Dono da Altice é lesado do BES

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O nome de Patrick Drahi surge no processo de liquidação do BES, que está a correr em Lisboa desde Julho do ano passado. O empresário fundador da Altice investiu em obrigações do antigo banco, cujo reembolso reclama agora através de um tribunal suíço.

O dono da Altice é um dos “lesados” do Banco Espírito Santo. Um investimento pessoal em obrigações da instituição financeira coloca Patrick Drahi na lista das acções judiciais de reclamação de créditos.

O nome de Patrick Drahi é um dos que surge na consulta feita pelo Negócios ao processo de liquidação do Banco Espírito Santo, que corre no Tribunal do Comércio de Lisboa.

Segundo informações recolhidas pelo Negócios, em causa está o investimento feito, há vários anos, por Patrick Drahi em obrigações emitidas pelo grupo BES. Uma fonte próxima frisa que o investimento é particular, pelo que não tem qualquer tipo de relacionamento com a Altice.
Não foi possível apurar em que ano foi feito o investimento nem o montante. O grupo e o seu fundador não quiseram fazer comentários ao Negócios.

O empresário que detém a maioria do capital da Altice, grupo que entrou em Portugal através da Cabovisão e da Oni e que em 2015 comprou as operações da PT Portugal (Meo), surge no processo através de uma acção colectiva, sendo que Drahi encarregou uma mandatária para defender os seus direitos no processo.

O BES está em liquidação desde Julho do ano passado, quando perdeu a licença bancária. Desde aí, a entidade que ficou com os activos e passivos considerados tóxicos está a citar os seus credores, para que possam reclamar os seus investimentos. Para isso, a sociedade recebe as reclamações ou tem de citar os seus credores conhecidos, não só dentro da União Europeia (UE), mas também fora do espaço comunitário. É o caso de Patrick Drahi, que, apesar do passaporte israelita, tem a residência fiscal na Suíça. Por esse motivo, há contactos entre o tribunal nacional e a primeira instância suíça sobre a temática do processo de liquidação.

Patrick Drahi faz parte de uma das 22.900 reclamações de crédito que, até agora, já constam do processo de liquidação do BES mau. Um número que mostra a complexidade de todo o processo, que ainda não conseguiu concluir a citação de todos os credores fora da UE.
Só depois desse processo é que poderá dar-se por concluída toda a reclamação de créditos e partir daí para o seu reconhecimento e graduação. Não foi possível apurar se o investimento do multimilionário das telecomunicações foi feito em obrigações seniores ou subordinadas.

Em Julho do ano passado, e como o Negócios deu conta na última sexta-feira, o BES tem um buraco de 5,6 mil milhões de euros, com os activos de 152 milhões de euros a serem insuficientes para compensar o passivo que é superior a 5,7 mil milhões.

PT e BES voltam a juntar-se na mesma história

A acção colocada por Patrick Drahi, ainda que a título pessoal, volta a colocar na mesma notícia a PT e o BES. A Altice, de que é fundador, concluiu em 2015 a compra da PT Portugal, que ficou com os activos operacionais do antigo grupo português de telecomunicações. A aquisição foi feita à brasileira Oi, depois de falhada a aliança entre as duas empresas lusófonas. Um falhanço que se deveu, sobretudo, ao investimento feito pela antiga PT em papel comercial da Rioforte, do Grupo Espírito Santo, que foi tornado público em Junho de 2014. Com esse facto, a PT ficou dividida em duas: a PT Portugal, onde ficaram as marcas operacionais como o Meo e o Sapo, e a Pharol, que manteve a estrutura accionista da antiga PT e ficou com aqueles títulos de dívida da Rioforte. O investimento da operadora no GES reflecte uma proximidade que sempre houve entre a operadora e o banco liderado por Ricardo Salgado, que foi intervencionado em 2014 após o dominó da queda das empresas do grupo. Em 2017, a Altice vai eliminar a herança desses tempos, já que vai acabar com insígnias como a Meo.

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