Clã ganha milhões com contas falsas

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Correio da Manhã

A falsificação das contas da Espírito Santo International (ESI), empresa que esteve na origem do colapso do Grupo Espírito Santo (GES), permitiu à família Espírito Santo, como acionista da ESI, receber, em 2011, mais de 9,6 milhões de euros em dividendos.

No final de 2010, a ESI já tinha uma dívida oculta de 728 milhões de euros. A acusação do Banco de Portugal a 18 gestores e entidades ligadas ao GES é categórica: “Em junho de 2011, no processo de encerramento das contas intercalares com referência a 31/05/2011, Ricardo Salgado solicitou a José Castella e a Francisco Machado da Cruz [funcionários da ESI], que, por sua vez, solicitaram a Pierre Butty [funcionário da ES Services], a introdução de um conjunto de alterações ao projeto de demonstrações financeiras elaborado pela ES Services, que permitiram gerar os resultados necessários para que fosse pago um dividendo extraordinário aos acionistas da ESI no valor de 18,228 milhões de euros.

” Como os cinco ramos da família Espírito Santo tinham 53,1% do capital da ESI (ver infografia), receberam mais de metade dessa verba. O valor restante foi destinado aos outros acionistas da ESI. 

Papel comercial não é pago pelo Novo Banco

O Banco de Portugal reiterou ontem que o Novo Banco não tem a responsabilidade de reembolsar os clientes que investiram em títulos de dívida de empresas do GES que foram subscritos aos balcões do BES. Esta garantia foi dada pelo supervisor aos interessados na compra do Novo Banco, que procuraram esclarecimentos junto do Banco de Portugal. O processo de venda do Novo Banco está na sua fase final. Lesados vão avançar com quixa-crime  Acompanhados pela PSP, cerca de 15 clientes do Novo Banco estiveram ontem na sede do banco, em Lisboa, para identificar os gestores de conta que lhes venderam papel comercial do GES. E preparam-se para apresentar uma queixa-crime no DCIAP.

O objetivo dos clientes, que integram a Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial, é apresentar queixa-crime por burla qualificada, responsabilizando gestores, subgerentes e gerentes, percorrendo a hierarquia do banco, até aos administradores. “Como o processo está parado, não nos restou outra alternativa que não fosse avançar com um processo-crime”, explica Pedro Martins.

A recém-criada comissão de funcionários do antigo BES já refutou qualquer responsabilidade na venda de papel comercial, considerando que foram os trabalhadores “as principais vítimas da derrocada” do banco. 

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