Grupo Espírito Santo: ESI só tem dinheiro para pagar 3% das dívidas

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Dinheiro Vivo

A 30 de dezembro, a Espírito Santo International contabilizava 1000 declarações de credores. Créditos podem ser reclamados até 30 de junho.

A 30 de dezembro, a Espírito Santo International (ESI) contabilizava 1000 declarações de credores. Reclamações de créditos podem ser efetuadas até 30 de junho de 2016. A holding que controlava os negócios da área não-financeira da família Espírito Santo e que estava no topo do grupo tinha ativos bancários de 122,7 milhões de euros no final de 2015, de acordo com o relatório dos curadores do Luxemburgo, publicado hoje.

Este montante compara com 4 mil milhões de euros em créditos já reclamados por credores da ESI. Feitas as contas, a empresa que precipitou a queda do GES tem recursos financeiros para reembolsar apenas 3% dos créditos já reclamados. As expectativas de recuperação dos credores são cada vez mais reduzidas. Leia também: Rio Forte mantém dívida de 2,8 mil milhões e reclamações aumentam O relatório dos curadores luxemburgueses alerta ainda que os recursos disponíveis “contém fundos detidos por precaução, no valor de 120,6 milhões de euros”. “Esses fundos referem-se a responsabilidades da empresa em falência sobre os quais terceiros possam vir a invocar direitos”. Até ao final de dezembro, a empresa tinha registado 1000 declarações de credores. Até 31 de agosto, a ESI tinha recebido 2,5 mil milhões de euros em reclamações de crédito.

Em quatro meses, o valor disparou 1,5 mil milhões de euros. Já as disponibilidades financeiras da ESI fixavam-se em 767 mil euros. O valor aumentou com o contributo das receitas de quadros do grupo, vendidos na leiloeira Christie’s em Paris, e a alienação do Espírito Santo Plaza. Leia também: Tribunal gasta 3 milhões com empresas falidas do GES “O processo de venda de imóveis localizados nos Estados Unidos da América está parcialmente concluído. A repartição final do preço de venda entre as diversas empresas de GES será determinado”. O relatório dá ainda conta de que “os ativos de duas sociedades offshores foram recuperados pela empresa em falência”.

As sociedades estão em fase de liquidação. As vendas futuras de ativos da ESI serão anunciadas oportunamente pelos curadores luxemburgueses, que não arriscam apresentar uma estimativa de recuperação de receitas. A reclamação de créditos tem de ser feita para os administradores das insolvências no grão-ducado até 30 de junho. O relatório dos curadores das insolvências das empresas do universo Espírito Santo, datado de 19 de janeiro, faz também um ponto de situação dos depósitos bancários existentes e das dívidas já reclamadas pelos credores da Rioforte e da Espírito Santo Control no Luxemburgo. Relações com outras entidades do GES O GES tem um elevado número de empresas, tendo sido identificadas mais de 500.

Destacam-se a ESI, a Rio Forte Investments e a Espírito Santo Control. “Os curadores têm estado em contacto com curadores e administradores de insolvência de outras sociedade do GES, com o objetivo de identificar oportunidades de cooperação e os riscos de conflito de interesses”. Já no relatório anterior, os curadores alertaram que foram detetadas inúmeras operações de crédito intragrupo, o que gerou reclamações mútuas, garantias e compromissos, “que têm de ser analisados ao detalhe quanto à sua existência, validade e efeitos após as insolvências”. Em matéria de investigações, os curadores continuam o seu trabalho de colaboração com a justiça portuguesa e em contacto regular com o Ministério Público Federal do Cantão de Lausanne com o objetivo de recuperar os ficheiros e os documentos necessários às sociedades do GES para o cumprimento das suas obrigações financeiras, como as fiscais.

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