ESI e Rioforte só têm dinheiro para pagar até 4% das suas dívidas

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Os credores das maiores sociedades do antigo Grupo Espírito Santo continuam numa frágil situação. Até ao final do ano, as perspectivas de recuperação não eram animadoras. A justiça nacional é um entrave à recuperação.

Se, no final de 2015, a Espírito Santo International tivesse de esvaziar os seus cofres, os seus credores apenas receberiam 3% do valor investido. Já a Rioforte conseguiria, com o dinheiro que tem depositado, pagar 4% das dívidas. A Espírito Santo Control, através da qual o grupo liderado por Ricardo Salgado exercia o poder, tem uma dívida de 70 milhões mas dispõe de qualquer montante para a reembolsar.

São estas as perspectivas de recuperação para os investidores a quem as três sociedades de topo do Grupo Espírito Santo devem, segundo um relatório feito pelos curadores de insolvência do Luxemburgo e que tem como referência 31 de Dezembro de 2015. Entre os credores destas empresas, destacam-se a PT, que perdeu 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, e os pequenos investidores que, aos balcões do BES, compraram também papel comercial destas empresas.

No caso da ESI, a sociedade-mãe do GES dispõe de 122,7 milhões de euros depositados. Contudo, a quase totalidade deste montante está detido como “medida de precaução”, informam os seus curadores – são dinheiros que podem ser reclamados por outras sociedades em insolvência e que não estão garantidos. Além disso, há muitos activos que estão sob arresto da justiça portuguesa e suíça, pelo que não tem sido possível vendê-los. Em Setembro, foi acordada a venda do edifício do GES em Miami, por 142 milhões de dólares, mas ainda se aguarda a divisão das receitas por várias sociedades.

Este montante compara com os mais de 4 mil milhões de euros reclamados nas 1.000 participações que chegaram ao Luxemburgo. Ou seja, a ESI só consegue pagar 3% da dívida. E a dívida pode aumentar, já que as reclamações de crédito podem ser feitas até 30 de Junho de 2016.

Rioforte pode pagar 4% da dívida

É até essa data que os credores da Rioforte também podem reclamar: até ao final do ano passado, foram mais de 1.250 reclamações a pedir mais de 2,8 mil milhões de euros.

O montante depositado pela Rioforte (que era a sociedade de topo do ramo não financeiro do GES) ascendia a quase 110 milhões de euros no final do ano passado, o que compensa apenas 4% da dívida total reclamada.

Mais uma vez, os valores podem ainda ser alterados: há activos que ainda estão disponíveis para venda mas que a justiça tem sob arresto, para futuras indemnizações. É o caso das participações na Herdade da Comporta ou a Espírito Santo Property, empresa do imobiliário – entidades que tiveram comprador mas que nunca chegaram a ser vendidas devido ao bloqueio da justiça.

Entretanto, há já despesas assumidas (com advogados, viagens e outros aspectos administrativos) que também se somam à dívida das empresas, o que dificulta efectivamente saber qual o dinheiro a ser recuperado pelos credores.

Estes são novos dados, à data de 31 de Dezembro, publicados num novo relatório dos curadores da insolvência das empresas do GES, Alain Rukavina e Paul Laplume, que já tinham feito um relatório no início de Setembro. Nessa altura, os números da Rioforte eram idênticos aos agora verificados mas o valor obtido pela ESI era bastante inferior.

ES Control com menos uma reclamaçãoA Espírito Santo Control era a empresa detida pelos grandes nomes do GES e através da qual exerciam controlo sobre a ESI e, daí, na Rioforte e no ramo financeiro, com destaque para o BES. E, na insolvência desta terceira “holding”, poucas são as alterações registadas em Dezembro face a Setembro. “Esta sociedade não dispõe de depósitos líquidos”, assinala o relatório dos curadores da insolvência. Havia, a 31 de Dezembro de 2015, 70 milhões de euros reclamados por sete entidades distintas. Em Setembro, eram sete reclamações mas uma foi, entretanto, retirada.

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