Arquivo para a categoria ‘Tranquilidade’

Fundo Apollo quer vender Tranquilidade

Domingo, Maio 13th, 2018

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Ionline

O fundo de investimento concretizou a compra com o Novo Banco em 2015. Mas o seu objetivo foi adquirir a seguradora em dificuldades, promover a sua reestruturação e vendê-la por um montante mais elevado.

A Apollo Global Management quer vender a seguradora Tranquilidade, apurou o SOL. Um negócio que foi concretizado em janeiro de 2015 depois de a gestora norte-americana de ‘private equity’ ter comprado a companhia que pertencia ao Grupo Espírito Santo (GES). Uma venda que não parece surpreender: vários responsáveis do mercado contactados pelo SOL lembram que vai ao encontro da estratégia deste tipo de fundos de investimento. A fórmula é simples: investem em empresas em dificuldades, promovem a sua reestruturação e vendem-nas posteriormente a montantes mais elevados.
Aliás, Portugal tem sido um dos mercados onde estes fundos têm feito mais negócios. Um dos exemplos é a venda da Tranquilidade e, mais tarde, da Açoreana ao fundo Apollo.

Com a compra da Tranquilidade, o Novo Banco encaixou cerca de 40 milhões de euros. Além disso, a Apollo comprometeu-se a injetar cerca de 150 milhões na seguradora, um aumento de capital destinado a compensar o facto de parte das reservas técnicas da companhia estarem representadas por créditos sobre o GES que, com o colapso do grupo, apresentavam um valor nulo.

O processo de negociação com o Novo Banco demorou cerca de quatro meses e só foi possível depois depois de a Centerbridge, investidor em dívida do Espírito Santo Financial Group (ESFG), ter desistido da ação judicial em que contestava o penhor financeiro da Tranquilidade a favor do Novo Banco. Mal o processo caiu, o banco liderado, na altura, por Eduardo Stock da Cunha e a Apollo fecharam o negócio.

Negócios fracassados

Antes de adquirir a Tranquilidade, a Apollo falhou a compra da Fidelidade (para a Fosun) e da Axa Portugal. Ainda assim, em 2016, conseguiu adquirir a Açoreana, seguradora que pertencia ao Banif e que passou para os ativos da Oitante – veículo criado no seguimento da resolução do Banif.

A aquisição da Açoreana exigiu por parte da Apollo um aumento de capital de 22,7 milhões de euros, passando a ser esse valor do capital social da seguradora no momento da compra. Isto porque o comprador utilizou o capital anteriormente existente para absorver os prejuízos acumulados: 135,6 milhões de euros. É a chamada operação harmónio (uma redução de capital seguida de um aumento), que fez com que a seguradora que pertencia ao Banif e aos herdeiros de Horácio Roque passasse para o novo acionista, sem perdas herdadas e com capital. Com esta aquisição surgiu o nome do novo grupo: Seguradoras Unidas SA (resultado da fusão entre Açoreana, Logo, T-Vida e Tranquilidade).
A gestora norte-americana de ‘private equity’ esteve também na corrida para a compra do Novo Banco perdendo para o fundo de investimento norte-americano Lone Star. Depois de um processo em que esteve praticamente parado, o consórcio Apollo/Centerbridge fez, à última hora, novos contactos junto do governador Carlos Costa e de Sérgio Monteiro para voltar a entrar na corrida, mas não conseguiu terminar a due diligence a tempo.

Seguradoras em mudança

A Tranquilidade investiu recentemente seis milhões de euros na mudança da marca – ficando a Tranquilidade no mercado de Portugal Continental e da Madeira e a marca Açoreana nos Açores – e à boleia dessas alterações prevê aumentar o volume de negócios em 5%.

A Tranquilidade é a segunda maior seguradora em seguros não vida, com uma quota de mercado de cerca de 15%. Conta com 1,4 milhões de clientes (entre particulares e empresas) e trabalha com uma rede de distribuição de mais de 2.500 pontos de venda – 80 corretores, 2.100 agentes multimarca e 400 agentes exclusivos. Neste momento tem 1.150 trabalhadores.

No entanto, o grupo continua em marcha com um programa de redimensionamento que tem vindo a implementar que deverá terminar no final do ano. A seguradora garante que o trabalho está a ser feito «de forma planeada», com vista à «adequação dos postos de trabalho às reais necessidades da empresa».

No ano passado, o Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) acusou a Apollo de querer despedir «de forma ilegal» 380 trabalhadores da Seguradoras Unidas após ter integrado a Açoreana na Tranquilidade.

Setor em mãos estrangeiras

A necessidade de os bancos se reestruturarem e capitalizarem ditou um afastamento da atividade seguradora, promovendo-se parcerias com investidores estrangeiros. As duas maiores seguradoras, a Fidelidade, que era detida pela CGD, e a Tranquilidade, que pertencia ao Grupo Espírito Santo, foram vendidas a grupos não europeus. Entre as seguradoras que ainda estão em mãos nacionais restam apenas duas: a Crédito Agrícola Seguros, detida a 100% pelas Caixas Agrícolas, e o Montepio Seguros (detida pela Associação Mutualista Montepio Geral). No entanto, este último terá os dias contados, já que está prevista a venda de 60% do negócio segurador por 160 milhões ao grupo chinês CEFC Energy, esperando o negócio apenas luz verde por parte do regulador

Tranquilidade e Santalucía admitem parceria

Quarta-feira, Junho 24th, 2015

Citamos

Negócios

A Tranquilidade e a seguradora espanhola Santalucía admitem avançar com uma parceria para o mercado português de seguros fúnebres. Afastada estará a abertura do capital da seguradora como previa o protocolo fechado no tempo do GES.

A Tranquilidade e a seguradora espanhola Santalucía, especializada em seguros funerários, admitem avançar com uma parceria para o mercado português. Em causa está a concretização de um protocolo de cooperação …

Tranquilidade avança para a Axa Portugal

Segunda-feira, Junho 15th, 2015

Citamos

Negócios

O grupo Apollo Global Management, que detém a antiga seguradora do GES, está interessado em ficar com as seguradoras da Axa, tanto no ramo vida, como no ramo não vida. Objectivo é crescer no mercado português.

A nova dona da Tranquilidade decidiu aproveitar a venda da Axa Portugal para tentar ganhar dimensão em Portugal. O Negócios sabe que o grupo de gestão de “private equity” Apollo Global Management apresentou uma oferta não …

PCP quer reverter vendas de BESI, ES Saúde e Tranquilidade

Sábado, Maio 23rd, 2015

Citamos

Negócios

Os comunistas vão propor o fim de vendas no universo BES e GES. O deputado Miguel Tiago também anunciou a vontade de impor a separação entre auditoria e consultoria feitas por uma mesma empresa. A votação é na próxima semana.

O Partido Comunista Português quer reverter o processo de venda de activos que pertenciam ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo. Esta é uma das iniciativas legislativas que os comunistas retiraram da comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco e do grupo, que estarão em votação no Plenário na próxima sexta-feira, 29 de Maio.

“É um projecto de resolução de imobilização de todos os activos do BES e do GES, especialmente os detidos por membros do conselho superior”, explicou o deputado Miguel Tiago, numa conferência de imprensa que realizou no Parlamento e transmitida pela SIC Notícias, esta sexta-feira, 22 de Maio.

O objectivo do grupo parlamentar comunista é o de reverter o processo de alienação de activos, “tal como aconteceu com o BESI, a Espírito Santo Saúde, a Tranquilidade”, mas também o impedimento de vendas que estão a ser preparadas. Em processo de venda encontra-se o Novo Banco, que conta com cinco interessados.
Esta é uma das três iniciativas que o PCP anunciou e que irá sujeitar a votação parlamentar na próxima semana. Um segundo objectivo dos comunistas é o que fixar novas regras para auditoras externas, “impedindo que funcionem como auditoras e consultoras”. Miguel Tiago também anunciou que quer criar um corpo próprio de auditores dentro do Banco de Portugal e que sejam estes os utilizados para a auditoria externa aos bancos.

Por fim, o PCP também vai propor para votação um “projecto de resolução que fixe como objectivo o controlo público da banca comercial”, uma questão que os comunistas têm vindo a repetir. “Só o controlo público da banca pode pôr fim à instabilidade do sistema financeiro”, defendeu Miguel Tiago na conferência.

Depois de aprovado o relatório final da comissão de inquérito à gestão do BES e do GES, e após a discussão em plenário, os partidos estão agora a propor iniciativas legislativas que impeçam que, no futuro, voltem a ocorrer factos como os que contribuíram para a derrocada do banco. Já há propostas do Bloco de Esquerda, por exemplo, propondo o fim dos paraísos fiscais. O debate é na próxima sexta-feira, 29 de Maio.

O acórdão que suspendeu a decisão sobre o penhor das ações da Tranquilidade

Segunda-feira, Maio 11th, 2015

No dia  17 de dezembro de 2014, o Tribunal da Relação de Lisboa proferiu um importante acórdão em que  decretou o diferimento de uma providência cautelar proibindo a execução do penhor constituído sobre as ações da Tranquilidade  a favor da PARTRAN – SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS, SA.

A providência cautelar foi proposta pelas sociedades “CSCP II ACQUISITION LUXCO SÀRL” e “CCP CREDIT ACQUISITION HOLDINGS LUXCO SARL”  contra a referida PARTRAN e contra o NOVO BANCO SA.

O site da Tranquilidade anuncia que a companhia inicia o ano  (de 2015) com um novo acionista: a Apollo Global Management adquire a totalidade do capital da Tranquilidade.

É importante ler o acordão e perguntar como é que foi possível concretizar este negócio.

LX PROC N128614.9TVLSB.L1

Perdas com o GES atiram Tranquilidade para prejuízo

Terça-feira, Abril 7th, 2015

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Dinheiro Vivo

O colapso do Grupo Espírito Santo (GES) penalizou fortemente os resultados da Tranquilidade. A seguradora, que foi adquirida pelos norte-americanos da Apollo, terminou 2014 com um prejuízo de 188,6 milhões de euros. Um resultado que compara com um lucro de 19 milhões de euros de 2013.

O resultado pro forma das operações correntes da Tranquilidade ascendeu, no ano passado, a 18,3 milhões de euros. No entanto, a seguradora teve de reconhecer perdas extraordinárias de 206,6 milhões de euros. Deste valor, 140,3 milhões de euros foram referentes a menos valias e imparidades ligadas à dívida do GES. O restante valor ficou a deveu-se sobretudo ao reconhecimento de imparidades de investimentos também no GES.

Em janeiro, a Apollo acabaria por fechar a compra da Tranquilidade por 215 milhões de euros. Deste valor, cerca de 150 milhões de euros ficaram definidos para serem injetados na seguradora para repor os rácios de solvência, na sequência do impacto da desvalorização causado pelo colapso do GES. Já os 50 milhões tiveram como destino o Novo Banco. Um montante que resultou do facto de ter sido este o valor usado numa linha de crédito que a Espírito Santo Financial Group (ESFG) contraiu junto do BES e na qual a Tranquilidade foi dada como garantia.

Recorde-se que a Tranquilidade, na altura que era detida pela Partran, investiu 150 milhões de euros no GES, o que contribui para abrir um buraco na empresa e acelerar a necessidade de ser vendida para que fosse capitalizada.

Inside Goldman Sachs’s Loan to Banco Espírito Santo

Segunda-feira, Janeiro 19th, 2015

201501

Deal Resulted From Effort by Senior Goldman Officials to Win Business With Portuguese Company

Citando

The Wall Street Journal

When Goldman Sachs Group Inc. arranged an $835 million loan to Banco Espírito Santo SA last summer, it was the result of a concerted, monthslong effort by senior Goldman officials to win business with the large Portuguese company, according to people familiar with the matter.

Today, Goldman’s embrace of Espírito Santo has come back to haunt the Wall Street giant. Weeks after Goldman arranged the loan, Banco Espírito Santo collapsed amid allegations of fraud. Goldman now is in an unusual public fight with Portugal’s central bank, which bailed out Espírito Santo, over whether the loan should be fully repaid. Anticipated losses linked to the loan took a bite out of Goldman’salready weak fourth-quarter results, the firm’s executives said last week.

And the Goldman loan is under review by Portuguese regulators, which are trying to untangle the web of financial arrangements surrounding Banco Espírito Santo at the time of its implosion, a person familiar with the inquiry said.

The situation highlights a series of missteps by the Wall Street bank.

The loan was approved by at least three Goldman committees, which are composed of senior bank executives and are designed to rigorously assess transactions for their credit risk and their potential to harm the bank’s reputation, according to people familiar with the matter. And the Bank of Portugal moved the loan toward the back of the line for repayment because Goldman last summer briefly amassed more than 2% of Banco Espírito Santo shares.

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Goldman’s involvement in the Espírito Santo saga, which The Wall Street Journal first reported in September, got under way last spring—just as the wheels were starting to come off the family-controlled business empire.

Banco Espírito Santo was looking for help in paying for a loan it had promised to Venezuela’s state oil company.

Jose Luis Arnaut, a former Portuguese government minister who Goldman had just appointed to its prestigious international-advisory board, contacted Banco Espírito Santo Chief Executive Ricardo Salgado, according to a person familiar with the approach. Mr. Arnaut offered Goldman’s help in raising money, this person said.

A Goldman partner in London, Antonio Esteves, helped pull together a team in Goldman’s securities and financing divisions to create a complicated structure to arrange the loan, say people familiar with the deal. Mr. Esteves, a Portuguese native, was known inside Goldman as the salesman with the strongest connections to Iberian banks and state-owned companies, they said.

Officials at Goldman Sachs hoped the Espírito Santo deal would pave the way for future business with the Portuguese group, people familiar with the relationship said.ASSOCIATED PRESS

Goldman and Espírito Santo eventually settled on the creation of a company, Oak Finance Luxembourg SA, to raise $835 million for Espírito Santo from Goldman and outside investors. Goldman Sachs International co-heads in London, Michael Sherwoodand Richard Gnodde, were briefed on the large transaction, according to a person familiar with it.

Oak Finance’s purpose—providing vital funding for a project aimed at increasing Venezuela’s refined-oil output—also checked off a box for Goldman as it tried to expand its relationship with the Venezuelan government, people familiar with the matter said.

Before the money was raised, Espírito Santo’s problems started intensifying. Its parent company was struggling to repay billions of euros to its creditors, including the bank and its clients. Facing potential losses, the bank was having trouble raising money from traditional market sources.

But Goldman remained enthusiastic about both the deal and Espírito Santo’s prospects. In late June, barely a month before the bank’s collapse, Mr. Arnaut told a Portuguese radio station that “BES is a profoundly stable bank.” He added that Mr. Salgado, who had announced plans to resign, “was leaving a robust bank with capital and credibility.”

Messrs. Arnaut and Esteves didn’t respond to requests for comment.

Funds from the $835 million loan were released on July 3, providing the bank with vital financial help.

Goldman officials hoped the Oak Finance deal would pave the way for future business with Espírito Santo, people familiar with the relationship said. Following Mr. Salgado’s departure, Mr. Esteves and other Goldman’s bankers unsuccessfully sought work advising Espírito Santo on ways to stay afloat, these said.

Goldman, meanwhile, was buying Banco Espírito Santo shares. Regulatory filings show Goldman amassed 2.27% of the bank’s shares as of July 15. It looked like a vote of confidence in the Portuguese bank, whose shares rallied 20% on July 23, the day the holdings were disclosed.

When Banco Espírito Santo was bailed out and broken up in early August, Goldman wrote to the Bank of Portugal to confirm that the Oak Finance debts would be transferred to the surviving part of the bank, known as Novo Banco, where the loan stood a good chance of repayment. A Goldman spokeswoman said the central bank provided those assurances. A Bank of Portugal spokesman denied that.

Goldman said it had managed to sell some of its exposure to the Oak Finance loan to investors, including pension funds.

On Dec. 23, Novo Banco made a surprise announcement: The Bank of Portugal had informed it that Oak Finance would remain in the “bad bank” that the central bank is winding down, virtually guaranteeing the loan won’t be fully repaid. The reason: A Portuguese law passed in August said that anyone owning more than 2% of a bailed-out bank’s shares must go to the back of the line for any debt repayments. Goldman’s 2.27% shareholding in July triggered that provision retroactively, the Bank of Portugal concluded.

The decision stunned Goldman executives, who learned of it only when they read it in the Portuguese media on Christmas Eve, according to a person familiar with the matter. Goldman disputed the Bank of Portugal’s legal interpretation, noting that it was buying the shares for clients, not for the bank’s own account. In a statement, Goldman accused the Bank of Portugal of breaking its word and warned that the decision would hurt the pension funds that bought Oak Finance debt.

In any case, the decision meant Goldman was likely to absorb sizable losses and prompted the bank to lower the size of some employees’ bonuses.

Last week, discussing Goldman’s fourth-quarter results, Chief Financial Officer Harvey Schwartz said a loss from the Oak Finance securities made a small dent in its trading division’s results. He said Goldman remains in “active dialogue” with the Bank of Portugal.

—Justin Baer contributed to this article.

Write to Margot Patrick at margot.patrick@wsj.com and Patricia Kowsmann at patricia.kowsmann@wsj.com

(Fim de citação)

Infografia para a História das finanças portuguesas da deputada Mariana Mortágua (BE) sobre o Caso Espírito Santo

Sábado, Janeiro 17th, 2015

20150117

Citação

Expresso

Um trabalho elaborado pelo Expresso com base numa infografia de Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda que faz parte da comissão parlamentar de inquérito ao BES.

Desde o arranque dos trabalhos da comissão de inquérito ao caso BES/GES que Mariana Mortágua queria uma infografia que juntasse tudo. Uma espécie de mapa do império, para ninguém se perder no meio de tanta holding, empresa e offshore. Para uso pessoal, que permitisse à deputada do BE a qualquer momento uma consulta rápida, durante as audições ou na sua preparação, mas também para mostrar ao público o que está em causa quando falamos de Espírito Santo. O resultado, que serviu de base para a infografia que o Expresso aqui publica, é disponibilizado este fim de semana no blogue ” Disto Tudo “, que Mortágua criou como “um diário da comissão do BES”.

Fazer a infografia demorou mais tempo do que a deputada imaginava. Primeiro, pela dificuldade de recolher todas as peças (a informação junta quase 200 entidades, foi recolhida de várias fontes e reporta-se a 31 de dezembro de 2013), depois, pela complexidade de as correlacionar de forma percetível (para isso, teve a ajuda da designer Rita Gorgulho). “É essencial perceber a organização do grupo, o funcionamento em cascata”, diz. Visualizá-lo é um bom princípio. Apesar de saber ao que ia, Mortágua confessa que foi surpreendida pela “complexidade das participações cruzadas” do lado financeiro do grupo. Do lado não-financeiro, surpreendeu-a a “dimensão e dispersão” dos investimentos. “Era um mundo, um verdadeiro império.”

(Fim de citação)

Caso Espírito Santo.O mapa para ninguém se perder no império Espírito Santo. Uma infografia da bloquista Mariana Mortágua para a História

Avaliações do BESI a empresa do GES atacadas na comissão de inquérito

Sábado, Janeiro 17th, 2015

20150117

Jornal de Negócios

Tranquilidade e Escom. Estas são duas empresas do Grupo Espírito Santo que, em diferentes alturas, foram avaliadas pelo BES Investimento. Análises que são contestadas por várias personalidades a elas ligadas.

Primeiro foi a Tranquilidade, depois a Escom. Ambas estiveram na esfera do Grupo Espírito Santo. E ambas, em dado momento da sua vida, foram avaliadas por um dos bancos do grupo, o BES Investimento. Tais avaliações feitas pelo BESI, banco liderado por José Maria Ricciardi, foram já criticadas por várias personalidades na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

A avaliação da seguradora foi feita no arranque do ano. Em Fevereiro, a Tranquilidade estava avaliada pelo BESI com um valor justo de 819 milhões de euros com a previsão de um valor de alienação, em 2016, de 700 milhões de euros. A estimativa tinha partido de dados fornecidos pela administração da seguradora – um dos administradores do BES, António Souto,afirmou que esses dados tinham bases “bastante ambiciosas”, contando com uma forte vertente de expansão internacional. O montante foi confirmado pela auditora PwC, defendeu-se José Maria Ricciardi na sua audição.

A seguradora Tranquilidade foi vendida pelo Novo Banco ao fundo norte-americano Apollo. Mas antes disso era do Grupo Espírito Santo. A empresa pertencia à Partran, detida totalmente pelo Espírito Santo Financial Group. Foi dada como garantia na provisão que o ESFG teve de constituir para assegurar o reembolso dos clientes do BES que tinham adquirido dívida de empresas do ramo não financeiro do GES (como a ESI e a Rioforte). “Cobrir o risco reputacional”, como resumiu Pedro Duarte Neves, na comissão de inquérito. Havia um penhor que foi executado, pelo que o BES – depois Novo Banco – herdou aquela empresa.

Contudo, a instituição presidida por Eduardo Stock da Cunha só vendeu a Tranquilidade por cerca de 200 milhões – perto 50 milhões recebidos directamente; os restantes 150 milhões serão injectados para capitalizar a empresa. 150 milhões que tinham de compensar o financiamento que a seguradora fez ao Grupo Espírito Santo (ESFG, Esfil e Rioforte) e que abriu um buraco nas suas contas.

Para além destes factos, o Instituto de Seguros de Portugal deu uma explicação, pela voz do presidente José Almaça, para a diferença do valor de venda e da avaliação feita em Fevereiro: a empresa nunca valeu 700 milhões de euros. E se tivesse sabido que era àquele valor que a Tranquilidade estava avaliada, o ISP teria avisado o Banco de Portugal que não correspondia à realidade, pelo que não poderia servir de garantia a toda aquela provisão.

 

Escom

Há outra questão que veio a lume na comissão parlamentar de inquérito ao BES. Neste caso, é a Escom. Luís Horta e Costa, um dos administradores desta empresa onde o GES tinha uma posição de 67%, criticou a avaliação feita pelo BESI, em 2010. Os números serão em torno de activos na ordem dos 900 milhões de euros e um passivo de perto de 300 milhões, segundo o próprio Horta e Costa. Valores que fizeram com que houvesse um acordo de venda da Escom à Sonangol na ordem dos 483 milhões de dólares – um valor confirmado pelo Banco de Portugal com base em informações que lhe foram transmitidas pelo BES.

 

“Achava difícil chegarmos àqueles valores. Uma avaliação difícil de sustentar. Era esticar a corda”, comentou Horta e Costa na audição da comissão de inquérito. “A avaliação do BESI para a Escom era um bocadinho salgada”. O gestor garantiu que a administração da empresa nunca foi chamada a pronunciar-se sobre a avaliação.

O BESI não respondeu ao contacto do Negócios para reagir a estas declarações. O nome de Ricciardi, que permaneceu à frente do BESI depois da venda à empresa de Hong Kong Haitong, é um dos nomes que os deputados têm dito que poderá vir a ser novamente chamado à comissão parlamentar de inquérito. Foi um dos mais activos opositores da postura de Ricardo Salgado enquanto presidente do BES nos últimos anos.

(Fim de citação)

A busca à sede do Espírito Santo (revisitada pela Sábado)

Sábado, Janeiro 17th, 2015

20150117

Citando

Sábado

Os investigadores passaram nove horas na sede do Grupo. Na cave, encontraram oito caixas com a indicação “documentação para destruir”.

Eram 9h45 do dia 27 de Novembro quando o procurador Rosário Teixeira entrou na sede do Grupo Espírito Santo, na Rua de São Bernardo, 62, em Lisboa. Chegou acompanhado por cinco inspectores da PJ e dois da Autoridade Tributária e, segundo o auto de busca a que a SÁBADO teve acesso, foi recebido por Caetano Beirão da Veiga, o elemento eleito para liderar o grupo depois do escândalo.

Numa primeira ronda pelo edifício, os investigadores verificaram a distribuição dos gabinetes – no piso de cima, estavam o comandante António Ricciardi, presidente do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES); Manuel Fernando Espírito Santo, que liderava os negócios da área não financeira (filho de Maria do Carmo Moniz Galvão, que chegou a ser a mulher mais rica do País); e o próprio Caetano Beirão da Veiga. No piso de entrada e na cave, encontravam-se mais seis quadros dos serviços financeiros e contabilísticos do grupo e duas advogadas, com as respectivas secretárias.

Os investigadores começaram pela sala de reuniões/arquivo, na cave, onde encontraram oito caixas de cartão brancas, etiquetadas e fechadas, com a referência “Documentação para destruir”. José Castella, o controller financeiro do grupo, informou que se tratava do espólio da Comissão de Auditoria da Espírito Santo Financial Group, holding que controlava o BES e a Tranquilidade. Mas nessas caixas estava documentação bastante recente, relacionada com o BES Angola, o Novo Banco, a KPMG, o Banco de Portugal e várias sucursais do banco noutros países.

Se há algo que os responsáveis do grupo quiseram proteger em local seguro foi a gravação da reunião do Conselho de Administração da ESI (Espírito Santo International), realizada no Luxemburgo a 11 de Março de 2014. Encontrava-se numa pen drive, dentro de um envelope, no cofre da sala de arquivo. O mesmo cofre tinha ainda uma pasta de plástico com uma cópia de um acordo entre Hélder Bataglia e a Espírito Santo Resources, sobre a Escom, a empresa envolvida no concurso de aquisição dos submarinos.

De todos os altos quadros do grupo, nenhum tinha tanta informação no gabinete como o controller financeiro, José Castella, o homem que alegadamente – segundo o contabilista – estaria a par da ocultação dos passivos da ESI. De um total de 125 conjuntos de documentação (caixas, pastas ou dossiês), 34 estavam no escritório de José Castella na cave do edifício e referiam-se a relatórios, actas de reuniões, listagens de depósitos do GES no BCP e prints de emails. A José Castella foi ainda apreendido um processador CPU e sete pens, com referências à Escom, à Comporta (nome da herdade da família Espírito Santo) e à Ascendi (empresa do GES que gere concessões de auto-estradas).

Não haverá muitos segredos que tenham ficado por desvendar depois desta incursão. Do Departamento Jurídico foram levados 25 livros de actas das assembleias gerais e das reuniões do Conselho de Administração de 11 entidades ligadas ao Grupo. E do gabinete de Caetano Beirão da Veiga foi retirado um dossiê de argolas azul com “várias tabelas relativas a complementos salariais pagos a diversos colaboradores”.

Pelo menos três responsáveis do grupo tinham documentação relacionada com a Eurofin, a entidade suíça que alegadamente participou num esquema – detectado em Julho – que transferiu 800 milhões de euros do BES para o GES. Um deles era Jorge Penedo, ex-administrador do banco no Panamá, a quem foi também apreendido um portátil.

Ricardo Salgado já não tinha ali gabinete, mas os investigadores recolheram entre os documentos de Manuel Fernando Espírito Santo uma pasta cor de laranja com informação sobre três assuntos: o “registo de sociedades no Luxemburgo”, “bens móveis pertença de Ricardo Salgado” e a ES Resources Bahamas.

Pela lógica, a pasta mais volumosa nesta fase crítica do grupo deveria ser a que estava no gabinete do comandante António Ricciardi, com a designação “Problemas a resolver”. Mas dificilmente estaria completa: foi “feita com o verso de um envelope A4”.

(Fim de citação)