Arquivo para a categoria ‘Venda de ativos’

Fundo americano Cerberus compra BES Vénétie ao Novo Banco

Terça-feira, Junho 19th, 2018

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Negócios

O Novo Banco informou que a subsidiária francesa do Cerberus vai comprar os 87,5% por si detidos no Banque Espírito Santo et de la Vénétie.

O Novo Banco celebrou com a sociedade Promontoria MMB SAS, sociedade constituída em França e subsidiária da Cerberus Capital Management, um contrato de compra e venda da participação de 87,5% por si detida do capital social do Banque Espírito Santo et de la Vénétie, S.A. e activos directamente relacionados, informou em comunicado à CMVM o banco liderado por António Ramalho (na foto).

A concretização da operação de compra e venda da participação encontra-se dependente da obtenção das autorizações necessárias, refere o mesmo documento.

O Novo Banco, apesar de não referir o valor de venda, sublinha que “a conclusão da transacção nos termos ora acordados terá um impacto positivo no rácio de capital Common Equity Tier I do Novo Banco”.

“Esta transacção representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de activos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário doméstico”, acrescenta.

justo valor reconhecido pelo Novo Banco para esta participação na instituição gaulesa era de 48 milhões nas contas de 2017. Quase três vezes abaixo do valor contabilístico inicial, que era de 151 milhões de euros. O BES Vénétie tinha, no final de 2017, um capital próprio de 176 milhões de euros.

Os restantes 12,5% do Vénétie estão nas mãos do italiano Intesa Sanpaolo.

O Cerberus é um dos três concorrentes que passaram à nova fase do processo de alienação da filial da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Espanha.

Novo Banco acorda a venda do francês BES Vénétie à Promontoria

Sábado, Junho 16th, 2018

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RTP

O Novo Banco acordou a venda do Banque Espírito Santo et de la Vénétie, disse hoje a instituição liderada por António Ramalho, sem revelar o valor do negócio.

A sociedade compradora é a francesa Promontoria, pertencente ao fundo de investimento norte-americano Cerberus Capital Management, tendo o Novo Banco acordado a venda da “participação de 87,5% que detém no capital social do Banque Espírito Santo et de la Vénétie e ativos diretamente relacionados”, lê-se na informação divulgada através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A concretização da venda está agora dependente autorizações das entidades que têm de aprovar a operação.

O Novo Banco não indica o valor do negócio, mas diz que a conclusão da transação terá um impacto positivo no seu rácio de solvabilidade CET1, mas sem quantificar.

“Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário doméstico”, termina o Novo Banco o comunicado ao mercado.

O Novo Banco teve lucros de 60,9 milhões de euros no primeiro trimestre, o que compara com o prejuízo de 130,9 milhões de euros dos primeiros três meses de 2017.

Banco central aprova venda do Banco Internacional de Cabo Verde

Sábado, Maio 26th, 2018

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Notícias ao Minuto

O Banco de Cabo Verde aprovou a venda do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV), que pertencia ao Novo Banco, a uma sociedade constituída no Bahrain, no Médio Oriente, ficando o banco português com uma posição minoritária de 10%.

Após a concretização deste processo, a estrutura acionista pretendida do BICV resulta em 90% detido pela sociedade IIBG Holdings B.S.C e 10% pelo Novo Banco”, refere o comunicado do banco central de Cabo Verde, hoje divulgado.

A venda a esta sociedade, por um montante não divulgado, já tinha sido acordada em agosto do ano passado, mas ficou então suspensa, a aguardar várias autorizações e diligências.

O Banco de Cabo Verde informou hoje que avaliou o plano de negócios previsto pela IIBG Holdings para o Banco Internacional de Cabo Verde e outros aspetos, como a solidez do projeto (nomeadamente quanto a solidez financeira do adquirente e prevenção do uso da instituição para lavagem de capitais e financiamento do terrorismo), e declarou que “enquanto Autoridade de Supervisão do sistema financeiro nacional entende que o adquirente dá garantias de uma gestão sã e prudente da instituição a ser adquirida”.

O Banco Internacional de Cabo Verde, o antigo Banco Espírito Santo Cabo Verde, passou para o Novo Banco aquando da resolução do Banco Espírito Santo (BES) em agosto de 2014.

A venda do BICV chegou a estar acordada ao empresário português José Veiga, mas foi chumbada pelo supervisor cabo-verdiano, depois de o Banco de Portugal também se ter oposto à operação.

Entre o plano de negócios da IIBG Holdings para o Banco Internacional de Cabo Verde, segundo o divulgado hoje pelo Banco central de Cabo Verde, está a “construção de um banco de investimento na África Ocidental e de um negócio de gestão de patrimónios localizados em Cabo Verde, tendo como principal objetivo gerir e expandir as atividades do BICV para operações da banca de retalho/banca comercial, serviços de banca transacional e serviços internacionais”.

Fundo Apollo quer vender Tranquilidade

Domingo, Maio 13th, 2018

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Ionline

O fundo de investimento concretizou a compra com o Novo Banco em 2015. Mas o seu objetivo foi adquirir a seguradora em dificuldades, promover a sua reestruturação e vendê-la por um montante mais elevado.

A Apollo Global Management quer vender a seguradora Tranquilidade, apurou o SOL. Um negócio que foi concretizado em janeiro de 2015 depois de a gestora norte-americana de ‘private equity’ ter comprado a companhia que pertencia ao Grupo Espírito Santo (GES). Uma venda que não parece surpreender: vários responsáveis do mercado contactados pelo SOL lembram que vai ao encontro da estratégia deste tipo de fundos de investimento. A fórmula é simples: investem em empresas em dificuldades, promovem a sua reestruturação e vendem-nas posteriormente a montantes mais elevados.
Aliás, Portugal tem sido um dos mercados onde estes fundos têm feito mais negócios. Um dos exemplos é a venda da Tranquilidade e, mais tarde, da Açoreana ao fundo Apollo.

Com a compra da Tranquilidade, o Novo Banco encaixou cerca de 40 milhões de euros. Além disso, a Apollo comprometeu-se a injetar cerca de 150 milhões na seguradora, um aumento de capital destinado a compensar o facto de parte das reservas técnicas da companhia estarem representadas por créditos sobre o GES que, com o colapso do grupo, apresentavam um valor nulo.

O processo de negociação com o Novo Banco demorou cerca de quatro meses e só foi possível depois depois de a Centerbridge, investidor em dívida do Espírito Santo Financial Group (ESFG), ter desistido da ação judicial em que contestava o penhor financeiro da Tranquilidade a favor do Novo Banco. Mal o processo caiu, o banco liderado, na altura, por Eduardo Stock da Cunha e a Apollo fecharam o negócio.

Negócios fracassados

Antes de adquirir a Tranquilidade, a Apollo falhou a compra da Fidelidade (para a Fosun) e da Axa Portugal. Ainda assim, em 2016, conseguiu adquirir a Açoreana, seguradora que pertencia ao Banif e que passou para os ativos da Oitante – veículo criado no seguimento da resolução do Banif.

A aquisição da Açoreana exigiu por parte da Apollo um aumento de capital de 22,7 milhões de euros, passando a ser esse valor do capital social da seguradora no momento da compra. Isto porque o comprador utilizou o capital anteriormente existente para absorver os prejuízos acumulados: 135,6 milhões de euros. É a chamada operação harmónio (uma redução de capital seguida de um aumento), que fez com que a seguradora que pertencia ao Banif e aos herdeiros de Horácio Roque passasse para o novo acionista, sem perdas herdadas e com capital. Com esta aquisição surgiu o nome do novo grupo: Seguradoras Unidas SA (resultado da fusão entre Açoreana, Logo, T-Vida e Tranquilidade).
A gestora norte-americana de ‘private equity’ esteve também na corrida para a compra do Novo Banco perdendo para o fundo de investimento norte-americano Lone Star. Depois de um processo em que esteve praticamente parado, o consórcio Apollo/Centerbridge fez, à última hora, novos contactos junto do governador Carlos Costa e de Sérgio Monteiro para voltar a entrar na corrida, mas não conseguiu terminar a due diligence a tempo.

Seguradoras em mudança

A Tranquilidade investiu recentemente seis milhões de euros na mudança da marca – ficando a Tranquilidade no mercado de Portugal Continental e da Madeira e a marca Açoreana nos Açores – e à boleia dessas alterações prevê aumentar o volume de negócios em 5%.

A Tranquilidade é a segunda maior seguradora em seguros não vida, com uma quota de mercado de cerca de 15%. Conta com 1,4 milhões de clientes (entre particulares e empresas) e trabalha com uma rede de distribuição de mais de 2.500 pontos de venda – 80 corretores, 2.100 agentes multimarca e 400 agentes exclusivos. Neste momento tem 1.150 trabalhadores.

No entanto, o grupo continua em marcha com um programa de redimensionamento que tem vindo a implementar que deverá terminar no final do ano. A seguradora garante que o trabalho está a ser feito «de forma planeada», com vista à «adequação dos postos de trabalho às reais necessidades da empresa».

No ano passado, o Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) acusou a Apollo de querer despedir «de forma ilegal» 380 trabalhadores da Seguradoras Unidas após ter integrado a Açoreana na Tranquilidade.

Setor em mãos estrangeiras

A necessidade de os bancos se reestruturarem e capitalizarem ditou um afastamento da atividade seguradora, promovendo-se parcerias com investidores estrangeiros. As duas maiores seguradoras, a Fidelidade, que era detida pela CGD, e a Tranquilidade, que pertencia ao Grupo Espírito Santo, foram vendidas a grupos não europeus. Entre as seguradoras que ainda estão em mãos nacionais restam apenas duas: a Crédito Agrícola Seguros, detida a 100% pelas Caixas Agrícolas, e o Montepio Seguros (detida pela Associação Mutualista Montepio Geral). No entanto, este último terá os dias contados, já que está prevista a venda de 60% do negócio segurador por 160 milhões ao grupo chinês CEFC Energy, esperando o negócio apenas luz verde por parte do regulador

Secretário de Estado diz que no Novo Banco há “partilha de perdas” com a Lone star

Quinta-feira, Abril 5th, 2018

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Secretário de Estado diz que no Novo Banco há “partilha de perdas” com a Lone star

O secretário de Estado das Finanças justificou esta terça-feira os 721,7 milhões de euros que o Fundo de Resolução deverá injetar no Novo Banco com a “partilha de perdas” com a Lone Star.

O secretário de Estado das Finanças justificou esta terça-feira os 721,7 milhões de euros que o Fundo de Resolução deverá injetar no Novo Banco com a “partilha de perdas” com a Lone Star, o seu maior acionista. “O que há aqui é uma partilha de perdas entre o Fundo de Resolução, os obrigacionistas sujeitos a operação de troca de obrigações (que injetaram 500 milhões de euros no capital) e a Lone Star, que injetou 1.000 milhões de euros” no Novo Banco, afirmou Mourinho Félix, no parlamento, na Comissão de Orçamento e Finanças.

Quanto aos 721,7 milhões de euros que o Novo Banco indicou na apresentação das contas de 2017, e que terão de ser injetados pelo Fundo de Resolução, Mourinho Félix considerou “fácil” encontrar essas necessidades de capital. Tendo em conta que o Novo Banco registou, em 2017, imparidades (provisões para perdas potenciais) no valor de 2.000 milhões de euros, essas “comeram” os 1.000 milhões de euros do aumento de capital feito pela Lone Star, tendo sido parcialmente compensados pelo resultado operacional positivo de 340 milhões de euros.

“É assim que se chega a necessidades de o Fundo de Resolução injetar dinheiro”, referiu, vincando que “a conta onde a Lone Star vai buscar 722 milhões de euros não existe, a Lone Star não vai buscar nada”. O secretário de Estado disse ainda que a “Lone Star não regista as imparidades que entende”, uma vez que estas têm de passar pelos crivos de auditores e supervisores. Também o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta terça-feira que no acordo para a venda do Novo Banco foi feita uma partilha de custos com o comprador, a Lone Star.

Segundo o governante, a venda feita em outubro foi a melhor para resolver o problema da estabilidade do Novo Banco, a estabilidade do sistema financeiro português e preservar o impacto orçamental da solução para aquela entidade bancária. Anteriormente, Centeno tinha criticado o estado do sistema financeiro deixado pelo Governo PSD/CDS-PP, afirmando que quando o atual executivo (do PS, suportado por PCP e pelo BE) chegou ao poder, nos últimos meses de 2015, o Novo Banco precisava de 2.000 milhões de euros de capital e que, sem isso, estava “próximo de uma segunda resolução” já que estava próximo de não cumprir rácios de capital exigidos pelos supervisores.

Quanto ao valor que o Fundo de Resolução bancário irá pôr no Novo Banco, Centeno disse que é necessário perceber a razão dessa necessidade. Em outubro passado, o Novo Banco foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star em 75%, ficando o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) com os restantes 25%. A Lone star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, o que já fez.

A semana passada, o Novo Banco (a instituição que ficou com ativos do ex-BES, alvo de medida de resolução em 03 de agosto de 2014) apresentou prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros em 2017, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais). Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco ativou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pedindo que o Fundo de Resolução o capitalize num montante de 791,7 milhões de euros. Uma vez que o Fundo de Resolução não tem todo esse valor, o Estado deverá emprestar até 450 milhões de euros ao fundo para capitalizar o Novo Banco.

O acordo feito aquando da venda do Novo Banco (que pertence em 75% ao fundo de investimento norte-americano Lone Star e em 25% ao Fundo de Resolução) prevê que o Fundo de Resolução possa injetar até 3,89 mil milhões de euros no Novo Banco em oito anos para fazer face a perdas num conjunto de ativos que levem os rácios de capital abaixo de determinados níveis. Ou seja, mesmo depois de o Fundo de Resolução injetar 791,7 milhões de euros no Novo Banco (valor que ainda tem de ser validado pelo Fundo de Resolução e pelas Finanças), há mais de 3.000 milhões de euros que ainda poderão ser colocados no banco através deste mecanismo. Ainda esta terça-feira no Parlamento, sobre o setor bancário, Centeno acusou PSD/CDS-PP de terem deixado “um banco a dias de ser resolvido”, referindo-se ao Banif, e que também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) tinha falta de capital, pelo que teve de ser recapitalizada.

Novo Banco vende ativos e passivos da sucursal na Venezuela e sai do país

Sábado, Março 3rd, 2018

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Notícias ao Minuto

O Novo Banco anunciou hoje que vendeu os ativos e passivos da sua sucursal na Venezuela ao BANCAMIGA, Banco Universal, deixando assim de ter atividade bancária naquele país.

“ONovo Banco, S.A. informa que após a obtenção das necessárias aprovações, nomeadamente junto do Banco de Portugal e da autoridade reguladora do setor financeiro na Venezuela, e o cumprimento da totalidade das demais condições precedentes, foi concretizada a venda dos ativos e passivos da Sucursal na Venezuela do Novo Banco ao BANCAMIGA, Banco Universal, C.A., da Venezuela”, lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O Novo Banco, que não refere o valor do negócio, diz que com a conclusão desta transação deixa de ter qualquer atividade bancária na Venezuela.

“Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo a sua estratégia de foco no negócio bancário doméstico e ibérico”, afirma a instituição criada aquando a resolução Banco Espírito Santo (BES), em 2014.

Desde outubro passado, o Novo Banco pertence maioritariamente (em 75%) ao fundo norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução os restantes 25%.

 

Global Bankers à frente na corrida pela GNB Vida. Oferece 250 milhões

Quinta-feira, Fevereiro 22nd, 2018

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Eco

A oferta fica bastante abaixo do valor contabilístico da seguradora do Novo Banco, o que poderá obrigar o Fundo de Resolução a cobrir as perdas.

O Global Bankers é a única instituição que passou à fase final de negociações direta para comprar a GNB Vida, a seguradora do grupo Novo Banco que foi colocada à venda no ano passado. Segundo apurou o ECO, este grupo internacional especializado em aquisições de seguradoras está a oferecer 250 milhões de euros pelos seguros do ramo vida do Novo Banco, um valor que fica bastante abaixo da avaliação que tinha sido feita do GNB Vida, em torno de 450 milhões de euros. A concretizar-se esta venda, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir as perdas.

O processo de venda da GNB Vida teve início em agosto do ano passado. No relatório e contas relativo ao primeiro semestre de 2017, o Novo Banco, que detém 100% da seguradora, referia que “o processo organizado de venda tem a expectativa de concretização de um acordo para venda da GNB Vida durante o último trimestre de 2017“. Contudo, chegados ao final desse ano, não havia ainda um acordo estabelecido.

Contactada, fonte oficial do Novo Banco refere apenas que o processo de venda está a decorrer e que, no final do ano passado, foram recebidas várias propostas de compra, sem confirmar a identidade dos potenciais compradores. O Global Bankers também não respondeu às questões colocadas pelo ECO.

Os 250 milhões de euros oferecidos pelo Global Bankers ficam bastante aquém da avaliação da GNB Vida. O valor contabilístico da seguradora que tem sido noticiado ronda os 450 milhões de euros, ainda que o Novo Banco, contactado, não confirme este número. Sendo este o valor, uma venda abaixo de 450 milhões pode obrigar o Fundo de Resolução a ativar o mecanismo de capital contingente, o instrumento que criou como garantia para que o Lone Star aceitasse ficar com o Novo Banco.

O mecanismo de capital contingente, no valor de 3,89 mil milhões de euros, foi uma das condições a que o Governo cedeu para conseguir vender o Novo Banco. O mecanismo é suportado pelo Fundo de Resolução, que detém uma participação de 25% do capital do banco, e é acionado com a acumulação de duas condições:

  • Se os ativos considerados tóxicos do Novo Banco sofrerem uma desvalorização face ao seu valor de referência, que será determinado no momento da conclusão da venda;
  • E se os rácios de capital do Novo Banco baixarem de um rácio de cerca de 12%.

A concretizar-se a venda, e a ser aceite o valor que está a ser oferecido pelo Global Bankers, há um desconto superior a 46% (ou 200 milhões de euros) face ao valor contabilístico da GNB Vida. Se, a par disto, os rácios de capital do Novo Banco baixarem do nível acordado no contrato de compra e venda assinado com o Lone Star, o Fundo de Resolução pode ser chamado a cobrir a diferença.

 

Banco de Portugal recorre da decisão do tribunal que obriga a mostrar contrato de venda do Novo Banco

Quinta-feira, Janeiro 4th, 2018

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Eco

O banco liderado por Carlos Costa decidiu recorrer depois de um tribunal ter exigido que o Banco de Portugal entregasse o contrato de venda do Novo Banco a fundos internacionais que perderam no BES.

OBanco de Portugal decidiu recorrer da decisão do tribunal administrativo de Lisboa, que intimou o instituição liderada por Carlos Costa a divulgar o contrato de venda do Novo Banco, sabe o ECOO pedido de acesso ao contrato de venda da instituição financeira ao fundo norte-americano Lone Star foi feito por 19 fundos de investimento internacionais que investiram em obrigações subordinadas do BES, registando perdas avultadas com a resolução em 2014.

O regulador vai recorrer para a segunda instância. O recurso não se prende com a divulgação do contrato em si, sabe o ECO, uma vez que o banco central já cumpriu pedidos semelhantes noutras alturas. A entidade liderada por Carlos Costa recorre porque quer esclarecer uma “questão jurídica” que será sensível para o regulador.Contactado pelo ECO, o Banco de Portugal não quis comentar.

Foi em dezembro que o tribunal administrativo de Lisboa pediu ao Banco de Portugal para divulgar o contrato de venda do Novo Banco a fundos internacionais que investiram em obrigações do BES, ainda que podendo proteger partes que considere confidenciais.

Na sentença a que a Lusa teve acesso, de 13 de dezembro, o tribunal administrativo de Lisboa intimava o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução bancário a “no prazo de 10 dias” darem aos fundos a “cópia do contrato de compra e venda” no Novo Banco, ainda que “expurgado da informação relativa à matéria confidencial”. Contudo, decide também o tribunal, que a entidade liderada por Carlos Costa tem de justificar a eventual ocultação no contrato de determinadas matérias que considera confidenciais.

Estes fundos de investimento já tinham pedido, em setembro, acesso ao contrato ao Banco de Portugal e ao Fundo de Resolução, mas como não lhes foi dado avançaram com uma ação judicial a “requerer a intimação de prestação de informação e consulta de processos”.

Novo Banco foi vendido ao fundo norte-americano Lone Star em outubro do ano passado. Um acordo que incluiu a injeção de mil milhões de euros no banco que resultou da resolução do BES, em agosto de 2014. O primeiro cheque de 750 milhões foi passado no closing da operação e os restantes 250 milhões chegaram ainda antes do final do ano passado.

Venda do Novo Banco: Herdeiro do BES ainda tem riscos para o Estado

Domingo, Dezembro 24th, 2017

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Negócios

A venda do Novo Banco à Lone Star foi o negócio do ano de 2017.

Mais de três anos depois da sua criação, após um concurso falhado e seguindo-se a vários pedidos de nacionalização, o Novo Banco foi alienado. Não na sua totalidade; apenas 75% do seu capital passou para as mãos americanas do fundo de “private equity” Lone Star. O Fundo de Resolução, que é financiado através de contribuições dos bancos a operar em Portugal, manteve 25% da instituição financeira na sua posse. Não houve lugar a pagamento, apenas foi assegurada a capitalização do banco. Entraram, no imediato, 750 milhões de euros através da Nani, que deu os 75% à Lone Star. E quase a fechar o ano a nova injecção garantiu mais 250 milhões de euros ao banco, conforme estava previsto.

Com a venda, deixou de haver um banco de transição. Para o governador do Banco de Portugal, a alienação de 75% do Novo Banco permitiu cumprir “integralmente as finalidades que presidiram à resolução do Banco Espírito Santo”, determinada a 3 de Agosto de 2014, com a injecção de 3,9 mil milhões de euros estatais no Fundo de Resolução, que terão de ser devolvidos até 2046. A alienação foi a colocação de um ponto final num processo que tornou Carlos Costa um alvo de críticas no Parlamento.

Só que o dossiê não ficou fechado. Na venda, que foi coordenada por Sérgio Monteiro, o Fundo de Resolução assumiu a partilha de riscos em torno do Novo Banco. É o chamado mecanismo de capitalização contingente, que cobre um conjunto específico de activos que a Lone Star considerou tóxicos e que em determinadas condições, nomeadamente prejudicando os rácios de capital do banco, poderá obrigar a uma capitalização pelas instituições.

O Governo assegurou o mecanismo devido à “preservação da estabilidade financeira”, referindo que “os seus compromissos” são “eventuais”. A injecção poderá obrigar à entrada de até 3,9 mil milhões de euros vindos do Fundo de Resolução. Ainda que permitindo a venda, o BCP foi para tribunal para impedir que o mecanismo de capitalização contingente venha a ser executado.

A partilha de riscos não é, no entanto, a única forma possível de mobilização de montantes que pertencem ao Fundo de Resolução relativamente ao banco presidido por António Ramalho. Há centenas de processos judiciais em torno da intervenção administrativa ao BES, nomeadamente contra a resolução ou contra a comercialização de produtos vendidos pelo antigo BES. Um dos processos mais relevantes, pela dimensão, é de grandes gestoras de fundos internacionais, como a Pimco e a BlackRock, que, para além de terem tentado travar a alienação, têm feito um esforço de boicote de idas aos mercados de outros bancos portugueses, como a CGD e o BCP.

A vida do Novo Banco continua. Com o Estado por perto.

Cheque de 250 milhões do Lone Star já chegou ao Novo Banco

Sexta-feira, Dezembro 22nd, 2017

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Eco

Depois dos 750 milhões injetados no Novo Banco, o Lone Star realiza a segunda parte do aumento de capital no valor de 250 milhões. O banco de António Ramalho mudou de auditora para a EY.

Não era obrigatório, mas o Lone Star comprometeu-se em passar o último cheque para concluir a compra do Novo Banco ainda este ano. E cumpriu. A Nani Holdings, a sociedade que vai assumir a posição do fundo norte-americano no banco liderado por António Ramalho, recebeu esta quinta-feira a segunda tranche de 250 milhões de euros, a tempo do Natal, anunciou a CMVM. Por outro lado, o banco mudou de auditores da PwC para EY.

O cheque do Lone Star “chega até ao Natal”, já tinha garantido ao ECO fonte oficial do fundo norte-americano. O dinheiro chegou praticamente uma semana antes do “fim do prazo”, já que o que estava acordado era a entrada do dinheiro no banco até ao final deste ano, e não no prazo de três anos como na versão inicial.

Esta tranche junta-se ao primeiro cheque de 750 milhões de euros que chegou ao banco que resultou da falência do Banco Espírito Santo em outubro, altura em que foi celebrada a venda da instituição de transição. Isto em troca de uma participação de 75% do fundo no banco, com os restantes 25% a ficarem nas mãos do Fundo de Resolução.

“[O cheque do Lone Star] chega até ao Natal.”

Fonte oficial do Lone Star

Esta injeção de mil milhões de euros foi uma das condições para que o Novo Banco fosse vendido ao Lone Star, para além de uma troca de dívida por depósitos que permitiu ao banco uma poupança de 500 milhões de euros para reforçar os rácios de capital.

Na assinatura do contrato de venda do Novo Banco, o senior managing directordo Lone Star afirmou que “através desta operação de venda e do processo de recapitalização (…) a posição de capital do Novo Banco melhorou significativamente. Hoje, o Novo Banco é uma instituição sólida e bem capitalizada”.

Garantir a solidez do Novo Banco

Inicialmente, tinha ficado definido que o montante de 250 milhões chegaria num prazo de três anos. Mas esta injeção acabou por chegar ao banco liderado por António Ramalho ainda este ano. Porquê? Para que a instituição financeira apresente rácios de capital sólidos.

Através desta operação de venda e do processo de recapitalização (…) a posição de capital do Novo Banco melhorou significativamente. Hoje, o Novo Banco é uma instituição sólida e bem capitalizada.

Donald Quintin

Senior managing director do Lone Star

Só com este montante de mil milhões de euros, a que se somam os 500 milhões da troca de dívida, é que o banco liderado conseguiu apresentar uma solidez acima do exigido. Apesar de o banco não revelar qual é o impacto desta injeção, é suficiente para o Banco de Portugal considerar que os níveis são adequados.

Novo Banco vai avançar ainda com outra operação para reforçar os rácios. Mas desta vez não conta com o Lone Star, terá de conseguir atrair investidores no mercado. Obanco liderado por António Ramalho vai emitir dívida subordinada. Pretende obter um montante mínimo de 400 milhões de euros.

Serão emitidos títulos que, não contando para o rácio de capital core da instituição, contam para o rácio de capital total do Novo Banco. Se não houver procura para estes títulos, ou a taxa de juro exigida for extremamente elevada, o Fundo de Resolução toma firme a emissão com o dinheiro que está destinado ao mecanismo de capitalização contingente (num total de 3,89 mil milhões de euros).