processo e a comissão de inquérito, que também propusemos, serão importantes para olhar em detalhe para tudo isto. Não o consigo fazer aqui num minuto ou dois.

Mas não houve incúria do Estado?

Não creio. Não vou dizer que as questões Banif e Novo Banco sejam independentes, claro que houve alguma relação entre as duas. Não tenho dúvida que durante o período em que o Banco de Portugal, através do Fundo de Resolução, estava a procurar vender o Novo Banco não se sentiria impelido a tomar uma decisão de resolução do Banif.

Portanto, a questão foi atrasada.

Não diria atrasar. Nunca conseguimos identificar um comprador para o Banif. Por isso, disse que, se estivesse no Governo, não teria uma solução muito diferente. Um banco que está em dificuldades ou é capitalizado pelos seus próprios accionistas – ora, o Estado que involuntariamente era accionista não ia pôr lá mais dinheiro e os accionistas privados originais não tinham dinheiro para lá pôr -, ou é vendido (nunca conseguimos identificar um investidor) ou, se não for resolvido, tem que ser liquidado, que é um custo muito superior ao da resolução.

Não era de excluir que durante o processo de venda do Novo Banco, um investidor que não tivesse conseguido comprar o Novo Banco, e tivesse interesse em entrar em Portugal e adquirir a rede de balcões do Banif, entendesse que poderia fazer uma oferta sobre o Banif. Poderia haver sinergias resultantes do processo de venda do Novo Banco que ajudassem a resolver o problema do Banif.

Houve uma altura em que o BCE retirou o estatuto de contraparte ao Banif, porque ele já não tinha capacidade e activos para poder aceder à liquidez do Banco de Portugal ou do BCE. Isso resultou de se ter andado a tratar da questão do Banif na praça pública. Uma vez que parece ter havido a preocupação de imputar tantas culpas ao Governo anterior, parece que não houve o cuidado de tratar este assunto com a reserva que ele devia merecer. O primeiro-ministro [António Costa], para marcar uma diferença com o anterior e dizer: “Eu não me escondo por trás do governador do Banco de Portugal”, quis anunciar a decisão do Banif quando quem decidiu resolver o Banif foi o Banco de Portugal.

No Governo PSD/CDS] Não conseguimos obter da Direcção-geral da Concorrência autorização para separar os activos, vender o que era bom e tentar digerir o que era menos bom. É muito importante para futuro preservar a estabilidade do sistema financeiro para crescer. E já agora preservar também a confiança dos investidores externos em Portugal. Este Governo não o está a fazer.

Novo Banco arruma a casa e várias visões para 2016

Quarta-feira, Dezembro 30th, 2015

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Económico

O Novo Banco vai arrumando a casa, depois da decisão das autoridades portuguesas de capitalizar a instituição por uma via alternativa.

Boa tarde.

O Novo Banco vai arrumando a casa, depois da decisão das autoridades portuguesas de capitalizar a instituição por uma via alternativa. Várias linhas de obrigações seniores transitam para o “BES mau”, aliviando os rácios da instituição liderada por Stock da Cunha, que assim fica limpa de novas necessidades de capital. O gestor mandou uma comunicação de tranquilidade aos colaboradores do grupo, lembrando que o banco tem agora uma situação bem mais robusta. Quem não terá ficado satisfeito com esta decisão das autoridades portuguesas são os investidores institucionais internacionais que perderam dinheiro com esta operação. Passando para o banco mau, as perdas são agora inevitáveis, e podem estar a caminho complexos e longos processos judiciais. No campo político, o PSD considerou positiva a solução encontrada para capitalizar o Novo Banco.

Nos mercados, o dia segue calmo a caminho do final do ano. Ainda assim, os principais índices estão pintados de vermelho, mesmo que com perdas inferiores a 1%. A principal razão prende-se com nova queda dos preços do petróleo, penalizando também outros activos de países mais dependentes do valor desta e de outras matérias-primas. Também as últimas notícias acerca do referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia, que poderá acontecer em 2016, continua a ser um factor de pressão. Em Lisboa, o PSI 20 perde 0,38%, para 5.317 pontos, com o sector financeiro a pesar. O receio de que os grandes investidores possam afastar-se do mercado nacional – na sequência da decisão do Novo Banco – penaliza o ambiente, bem como as novas necessidades de almofadas financeiras conhecidas recentemente.  As maiores descidas pertencem ao BPI, que recua 2,64%, seguido pelo BCP, que desce 2%. No sentido inverso, a maior subida é responsabilidade da Semapa (0,55%).

A nível macroeconómico, o FMI deixou hoje avisos para o futuro. Segundo Christine Lagarde,  “as perspectivas [de crescimento económico] a médio prazo serão sombrias, atendendo à fraca produtividade, à população envelhecida e à continuação da crise financeira mundial”.

Voltando à política nacional, aceleram os motores para as eleições presidenciais, em Janeiro. Este fim de semana teremos osprimeiros de uma longa série de debates televisivos, que vão gerar combinações curiosas, tal a disparidade de perfis dos candidatos oficiais.

E, bem na recta final de 2015, oportunidade para fazer um balanço do ano e, sobretudo, procurar pistas para o que aí vem. O Diário Económico tem hoje nas bancas uma edição especial, composta exclusivamente por artigos de opinião de mais de uma dezena de personalidades portuguesas, entre eles Pedro Passos Coelho,António Horta Osório ou Vítor Gaspar. Um bom momento para reflectir e preparar o que aí vem.