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Novo Banco ganha 6 milhões com venda da GNB Vida

Sexta-feira, Outubro 18th, 2019

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Negócios

O banco liderado por António Ramalho concluiu a venda da seguradora GNB Vida à Apax Partners, por 123 milhões de euros. Uma operação que permitiu ao Novo Banco gerar uma mais-valia de 6 milhões de euros.

A GNB Vida passou oficialmente para as mãos da Apax Partners. E tem um novo nome: Gama Life. De acordo com o Novo Banco, até agora dono da seguradora, a operação custou 123 milhões de euros e traduz-se numa mais-valia de seis milhões de euros. Isto naquele que foi mais um passo no processo de desinvestimentos de ativos que não são considerados estratégicos.

“O Novo Banco informa que concretizou a venda da totalidade do capital social da GNB – Companhia de Seguros de Vida à GBIG Portugal, uma sociedade totalmente detida por fundos geridos pela Apax Partners”, de acordo com o comunicado enviado esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Segundo o banco liderado por António Ramalho, o “valor de venda ascendeu a um preço fixo inicial de 123 milhões de euros acrescido de uma componente variável de até 125 milhões de euros indexada a objetivos de distribuição constantes do contrato entre o Novo Banco e a GNB Vida para distribuição de produtos de seguros vida em Portugal por um período de 20 anos”.

Já o “montante fixo da operação comunicado a 12 de setembro de 2018 foi de 190 milhões de euros sendo o valor obtido no fecho da mesma de 168 milhões de euros”. Uma diferença que o banco justifica com a “venda de imóveis da seguradora”, que aconteceu entretanto. O banco que resultou da resolução do Banco Espírito Santo, no verão de 2014, adianta ainda que esta operação permitiu registar uma mais-valia de seis milhões de euros.

Em conjunto com esta operação, os novos donos da seguradora decidiram também lançar uma nova marca, de acordo com um comunicado da Apax. A entidade até agora detida pelo Novo Banco perde o nome de GNB Vida e passa a ser reconhecida por Gama Life.

Venda sem impacto no mecanismo de capital 
Quanto ao Mecanismo de Capital Contingente, no qual se inclui a GNB Vida, o montante não sofre qualquer alteração com esta venda e mais-valia. Isto porque, de acordo com fonte oficial do Novo Banco, os impactos já tinham sido registados anteriormente.

“Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário”, refere, por fim, a instituição.

A entidade tem vindo a apostar na venda de carteira de crédito malparado e imóveis, mas também na alienação de ativos que deixaram de ser considerados estratégicos. Nos primeiros seis meses do ano, o Novo Banco quase duplicou os prejuízos para 400 milhões de euros.

Tribunal aceita recurso que pretende suspender negócio milionário na Herdade da Comporta

Quinta-feira, Outubro 10th, 2019

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Observador

Tribunal aceita recurso que pretende suspender negócio milionário na Herdade da Comporta

Recurso pode levar a suspensão de operação de 157,8 milhões de euros. Consórcio luso-francês que ganhou concurso de venda diz que ativos da Comporta não estão arrestados e quer concretizar o negócio.

Ainda não é uma decisão definitiva mas pode vir a ser um obstáculo à concretização da venda milionária de uma parte da Herdade da Comporta por 157,8 milhões de euros. Tudo porque um lesado do Grupo Espírito Santo (GES) e assistente no processo Universo Espírito Santo entregou um recurso contra a venda aprovada no final de novembro de 2018 ao consórcio Port Noir (de Claude Berda) e Amorim Luxury (de Paula Amorim).

O recurso apresentado pela sociedade Total Value, SGPS, SA — que perdeu cerca de 20 milhões de euros com a insolvência de diversas sociedades do GES e que é representada pelo advogado Ricardo Sá Fernandes — foi aceite por Carlos Alexandre, magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), com carácter suspensivo e visa o despacho de não oposição ao negócio com o consórcio de Berda e Amorim assinado pelo mesmo juiz Carlos Alexandre a 12 de dezembro de 2018.

De acordo com fontes judiciais contactadas pelo Observador, o carácter suspensivo definido pelo juiz Carlos Alexandre faz com que fiquem suspensos os efeitos do despacho do magistrado do TCIC que validou a não oposição ao negócio da Comporta. As mesmas fontes asseguram que pode igualmente ficar suspensa a assinatura da escritura de compra e venda que a Gesfimo, gestora e legal representante do Fundo Herdade da Comport, previstar para o final do mês de outubro com o consórcio liderado pela Port Noir. Contudo, é preciso enfatizar que a Relação de Lisboa pode alterar o carácter do recurso, alterando-o para devolutivo.

Por outro lado, se a Relação de Lisboa der razão ao recurso da Total Value SGPS entregue a 5 de setembro, então o negócio milionário poderá mesmo ser anulado e voltar à estava zero.

Fonte oficial do consórcio, contudo, garante que não existe tal perigo, pois o que está arrestado, de acordo com a mesma fonte, são as unidades de participação que a Rio Forte Investments (uma empresa do Grupo Espírito Santo que entrou em insolvência) e não os ativos que o consórcio promete comprar. O consórcio liderado pelo empresários Claude Berda e Paula Amorim promete “defender ativamente os nossos direitos em todas as instâncias, aplicando todos os nossos recursos e energias” na defesa da concretização do “melhor e o mais sustentável projeto para a Comporta”, assegura fonte oficial ao Observador.

O Observador contactou Pedro Mello Breyner, administrador da Gesfimo (sociedade gestora do Fundo da Herdade da Comporta) mas não recebeu qualquer resposta às perguntas enviadas por escrito.

Guerra judicial que dura desde 2017

Ricardo Sá Fernandes alega no seu recurso, entre outros argumentos, que “não está acautelado que o preço dos ativos em apreço não acarrete prejuízo patrimonial para os interesses que o arresto deve acautelar, mesmo que tal montante venha a ser arrestado, por não estar feita a demonstração adequada de que se trata de um preço adequado, justo e atualizado em relação aos valores atualmente praticados no mercado”, lê-se no texto do recurso a que o Observador teve acesso.

Quer isto dizer que o advogado entende que o preço de venda de 157,8 milhões de euros não correspondem ao real preço de mercado dos ativos prometidos vender, daí que os seus clientes estejam a solicitar desde 2017 a nomeação de um perito independente para avaliar os ativos.

Este recurso da Total Value só foi apresentado após uma guerra jurídica iniciada em 2017 por Ricardo Sá Fernandes para ter acesso à documentação que está na origem do negócio entre a Gesfimo (a vendedora dos títulos e dos ativos do fundo imobiliário) e o consórcio luso-francês. Em primeiro lugar, o Ministério Público (MP) recusou dar à Total Value o acesso à documentação relacionada com as declarações de não oposição assinada pelo procurador Antero Taveira, quer do juiz Carlos Alexandre, invocando o segredo de justiça.

Foi necessário a interposição de um primeiro recurso no Tribunal da Relação de Lisboa para que o MP libertasse essa documentação — o que só aconteceu a 6 de junho de 2019. De acordo com as desembargadoras Margarida Vieira de Almeida e Maria da Luz Batista, o assistente Total Value tem direito a consultar o “despacho que autorizou o levantamento do arresto preventivo sobre bens que se destinavam a acautelar os interesses lesados pelas condutas dos arguidos [Ricardo Salgado e outros ex-gestores do BES] e dos demais elementos em que o mesmo despacho assentou”, lê-se no acórdão a que o Observador teve acesso.

Ainda antes da disponibilização destes elementos, os advogados da Total Value já tinha constatado nos autos do processo Universo Espírito Santo (nomeadamente nos apensos sobre os quais que o MP decidiu levantar o segredo de justiça) que não estavam disponível nenhuma avaliação da Herdade da Comporta e insistiram na disponibilização de tais avaliações”. Ou, “confirmando-se que nenhuma tivesse sido feita pelo Estado, pugnaram pela realização de uma avaliação urgente deste importantíssimo ativo que tinha sido arrestado à ordem dos autos”, lê-se no recurso apresentado no dia 5 de setembro que irá ser agora apreciado pela Relação de Lisboa.

O assistente Total Value continua a defender a realização de uma avaliação independente, colocando mesmo a hipótese do Gabinete de Administração de Bens da Polícia Judiciária — o órgão que gere os bens que são apreendidos preventivamente pelo Estado no âmbito da lei nacional — realizar tal avaliação aos bens que integram a Herdade da Comporta, “sem o que não dever ser dada autorização à sua venda”, lê-se na argumentação que será avaliada na Relação de Lisboa.

Qual o objetivo do recurso?

O objetivo final da Total Value é simples: anular o processo de venda ao consórcio Por Noir/Amorim Luxury que foi concluído no dia 27 de novembro de 2018 na Assembleia de Participantes do Fundo Herdade da Comporta e promover a abertura de um novo concurso com um preço base superior que reflita o valor de mercado dos ativos. Aliás, a Total Value já tinha declarado a sua oposição à venda logo no dia 7 de setembro de 2018 — oposição esta que não foi tida em conta por falta de legitimidade da recorrente.

Contudo, tal objetivo de anulação só será atingido se o Tribunal da Relação de Lisboa revogar a declaração de não oposição emitida pelo juiz Carlos Alexandre. Isto porque uma das condições para o negócio avançar é precisamente a existência dessa declaração que permitiu levantar o arresto preventivo sobre os ativos vendidos pela Gesfimo ao consórcio luso-francês.

A sociedade, representada por Ricardo Sá Fernandes, insiste no recurso apresentado a 5 de setembro que “importa naturalmente apurar se a venda [à Port Noir/Amorim Luxury] está a ser feita por um preço que acautele e garante a satisfação dos interesses patrimoniais lesados pelos arguidos, designadamente do Estado e dos Assistentes”. Isto porque “não existe qualquer avaliação atualizada, mesmo particular, que considere o valor do património em apreço atualizado com referência ao ano de 2019, quando é sabido que se trata de um setor que sofreu uma exponencial valorização nos últimos anos”.

E invoca ainda um parecer dos auditores da Delloite Consultores que refere a existência de apenas uma proposta não vinculativa quando foram convidadas 31 entidades, “desconhecendo-se a razão pela qual um património tão valioso mereceu apenas a apresentação de uma proposta vinculativa”, afirma Sá Fernandes no recurso apresentado.

Daí, conclui a Total Value, que não esteja “acautelado que o preço dos ativos em apreço não acarrete prejuízo patrimonial para os interesses que o arresto deve acautelar, mesmo que tal montante venha a ser arrestado, por não estar feita a demonstração adequada de que se trata de um preço adequado, justo e atualizado em relação aos valores atualmente praticados no mercado”.

Compradores garantem que os ativos do fundo não estão arrestados e querem concretizar negócio

Contactado pelo Observador, fonte oficial do consórcio liderado pela Amorim Luxury e pela Port Noir Investment (Vanguard Properties) diz desconhecer “o alegado recurso apresentado ou de qualquer decisão judicial que impeça a aquisição dos ativos prometidos comprar ao Fundo da Herdade da Comporta em 23 de Outubro de 2018. Os ativos desse Fundo não foram objeto de qualquer arresto”, enfatiza a mesma fonte.

Para o consórcio luso-francês que ganhou o concurso aberto pelo Fundo da Herdade da Comporta com a aprovação de 80% de votos favoráveis, e no qual participaram 31 entidades nacionais e internacionais, a venda prometida tem como “objeto ativos do Fundo, e não os títulos representativos das suas unidades de participação.” Uma distinção que, na ótica do compradores é importante, visto que o arresto decretado pelo Tribunal Central de Instrução Criminal assenta, segundo garante fonte oficial do consórcio, sobre as unidades de participação do Fundo da Herdade da Comporta detidas pela Rio Forte Investments, empresa internacional da antiga holding Rio Forte que liderava a área não financeira do Grupo Espírito Santo e que entrou em insolvência em 2014. E não, assegura a mesma fonte oficial, sobre os ativos que pertencem ao mesmo fundo.

Por isso mesmo afirmam que a Gesfimo, a sociedade gestora do Fundo da Herdade da Comporta, “é livre de vender os ativos, dado que, nenhum arresto incide sobre a propriedade.”

Em resposta escrita ao Observador, fonte oficial do consórcio liderado por empresas de Paula Amorim e de Claude Breda faz ainda questão de enfatizar a “situação atual do Fundo da Herdade da Comporta e o interesse da alienação dos seus ativos” em quatro pontos:

  • “O Fundo da Herdade da Comporta, encontra-se numa situação difícil. A qualquer momento os credores, CGD ou outro, poderá requerer a insolvência do Fundo, visando a venda desorganizada dos ativos” por via judicial;
  • Tal “venda judicial, desvalorizará fortemente” os ativos, “com impacto direto no valor destinado aos credores da Rioforte”, o que “causará, certamente, um dano à Caixa Geral de Depósitos [credora do Fundo da Herdade da Comporta] e demais credores.”
  • Por isso mesmo, assegura fonte oficial do consórcio Amorim Luxury e Port Noir, a “não venda acarreterá prejuízos patrimoniais de enorme proporção, justamente às entidades que o recurso visa proteger – a Rioforte, e consequentemente a CGD, entidade pública”.
  • Finalmente, “uma liquidação judicial implicará para Grândola e Alcácer do Sal gigantescos prejuízos”, nomeadamente a “não criação de postos de trabalho, impostos, novas acessibilidades”, assim como “sistemas modernos para tratamento dos efluentes”.

Apesar de todos estes avisos, uma coisa é certa: o consórcio Amorim Luxury e Port Noir, que está a investir no processo de compra dos ativos do Fundo da Herdade da Comporta desde março de 2018, tudo irá fazer, “se for esse o caso”, para “defender ativamente os nossos direitos em todas as instâncias, aplicando todos os nossos recursos e energias” na defesa do “melhor e o mais sustentável projeto para a Comporta”, assegura fonte oficial.

Novo Banco vende carteira de crédito malparado com perdas

Sexta-feira, Setembro 6th, 2019

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Notícias ao Minuto

O Novo Banco acordou a venda de créditos malparados no valor de 2.732 milhões de euros ao fundo Davidson Kempner, num negócio em que estima perdas de 106 milhões de euros na demonstração de resultados, anunciou esta quinta-feira.

“ONovo Banco informa que, após conclusão de um processo de venda competitivo, o Novo Banco e o Arrábida – Fundo Especial de Invstimento Imobiliário Fechado celebraram um Contrato de Compra e Venda de uma carteira de créditos não produtivos (‘non-performing loans’) e ativos relacionados (no seu conjunto, Projeto Nata II) com um valor original (‘outstanding balance’) aproximado total de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros com a Burlington Loan Management, uma sociedade afiliada e aconselhada pela Davidson Kempner European Partners”, refere a comunicação ao mercado.

A informação indica ainda que a venda ao fundo de investimento foi acordada por 191 milhões de euros e que a carteira de ativos está “sujeita a ajustamentos de perímetro usuais nestas transações até à sua concretização”.

O Novo Banco estima um impacto negativo de 106 milhões de euros na demostração de resultados decorrente desta operação.

Segundo fonte do Novo Banco, a operação é feita com um desconto de 89% sobre o valor bruto contabilístico, mas já sobre o valor líquido (que tem em conta as imparidades já constituídas) o desconto é de 35%.

A mesma fonte indicou ainda que apesar do impacto negativo da operação na conta de exploração do banco, esta venda traz um “efeito positivo no capital” e no cumprimento das exigências dos reguladores de redução do malparado.

Com esta operação, o rácio de malparado do banco passa para 15% (face aos 20,7% de final do primeiro semestre).

A mesma fonte do Novo Banco indicou ainda que alguns dos créditos que estavam incluídos inicialmente no projeto de alienação de ativos Nata II a ser alienada foram vendidos individualmente, em vez de em carteira, “o que aconteceu com cerca de uma dezena de casos”.

transação deverá ser concluída “nos próximos meses, assim que reunidas todas as condições necessárias à sua formalização”, refere a entidade liderada por António Ramalho à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) , que considera que com esta operação é dado “mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não produtivos”.

Em 2014, na resolução do BES, o Novo Banco nasceu como o ‘banco bom’, mas tem apresentado prejuízos, justificando a administração com o legado com que ficou do BES.

Para reduzir os ativos ‘tóxicos’, o banco detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star tem feito vendas de créditos e imóveis.

A venda anunciada esta quinta-feira pode vir a pesar no valor que o Novo Banco pedirá ao Fundo de Resolução para se recapitalizar.

É que na venda ao fundo Lone Star, em 2017, foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado) compensa perdas do Novo Banco, sob determinadas circunstâncias, até ao valor de 3,89 mil milhões de euros até 2026.

Até agora, o banco já recebeu 1.941 milhões de euros (referentes a 2017 e 2018) e o valor vai aumentar.

Em 2 de agosto, quando apresentou prejuízos semestrais de 400,1 milhões de euros, o Novo Banco estimou que prevê pedir mais 541 milhões de euros referente ao primeiro semestre.

Contudo, o valor a pedir ao Fundo de Resolução apenas vai ser contabilizado em 2020, quando estiverem fechadas as contas de 2019, pelo que ainda variará consoante o que aconteça no semestre que está a decorrer (perdas e custos com ativos e exigências de capital).

Quem quer comprar o feudo Espírito Santo?

Segunda-feira, Agosto 26th, 2019

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Negócios

Cinco anos depois da hecatombe do Banco Espírito Santo, ainda há estilhaços por apanhar no interior do país. A investigação judicial à queda do banco está longe de terminar; o Novo Banco continua a registar prejuízos. Na Beira Baixa, encontram-se à venda propriedades que outrora deram azo ao lado feudal dos irmãos António e Ricardo Salgado. A Herdade do Vale Feitoso e o Hotel Fonte Santa estão no mercado, por 32,7 e 35 milhões de euros, respetivamente. A Herdade da Poupa enfrenta uma ação judicial de 2,4 milhões, levantada pelo Banco Haitong, ex-BES Investimento. O Hotel Astória está abandonado. Mais ou menos desertos, estes bens guardam histórias sobre os tempos áureos do Grupo Espírito Santo (GES). Ressalva para o balneário termal e para a Herdade do Clube de Tiro de Monfortinho, salvos do fecho de portas em 2017, ao serem adquiridos no âmbito de um PER.

Sete mil e trezentos hectares é mais do que um olhar consegue abarcar. Sete mil e trezentos hectares é a área da Herdade do Vale Feitoso, ativo do antigo Grupo Espírito Santo (GES) no concelho de Idanha-a-Nova, à venda por 32,7 milhões de euros. Trata-se da maior propriedade privada muralhada da Península Ibérica, local onde sobrevivem fábulas de ostentação sobre a família Espírito Santo (ES).

 

Adquirido em 2004 aos herdeiros do Conde da Ponte por 27,5 milhões de euros, este terreno é detido pela Companhia Agrícola de Penha Garcia (CAPG), que integra a empresa Euro Biodiversidade e Desenvolvimento (EBD), gerida pela Eurofin. Em 2017, o Novo Banco forçou a insolvência da CAPG de forma a contornar o arresto preventivo dos antigos bens do GES; o Estado pretende que o património arrestado seja utilizado como garantia para cobrir os danos resultantes da resolução do banco que vierem a ser comprovados em tribunal. O mesmo aconteceu com o Hotel Fonte Santa, nas Termas de Monfortinho, parte da Companhia das Águas da Fonte Santa (CAFS), também sob a alçada da EBD. Ainda nenhuma destas duas propriedades foi vendida.

Herdade do Vale Feitoso

Com uma ligação simbiótica ao território, é impossível evocar o Vale Feitoso sem falar de Penha Garcia. No início dos anos 1970, eram mais os moradores na herdade do que na própria aldeia; a dado momento, funcionaram ali duas escolas só para os filhos de trabalhadores e rendeiros. “Quando uma pessoa é criança não percebe o que é riqueza”, diz Maria Nunes, 68 anos, que nasceu no Vale Feitoso, onde os seus pais eram rendeiros.

 

Manuel Pascoal, 91 anos, trabalhou durante 40 anos para os Condes da Ponte e lembra uma “casa de muito trabalho, estilo tropa”. Hoje, confessa-se desgostoso com o destino da herdade e a venda ao GES. “Nunca pensei. Até digo que me abrissem a cabeça e pusessem lá a ideia de vender a propriedade. Aquilo tinha uma riqueza tão grande”, diz. Com a insolvência da CAPG, o antigo feitor perdeu a pensão mensal de 78 euros que o GES havia ficado responsável de pagar a antigos trabalhadores do Conde, no seguimento da compra. “Se fosse a meter-me num advogado, ainda pagava mais”, lamenta.

 

Para Jorge Calvete, fundador da consultora Causa e Efeito e administrador de insolvência escolhido pelo Novo Banco, a demora na alienação da Herdade do Vale Feitoso é “normal em processos de especial complexidade” e que põem no mercado ativos cuja procura é “bastante reduzida”. Após duas tentativas de venda falhadas e uma descida de preço de 36,4 para 32,7 milhões, o Novo Banco deu indicações para promover a propriedade fora de Portugal, segundo fonte próxima do processo. “É estranhíssimo não haver interessados, ninguém formalizar uma proposta”, garante a mesma fonte. Há uma possível explicação que não agrada a ninguém: potenciais compradores aguardam em silêncio uma nova baixa de preço.

 

Nos últimos três anos, a Sociedade Agrícola do Vale Feitoso (SAVF), empresa detida pela Companhia das Águas da Fonte Santa, responsável pelos bens materiais no terreno e pela exploração madeireira, leiloou vários equipamentos agrícolas no portal da empresa Avalibérica. Porções significativas da floresta têm seguido igual rumo. Em 2018, foram a leilão quase 12 mil toneladas de pinheiro bravo, com base de licitação em 250 mil euros. (A SAVF, ao contrário da CAPG, não está insolvente.) Questionado sobre se alguma parte dos ganhos é reinvestida na propriedade, Jorge Calvete diz, de forma telegráfica, que “pode ser”, não prestando mais esclarecimentos.

 

Ligações familiares

 

Diogo Castelo Branco, filho do Conde da Ponte e último administrador da propriedade antes de ter passado para o GES, garante que a família se desfez da herdade em 2004 por questões de partilhas. “Éramos cinco irmãos e uma só propriedade, por isso resolvemos vender. Além do BES, houve também outros interessados, inclusive espanhóis”, conta. Quanto à venda hoje em curso, sabe apenas que “está encravada”, não há interessados. “Deixei aquilo num mimo, dava lucro. Tinha uma mata que dava rendimentos. Fazia cortes programados”, garante.

 

Não foi por acaso que, há 15 anos, o GES comprou o Vale Feitoso: a mãe de Diogo Castelo Branco era prima direita da mãe de António e Ricardo Salgado. O antigo feitor, Manuel Pascoal, lembra-se dos irmãos Salgado quando estes ainda eram muito novos e passavam férias na herdade. “Iam à despensa como os filhos do Conde da Ponte e comiam tudo. Era como se fosse a casa deles”, conta. Nesta teia, há ainda outra relação de proximidade: Álvaro Ferrão Castelo Branco, pai de Diogo e 10.º Conde da Ponte, trabalhou na companhia de seguros Bonança.

 

Na posse do GES, a herdade tornou-se sítio de montarias, dinamizadas em particular por António Salgado, irmão de Ricardo Salgado. Em 2012, uma porta aos tordos na herdade podia custar 150 euros. Um fim de semana de caça às perdizes, com alojamento no Hotel Fonte Santa, chegava aos 1.700 euros. “Os hotéis nas Termas de Monfortinho estavam sempre cheios. Os empregados do Espírito Santo vinham cá passar férias”, diz Isaías Antunes, 70 anos, ex-presidente da junta de freguesia de Penha Garcia.

Herdade da Poupa, no Rosmaninhal

Composta sobretudo por amigos e parceiros de negócios dos irmãos Salgado, a lista de caçadores incluía nomes como o empresário Sousa Cintra. “As herdades [da Poupa e Vale Feitoso] eram de facto boas. Acima de tudo, as montarias tinham muito bom ambiente”, lembra. Desde a morte de António Salgado em 2011, porém, Sousa Cintra deixou de frequentar a região. “Não sei tão-pouco o que lá se passa agora”, afirma.

 

Em 2019, o Vale Feitoso continua com vida, mas o esplendor de anos passados pode estar a ser prejudicado, com a venda sistemática de árvores para abate sem a devida replantação; no terreno, há sete trabalhadores que garantem a manutenção das principais estruturas, o que “impede que esteja a desvalorizar a pique, como é o caso da Herdade da Poupa”, diz fonte próxima do processo.

 

Sem dono, sem rei

 

De helicóptero. Assim chegaram, durante muitos anos, os irmãos Salgado e outros rostos do BES, à Herdade da Poupa, no Rosmaninhal. Se o Vale Feitoso, a cerca de 50 km de distância, não tinha alojamento, naquela segunda propriedade com quase quatro mil hectares, existia um hotel rural de quatro estrelas, financiado com Fundos Europeus. Um estabelecimento com 16 quartos tão exclusivo que é virtualmente impossível encontrar quem lá tenha dormido fora do círculo de amizades. “Quando alguém desconhecido ligava para fazer reserva, tínhamos indicação para dizer que estava cheio”, diz Sandrine Folgado, rececionista entre 2006 e 2013 desta propriedade detida pela Controlled Sport Portugal.

De helicóptero. Assim chegaram, durante muitos anos, os irmãos Salgado e outros rostos do BES, à Herdade da Poupa, no Rosmaninhal. “Quando alguém desconhecido ligava para fazer reserva, tínhamos indicação para dizer que estava cheio”, diz Sandrine Folgado, que foi rececionista na propriedade.


Muitos rostos conhecidos dos portugueses passaram por lá, garantem antigos funcionários. Miguel Horta e Costa, dono de uma propriedade nas redondezas, era um dos “habitués” da Poupa. Os nomes mais recorrentes nos fins de semana dedicados à caça incluem também o empresário Sousa Cintra, o empresário João Pereira Coutinho, o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho, o ex-acionista do GES Patrick Monteiro de Barros, o escritor e cronista Miguel Sousa Tavares, e membros da família Champalimaud. “Era lá que ficavam alojados os VIP dos VIP”, garante Sandrine.

 

A fatura por três dias – despesas com batedores, compra de animais, alojamento e alimentação – podia chegar aos 75 mil euros, valor invariavelmente pago por Ricardo Salgado. Três antigos funcionários indicam que a maioria dos recibos eram então emitidos para o Banque Privée Espírito Santo (BPES), sucursal do BES na Suíça, com sede em Lausanne, e uma das primeiras delegações a levantar suspeitas sobre o estado financeiro do grupo, ainda antes da resolução do BES. “Quando é uma só pessoa a pagar a despesa de um fim de semana e é sempre a mesma a pagar, o dinheiro desaparece”, assume Sandrine.

Em 2008, a Poupa foi vendida à AA-Iberian Natural Resources & Tourism S.A., empresa do grupo Eurofin, administrado pelo suíço Alexandre Cadosch. “Foi uma fantochada, pois foi o grupo Espírito Santo que continuou a mandar”, garante um antigo funcionário administrativo do grupo. Recorde-se: a Eurofin, liderada por Cadosch, é vista na investigação judicial à queda do BES como uma empresa-fantoche do grupo, que terá sido utilizada para realizar transações financeiras para a família Espírito Santo e as companhias do grupo. O Negócios fez várias tentativas de contactar Paulo Agapito, o liquidatário da Controlled Sport, mas não obteve resposta.

 

Um ano depois de ter passado para as mãos da Eurofin, a Controlled Sport foi adquirida pela luxemburguesa Dassa Investissement S.A. Apesar de não estar insolvente, a Herdade da Poupa apresentava em 2016 um passivo corrente de mais de 13 milhões de euros, 201 mil euros de ativo, e empregava um único trabalhador. No passado mês de junho, o banco Haitong, antigo BES Investimento, que detém 0,03% da Controlled Sport, avançou com uma ação judicial exigindo 2,4 milhões de euros. Os motivos em causa não são conhecidos.

Nos últimos cinco anos, a propriedade caiu ao abandono, acabaram as montarias. O Hotel Rural da Herdade da Poupa, por sua vez, já tinha fechado portas em maio de 2013, o prazo de funcionamento definido pelo financiamento europeu. As poucas corças e veados que até agora escaparam aos caçadores furtivos tomaram conta do espaço e podem usar como bebedouro a piscina construída em 2011; as cercas eletrificadas deixaram de o ser; a vegetação apoderou-se aos poucos do edifício. Numa visita à herdade, uma antiga funcionária aponta a janela empoeirada da suíte exclusiva de Ricardo Salgado. Mais adiante, revela que um edifício ali construído para acolher eventos só foi utilizado duas vezes.

 

Em conversa no Rosmaninhal, o nome de António Salgado é recorrentemente evocado. O irmão de Ricardo Salgado, que faleceu em 2011 vítima de cancro, é recordado com carinho pela população local, por ter sido uma pessoa “acessível” e por ter criado muitos postos de trabalho. “Mesmo quando já estava muito mal, fez questão de vir à Poupa dizer adeus aos trabalhadores e ver a piscina que na época ainda estava a ser construída”, lembra uma antiga funcionária.

 

História de dois hotéis

 

Um busto de bronze, como se dum antigo rei ou um descobridor se tratasse. O rosto de António Salgado está eternizado na principal rotunda das Termas de Monfortinho; uma homenagem da câmara de Idanha-a-Nova, datada de abril de 2013. Se houvesse dúvidas quanto à influência do GES nesta região, estavam esclarecidas. Coração da localidade, este eixo de trânsito, que dá acesso ao balneário termal, a uma antiga delegação do BES e aos principais hotéis: o Fonte Santa e o Astória.

O rosto de António Salgado está eternizado na principal rotunda das Termas de Monfortinho; uma homenagem da câmara de Idanha-a-Nova, datada de abril de 2013. Em conversa no Rosmaninhal, o seu nome é evocado. O irmão de Ricardo Salgado, que faleceu em 2011 vítima de cancro, é recordado com carinho pela população local, por ter sido uma pessoa “acessível” e por ter criado muitos postos de trabalho”.

A 2 de setembro de 2014, o Hotel Astória fechou portas; 33 funcionários, a maioria com cargos administrativos, foram despedidos; os restantes transitaram para o Hotel Fonte Santa. Milhares de euros foram pagos em indemnizações, valores conseguidos com a venda de ativos como o balneário termal ou o Clube de Tiro e Caça de Monfortinho, garante fonte próxima do processo. Em 1991, o então Espírito Santo Saúde entrou na Companhia das Águas da Fonte Santa, que pertencia aos herdeiros do Conde da Covilhã, Júlio Anahory de Quental Calheiros.

 

Cinco anos após o fecho, a estrutura exterior do Astória continua intacta, mas os sinais de ausência de vida são visíveis: as grandes palmeiras do jardim morreram; perscrutando o interior do edifício pelos vidros, veem-se maciças camadas de pó. Será difícil encontrar interessados em adquirir o hotel, que data do final dos anos 1940 e tem muitas das amenidades desatualizadas, diz um empresário local. É por isso que a avaliação patrimonial de 38,5 milhões de euros “não é realista”, frisa. Principalmente quando, a 50 metros, existe outra unidade hoteleira mais barata e bem equipada.

Hotel Fonte Santa

Ao lado, o Hotel Fonte Santa está à venda por 35 milhões de euros. Jorge Calvete, o administrador de insolvência (AI) responsável pela Herdade do Vale Feitoso, também tem em mãos a alienação deste ativo. Já a gestão administrativa está a cargo da empresa Amazing Evolution. “A nossa única responsabilidade passa por coadjuvar o AI, uma vez que ele não tem conhecimentos específicos de hotelaria, no contexto de proteção dos interesses dos credores e do ativo”, garante Margarida Almeida, CEO da empresa.

 

O pedido do Negócios para entrevistar Vítor Hugo, atual gestor do Hotel Fonte Santa, foi recusado pelo administrador de insolvência. De acordo com registos fiscais, o hotel apresentava em 2015 um passivo corrente de quase 31 milhões de euros e 1,6 milhões de ativo. Nos mesmos registos, Alexandre Cadosch consta no cargo de presidente do conselho de administração da empresa-mãe da Companhia das Águas da Fonte Santa, a EBD.

 

O que já foi salvo

 

Nem tudo o que um dia fez parte do feudo Espírito Santo na Beira Baixa está abandonado. O balneário termal e a Herdade do Clube de Tiro e Caça de Monfortinho (HCTCM) foram vendidos a 29 de julho de 2016, no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER) da Companhia das Águas da Fonte Santa; no mesmo dia, foram alienados alguns terrenos na localidade, onde o GES contava instalar uma empresa de engarrafamento e comercialização de água, garante fonte próxima do processo.

“Se o balneário fechava, era a morte completa das Termas de Monfortinho”, diz António Trigueiros de Aragão, administrador das Fábricas Lusitana e rosto da sociedade de empresários que adquiriu o empreendimento. O encerramento da estação termal poderia criar um efeito dominó e levar ao fecho das unidades hoteleiras da localidade. “Em 2016, o balneário só esteve aberto dois meses. No tempo do GES estava aberto seis meses por ano. Agora passamos a estar abertos o dia todo e o ano todo. Houve um esforço”, diz Pedro Próspero, atual gestor do projeto.

Em 2018, o balneário termal acolheu cerca de 2.800 clientes, 30% dos quais espanhóis; com um milhão de euros investidos em melhorias, o empreendimento aproxima-se do “break-even”. Mas há mais dinheiro a ser injetado: com o encerramento do Hotel Astória criou-se um “gueto entre um hotel de 4 estrelas e o resto do mercado” do alojamento na aldeia raiana, explica Pedro Próspero. Um projeto de conversão de parte do edifício das termas em hotel já foi submetido para avaliação. O objetivo é que as obras possam avançar no inverno deste ano. “Monfortinho tem água e um nome histórico. O que precisa agora é de dinâmica”, garante António Trigueiros de Aragão.

 A 2 de setembro de 2014, o Hotel Astória fechou portas; 33 funcionários, a maioria com cargos administrativos, foram despedidos; os restantes transitaram para o Hotel Fonte Santa.
Cidália Nascimento recorda um tempo das Termas de Monfortinho em que “as pessoas pareciam formigas”, num “vai e vem” na avenida principal, e em que até as pequenas unidades hoteleiras “se viam à rasca para arranjar mão de obra”.

A cerca de cinco quilómetros do balneário termal fica a Herdade do Clube de Tiro e Caça de Monfortinho. Esta propriedade, com cerca de 90 hectares, foi comprada por Luís Paixão Martins, fundador da agência LPM Comunicação. O empresário adquiriu o terreno por meio milhão de euros, uma vez que tinha terrenos anexos, conhecia bem a região e detinha, inclusive, uma casa numa aldeia próxima. “Para mantermos o HCTCM aberto, tivemos de fazer obras de requalificação da propriedade, já que os últimos anos da gestão do GES não foram muito felizes. Decidimos investir nas infraestruturas da parte turística”, conta. Em 2018, foram construídos quatro bungalows revestidos a xisto no terreno, para alojamento turístico. Este investimento, todavia, não foi fácil: no interior do país, não há muita mão de obra, o ritmo de certas diligências é mais lento. Outro problema: tendo em conta que o antigo balcão do BES nas Termas fechou em 2014, os funcionários têm de se deslocar 30 quilómetros até ao banco mais próximo para fazer depósitos.
Dentro do HCTCM, além das carreiras de tiro, há piscinas, espreguiçadeiras, canoas de aluguer, uma barragem e um restaurante com iguarias locais; à imagem do balneário termal, a maioria dos clientes são espanhóis. “Queremos criar um espaço de tranquilidade. Aqui somos a primeira porta de Espanha e a última de Portugal”, diz Cidália Nascimento, gestora do projeto há quatro meses; antes trabalhou 18 anos nos hotéis do GES.

 

Cidália recorda um tempo das Termas de Monfortinho em que “as pessoas pareciam formigas”, num “vai e vem” na avenida principal, e em que até as pequenas unidades hoteleiras “se viam à rasca para arranjar mão de obra”. Nos últimos anos, a paisagem das Termas mudou. Justificações para a quebra de veraneantes há muitas e variam consoante a perspetiva: do fim dos apoios do Estado aos tratamentos termais até à queda do BES. Um ponto, contudo, une o discurso dos donos do balneário e do HCTCM sobre o futuro da região: a necessidade de estender a A23 de Alcains a Monfortinho e depois fazer-se uma ligação à EX-A1 espanhola, traçado que permitiria ligar Madrid à região centro do país.

 

Para Luís Paixão Martins, as administrações regionais portuguesas têm falta de coesão com Espanha. “A questão da autoestrada é até mais relevante para a região do Centro do que para as próprias termas.” Neste ponto, está em consonância com António Trigueiros de Aragão: “É inconcebível que a zona Centro não tenha um acesso direto de quem vem de Madrid.” Quem ficaria realmente a ganhar? Leiria, Fátima, Nazaré, Peniche, Óbidos. Segundo um pequeno estudo feito pelo administrador das fábricas Lusitana, uma ligação Santarém-Madrid com passagem por Monfortinho permitiria poupar até 125 km, em comparação com os trajetos via Vilar Formoso ou Elvas.

 

Ao longo dos anos, este projeto foi discutido e adiado por sucessivos governos; o último a suspendê-lo foi o Executivo de Passos Coelho, em agosto de 2011. No entretanto, as Termas de Monfortinho esforçaram-se por sobreviver. Primeiro à sombra do GES, agora com novos investidores. Cinco anos depois da hecatombe do BES, sobram apenas resquícios metafóricos da presença do grupo.

Novo Banco obrigado a revelar preço (e desconto) das vendas de malparado e imóveis

Quinta-feira, Agosto 15th, 2019

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Expresso

Primeiro, o Novo Banco comunicou apenas o impacto das alienações de grandes carteiras de ativos tóxicos nos resultados semestrais. Três dias depois, revelou qual o valor registado dessas carteiras. Mas só dois dias depois é que publicou o desconto a que concretizou tais operações.

O Novo Banco foi obrigado a divulgar e especificar as perdas que verificou nas operações de venda de imóveis e crédito malparado. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem insistido na necessidade de detalhar o efeito destes negócios, para que os investidores possam ter a informação minimamente aceitável do seu lado.

Novo Banco fez a primeira divulgação sobre as operações de venda de malparado concretizadas em 2019 nos resultados do primeiro semestre, apresentados a 2 de agosto. Aí, revelou que as duas operações de alienação de crédito malparado e imóveis em Espanha, o projeto Albatroz, e de venda de imóveis, o projeto Sertorius, contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros que registou no período – e para a estimativa de que, se o final do ano fosse com estes números, o Novo Banco precisaria de 541 milhões de euros do Fundo de Resolução.

Mas os números divulgados publicamente não se ficaram por aqui. Na segunda-feira seguinte, dia 5, houve novidades. Em dois comunicados distintos, o banco liderado por António Ramalho informou o que constava em cada carteira, o seu valor contabilístico e quem foi o comprador. No caso da Albatroz, eram 308 milhões de euros em crédito e imobiliário, a alienar à americana Waterfall Asset Management; no de Sertorius eram 487,8 milhões de euros em ativos imobiliários, a vender ao fundo americano Cerberus.

Só que a informação não foi suficiente. Quarta-feira houve nova comunicação. Um “aditamento”. E foi aí que o Novo Banco teve de revelar o preço de venda. E esse preço de venda é comparável ao valor contabilístico. Logo, foi possível perceber qual o desconto assumido pelo banco liderado por António Ramalho nas vendas. Em ambas, o Novo Banco aceitou que os compradores pagassem um terço do valor contabilístico, o que tem aí consubstanciado um desconto de dois terços. O Albatroz foi vendido por 98,7 milhões de euros; o Sertorius a 159 milhões.

POR QUE PEDE A CMVM MAIS INFORMAÇÕES

O regulador liderado por Gabriela Figueiredo Dias não quis confirmar ao Expresso qualquer atuação sobre um emitente específico. Contudo, assume que as vendas de ativos são operações a tomar em atenção e um campo em que tem atuado.

“A CMVM, no âmbito da sua função de supervisão de emitentes, procura ativamente garantir, em qualquer circunstância, que a informação por estes divulgada, em particular no contexto de alienação de ativos, apresenta elevados padrões de qualidade e completude, permitindo aos investidores compreender o impacto material da mesma na situação financeira do emitente e, com isso, fundamentar as suas decisões de investimento ou desinvestimento”, diz a autoridade do mercado de capitais ao Expresso.

Ainda este ano, em fevereiro, a circular anual da CMVM dirigida aos emitentes de valores mobiliários mencionava este assunto, já que vinha verificando “algumas situações em que se revelou necessário (…) solicitar a correção de comunicados de informação privilegiada”.

“Esclarece-se que de acordo com o tipo de transações em causa – por exemplo, aquisições, alienações e fusões –, tal poderá implicar, nomeadamente, a divulgação dos valores da transação e o impacto da mesma (nomeadamente, nas vendas, informação sobre as mais ou menos valias ou sobre a necessidade de registar eventuais imparidades – ainda que se trate de valores não definitivos), sem a inclusão das quais o investidor não terá ao seu dispor a informação mínima indispensável à correta formação das suas decisões de investimento”, indicava essa nota enviada aos emitentes do mercado nacional.

Não foi possível obter resposta do Novo Banco, mas não foi a primeira vez que o banco fez um aditamento aos seus comunicados. A 1 de março do ano passado, a instituição comunicou a venda da sucursal venezuelana. Só no dia seguinte adiantou que a operação foi feita, ao câmbio da altura, por 272 mil euros, e que não teve impacto nas contas, por já ter sido anteriormente provisionada.

Novo Banco vende créditos e imóveis tóxicos a americanos por um terço do valor

Sexta-feira, Agosto 9th, 2019

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Expresso

Banco liderado por António Ramalho teve de dar informações adicionais sobre projetos de alienação de ativos problemáticos à CMVM. E revelou qual o desconto associado à venda de créditos e imóveis

O Novo Banco está na fase final de venda de carteiras de crédito malparado e de imóveis. O preço definido é um terço do valor contabilístico destes ativos. Devido a este preço, as duas operações geraram perdas de 229 milhões de euros para o banco, contribuindo para os prejuízos de 400 milhões do primeiro semestre.

Sertorius, de imóveis, e Albatroz, de malparado e imobiliário em Espanha, são os nomes dos dois projetos de venda de ativos problemáticos. As duas transações visavam ativos cujo valor contabilístico era de 795,8 milhões de euros. Mas o preço acordado para a sua alienação foi de 257,7 milhões de euros.

Ou seja, os compradores – o fundo americano Cerberus, no primeiro caso, e a Waterfall Asset Management, no segundo – pagaram apenas um terço do montante registado no balanço. Por outras palavras, com um desconto de dois terços.

As duas operações deverão ser concretizadas até ao final do ano. A correr está ainda uma outra operação de crédito malparado, de 3,3 mil milhões de euros, que deverá ficar fechada até ao final do ano. E também perdas adicionais deverão vir dessa transação.

SERTORIUS

Na segunda-feira, o Novo Banco, detido em 75% pelos americanos da Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução, tinha anunciado a assinatura de um contrato-promessa de compra e venda com a Cerberus de um conjunto de ativos imobiliários “com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões de euros”. Esta carteira é “composta por 195 imóveis agregados, que se traduzem em 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos”.

Esta quarta-feira, o banco liderado por António Ramalho teve de comunicar à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários que “o valor de venda da carteira a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P., ascendeu a 159 milhões de euros”.

É um terço do valor bruto contabilístico.

ALBATROZ

Também na segunda-feira, o Novo Banco anunciara que a sua sucursal espanhola celebrou um contrato de compra e venda com a também americana Waterfall. A carteira de ativos imobiliários e crédito não produtivo “tem um valor bruto contabilístico para o Novo Banco, ao nível consolidado, de 308 milhões de euros”.

Esta quarta-feira, veio nova comunicação: “Informa-se que o valor de venda da carteira à Waterfall Asset Management L.L.C., ascendeu a 98,7 milhões de euros”.

Mais uma vez, um terço do valor.

E AS PERDAS

No comunicado desta quarta-feira, o Novo Banco acrescenta que “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

Quer este número dizer que parte dos créditos e dos imóveis já estava coberta por imparidades ou provisões, já que este montante de perdas registado no semestre é inferior ao diferencial entre o valor contabilístico e o preço acordado.

Estas perdas agora verificadas contribuíram para os prejuízos de 400 milhões de euros no primeiro semestre e para a estimativa de que, com base nas contas de junho, o Novo Banco precisaria de 541 milhões do Fundo de Resolução para manter os seus rácios de capital.

O Novo Banco tem compromissos de redução de ativos problemáticos do seu balanço, pelo que tem optado por fazer vendas de grandes carteiras. Como o prazo para a concretização apertado e qa dimensão expressiva, as operações tendem a ser feitas com descontos elevados.

Novo Banco encaixa 258 milhões com venda de malparado

Quinta-feira, Agosto 8th, 2019

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Dinheiro Vivo

O Novo Banco vendeu a carteira ‘Projeto sertorius’ por 159 milhões de euros e a carteira ‘Projeto Albatroz’ por 98,7 milhões de euros.

O Novo Banco encaixou 258 milhões de euros com a venda de duas carteiras de crédito malparado, um valor que corresponde a cerca de 70% menos do que o valor contabilístico dos ativos. As duas carteiras estavam avaliadas em 796 milhões de euros. O banco explica, em comunicado, “estas operações não tiveram efeitos adicionais na conta de exploração face à valorização dos ativos nas contas do Novo Banco de 30 de junho de 2019 na medida em que já refletem o montante de 228,7 milhões de euros de provisões no semestre relacionadas com as referidas vendas de ativos”.

O Novo Banco anunciou no dia 5 de agosto que tinha acordado a venda destas carteiras de crédito malparado. O ‘Projeto Sertorius’, uma carteira composta por 195 imóveis agregados, incluindo 1.228 unidades individuais, com usos industrial, comercial, terrenos e residencial, incluindo estacionamentos, está avaliada em 487,8 milhões de euros.

Foi vendida a entidades indiretamente detidas por fundos geridos pela Cerberus Capital Management, L.P. O ‘Projeto Albatroz’, composto por crédito malparado e ativos imobiliários, tem um valor bruto contabilístico total de 308 milhões de euros. Foi vendido à Waterfall Asset Management L.L.C., uma gestora de ativos norte-americana.

O Novo Banco prevê que as duas transações estejam concluídas até ao final do ano. O banco liderado por António Ramalho quase duplicou o seu prejuízo no primeiro semestre deste ano, para os 400 milhões de euros, face ao resultado de igual período de 2018. O Novo Banco anunciou, no seu comunicado com as contas semestrais, que terá de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução. O banco foi criado em 2014 na sequência da resolução do BES, para ficar com parte dos ativos daquele banco. Foi vendido em outubro de 2017 ao fundo norte-americano Lone Star, que passou a deter 75% do banco, sendo os restantes 25% detidos pelo Fundo de Resolução, uma entidade gerida pelo Banco de Portugal.

Costa Pinto: “Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco”

Sábado, Agosto 3rd, 2019

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Negócios

João da Costa Pinto, antigo presidente do conselho de auditoria do BdP, admite que as dificuldades do BES “eram conhecidas”, mas não diz desde quando. Mas reconhece também que a resolução não era a única alternativa.

João Costa Pinto critica o Governo anterior, que diz ter passado “todo o ónus” dos problemas do Banco Espírito Santo (BES) para o supervisor. No fim, ficámos com uma “situação impossível de gerir”, resultado da venda rápida do Novo Banco, imposta por Bruxelas.

Como recebeu a notícia de que o BES ia ser resolvido?
As dificuldades do grupo BES eram conhecidas. Sabia-se que o BES enfrentava dificuldades decorrentes dos problemas do grupo. O que não era do conhecimento público era a amplitude das dificuldades. Aqui, tenho de estabelecer os parâmetros desta conversa. Como presidente do conselho de auditoria do BdP, tive conhecimento de informações que são submetidas a sigilo e que não posso referir. E passaram cinco anos desde a resolução. Há questões que se apresentam com uma clareza que não existia.

Quando diz que se sabia que o BES enfrentava dificuldades e que teve informações sob sigilo, o que quer dizer é que o BdP conhecia a situação do BES. Conhecia desde quando? E atuou atempadamente?
Tudo o que seja o comportamento do BdP e a avaliação desse comportamento está para lá da linha vermelha que eu tracei.Havia alternativas?
As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira, não há dúvida. Havia uma questão central, que era a preservação da estabilidade do sistema financeiro. Para além disso, a economia estava num processo muito complexo de resposta a dificuldades financeiras, que tinham trazido a troika e o programa de ajustamento. Por outro lado, a união bancária implicou o estabelecimento da resolução, que foi testada connosco, com uma particularidade: foi aplicada sobre uma instituição de importância sistémica. A primeira observação é que a resolução é de aplicação extraordinariamente difícil.

E, portanto, não deveria ser testada num banco sistémico?
Já lá vamos. A resolução parte de uma ideia. Um banco está em dificuldades que ameaçam a sua sobrevivência e, de acordo com uma doutrina que se desenvolveu na Europa, há dois caminhos: ou é liquidado ou é resolvido. A ideia central é que é possível ir ao balanço de uma instituição e separar a parte boa da má. Quem tem experiência de banca sabe que, se olharmos para o balanço de um banco, não é possível traçar uma linha como se uma parte fosse branca e outra preta. No meio há uma vasta zona cinzenta constituída por ativos em dificuldades, mas em que uma gestão adequada permite uma recuperação integral ou substancial. Só que, para isso, é necessário tempo. No caso do BES surgiram duas dificuldades. A primeira foi uma decisão do Governo de se pôr de lado.

Não se afastou totalmente, a resolução também é uma decisão política.
Acaba por ser, mas a verdade é que, por virtude de uma decisão política, todo o ónus e a responsabilidade recaiu sobre o supervisor. Um problema da dimensão do BES não podia deixar de ter uma avaliação de natureza política.

Atribui então culpas ao governo anterior?
Acho, pessoalmente, que não foi a melhor decisão. Não estou a fazer nenhum julgamento. O governo terá muitos argumentos para explicar a decisão que tomou.

“As dificuldades que o BES atravessava podiam ter sido respondidas de mais do que uma maneira.”

“Por virtude de uma decisão política, todo o ónus recaiu sobre o supervisor.”

Disse que uma das prioridades era preservar o sistema. Conseguiu-se?
No essencial, a estabilidade do sistema bancário português foi preservada. Foi abalada pela convergência de um conjunto de fatores, um dos quais foi a aplicação do programa da troika. Uma das coisas que hoje é óbvia é que subavaliámos claramente o impacto do programa de ajustamento sobre a situação dos bancos. Durante muito tempo, mantivemos a ficção de que os nossos bancos estavam suficientemente capitalizados para absorver o impacto da crise.

Foi só uma subavaliação do impacto da crise que levou a que o BES não recorresse à linha de financiamento?
Aí houve claramente erros. É absurdo que o montante que a troika destinou para a recapitalização dos bancos nunca tenha sido utilizado na totalidade. Mas o grande problema foi que, numa imposição absurda, as autoridades comunitárias forçam uma venda do banco bom, num curto período, e criam uma situação impossível de gerir.

Podia ter sido feita uma venda melhor do Novo Banco?
É difícil, porque estamos a falar de uma autêntica “fire sale”. Foi uma venda em situação de emergência, num período muito curto, em que havia no balanço do BES a tal zona cinzenta, que precisava de tempo para que fosse preservado e recuperado valor.

Qual era a alternativa?
Era fazer o que fizeram os ingleses com o Royal Bank of Scotland e com o Lloyd’s.

E uma solução dessas teria um peso diferente para os contribuintes?
Não vejo que não tivesse. Ainda hoje não sabemos o preço a que vendemos o Novo Banco, só no final é que se vai poder fazer as contas. Esta é a perversidade do exercício.

Era possível recuperar o BES?
Essa é uma resposta muito difícil. A separação dos ativos sem valor era indispensável. Podemos olhar para Espanha, onde os bancos enfrentavam problemas não menos complexos, foram negociados com a Europa fundos de 100 mil milhões e criados veículos para onde os bancos passaram os ativos que tinham perdido valor. Os bancos foram mantidos em toda a sua plenitude. Nós atuámos tarde e numa dimensão que não foi a suficiente.

Novo Banco fecha venda de carteira de imobiliário avaliada em 400 milhões ao fundo Cerberus

Quarta-feira, Julho 24th, 2019

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Eco

Novo Banco fecha venda de carteira de imobiliário avaliada em 400 milhões ao fundo Cerberus

 

Banco liderado por António Ramalho já fechou a venda da carteira “Sertorius”, composta por imóveis no valor de 400 milhões de euros, à Cerberus e Finsolutia. Para trás ficou o fundo Bain.

Novo Banco acabou de fechar a venda de uma carteira de imóveis no valor de 400 milhões de euros ao fundo Cerberus, que concorreu com a Finsolutia, apurou o ECO junto de fonte do mercado. Na corrida pelo designado “Projeto Sertorius” estava ainda o fundo Bain (juntamente com a Whitestar), mas a proposta acabou por ser preterida.

Esta carteira é composta por 200 ativos, cerca de dois terços terrenos não edificados e alguns imóveis industriais, residenciais e comerciais, segundo avançou o Jornal Económico em abril. A maioria destes imóveis está localizada em Lisboa e em Setúbal.

No final do ano passado, a Cerberus tinha adquirido um portefólio de ativos imobiliários ao Santander Totta no valor de 600 milhões de eurosFoi também este fundo que comprou o francês BES Vénétie ao Novo Banco nos últimos dias de 2018 por cerca de 50 milhões de euros.

O banco liderado por António Ramalho prossegue a estratégia de redução do nível de ativos não rentáveis com a venda de carteiras de crédito malparado e imobiliário, perante às exigências dos reguladores europeus. Nos próximos meses o Novo Banco também prevê fechar o “Projeto Nata 2”. Conforme avançou o ECO em primeira mão, é a maior carteira de malparado alguma vez posta à venda no mercado português, num valor superior a 3.000 milhões de euros. Inclui créditos mediáticos como da Ongoing, Joaquim Oliveira ou Moniz da Maia.

Neste caso, Bain, KKR e Davidson Kempner foram as entidades que passaram à segunda fase do concurso (binding offer). A Bloomberg indicava que era a Bain quem estava em melhor posição para ficar com a carteira, à frente da Davidson Kempner.

Estas operações têm sempre de ser aprovadas pelo Fundo de Resolução, uma vez que tem de responder por perdas associadas à alienação de carteiras. Este ano o fundo liderado por Máximo dos Santos foi chamado a injetar 1.145 milhões de euros no âmbito do mecanismo de capital contingente assinado aquando da venda de 75% do banco aos americanos do Lone Star, em outubro de 2017.

Novo Banco põe à venda maior carteira de malparado de sempre em Portugal. Bain, Cerberus e KKR na corrida pelos 3,3 mil milhões de NPL

Sábado, Maio 18th, 2019

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Eco

Novo Banco põe à venda maior carteira de malparado de sempre em Portugal. Bain, Cerberus e KKR na corrida pelos 3,3 mil milhões de NPL

Novo Banco arrancou com venda do “Projeto Nata 2”, uma carteira de crédito malparado no valor de 3,3 mil milhões. E já atraiu vários interessados na primeira fase. Venda fechada no terceiro trimestre.

Debaixo de fortes críticas e muitas dúvidas em relação aos processos de venda de ativos problemáticos herdados do BES, oNovo Banco já pôs em marcha o “Projeto Nata 2”. A maior carteira de crédito malparado que alguma vez esteve à venda no mercado nacional, avaliada em 3.300 mil milhões de euros, já atraiu vários investidores, entre os quais se destacam grandes investidores internacionais como os fundos Bain, a Cerberus e a KKR, adiantou ao ECO uma fonte do mercado.

Em causa está um portefólio de 1.000 créditos empresariais que estão em incumprimento junto do banco. Cerca de 30% destes contratos têm uma garantia associada (secured), enquanto os restantes financiamentos não apresentam quaisquer garantias (unsecured).

O Novo Banco está sob pressão para baixar o rácio de malparado, à semelhança dos restantes bancos nacionais que são dos que apresentam maior volume de ativos tóxicos no seus balanços em comparação com a realidade europeia.

ECO Insider (newsletter semanal reservada exclusivamente a assinantes) tinha dado conta do início do “Projeto Nata 2” há duas semanas, numa operação com a qual António Ramalho quer reduzir o rácio de Non Performing Exposure (NPE) para um valor em torno dos 12% no final do ano.

O processo de venda do “Nata 2” encontra-se ainda numa fase inicial. O Novo Banco espera fechar o negócio “algures no terceiro trimestre do ano”, disse a mesma fonte. Nesta fase, o banco está a receber propostas não vinculativas (non bidding offers) da parte dos investidores até final deste mês. Os interessados têm acesso a um ficheiro com informação mais ou menos detalhada sobre a carteira de malparado, o chamado “data tape“, apresentando junto do banco uma oferta de compra sem compromisso.

Nos próximos meses, o banco avançará para negociações exclusivas com uma lista mais reduzida de investidores. Estes terão de apresentar uma proposta firme de aquisição até junho, isto antes de o banco fechar o contrato de compra e venda com o comprador, o qual se espera que seja assinado entre julho e setembro. Contactado, o Novo Banco não respondeu às questões colocadas pelo ECO até à publicação do artigo.

O Novo Banco vendeu em por 398M em cash uma carteira de imóveis granulares (terrenos,comércios, residências). Em 11 operações na Ibéria foi a segunda melhor para o vendedor. Quem saberá que 2/3 desse património estava há mais de 5 anos parado no Banco. Parabéns para toda a equipe

Depois de Helena Roseta se ter insurgido contra a venda de ativos “ao desbarato e com grandes perdas, ao primeiro que se apresente”, razão pela qual, segundo a deputada, o Novo Banco tem apresentado prejuízos volumosos, o banco veio a público rejeitar as críticas, garantindo que “não vende, nem pretende vir a vender, quaisquer imóveis a preços desajustados de valores do mercado.

O próprio António Ramalho foi à rede social Twitter defender o seu trabalho à frente do banco, nomeadamente em relação à forma como tem vendido ativos não estratégicos do Novo Banco. Deu como exemplo a alienação de uma carteira de imóveis avaliado em cerca de 700 milhões de euros (o Projeto Viriato), no final do ano passado, por cerca de 400 milhões.

“Em 11 operações na Ibéria, foi a segunda melhor para o vendedor”, disse. “Quem saberá que 2/3 desse patrimónios estava há mais de cinco anos parado no banco?”, questionou ainda.