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Acionistas da Comporta perdem quase 22 milhões

Quarta-feira, Fevereiro 20th, 2019

Citamos

Sol

Pedro Almeida foi afastado porque o Ministério Público não levantou o arresto da herdade. Agora há acionistas que pedem ao MP para avaliar negócio com Paula Amorim, alegando o mesmo argumento: falta de transparência.

A venda da Comporta ao consórcio Vanguard Properties/Amorim Luxury representa uma perda de quase 22 milhões de euros para os acionistas face à proposta vencedora do primeiro concurso que chegou pelas mãos do empresário Pedro Almeida, apurou o SOL junto de fonte ligada ao processo. A venda acabou por não ser concluída porque o Ministério Público não levantou o arresto da Herdade da Comporta – à época, a avaliação era de 420 milhões de euros –, rejeitando a venda da propriedade por considerar que o processo não reunia condições de «isenção, transparência e objetividade».

A perda para os investidores voltou a repetir-se ao ser escolhida e depois afastada a proposta do consórcio Oakvest/Portugália/Sabina, em Assembleia-geral, em julho do ano passado, pelo voto combinado do Novo Banco e da Rio Forte – os dois maiores participantes no fundo, já que juntos representam 74% das unidades de participação – a que se uniram mais alguns participantes.

Estes acabaram por aprovar, em dezembro, a proposta de 158 milhões de euros apresentada pelo consórcio de  Vanguard Properties/Amorim Luxury – que acabou por ser o único a entrar na corrida – um valor que vai ser quase todo para pagar dívidas.

Uma questão que ganha mais relevo porque os pequenos acionistas vão ser excluídos deste pagamento, o que leva a mesma fonte a estranhar as decisões dos representantes da Rio Forte e do Novo Banco por estarem a privilegiar o consórcio que ganhou o concurso na segunda tentativa e que «se transformou numa espécie de adjudicação direta para pagar bem menos», apurou o SOL.

A mesma fonte não entende como é que a proposta do consórcio Oakvest/Portugália/Sabina foi afastada da corrida, após o chumbo dos participantes do fundo, uma vez que era a única que apresentava um valor superior em cerca de 30% relativamente à que foi apresentada pela empresária Paula Amorim; permitia o pagamento integral das dívidas do fundo com benefícios para todos os credores ­– maioritariamente os lesados do GES/BES – e evitava a insolvência do fundo.

Recorde-se que, a partir do momento em que foi afastado e lançado um novo concurso – com o argumento de obrigar os interessados a apresentarem propostas vinculativas e provas de fundos financeiros que garantam a concretização dos seus propósitos –, este consórcio anunciou que não estaria interessado em apresentar nova proposta.

Na altura, chegaram a anunciar que iriam fazer valer «os seus direitos legais», mas no final do ano passado, decidiram não avançar judicialmente, justificando essa decisão por não quererem «uma nefasta e indesejável exposição pública» e acrescentando também que a forma como se desenrolou não é compatível com os seus princípios morais e éticos.

«Os valores oferecidos por este consórcio são significativamente superiores aos da proposta vencedora, constata-se que não houve vontade, da parte dos dois principais participantes, de vender a este consórcio os referidos ativos e preservar, dessa forma, os legítimos interesses dos credores do Fundo e lesados do GES», referiu o consórcio em comunicado, acrescentando que, «perante tais evidências, este consórcio relega para as entidades competentes (Tribunal do Luxemburgo e Ministério Público) a tarefa de analisar a verdade dos factos deste frustrado e frustrante processo».

Face a este desfecho, a mesma fonte ligada ao processo revelou ao SOL que o segundo e último concurso decorreu sem concorrência, uma vez que, só contou com um único competidor, «colocado em posição altamente vantajosa perante um vendedor sem alternativas».

Um processo que, segundo a mesma, não contou com a presença da Rio Forte durante todo o processo – só no dia da votação final para dar luz verde à proposta do consórcio da empresária portuguesa. «A Rio Forte acabou por aceitar e promover uma proposta bem pior do que a primeira vencedora, o que obviamente prejudica todos os credores», diz ao SOL a mesma fonte.

Um processo que, segundo a mesma, é pouco transparente e, como tal, defende que deve ser investigado pelo Ministério Público, já que este chumbou o projeto de Pedro Almeida, alegando falta de transparência.

 

Pagar dívidas

O que é certo é que o valor da venda vai ser usado quase na totalidade para pagar a dívida à Caixa Geral de Depósitos (CGD), que já ultrapassa os 119 milhões de euros, aos quais se somam juros mensais de 850 mil euros, e que já está em incumprimento há mais de dois anos. Um crédito em falta que tem merecido toda a atenção do banco público.

Além da regularização desta dívida, terão ainda de ser pagos cerca de um milhão de euros à Deloitte, entidade que supervisionou o concurso iniciado em 22 de agosto. Aliás, o contrato de promessa de compra e venda entre o consórcio Vanguard Properties/Amorim Luxury e a Gesfimo foi assinado, a 23 de outubro, nas próprias instalações da consultora.

Mas as despesas não ficam por aqui. Há que juntar ainda o pagamento na ordem dos seis milhões de euros a fornecedores e outros 30 milhões à Rio Forte, que detém cerca de 58% deste fundo. Ao que o SOL apurou, os pequenos acionistas do fundo – que no total rondam os 80 – vão sair prejudicados com esta venda, uma vez que a verba já está toda canalizada para os maiores credores.

 

Crescer na hotelaria

Paula Amorim já veio garantir que a aquisição é importante «para a Amorim Luxury na sua estratégia de crescimento e posicionamento enquanto marca portuguesa hoteleira e de lifestyle da mais elevada qualidade internacional, concretamente através do seu conceito JNcQUOI», acrescentando que representa «um passo decisivo num longo processo em que nos envolvemos com empenho e sentido de responsabilidade».

A empresária deixa ainda uma garantia. O modelo de negócio que irá ser desenvolvido na Comporta deverá contribuir para a sustentabilidade da região, criar emprego e atrair investimento de qualidade e que qualifique os espaços públicos. «Num certo sentido, a Comporta é de todos: porque cabe a todos contribuir para a sua preservação como lugar especial, único. É um exemplo de que temos condições para fazer bem e de forma diferenciadora. O novo futuro da Comporta começa agora. É este o nosso caminho, é este o nosso projeto, é este o nosso compromisso com a região e com o país», salienta.

O novo projeto – que poderá envolver a mudança de nome da Herdade da Comporta – deverá contar com hotéis, vilas e condomínios e um vasto número de iniciativas de apoio às comunidades, centros de arte, cultura e design, e centros de saúde e bem-estar para atividades de relaxamento. Há ainda planos para incluir academias desportivas de golfe, ténis e padel, comércio e restauração, bem como um museu e uma igreja. O SOL apurou que o investimento previsto é da ordem dos mil milhões de euros, a ser aplicado nos próximos anos.

A Herdade da Comporta – composta por mais de 12 500 hectares entre Alcácer do Sal e Grândola – era o retiro da família Espírito Santo, que a tinha comprado em 1987, e foi colocada à venda quando o Grupo Espírito Santo (GES) faliu. A venda deste ativo é uma das formas de obtenção de receitas pelos curadores de insolvência, para arrecadar algum valor para os seus credores. Como a Pharol e o BES ‘mau’.

A verdade é que o processo de venda da herdade tem sofrido vários avanços e recuos. Depois de uma tentativa falhada, os tribunais acabaram por autorizar o processo de venda, contornando assim a razão que anteriormente travou a operação: o arresto dos bens da família.

O empresário Pedro Almeida fez uma oferta, no verão de 2017, que não foi concluída porque o MP não levantou o arresto. Na altura, o empresário pretendia transformar a Comporta num «resort exclusivo e altamente atrativo para o mercado internacional». O objetivo passava por comprar também a Herdade da Comporta — Atividades Agrossilvícolas e Turísticas, a empresa que gere os arrozais da zona.

O certo é que a alienação é necessária para evitar a insolvência do fundo da herdade localizada em Grândola e Alcácer do Sal. O risco de insolvência é «real» e foi admitido pela entidade e pelos responsáveis da insolvência da Rio Forte.

Património do GES à venda sem compradores

Domingo, Fevereiro 10th, 2019

Citamos

SIC

A Herdade do Vale Feitoso na Beira Baixa continua a ser um problema para o Novo Banco.

A propriedade 7.500 hectares, uma das heranças pesadas do antigo BES, continua à venda. Até agora, não aparecem compradores.

O preço inicial era de 36,5 milhões, que o credor reduziu em quase quatro milhões.

Já os trabalhadores apenas querem ver a transação concluída para reaverem o que é deles e para que a propriedade não caia no abandono total.

Carta aberta de Fernando Barros a José Cardoso Botelho sobre a venda da Comporta

Sexta-feira, Janeiro 25th, 2019

Caro José Cardoso Botelho,

 

Depois de ler os seus argumentos sobre a venda da Comporta, venho afirmar e acrescentar que este Processo foi uma vergonha porque teve como objectivo beneficiar a Amorim Luxury e a Port Noir do Sr. Berda em detrimento dos lesados do GES.

A Gesfimo – Sociedade Gestora, entidade regulada pelo Banco de Portugal e CMVM, e  que administra o Fundo que detém os activos para venda na Comporta, organizou um concurso competitivo com regras transparentes e aceites pelos concorrentes. Só depois do resultado anunciado no dia 11 de maio de 2018 é que o Consórcio derrotado, Amorim Luxury/Port Noir contestou o processo. Alegando para o efeito o seguinte:

 

1 – As propostas seriam idênticas em termos de preço

2 – A proposta do Consórcio vencedor: Oakvest/PAP/Sabina não era vinculativa, contrariamente á do consórcio Amorim Luxury/Port Noir

 

Após uma leitura atenta das Propostas apresentadas na Assembleia de Participantes constato o seguinte:

 

1 – A Proposta rejeitada da Oakvest/PAP/Sabina é significativamente superior à do Consórcio derrotado: €36.500.000 Vs € 28.000.000 respectivamente. Ambas as propostas assumiam a divida aos bancos e respectivas garantias bancárias e ambas excluíam os suprimentos feitos pelo fundo na empresa DCR&HDC.

Como se constata não é verdade aquilo que o Sr. Cardoso disse aos órgãos de comunicação social de que as propostas seriam idênticas no que ao preço diz respeito.

2 – Na carta enviada pela Amorim Luxury/Port Noir à Gesfimo no dia 16 de Abril de 2018 e disponibilizada na Assembleia de Participantes de 27 de Julho pode ler-se o seguinte:

“A presente Nova Proposta é vinculativa para os investidores, salvo se decidirem pelo direito de não concluir a Transação Visada, após conclusão da due diligence aos Activos…….”A conclusão da Transação visada estará sempre dependente de um acordo final entre as Partes”.

Como se constata não é verdade aquilo que o Sr. Cardoso disse nos órgãos de comunicação social no que se refere à vinculatividade da sua Proposta.

Diz ainda o Sr. Botelho que o Consórcio Oakvest/PAP/Sabina, ou melhor a Oakvest,  não é credível. A idoneidade das empresas que compõem o este Consorcio foi seguramente escrutinada pelas autoridades competentes sujeita à supervisão do BdP, CMVM e MP e por essa razão não é a opinião do Sr. Botelho – representante do Consorcio derrotado – que é credível até porque nunca se inibiu de fazer declarações falsas para a imprensa como se confirmou nos parágrafos anteriores.

Quanto à sua referencia sobre o Novo Concurso internacional e mais competitivo supervisionado pela Deloitte estamos conversados – Nem internacional nem competitivo – Só apareceu o Consórcio Amorim Luxury/Port Noir, como se pretendia!

Refere o sr. Botelho que a proposta aprovada no dia 27 de Novembro foi com uma larga maioria. Relembro que essa maioria é composta pelos votos conjuntos da Rio Forte (59%) e do Novo Banco (15%) contra os minoritários que viram as suas expectativas defraudadas. Convinha esclarecer quem aconselhou a Rio Forte em tão desastrosa decisão e porque razão se aliou o Novo Banco? Para agradar ao poderoso Consórcio Amorim/Claude Berda?

Refere o sr. Botelho que as propostas não são comparáveis? Como não? A proposta da Amorim/Port Noir é de 157,8 Mln de euros versus  166 Mln de euros da Oakvest/PAP/Sabina.

A proposta da Amorim/Port Noir prevê ainda 13,7  Mln de euros em conta escrow para eventuais contingências (inexistente na Proposta da Oakvest/PAP/Sabina). Acresce ainda que os juros corridos do empréstimos junto da CGD são, a partir de dezembro de 2018 até à liquidação financeira da compra, por conta do Fundo de investimento, isto é, da responsabilidade dos credores e lesados do GES. Brilhante sr. Cardoso.

Está também de parabéns a campanha de difamação orquestrada pelo Consorcio representado pelo Sr Botelho. Do ponto de vista de lobby empresarial foi um sucesso – chapeau. Perderam o 1º concurso, conseguiram “baralhar e dar de novo” acabando por fazer um novo concurso à medida, sem concorrentes e comprando os activos por um preço inferior ao da proposta da Oakvest/PAP/Sabina. Espectacular!

O Sr. Botelho não deixa de ter graça ao afirmar “ A verdade é que este processo mostra que há algo a mudar em Portugal….”.

Todos sabemos que os patrões do Sr. Botelho são imensamente ricos, apesar de não terem apresentado a prova de fundos exigida no concurso (pelo menos não consta da proposta de 27 de Julho). Portanto nada muda em Portugal a não ser os actores porque os conflitos de interesses, lobbies e conluios, esses , aparentemente, continuam a proteger os ricos e poderosos.

Aproveito ainda para lhe perguntar qual a estratégia para a ADT2, um dos macro plots que viram as suas licenças expirarem e que de acordo com a lei terão que se sujeitar a novo licenciamento e ás regras do novo PDM da CMA, que substitui o antigo PROTAL e que obriga a que as construções sejam feitas não a 500 metros da duna mas sim, e muito bem, a 2 Km da orla costeira. Que magia conseguirá o sr botelho desta vez para manter a actual licença, com um índice de construção muito superior ao que a lei actualmente consagra, em detrimento e desrespeito pela legislação em vigor, das entidades ambientais e comunidade local.

Esta triste novela mais parece uma historia de uma conhecida Banda Desenhada em que os irmãos Dalton acabam sempre por escapar e voltar a fazer das suas…!

Boa sorte!

Fernando Barros

 

Novo Banco acelera venda de crédito malparado

Terça-feira, Janeiro 22nd, 2019

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Diário de Notícias

Depois da operação, a instituição reduz os ativos tóxicos para menos de metade do que existia em 2015.

O Novo Banco colocou à venda uma carteira de mil milhões de euros de crédito malparado (NPL) e 500 milhões em imóveis.

Para aproveitar o momento favorável do mercado, o banco acelerou o processo de limpeza dos ativos não produtivos, escreve o Jornal de Negócios, esta terça-feira. A operação deverá estar concluído no final do primeiro semestre e na corrida para assessorar a venda estão a Alantra, Deloitte e PwC, entre outras.

A carteira de imóveis no valor de 500 milhões de euros, denominada Project Viriato 2, é composta por imobiliário comercial e ativos industriais, localizados na região de Lisboa.

Além dos imóveis, o banco vai avançar com a venda de uma carteira de mil milhões de euros de NPL, denominada Nata 2. Depois da concretização desta operação, a instituição reduz os ativos tóxicos para menos de metade do que existia em 2015.

Novo Banco concretiza venda de BES Vénétie a fundo da Cerberus

Terça-feira, Janeiro 8th, 2019

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RTP

O Novo Banco concretizou a venda da participação no Banque Espírito Santo et de la Vénétie (França) a uma empresa do fundo de investimento norte-americano Cerberus, operação acordada em junho passado, anunciou em comunicado ao mercado.

“No seguimento do comunicado de 15 de junho de 2018, o Novo Banco concretizou a venda da participação de 87,5% por si detida do capital social do Banque Espírito Santo et de la Vénétie, S.A. e ativos diretamente relacionados à Promontoria MMB SAS, sociedade constituída em França e subsidiária da Cerberus Capital Management”, lê-se na informação ao mercado.

O Novo Banco acrescenta que, no âmbito desta operação, será amortizado pelo BES Vénétie um empréstimo subordinado.

Este negócio, cujo valor não foi revelado, terá um impacto positivo estimado de 30 pontos base no rácio de capital CET 1 do Novo Banco. Já na conta de exploração não terá efeitos, diz a instituição financeira.

O Novo Banco conclui o comunicado ao mercado a afirmar que esta “transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos”, e “de foco no negócio bancário ibérico” e que, com ela, termina o processo de redução de ativos de risco prevista para este ano.

Já na quinta-feira o Novo Banco anunciou que acordou a venda de carteira de crédito malparado de 2.150 milhões de euros a fundos de investimento, sem indicar o valor do negócio.

O Novo Banco, que ficou com parte da atividade bancária do BES (resgatado no verão de 2014), é detido pelo fundo norte-americano Lone Star em 85% e em 25% pelo Fundo de Resolução bancário, gerido pelo Banco de Portugal.

A gestão tem dito por várias vezes que os seus resultados são penalizados pelo legado com que ficou do BES.

O Novo Banco registou um prejuízo de 419,6 milhões de euros até setembro, que compara com os 419,2 milhões de euros registado no período homólogo.

Apesar de ser maioritariamente detido por privados desde 2017, o Novo Banco tem beneficiado de injeções de capital do Fundo de Resolução, através de empréstimos do Tesouro público, que devem voltar a acontecer em 2019.

Novo Banco vende maior carteira de malparado ao fundo KKR

Quarta-feira, Dezembro 19th, 2018

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Negócios

Vale 1.750 milhões de euros, é a carteira de malparado posta à venda e passará para as mãos dos americanos da KKR, avançam o Jornal Económico e o ECO.

O consórcio composto pela KKR, pela Hipoges e a LX Partners venceram o concurso lançado pelo Novo Banco para a venda de uma carteira de 1.750 milhões de euros em crédito malparado.

O banco liderado por António Ramalho tinha seleccionado em Outubro três candidatos: o Deutsche Bank, a Cerberus Capital Management e a KKR. Acabou por ser o consórcio desta última a ficar com a carteira.

Esta carteira é identificada como “Project Nata” e é uma das componentes da estratégia do Novo Banco de venda de activos classificados como problemáticos.

O “Projet Nata” é composto por duas parcelas. Uma de 550 milhões de euros, que engloba o crédito concedido a 54 empresas. A segunda de 1,2 mil milhões de euros, é uma carteira granular de créditos em risco devidos por 62.600 tomadores de empréstimos corporativos e de retalho, com exposições garantidas e não garantidas.

 

Segundo o Jornal Económico, a LX Partners ficará com o crédito em risco não garantido. O consórcio do Deustche Bank incluia ainda a CarVal Investores e a Arrow Global, enquanto o Cerberus concorreu com a Finsolutia.

 

O Negócios contactou o Novo Banco, que não quis fazer comentários sobre o desfecho da operação.

 

Em Outubro deste ano o Novo Banco fechou a venda de uma carteira de malparado de 716 milhões de euros, constituída por nove mil imóveis. O comprador foi a Anchorange Capital Group, o qual pagou 390 milhões de euros pela mesma.

De acordo com as últimas contas do banco da Lone Star (75%) e do Fundo de Resolução (25%), referentes a Setembro, o malparado totalizava 8,45 mil milhões de euros. Só com esta operação o montante baixará para 6,7 milhões de euros.

Comporta. Carlos Alexandre dá luz verde à venda

Sábado, Dezembro 15th, 2018

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Dinheiro Vivo

A venda da Comporta ao consórcio Claude Berda e Paula Amorim não levantou entraves judiciais

O Tribunal Central de Instrução Criminal não se opôs à venda dos ativos do fundo imobiliário Herdade da Comporta ao consórcio constituído por Claude Berda e Paula Amorim. O juiz de instrução criminal Carlos Alexandre optou pela mesma decisão já tomada pelo Ministério Público, noticiou o jornal Expresso.

A Gesfimo, a entidade que gere o fundo imobiliário, teve conhecimento esta quinta-feira do despacho do tribunal, que confirma a aprovação à venda. Claude Berda e Paula Amorim compraram os ativos da Herdade da Comporta por 158 milhões de euros. A venda dos ativos imobiliários da Herdade da Comporta foi aprovada pelos participantes do fundo em assembleia realizada a 27 de novembro, com os votos da Rioforte e do Novo Banco.

Família Espírito Santo receberá menos de um milhão pela Comporta

Segunda-feira, Dezembro 3rd, 2018

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Expresso

Paula Amorim e Claude Berda vão pagar 158 milhões de euros pela Herdade da Comporta, mas a família que lançou o projeto receberá menos de um milhão. A maior parte vai para a CGD. O banco estatal não perdoa a dívida.. mas perdoa os juros de mora

Herdade da Comporta, uma das maiores propriedades do país e durante anos um dos principais ativos da família Espírito Santo, vai proporcionar aos membros da família um encaixe inferior a um milhão de euros. Na melhor das hipóteses. É o que revelam as informações partilhadas com os participantes do fundo imobiliário Herdade da Comporta na assembleia de 27 de novembro, a cuja ata o Expresso teve acesso.

Na assembleia da semana passada, Gabriela Pereira Ramos, administradora da Gesfimo (a sociedade gestora do fundo da Comporta), declarou que “num cenário mais favorável a gestora estima que possam reverter até quatro milhões de euros para os participantes”, de acordo com a ata. Mas daquele montante 59% (2,36 milhões de euros) ficarão com os liquidatários da Rioforte (que tem avultadas dívidas para saldar com os seus credores antes de poder distribuir dinheiro aos seus acionistas) e 15,5% (620 mil euros) com o Novo Banco Cayman, que são os maiores participantes do fundo.

Entre os restantes participantes minoritários há apenas uma entidade financeira, a Caixa Económica Montepio Geral, com uma posição de 0,7%. Os outros 24,8% estão dispersos, quase na totalidade, por participantes particulares, na sua maioria da família Espírito Santo ou a ela ligados. O que significa que para a família que durante anos controlou a Comporta, a venda da propriedade se traduzirá num reembolso inferior a um milhão de euros.

Ainda é incerto o valor exato a que os participantes do fundo terão direito (pois tal está dependente do valor de fecho da venda ao consórcio de Paula Amorim e Claude Berda), mas uma coisa é garantida: 12 anos depois, o fundo criado pela família Espírito Santo para desenvolver um ambicioso projeto imobiliário e turístico junto à península de Troia é um buraco financeiro.

Segundo Gabriela Ramos, da Gesfimo, os ativos foram postos à venda com uma avaliação de 210 milhões de euros. A verdade é que a pressão do fundo para vender e a incerteza sobre o licenciamento futuro de projetos na Comporta levaram o mercado a oferecer bem menos que isso.

Os 158 milhões de euros que Paula Amorim e o milionário francês Claude Berda acordaram pagar pelos ativos imobiliários da Comporta, e que a Gesfimo aceitou, servirão na sua maioria para reembolsar uma dívida à Caixa Geral de Depósitos e para saldar outras contingências. Só depois serão reembolsados os participantes do fundo, com os referidos 4 milhões de euros, no máximo.

O fundo imobiliário foi criado a 23 de novembro de 2006, com um capital de 5,2 milhões de euros, proveniente das 5200 unidades de participação então distribuídas, cada uma com um valor de mil euros. Meses depois, em 2007, o capital do fundo foi aumentado para 33,04 milhões de euros. E ainda hoje este veículo mantém 33040 unidades de participação.

Segundo a listagem de participantes da ata da última assembleia, a que o Expresso teve acesso, Ricardo Salgado não é investidor neste fundo. Mas da lista constam pelo menos 24 participantes individuais com Espírito Santo no nome. E outros historicamente ligados aos Espírito Santo, como Maude Queiroz Pereira (que tem 1,4% do fundo da Comporta). A irmã do falecido Pedro Queiroz Pereira entregou a Ricardo Salgado a sua participação no grupo Semapa e quando o irmão descobriu começou a investigar as contas do Grupo Espírito Santo (GES) no Luxemburgo, acabando por conseguir afastar Salgado do controlo da Semapa.

CGD PERDOA JUROS DE MORA

A ata da assembleia da semana passada revela que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) assumiu uma postura cooperante com a gestão da Gesfimo, tendo inclusive poupado ao fundo imobiliário Herdade da Comporta o pagamento de juros de mora pela dívida em incumprimento. Essa dívida ascendia no final do ano passado a quase 120 milhões de euros.

Segundo Gabriela Ramos, a CGD acedeu a uma solicitação da Gesfimo, “mantendo a aplicação dos termos contratados até ao reembolso integral, assim como os juros remuneratórios, mas desconsiderou os juros moratórios”.

De acordo com a mesma responsável, a CGD prevê que a 31 de janeiro de 2018 o fundo deva ao banco estatal 116 milhões de euros.

A aceitação da CGD de não cobrar juros de mora está dependente do reembolso integral do financiamento por parte do fundo da Comporta e do cancelamento de uma garantia bancária de seis milhões de euros da CGD a favor do município de Grândola.

ADVOGADOS AO ATAQUE: FALSIDADES E “IMAGINAÇÃO FÉRTIL”

Conforme o Expresso revelou no passado sábado, a assembleia de participantes do fundo Herdade da Comporta ficou marcada por trocas de acusações e a ameaça da abertura de processos-crime contra o advogado Henrique Chaves, por este ter acusado a Rioforte, o Novo Banco e a Gesfimo de conluio para afastarem da Comporta o consórcio Oakvest / Portugália / Sabina Estates.

A ata da assembleia é reveladora do clima de tensão que se viveu na reunião de 27 de novembro. O advogado Rogério Alves, representando a Oakvest e a Sabina Estates, classificou a última proposta de Paula Amorim e Claude Berda como “uma mera recauchutagem” da proposta inicialmente aprovada, tendo esta proposta final sido “menos interessante” do que a anteriormente escolhida (a da Oakvest). Rogério Alves defendeu o direito dos seus clientes a apresentarem uma nova oferta e disse que na assembleia de 27 de julho o Novo Banco não aceitou a proposta que a Gesfimo tinha considerado ser a melhor (Oakvest / Portugália / Sabina Estates).

Em resposta, o advogado Luís Cortes Martins, que representa o Novo Banco, disse ser “falso” o que foi alegado por Rogério Alves, notando que a posição do Novo Banco a 27 de julho foi a de recomendar que o processo tivesse transparência e profissionalismo, o que não se estava a verificar. Segundo Cortes Martins, o Novo Banco também defendeu a continuidade dos três concorrentes iniciais no novo processo de venda, a coordenar pela Deloitte.

Este não foi o único atrito. O advogado Henrique Chaves, em representação de Catarina Isabel Espírito Santo Xara Brasil, fez uma das intervenções mais críticas sobre a atuação da Rioforte, Novo Banco e Gesfimo, lendo uma declaração de voto na qual classificou a última tentativa de venda como “um novo concurso em regime de exclusividade para os mesmos candidatos”. Henrique Chaves classificou ainda esta venda (na qual só Paula Amorim e Claude Berda fizeram uma oferta, entre 31 investidores convidados) como um “novo arranjado processo”. O advogado acusou ainda a Rioforte e o Novo Banco de “hipocrisia” na sua avaliação do trabalho da Gesfimo.

A advogada da Rioforte, Filipa Cotta, qualificou como “graves e inconsequentes” as afirmações de Henrique Chaves, segundo a ata da assembleia de participantes. “Disse que não aceita as acusações quanto aos liquidatários da Rioforte ou do Novo Banco, ou de um conluio com a Gesfimo, que é algo que parte de uma imaginação fértil”, lê-se ainda na mesma ata.

A reunião prosseguiu com outros reparos. E terminou às 14h59. Mas as “trocas de galhardetes” prometem levar o encontro de participantes do fundo da Comporta para os tribunais.

Alienação de 9.000 imóveis custou ao Novo Banco 159 milhões

Segunda-feira, Dezembro 3rd, 2018

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Negócios

O projecto Viriato resultou numa perda de 159 milhões de euros para o Novo Banco devido a novas provisões com a operação.

O Novo Banco acordou a venda de um bloco de quase 9.000 imóveis, o que tirou 159 milhões de euros ao seu resultado líquido nos primeiros nove meses do ano. As imparidades constituídas no passado não impediram que a carteira fosse vendida abaixo do valor líquido. Por isso, foi preciso colocar mais dinheiro de lado para adequar o balanço ao preço final de venda.

Foi a 9 de Outubro que o Novo Banco, detido em 75% pela americana Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução, assinou um contrato-promessa de compra e venda de uma carteira de 8.726 activos imobiliários destinados a habitação, indústria e comércio com fundos geridos pela também americana Anchorage. O banco espera concluir a transacção – chamada de projecto Viriato – até ao final do ano, mas nas contas de Setembro consta o seu impacto.

“Nas demonstrações financeiras de 30 de Setembro de 2018 já se encontra reflectido o impacto desta operação na valorização dos activos a alienar, que se traduziu numa perda de 159,0 milhões de euros, podendo este valor vir ainda a ser ajustado na data da conclusão da operação”, indica a instituição financeira comandada por António Ramalho no comunicado de resultados dos primeiros nove meses do ano.

Quando anunciou a operação, o Novo Banco disse acreditar que poderia vir a receber 388,9 milhões de euros pela venda desta carteira. O valor representava um desconto de 45% face ao valor contabilístico bruto do portefólio, que era de 716,7 milhões de euros.

Só que, naquela altura, a instituição financeira não quis dizer qual o valor líquido daqueles activos, ou seja, qual o montante a que os imóveis estavam avaliados tendo em conta as imparidades constituídas, o que permitiria perceber se haveria impacto negativo tendo em conta o preço a receber. E havia.

Conclui-se, agora, com as contas do terceiro trimestre, que, para adequar o valor de balanço ao preço que consta do contrato-promessa, o Novo Banco teve de constituir novas provisões para a operação de venda de imóveis.

Na prática, a operação impediu uma quebra mais expressiva nas imparidades e provisões da instituição financeira. Esta rubrica caiu, em termos homólogos, 19% para 456,2 milhões de euros. As imparidades para crédito, a maior fatia, cederam 33% para 232,6 milhões, e as imparidades para títulos afundaram 82%. Contudo, o montante afecto a provisões para outros activos e contingências disparou 61% para 208,4 milhões. Esta subida deveu-se às provisões para imóveis no âmbito do projecto Viriato.

Novo Banco e Rioforte indignados com a posição de Carlos Beirão da Veiga na AG da Comporta

Segunda-feira, Dezembro 3rd, 2018

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Económico

Em causa está uma declaração de voto do advogado Henrique Chaves que acusava o Novo Banco e a Rioforte de estarem em conluio no processo de venda dos ativos do Fundo da Herdade da Comporta. Carloto (Carlos) Beirão da Veiga, administrador de uma empresa do Novo Banco e da Rioforte, subscreveu a declaração e o seu lugar ficou em risco.

O advogado de Catarina Xara Brasil, uma das acionistas do Fundo da Herdade da Comporta, Henrique Chaves, fez uma declaração de voto na última Assembleia Geral de 27 de novembro que decidiu a venda dos ativos do Fundo ao Consórcio Vanguard Properties/Amorim Luxury, que indignou a Rioforte, o Novo Banco e a Gesfimo.

Essa declaração de voto acusava o Novo Banco e a Rioforte de estarem concertados no chumbo à anterior proposta da Oakvest/Portugália/Sabina Estates. “Voto combinado”, lê-se na ata da reunião a que o Jornal Económico teve acesso. Henrique Chaves, advogado, subscreve a declaração depois de confrontado por Luís Cortes Martins (advogado do Novo Banco).

Depois de chamarem “nula” e “surrealista” à Assembleia de Participantes de dia 27 de julho, acusaram o Novo Banco e a Rioforte de mentirem quando invocaram que não conheciam as anteriores propostas da Vanguard/Amorim e do francês Louis-Albert de Broglie.

Chamam ao posterior concurso organizado pela Deloitte de “arranjado”, e de ser um novo processo de venda sem qualquer competitividade, “com prazos que não foram cumpridos”.

Henrique Chaves acusa o Novo Banco, a Rioforte e a sua Gesfimo de “hipocrisia” no processo de venda dos ativos da herdade da Comporta.

“Opacidade suspeitíssima”, foram frases ouvidas na assembleia proferidas pelos opositores à venda dos ativos do Fundo ao consórcio Vanguard/Amorim.

Na assembleia os representantes da Gesfimo, da Rioforte e do Novo Banco mostraram-se indignados.

O problema é que quem subscreveu esta declaração de voto, considerada inaceitável pela representante da Gesfimo e pelos advogados da Rioforte e Novo Banco, foi Carlos Beirão da Veiga, que “com isso está contra 75% dos seus acionistas”, disse fonte ligada ao processo que esteve na Assembleia. “Não foi sensato da parte de Carloto (petit nom por que é conhecido) Beirão da Veiga, pois é um administrador da Sociedade Agrícola da Comporta que tem a Rioforte e o Novo Banco como acionistas”, diz a mesma fonte.

O Jornal Económico sabe que o lugar de Carloto Beirão da Veiga na administração da Herdade da Comporta ficou em risco por ter subscrito a declaração de voto de Henrique Chaves. “Vamos ver”, diz a mesma fonte questionada se iriam manter o administrador da Sociedade Agrícola da Herdade da Comporta.

Filipa Cotta, da PLMJ, representante da Rioforte, chegou mesmo a dizer que “estava incrédula com as afirmações graves e inconsequentes” de Henrique Chaves. Rejeitando as acusações de conluio. Tal como se constata da ata da reunião.

O Expresso dizia hoje que os representantes legais do Novo Banco e da Rioforte solicitaram uma cópia certificada da declaração de voto daquele advogado que deverá servir para avançarem com processos contra Henrique Chaves, por injúria.

Outros detentores de unidades de participação do fundo, da família Espírito Santo, também subscreveram a declaração de Henrique Chaves.

Um dos detentores de unidades de participação, Frederico da Cunha, perguntou quanto é que da proposta de Claude Berda e Paula Amorim revertia para os detentores de unidades de participação do Fundo, e foi respondido que cerca de 4 milhões de euros.

A maioria do valor oferecido, 158 milhões é para pagar a dívida à CGD, que soma cerca de 120 milhões.

A CGD tinha condicionado o closing da operação à data de 31 de janeiro, o que agora está em condições de ser cumprido, uma vez que a proposta do consórcio passou na assembleia de 27 de novembro. A Caixa irá receber o seu crédito e irá participar no sindicato bancário de financiamento ao investimento, tal como admitiu o CEO da CGD, Paulo Macedo, ao Jornal de Negócios.

Segundo o Expresso 300 milhões é o investimento previsto pelo consórcio para os primeiros cinco anos. Num horizonte de 15 anos serão investidos 1.000 milhões de euros.

A Vanguard prevê a criação de 2.000 a 3.000 empregos num prazo de 5 anos.

A proposta da Vanguard/Amorim prevê uma conta escrow de 8 milhões que serve para garantir eventuais surpresas no valor dos ativos, que surjam no prazo de nove meses.