Fundo de Resolução descarta papel na venda do Novo Banco de Cabo Verde

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O Fundo de Resolução, que é o accionista único do Novo Banco, recusa que tenha poderes para avaliar a venda do Banco de Cabo Verde à sociedade de José Veiga. E diz que não tem de avaliar idoneidade.

O Fundo de Resolução recusa ter quaisquer responsabilidades na alienação da unidade que o Novo Banco detém em Cabo Verde a uma sociedade liderada por José Veiga. É esta a resposta deste fundo, accionista único do banco português e que funciona junto do Banco de Portugal, à notícia do Correio da Manhã que diz que a justiça fez questões ao empresário, actualmente detido, relativas a funcionários do Fundo de Resolução que tiveram envolvimento na operação.

“A lei não atribui ao Fundo de Resolução competências ou poderes para autorizar ou para se opor à operação de venda do BICV, pelo Novo Banco”, indica um esclarecimento do Fundo de Resolução publicado no site oficial ao final da tarde desta segunda-feira, 8 de Fevereiro.

Segundo o comunicado do Fundo de Resolução, que é presidido por José Berberan Ramalho (vice-governador do Banco de Portugal, na foto), apesar de ser o accionista único do Novo Banco, o fundo não tem responsabilidade sobre “a alienação dos activos que integram o património do Novo Banco, ou a sua aprovação”.

O Banco de Portugal é que tem de se pronunciar sobre as operações e é também ele que define quem tem idoneidade para ser banqueiro. O Fundo de Resolução defende, no comunicado, que não lhe cabe, “em nenhuma circunstância, proceder à avaliação da idoneidade para o exercício da actividade bancária”.

O antigo empresário de futebol José Veiga foi o vencedor da venda do Banco Internacional de Cabo Verde, que transitou para o Novo Banco no âmbito da resolução aplicada ao Banco Espírito Santo, num processo que levaria 14 milhões para a instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha. Contudo, conforme deu conta o Negócios, a operação corre, agora, o risco de ser anulada, já que não deverá obter a autorização por parte do Banco de Portugal.

O antigo agente de futebol esteve, nos últimos dias, sob interrogatório judicial num processo denominado Rota do Atlântico que envolve suspeitas da prática dos “crimes de corrupção no comércio internacional, de branqueamento e de fraude fiscal, e ainda crimes de tráfico de influência e de participação económica em negócio na compra e venda de acções de uma instituição financeira estrangeira, acções, essas, detidas por instituição de crédito nacional”.

Banco de Portugal não esclarece

Apesar do esclarecimento do Fundo de Resolução, o Banco de Portugal não respondeu às perguntas feitas esta segunda-feira pelo Negócios: o que está a ser feito pelo regulador com a indicação de que há funcionários do Fundo a ser investigados no âmbito da Rota do Atlântico?; o regulador foi contactado pela justiça neste processo?; e em que fase está o processo de venda do banco de Cabo Verde?

Segundo noticiou o Expresso, também há funcionários do próprio Banco Internacional de Cabo Verde suspeitos de dar informação privilegiada a José Veiga para que este apresentasse uma proposta de compra que garantisse a vitória na venda da instituição.

Veiga foi detido, juntamente com Paulo Santana Lopes e uma advogada, para interrogatório na semana passada. Sabe-se já quais as medidas de coacção que enfrenta: o empresário fica com a medida de coacção mais gravosa, prisão domiciliária, e o irmão do ex-primeiro-ministro em domiciliária até ao pagamento de uma caução de 1 milhão de euros.

TOME NOTA
Cabo Verde chumbou banco 

Antes de querer comprar o banco cabo-verdiano que pertence ao Novo Banco, José Veiga tentou constituir uma outra instituição financeira naquele país. Só que o antigo empresário de futebol, detido por suspeitas de crimes de corrupção, não conseguiu, dado o chumbo do regulador daquele país. Depois, tentou adquirir o Banco Internacional de Cabo Verde. Mas nem Banco de Portugal nem o regulador de Cabo Verde aprovaram ainda a operação.

 

One Response to “Fundo de Resolução descarta papel na venda do Novo Banco de Cabo Verde”

  1. Miguel Reis diz:

    Uma resposta suspeita…

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