Deficiências no reporte de crédito do Novo Banco detectadas após resolução do BES

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A Comissão Europeia conclui que há problemas nos sistemas informáticos e no reporte de gestão no Novo Banco. Bruxelas deixa mesmo críticas ao período em que o Banco de Portugal já estava no controlo.

Há um problema na informação sobre créditos no Novo Banco. E não são deficiências herdadas do Banco Espírito Santo. Também no período pós-resolução houve lacunas identificadas por Bruxelas.

A Comissão Europeia, na decisão relativa às ajudas do Estado no âmbito da alienação de 75% do Novo Banco à Lone Star, descreve que a instituição financeira sofre de “deficiências significativas” na sua capacidade de reporte.

Cálculo de probabilidades de incumprimento em menos créditos do que o devido; classificações de risco pouco claras; números pouco “confiáveis” e sem possibilidade de verificação “devido à ausência de colaterais”: estas são algumas das provas que justificam a consideração deixada pelo relatório assinado pela comissária da Concorrência, Margrethe Vestager.

Estas são descobertas “problemáticas” tanto nos sistemas de tecnologia da informação como no reporte de informação da entidade.

Em causa estão os créditos mais antigos concedidos pelo BES. Só que os problemas detectados não ocorrerem todos antes de 3 de Agosto de 2014. “Tais descobertas dizem respeito não só ao período anterior à resolução do BES, mas continuam a ter impacto no desempenho do Novo Banco sob a gestão do Fundo de Resolução, colocado sob responsabilidade do Banco de Portugal”.

“Mesmo o novo financiamento em 2016, com o Banco de Portugal no controlo há mais de um ano, mostra deficiências significativas em todas estas categorias”, considera o documento, que critica o regulador numa outra afirmação: “Sob o controlo directo do Banco de Portugal, o Novo Banco parece ter feito pouco para responder às anteriores práticas de financiamento problemáticas”.

Em resultado, as perdas associadas a estes activos antigos podem ter sido subestimadas, diz a Comissão. Ou seja, num cenário adverso, as perdas adicionais podem ser “significativas”.

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