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Fundos do BES agravam prejuízos do Novo Banco

Terça-feira, Agosto 4th, 2020

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Negócios

O Novo Banco registou perdas provisórias de 260 milhões de euros, que resultam de uma avaliação independente aos investimentos em fundos de reestruturação – feitos ainda pelo BES –, que concluiu que o valor de mercado está abaixo do registado.

Os resultados do Novo Banco (NB) voltaram a deteriorar-se. Tal como aconteceu com os restantes bancos, a pandemia fez antever o aumento do malparado e veio obrigar ao reforço das imparidades para cobrir potenciais perdas. Mas, no caso do NB, há um fator adicional que teve ainda mais peso: as perdas com fundos de reestruturação, num valor superior a 260 milhões de euros. Os ativos incluídos nestes fundos estão cobertos em 80% pelo Fundo de Resolução (FdR).

No primeiro semestre deste ano, os prejuízos do NB totalizaram 555,3 milhões de euros. A instituição justifica o resultado com os efeitos da pandemia, mas a verdade é que a maior fatia destes prejuízos não resulta das imparidades constituídas para responder ao impacto do novo coronavírus sobre a economia.

O NB aponta quatro parcelas para explicar os prejuízos: um reforço de 138,3 milhões de euros das imparidades para cobrir os riscos adicionais de crédito; outros 78,7 milhões relacionados com a cobertura de risco de taxa de juro de títulos de dívida pública portuguesa; 26,9 milhões de “reforço da provisão para reestruturação”; e a maior, de 260,6 milhões de euros, que resulta das perdas com fundos de reestruturação.

São poucos os detalhes fornecidos sobre estas perdas. O NB tem, na sua carteira de títulos, investimentos em fundos de reestruturação. Em 2018, o Banco Central Europeu (BCE) determinou que a instituição deveria reavaliar o valor dos investimentos em causa. Foi só em outubro de 2019 que o NB acabou por pedir à Alvarez & Marsal uma avaliação independente a estes ativos.

É o resultado desta análise que agora é conhecido. A avaliação concluiu que estes investimentos têm hoje um valor de mercado de 557,2 milhões de euros, um montante que, presumivelmente (já que não é explicitado qual o investimento inicial), fica abaixo daquele que tinha sido investido originalmente. Assim, o NB regista perdas provisórias de 260,6 milhões de euros.

Vários detalhes ficam por esclarecer. Desde logo, não são divulgados quais os fundos de reestruturação em causa, nem quais os montantes iniciais investidos ou quando é que estes investimentos foram feitos. Também não é conhecido que tipo de ativos estão incluídos nestes fundos.

Mas o último relatório e contas do NB detalha os fundos de reestruturação em que o banco tinha investimentos a 31 de dezembro de 2019: Fundo Recuperação Turismo, FLIT SICAV, Discovery, Vallis, Fundo Recuperação, Fundo Reestruturação Empresarial e Aquarius.

Estas foram operações realizadas na anterior crise financeira, ainda pelo Banco Espírito Santo (BES), recorda-se no relatório e contas. “No âmbito do processo de reestruturação do setor imobiliário português, foram lançadas várias iniciativas no sentido de serem criadas condições financeiras, operacionais e de gestão que pudessem revitalizar aquele setor. Nesse sentido, o Governo, em estreita ligação com as empresas e o setor financeiro, incluindo o anterior BES, encorajou a criação de sociedades e de fundos especializados que, através de operações de concentração, agregação, fusão e gestão integradas, permitissem a obtenção das sinergias necessárias à recuperação das empresas”, explica o relatório.

Assim, “foram constituídas sociedades (empresas-mãe) com participação minoritária do banco originário [o BES], com o objetivo de adquirirem certos créditos bancários imobiliários”. Assim, o BES, tal como outros bancos, cedeu ativos a estes fundos, que passaram a ser responsáveis pela gestão dos mesmos.

A exposição total a estas operações de cedência de crédito ascendia a 839,9 milhões de euros no final de 2019. No relatório e contas, o NB já reconhecia que havia “um diferencial” entre a avaliação atual destes ativos e o valor inicial investido.

O Negócios sabe que o objetivo é vender estes ativos. Foi ainda possível apurar que os mesmos estão protegidos em 80% pelo mecanismo de capitalização contingente – que já obrigou o FdR a injetar 2,9 mil milhões no NB.

Significa isto que o FdR deverá voltar a ser chamado a recapitalizar o NB. O banco antecipa já pedir mais 176 milhões, para fazer face às perdas do primeiro semestre.

Resultado operacional cresceApesar dos prejuízos, o Novo Banco salienta que os resultados da atividade, no primeiro semestre, apresentaram melhorias, com uma subida de 3,2% da margem financeira, para os 270,8 milhões de euros, e uma redução de 5,4% dos custos operativos, que se fixaram em 230 milhões. O resultado operacional cresceu, assim, mais de 10%, fixando-se em 87 milhões. Ao mesmo tempo, o banco aumentou a carteira de crédito, que passou a totalizar 27.436 milhões de euros, uma subida de 1,4% que fica a dever-se ao segmento empresarial. Já os recursos totais de clientes subiram 1,7% para os 35.041 milhões.
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CAPITALIZAÇÃO
O Novo Banco estima pedir 176 milhões de euros ao Fundo de Resolução, no âmbito do mecanismo de capitalização contingente.

Novo Banco com prejuízo de 555 milhões sinaliza nova injecção de 176 milhões

Sábado, Agosto 1st, 2020

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Público

O banco liderado por António Ramalho fechou o primeiro semestre com um prejuízo de 555 milhões, penalizado ainda pelo legado do BES e já pelos efeitos da pandemia de covid-19.

Entre Janeiro e Junho, o Novo Banco perdeu mais 555 milhões de euros. Um resultado negativo penalizado novamente pelo legado do BES e que irá justificar, segundo o comunicado divulgado esta sexta-feira, uma nova chamada de capital de, pelo menos, mais 176 milhões de euros.

O prejuízo registado no primeiro semestre representa um agravamento de 38% face às perdas de 400 milhões observadas no mesmo período do ano passado. Para além do peso que a gestão de carteiras de crédito problemático continua a ter na actividade da instituição – coberta pela mecanismo de capital contingente -, a instituição começou já a sentir os danos que a pandemia de covid-19 está a ter na qualidade do restante crédito.

Assim, a equipa de António Ramalho decidiu registar uma imparidade adicional de 138,3 milhões de euros “para riscos de crédito decorrentes da pandemia covid-19”, num contexto marcado pelo “abrandamento da actividade bancária e volatilidade dos mercados [que] levou ao agravamento do custo do risco”. Sobre esta questão, o banco não deixa margem para grandes dúvidas: “É esperado que o nível de provisionamento se mantenha elevado nos próximos trimestres” na sequência da crise económica.

A pesar nas contas esteve também não só uma perda de 78,7 milhões de euros “relacionados com a cobertura de risco de taxa de juro de títulos de dívida pública portuguesa”, mas também 26,9 milhões de “reforço da provisão para reestruturação”, incluído no âmbito da actividade do legado do BES.

Precisamente, no que diz respeito ao polémico legado do BES – que já justificou injecções do Fundo de Resolução de perto de três mil milhões de euros, dos quais mais de dois mil milhões com empréstimos do Estado –, o Novo Banco registou perdas de 493,7 milhões de euros, “que reflectem a prossecução do processo de deleverage [desalavancagem] de créditos, imóveis e outras exposições legacy [legado] que estavam no balanço do banco em 2016”. Se por um lado, este resultado explica-se pelo efeito da venda de carteiras de crédito problemático a preços baixos, desta vez surge uma novidade: uma perda de 260,6 milhões de euros em resultado “da avaliação independente aos fundos de reestruturação”.

O banco explica, a este propósito, que “tem na sua carteira de títulos investimentos em fundos de reestruturação, que estão maioritariamente protegidos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente”. Assim, “dando resposta a orientações do Banco Central Europeu, o banco obteve uma avaliação independente relativamente à sua exposição a estes fundos (…) em articulação com conceituadas empresas de consultoria imobiliária”. “Deste trabalho resultou um valor de mercado de 557,2 milhões de euros para a totalidade do investimento detido nestes activos, o que levou ao registo da referida perda de 260,6 milhões”.

O Novo Banco acrescenta que “continuará a monitorizar esta área à medida que o impacto da pandemia na economia portuguesa se tornar mais claro”, deixando em aberto novo impacto desta actividade nas necessidades de capital cobertas pelo mecanismo de capital contingente.

Nesta área que está a ser avaliada pela Deloitte, numa auditoria cujos resultados voltaram a ser adiados para Agosto, o activo composto por créditos problemáticos e outras exposições deficitárias decresceu em 782 milhões de euros face a Dezembro de 2019, com a redução na carteira de crédito líquida em cerca de 158 milhões, em imóveis de 129 milhões e nos referidos fundos de reestruturação em 495 milhões.

Assim, em resultado destas perdas, “o Novo Banco estima, a esta data e para este período de seis meses, um montante a receber de 176 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente”.

Solidez protegida

No que diz respeito à solidez do banco, esta está protegida “em níveis predeterminados até aos montantes das perdas já verificadas nos activos protegidos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente”. Quer isto dizer que as injecções do Fundo de Resolução visam, precisamente, manter o Novo Banco à superfície face às exigências impostas pelas autoridades europeias.

Isso mesmo recorda o banco, em comunicado, sublinhando que “o montante de compensação a solicitar com referência a 2020 terá em conta as perdas incorridas nos activos cobertos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente, bem como as condições mínimas de capital aplicáveis no final de 2020 ao abrigo” do mesmo instrumento.

“O Novo Banco continua com o seu rácio CET1 [o mais importante] protegido, tendo este nível de protecção sido fixado em 12% a partir de Janeiro de 2020”, conclui, acrescentando que “em 30 Junho de 2020, o rácio provisório CET1 foi de 12,0% e o rácio provisório de solvabilidade total de 13,5%, valores que representam uma redução face aos apurados no final de 2019”. Uma descida explicada pela “diminuição dos capitais próprios impactados no período pelos efeitos decorrentes da pandemia covid-19”.

Isto, apesar “de o Banco Central Europeu (BCE) ter divulgado em 12 Março de 2020 diversas medidas que permitem aos Bancos operar temporariamente abaixo do nível de capital exigido”, como destaca o próprio banco no comunicado dos resultados. “Estas medidas visam impedir a suspensão do financiamento à economia pelos Bancos num contexto económico adverso”, justifica.

Sobre o negócio, neste primeiro semestre atípico, o Novo Banco refere que os resultados da actividade “apresentam melhorias quando comparados com os do período homólogo – aumento do resultado operacional estratégico (+3,1%) em resultado do aumento da margem financeira (+3,2%) e da redução de custos operativos (-5,4%), e aumento do resultado operacional (+10,5%)”. Sem legado do BES, o banco lucrou 34 milhões de euros, tendo o crédito concedido aumentado ligeiramente (+2,6%) em cerca de 600 milhões de euros.

Novo Banco regista prejuízos de 180 milhões no primeiro trimestre

Terça-feira, Junho 9th, 2020

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Eco

Novo Banco regista prejuízos de 180 milhões no primeiro trimestre

O Novo Banco duplicou os prejuízos para 179,1 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. A crise do coronavírus obrigou o banco a constituir provisões de 70 milhões.

O Novo Banco registou um resultado líquido negativo de 179,1 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, praticamente o dobro dos prejuízos que tinha registado há um ano. A crise do coronavírus obrigou o banco a constituir provisões de 70 milhões de euros. Isso ajuda a explicar o mau desempenho no arranque de 2020.

 

O banco liderado por António Ramalho explica que a pandemia levou a um abrandamento do negócio bancário e a maior volatilidade nos mercados.

Como consequência disso, o Novo Banco viu o custo do risco agravar, tendo reforçado as imparidades para o malparado em 69,7 milhões de euros. “É esperado que o nível de provisionamento se mantenha elevado nos próximos trimestres”, alerta a instituição financeira em comunicado.

O reforço das provisões não é caso único no Novo Banco. Os outros grandes bancos portugueses também já registaram provisões de mais de 200 milhões por causa da crise do Covid-19.

“O processo de reestruturação que temos estado a realizar de forma decidida e com sucesso, ainda que não esteja terminado, permitiu que o Novo Banco nesta crise tenha provado ser um instrumento decisivo e único no apoio às empresas e famílias portuguesas e à economia nacional”, considera António Ramalho.

Bem capitalizado e com liquidez

Apesar dos prejuízos, o banco assegura que “está bem capitalizado e apresenta sólidos níveis de liquidez, estando bem posicionado para dar suporte aos clientes de retalho e empresas” na crise.

Ao nível operacional, o banco também sentiu o impacto do vírus. Apesar do aumento da margem financeira em 10% para 137,4 milhões de euros, o produto bancário caiu para metade, totalizando os 116 milhões de euros devido às perdas já citadas com a dívida pública.

Perante os custos de operação de 115,8 milhões, o resultado operacional caiu 99% para apenas 600 mil euros.

Crédito desce, depósitos aumentam

Do lado do balanço, o crédito a clientes desceu 0,5% para 25,1 mil milhões de euros, devido à redução de créditos tóxicos na ordem dos 150 milhões de euros.

Aliás, o Novo Banco viu o rácio de malparado cair ligeiramente dos 11,8% no final de 2019 para 11,1% no final de março. Tem agora 3,3 mil milhões de euros em NPL (créditos problemáticos), sendo que o rácio de cobertura é de 59%.

Quando aos recursos de clientes (depósitos), eles cresceram 1,6% para para 28,8 mil milhões de euros, isto quando comparado com o final do ano passado.

Os prejuízos de 180 milhões de euros no arranque do ano seguem-se às perdas de 1.058,8 milhões de euros em 2019, e que levou o Novo Banco a pedir ao Fundo de Resolução uma injeção de 1.035 milhões de euros ao abrigo do mecanismo de capital contingente. Esta garantia pública vale 3,89 mil milhões de euros, sendo que quase 3 mil milhões já foram consumidos pelo banco.

 

Novo Banco com prejuízos de 1.058,8 milhões de euros em 2019

Sábado, Fevereiro 29th, 2020

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Negócios

Com base nos resultados relativos ao ano passado, o banco liderado por António Ramalho vai pedir mais 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

O Novo Banco registou um prejuízo de 1.058,8 milhões de euros no ano passado, o que representa uma melhoria de 25% face ao resultado negativo de 1.412 milhões de euros no ano anterior. Com base nas contas de 2019, a entidade liderada por António Ramalho vai pedir 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

“O grupo Novo Banco apresentou em 2019 um resultado negativo de -1.058,8 milhões de euros, decorrente da combinação de uma perda de 1 236,4 milhões de euros na atividade legacy e de um ganho de +177,6 milhões de euros na atividade recorrente”, de acordo com os resultados divulgados esta sexta-feira.

Neste período, adianta a entidade, o banco “registou perdas relacionadas com o processo de restruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente os projetos Sertorius, Albatros e NATA II, e o processo de venda da GNB Vida”.

“O Novo Banco fechou o ano com um resultado recorrente muito positivo e um crescimento do negócio acima dos 5%. Foi um feito. Mas também foi um feito fazê-lo em simultâneo com uma redução de 3,3 mil milhões de euros de NPL e uma redução acima de 50% do seu balanço legado”, afirmou António Ramalho, CEO do Novo Banco, no comunicado dos resultados.

O produto bancário comercial ascendeu a 864,1 milhões de euros, o que representa um aumento de 12,5% em termos homólogos, “influenciado pelo crescimento na margem financeira (+19,0%) bem como nos serviços a clientes (+3,1%)”, nota o banco.

Já os resultados de operações financeiras foram negativos em -196,8 milhões de euros, “reflexo das perdas decorrentes da atividade legacy (-269,0 milhões de euros). Em oposição a estes resultados, as reservas de justo valor relacionadas com a carteira de títulos apresentaram um expressivo aumento”

Os custos operativos apresentam uma redução de 1,8%, mostra a instituição financeira, situando-se em 478,5 milhões, “um reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores, tendo os custos da atividade legacy apresentado uma redução significativa”.

Quanto às provisões, o valor fixou-se nos 935,4 milhões, desdobrando-se em 627,5 milhões de euros para crédito e 308,1 milhões de euros para outros ativos e contingências, dos quais 47,3 milhões respeitam a provisões para restruturação e 177,8 milhões estão relacionadas com os processos de venda de ativos não produtivos (NATA II, Sertorius e Albatros) e da GNB Vida.

Menos crédito, mais recursos
O crédito a clientes (bruto) registou uma quebra de -1.658 milhões de euros face a dezembro de 2018. “A redução observada no crédito a empresas no exercício de 2019 teve especial incidência no crédito não produtivo da atividadelegacy, que decresceu -2.841 milhões de euros”, refere o Novo Banco.

Na atividade recorrente, o volume de crédito cresceu 5,6%, registando-se aumentos nas carteiras de particulares e empresas.

Já os recursos totais de clientes totalizaram 34,4 mil milhões, o que representa uma subida de 0,8% no valor em análise.

Novo Banco: Presidente diz que 2020 é o ano de “limpeza” do legado do BES

Sábado, Fevereiro 29th, 2020

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Notícias ao Minuto

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, disse hoje que o objetivo de 2020 é “limpar” o balanço do banco e resolver os problemas relacionados com o legado do BES.

“A prioridade este ano é a limpeza de balanço, o desaparecimento do ‘legacy’ [legado do BES] e a resolução dos problemas”, disse António Ramalho, na apresentação de resultados de 2019 (prejuízos de 1.058,8 milhões de euros), em Lisboa.

Nessa ‘limpeza’, destaca-se a redução do crédito malparado, sendo o objetivo passar do rácio atual de 11% do malparado face ao crédito total para 5% (valor de referência do Banco Central Europeu), indicou.
Já questionado sobre se isso significa que o banco só recorrerá ao mecanismo de capital mais uma vez, no início de 2021 face aos resultados de 2020, António Ramalho disse que o futuro do mecanismo contingente é da responsabilidade dos acionistas.

“Sou administrador de um banco que tem até 2026 esse mecanismo, o que quero é que o banco fique limpo em 2020, outra coisa é o mecanismo”, disse.

Segundo o gestor, o seu trabalho é “gerir exclusivamente a qualidade dos ativos do banco” e são os acionistas que “podem tomar as decisões que quiserem, de alterar pressupostos do mecanismo”.

O Novo Banco divulgou hoje prejuízos de 1.058,8 milhões de euros em 2019, uma diminuição face aos 1.412,6 milhões de euros verificados em 2018.

Com as perdas de 2019 hoje conhecidas, desde agosto de 2014, quando foi criado para ficar com parte da atividade bancária do BES, o Novo Banco já acumula prejuízos de 7.036,3 milhões de euros.

O banco confirmou ainda que vai pedir uma injeção de capital ao Fundo de Resolução de 1.037 milhões de euros, informação já dada esta semana no parlamento pelo presidente do fundo.

O Novo Banco foi criado em agosto 2014 para ficar com ativos e passivos do Banco Espírito Santo (BES), alvo de uma medida de resolução, e desde então tem obtido consecutivamente prejuízos.

Em outubro de 2017 foi vendido em 75% ao fundo norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado, gerido pelo Banco de Portugal) os restantes 25%.

No âmbito da venda, o Estado fez um acordo de capital contingente com a Lone star que prevê a recapitalização do banco pelo Fundo de Resolução para cobrir falhas no capital geradas pelos ativos tóxicos com que o Novo Banco ficou do BES (crédito malparado ou imóveis).

No total, segundo esse acordo, o Fundo de Resolução bancário pode injetar 3,89 mil milhões de euros no banco até 2026.

Referentes a 2017 e 2018, o Novo Banco já recebeu 1.941 milhões de euros, pelo que com mais 1.037 milhões de euros o valor total injetado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco ascenderá a 2.978 milhões de euros.

Uma vez que o Fundo de Resolução não tem dinheiro para fazer face a estas injeções de capital, todos os anos tem recorrido a empréstimos do Estado, o que se repetirá este ano (cerca de 850 milhões de euros).

Novo Banco agrava prejuízos para 572,3 milhões

Segunda-feira, Novembro 11th, 2019

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Público

O banco que sucedeu ao BES continua a operar no vermelho, devido ao legado do seu antecessor. Prejuízos agravaram-se em 46,4% para 572,3 milhões.

O Novo Banco fechou os primeiros nove meses do ano com um agravamento do seu resultado negativo, passando de uma perda de 390,9 milhões de euros registada em Setembro do ano passado, para um prejuízo de 572,3 milhões. Um desempenho da equipa liderada por António Ramalho explicada pelo legado do BES, que foi separado numa unidade específica e que gerou uma perda de 712 milhões de euros.

A actividade recorrente, isto é, a operação do banco excluindo os activos relacionados com o legado do BES, saldou-se por um resultado positivo de 140 milhões de euros.

Segundo explica o banco em comunicado, nos primeiros nove meses do ano, o Novo Banco registou perdas relacionadas com o “processo de restruturação e desalavancagem de activos não produtivos, designadamente o projecto Sertorius, o projecto Albatros, o projecto NATA II e o processo de venda da GNB Vida, cujo impacto negativo ascendeu a 391 milhões de euros”.

O Novo Banco adianta, no comunicado enviado ao mercado, que o montante a pedir ao Fundo de Resolução no final do ano “dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”.

“Estamos hoje certos de atingir todos os ambiciosos compromissos que foram acertados entre Portugal e a Comissão Europeia. A estratégia de limpeza do legado tem provado ser a mais correcta”, afirmou, numa declaração à Lusa, o presidente executivo do banco, António Ramalho.

As contas hoje apresentadas englobam ainda uma rectificação face às apresentadas no mesmo período de 2018, já que então o banco tinha divulgado prejuízos de 419,6 milhões de euros, hoje corrigidos para 390,9 milhões de euros.

“A demonstração dos resultados referente a 30 de Setembro de 2018 foi reexpressa, por forma a reflectir a alteração do registo inicial de passivos relacionados com a operação de LME [Liability Management Excercise, troca de obrigações] concretizada no último trimestre de 2017. Esta reexpressão visa assegurar a comparabilidade e consistência dos dados apresentados”, de acordo com o Novo Banco.

A instituição liderada por António Ramalho aumentou o produto bancário comercial em 11,5%, nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período do ano passado, para 631,2 milhões de euros.

A margem financeira aumentou também 22% nos primeiros três trimestres face ao mesmo período do ano passado, mas o serviço a clientes reduziu-se em 3% no período.

Já os resultados em operações financeiras registaram perdas de 44,3 milhões de euros até Setembro de 2019, algo atribuído pelo Novo Banco às “perdas decorrentes da actividade legacy [legado do BES]” em 54,6 milhões de euros.

Também em queda estiveram os custos operacionais do Novo Banco, que se reduziram em 0,5% para 361,8 milhões de euros, “reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da optimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores, tendo os custos da atividade legacy apresentado uma redução significativa”, de acordo com a instituição.

As provisões totalizam 640,9 milhões de euros.

Menos 129 trabalhadores e sete balcões

O Novo Banco perdeu 129 trabalhadores e sete balcões desde o final do ano passado, de acordo com os dados hoje divulgados pelo banco liderado por António Ramalho. Segundo comunicado enviado hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pelo Novo Banco, “os custos com pessoal totalizaram 200,6 milhões de euros (+0,6% em termos homólogos), tendo ocorrido uma redução de 129 colaboradores face a 31 de Dezembro de 2018”.

“Em 30 de Setembro de 2019 o Grupo Novo Banco contava com 4.967 colaboradores”, revelou ainda a instituição que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES). Já em termos de balcões, no final de Setembro, o Novo Banco contava com um total de 395, uma descida de sete face aos registados no final de 2018.

De resto, os gastos gerais administrativos do Novo Banco reduziram-se em 13,6 milhões de euros nos primeiros três trimestres do ano face a igual período de 2018, tendo as amortizações aumentado em 10,7 milhões para 26,9 milhões de euros em igual intervalo temporal.

Novo Banco prevê pedir mais 540 milhões ao Fundo de Resolução

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

O banco liderado por António Ramalho já pediu 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

O Novo Banco prevê pedir mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital. A informação foi avançada pelo banco esta sexta-feira, 2 de agosto, no comunicado sobre os resultados do primeiro semestre.

“O Novo Banco tem os seus rácios de Common Equity Tier 1 (CET1) e Tier 1 protegidos em níveis predeterminados até aos montantes das perdas já verificadas nos ativos protegidos pelo Mecanismo de Capital Contingente. O montante de compensação de capital estimado nas contas do semestre é de 541 milhões de euros. A compensação do final do ano dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”, de acordo com o comunicado enviado à CMVM.

A previsão é revelada no mesmo dia em que o banco liderado por António Ramalho apresentado prejuízos de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com o resultado negativo de 212,2 milhões de euros registado no mesmo período do ano passado.

No final do ano passado, os prejuízos foram de 1.412 milhões de euros, o que levaram o banco a pedir
uma injeção de capital de 1.149 milhões ao Fundo de Resolução. Dinheiro que já está do lado do Novo Banco.

A entidade liderada por Máximo dos Santos já tinha sido chamada a colocar 792 milhões de euros na instituição financeira que resultou da falência do Banco Espírito Santo, no verão de 2014. No total, já foram utilizados perto de 2 mil milhões, cerca de metade do montante máximo definido no acordo de venda.

Na venda de 75% do banco à Lone Star, foi estabelecido um teto máximo de 3,89 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução poderá injetar no Novo Banco, por via de um mecanismo de capital contigente.

Fundo de Resolução foi chamado a avaliar 107 vendas de ativos tóxicos do Novo Banco. Travou 15

Segunda-feira, Junho 17th, 2019

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Eco

Fundo de Resolução foi chamado a avaliar 107 vendas de ativos tóxicos do Novo Banco. Travou 15

Até ao momento, só 15 das 107 operações analisadas por Máximo dos Santos mereceram o “chumbo”. Maioria das que foram aprovadas, foram-no com condições para evitar perdas mais avultadas no Novo Banco.

Vender, vender, vender. Este tem sido o mote da Lone Star desde que assinou a compra do Novo Banco, procurando o mais rapidamente “limpar” a instituição financeira liderada por António RamalhoEssas operações de venda de ativos tóxicos têm custos que estão a ser suportados pelo mecanismo de capital contingente, sendo financiadas pelo Fundo de Resolução que tem uma palavra a dizer quando em causa estão transações de maior valor. Até ao momento, só 15 das 107 operações analisadas por Máximo dos Santos mereceram o “chumbo”.

“Até 15 de março 2019 o Fundo de Resolução pronunciou‐se relativamente a 107 operações”, revela a entidade liderada por Máximo dos Santos num conjunto de respostas a questões sobre o Acordo de Capitalização Contingente celebrado entre o Fundo de Resolução e o Novo Banco no âmbito do compromisso assumido pelo presidente do Fundo de Resolução junto da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa da Assembleia da República.

O Fundo apenas é chamado a pronunciar-se “quando estejam em causa operações de maior materialidade”, tendo o apoio do Departamento de Resolução do Banco de Portugal, no qual foi criada uma equipa especificamente dedicada ao acompanhamento do mecanismo de capitalização contingente. E no total das operações só 15 mereceram oposição total de Máximo dos Santos, evitando-se perdas mais avultadas com os ativos do Novo Banco. Nos “chumbos”, o Fundo de Resolução “considera não ter sido adequadamente demonstrado que está a ser maximizado do valor do ativo”, diz.

“Com frequência, o Fundo de Resolução conclui que as operações propostas apenas se mostram aceitáveis se forem verificadas certas condições ou transmite orientações ao Novo Banco que alteram os termos e condições das operações“, refere o mesmo documento onde é revelado que as restantes 49 operações tiveram autorização “conforme proposto” pelo Novo Banco.

Perdas acumuladas ascendem a 2.661 milhões

Mesmo com o controlo do Fundo de Resolução, o processo de venda de ativos tóxicos do Novo Banco tem vindo a gerar perdas avultadas para o banco, reduzindo o rácio de capital da instituição para níveis que têm obrigado a injeções de capital acordadas no âmbito do Acordo de Capitalização Contingente. Reforços de capital feitos pelo Fundo de Resolução com empréstimos obtidos junto do Estado, ou seja, dos contribuintes.

Máximo dos Santos revela que as “perdas acumuladas neste conjunto de ativos abrangidos desde 30 de junho de 2016 ascendem a 2.661 milhões de euros e o valor de recebimentos (amortizações de capital, recebimento de juros ou receitas de vendas de ativos) relativos aos mesmos ascende a cerca de 3.300 milhões“. Só no ano passado, o Novo Banco registou perdas que levaram o Fundo de Resolução a injetar mais 1.149 milhões de euros, aumentando o “buraco” do fundo para 6.114 milhões.

Com todas as vendas já realizadas, a carteira de ativos tóxicos “regista uma redução significativa”, nota o Fundo. Assim, o “valor da carteira, a 31 de dezembro 2018, ascende a cerca de 3.920 milhões de euros (valor contabilístico líquido de imparidades), valor que compara com o valor inicial de cerca de 7.838 milhões de euros (‐50%)”, remata Máximo dos Santos. Para cobrir perdas dos 3.920 milhões de euros, já só estão disponíveis 1.950 milhões do mecanismo.

Novo Banco passa a prejuízo de 93 milhões nos primeiros três meses do ano

Sábado, Maio 18th, 2019

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Negócios

O banco liderado por António Ramalho viu os resultados caírem no primeiro trimestre para um prejuízo de 93,1 milhões. Nos primeiros três meses do ano anterior, o Novo Banco tinha registado um lucro de 70,4 milhões de euros.

O Novo Banco passou de lucro a prejuízo no arranque do ano. Nos primeiros três meses, o banco liderado por António Ramalho registou um resultado negativo de 93,1 milhões euros. Isto depois de ter terminado o ano passado com um prejuízo de 1.412 milhões de euros.

Nos primeiros três meses de 2017, o banco registou lucros de 70,4 milhões de euros, tendo reexpresso o número “por forma a refletir a alteração do registo inicial de passivos relacionados com a operação de LME concretizada no último trimestre de 2017”, com o objetivo de “assegurar a comparabilidade e consistência dos dados apresentados”. Antes, os lucros indicados eram de 60,9 milhões de euros.

As perdas para o primeiro trimestre, explica o banco no comunicado divulgado esta sexta-feira, 17 de maio, à CMVM, estão “em linha com o plano estratégico e com os compromissos assumidos com as autoridades europeias”.

A margem financeira cresceu de 106,9 milhões para 124,7 milhões de euros entre janeiro e março deste ano. Ainda assim, este indicador não contou com o contributo positivo das comissões. Estas recuaram de 93,1 milhões para 85,5 milhões.

Esta quebra pode ser explicada pela descida do produto bancário. De acordo com o banco, este caiu 17,7% para 261,6 milhões de euros. Já o resultado operacional desceu 31,9% para 95,1 milhões de euros no período em análise.

Também os custos operacionais sofreram um aumento para 272 milhões de euros. Isto em comparação com 159,7 milhões no primeiro trimestre. Esta evolução pode ser explicada pelo aumento significativo das provisões. De acordo com o banco, as provisões líquidas de anulações passaram de 7 milhões para 67 milhões de euros.

A instituição financeira nota, contudo, que o “resultado do primeiro trimestre de 2019 não compara adequadamente com o resultado do período homólogo do ano anterior, uma vez que este último incluía um efeito positivo das atividades em descontinuação resultante, nomeadamente, da classificação da GNB Vida como atividade em descontinuação”. Este impacto favorável nos resultados do trimestre homólogo foi, segundo o banco, de 51,2 milhões de euros.

Banco recorrente aumenta lucrosNos resultados trimestrais, o Novo Banco voltou a dividir a entidade entre o “banco recorrente”, no qual estão incluídos os ativos considerados estratégicos, e o “banco legado”, que contém os ativos para venda.

“O Novo Banco recorrente registou um resultado positivo antes de impostos de 85,4 milhões de euros, que evidencia uma recuperação face ao resultado apresentado para todo o ano de 20182, de 2,2 milhões, refere a entidade liderada por António Ramalho.

Já a margem financeira cresceu 33,4%, “reflexo das medidas de otimização concretizadas durante o exercício de 2018, nomeadamente as relacionadas com a redução do custo dos recursos”. Relativamente às comissões, estas recuaram para 71,4 milhões, face a 77,4 milhões em março de 2015, o que representa uma descida de 7,7%.

Quanto ao “banco legado”, o resultado antes de impostos foi negativo em 142 milhões de euros, “influenciado pelo reforço de imparidades”, bem como pelas “provisões para reestruturação e para o projeto de venda de ativos não produtivos em Espanha”, conhecido como projeto Albatroz. Em causa está uma carteira de 400 milhões de crédito malparado.

Novo Banco recebeu 17,8 milhões de euros em dividendos de participadas

Segunda-feira, Abril 15th, 2019

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Económico

A GNB Vida, que está em processo de venda ainda sem luz verde dos reguladores, apesar de ter sido anunciada a venda no ano passado, tem um valor de 620,472 milhões em 31 de dezembro de 2018. A isto abate uma imparidade constituída para este ativo no valor de -445,472 milhões, pelo que o valor da seguradora líquido de imparidades é de 174,9 milhões de euros.

Segundo o relatório e contas já auditado do Novo Banco, referente ao exercício de 2018, foram registados rendimentos de instrumentos de capital no valor de 17.864 milhares de euros, que incluem dividendos recebidos da Unicre no valor de 2.765 milhares de euros; do BEST no valor de 2.712 milhares de euros; da Explorer III (FIQ) no valor de 3.027 milhares de euros; da Locarent no valor de 1.727 milhares de euros; da GNB Seguros no valor de 1.422 milhares de euros; da Euronext no valor de 1.514 milhares de euros e da Haitong FCR  (capital de risco) no valor de 1.251 milhares de euros.

Este montante compara com receitas de capital de 23,55 milhões de euros, em dezembro de 2017, e que incluem dividendos registados da GNB Gestão de Ativos no valor de 10.500 milhares de euros; da Unicre valor de 3.396 milhares de euros; do BEST valor de 2.471 milhares e da GNB Seguros valor de 2.128 milhares de euros).

Ativos não correntes detidos para venda

Nas notas explicativas individuais dos números de 2018, que estão publicadas no relatório e contas, o Novo Banco apresenta uma lista de ativos detidos para vender, o seu valor e as imparidades constituídas.

Assim: a GNB Vida, que está em processo de venda ainda sem luz verde dos reguladores, apesar de ter sido anunciada a venda no ano passado, tem um valor de  620,472 milhões em 31 de dezembro de 2018. A isto abate uma imparidade constituída para este ativo no valor de  -445,472 milhões, pelo que o valor da seguradora líquido de imparidades é de 174,9 milhões de euros.

O Banco Well Link (anterior NB Ásia), cuja venda foi feita em 2017, mas que não foi vendido na totalidade, está avaliado em  4,013 milhões. Não há imparidades constituídas para esta participação.

O Novo Banco em maio de 2017 vendeu 75% do Novo Banco Ásia, instituição com sede em Macau, por 145,8 milhões de euros. A alienação de 75% da participação no NB Ásia provocou o registo de uma mais valia de 88,2 milhões de euros. O comprador foi o chinês Well Link, empresa com sede em Hong Kong, mas o banco ficou ainda com 25%.

Recorde-se que “o acordo de venda assinado prevê ainda um conjunto de opções de compra e venda, com condições já acordadas, que cobrem os restantes 25% e são exercíveis num prazo até 5 anos perfazendo um preço total para os 100% de 183 milhões de euros”, anunciou o Novo Banco em 2017, em comunicado.

A instituição tem ainda para vender Banco Delle Tre Venezie, cujo valor do ativo está fixado em 8,926 milhões. A isto abate uma imparidade de  -2,901 milhões, pelo que o banco está avaliado em termos líquidos em 6 milhões de euros

O Novo Banco vendeu a Quinta dos Cónegos. Em 2017 este ativo valia 4,893 milhões e tinha uma imparidade de 3,452 milhões de euros.

O banco vendeu também a participação no francês BES Vénétie de 87,5% (incluindo a participação na sociedade SCI George Mandel) ao fundo Cerberus, no final de 2018. O valor não foi divulgad0, mas o banco tinha um valor de 55 milhões em 2017 e uma imparidade de  32,787 milhões, pelo que o valor do banco era 22,3 milhões, sendo que o banco anunciou que a conclusão desta transação teve um impacto positivo estimado de 30 pontos base no rácio de capital Common Equity Tier 1. Ou seja, foi vendido acima dos 22,3 milhões.

O Novo Banco já saiu também da Venezuela. Em março do ano passado vendeu  os ativos e passivos da sua sucursal na Venezuela ao BANCAMIGA, Banco Universal, deixando assim de ter atividade bancária naquele país.

Contribuição para o Fundo de Resolução, Novo Banco também paga

Em 31 de dezembro de 2018, a contribuição periódica efetuada pelo Novo Banco ascendeu a 10,8 milhões de euros (acima do registado 31 de dezembro de 2017 que era de 7,673 milhões de euros).

No seguimento da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro, foi criada a Contribuição sobre o Setor Bancário, a qual incide sobre o passivo médio anual apurado em balanço deduzido dos fundos próprios e dos depósitos abrangidos pela garantia do Fundo de Garantia de Depósitos e sobre o valor nocional dos instrumentos financeiros derivados.

A Contribuição sobre o Setor Bancário não é elegível como custo fiscal e o respetivo regime tem vindo a ser prorrogado, diz o documento.

Em 31 de dezembro de 2018, o Banco reconheceu como gasto relativamente à Contribuição sobre o Setor Bancário, o valor de 26,8 milhões de euros (31 de dezembro de 2017 tinha sido de 30,256 milhões de euros).

O gasto reconhecido a 31 de dezembro de 2018 foi apurado e pago com base na taxa máxima de 0,110% que
incide sobre o passivo médio anual apurado em balanço deduzido dos fundos próprios e dos depósitos
abrangidos pela garantia do Fundo de Garantia de Depósitos.

Estado pode exercer 6,5% do capital do Novo Banco

Estima-se que os direitos de conversão no âmbito do regime especial aplicável aos ativos por impostos diferidos, a serem emitidos e atribuídos ao Estado na sequência dos resultados líquidos negativos dos exercícios de 2015, 2016 e 2017 lhe confiram uma participação até cerca de 6,5% do capital social do Novo Banco, lê-se no relatório do banco.

Havia um regime criado pelo governo PSD/CDS-PP, que vigorou de 2014 a 2016, que permitiu aos bancos transformar em créditos fiscais os ativos por impostos diferidos acumulados (resultantes da diferença entre os custos contabilísticos com imparidades ou provisões e os reconhecidos para efeitos fiscais), ajudando aos rácios de capital dos bancos e permitindo que de futuro pudessem ser deduzidos à fatura fiscal ou mesmo devolvidos.

“Tivemos dois reembolsos de DTA [ativos por impostos diferidos]. O Estado não exerceu o direito de conversão e pode não exercer”, afirmou António Ramalho, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2018. O banqueiro acrescentou que, no total, o Estado devolveu 220 milhões de euros, “100 milhões este ano e 120 milhões o ano passado”.

O banco aderiu ao Regime Especial Aplicável aos Ativos por Impostos Diferidos aprovado pela Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto. O referido regime aplica-se aos ativos por impostos diferidos resultantes da não dedução, para efeitos de IRC, de gastos e variações patrimoniais negativas que tenham sido registados até 31 de dezembro de 2015 com perdas por imparidade em créditos e com benefícios pós-emprego ou a longo prazo a empregados.

Esse regime prevê que os ativos por impostos diferidos possam ser convertidos em créditos tributários quando o sujeito passivo registe um resultado líquido anual negativo.

No que respeita ao exercício de 2017, na sequência do apuramento de um resultado líquido negativo e da
aprovação das contas anuais pelos órgãos sociais, a aplicação do referido Regime Especial implicou em 2018, a conversão dos ativos por impostos diferidos elegíveis num crédito tributário em função da proporção desse resultado líquido no valor dos capitais próprios, estimado em 152,478 milhões de euros.

Os direitos de conversão são valores mobiliários que conferem ao Estado o direito a exigir ao NB o respetivo aumento de capital social, através da incorporação do montante da reserva especial e consequente emissão e entrega gratuita de ações ordinárias. Os acionistas do NB têm o direito potestativo de adquirir os direitos de conversão ao Estado.

O balanço consolidado apresenta ativos por impostos diferidos de cerca de 1,2 mil milhões de euros com referencia a 31 de dezembro de 2018. O resultado do ano inclui 667,7 milhões relativo a impostos sobre o rendimento.

Os ativos por impostos diferidos incluem 907,5 milhões relativos a diferenças temporárias no tratamento fiscal das perdas de imparidades para crédito e 138,9 milhões em prejuízos fiscais reportáveis para exercícios futuros, dos quais apenas uma parte está abrangido pelo regime especial.

A administração do banco elaborou um plano de recuperação desses ativos por impostos diferidos com base em estimativas de lucros futuros. “A capacidade de o Grupo conseguir recuperar os ativos por impostos diferidos está dependente da materialização do plano e do enquadramento fiscal”, é uma das observações do relatório de auditoria da EY.

Provisões para litígios

São os chamados passivos contingentes. No relatório e contas o Novo Banco identifica os litígios que podem ter efeitos ou impactos nas demonstrações financeiras da instituição (exclui os casos em que a responsabilidade não foi transferida do BES como é o caso dos litígios movido no Tribunal da Venezuela) . O Novo Banco detalha que lhe pode calhar responsabilidades fruto da ação judicial intentada pela Partran, SGPS, Massa Insolvente da Espírito Santo Financial Group, e Massa Insolvente da Espírito Santo Financial (Portugal), contra o banco e e a Calm Eagle Holdings através da qual se pretende a declaração de nulidade do penhor constituído sobre as ações da Companhia de Seguros Tranquilidade, e, subsidiariamente, a anulação do penhor ou a declaração da sua ineficácia.

Mas o banco poderá beneficiar de uma ação judicial apresentada por si de impugnação da resolução em benefício da massa insolvente dos atos de constituição e de posterior execução do penhor sobre as ações da sociedade Companhia de Seguros Tranquilidade, declarada pelo administrador de insolvência da Partran, SGPS, por considerar que não existem fundamentos para a resolução dos referidos atos, bem como para a devolução da quantia recebida a título de preço (25 milhões de euros, suscetível de ajustamento positivo) pela venda das ações da Companhia de Seguros Tranquilidade. O Novo Banco impugnou judicialmente o ato de resolução, correndo o processo por apenso ao processo de insolvência da Partran, SGPS.

Mas também as ações judiciais intentadas na sequência da celebração do contrato de compra e venda do capital
social do NB, assinado entre o Fundo de Resolução e a Lone Star em 31 de março de 2017, relacionadas com as condições da venda, nomeadamente a ação administrativa intentada elo Banco Comercial Português,  contra o Fundo de Resolução, da qual o NB não é parte e, no âmbito da qual, segundo a divulgação pública de informação privilegiada efetuada pelo BCP no site da CMVM em 1 de setembro de 2017, é solicitada a apreciação jurídica da obrigação de capitalização contingente assumida pelo Fundo de Resolução no âmbito do CCA.

Há ainda o risco do recurso interposto no Tribunal Geral da União Europeia pelo Banco Comercial Português, e
outras entidades do grupo, onde é solicitada a anulação da decisão da Comissão Europeia C (2017/N), de 11 de outubro de 2017, na medida em que considera o contrato de capital contingente acordado entre o Fundo de Resolução e o Grupo Lone Star, no âmbito da venda do NB, um auxílio de Estado compatível com o mercado interno.

O NB tomou conhecimento deste procedimento, através da publicação efetuada no Jornal Oficial da União Europeia de dia 16 de julho de 2018. Apesar de o NB não ser parte neste processo, requereu ao Tribunal
Geral a sua intervenção como parte, tendo o pedido sido deferido.