Governo recebe lesados do BES da Venezuela

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Diário de Notícias

Emigrantes na Venezuela e na África do Sul que investiram no BES reúnem-se com a assessora de António Costa na segunda-feira

Há uma luz ao fundo do túnel para os lesados do ex-Banco Espírito Santo (BES) da Venezuela e da África do Sul. Os representantes destes investidores, que sofreram perdas devido a aplicações em produtos vendidos pelo banco, reúnem-se em Lisboa, na próxima segunda-feira, dia 18, com uma assessora do primeiro-ministro, Mariana Melo Egídio, numa altura em que António Costa se encontra fora do país.

A reunião está marcada para as 17.30 e representa um sinal de esperança para estes investidores. “Levamos quatro anos nisto”, afirmou José Rodrigues, vice-presidente da Associação de Lesados da Venezuela ao DN/Dinheiro Vivo. “A nossa expectativa é saber qual a proposta que o governo tem para uma solução”, adiantou José Rodrigues, que já se encontra em Lisboa. “Agora com a situação difícil que se vive na Venezuela, muitos estão a lutar para sobreviver”, afirmou.

Com José Rodrigues veio Sara Freitas, presidente da associação. De Lisboa esperam levar uma oferta que possa ser o início de uma solução para os lesados do país. Também os emigrantes lesados da África do Sul esperam boas notícias da reunião em Lisboa, depois de quatro anos de espera por uma resposta das autoridades portuguesas.

Segundo José Rodrigues, há 147 emigrantes na Venezuela que se juntaram na associação, num total de perdas de 60 milhões de euros. A esses há que juntar os sul-africanos. Estes serão mais de cem, segundo um dos advogados.

Estes lesados compraram produtos financeiros, incluindo papel comercial da Espírito Santo International (ESI) e da Rioforte, mas foram excluídos da solução negociada com o governo para os lesados do papel comercial em Portugal por terem feito as aplicações através de sucursais externas, como a da Madeira.

Estes investidores aplicaram as suas poupanças não só em papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo, mas também noutros tipos de produtos financeiros, pensando que eram investimentos seguros. Acabaram por perder todo o dinheiro investido.

Abandono do Novo Banco

Uma das grandes queixas destes lesados, além das avultadas perdas registadas, prende-se com o abandono que dizem ter sentido por parte do Novo Banco, a entidade criada para suceder ao BES. “Fecharam o único balcão de atendimento que existia na Madeira. Nem todos os lesados têm disponibilidade económica para vir a Lisboa tratar dos seus assuntos”, apontou José Rodrigues.

Estes lesados também sofreram perdas com o Banif, mas a reunião com a assessora do primeiro-ministro vai cingir-se apenas a uma solução para as aplicações em produtos financeiros contratados junto do BES.

O número total de lesados em ambos os países, e os respetivos montantes investidos em produtos financeiros junto do BES e do Banif, ainda estão a ser apurados, segundo José Rodrigues.

O Banif foi alvo de uma medida de resolução em dezembro de 2015, após uma decisão do governo e do Banco de Portugal. Parte da atividade bancária do banco foi vendida ao Santander Totta por 150 milhões de euros. Foi ainda criada uma sociedade, a Oitante, para a qual foram transferidos todos os ativos que o Totta não quis.

Atualmente ainda existe o Banif, mas como banco mau, que agrega os acionistas e os obrigacionistas subordinados. Estes dificilmente irão receber importâncias relativas aos seus investimentos.

Para os lesados do BES e do Banif na Venezuela e na África do Sul, a reunião da próxima segunda-feira é vista como a primeira de outras que poderão levar a uma solução para a recuperação da suas perdas.

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